Dicionрrio de Regionalismos do Rio Grande do Sul

Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes Membros efetivos da Academia Rio-Grandense de Letras e da EstРncia da Poesia Crioula

Dicionрrio de Termos do Rio Grande do Sul 12ф Ediусo

MARTINS LIVREIROEDITOR PORTO ALEGRE

2010

- Zeno Cardoso Nunes – Rui Cardoso Nunes

Direitos desta ediусo: Martins Livreiro – Editor

Capa: Tadeu Martins

Nunes, Zeno Cardoso Dicionрrio de regionalismos do Rio Grande do Sul, por Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes. Apres. de Hugo Ramьrez. Porto Alegre, Martins Livreiro Ed., 2010 552 p.

CDU 806.90(816.5)-3

Catalogaусo elaborada pela Biblioteca PЩblica do Estado em 30.09.82

Ediусo Revista pelos Autores.

Atendemos pelo Correio (encomenda normal) Martins Livreiro Editora LTDA Av.VenРncio Aires, 169 sala 101 – Cep 90040-191 Porto Alegre – RS – Brasil Fone Fax (51)3224-4798 www.martinslivreiroeditora.com.br martinseditora@terra.com.br

Aos confrades

da

ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS

e da

EST┬NCIA DA POESIA CRIOULA,

nossa homenagem

APRESENTAК├O

Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes sсo dois gaЩchos autЖnticos, Я melhor moda serrana. Homens de Cima-da-Serra, trazendo nas veias o sangue bandeirante dos velhos conquistadores dos itaimbжs e sertшes do altiplano, sсo mais para quietarrшes do que temperamentais como os filhos da Fronteira platina. TranqЧilos, vЖm construindo, ao longo dos anos, uma obra literрria plena de profundo telurismo. Poetas, embalados pelos ritmos do velho Portugal, tranуam no decassьlabo os tentos de seu mрgico encantamento diante da terra fechada e enevoada onde nasceram, olhos e emoусo erguidos em asas de unусo e enlevo atж os hemiciclos verde-azulados dos candelabros do Sul, em cujos tocheiros pousam pрssaros amantes das alturas. Arrancados de sua querЖncia e repontados para a cidade grande pela guilhada da necessidade, deitaram raьzes no colo das doces colinas porto-alegrenses e passaram a viver vida de funcionрrios exemplares. E criaram ao seu redor pastiуais fartos de estima e consideraусo pessoal, estancieiros graЩdos do rodeio da amizade. A par de seus belos e lьricos versos, construьram, em paciente e carinhosa tropeada pelos escampados largos da fala dialetal do gaЩcho, este livro, o Dicionрrio de Regionalismos do Rio Grande do Sul. A obra pretende abraуar todas as tropilhas vocabulares. ╔ fecunda em termos e modismos, ensejando uma ampla visсo do panorama dialetal gaЩcho. A obra os consagra, sem dЩvida, mas consagra mais ainda ao Movimento Tradicionalista GaЩcho, de que sсo os dois irmсos expoentes de primeira linha. Apзs o valioso serviуo de aliciamento da juventude e do povo em geral em torno da cultura viva do Rio Grande do Sul, o Movimento Tradicionalista GaЩcho erigiu um inestimрvel acervo espiritual que se transmitirр pelos sжculos afora mediante o testemunho bibliogrрfico, filmico, discogrрfico, artistico. No campo bibliogrрfico, a par de centenas e centenas de livros em prosa e verso que complementaram em definitivo a estrutura literрria do gauchismo no Brasil, avultarсo os trabalhos exponenciais de que a Antologia da EstРncia da Poesia Crioula ж exemplar e altamente representativa, e a que este Dicionрrio de Regionalismos do Rio Grande do Sul valoriza sobremaneira. Pertencem Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes р Academia Rio-Grandense de Letras e Я EstРncia da Poesia Crioula, duas entidades em que o espьrito gaЩcho encontrou sempre a melhor acolhida. Estas instituiушes como os amigos e companheiros de ideais culturais podem sentir justo orgulho diante deste volume que melhor as justifica como expressшes sociais atuantes, ambas, da mesma forma que a Academia Brasileira, endividadas com o povo na tarefa de dicionarizaусo da lьngua portuguesa do Brasil, a que os regionalismos da querЖncia Rio-Grandense dсo notрvel colaboraусo. A obra valoriza, sobremodo e antes do mais, o patrimЗnio semantolзgico e coloquial do Brasil, em sua рrea de cultura meridional. E enseja uma dupla perspectiva de integraусo sociolзgica, tanto dentro de nosso paьs, onde a fala do rurьcola gaЩcho ж algo saborosamente peculiar, como, ainda e alжm fronteiras, entrelaуando, atravжs da comunidade lingЧьstica, importantes regiшes de idЖntica sociogжnese, da Argentina, do Brasil e do Uruguai. Estes aspectos, sensьveis a qualquer observador, dizem muito deste glossрrio dialetolзgico. Mas hр mais; hр o aspecto afetivo concernente a nossas idiossincrasias de brasileiros da gaucholРndia, fartamente dinamizadas pela beneditina paciЖncia destes dois irmсos, almas eleitas na seara do serviуo Я comunidade onde vivem e atuam, aos quais o Rio Grande do Sul passarр a dever por demais.

Porto Alegre, 13 de agosto de 1982. HUGO RAMIREZ, da Uniсo Brasileira de Escritores de SP, da Academia Rio-Grandense de Letras, da Academia Paranaense de Letras e da EstРncia da Poesia Crioula.

NOTA DOS AUTORES

Este dicionрrio, iniciado hр mais de meio sжculo, em Sсo Francisco de Paula, continha, de inьcio, apenas os termos mais tipicamente gaЩchos utilizados pelos habitantes do interior de nosso Estado. Aos poucos, porжm, se foi enriquecendo com palavras e expressшes colhidas nсo sз na linguagem falada no territзrio rio-grandense, que tivemos oportunidade de percorrer e de auscultar de ponta a ponta, mas, tambжm, em centenares de obras, em prosa e verso, por nзs compulsadas, entre as quais os dicionрrios, vocabulрrios e glossрrios jр vindos Я luz, principalmente os de AntЗnio ┴lvares Pereira Coruja, Josж Romaguera CorrЖa, Roque Callage e Luiz Carlos de Moraes. Assim, deixou este livro de ser o trabalho modesto, inicialmente pretendido por seus autores, pois nele estсo registradas, para apreciaусo dos interessados, mostradas nos exemplos de consagrados mestres, as vozes regionais, de mЩltiplas origens, que tanto enriquecem e embelezam a colorida e vigorosa linguagem falada em nossa QuerЖncia.

Porto Alegre, 13 de agosto de 1982.

ABREVIATURAS

adj. = adjetivo,locuусo adjetiva

adv. = advжrbio,locuусo adverbial

A.Maia = Alcides de Castilhos Maia

antiq. = antiquado

arc. port. = arcaьsmo portuguЖs

art. = artigo

Aureliano = Aureliano de Figueiredo Pinto

B. – Rohan = Henrique de Beaurepaire-Rohan

Callage = Roque Oliveira Callage

cast. = castelhano, castelhanismo

conj. = conjunусo, locuусo conjuncional

Coruja = AntЗnio ┴lvares Pereira Coruja

desus. = desusado

ed. = editor, editora, ediусo, editado por

EPC = EstРncia da Poesia Crioula

esp. = espanhol, espanholismo

ex. = exemplo

expr. expressсo

fig. = figurado, figuradamente

gir. = gьria

Globo = Editora Globo, Editora Globo S.A., Livraria do Globo

IEL = Instituto Estadual do Livro

interj. = interjeiусo

livr. = livraria

loc. = locuусo

Moraes = Luьs Carlos de Moraes

num. = numeral

P.A. = Porto Alegre

= pрgina, pрginas

pl. = plural

plat. = platino, platinismo

por ext. = por extensсo

p.p. = particьpio passado

prep. = preposiусo, locuусo prepositiva

pron. = pronome

us. = pouco usado

RJ = Rio de Janeiro

Romaguera = Josж Romaguera da Cunha CorrЖa

RS = Rio Grande do Sul

s. = substantivo, locuусo substantiva

Simшes Lopes = Joсo Simшes Lopes Neto

Sulina = Livraria Sulina Editora

Teschauer = Pe. Carlos Teschauer, S. J.

URGS = Universidade Federal do Rio Grande do Sul

v. = ver, vide

v. = verbo, locuусo verbal

var. = variante

A

ABAGUALADO, adj. Semelhante a bagual, arisco, sestroso, espantadiуo. // Por ext.: Indivьduo grosseiro, inculto, rЩstico, amatutado, selvagem, abrutalhado, estouvado.

ABAGUALAR-SE, v. Tornar-se bagual.

ABAIXAR A GRIMPA, expr. Desmoralizar, abater, tirar a cisma. Fazer alguжm acomodar-se, aquietar-se, usando de medidas enжrgicas.

ABALOSO, adj. Que abala. Diz-se de andar de cavalo que abala ou sacode muito. Pesado, desagradрvel.

ABANCAR-SE, v. Assentar-se. 1 Significa tambжm comeуo de aусo: “O cavalo abancou-se a corcovear”. // Var.: bancar-se.

ABANHE╔M, s. Lьngua geral dos tupis- guaranis. Var.: abanheenga e avanheenga.

ABANHEENGA, s. O mesmo que abanheжm.

ABARBADO, adj. Cheio de afazeres, sem tempo para coisa alguma, sobrecarregado de trabalho.

ABARBARADO, adj. Diz-se do indivьduo com maneiras de bрrbaro. Arrojado. temerрrio, temьvel, abrutalhado, grosseiro, estouvado, rude.

ABARBARAR-SE, v. Adquirir hрbitos ou maneiras de bрrbaro. Tornar-se abarbarado,

“Vivendo longe de gente, naquele triste tundсo, abarbarou-se o vivente, virou potro chimarrсo.”

ABARBAR-SE, v. Encher-se de afazeres, Tornar-se muito atarefado, sem tempo para coisa alguma. Assoberbar-se de serviуo.

ABARRACAR, v. Colocar-se o homem em um canto, em conversa com mulher.

ABATATAR, v. Abater, desmoralizar, entristecer, humilhar.

ABATEDOIRO, s. Abatedouro.

ABATEDOURO, s. Matadouro. Lugar onde as reses sсo abatidas para consumo. Var. abatedoiro.

ABATUMADO, adj. Diz-se do bolo que ficou duro e pesado por insuficiЖncia de fermentaусo da massa. Var. abetumado.

ABATUMAR, v. Tornar-se abatumado.

ABAXAR, v. Abaixar. (Arc. port. em uso atual no RS).

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ABEIRANTE, adv. Que estр prзximo da beira. // Prзximo a determinada idade.

ABEIRAR-SE, v. Aproximar-se da beira, andar rente Я beira. // Aproximar-se de uma certa idade. // Var.: aveirar-se (p. us.).

ABERTA, s. Clareira.

ABERT├O, s. Grande aberta ou clareira, na mata.

ABESTRUZ, s. O mesmo que avestruz. Nome dado Я ema. Nhandu, xuri.

ABETUMADO, adj. O mesmo que abatumado.

ABICAR, v. Ficar a vaca, no perьodo de gravidez, com os tetos entumecidos de leite, indьcio de prзxima pariусo.

ABICHAR, v. Criar bicheira. Ser o animal atacado de vermes causados por larvas depositadas em suas feridas pela mosca varejeira.

ABICHORNADO, adj. Aborrecido, triste, desanimado, vexado, envergonhado, acovardado, aniquilado, magoado, acabrunhado, macambЩzio, abatido. V. abichornar.

“A bichornados, pela melancolia dos dias frios, cada um buscava, nas reminiscЖncias mais remotas, o causo, que viesse a ser o melhor da tarde.” (Benito Josж Fattori, Campo Solitрrio, p. 22).

ABICHORNAR, v. Tornar abichornado. Segundo Valdez, este vocрbulo tem sua etimologia nas palavras castelhanas abochornar e bochomoso, com acepусo figurada de corar de vergonha, irritar, e de vergonhoso, que causa vergonha e vitupжrio. Segundo o Visconde de Beaurepaire-Rohan, o radical desses termos ж o nome, tanto portuguЖs como castelhano, bochorno, com a significaусo de estado atmosfжrico que predispшe ao abatimento e Я lassidсo. Acredita Romaguera Corrжa que esa palavra se derive do termo portuguЖs bicho, pois hр uma certa analogia entre o estado do animal que tem bichos e bicheira e que, por isso, anda triste, inquieto e abatido e o dos indivьduos que estсo sob a impressсo de uma desgraуa, tristeza ou desastre moral qualquer.

ABICHORNAR-SE, v. Tornar-se abichornado. Abater-se. V. abichornar.

“Deixem-me tomar um trago. que estas sсo outras quarenta: minha goela estр sedenta, mas nem assim me abichorno, pois o velho, como o forno, pela boca ж que se esquenta.” (Josж Hernрndez, Mart ьn Fierro, traduусo de J. O. Nogueira Leiria).

ABOBRA, s. Abзbora.

ABOBREIRO, s. Matungo. pilungo. cavalo sem valor.

ABOCANHAR, v. Apossar-se indevidamente de coisa alheia.

“O certo ж que o teatino Tornou-se enfim um graЩdo. Chegando a abocanhar tudo, Tornando-se um pente fino.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro – Editora, 1978, p. 56).

A BOCHE, loc. adv. Em grande quantidade, com abundРncia. (Esp.).

A BOLA PE. expr. O mesmo que de bola pж.

ABOLETADO, adj. Indevidamente instaLado em determinado lugar.

ABOLETAR-SE, v. Instalar-se. Ocupar, indevidamente, determinado lugar. // Receber ou ganhar qualquer coisa. 1. Apoderar-se de algo ou ocupar determinado lugar, por esperteza: “A boletou-se com o que nсo era seu”; “Abo-

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letou-se no terreno alheio e lр ficou.”

ABOMBACHADO, adj. Diz-se do feitio de calуas muito largas, com forma de bombachas.

ABOMBADO, adj. Cansado e ofegante por efeito de trabalho em dia de calor. Exausto, esfalfado, arquejante. Diz-se dos animais, e, por ext., das pessoas. (╔ platinismo usado tambжm em Sсo Paulo).

“Dia quente, de mormaуo. A gente vinha abombada. Custou-se a achar uma aguada Onde o boi bebesse a gosto, E era jр quase sol posto, Nсo se tinha andado nada.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 32).

ABOMBADOR, s. e adj. Pessoa que cansa o cavalo, ou outro animal, por nсo saber utilizр-lo. // Animal que abomba facilmente.

ABOMBAMENTO, s. Estado do animal que abombou.

ABOMBAR, v. Ficar o animal impossibilitado de continuar a marcha por cansaуo devido ao calor.

“Diz-se que o cavalo abombou, quando, tendo feito grande viagem em dia de calor, fica em estado de nсo poder mais caminhar; mas, depois de refrescar, pode continuar a marcha” (Coruja). “Nas indagaушes a que tenho procedido nada pude encontrar de muito satisfatзrio a respeito da origem do verbo abombar. Cheguei a pensar que fosse de procedЖncia guarani; mas estou hoje convencido do contrрrio. Entre os chilenismos apontados por Zorobabel Rodrigues, encontra-se o v. pron. abombar-se, e o adjetivo abombado, significando: 1║ perder em parte a lucidez das faculdades mentais; 2║ жbrio ou antes ligeiramente embriagado, dizendo-se tambжm bomba na frase estar em bomba. O nosso verbo abombar serр por acaso o resultado da comparaусo do cavalo, que, por fatigadьssimo, nсo pode caminhar, com o homem, a quem outro tanto acontece no estado de embriaguez?” (B. – Rohan). “Jaques Raymundo, em Elemento afro-negro na lьngua portuguesa, diz que o жtimo da palavra em estudo estр em Ku-bamba, do dialeto de Zambese, significando estar cansado, estafado, ter sede.” (Moraes).

ABOMBAR-SE, v. Tornar-se ofegante pelo calor ou por excesso de esforуo fьsico. ╔ aplicрvel Яs pessoas e aos ani mais.

“Quanto mais sonho, tanto mais me abombo, e vou, sempre depois de cada tombo, buscando um novo sonho que console.” (Kraemer Neto, Soneto, in Correio do Povo, P.A.).

ABONO, s. Adubo ou estrume em terras de plantaусo.

ABORRIR-SE, v. Aborrecer-se, entristecer, tornar-se melancзlico, zangar-se. (1║ verbo portuguЖs, pouco usado na literatura nacional, mas ainda utilizado no Rio Grande do Sul).

ABRASIADO, adj. Vermelho como brasa. (Arc. port. em uso atual no Rio Grande do Sul).

ABRIR A BARBA, expr. Ir-se embora.

ABRIR A BOCA, expr. Gritar, esbravejar, descompor, chorar.

ABRIR A PARADA, expr. Tornar sem

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efeito aposta ajustada em carreira ou rinha.

ABRIR A PERNA, expr. Desembaraуar-se do animal quando este leva uma rodada.

ABRIR BOQUEIRAO, expr. Tirar o cavalo, na carreira, grande distРncia de seu adversрrio.

ABRIR CAMPO FORA, expr. Sair da raia, o cavalo. Abandonar a cancha. Fugir, escapar.

ABRIR CANCHA, expr. Abrir espaуo para alguжm passar.

ABRIR O CAVALO, expr. Dar o fora, retirar-se. // Abra o cavalo, significa: retire o que disse.

ABRIR O CHAMBRE, expr. Fugir. O mesmo que abrir o pala.

ABRIR O JOGO, expr. Abrir a parada, desfazer a aposta, desistir do jogo. 1 Manifestar intenушes anteriormente ocultas.

ABRIR O OLHO, expr. Tomar cautela, precaver-se.

ABRIR O PALA, expr. Fugir, desaparecer, ir embora. O mesmo que abrir o chambre, abrir os dedos.

ABRIR O PEITO, expr. PЗr-se a cantar.

ABRIR O PULSO, expr. Dar mau jeito no pulso por esforуo excessivo.

ABRIR OS DEDOS, expr. O mesmo que abrir o pala.

ABRIR OS PANOS, expr. Fugir. ir embora, abrir-se.

ABRIR-SE, v. Ir-se embora. Fugir. Contar o que sabe. // Afastar-se, o cavalo, da raia.

ABRIR-SE COMO GAITA, expr. Exprimir-se com alarde, sem qualquer reserva.

ABROIO, s. Abrolho. Espжcie de carrapicho. (╔ palavra castelhana. O 1║ tem som de “h” aspirado).

ABRUTALADO, adj. O mesmo que abrutalhado.

ABRUTALAR, v. Tornar grosseiro. Abrutalhar.

ABSOLUTISTA, s. Nome que os farrapos davam aos legalistas. O mesmo que caramuru, camelo, galego, corcunda.

ABUGRADO, adj. Que descende de bugre. Indiрtico.

ABUSAR, v. Desconsiderar, provocar, ofender.

ACABANADO, adj. Diz-se do vacum que tem os chifres virados para baixo e tambжm dos cavalos que tжm as orelhas caьdas.

ACABAR COM A CASCA, expr. Matar.

ACABOCLADO, adj. Abugrado.

A CABRESTO, expr. Conduzido pelo cabresto. Submetido.

ACACULAR, v. Encher em excesso, abar rOtar.

ACALCANHADO, adj. Gasto pelo uso, acabado, envelhecido.

“Coitado, estр meio acalcanhado, mas, bonzсo, aindaњ.” (Simшes Lopes. Contos Gauchescos).

ACAMPAR-SE, v. Dar inьcio a determinada aусo que perdura por algum tempo.

“Ontem, reli ‘Cжu e Campo’, “Pampa Bravo’... Hoje, me acampo, como qualquer ьndio-vago, a vaguear, contigo. Dimas, tragueando um nжctar de rimas, Pelos Caminhos do Pago.” (Rui Cardoso Nunes, Poema)

ACARNEIRADO, adj. Diz-se do cavalo que apresenta a testa arredondada, se-

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melhante Я do carneiro.

ACAUSO, s. Acaso.

ACEADAКO, adj. Muito aceado.

ACEADAMENTE, adv. Garbosamente, fogosamente. “O cavalo em que ia trotava aceadamente, mascando o freio com impaciЖncia.”

ACEADO, adj. Diz-se do cavalo que anda com garbo, sem que para isso seja necessрrio ser castigado. (╔ palavra portuguesa tomada com outro sentido).

ACERTAR, v. Adestrar o animal para qualquer um dos trabalhos nos quais vai ele ser utilizado.

ACERTAR DE BOCA, expr. Ensinar o animal a obedecer ao freio.

ACERTAR NA MOSCA, expr. Atingir em cheio o objetivo.

ACHADIO, adj. Achadiуo, que se acha com facilidade.

ACHADO, s. Acontecimento imprevisto que traz benefьcios. OcorrЖncia favorрvel. Coisa que vem a calhar.

ACHAFUNDAR, v. O mesmo que chafundar.

ACHAMBONADO, adj. Achamboado. Grosseiro, tosco, mal feito, deselegante, mal vestido.

ACHAMBONAR, v. Achamboar. Tornar ou tornar-se chambрb. Proceder achamboadamente.

ACHATAR A PATA, expr. Fugir a disparada.

ACHEGA, s. O mesmo que achego.

ACHEGAMENTO, s. Uniсo. (Arc. port. em uso atual no Rio Grande do Sul).

ACHEGO, s. Amparo, encosto, auxьlio, proteусo.

“Menina, minha menina, do teu pai eu tenho medo; dize-lhe que nos gostamos, e que eu nсo sou mau achego.” (Quadra popular).

ACHEGOS, s. Pequenos ganhos aciden tais.

ACHICAR, v. Tornar pequeno.

ACHICAR-SE, v. Acovardar-se, fazer-se pequeno, humilhar-se.

“Y ya que al mundo viniste Con el sino de cantar, No te vayрs a turbar No te agrandжs ni te achiques Es preciso que me expliques Cuрl es el canto del mar.” (Josж Hernрndez, Martьn Fierro).

ACHURRAS, s. MiЩdos do animal, vьsceras, fressuras.

ACIMENTADO, adj. Tornado em cimento.

AКO, adj. Albino, melado. // ╔, tambжm, SUfIXO para a formaусo de superlativos: Bandido, bandidaуo; lindo, lindaуo.

ACOAR EM SOMBRA DE CORVO, expr. Tomar atitudes inЩteis em vez de procurar resolver objetivamente os problemas.

ACOCAR-SE, v. Acocorar-se. Var.: acrocar-se.

OITA-CAVALO, s. V. aуouta-cavalo.

OITEIRA, s. Parte do relho ou rebenque, constituьda de tira ou tiras de couro, tranуadas ou justapostas, com a qual se castiga o animal de montaria ou de traусo. Var: Aуouteira, aуoutera, soiteira.

OITERA, s. Aуoiteira.

OITERAS, s. Pontas das rжdeas, que podem ser usadas, tambжm, para aуoitar o cavalo. (Do cast. azo te, aуoite).

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ACOIVARAR, v. Fazer coivara.

ACOLCHOADO, s. Edredсo.

ACOLHERADO, adj. Unido o animal a outro pela colhera. // Andar uma pessoa acolherada com outra, significa andar uma pessoa sempre junto de outra.

ACOLHERAR, v. Unir dois animais por meio de uma pequena guasca amarrada ao pescoуo. Atrelar ou ajoujar animais por meio de colhera. // Unir, juntar, com relaусo a pessoas.

ACOLHERAR-SE, v. Juntar-se, associar-se, amancebar-se.

ACOO, s. Latido do cсo.

ACOQUINAR, v. Intimidar, acovardar, dasalentar, inquietar, amofinar, amedrontar, assustar, importunar, aborrecer. Var.: Acoquinhar. (Esp.).

ACOQUINAR-SE, v. Incomodar-se, aborrecer-se, amofinar-se.

ACOQUINHAR, v. O mesmo que acoquinar.

ACORDEONA, s. Cordeona.

OUTA-CAVALO. s. ┴rvore da famьlia das Tiliрceas (Lunea divaricata,). Produz madeira apropriada a obras de marcenaria. Suas flores sсo aromрticas e tЖm propriedades peitorais. (O Vocabulрrio da Academia Brasileira de Letras sз registra aуoita-cavalos ou aуouta-cavalos, p.

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OUTEIRAS, s. O mesmo que aуoiteiras.

ACRIOULADO, adj. Diz-se do animal que se adaptou a um meio diferente do seu, adquirindo as qualidades dos naturais desse meio. // Aplica-se, por ext., Яs pessoas.

ACRIOULAR-SE, v. Acostumar-se o animal recжm-chegado com os demais existentes no local, dos quais toma os hрbitos. // Em sentido figurado, aplica-se Яs pessoas.

ACROCAR, v. Acocorar-se, pЗr-se de cзcoras.

ACUAК├O, s. Ato de acuar.

ACUAR, v. Acoar, latir, ladrar.

ACUCHILAR, v. Agredir alguжm Я faca. Arremeter de faca contra alguжm. Esfaquear. (Do esp.: cuchillo, faуa ou facсo).

“Lascou-me fogo e errou (havia de ser!) e ali mesmo lo acuchillei, como rЖs, no sangradouro…” (A. Maia, Alma Barbara, RJ, Pimenta de Mello & C., 1922, p. 85).

UCRE, s. AуЩcar. (Arc. port. em uso atual no Rio Grande do Sul).

ACUPAR, v. Ocupar. (Arc. port. em uso atual no Rio Grande do Sul).

ADELGAКAR, v. Reduzir o excesso de peso e de volume do cavalo, tornando-o mais apto para as corridas ou para o trabalho. Alevianar.

“Uma semana levava tosando, groseando os cascos, adelgaуando os seus pingos.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, Martins Livreiro-Editor, 1981,p. 27).

ADICIONADO, adj. Diz-se do cavalo que sofre de doenуa crЗnica ou que tem qualquer defeito fьsico, especialmente nos зrgсos locomotores. ╔ adicionado o animal rengo, manco, ou com qualquer defeito nas juntas, embora leve.

ADICIONAR, v. Produzir doenуa crЗnica ou defeito em animal cavalar ou muar.

ADICIONAR-SE, v. Tornar-se o animal adicionado. Adquirir, o animal, defeitos fьsicos ou molжstias crЗnicas nos

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зrgсos locomotores, que o tornem incapaz para determinados trabalhos.

ADONAR-SE, v. Apropriar-se de qualquer coisa por meio de astЩcia, esperteza ou velhacada.

ADONDE, adj. Em que, em tal lugar. (Arc. port. ainda muito usado no Rio Grande do Sul).

ADRAGANTE, adj. Tratante. Que nсo cumpre suas promessas.

ADREDE, adv. Com antecedЖncia. A DURAS PENAS, loc. adv. De modo penoso, com grandes dificuldades.

AFAMILHADO, adj. O mesmo que afa miliado.

AFAMILIADO, adj. Que tem famьlia. Que tem encargos de famьlia. Casado, amasiado, amancebado.

AFAMILIAR, v. Adquirir famьlia. Casar-se.

AFEITADO, adj. Barbeado.

AFEITAR, v. Cortar a barba.

AFEITAR-SE, v. Enfeitar-se, barbear-se.

AFERVENTAR, v. Apressar, importunar.

AFIADO, adj. Diz-se do que estр em ex celentes condiушes para a execuусo de um trabalho ou para o cumprimento de uma missсo.

AFICIONADO, s. O que tem propensсo e gosto para uma arte, jogo ou esporte.

AFILAR, v. Vaiar, caуoar, troуar com alguжm. (P. us.).

AFIVELAR, v. Contratar, ajustar, firmar, acertar: “A carreira ficou afivelada”, isto ж, ajustada, contratada.

AFOCINHADOR, adj. Diz-se do cavalo que tropeуa freqЧentemente.

AFOCINHAR, v. Cair de ventas no chсo. Tropeуar.

AFOMENTAК├O, s. Maуada, caceteaусo, amolaусo, aborrecimento.

AFOMENTAR, v. Maуar, importunar, cacetear, amolar, aborrecer, enfadar.

FRICA, s. Faуanha, proeza.

AFRICANO, adj. PЖlo de gado vacum, que consiste em ter o fio do lombo, a parte inferior das costelas, paletas e pernas de cor branca, e o restante de cor preta ou vermelha. Em geral, nas partes brancas, hр pintas caracterьsticas, e no restante do pЖlo, nas partes pretas ou vermelhas, a coloraусo tambжm nсo ж uniforme.

AFRISSURAR-SE, v. Apressar-se.

AFRONTAR-SE, v. Abombar.

AFROXAR, v. Afrouxar. Fraquejar, entregar-se, dar-se por vencido. // Soltar. // Deixar escapar, revelar (segredo).

AFROXAR A PONTA, expr. Dar mais liberdade Я tropa de gado, permitindo que ela se alongue sobre a estrada, podendo andar com maior desembaraуo. // Fig.: conceder determinadas liberdades, que em geral descambam para o abuso; afrouxar a disciplina.

AFROXAR O GARR├O, expr. Ser dominado pelo medo. // Cansar.

AFROXAR O LAКO, expr. Atirar o laуo para laуar. // Afrouxar o laуo para que a rЖs se solte.

AFROXAR OS CACHORROS, expr. Soltar os cсes para que procurem a caуa.

AFROXAR OS QUARTOS, expr. Cansar.

AGACHADA, s. Arremetida, investida, repente, ataque brusco, alardeio, prosa, jactРncia, vanglзria, astЩcia, ardil, esperteza, remoque, faуanha, proeza,

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piada, saьda, disparate. // Partida repentina e violenta a que o cavaleiro obriga o seu animal, parado ou jр em marcha. // Interpelaусo brusca e desagradрvel que uma pessoa faz a outra.

AGACHADEIRA, s. Narceja. Tomou essa denominaусo por se agachar ao pressentir o caуador.

AGACHADO, s. Galope de cavalo.

AGACHAR-SE, v. Comeуar, subitamente, a fazer alguma coisa. Dar inьcio, principiar. Dispor-se. Lanуar-se. Atirar-se. “A mula agachou-se a velhaquear”, isto ж, comeуou subitamente a vertiaquear. “O peсo agachou-se a comer” i. ж, comeуou a comer. // Var.:gachar-se.

AGALHAS, s. Velhacaria, trampolinice, parlapatice, fanfarrice. // Este termo ж usado na expressсo de agalhas. Um sujeito de agalhas, significa um sujeito velhaco, esperto, finзrio, e, tambжm, parlapatсo, fanfarrсo, tolo, presumido, gabola. (Vem de agalla, do casteLhano, que significa excrecжncia que se forma em algumas рrvores, e que, em portuguЖs, tem o nome de nзs-de-galha).

“Se tinha agalhas o negro! Com ele trouvar quem ousa? Nсo se cansa nem repousa; Eu ж que agora abria o olho Aonde este negro zarolho Foi aprender tanta cousa?” (AraЩjo Goes, Manduca Cipriano).

“Era um chinocсo de agalhas” (Simшes Lopes. Contos Gauchescos p. 12.)

AGALHUDO, adj. Esforуado, audacioso, forte, ousado. (P. os.).

AGARRADEIRA, s. SaliЖncia que se faz, com a utilizaусo da faca ou de outro instrumento cortante, na planta do casco do animal de montaria, a fim de que ele tenha maior firmeza nos terrenos escorregadios. Preparam-se agarradeiras, tambжm, nos animais destinados a corridas.

AGARRADO, adj. Apegado, afeiуoado.

AGARRADOR s. e adj. Pessoa que sabe manter-se com seguranуa no lombo do animal que corcoveja. O agarrador nсo se segura com as mсos e sim se equilibra em cima do animal.

AGARRAR v. Resolver-se. Tomar uma deliberaусo. “Agarrou e foi embora”, isto ж, resolveu ir embora, e foi.

AGARRARSE v. Manter-se, sem cair, no lombo do animal que corcoveia. (Vem de garras, unhas).

A GATAS, adv. Penosamente, dificilmente, vencendo grandes obstрculos.

AGATURR┴R, v. Agarrar, segurar, prender, capturar.

AGAUCHADO, adj. Com jeito de gaЩcho. Com maneiras e ares de gaЩcho. Que usa vestimenta de gaЩcho. Que tem hрbitos de gaЩcho. “Francisco era um paulista agauchado que usava bombachas e tomava chimarrсo.”

AGAUCHAR.SE, v. Tomar hрbitos ou modos de gaЩcho.

AGONIADO, adj. Muito preocupado. Aflito.

AGORA!, interj. Usada para chamar a atenусo de alguжm pegado em flagrante.

AGORINHA adv. Neste momento, recentemente, hр pouquinho tempo.

AGRADAR, v. Exprime possibilidade, simpatia ou opусo por alguma coisa: “Agrada-me que o Jango ganhe esta eleiусo”, isto ж, ж meu palpite que o Jango ganhe esta eleiусo.

AGRANDAR, v. Tornar grande, chegar a grande.

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AGREGADO, s. Pessoa pobre que se estabelece em terras alheias, com autorizaусo do respectivo dono, sem pagar arrendamento, mas com determinadas obrigaушes, como sejam cuidar dos rebanhos, ajudar nas lides de campo, zelar pela conservaусo das cercas e executar outros trabalhos.

GUA, s. Este termo ж empregado nas seguintes expressшes usadas no regionalismo gaЩcho: Aquentar рgua para o mate dos outros, beber рgua nas orelhas de alguжm, nсo beber рgua nas orelhas dos outros, enfiar рgua no espeto.

GUA-BENTA, s. Cachaуa, destinada a ser bebida ocultamente.

AGUACHADO, adj. Diz-se do cavalo que, por ter permanecido solto no campo durante longo perьodo de tempo, estр muito gordo, pesado, barrigudo, imprзprio para trabalho forуado imediato. Var.: aguaxado.

AGUACHAR, v. Tornar-se aguachado, isto ж, gordo, barrigudo, pesado, destreinado, imprзprio para o trabalho.

“Otra creaciзn lжxica pampeana fue el vocablo aguachar, aplicado al caballo que por falta de ejercicios, engorda y a raiz de cualquier esfuerzo suda inmediatamente y queda exhausto.” (Lothar Hessel, Intercambios Culturales en el poema AntЗnio Chimango”, Separata da Revista Organon n║ 14 da Faculdade de Filosofia da URGS, p.9).

AGUACHAR-SE, v. Ficar aguachado.

AGUACHENTO, adj. Diz-se do fruto muito aguado e por isso insьpido.

AGUADA, s. Lugar utilizado pelos animais para beberem рgua. Bebedouro. Chamam-se campos de boas aguadas os que possuem bastante рgua, apropriada para os animais beberem.

GUA-DA-GUERRA, s. Nome usado para designar o Lьquido de Dakin, germicida largamente utilizado na Guerra de 1914.

GUA-DE-CHEIRO, s. Perfume, extrato.

“Botei рgua-de-cheiro nas melenas, depois que vim da sanga bem lavado, e solito, cantando as minhas penas, fui pra o baile do rancho do outro lado.” (Valdomiro Sousa, Chimarrсo, P.A., Tip. Goldman, 1951,p. 60).

AGUA═, s. ┴rvore da famьlia das sapotрceas (Chrysophyllum lucumzfolium).

AGUAP╔, s. Planta aquрtica encontrada principalmente em рgua parada. Em жpocas de enchente, como planta flutuante, segue, Яs vezes, a correnteza, cobrindo grandes рreas. (Do tupi: auapж).

AGUAPEZAL. s. Lugar em que existe grande quantidade de aguapжs.

GUAS ABAIXO, expr. Direусo, para corrida de cavalos, no sentido em que a cancha fica em declive.

GUAS ACIMA, expr. Direусo, para corrida de cavalos, no sentido em que a cancha fica em aclive.

AGUATEIRO, s. e adj. Animal utilizado para o trabalho de transportar рgua em pipa. Diz-se do cavalo ruim, quase imprestрvel. Var. : Aguatero.

AGUATERO, s. e adj. O mesmo que aguateiro.

AGUAXADO, adj. O mesmo que aguachado.

GUEDA, s. ┴gata.

AGUENTAR O REPUXO, expr. Mos-

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trar-se corajoso, enfrentar situaусo difьcil, revidar um insulto.

AGUENTAR O TIR├O, expr. Topar a parada, sustentar com brio uma opiniсo, enfrentar com heroьsmo as dificuldades.

“Que eu tenha forуa nos braуos, coragem no coraусo, para agЧentar o tirсo, e a minha gente conduzir.

E me dЖ sorte e bom vento para eu ganhar seu sustento e os trapos pra eles vestir.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 114).

AGUENTE, s. ResistЖncia fьsica. ResistЖncia ao cansaуo. Usado com relaусo ao animal capaz de correr grandes tiros.

AGUILENHO, adj. Aquilino.

“Mas a alucinaусo foi-se, depressa, e, batendo as pрlpebras, aturdido, surpreso, o gaЩcho relanceou ao aposento seus grandes olhos aguilenhos, esgaziados de febre” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 13).

AGULH├O, s. Um pequeno peixe da fauna marьtima de Torres, RS, Bellone trachura, segundo Rudolf Gliesch. Esse peixe tem as maxilas muito prolongadas, em forma de bico, e armadas de muitos dentinhos agudos. (Moraes).

AGULHAS, s. Vжrtebras da espinha do animal vacum, acompanhadas de carne. ╔ palavra usada sempre no plural.

AHIJUNA!, interj. Exprime admiraусo e tambжm raiva.

AI-CUNA!, interj. Exprime entusiasmo, dor, admiraусo, surpresa, raiva.

AI! CUNA!, interj. Exprime surpresa, admiraусo, raiva. ╔ expressсo inculta. (Do cast.: “Ah! Hijo de una…!”).

ALCUNA!, interj. Exprime admiraусo. “Alcuna! que bravo soldado!”

AI NO MAIS!, expr. No momento, no ato.

AIPIM, s. Mandioca mansa, macachera.

AIPO-BRABO, s. Planta da familia das umbelьferas (Apium Australe). Aipo do Rio Grande. Var.: aipo-bravo.

“Erva de folhas roxo-pecioladas polimorfas; flores brancas pequemnas, dispostas em umbelas compostas. ╔ planta condimentar e Щtil interna e externamente na cura de feridas causadas por arma de fogo, e principalmente no combate das molжstias da pele”. (Pio CorrЖa).

AIPO-BRAVO, s. O mesmo que aipo-brabo.

AI QUE (SE) VER, expr. Usa-se para exaltar uma qualidade boa ou mр: “Ai que se ver como este leite ж gordo.” Exprime, tambжm, dЩvida ou opiniсo contrрria Я geral: Afirma uma pessoa: “O Borges vai ganhar facilmente esta eleiусo”, ao que o outro responde “Ai que se ver” com a significaусo de “veremos depois”.

AJAPA, s. O mesmo que inhapa.

AJEITAR, v. Diligenciar. Usar de meios adequados para conseguir determinada coisa. Entrar em acordo. Ajustar algum assunto com outra pessoa. Harmonizar partes em litьgio.

A JEITO, expr. A feiусo, a calhar; de modo propьcio, apropriado, favorрvel, oportuno.

AJOUJO, s. Tira de couro cru com a qual se unem, dois a dois, pelos chifres, que sсo furados, nas extremidades, para esse fim, os bois da carreta ou do arado.

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AJUDANTA, s. Mulher que presta ajuda em qualquer serviуo.

AJUPE, interj. Palavra usada pelos tropeiros para estimular os animais.

AJUTМRIO, s. Prestaусo de ajuda a alguжm para a realizaусo de qualquer trabalho.

“Um se faz de domador! Traz a eguada pra mangueira e convida os piazotes a le dar um ajutзrio: Mode galopear uns potros …” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, Globo, P.A., 1959, p. 61).

A LA BRUTA, expr. Ex-abrupto, inesperadamente, grosseiramente.

A LAКO E ESPORA, expr. Com muita dificuldade, com muito esforуo, vencendo grandes obstрculos.

ALACRANADO, adj. ┴spero, de superfьcie cheia de esfoladuras e de talhos, como que denteada e espinhosa. // Diz-se do animal cheio de chagas ou feridas.

ALACRANAR, v. Produzir esfoladuras, chagas, feridas. Tornar alacranado.

A LA CRIA, expr. Ao Deus darр, Я aventura. Foi-se a la cria, significa foi-se embora, foi-se ao deus-darр, caiu no mundo, foi-se de escapada, fugiu.

“A lambisgзia tem namorado. Bem bom. ╔ melhor que se case e va… Я la cria!” (Zeferino Brasil, Juca, o letrado, Fundaусo de Educaусo e Cultura do Sport Club Internacional, 2ф ed., P.A., 1975, p.

38).

“Tive china … tive amores, tudo se foi a-la-cria!” (Dimas Costa, Pelos Caminhos do Pago, Sulina, 1963, p. 19).

A LA FARTA, adv. Com abundРncia, com fartura:

“Comeu-se carne a la farta” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., 1915, p. 5).

A LA FIJA, adv. Na certa; com certeza de nсo errar, enganar-se ou perder. Indubitavelmente, certamente. 1 Imediatamente, logo, incontinente. (╔ expressсo castelhana, usada na fronteira).

A LA FRESCA, interj. Exprime admiraусo, espanto, surpresa, descrenуa.

A LA GORDACHA, adv. Com fartura.

ALAM├O, s. Alemсo. O mesmo que lamсo.

ALAMBRADO, s. Aramado. Cerca feita de arame para manter o gado nas invernadas ou potreiros. // O campo cercado, nсo sз por arame mas tambжm por cerca de pedra ou outro qualquer tapume. (╔ vocрbulo de origem platina).

“Foi nesse perьodo de reorganizaусo que se desenvolveu em maior escala esse grande reformador dos costumes e da vida rio-grandense – o Alambrado. Como invasor e elemento de evoluусo mudou a face do Rio Grande. Em poucos anos, o aramado apoderou-se dos campos, estendeu-se por toda parte, fixou a divisa entre os lindeiros, subindo coxilhas, descendo baixadas e atravessando sangas para divisas de aguadas. Os fazendeiros cercearam a primitiva liberdade que campeava pelas nossas vastas campinas,onde cruzavam livremente cavaleiros e animais; pois que com o alambrado retalharam seus campos em invernadas, invernadinhas, piquetes, currais e bretes; atж nas cidades ele penetrou dividindo terrenos. Fecharam-se os atalhos, abriram-se os corredores!...

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Que golpe profundo deu o alambrado nos costumes da minha terra! Os campos fechados e os gados amansados tiraram o primitivo encanto da vida pastoril. Acabaram-se as grandes cavalhadas, reduziram-Se as eguadas, diminuiu-se a peonada.” (Severino de Sр Brito, Trabalhos e Costumes dos GaЩchos, P.A., Globo, 1928, reed. pela Cia. Uniсo de Seguros Gerais, p. 25-26).

“Tanto a gente como a tropa Vinha muito aborrecida Daquela marcha batida Por dentro de um corredor. O alambrado ж um pavor Pra quem anda nesta lida.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978,p. 57).

ALAMBRADOR, s. Pessoa que faz alambrados.

ALAMBRAR, v. Fazer alambrado. Cercar um terreno com arame.

A LA PUCHA, interj. Exprime admiraусo, espanto.

ALARIFAКO, s. e adj. Aumentativo de alarife.

ALARIFAGE, s. O mesmo que alarifagem.

ALARIFAGEM, s. Aусo de alarife. Qualidade de alarife. Proeza de alarife. Esperteza, velhacagem, trapaуa.

ALARIF├O, s. Aumentativo de alarife.

ALARIFE, s. e adj. Vivo, esperto, finзrio, velhaco, perspicaz, atilado, desordeiro, venta-furada, ventana, trapaceiro. Bandido, ladrсo, pessoa de maus costumes, que percorre a campanha para roubar e praticar tropelias de todas as espжcies. Usa-se neste caso, no plural: aquela regiсo estр infestada de alarifes. O vocрbulo ж de origem рrabe e significa arquiteto, construtor, mestre de obras. Romaguera CorrЖa, alжm de conceitos repetidos, em parte, acima, diz, ainda, o seguinte sobre a palavra alarife:

“Supomos que foi transportado nсo de Portugal, onde foi recolhido pela primeira vez por Viterbo, segundo Vieira, mas sim da Espanha, onde a influЖncia рrabe se exerceu tambжm, e daь para as repЩblicas hispano-americanas, donde fomos buscр-lo; pois se tivesse vindo de Portugal, o seu uso se teria estendido a outros estados do Brasil, o que nсo se dр. Por extensсo e forуada analogia se adulterou a significaусo desse vocрbulo mui usado no Rio Grande”. (Romaguera)

ALARMAR OS GANSOS, expr. Fazer ruьdo; alertar o inimigo.

A LAS TANTAS, expr. A tantas horas, lр pelas tantas.

ALAZ├O, s. e adj. Cavalo que tem cor de canela. PЖlo de cavalo arruivado. // Var.: lazсo. Fem. alazс; pl., alazсes e alazшes. // Entre as variedades de alazсo ocorrentes entre nзs, sсo mais conhecidas as seguintes: Alazсo-bragado, alazсo -cabo s-negros, alazсo-cruzado, alazсo-estrelo, alazсo-malacara, alazсo-requeimado, alazсo-rosilho, alazсo-ruano, alazсo-salino. // (Vem do рrabe, al-hiуan. cavalo nobre).

“Numa saudade que evoca e toca em meu coraусo, tenho aqui a imagem viva do meu cavalo alazсo!” (David F. da Cunha. Cavalo da Mata).

ALAZ├O-BRAGADO, ad). Diz-se do animal de pЖlo alazсo que tem branca a barriga ou a virilha.

ALAZ├O-CABOS-NEGROS, adj. Diz-se

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do animal de pЖlo alazсo que tem pretos os membros, a crina e a cola.

ALAZ├O-CRUZADO, adj. Diz-se do animal de pЖlo alazсo que tem brancos um pж e uma mсo, diagonalmente, ou seja, pж direito e mсo esquerda ou pж esquerdo e mсo direita.

ALAZ├O-ESTRELO adj. Diz-se do animal de pЖlo alazсo que tem uma pequena mancha branca na testa.

ALAZ├O-MALACARA, adj. Diz-se do animal de pЖlo alazсo que tem a frente aberta, ou seja, que apresenta uma listra branca que se estende da testa atж ao focinho.

ALAZ├O-REQUEIMADO, adj. Diz-se do animal de pЖlo alazсo que tem cor de canela, bem carregada, com tons ruivos, assemelhando-se e atж confundindo-se com o tostado-requeimado.

ALAZ├O-ROSILHO, adj. Diz-se do animal de pЖlo alazсo entremeado de alguns fios brancos, ou de pequenas manchinhas brancas, sendo tambжm chamado, neste Щltimo caso, de alazсo salino.

ALAZ├O-RUANO, adj. Diz-se do animal de pЖlo alazсo que tem brancas ou amarelas as crinas e a cola.

ALAZ├O-SALINO, adj Diz-se do animal de pЖlo alazсo, salpicado de pequenas manchas brancas.

ALBARD├O, s. Faixa de terra entre lagunas, banhados ou charcos. (Do esp).

AL CABO, adv. Ao cabo, atж que enfim, finalmente.

ALКADA, s. Altura do cavalo, do chсo Яs cruzes. (P. us.).

ALКADO, adj. Diz-se do gado que vive bravio, no campo ou no mato, esquivando-se ao custeio. (Procede de alzade rebelde, ou de alуado, do portuguЖs, significando alevantado, exaltado).

-“Diz-se do gado ou do animal que se torna selvagem por falta de costeio ou cuidado de seu proprietрrio. Antigamente, quando as estРncias constituьam verdadeiros latifЩndios, sem cercas que as limitassem, existiam grandes quantidades de vacuns alуados. Na caуa ou pega desses animais, era onde se revelava, entсo, o verdadeiro gaЩcho ou campeiro rio-grandense. Foi essa tarefa uma escola de audрcia e de coragem, que contribuiu decisivamente para a formaусo da alma da nossa gente. Nas loucas cavalgadas, na apanha da rЖs ou do gado arredio, o homem acometia o animal no seu ligeiro cavalo, sз levando como arma uma faca para desembaraур-lo de algum enredo no laуo, esse indefectьvel companheiro, e das traiуoeiras boleadeiraS. Laуado o animal ou peado pelas “trЖs marias”, era imediatamente passado pelos maneadores, jazendo ali, atж que, terminada a caуada, que Яs vezes se prolongava pelo dia todo, o gaЩcho voltava sobre seus passos colhendo o fruto do labor da jornada: algumas dezenas de peуas. Hр casos de um sз homem subjugar o bravio animal, apenas ajudado pelo seu cavalo, mestre em cinchar. Um sinuelo de gado manso conduzia as feras ao aprisco abandonado. Ao eqЧino tornado selvagem, reservava-se o nome de bagual, reservando-se alуado para os demais animais, aves, porcos, etc.” (Moraes).

“Deus fez os campos sem fim, com gado alуado e sem dono, se criando do capim no mais completo abandono.” (Zeno Cardoso Nunes. Ladrсo de Gado).

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alcoviteiro. (╔ vocрbulo jр em desuso na campanha).

ALCAIDE, s. Cavalo ruim, velho, sem serventia. Aplica-se, tambжm, Яs coisas e Яs pessoas.

ALCANКAR, v. Apanhar e entregar qualquer coisa a outrem.

“A erva ж verde! ╔ cor de esperanуa Que vibra na mсo Da china que alcanуa Junto com o mate O seu coraусo … O gosto ж amargoso Tсo bom quanto quente… Amargo gostoso Igualzito a saudade No peito da gente.” (Terezinha Odete, Piquete de Sonhos, in Antologia Poжtica, organizada por Nelson Fachinelli, P.A., Ed. Proletra, 1981, p. 107).

ALCANCE, s. Ato de correr o parelheiro atrрs do competidor, poupando as fзrуas para arremeter no final, ganhando a carreira.

ALCANCILHOS, s. Torneio. Espжcie de evoluусo das cavalhadas.

ALКAR, v. Fazer com que o cavalo levante a cabeуa, por aусo das rжdeas.

ALКAR A COLA, expr. Alvoroуar-se para sair, assanhar-se, ficar impaciente para ir embora.

ALКAR A PERNA, expr. Montar a cavalo.

ALКAR-SE, v. Tornar-se alуado. Fugir para os matos ou para os banhados, tornar-se bravio, asselvajar-se. Diz-se principalmente do gado vacum, mas se emprega tambжm em relaусo aos outros animais domжsticos. 1 Tomar a pessoa atitude de desobediЖncia ou tomar uma resoluусo inesperada.

ALCATRA, s. Anca do boi ou da vaca; parte de rЖs constituьda dos ossos da bacia acompanhados da respectiva carne. // Assento. Traseiro. // “Bater a alcatra na terra Ingrata”: morrer. 1 Var. alcatre.

ALCATRE, s. O mesmo que alcatra.

ALCATRUZADO, adj. Abichornado, tristonho, melancзlico, abatido, desengonуado, desajeitado, que caminha mal.

ALCE, s. Folga, trжgua, descanso. Alento. Melhora de estado fьsico. Engorda. Diminuiусo da marcha de um animal para poupр-lo. // Nсo dar alce significa nсo dar folga, nсo dar descanso, nсo dar trжgua. // Ato de fazer com que o cavalo levante a cabeуa por aусo das rжdeas.

ALDAGRANTE, adj. O mesmo que aidragante.

ALDEAR, v. Juntar, em povoaусo ou aldeia, indьgenas que vivem errantes.

ALDEA, s. O mesmo que aldeia.

ALDEIA, s. Toldo, povoaусo de indьgenas. Arrabalde de vila ou cidade onde estсo edificados os ranchos da populaусo pobre, constituьda em sua maioria de mestiуos. Pequeno povoado.

ALDEIAMENTO, s. Ato de reunir em aldeia os indьgenas que vivem dispersos. // Aldeia.

ALDRAGANTE, adj. Vagabundo, tratante.

ALECRIM, s. ┴rvore boa para construусo, de grande porte, existente no Alto-Uruguai; ж de cor vermelha e de grande resistЖncia e dureza. 1 ╔ tambжm nome de uma planta arbustьfera, espжcie de vassoura, de flores lilases muito apreciadas pelas abelhas; em alguns campos essa planta hр em tal

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quantidade que ж considerada praga.

ALECRIM-DO-CAMPO, s. Planta utilizada, em cozimento, para banhos contra febres.

ALEGRETE, adj. Diz-se do indivьduo que, levemente embriagado, manifesta alegria.

A LEITE DE PATO, expr. Usa-se para significar que o jogo nсo ж a dinheiro.

ALEMBRAR, v. Lembrar. (Arc. Port. atualmente em uso no Rio Grande do Sul).

ALEMOAR-SE, v. Tornar-se semelhante aos alemсes, germanizar-se.

ALERTEAR, v. Ficar alerta, espertar.

ALEVIANADO, adj. Diz-se do animal tornado mais leve, mais leviano, mais apropriado para o trabalho ou para as corridas.

ALEVIANAR, v. Submeter o animal a exercьcios para que se torne leve para as corridas ou para o trabalho.

ALEXANDRE EM PUNHO, expr. Sovina, usurрrio. (P. us.).

ALGARIADO, adj. Diz-se do indivьduo agitado, nervoso, sem calma, sem ponderaусo. Alvorotado.

ALGARIAR-SE, v. Tornar-se algariado. Alvorotar-se, atrapalhar-se, vexar-se.

ALHADA, s. Embaraуo, apuro, dificuldade.

LIAS, adv. Deturpaусo de aliрs, largamente usado por gente inculta.

ALIGEIRAR, v. Tornar mais veloz o cavalo por meio de exercьcios.

ALIMAL, s. Deturpaусo de animal, de largo emprego entre os habitantes da campanha, e usado, principalmente, para significar o cavalo. “Era o carroceiro que veio aqui em casa na busca de uma pequena carga, a lamentar-se de seus tropeуos profissionais. Hр muito que eu nсo escutava queixas desse gЖnero. Menos ainda o alimal, corruptela tсo comum em nosso Interior.” (Sжrgio da Costa Franco, Achados e Perdidos, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981,p. 9).

ALIMANADA, s. Animalada.

ALIVIO, s. Deturpaусo de alьvio.

ALM┴CEGO, s. Alfobre. Viveiro de plantas.

“Provavelmente foi tomado de almрcega, confundindo o rego que separa os canteiros, com o viveiro das plantinhas”. (Moraes).

ALMA-DE-GATO, s. O mesmo que anum branco. ╔ tambжm chamado, impropriamente, de rabo-de-palha.

ALMA PENADA, s. Assombraусo.

ALMARIO, s. Corruptela de armрrio.

ALMIDON, s. Deturpaусo de amido.

A LO BRUTO, loc. adv. Impetuosamente, a forуa, sem muita conversa, violentamente.

A LO GRANDE, loc. adv. Fartamente, com abundancia.

ALOITAR, v. lutar. “Eram entсo trЖs crioulos forуudos aloitando e rolando pelo pasto, e o brinquedo de vez em quando, assim num repente, virava em briga sжria.” (Reinaldo Moura, Romance no Rio Grande, P.A., Globo, 1958, p. 65).

A LO LARGO, loc. adv. Futuramente, com o tempo, Я medida que o tempo for passando, aos poucos.

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A LO LEO, expr. Sem rumo certo. “Soltou as rжdeas do pingo e foi andando, a lo lжo, sentindo que um negro vжu lhe apagava a luz da vida!” (Dimas Costa, Pelos Caminhos do Pago, P.A.,Sulina, 1963,p. 40).

“Como ьndio que anda vago troteando sempre a lo lжo foste um pedaуo do cжu nos fandangos da querЖncia!” (Niterзi Ribeiro, Guitarra, Tronqueira de Guajuvira, P.A., 1955, p. 49).

“Eu era quase um menino quando cheguei por aqui. Desde o velho Inhanduь fui me criando teatino, meio de peso do Destino, redemoinhando a lo lжo. Por copa tinha o chapжu. Por galpсo, o firmamento. Por mЩsica, a voz do vento penteando as nuvens do cжu.” (AntЗnio Augusto Fagundes, Com a Lua na Garupa, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981, p. 16).

A LO LOCO, loc. adv. Impensadamente.

A LO MENOS, conj. Ao menos, a menos que.

ALONJAR-SE, v. Afastar-se, distanciar-se, alongar-se.

ALPARGATA, s. O mesmo que alpargatas.

ALPARGATAS, s. Alpergatas.

AL PEDO, loc. adv. A loa, em vсo, sem objetivo determinado. Var.: alpedo. “Seu pai nсo foi melhor do que ninguжm, mas se estр velho assim nсo foi al pedo.” (Colmar Duarte, Sesmarias dos Ventos, P.A., Ed. Movimento, 1979,p. 19).

“Sabem amigos, aqueles! o que ж a alegria bruta de jogar a vida alpedo numa carga de vanguarda!” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981. p. 77).

ALPEDO, adv. O mesmo que aь pedo.

ALPEDRO, adv. Expressсo platina que significa a esmo, Я toa, andar ou caminhar sem rumo.

AL PERO, adv. A toa.

ALPISTA, adj. Arisco, desconfiado, asassustadiуo, ressabiado, espantadiуo. Var.: arpista.

ALPISTAR-SE, v. Tornar-se arisco, desconfiado, espantadiуo. Var.: arpistar-se.

ALTANADO, adj. Altivo, provocante, arrogante, malcriado.

ALTERADO, adj. Enraivecido.

ALUMIAR A COLA NA MACEGA, expr. Morrer.

ALUMIAR AS IDEIAS, expr. Beber um trago de cachaуa para avivar as idжias.

ALVOROКAR, v. Entrar a fЖmea no cio, reinar.

ALVOROTAR-SE, v. Assustar-se, agitar-se.

AMAКAROCAR, v. Transformar em maуaroca, dar forma de maуaroca.

AMACHONAR-SE, v. Amachorrar.

AMACHORRADA, adj. Diz-se da жgua ou vaca que se tornou estжril; que tem jeito ou ares de machorra. // Diz-se, tambжm, da mulher, nсo sз na acepусo jр expressa, como no sentido de que tem

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procedimento de homem, de macho.

AMACHORRAR. v. Ficar estжril ou tornar-se estжril, a fЖmea do animal. O mesmo que amachonar-se. Transformar em machorra, tornar estжril uma fЖmea.

AMACIAR O P╦LO, expr. Agradar alguжm para conseguir um favor. // Aplicar uma surra.

AMACOTAR, v. Tornar macota.

AMADRINHADOR, s. O que amadrinha. Indivьduo que acompanha o domador montado em cavalo manso, a fim de ajudр-lo a conduzir o redomсo. Cavaleiro que reponta o potro que estр sendo domado. Ajudante do domador. 1 Pessoa que advoga uma causa de outra, protegendo-a e procurando justificar suas faltas.

AMADRINHAR, v. Exercer a funусo de amadrinhador. Acompanhar o domador, montado em cavalo manso, para evitar que o potro enverede por lugares perigosos. // Acostumar os cavalos ou os muares a se manterem juntos, acompanhando um cavalar, em geral uma жgua mansa, denominada жgua-madrinha, Я qual se amarra um sincerro ao pescoуo. // O mesmo que madrinhar. 1 Com a mesma acepусo, hр o termo platino apadrinar.

“Quanto mais tempo sobre o tempo passa mais avulta dos bravos a memзria, emponchados nas pрginas da histзria amadrinhando os rumos de uma raуa.” (Guilherme Schultz Filho, Cesta de um Clarim, P.A., Assemblжia Legislativa do Rio Grande do Sul, 1961, p. 30).

“Apadrinhar, s. – Acompanar um jinete, em caballo manso, a otro que monta un potro o redomзn, educando a жste con el buen gobierno y oportunos movimientos del suyo”. (Daniel Granada, Vocabulрrio Rioplatense Razonado, Tomo 1, Montevideo, Biblioteca Artigas, 1957, p. 71).

AMAGAR, v. Levar o cavaleiro o corpo para trente a fim de acompanhar o impulso do cavalo.

AMANAR, v. Ficar mano a mano, isto ж, em igualdade de condiушes.

AMANHECIDO, adj. O mesmo que tresnoitado; que passou a noite em claro, sem dormir.

AMANONCIADO, adj. Diz-se do cavalo manso sem que tenha sido montado.

AMANONCIADOR, s. Pessoa que se encarrega de amansar ou amanonciar animais de montaria.

AMANONCIAR, v. Amansar um cavalo sem o montar. Domesticar um animal, tirar-lhe as manhas, por meios brandos, sem o molestar. Fazer carinhos com as mсos nos potros que estсo sendo domados a fim de tirar-lhes as cзcegas. Var.: Amanosear, amanunciar, amanusear e manosear.

AMANOSEAR, v. O mesmo que amanonciar.

AMANSAR DE BAIXO, expr. Tirar todas as cзcegas do animal que vai ser domado, antes de montр-lo.

AMANSAR O MATE, expr. Tomar os primeiros mates, em geral muito amargos.

AMANUNCIAR, v. O mesmo que amanonciar. “Fez-le muitos cumprimentos, Muita festa, muito enguiуo Atж mandou-lhe um petiуo. E nele o dar era raro; GaЩcho de muito faro Pra amanunciar um noviуo.”

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(Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 68).

AMANUSEAR, v. O mesmo que amanoncear.

AMARELINHO, s. Variedade de fumo crioulo, de cor amarela, de qualidade excelente, produzido no municьpio de Cachoeira do Sul. “Pжla tambжm tua cherenga, descasca um amarelinho, e vai cortando fininho a fina flor de Cachoeira” (AmРndio Bicca, Fechando um Baio, in No Reino da Poesia, P.A., Assoc. de Cultura Literрria, 1951, p. 34).

AMARGO, s. Mate, chimarrсo, mate amargo, mate sem aуЩcar. ╔ bebida usada em todo o Estado do Rio Grande do Sul.

“Do amargo Com o porongo africano, a bomba peninsular, e erva do ьndio americano – trЖs continentes a dar a sua contribuiусo Я democrata reuniсo fraterna, que anima e puxa e acende a veia gaЩcha nas chamas de um chimarrсo.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Globo, 1959, p. 147).

AMARGO-DE-APOJO, s. Chimarrсo espumante. (P. us.).

AMARRADO, adj. Diz-se do indivьduo acanhado, atado, sem desembaraуo.

AMARRADOR, s. Lugar onde se amarram OS animais.

AMARRAR, v. Ajustar, contratar, firmar um negзcio. // Atar. // Amarrar ou atar uma carreira significa ajustar as condiушes de uma corrida de cavalos.

AMARTILHAR, v. Emartilhar, engatilhar, martilhar.

AMATUNGADO, adj. Diz-se do cavalo que aparenta ser ruim como o matungo, com jeito ou aspecto de matungo.

AMBICIONEIRO, adj. Ambicioso.

A MEIA ESPALDA, loc. adv. Aplica-se a uma forma de laуar que prende o animal pelo fio do lombo, pelo peito e por um dos membros dianteiros.

A MEIA GUAMPA, expr. Meio embriagado, levemente жbrio.

A MEIA R╔DEA, expr. A galope moderado.

AMELHORADO, adj. Melhorado.

AMILHADO, adj. Diz-se do animal tratado com milho.

AMILHAR, v. Tratar o animal com milho.

AMIUDAR, v. Diminuir a marcha do animal cavala.

AMO CAALO, expr. Expressсo usada para acalmar o cavalo.

AMODE, adv. Tem o significado de parece: “Amode que foi ontem que ele chegou”.

AMМ DE QUE ou AMМ QUE, loc. Por amor de…, parece que…, julgo que… Ex.: “Fulana nсo vai Я festa? – Amз que sim”, isto ж, parece que vai. (Usadas por gente inculta).

AMOITAR, v. Deitar, cair, derrubar. Deitar, cair: “Sentei-lhe o mango e ele amoitou ali mesmo.” Derrubar: “Amoitei o quebra no primeiro pranchруo”.

AMOITAR-SE, v. Encolher-se, nсo expender opiniсo para nсo se comprometer.

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AMOJAR, v. Mungir, encher de leite.

AMOLADOR, s. Importunador, pessoa aborrecida, impertinente.

AMOLAR, v. Aborrecer, incomodar, importunar, fastidiar, cargosear.

“O vocрbulo amolar, com o sentido de: enfadar, molestar, aborrecer, ж usado em diversos paьses da Amжrica, logo se trata de um americanismo ou de um termo pan-americano, jр registrado no Dic. de la Lengua Espaыola (16ф ediусo, pрg. 78) que lhe dр como жtimo o latim ad-mola.” (A. Tenзrio d’Albuquerque, Falsos Brasileirismos, RJ, Ed. GetЩhio Costa, p. 65).

AMONTAR, v. Colocar-se sobre o animal de montaria. O mesmo que montar.

AN! AN!, expr. Significa afirmaусo ou negaусo conforme a pronЩncia adotada: Em tom breve, afirma; com pronЩncia destacada, nega. ╔ pronunciada nasalmente. ╔ usada nos lugares em que predomina o elemento colonial de origem alemс.

ANCA, s. Quarto traseiro dos quadrЩpedes. Garupa do cavalo. O traseiro do vacum.

ANCA DE VACA, adj. Certa conformaусo dos quartos do cavalo.

“O meu pingo tordilho, anca de vaca, Pingo solto de patas e altaneiro, ╔ cavalito de brigar de faca, De virar o balcсo dum bolicheiro.” (Vargas Neto, Trou pilha Crioula e Gado Xucro, 2ф ed., P.A., Globo, 1959,p. 15).

ANDADOR, adj. Diz-se do cavalo cujo passo habitual ж a andadura, espжcie de marcha muito cЗmoda para o cavaleiro. O mesmo que esquipador. Diz-se, tambжm, do cavalo despachado, que nсo ж lerdo.

ANDADURA, s. Marcha do cavalo andador. Marcha ou andar do cavalo: “Animal de зtima andadura.”

ANDANTE, s. Viajante, transeunte.

ANDAR, s. Montaria: “Este cavalo ж de andar do patrсo”, isto ж, ж o cavalo de sua montaria, de seu uso. Cavalo manso de andar ж o que foi adestrado para montaria. Hр animais mansos, que nсo sсo de andar.

ANDAR A GALOPE, expr. Andar ligeiro, com pressa, rapidamente.

ANDAR COM A BARRIGA NO ESPINHAКO, expr. Andar com fome, magro, desnutrido.

ANDAR COM A BORDA N’┴GUA, expr. Andar em precрrias condiушes.

ANDAR COM A CINCHA NA VIRILHA, expr. Necessitar urgentemente de dinheiro, estar em grande apertura financeira.

ANDAR COMO BOLAS SEM MANICLA, expr. Andar Яs tontas, inЩtil.

ANDAR COMO CACHORRO GAUD╔RIO, expr. Andar Я toa, gauderiando.

ANDAR COMO CACHORRO QUE ROUBOU TOUCINHO, expr. Andar ressabiado, arredio, desconfiado. O mesmo que “andar como cachorro que lambeu graxa”.

ANDAR COMO CHIMANGO EM TRONQUEIRA, expr. Andar triste, abatido, jururu.

ANDAR COMO COBRA QUE PERDEU A PEКONHA, expr. O mesmo que “Andar como cobra que perdeu o veneno”.

ANDAR COMO COBRA QUE PERDEU O VENENO, expr. Andar aflito, desinquieto.

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ANDAR COMO GAJO EM TAPERA, expr. Andar abandonado, esquecido, taciturno, triste.

ANDAR COMO NEGRO FUGIDO, expr. andar ressabiado, desconfiado, arredio.

ANDAR COMO PAU DE ENCHENTE, expr. Andar de um lado para outro, ao sabor dos acontecimentos.

ANDAR COM OS ARREIOS NAS COSTAS, expr. Estar sem cavalo de montaria, ou andar montado em animal ruim.

ANDAR COM RETOVO, expr. Apresentar-se sob aspecto diferente do verdadeiro.

ANDAR CORRIDA, expr. Estar a fЖmea no cio.

ANDAR CORTANDO ARAME COM OS DENTES, expr. Andar sem dinheiro.

ANDAR DE BIQUEIRA, expr. Estar o жbrio impossibilitado de beber.

ANDAR DE CABRESTO CURTO, expr. Andar a pessoa sob controle, com suas atividades delimitadas.

ANDAR DE CAMB├O E CANGALHA, expr. Andar muito vigiado e cerceado em sua liberdade.

ANDAR DE CAVALO DE TIRO, expr. Andar muito prevenido, ser precavido.

ANDAR DE CEPO, expr. Andar dc namoro.

ANDAR DE COLA ALКADA, expr. Andar alvoroуado para ir embora, para fugir.

ANDAR DE EM P╩LO, expr. Andar a cavalo sem arreios, assentado diretamente no lombo do animal, ou usando apenas um pequeno forro. baixeiro ou pelego. // Var. Andar em pжlo.

ANDAR DE LOMBO DURO, expr. Andar mal humorado, brabo, desconfiado.

ANDAR DE MARCA QUENTE, expr. Andar zangado, enraivecido, ressabiado, como o animal que acaba de ser queimado pelo ferro em brasa da marca.

ANDAR DE ORELHA EM P╔, expr. Andar prevenido, atento, de sobreaviso.

ANDAR DE ORELHA MURCHA, expr. Andar infeliz, desanimado, descorуoado.

ANDAR DE PELO A P╩LO, expr. Viajar num sз cavalo, sem mudar.

ANDAR DE PICA-FLOR, expr. Andar vadiando.

ANDAR DE PONTA, expr. Andar de rixa com alguжm, alimentar prevenушes.

ANDAR DE R╔DEAS SOLTAS, expr. Andar Я vontade; governar-se, dirigir-se.

ANDARECO, s. e adj. Cavalo de marcha ligeira mas incЗmoda. Diminutivo de andador. Diz-se em tom depreciativo em relaусo Я marcha de certos animais pequenos e ruins. Animal feio, ordinрrio.

ANDAR EM P╩LO, expr. O mesmo que andar de em pЖlo.

ANDARENGO, s. e adj. Caminhador, andador, andejo, pessoa que viaja constantemente a cavalo.

“... guasca andarengo, рvido de horizonte, atraьdo pelas encruzilhadas.” (A. Maia, Alma Barbara, RJ, Pimenta de Mello & C.,

1922).

“Por fim, rematando o descante de seus amores e de suas penas, o velho Silvano, andarengo sem lar e sem famьlia, mas cheio de ternura

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pela sua terra, pelo chсo verde e ondulado em que toda a vida tinha campereado e trazia no coraусo, desferiu os Щltimos versos e os Щltimos acordes” (Darci Azambuja, Romance Antigo, P.A., Globo, 1940, p. 210).

ANDAR ENTRE A QUARTA E A MEIA PARTIDA, expr. O mesmo que andar entre a quarta e a meia quartilha.

ANDAR ENTRE A QUARTA E A MEIA QUARTILHA, expr. Querer e nсo querer. Andar vacilante, sem uma resoluусo definitiva. O mesmo que Andar entre a quarta e a meia partida.

ANDAR ENTRE SAN JUAN Y MENDONZA, expr. Andar embriagado, cambaleando.

ANDARIVEL, s. Paus fincados entre os trilhos da raia para evitar que os parelheiros saiam da linha que devem seguir, misturando-se. (╔ termo em desuso).

ANDAR MATANDO CACHORRO A GRITO, expr. Andar sem dinheiro, na maior misжria.

ANDAR NA PONTA, expr. Andar saliente em alguma coisa, destacar-se, dar as cartas, mostrar-se, dar a nota chique nas reuniшes sociais.

ANDAR NA PONTA DOS CASCOS, expr. Andar alardeando felicidade e boa disposiусo.

ANDAR NA TINIDEIRA, expr. Andar em situaусo angustiosa, em apertura, em dificuldades por falta de dinheiro.

ANDAR NA TIORGA, expr. Andar bЖbado. // Andar bem vestido, com roupas domingueiras.

ANDAR PELAS CARONAS, expr. Andar mal, andar em dificuldades.

ANDAR PELO CABRESTO, expr. Ser conduzido por outra pessoa.

ANDAR TROCANDO ORELHAS, expr. Andar alerta, vigilante.

ANDOLINA, s. Grampo para cabelo.

ANDORINHA, s. Prostituta, geralmente a que anda de cidade em cidade.

ANDORINHA DO MAR, s. Pрssaro da costa de Torres, tambжm chamado trinca de reis. Hр trЖs variedades: o de bico chato, o mжdio e o anсo.

ANG╔LICA, s. ┴rvore da famьlia das tubiрceas.

ANGICO, s. Madeira especial para construусo. Hр as seguintes variedades: angico amarelo, angico do banhado, angico cedro, angico sujo, angico de monte. Na classificaусo de Martins, ж mencionado como acрcia angico. Em seu Vocabulрrio, indaga Luiz Carlos de Moraes: “O nome vulgar desta рrvore nсo terр relaусo com o da tribo africana sua tocaia?”

ANGOLA, s. Angolista.

ANGU, s. Pirсo de farinha de milho. Fig.: mexerico, intriga, confusсo, barulho, arranca-rabo.

ANGURIAR-SE, v. Entristecer-se, aborrecer-se, angustiar-se.

ANGURREADO, adj. Aborrecido, tristonho, angustiado, agoniado, desanimado, adoentado. O mesmo que angurijado e angurriento. “Para falar a verdade, ia atж meio angurriado como se fosse morrendo.” (N. Pereira Camargo, Histзrias da Fronteira, P.A., Ed. Combate Ltda., 1968, p. 25).

ANGURRENTO, adj. O mesmo que angurreado.

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ANGURRIADO, adj. O mesmo que angurreado.

ANGURRIENTO, adj. O mesmo que angurreado.

ANHAPA, s. O mesmo que inhapa.

ANILHO, s. Anel de couro, integrante da colhera, que circunda o pescoуo do animal.

ANIMAL, s. Animal cavalar, especialmente o macho. Ver um animal significa ver um cavalo, uma жgua, um garanhсo, e nсo um muar ou um bovino. ╔ muito empregado tambжm na sua verdadeira acepусo.

ANIMALAКO, s. Cavalo bonito e bom. O mesmo que animalсo.

ANIMALADA, s. Tropa de animais cavalares. “Ao tropear da animalada, em alvoroуo, juntavam-se, vindos de trрs, de longe, de toda a imensidсo noturna, sons de luta, estrupidos, clamores…” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 10).

ANIMAL├O, s. O mesmo que animalaуo.

ANIMAL DE TIRO, s. Cavalo de resistЖncia. Animal que vai puxado pelo cabresto, para mudanуa na viagem.

ANIMALITO, s. Animalzinho, cavalo pequeno.

ANOQUE, s. Utensьlio, assemelhado a grande saco de couro, destinado Я fabricaусo da decoada.

ANSIM, adv. Corrupусo de assim. “E ansim foi que muita gente Ao princьpio duvidava.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 63).

ANTA, s. e adj. Pessoa interesseira, experta, fingida, falsa, mendaz, sabida, que de tudo procura tirar vantagens.

ANTECIPO, s. Adiantamento de dinheiro.

ANTONCES, adv. Deturpaусo de entсo.

ANU, s. Nome de uma danуa dos bailes campestres do Rio Grande do Sul. Nesta danуa, depois de feita a roda.

“dizia o marcante: roda grande, a esta voz todos se davam as mсos e ao dito do mesmo marcante: tudo cerra, a um tempo cerravam a sapateada de mсos dadas; Я voz de cadena faziam os danуantes mсo direita de dama como na quadrilha. Acabado isto, cantava o tocador de viola: O anu ж pрssaro preto, Passarinho de verсo, Quando canta Я meia noite Dр uma dor no coraусo.

Folgue, folgue, minha gente. Que uma noite nсo ж nada. Se nсo dormires agora Dormirрs de madrugada.” (Cezimbra Jacques, Costumes do Rio Grande do Sul, P.A., Tip. Gundlach Becker, 1883, p. 93-94).

AO TRANCO, expr. Na marcha natural, nсo apressada, do animal de montaria. “Ao tranco, rumo da noite, cruz velha, vou te deixando, mas vens seguindo os meus passos cada vez mais, agourando.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, //, P.A., Sulina, 1963, p. 96).

APADRINHAR, v. Acostumar um animal com outros. // Interceder por alguжm.

APADRINHAR-SE, v. Colocar-se uma pessoa sobre a proteусo de alguжm.

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APARADOS, s. Denominaусo dada aos contra-fortes da Serra Geral no Estado do Rio Grande do Sul. Os aparados sсo despenhadeiros verticais e abruptos, de impressionante beleza, cuja altura varia de 400 a 1200 metros, aprumo. Estсo situados entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, nos municьpios de Bom Jesus, Cambarр do Sul e Sсo Francisco de Paula. “Mostro a todos minha terra, os Aparados da Serra cheios de sol e de luz, essa paisagem estranha que dр beleza Я campanha nas bandas de Bom Jesus!” (Rui Cardoso Nunes, Rodeio Serrano, in jornal Administraусo, P.A., 1973, p. 7).

A PAR DE, loc. adv. Ao lado de outro, em marcha.

APARIК├O, s. Assombraусo, visсo, fantasma.

APARTAК├O, s. Ato de apartar, separar, animais que se encontram juntos e que serсo levados para lugares diferentes, por motivo de venda ou simples mudanуa de campo.

APARTAR, v. Escolher, separar, animais que se encontram juntos e que terсo destinos diferentes.

APARTE, s. Apartaусo, separaусo, principalmente em relaусo ao gado bovino. “Em aparte se fala quando “se tira de lр pra cр”, isto ж, quando se separam animais para fins diversos.” (Henrich A. W. Bunse, Sсo Josж do Norte. P.A., Mercado Aberto/IEL, 1981, p. 67).

A PATA DE CAVALO, expr. └ custa de um esforуo violento.

A P╔, loc. adv. Sem dispor de montaria, ou dispondo apenas de maus animais: “A estРncia estр a pж”, significa que a estРncia nсo dispшe de bons animais para montaria. // Em sentido figurado, usa-se para significar que se estр desprovido de alguma coisa: “Estou a pж de trato para os animais”. “O nosso partido estр a pж de bons oradores”, ou seja, nсo dispшe de bons oradores.

APEIAR, v. Apear, descer do cavalo, desmontar. // Desembarcar da diligЖncia, da carreta, do automзvel.

APENDOAR, v. Criar pendсo.

APERADO, adj. Ricamente ajaezado. encilhado com esmero (o cavalo). Bem vestida, a pessoa.

APERAGEM, s. Apero.

APERAR, v. Encilhar, selar, pЗr os aperos no cavalo de montaria. Ajaezar o cavalo de sela.

APERO, s. O mesmo que aperos.

APEROS, s. Arreios. Preparos necessрrios para encilhar o animal. As partes dos arreios que servem para o governo, seguranуa e ornamento do cavalo: rжdeas, cabeуada, cabresto, buуal, peitoral, rabicho, maneia, etc. Preparos, jaez. “Os aperos do cavalo eram de couro tranуado, com argolas e bombas de prata; presas ao lombilho, a mala do poncho enfiada nas rodilhas do laуo; e na frente as boleadeiras.” (Darci Azambuja, Coxilhas, P.A., Globo, 1956, p. 81).

“Tenho um apero que ж de fato lindo, feito de couro de zebu bragado.” (Joсo Batista Soares. Campeiradas, Sсo Leopoldo, Tip. Luz Ltda., 1978,p. 231).

APERREADO, adj. Emagrecido, enfraquecido, enfezado, tristonho, acovardado, abatido, aborrecido, fatigado,

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triste, pensativo, enclenque.

“Quando me lembro dos pagos Fico triste e aperreado; Lр deixei o mano Juca, Monarca quebra e largado: Ninguжm pisou-lhe no poncho Que nсo ficasse pisado!” (Versos de um escritor rio-grandense, escritos no Paraguai).

“Caramba! Ver a pequena assim aperreada e consentir que ele fizesse o que nсo deixo um caracarр fazer Я juriti!” (Apolinрrio Porto Alegre, O Vaqueano, P.A., Globo, 1927,p. 33).

APERREADOR, s. e adj indivьduo que aperrea.

APERREAR, v. Aborrecer, importunar.

APERREAR-SE, v. Aborrecer-se, zangar-se.

APERTADO, s. e adj. Lugar estreito, desfiladeiro, por onde passa caminho ou rio. O que se encontra embaraуado: “O apertado mandou lembranуa”, diz-se por gracejo em relaусo a uma pessoa que estр atrapalhada, sem saber como sair das dificuldades.

APERTADO COMO QUEIJO EM CINCHO, expr. Metido em apuros, em dificuldades.

APERTAR, v. Sujeitar a rЖs, quando derrubada, apertando-a de encontro ao solo. Acalcar.

APERTAR A CHUVA, expr. Intensificar-se a queda da chuva.

APERTAR ESTRADA, expr. Andar apressadamente, em fuga, devorando distРncias.

APERTAR O CH├O, expr. Empreender viagem, ir-se embora.

APERTAR O PASSO, expr. Andar mais velozmente, acelerar a marcha.

APERTENCER, v. Pertencer.

APERTENCES, s. O mesmo que pertenуas (s.f.) ou pertences (s.m.).

APESSOADO, adj. Diz-se da pessoa de boa presenуa, de boa aparжncia, de boa estatura, vestida com elegРncia.

APESTEAR, v. Adoecer.

APICHAR-SE, v. Acovardar-se, amedrontar-se, achicar-se.

APINCHAR, v. Atirar, arremessar, lanуar, jogar, alcanуar: “Quando o Chico apinchou o laуo o boi jр ia entrando no mato”; “Apincha daь as minhas botas”.

“E quando amanheceu, apinchada pelas coxilhas, havia muita geada…” (Benito Josж F attori, Campo Solitрrio, Farroupilha, Livr. Brentano,

1958).

APINHADO, s. Aglomeraусo, aglomerado, porусo de coisas muito juntas.

APINHOSCADO, adj. O mesmo que apinhado. “Muita gente acampava na linha do mato que margina o arroio; porжm nсo apinhoscada como atrрs.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 150).

APINHOSCAR-SE, v. Juntar-se, agrupar-se, reunir-se, apinhar-se.

APLASTADO, adj. Cansado, abatido, esmorecido, fatigado, desanimado. Diz-se do animal e, p. ext., das pessoas. Var.: aplastrado.

“Deixou-se apenas pegado, Pra nсo se ficar de a pж, Um redomсo pangarж Que vinha um tanto aplastado.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed. P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 13).

(Conta-se que Borges de Medei-

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ros, ao ler a sрtira, discordou dessa assertiva, dizendo que um gaЩcho deixa pegado, sempre, um animal manso, em boa forma, e nunca, um redomсo, principalmente se este estiver aplastado.)

APLASTAR, v. Tornar aplastado. Tirar as forуas. Cansar, abombar, abater, desanimar. (╔ vocрbulo castelhano no sentido de amassar, machucar, abater, reduzir a plasta, deixar outrem confuso, conforme R. Corrжa. ╔ pois, usado no sentido figurado e bem podia dizer-se, forуando um pouco, que se deriva do portuguЖs plasta, segundo o autor citado). Var.: Aplastrar.

APLASTAR-SE, v. Tornar-se aplastado, perder as forуas. Var. : Aplastrar-se.

APLASTRADO, adj. Abombado, aplastado.

APLUMADO, adj. Aprumado.

APLUMAR, v. Aprumar.

APOJADURA, s. Ato de apojar, apojamento.

APOJAMENTO, s. Ato de apojar, apojadura.

APOJAR. v. Ato de deixar o terneiro mamar, para provocar a lactaусo. Na mesma ordenha, apoja-se a vaca, geralmente, duas vezes. O leite tirado apзs a segunda apojadura ж mais rico em gordura e de melhor sabor. “Quem ordenha bebe o apojo”, isto ж, quem faz determinada coisa, aproveita-se da melhor parte.

APOJO, s. O leite mais gordo extraьdo da vaca apзs a segunda apojadura.

“Fica disto convencido: Quem ordenha bebe o apojo.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 52).

APONILHADO, adj. Atacado de ponilha. // Em sentido figurado, com o rosto cheio de espinhas. // Significa, tambжm,junto a outro, unido a outro.

APONILHAR, v. Ser o couro atacado de ponilha.

APORREADO, s. e adj. Cavalo mal domado, indomрvel, que nсo se deixa amansar. Aplica-se, tambжm, p. ext., ao homem rebelde.

“Nсo relincha aporreado Que do lombo me cuspisse; Depois de eu me ver montado, Tentar o bruto ж tolice.” (Manoel Faria Corrжa, Rumo aos Pagos, P.A., Globo, 1925, p. 32).

APORREAMENTO, s. Ato de aporrear.

APORREAR, v. Domar o cavalo de modo incorreto, de forma a deixр-lo velhaco, cheio de manhas, ou rebelde ao ponto de nсo se deixar mais amansar.

APORREAR-SE, v. Tornar-se o animal velhaco, indomрvel, imprestрvel, por defeito de doma.

APORRINHAR, v. Aborrecer, incomodar, importunar.

APOSSEAR-SE, v. Apossar-se.

APOTRADO, adj. Com jeito e manhas de potro. Diz-se do cavalo manso que se tornou semelhante a potro por ter estado muito tempo em liberdade. // Fig.: Irascьvel, grosseiro.

APOTRAR-SE, v. Adquirir jeito de potro. Tornar-se o cavalo semelhante a potro, por talta de custeio. // Por extensсo, aplica-se Яs pessoas, com o significado de portar-se mal, tornar-se xucro, zangado, grosseiro.

“Nсo te apotres que domadores nсo faltam”. (Simшes Lopes Neto, Cousas GaЩchas).

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APOUCAR, v. Definhar, emagrecer.

APRECATAR-SE, v. Acautelar-se.

APRESILHAR UM LAКAКO, expr. Dar uma lambada, aplicar uma relhada.

APRONTAMENTO, s. Ato de tomar medidas para realizar algum intento. Aparelhamento, enfeite. Aprontes.

APRONTES, s. Aprontamento.

APRUMAR-SE, v. Melhorar de sorte, de negзcios, de saЩde, de fortuna. Endireitar-se, arranjar-se. PЗr-se de pж.

APUADO, adj. Alegre pela bebida.

APUAR-SE, v. Tornar-se meio embriagado por bebidas alcoзlicas.

APUAVA, s. Aruр.

APURADO, ad). Apressado, impaciente.

APURAR, v. Apressar, acelerar a marcha.

APURAR-SE, v. Ficar em apuros. Ficar cheio de serviуos. // Andar depressa, aligeirar o passo. // Perder a calma. // Estar em dificuldades financeiras.

APURO, s. Pressa, azрfama.

AQUENTARGUA PARA O MATE DOS OUTROS, expr. Levar a efeito preparativos que vсo ser proveitosos para outros; o mesmo que fazer a cama para os outros se deitarem.

AQUERENуAR-SE, v. Aquerenciar-se, acostumar-se a determinado lugar. Aplica-se aos animais, e, p. ext., Яs pessoas.

AQUERENCIADEIRA, s. ╔gua com a qual se acolhera ou se junta outro animal para ser aquerenciado. ╔gua-madrinha.

AQUERENCIADO, adj. Diz-se do animal acostumado a viver em determinado lugar, ou em companhia de outros animais. // Tambжm se aplica Яs pessoas.

AQUERENCIADOR, adj. Que torna os animais aquerenciados. Diz-se do campo que, por ser bom, ж preferido pelos animais.

AQUERENCIAR, v. Acostumar o animal a viver em determinado lugar que nсo ж o de seu nascimento. Habituar o animal com a companhia de outros.

AQUERENCIAR-SE, v. Acostumar-se o animal a determinado lugar que nсo o de sua moradia habitual. Ambientar-se. Habituar-se, o animal, com a companhia de outro ou de outros. 1 Aplica-se, tambжm, Яs pessoas.

AR, s. Dor de olho. Mal que, segundo crenуa popular, ж causado por golpe de ar.

ARAGANEAR, v. Haraganear.

ARAGANO, s. Haragano.

ARAMADO, s. Alambrado, cerca de arame.

“Vejo o mar sem aramados, Vejo o espaуo sem fronteiras Eu faуo da vida inteira Um canto de liberdade!” (Haroldo Masi e Luiz Coronel, E Terra, e Cжu e Mar, Canусo. 1968).

ARAME DE ESPINHO, s. Arame farpado.

ARANHA, s. e adj. Pessoa enleada, trapalhona, embaraуada, desajeitada, vagarosa para a execuусo de um trabalho, pouco expedita. // Carrinho alto, de duas rodas, de traусo animal, para conduzir pessoas.

ARANH├O,s. Aguaь.

ARANHAR, v. Embaraуar-se, atrapalhar-se, ter dificuldade em executar determinado trabalho.

ARATACA, s. Cavalo pequeno e ruim.

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ARCO-DA-VELHA, s. Arco-ьris.

AREADO, ad). Diz-se da pessoa completamente sem dinheiro. “Estou areado”, isto ж, estou completamente sem dinheiro.

AREAR, v. Ficar totalmente sem dinheiro.

AREJAR, v. Adoecer por efeito do ar.

ARENAL, s. Areal.

ARENGAR, v. Matreirar, nсo se deixar pegar, tornar-se esquivo. Usa-se em relaусo ao cavalo, principalmente. // Por extensсo, aplica-se Яs pessoas que falam de mais, que discutem por qualquer motivo. O mesmo que arenguear.

ARENGUEAR, v. Arengar.

ARENGUEIRA, adj. Diz-se da tropa que se mostra difьcil de conduzir, que custa a tomar o caminho que lhe ж indicado pelos tropeiros.

ARENGUEIRO, adj. Diz-se do cavalo que arenga. Por extensсo: pessoa intrigante, querelante, mexeriqueira, levae-traz.

ARGOLAКO, s. Argolada. Pancada dada com a argola do relho ou do laуo. Argola grande, vistosa, de bonito efeito.

“Um argolaуo na cabeуa com o “rabo de tatu”, e o cuera caiu testavilhando.” (Mрrcio Dias, Brumas da Minha Saudade, P.A., p. 36).

ARICUNGO, s. e adj. Matungo, pilungo, sotreta, arataca. Cavalo de qualidade inferior, que nсo vaie nada. // Diz-se tambжm, por extensсo, das pessoas muito magras e feias.

ARISCAR-SE, v. Tornar-se arisco.

ARISCO, ad). Diz-se do gado esquivo, xucro, assustado, que nсo se deixa apanhar facilmente.

ARMA BRANCA, s. Faca, punhal, facсo, espada, adaga. O mesmo que ferro branco. “Faca sempre ativa e alerta. Ativa nos trabalhos, e alerta nas canchas de osso e de carreiras, nos rinhadeiros, nos bailes e nos comьcios eleitorais. Nunca chega a dormir dentro da bainha. Ostensiva na cintura, ou discreta na cava do colete. De cabo de prata ou de osso, quanto mais velha ж, mais linda. Parece fria e sem vida, mas o sangue lhe corre ж por fora. ╔ ela que salta na frente nas lutas de corpo a corpo. Que se chama de arma branca, mas que sai rubra do entrevero. ╔ feminina de nome, no simbolismo ж viril.” (Nilo Ruschel, O GaЩcho a Pж, P.A., Sulina, 1959, p. 95).

ARMAК├O, s. ElegРncia. Aprumo.

ARMADA, s. Laуada corrediуa que se faz com o laуo quando se pretende atirр-lo para prender a rЖs. “Ser de armada grande” ou “usar armada grande”, significa ser pachola, conversar fiado.

ARMAR O LAКO, expr. Preparar a armada, aprontar o laуo para jogр-lo sobre a rЖs que se pretende pegar.

ARMAR O PEALO, expr. Preparar o laуo para atirar o pealo. // Fig.: usar de artimanha para apanhar outrem em falta.

ARMAR O ROLO, expr. Desencadear a briga, o conflito, o barulho.

ARMAR-SE, v. Tomar o cavalo, quando montado, posiусo garbosa. Tomar o touro ou o galo atitude galharda para entrar na briga.

ARMAR-SE O TEMPO, expr. Tornar-se o tempo ameaуador para chuva.

ARMAZENEIRO, s. Aquele que armazena, dono de armazжm.

AROEIRA, s. ┴rvore da famьlia das Anacardiрceas (Schinus noite), cuja proximidade causa em certas pessoas uma espжcie de eczema com inchaусo e muito prurido, de carрter passageiro. (Para evitar esse mal, o gaЩcho ao passar por uma aroeira a cumprimenta,

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dando-lhe “boa tarde” pela manhс e “bom dia” Я tarde ou Я noite). O cerne da aroeira ж usado para esteios e moirшes.

“Da Aroeira Aroeira tem fresca sombra . – mas esta sombra tem blefes. Tem semelhanуa que assombra com a sombra de certos Chefes que aprendem com borlantim. Depois do tamoeiro e o jugo, o amigo… estр que ж um refugo com o couro que ж um camoatim.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 135).

ARPISTA, adj. Arisco, desconfiado, prevenido, assustadiуo. O mesmo que alpista.

ARPISTAR-SE, v. Mostrar-se arpista, tornar-se arisco, desconfiado, prevenido, assustadiуo. O mesmo que alpistar-se.

ARRAIO, s. Arrabalde (Registro do Pe. Teschauer).

ARRANCADA, s. Ato de arrancar. Saьda violenta. Primeiro ьmpeto. Movimento inesperado.

“╔ no palрcio de Solano Lopez, em plena capital do Paraguai… Ele agoniza, a imaginar galopes e arrancadas, na febre, em que se esvai!” (AntЗnio Lourenуo, Andrade Neves, in Correio do Povo).

ARRANCAR, v. Sair violentamente, inesperadamente. Pular, saltar.

ARRANCA-RABO, s. Discussсo acalorada, disputa, bate-boca, barulho, briga, rezinga, conflito, rolo.

ARRANCAR PELUDO, expr. Retirar a viatura do atoleiro.

ARRANCHAMENTO, s. Rancho, choуa, casebre, moradia de campo, com todas as suas dependЖncias, como sejam galpшes, currais, mangueiras, lavouras, etc.

ARRANCHAR-SE, v. Instalar-se em moradia de campo.

ARRANCO, s. Ato do cavalo iniciar a carreira.

ARRANZEL, s. Aranzel, lenga-lenga, discurso enfadonho.

ARRASTADOR, s. Pessoa incumbida de efetuar o transporte de toras de madeira, em zorra, carretсo ou de arrasto.

ARRASTAR A ASA, expr. Namorar, galantear.

ARRASTAR OS P╔S, expr. Danуar, espalhar os pжs. // Andar muito devagar, por doenуa ou velhice, arrastando os pжs.

ARRASTO, s. Transporte de toras de madeira, em carreta, em zorra, ou de arrasto.

ARREADA, s. Apresamento de gado alуado ou de gado pertencente ao inimigo. Arriada.

“Desde 1870 havia charqueadas no continente. Para abastecer tais empresas, ou para o aproveitamento do couro das reses, grupos de colonos, fugindo da vida policiada, erravam pelos campos sem pouso certo, enriquecendo-se com a rapinagem dos armentos. A essa indЩstria chamavam arreadas” (Rubens Reys de Barcelos, Estudos Rio-Grandenses, P.A., Globo, 1955, p. 26). “Arreada, f. Extracciзn furtiva o violenta de ganado ajeno.”(Daniel Granada, Vocabulрrio Rioplatense, Tomo 1, Biblioteca Artigas, Montevideo, 1957, p. 75).

ARREADOR, s. Relho de aуoiteira comprida com que o tropeiro toca os animais. // Indivьduo empregado no serviуo de arreada.

ARREAMENTO, s. Arreios. Conjunto de peуas com que se encilha um cavalo para montar.

ARREAR, v. Arrebanhar, apresar gado alуado ou pertencente ao inimigo.

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ARREATA, s. Peуa de couro cru com que se aperta a carga no cargueiro.

ARREBANHAR, v. Apoderar-se de cavalares e muares, e tambжm de gado bovino, com invasсo dos respectivos campos, para uso das forуas, durante as revoluушes, sem o necessрrio consentimento dos donos, e sem deixar-lhes documentos que lhes permitam pleitear qualquer indenizaусo. Potrear. // Por extensсo, reunir objetos espalhados ou dinheiro emprestado a vрrias pessoas: “Vou arrebanhar meus trastes”, “Vou arrebanhar uns cobres que tenho espalhados por aь”.

ARREBENTAR, v. Cansar, estafar, tornar imprestрvel o cavalo, submetendo-o a esforуo excessivo.

ARREBENTAR O CAR┴TER, expr. Dizer verdades que abalam, que confundem a pessoa com quem se discute: “Fulano pensou que tinha me vencido, mas arrebentei-lhe o carрter contando o que ele tinha feito, na Jaquirana, quando fugiu dos provisзrios”.

ARREBENTAR-SE, v. Realizar grande esforуo.

ARREBENTAR UM LAКO, expr. Ser vрlido, ser ainda muito forte, apesar da idade: “O velho Chico, apesar de seus oitenta anos, ainda ж capaz de arrebentar um laуo”.

ARREGANHADO, adj. Diz-se do cavalo ou muar que, em tempo de calor intenso, depois de marcha muito forуada, tendo bebido pouca рgua, ж atacado de uma espжcie de espasmo, caracterizado pela contraусo dos maxilares e das narinas, o qual o impossibilita de continuar a viagem ou o trabalho em que estiver sendo utilizado. O animal acometido desse mal fica sujeito a recaьdas, que o tornam imprestрvel para o serviуo pesado.

ARREGANHADOR, s. e adj. Animal que facilmente fica arreganhado. // Indivьduo que, por incЩria, torna, freqЧentemente, o animal arreganhado.

ARREGANHAMENTO, s. Ato de arreganhar. (Queima de trapos diante das ventas ou sangria no cжu da boca, eram remжdios utilizados para tratar o animal acometido de arreganhamento).

ARREGANHAR, v. Ficar o cavalo, por excesso de serviуo, por passar sem beber por longo tempo, em dias de calor intenso, extremamente cansado, estafado, exausto, com o coraусo batendo fortemente, com os beiуos contraьdos de modo a deixar ver os dentes, com as ventas distendidas, e com os maxilares cerrados a ponto de nсo se poder tirar-lhe o freio.

ARREGANHAR OS DENTES, expr. Ameaуar. // Significa, tambжm, encarangar ou morrer encarangado.

ARREGANHOS, s. Ameaуas (Usado somente no plural).

ARREGLADO, adj. Combinado, estabelecido, composto, ajustado, concertado, posto em ordem.

ARREGLAR, v. Combinar, estabelecer, ajustar. Arrumar, pЗr em ordem qualquer assunto ou negзcio, entrar em acordo ou ajuste com outrem, Desfazer mal-entendidos.

ARREGLO, s. Ato de arreglar. Arranjo, combinaусo, ajuste de negзcio (em geral nсo muito lьcito). Trato, convЖnio, concessсo num negзcio.

ARREIAR, s. Intimidar-se, afrouxar, desistir de determinado empreendimento.

ARREIOS, s. Conjunto de peуas com que se arreia um cavalo para montar. Sсo peуas dos arreios: Baixeiro, enxergсo, xergсo, xerga, suadouro, carona, lombilho, serigote, bastos, socado, cincha, pelegos, coxonilho, badana, sobrecincha, peitoral, rabicho, freio, rжdeas, cabeуada, buуal, buуalete, cabresto, maneia, mala de poncho, etc. Os arreios servem de cama para o gaЩcho, principalmente quando em viagem. Este vocрbulo sз ж usado no plural.

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(V. as expressшes sacudir os arreios, espalhar os arreios e sair vendendo os arreios).

“Quando foi dormir, nessa noite, PrudЖncio ainda estava nas nuvens. Se acordou nos arreios, como os outros, que quarto com cama sз para o mulherio ou pra algum velho”, (AntЗnio Augusto Fagundes, Destino de Tal, p. 22).

“Antes que ficasse escuro, As camas foi-se arranjando C’os arreios e tratando De ver lenha pra o fogсo, Que um bom fogo ж o galardсo De um pobre que anda tropeando.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 13).

ARRELIAК├O, s. IncЗmodo. Amolaусo.

ARRELIENTO, adj. Implicante, provocante.

ARREMATADO, adj. Terminado, finalizado, bem acabado. // Cansado, esfalfado, exausto.

ARREMATAR, v. Dar o Щltimo toque, concluir, terminar. // Cansar, estafar.

ARREMATE, s. Feira ou leilсo de gado. Var.: Remate.

ARREMEDIADO, adj. Remediado.

ARRENDADO, adj. Diz-se do redomсo que, com bocal, obedece perfeitamente Яs rжdeas, antes de passar a usar o freio.

ARRENDAMENTO, s. Ato de arrendar.

ARRENDAR, v. Fazer o redomсo obedecer ao governo das rжdeas, ainda com bocal, antes de usar o freio.

ARRENEGAR, v. Arreliar.

ARRETADO, adj. Arreitado.

ARRETAR, v. Arreitar.

ARRETO, s. Arreitamento.

ARRIADA, s. Saque, assalto, depredaусo. // Tropeada.

ARRIADO, s. e adj. Galo de rinha que, por ferido ou por exausto da luta, nсo podendo mais brigar ou manter-se de pж, sustenta-se apoiando a cabeуa no chсo.

ARRIAR, v. Ceder por medo. Afrouxar.

ARRIBA, s. Favor. Viver de arriba ж o mesmo que viver Я custa de outrem, viver sem pagar, ter tudo de graуa, de favor. V. de arriba.

“Caminhar dias e meses Viver de arriba na terra, E pelear algumas vezes Eis no que consiste a guerra”. (Pai do Sul, Gauchadas e Gauchismos, p. 169).

ARRIBAR, v. Adquirir melhor aspecto fьsico, melhorar de saЩde, convalescer, comeуar a engordar ou criar carnes depois de um perьodo de magreza. Diz-se de pessoas e de animais. // Fugir, ausentar-se sem permissсo.

ARRIMAR-SE, v. Aproximar-se, achegar-se.

ARRINCONAR, v. Arrincoar, acampar, acantonar. O mesmo que enrinconar e rinconar.

ARRIPIAR CARREIRA, expr. Desistir de um intento, afrouxar o garrсo.

ARRISCADA, s. Aventura muito perigosa.

ARRISCAR O PELEGO, expr. Arriscar a vida. Expor-se ao perigo.

ARROCINADOR, s. Pessoa que arrocina cavalos.

ARROCINAR, v. Completar a doma do animal, deixando-o bom de rжdea, sem manhas, apto para todo o serviуo.

ARRODEAR, v. Contornar um obstрculo, andar em volta.

ARRODILHAR-SE, v. Ajoelhar-se. (╔ espanholismo, de arrodillarse).

ARROLHADOR, s. e adj. Medroso, molengo, que facilmente se deixa derrotar ou intimidar. // Frvateiro que desfolha

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a erva-mate.

ARROLHAMENTO, s. Ato de desfolhar a erva-mate.

ARROLHAR, v. Confundir, intimidar o adversрrio, derrotр-lo antes de chegar Яs vias de fato. Reunir animais em um grupo que ocupe uma espжcie de circo pequeno ou roda.

ARROLHAR A PONTA, expr. Encurtar a marcha do gado, pondo-se o tropeiro na frente da tropa.

ARROLHAR-SE, v. Encolher-se. Fugir intimidado, amedrontado, derrotado. // Juntar-se em grupo animais espalhados no campo ou em marcha. // Reunir-se (pessoas). (Do espanhol arrollar-se).

ARROUCADO, adj. Enrouquecido.

ARROXAR, v. Apertar, embaraуar, apurar, meter em dificuldades.

ARROXO, s. Aperto, dificuldade, embaraуo.

ARROZ-DE-CARRETEIRO, s. Comida feita de arroz cozido com guisado de charque. Var.: arroz-carreteiro, carreteiro.

“└ hora da canьcula, solta os bois na estrada. Arma a trempe e aquece рgua para o chimarrсo. Em seguida corta a carne ou charque, mistura com arroz e faz sobre o fogo da trempe aquele tradicional carreteiro.” (Cel. A. Dias de Oliveira, Ermo de Saudade, P.A., Globo, 1938, p. 90).

ARROZEIRO, s. e adj. O plantador de arroz, relativo ao arroz.

ARRU┴, adj. V. aruр.

ARRUINAR, v. Ficar ruim, piorar.

ARRUINAR-SE, v. Adoecer, ter os males agravados.

ARRUIR, v. Destruir, desmoronar.

ARTERICE, s. Travessura.

ARU┴, adj. Apuava, puava, fuр. Diz-se do cavalo espantadiуo, quebra, indзcil, desconfiado, que nсo se deixa apanhar facilmente. // Usa-se como substantivo para significar indivьduo brigсo, valentсo, puava. (Parece provir de aruс, do guarani, que significa mau).

ARVELA, adj. Velhaco, caborteiro, ventana.

ASA DE TELHA, s. Perdigсo, na gьria do caуador.

└S AVE-MARIA, expr. └ tardinha, ao escurecer.

└S BRINCAS, expr. Significa, no jogo de bolitas, que a partida ж de brincadeira, feita de graуa, sem Зnus para os jogadores. ╔ o contrрrio de Яs devas.

└S CHANCHAS MOURAS, expr. Lugar imaginрrio para onde se manda os outros ou se deseja ir, para escapar de importunaушes.

└S DEVAS, expr. Significa, no jogo de bolitas, que a partida ж para valer. ╔ o contrрrio de Яs brincas, quando nсo hр Зnus para os perdedores.

ASPA, s. Chifre, corno, ponta, guampa. V. as expressшes bater aspas e estar de aspa torta.

ASPAКO, s. Golpe com as aspas. Guampada. Chifrada. Cornada.

ASPA DE BOI BRASINO, expr. Usada para exaltar alguma coisa: “Esta faca estр como aspa de boi brasino”, isto ж, estр muito bem afiada.

ASPA-TORCIDA, s. O mesmo que aspa-torta. (Pl. : aspas-torcidas).

ASPA-TORTA, s. Indivьduo turbulento, desordeiro, ventana, quebra, puava. O mesmo que aspa-torcida ou aspa-virada. (Pl. : Aspas-tortas).

ASPA-VIRADA, s. O mesmo que aspa-torta. (Pl.: Aspas-viradas).

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└S PECHADAS, expr. Aos encontrшes.

ASPEREJAR, v. Tratar com aspereza, descompor, repreender com violЖncia. Var.: asprejar.

ASPREJAR, v. O mesmo que asperejar.

ASPUDO, s. e adj. Animal que tem chifres grandes e ponteagudos. Cornudo. // Homem cuja mulher lhe ж infiel.

ASSADEIRA, s. Espжcie de forma para assar carne.

ASSADO, s. Pedaуo de carne preparado Я labareda ou Яs brasas. Pedaуo de carne, destinado a assar, mesmo antes de ser assado. Churrasco. (V. as expressшes meter-se em assado, ver-se em assado e assado do lombo).

“Asado del campo – Famoso asado del Rio de la Plata, que los hombres del campo hacen al aire libre. Ensartan en un asador de hierro, del largo de una espada, o, no teniжndolo, en un palo cualquiera descortezado y con punta, un costillar de vaca o de vaquillona. Con ramas del monte hacen una fogata al aire libre, buscando la sombra de un рrbol. Cuando estр bien presidida la hoguera, pero sin esperar a que se convierta en brasas, clavan en tierra el asado un poco inclinado hacia el fuego, cuidando de darlo vuelta una y otra vez segЩn se va asando la carne de cada uno de sus lados, y de tenerio siempre a banovento (digрmoslo asь), a fim de que las llamas no lo quemen. Hacen una salmuera, y con un manojito de ramas la vai echando sobre la carne de tiempo en tiempo. – QuЖ cosa mрs sencilla? Pero tambien – quЖ cosa mрs inЩtil, si llega a faltar el ojo y pulso experimentados, la haquia que sзlo los hombres del campo poseen? Brillat Savarin dice que para hacer bien mi asado es preciso haber nacido con un don especial, que no pude suplir el arte. Si hubiese conocido el asado de los criollos del Plata, sin duda hubiera discernido a жstos la palma de superioridad en la materia, y hubiera puesto aquel en la primera pрgina de su libro famoso, proclamando que, como sano y apetecible, no hay plato en el arte culinario que pueda disputarle la preferencia.” (Daniel Granada, Vocabulрrio Rioplatense Razonado, Tomo 1, Montevideo, Biblioteca Artigas, 1957, p. 81-82).

ASSADO DE COURO, s. Carne assada com o respectivo couro. (V. assado).

“Tornavam, alguns, a carne saborosa, com certo modo local de preparр-la: abrindo, na terra, um buraco em que acendiam fogo; tiravam fora a brasa e as cinzas, depois do grau de calor requerido, e metiam no lugar dois pedaуos de carne cortados com o couro, virados mЩsculo com mЩsculo e o couro para fora; tapavam o buraco e acendiam outro fogo por cima; pouco tempo bastava para cozinhar o churrasco tenro, suculento, delicioso…” (Fernando Osзrio, Fogo Morto, Pelotas, Globo, 1930, p.

84).

“Asado cosi cuero – Un buen trozo de pecho o de anca adobado, con su correspondiente cuero, el cual lia de sobresalir tres o cuatro dedos, a fin de que, cuando se encoja al quemarse, no deje descubierta por un lado la carne, flecha la fogata de que se habia en el art.Asado del campo, exponen a las liames la parte donde estр ei cuero, hasta que жste quede bien chamuscado. Entretanto se van formando las brasas, sobre las cuales, a corta distancia, se coloca despuжs ei trozo del lado de la carne, bien estirado de antemano con unos palitos atravesados por dentro y acomodados los extremos de los mismos en unos cascotes

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o troncos. Cзmenlo caliente y fiambre, siendo de una y otra manera tanto o mрs estimado que el anteriormente descrito.” (Daniel Granada, Vocabulрrio Rioplatense Razonado, Tomo 1, Montevideo, Biblioteca Artigas, 1957, p. 82).

ASSADO DO LOMBO, expr. Diz-se do cavalo com o lombo inchado por efeito dos arreios. Isso ocorre quando, estando o animal suado, em dia frio ou chuvoso, se retira, de uma sз vez, o arreiamento.

ASSADOR, s. Pessoa que se incumbe de preparar o assado. // Espeto em que se enfia a carne para ser assada.

ASSADURA, s. Inflamaусo cutРnea, produzida pelo calor, geralmente em crianуas ou em senhoras.

ASSALTAR, v. Chegar um grupo de pessoas, de surpresa, em casa de uma famьlia amiga, para realizar um baile ou uma pequena festa, improvisada.

ASSALTO, s. Baile ьntimo, festa improvisada por um grupo de pessoas que chegam, de surpresa, em casa de uma famьlia amiga. Em geral, os assaltantes levam instrumentos musicais e iniciam o assalto com uma serenata.O assaltado costuma, nessas ocasiшes, obsequiar os assaltantes com comidas e bebidas, abatendo galinhas e carneando uma de suas melhores reses para o churrasco.

ASSEADAКO, adj. Diz-se do cavalo muito asseado ou brioso.

ASSEADO, adj. Diz-se do cavalo garboso, belo, elegante, bom. // Diz-se, tambжm, de objetos de luxo ou bem acabados.

ASSENTADA, s. Partida falsa, inьcio de carreira dada pelos parelheiros, do ponto de partida, com interrupусo antes do laуo de largada. Conforme o trato da carreira, hр 1ф, 2ф e 3ф assentadas, e, Яs vezes, mais. // Parada repentina que faz o cavalo que vem a galope. ii Ocasiсo, vez: “Desta assentada ele vai embora mesmo”. Var.: sentada.

ASSIADO, adj. Limpo, asseado.

ASSIM COMO, loc. adv. Num dado momento. “Assim como a Santa apontou.” (No Galpсo, Darcy Azambuja).

ASSINALADO, adj. Diz-se do animal marcado, na orelha, com um corte convencional que indica seu proprietрrio.

ASSINALAR, v. Praticar, na orelha ou nas orelhas de um animal, recortes determinados que permitem identificar seu proprietрrio.

ASSISTIR-LHE O PAU, expr. Surrar, espancar, esbordoar.

ASSOBIADEIRA, s. ┴rvore de pequeno porte de cuja semente se pode fazer assobios. O mesmo que assobieira. // Marreca de cor bruno-cinzenta em cima, com faixas pretas transversais na cabeуa, esbranquiуada em baixo, com grandes manchas pretas no peito, com duas faixas amareladas sobre as asas, e base e lados do bico amarelos.

ASSOBIEIRA, s. O mesmo que assoliadeira.

ASSOLEADO, adj. Diz-se do animal cansado por ter andado muito ao sol. Acovardado pela canьcula. Meio abombado. Assonsado.

ASSOLEAMENTO, s. Ato de assolear.

ASSOLEAR, v. Cansar-se por ter andado muito ao sol. ╔ quase o mesmo que assonsar.

ASSONSADO, adj. Diz-se do animal meio abombado, meio cansado.

ASSONSAR, v. Ficar meio abombado, meio cansado. ╔ quase o mesmo que assolear e aplastar.

ASSUCEDER, v. Acontecer, ocorrer.

“Nсo te metas com as crias da Brьgida; atж mortes jр houve lр; e

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quem encilha aquelas farpelas, o menos que pode assuceder-le ж ficar sem querer com alguma tropilha baguala…” (A. Maia, Tapera, 2ф ed., RJ, F. Brieguiet & Cia., 1962, p. 23).

ASSUNTAR. v. Pensar, matutar, pesquisar, descobrir, escogitar, conversar, tentar negзcio.

ATADO. adj. Indeciso, amarrado, sem iniciativa.

ATALHAR O CAMINHO, expr. Ir pelo caminho mais curto.

A TALHO DE FOICE, expr. A jeito, na ocasiсo propьcia.

ATALHO DE REBENQUE, expr. Encurtamento do tempo de viagem pelo uso do rebenque no animal. Usava-se, por gracejo, para significar a diminuiусo do tempo de viagem pelo uso do rebenque.

ATAMANCAR-SE, v. Ajustar-se, endireitar-se.

ATAMBEIRADO, adj. Parecido com tambeiro. Diz-se do novilho meio domesticado, um tanto manso.

ATAPERADO, adj. Transformado em tapera. // Lugar com muitas taperas.

ATAR, v. O mesmo que amarrar. Ajustar, contratar, unir, vincular, conchavar, expor, redigir com nexo. “Atar carreira”, significa tratar ou ajustar corrida de cavalos. “Atar uma rinha”, ajustar uma briga de galos.

ATAR A CABEКA, expr. Ficar preocupado.

ATAR A COLA A CANTAGALO, expr. Dar um tope, bem em cima, na cauda do cavalo de montaria. O mesmo que atar a cola lр onde a Maruca prende o grampo.

ATAR A COLA L┴ ONDE A MARUCA PRENDE O GRAMPO, expr. O mesmo que atar a cola a canta galo.

ATARANTAR-SE, v. Estontear-se, confundir-se.

ATAR CARREIRA, expr. Contratar corrida de cavalos.

ATARDADO, adj. Retardado, atrasado.

ATASCAL, s. Atascadeiro, lamaуal.

ATEMPADO, adj. Adoentado, enfermiуo, desarranjado.

“Andava sempre atempado: Volta e meia… era churrio, Pontadas pelo vazio. Dor de barriga, enxaqueca, Catapora, tosse seca Mas, nunca tinha fastio. (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 26).

ATIКAR, v. Aуular, iscar o cachorro contra alguжm.

“O prзprio cavalo como que se interessava: – ao grito do cavaleiro, atiуando o cсo, estacava, espontРneo” ... (A. Maia,Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 41).

ATILHAR, v. Prender com atilho.

ATIRAR O FREIO, expr. Estar o cavalo, quando montado e andando, alegre, escarceando, querendo ir para a frente. Ao terminar uma marcha, quando o animal chega atirando o freio, demonstra que ainda estр em plena posse de suas forуas, estando em condiушes de andar ainda muito.

ATIRAR-SE POR UM CANHAD├O ABAIXO. expr. O mesmo que despenhar-se por um canhadсo abaixo.

TODA, adv. Com muita pressa, a toda marcha.

TODA R╔DEA, expr. A todo galope, a toda velocidade.

TODO O TRAPO, expr. └ toda a brida, Я disparada, Я toda a pressa. (Provжm da expressсo Я todo o pano).

ATOLADOR, s. PРntano, lodaуal, atoledo.

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ATOLEDO, s. PРntano, lodaуal, atolador, atoleiro.

ATOPETADO, adj. Completamente cheio, lotado: “O campo estava atopetado de gado”.

“Abateram os ranchos dos agregados, os varais das xarqueadas, os jiraus e os paiзis outrora atopetados de mantimentos” (Joсo Maia, Pampa, P.A., Globo, 1928, p. 95).

ATOPETAR, v. Encher totalmente.

ATORADO, adj. Diz-se de pessoa sem haveres, que nada possui.

ATORAR, v. Cortar, torar. // Utilizar atalho para encurtar caminho.

“entrariam sem demora na EstРncia, esquecendo Я direita o boliche do Bento e atorando coxilhas em reta.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 78).

ATOSSICAR, v. Dar maus conselhos, instigar para o mal, importunar com pedidos ou insinuaушes.

A TOURITOS FLACOS TODOS PEALAM, expr. (Fig.) Significa o desrespeito da maioria das pessoas a quem nсo estр em condiушes de defender-se.

ATOURUNADO, adj. Metido a touruno. Mal castrado.

ATOURUNAR, v. Tornar touruno o bovino. Castrar mal. Castrar touro jр adulto.

ATRASADO, adj. Pobre, arruinado.

ATROPELADOR, adj. Que atropela. Atrevido.

ATROPELAR, v. Aligeirar, andar depressa, apressar, investir, enxotar.

“Sou tourito que atropela e nсo ж qualquer porqueira que me ataca na porteira! Eu entro e danуo de espora!” (Dimas Costa, Fanfarronada, P.A., Ed. Lamar, 1977, p. 9).

ATROPELAR CAMPO FORA, expr. Enxotar, espantar para que vр embora.

ATROPELAR O PETIКO, expr. Aligeirar-se, andar depressa.

ATROPILHADO, adj. Reunido em tropilha.

ATROPILHAR, v. Reunir cavalos em tropilha. A tropilha, em geral, ж constituьda de animais de um mesmo pЖlo. Entropilhar.

ATUCANAR, v. Causar aborrecimento a alguжm com pedidos insistentes.

AFINQUE, conj. Embora, ainda que, conquanto. (Esp).

AVACADO, adj. Diz-se do boi ou novilho que tem conformaусo de vaca, que se parece com vaca.

AVALOADOR, s. Avaliador.

AVALOAR, v. Avaliar.

AVANHEENGA, s. O mesmo que abanheжm.

AVE, adj. Matreiro, esperto, finзrio, gaviсo, arisco, perspicaz, astucioso, velhaco, alarife, ventana, quebra. Diz-se de cavalares e muares e, tambжm, de pessoas.

AVE DE PENACHO, s. Sujeito finзrio, muito astucioso.

AVEIRAR, v. Abeirar.

AVENTAR, v. Ficar exposto ao vento, sofrer aусo do ar.

AVENTAR A SANGRIA, expr. Corrigir a sangria da rЖs mal sangrada para que corra bem o sangue.

AVESTRUZ, s. Nome dado Я ema. O mesmo que nhadu, xuri. Var.: Abestruz.

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AVESTRUZEIRO, s. e ad). Pessoa que se ocupa em aprisionar emas para tirar-lhes a plumagem. // Cavalo ou cсo, adestrado para a caуa da ema.

“Quando o ьndio Nico apontava na coxilha, em direусo Я casa (...) jр se tomava cuidado com o xarque no varal, por causa do Topete, conhecido avestruzeiro das redondezas.” (Clemenciano Barnasque, No Pago, 2ф ed., P.A., Globo, 1926, p. 75).

AVEXADO, adj. Contrafeito, aborrecido por algum incЗmodo.

AVEXAR, v. Molestar, perseguir, envergonhar.

AVEXAR-SE, v. Vexar-se, aborrecer-se, envergonhar-se.

“Vр contando o caso e nсo se avexe.” (A. Maia, Tapera, 2ф ed. RJ. E. Briguiet & Cia., 1962).

AVIOS, s. Conjunto de objetos indispensрveis para determinado fim.

AVIOS DE CAКA, s. Conjunto de objetos usados numa caуada: espingarda, cartuchos, polvarinho, chumbo.

AVIOS DE FOGO, s. Objetos necessрrios para a obtenусo de fogo: isqueiro, pederneira, fuzil.

AVIOS DE MATE, s. Objetos necessрrios para fazer ou tomar mate: cuia, bomba e erva.

AVIOS DE PESCA, s. Petrechos necessрrios para fazer uma pescaria: linhas, chumbadas, anzзis, iscas, etc.

AVIVENTAR, v. Avivar. “Aviventar a picada”, significa abrir novamente a picada jр fechada pela vegetaусo em conseqЧЖncia da falta de uso.

AVIVENTAR O PASSO, expr. Acelerar a marcha.

AVOADO, s. e adj. Pessoa insensata, estabanada.

AZARAR, v. Dar mр sorte.

AZEDINHA, s. Begoniрcea cujas folhas tЖm sabor azedo. As raьzes e folhas sсo usadas em cozimento contra febres.

AZEITEIRA, adj. Namoradeira.

AZOINAR, v. Aborrecer, incomodar, inticar, enfadar.

AZONZADO, adj. Meio zonzo, meio tonto, apalermado, abobalhado.

AZONZAR, v. Tornar zonzo. Var.: azonzear.

AZONZEAR, v. O mesmo que azonzar.

AZOUGADO, adj. Esperto, inquieto, desassossegado.

AZULAR, v. Fugir, desaparecer, disparar, retirar-se apressadamente, ir embora.

“Os desordeiros azularam ao pressentirem a aproximaусo do Tio SinhЗ, pois sabiam que o velho nсo era de brincadeiras.” (ZCN). “... uma inжrcia mortal arraigava nos Рnimos, abrolhando desgostos; dois filhos azularam, cheios de tжdio; uma das raparigas fugiu” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 132).

AZULAR-SE, v. Sumir-se, fugir.

AZULECER, v. Tornar-se azul.

“╔ a nossa Щnica estaусo de matiz e crepЩsculo: adoуam-se os tons violentos, a nжvoa azulece e doira-se,” (A. Maia, CrЗnicas).

AZULEGO, adj. Diz-se do animal cavalar de pЖlo oveiro, de pintas miudinhas brancas e pretas, que de longe parece azul. ╔ um pЖlo muito raro.

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B

BA-BA-DE-BOI, s. Fios resinosos que flutuam no ar, provenientes de uma espжcie de palmeira, muito semelhante Я baba dos bois.

“A baba-de-boi ж um sinal certo de chuva quando flutua no ar.” (Darcy Azambuja,No Galpсo).

BABA-DE-MOКA, s. Doce feito de ovos, tambжm chamado ovos moles.

BABADOR, s. Peуa de metal articulada no meio, que se prende nas extremidades das pernas da brida, Яs vezes substituьda por corrente. 1 Peуa de pano que se coloca sobre o peito das crianуas para que estas nсo se enxovalhem com a baba ou a comida.

BABAQU┴, s. V. baba quara.

BABAQUARA, s. Toleirсo, matuto, ignorante, grosseiro, bobo, atoleimado, bocз.

BABAUS!, interj. Acabou-se!

BACADA, s. Choque produzido no veьculo por acidente do terreno. Solavanco, baque.

BACALHAU, s. Azorrague, aуoite, relho, chicote. Tira de couro cru, torcido, para servir de corda. // Coisa seca. // Pessoa muito magra. // Enchimento de emergжncia que se faz no pneumрtico do automзvel, quando o mesmo estр rompido, para preservar a cРmara de ar.

BACALHAU DE PORTA DE VENDA, expr. Pessoa muito magra, esmirrada, demasiadamente seca.

BACANA, adj. Lindo, macanudo, especial, muito bom.

BACARA═, s. Terneiro de ventre. Tapichi, nonato. (Composto hьbrido de baca, vaca, e taь, filho, na lьngua guarani).

BACIA, s. Tambor, circo onde brigam os galos.

BACUDO, s. Matuto, caipira.

BADANA, s. Pele macia e lavrada que se coloca, na encilha do cavalo de montaria, por cima dos pelegos ou do coxonilho, se houver. Hр badanas de couro de vрrios animais, sendo as melhores as de couro de cervo ou de veado pardo. // Ovelha velha e magra que jр nсo pare. V. a expressсo secar badana.

BADERNA, s. Conflito, desordem, briga, tumulto, rolo.

BADERNEIRO, s. e adj. Pessoa que promove baderna. O mesmo que badernista.

BADERNISTA, s. e adj. O mesmo que baderneiro.

BADULAQUES, s. Trastes, utensьlios, mзveis velhos. ╔ termo empregado sempre no plural.

BAFA, s. Barulho, tumulto, bafafр.

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BAFOR, s. Exalaусo morna, de mau cheiro, resultante de suores. (Voe. registrado por Arthur Ferreira Filho, in Narrativas de Terra e Sangue, P.A., Ed. A Naусo, l974,p. 115).

BAGACEIRA, s. Gente de classe baixa, gentalha. pessoa reles, de maus costumes.

BAGADU, s. Nome dado, por apodo, aos moradores da cidade baixa de Porto Alegre, da Praуa da Harmonia Я ponte do Menino Deus. (Atualmente, em desuso).

BAGAGEIRO, s. e adj. Pessoa que costuma ou gosta de conviver com bagagem, ou seja, com gente de ьnfima classe. / Diz-se tambжm do parelheiro, que, nas corridas, chega no Щltimo lugar.

BAGAGEM, s. O mesmo que bagaceira. // O cavalo que nas corridas de prado chega em Щltimo lugar. “Eu, dos filhos do meu pai, sou o de maior coragem. Quando chego no Rocio, faуo correr a bagagem.” (Quadra popular).

BAGUA. s. O mesmo que bagual.

BAGUAL, s. e adj. EqЧino selvagem, isto ж, ainda nсo domado. Cavalo novo e arisco. Potro domado recentemente. Cavalo manso que se tornou selvagem. Reprodutor, pastor, animal nсo castrado. // Espantadiуo, bisonho, arisco, abrutalhado, rude, grosseiro, bravio, indomito, bonito, vistoso, muito grande. Aplica-se tambжm a pessoas, tanto no sentido pejorativo como elevado.

“O cavalo, como ж sabido, foi importado pelos espanhзis, mas abandonado, tornou-se alуado, propagando-se consideravelmente pelos pampas do sul de Buenos Aires. Os ьndios que os habitavam acomodaram Я sua lьngua o nome que os conquistadores davam ao quadrЩpede que nсo conheciam, chamando-lhe Cahuallu, Cauellu, Cahual. Os espanhзis, tomando por sua vez, dos pampas esse Щltimo vocрbulo, ligeiramente modificado, passaram a chamar bagual ao cavalo que ali acharam selvagem, com o que distinguiam do manso ou sujeito ao domьnio do homem. Adjetivou-se a voz castelhana ao voltar transformada a seus lрbios dos lрbios dos ьndios. Estudos posteriores, porжm, me autorizam a apresentar outra origem ao termo em apreуo, sem, entretanto, querer firmar uma opiniсo inabalрvel. Dou-a a tьtulo de sugestсo aos estudiosos. O ьndio guarani, ou os que falavam o abanhenga, nсo conhecendo o cavalo antes da chegada dos europeus, nсo tinham nome para designar o animal exзtico, e daь a formaусo por eles da palavra mbaЖ-guara ou mbaЖuara, como fizeram em relaусo ao boi, tambжm deles desconhecido, que passaram a designar por tapiraciuiacauara. Tapira, por ser grande como a anta; cita, por ser ruminante; acр, por ter chifres, e aura, reduусo de retamaura, conforme explica Afonso de Freitas, no seu vocabulрrio Nheangatu. Assim, quanto ao cavalo teriam formado, na sua lьngua elрstica, o nome mbaЖ-guara, pois mbaЖ significa coisa, objeto, e guara, jр acima foi dada a significaусo. Assim, pois, mbaЖ-guara, significando coisa estranha ou desconhecida. Foi fрcil ao portuguЖs ou ao espanhol transformar a palavra em bagual, para o cavalo selvagem, procedente dos animais trazidos pelos primeiros nos meados do sжculo XVI, para Sсo Vicente e daь se espalhado por todo o sul do Brasil e o Prata.” (...). (Granada, Vocabulрrio Rioplatense Razonado, in Moraes).

“A muito bagual puava Jр tenho charqueado a espora,

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nos que que nem Crьsto montava Salto em pЖlo e vou me embora.” (Manoel Faria CorrЖa, Rumo aos Pagos).

“Encurralado como cachorro eu olho para o fundo de mim mesmo como num algibe e ainda posso e sei dizer bom dia bagual.” (Clзvis Assumpусo, Marcado pelos Guascaуos do Minuano, Canoas, Ed. La Salle, 1977, p. 18).

“Passou a contrafazer, insensivelmente, ao cabo de uns poucos de anos, a existЖncia dos caudilhos cжlebres, dirigindo guerras contra pontas de gado ou tropilhas bagualas” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 37-38).

BAGUALADA, s. Manada de baguais. // Estupidez, grosseria.

“╔ no varzedo alegre que aos relinchos Retoуa a bagualada arisca, enquadrilhada, Enquanto o rebanho de capinchos No remanso do arroio faz morada.” (Pery de Castro, Coisas do Meu Pago, P.A., Globo, 1926. p. 65).

“Respondo numa agachada Sem muito tempo disperso: A rima ж o tropel dos cascos da bagualada do verso.” (Zeca Blau, Trovas da EstРncia do Abandono, P.A., p. 35).

BAGUAL├O, s. e adj. Aumentativo de bagual. Fem. bagualona.

BAGUARI, adj. Vagaroso, pesadсo, lerdo, mole. (Este vocрbulo, registrado pelo Padre Teschauer, estр em desuso).

BAH!, interj. Exprime espanto.

BAIACU, s. Peixe de nossas costas oceРnicas (Lacoscephalus Levigatus) que, quando irritado, enche-se de ar, ficando como uma bola, e nadando, entсo, de ventre para cima.

BAIACURU, s. Planta herbрcea cujo bolbo ж empregado contra as hidropsias.

BAIANADA, s. Fiasco, serviуo de campo mal executado, feito por pessoa nсo entendida no assunto ou por baiano. Grupo de pessoas que nсo sabem montar a cavalo ou que nсo conhecem os serviуos de campo.

BAIANO, s. e adj. Maturrango. Indivьduo que nсo sabe montar a cavalo, ou que nсo sabe executar trabalhos de campo. Essa denominaусo, que se estende a todos os filhos do norte do paьs, provЖm do fato de, para as guerras do sul, terem vindo numerosas tropas constituьdas de nortistas, principalmente baianos, os quais nсo sabiam andar a cavalo nem conheciam as lidas da campanha. Daь chamar-se baiano a quem nсo ж cavaleiro, denominaусo essa que se tornou extensiva a todas as pessoas que nсo sabem montar, mesmo quando rio-grandenses. O termo ж usado tambжm no Uruguai, e em Corrientes, na Argentina.

“... esta denominaусo ж dada na campanha a todo nortista, e tambжm a todos os que nсo sabem montar a cavalo; aos corpos de infantaria. Muito teriam de se admirar os gaЩchos se fossem aos sertшes do norte e ali vissem como os baianos da Bahia, de Pernambuco, Cearр, Piauь, Goiрs etc. sabem montar e domar os potros.” (Angelo Dourado, Voluntрrios do Martьrio, Pelotas, Carlos Pinto & Cia., 1896). “Pedro Antunes, intж parecia baiano: sз andava de carro nas viagens, usava calуa, botim e um pala de seda que nunca enfiava, nсo comia carne de brasa, nem de espeto, careteava para o chimarrсo e nos passeios (o que ж o mundo: – um homem de fortuna como aquele!)

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escarranchava-se no lombo de uma mula paulista e lр se ia mui concho…” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 149).

BAIAQUARA, s. Matuto, guasca, babaquara.

BAILANTE, s. Casa em que se realizam bailes populares.

BAILARECO, s. O mesmo que baileco.

BAILARICO, s. O mesmo que baileco.

BAILECO, s. Baile sem muita importРncia. Danуata, danуarola, bailareco, bailarico.

BAIO. adj.Diz-se do animal cujo pЖlo tem cor de ouro desmaiado. No Rio Grande do Sul as variedades de baio tЖm as seguintes denominaушes: baio-amarelo, baio-branco, baio-cabos-negros, baio-encerado, baio-lobuno, baio-oveiro, baio-ruano, baio-sebruno, baio-tobiano. // Chama-se baio, tambжm, ao cigarro crioulo, feito com fumo em rama e palha de milho. // (O termo vem de Badius, do latim, cor de ouro desmaiado).

“Tenho meu cavalo baio Ferrado de pata e mсo, Para tirar uma dama Da garupa de um pimpсo.”

“Tenho meu cavalo baio Calуado das quatro patas. Para dar um galopito Ao palрcio das mulatas.” (Quadrinhas populares).

“Fechando um baio Pra matar o tempo e o vьcio logo apзs o chimarrсo, o guasca, com precauусo, pжla a traьra afiada, sem atender pra mais nada dentro ou fora do galpсo. Pega uma palha de milho que nсo esteja avariada, depois de bem aparada passa na boca, molhando, e vai no lombo sovando da sua “desembainhada”

Pincha a palha atrрs da orelha depois de havЖ-la sovado, e tranqЧilo, descansado, naquele gesto moroso, pucha dum naco cheiroso, que descasca com cuidado. Depois de limpo a preceito, entre os dedos apertado, com muito tino e cuidado vai picando o “amarelinho”, na calma, devagarinho, pra que saia bem cortado.

Correm na plancha do “ferro” as rodelinhas picadas que, logo depositadas na palma da mсo esquerda. muito mais finas que cerda ficam, quando desmanchadas.

Guardando o “fala verdade” e o crioulito cheiroso, e amassando, vagaroso, na esquerda, com a direita, as rodelas sсo desfeitas soltando um cheiro gostoso.

Fica entсo na mсo calosa uma pelota dourada que, depois de estirada na palha com muito jeito, se fecha um “baio” a preceito, que ж o mimo da gauchada.

Dobra as pontas do palheiro. Tira fogo dos avios . E a faiscama surdiu queimando a isca da guampa, onde acende o baio pampa, fruta do pago bravio.

Pжla tambжm tua xerenga descasca um “amarelinho” e vai cortando, fininho, a fina flor de Cachoeira – “amarelo bananeira” – que ж macio e bem fraquinho!

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Pita um palheiro e verрs como tua alma se expande; o crioulo ж coisa grande em qualquer parte que estejas, porque toda vez que o beijas, beijarрs nele o Rio Grande!” (AmРndio Bicca).

“Pico um baio, enrolo, acendo, dou uma tragada comprida, preciso iludir a vida, quero afogar esta mрgoa! Eta fumito ordinрrio arde mais do que a cachaуa, e esta maldita fumaуa me enchendo os olhos de рgua! (Dimas Costa, Tarca, P.A., Martins Livreiro-Editor. 1981, p. 54).

BAIO-AMARELO, adj. Diz-se do cavalo baio, de pЖlo cor de gema de ovo, um pouco mais carregada, em geral sem lista de mula.

BAIO-BRANCO. adj. Diz-se do cavalo baio de pЖlo bem claro, quase branco, ligeiramente amarelado.

BAIO-CABOS-NEGROS, adj. Diz-se do cavalo baio que tem pretos os membros, as crinas e a cola.

BAIO-ENCERADO, adj. Diz-se do cavalo baio, de pЖlo cor de cera, uniforme, sem listas-de-mula.

BAIO-LOBUNO, adj. Diz-se do cavalo baio, de pЖlo semelhante ao do lobo, geralmente com listas-de-mula e cabos-negros.

BAIO-OVEIRO, adj. Diz-se do cavalo baio em que se notam manchas brancas e amarelas.

BAIO-RUANO, adj. Diz-se do cavalo baio com crinas e cola brancas ou amarelo-claras.

BAIO-SEBRUNO, adj. Diz-se do cavalo baio parecido com o baio-encerado, porжm com tons pardos em certas partes do corpo, notadamente nos membros, cabeуa e pescoуo. em geral sem listas-de-mula.

BAIO-TOBIANO, adj. Diz-se do cavalo baio que apresenta manchas claras caracterьsticas do tobiano.

BAITA, adj. Grande, crescido, importante. “Que baita homem”, isto ж, que homem grande!

BAITACA, s. Pessoa que fala muito.

BAIXADA, s. Terreno baixo que fica ao pж de morros ou coxilhas. Planьcie pequena entre montanhas.

BAIXAR O COCO, expr. Corcovear, velhaquear.

BAIXEIRO, s. Espжcie de manta de lс, integrante dos arreios, que se pшe no lombo do cavalo, por baixo da carona. Semelhante a enxergсo, xergсo, xerga, suadouro. Var: baxeiro e baxera.

BAIXO DAS CRUZES, adj. Diz-se do animal que tem as cruzes mais baixas do que a anca.

BAIXO DE TR┴S, adj. Diz-se do animal que tem as cruzes mais altas do que a anca.

BALACA, s. Gabolice, mentira, peta, bazзfia, jactРncia, fanfarronice.

BALAIO, s. Danуa antiga, introduzida no Rio Grande do Sul pelos aуorianos. ╔ uma espжcie de fandango, figurando ao lado da Tirana, Carр, Feliz-amor, Chimanita, Ribada, Quero-mana. A mЩsica era acompanhada de versos, como estes:

“Mandei fazer um balaio Pra guardar meu algodсo; Balaio saiu pequeno: Nсo quero balaio, nсo.”

“Corta, meu bem, recorta, Recorta o teu bordadinho;

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Depois de bem recortado Guarda no teu balainho.”

“Balaio, meu bem, balaio Balaio do coraусo, Moуa que nсo tem balaio, Bota a costura no chсo”.

BALANКANTE, adj. Que balanуa.

BALANCEADO, adj. Que nсo ж bem certo do juьzo. Meio doido. // Diz-se do negociante prestes a falir. // Diz-se, tambжm, do parelheiro preparado para correr certo tiro: “O tostado estр balanceado nas quatro quadras”.

BALANCEADO DOS CASCOS, expr. Apalermado, adoidado.

BALANCEAR, v. Atuar na rжdea do cavalo a fim de mantЖ-lo pronto para entrar em aусo. / Ofegar. Respirar Curto e apressado, agitando o corpo no ritmo da respiraусo.

BALANCEIO, s. Ato de balancear O Cavalo. // Ato de embalar.

BALANCIM, s. Porteira constituьda de travessas de madeira colocadas verticalmente e ligadas entre si por fios de arame na direусo horizontal. Peуa de ferro ou de madeira, com um gancho em cada extremidade, para atrelagem de animais a carroуas e mрquinas agrьcolas.

BALANDRAU, s. Nome dado ao poncho de pala, ou simplesmente pala, o qual tem como a opa uma abertura, no meio, por onde se enfia ao pescoуo. (Vocрbulo jр em desuso, segundo Callage).

“E outra vez, por debaixo do seu balandrau remendado, comeуou a gargantear a guaiaca, e logo lhe foi caindo na mсo uma onуa…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 169).

BALANDRONADA, s. Fanfarronada, gabolice, compadrada, gauchada, tirada. (Do cast. baladron, fanfarrсo).

BALANGAR, v. Balanуar. (P. us.).

BALANQUEAR. v. Blasonar, bazofiar.

BALAQUEAК├O, s. Gabolice, conversa fiada.

BALAQUEAR, v. Gabar-se, mentir, conversar fiado, bazofiar, blasonar, vangloriar-se.

BALAQUEIRO, s. Gabola, mentiroso, blasonador, fanfarrсo.

BALAQUICE, s. Gabolice.

BALASTRACA, s. Antiga moeda de 400 rжis. Patacсo argentino ou uruguaio.

BALDA, s. Manha, mania, defeito, vьcio.

“Toda camisa tem fralda, todo ladrсo mente e furta. ╔gua que tem muita balda carece de rжdea curta.” (Hugo Ramьrez, in Cancioneiro de Tropas).

BALDOSO, adj. Diz-se do cavalo que tem baldas, manhoso.

BALDRAME, s. Peуa reforуada de madeira, posta sobre os alicerces, na qual descansam os barrotes do assoalho.

BALDRANA, s. Planta medicinal usada em infusсo para lavagens uterinas. Vegeta nos lugares Щmidos. Hр duas espжcies: a grande e a pequena. O mesmo que bardana.

BALIZA DE CHEGADA, expr. Marca que, nas corridas de cavalo, assinala o fim da cancha.

BALIZA DE SA═DA, expr. Marca que, nas corridas de cavalo, assinala o inьcio da cancha.

BALSA, s. Jangada feita de toros de ma-

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deira ou de tрbuas, unidas por amarras, que sсo conduzidas, de rio abaixo, para no ponto de destino serem desfeitas e vendido o respectivo material. Certas balsas sсo providas de acomodaушes para a famьlia do balseiro e atж de lugar para os animais de munьcio. // Pelota ou barca de couro de boi apropriada Я travessia de rios. Barril ou cocho em que se salga a carne para o charque. A porусo de carne contida no recipiente tambжm se chama uma balsa de carne.

BALSEIRO, s. e adj. Diz-se de ou pessoa encarregada de conduzir balsa.

BAMB┴, s. Espжcie de jogo, por meio de quatro metades de caroуo de pЖssego, comum entre os campeiros. ╔ semelhante ao jogo da pena, dos colegiais. (Possivelmente provжm de mbamba, do idioma Quimbundo, que significa jogo).

BAMBAQUER╩, s. Nome de certo baile campestre tambжm denominado fandango. Var.: BambaquererЖ.

“Danуa dos negros semelhante ao “batuque” paulista, e que foi usual nas regiшes de concentraусo agrьcola no Rio Grande do Sul, ao tempo da escravidсo.” (Barbosa Lessa, O Boi das Aspas de Ouro, P.A., Globo, 1958, p. 182).

BAMBEAR, v. Tornar-se bambo, balanуar, vibrar, ceder. ╔ tambжm utilizado com a acepусo de bandear: “A bala bambeou a parede do rancho,”

BAMBEAR O CORPO, expr. Gingar.

BAMBURRAL, s. Vegetaусo arbustьfera que viceja em locais Щmidos, em roуas e em cercados abandonados. Taquaral, bambuzal.

“└s meninas les dizia Coisas de seus namorados, └s velhas de seus pecados, cometidos noutras eras, no bamburral das taperas, ou no fundo dos cercados.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, estrofe 24).

BAMBUZAL, s. Taquaral.

BANANA, s. Pessoa sem energia, molengсo.

BANANA-D’┴GUA, s. Banana-anс. Pl.: bananas-d’рgua.

BANANA-DA-TERRA, s. Variedade de banana de grande tamanho. Pl.: bananas-da-terra.

BANCA, s. ImportРncia em dinheiro arbitrada pelo banqueiro, em determinados jogos de cartas, para limitar as apostas. Jogo reunido na mesa.

BANCAR, v. Bancar jogo, fazer jogo, aceitar a parada. V. Bancar nas rжdeas.

BANCAR NAS R╔DEAS, expr. Parar repentinamente o cavalo pela aусo das rжdeas. Tambжm se banca nas rжdeas para mudar de direусo, com violЖncia, para a direita ou para a esquerda, ou para contornar um obstрculo.

“... balanceava o zaino nas rжdeas, bancava, de arranque, para empinр-lo, obrigando-o a priscar, brioso, curveteante, largava-o de novo a galope.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 41).

BANCAR-SE, v. Assentar-se. Montar. Sentar-se.

BANDA, s. Lugar, regiсo, paragem. “Sou de outras bandas”, isto ж, sou de outras paragens, de outro lugar, de outra regiсo.

BAND├O, s. Grande quantidade de pessoas ou de coisas. “No casamento do

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Chico havia um bandсo de gente”.

“Fez-se um bandсo de fiambre, Ninguжm foi nisso mofino”. (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, estrofe 4).

BANDEAR, v. Atravessar, varar, passar para o outro lado. “A bala bandeou a parede”, isto ж, atravessou a parede. “O cachorro bandeou o rio a nado”, isto ж, atravessou o rio a nado. “O deputado bandeou-se para outro partido”, isto ж, passou-se para outro partido.

BANDIDAКO, s. Aumentativo de bandido.

BANDIDAGEM, s. Banditismo.

BANDOLEIRO, s. Denominaусo dada aos revolucionрrios, em 1923, pelas tropas legalistas.

BANDнNIO, s. Instrumento musical, semelhante Я acordeona. Gaita de foles com vрrios teclados.

BANDORIA, s. Bando sedicioso. Motim.

BANGU╩, s. Espжcie de liteira, com teto e cortinados de couro. Meio de transporte consistente de vara comprida, conduzida por dois homens, um em cada extremidade, que a apoiam sobre os ombros, no meio da qual, suspensa, coloca-se a carga. Era utilizado, tambжm, para conduzir cadрveres de indigentes ou de escravos.

“Negro gжgo quando morre Vai pra tumba de banguЖ. Os parentes vсo dizendo: Aribu tem que comЖ.” (Popular).

BANHADAL, s. Banhado grande, vрrios banhados prзximos, terrenos alagadiуos.

BANHADETE, s. Diminutivo de banhado.

BANHADINHO, s. Diminutivo de banhado.

BANHADO, s. Charco, pРntano, brejo, terreno baixo e alagadiуo coberto de vegetaусo. Tremedal.

BANHAR, v. Submeter o gado a banhos destinados a extinguir o carrapato, a sarna e demais parasitas, bem como a livrр-lo do ataque de moscas e mutucas.

BANHEIRO. s. Lugar, arroio em que se toma banho. / Grande tanque de cimento onde ж preparado o banho carrapaticida e por dentro do qual o gado ж obrigado a passar, a nado.

BANZAR, v. Arreliar, rezingar, brigar.

BANZ╔, s. Arrelia, disputa, rezinga, briga, barulho, desordem.

BANZO, adj. Tristonho, pensativo, melancзlico.

BAQUE, s. Solavanco, bacada.

BARALHAR AS COBERTAS, expr. Brigar, envolver-se em conflitos.

BARALHAR O FERRO, expr. Brigar a arma branca.

BARATINAR, v. Balaquear, prosear. jactar-se de coisas que nсo ж capaz de realizar. Enganar com argumentos falsos.

BARBA-DE-BODE, s. Pasto ordinрrio, de pouco valor nutritivo, que vegeta em parte da regiсo serrana e da depressсo central do Estado do Rio Grande do Sul.

BARBA-DE-FARELO, s. Denominaусo que os participantes de Terno de Reis dсo ao dono de casa que nсo os recebe. Significa usurрrio, pсo duro, carancho.

“O terno nсo obtendo resposta esclarecedora, ele se retira, mas nunca sem deixar um versinho dedicado ao dono da casa, classifican-

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do-o de usurрrio, pсo duro, carancho, ou de barba-de-farelo. Abaixo damos diversas quadrinhas:

“Eu vou parar de cantar Vou seguir o meu destino Que este barba-de-farelo Nсo pertence ao ser divino.

Meu povo vamos embora Para a consciЖncia eu apelo Jesus Cristo que compense Este barba-de-farelo.

Este terno cantou agora E torna a recantр Este barba-de-farelo Nсo tem nada pra nos dр.” (Joсo Carlos Paixсo Cortes, Terno de Reis, P.A., 1960, p. 71).

BARBA-DE-PAU, s. Parasita, com aparЖncia de barba, que dр em certas рrvores. // ╔ usada contra hemorrзidas.

BARBA-DE-VELHO, s. Parasita que vive em certas рrvores, formando fios longos, parecidos com os da barba, de onde lhe vem o nome. (“lematis Aostralio”, ж a sua classificaусo botРnica.)

BARBALHADA, s. Barba espessa.

BARBAQU┴, s. Tipo de forno utilizado para a secagem da erva-mate. O fogo ж feito em um buraco que ж ligado por condutores de calor ao carijo ou tatu, de forma que a erva recebe o calor indiretamente.

BARBARIDADE, s. Barbarismo. // interj. Exprime espanto, admiraусo, estupefaусo, surpresa: CuЖ-pucha, barbaridade! // Muito, em grande quantidade, intensamente: “Aquela moуa ж bonita barbaridade”, isto ж, ж muito bonita. “Foi um tiro de laуo lindo barbaridade”, isto ж, muito lindo. “Aquele rio tinha peixe barbaridade”, isto ж, tinha peixe em grande quantidade. “Eu te quero barbaridade”, isto ж, te quero intensamente.

“Que bamburral,barbaridade!”, exclamou o Jango, que fora o primeiro a penetrar na necrзpole” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910. p. 70).

BARBATIM├O, s. ┴rvore da famьlia das leguminosas, com grande teor de tanino, utilizada nos curtumes.

BARBELA, s. Corrente que liga as cambas do freio, rodeando a queixada do cavalo na parte inferior.

BARBICACHO, s. Cordсo, cadarуo, ou tranуa de couro, com as extremidades presas Я carneira do chapжu, uma de cada lado, que passa por baixo do queixo da pessoa que o usa, para, nos dias de vento ou nos serviуos de campo, manter o chapжu firme na cabeуa. Na parte inferior do barbicacho, ж costume colocar-se uma borla.

“Segundo os haveres, o gosto, o capricho, Envergam a roupa mais bela e decente, Um pala vistoso, chapжu meio ao lado, Com seu barbicacho do queixo pendente.” (Taveira JЩnior, Provincianas).

“E entocou-se cova a dentro com jeitсo de malcriado: cigarrсo preso nos queixos, chapжu velho bem quebrado. E a borla do barbicacho Щnica flor sobre o peito…” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Globo, 1959, p. 34).

BARDANA, s. O mesmo que baldrana.

BARRA, s. Jogo infantil.

BARRACA, s. Casa de comжrcio que negocia principalmente com couros, pelegos, cabelo, lс, e outros produtos da indЩstria pastoril.

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BARRACAMENTO, s. Ajuntamento, abarracamento, acampamento em barracas. // Grupo de pessoas acampadas.

BARRA-DO-DIA, s. Aurora, alvorada.

BARRANCO, s. Obstрculo, embaraуo Я realizaусo de qualquer negзcio.

BARRANQUEAR, v. Encostar a um barranco.

BARRANQUEIRA, s. Lugar cheio de barrancos.

BARRAQUEIRO, s. Proprietрrio de barraca, ou seja, de estabelecimento comercial que negocia com produtos da indЩstria pastoril.

BARREAR, v. Rebocar paredes com barro convenientemente preparado.

BARREIRO, s. Joсo-de-barro, Joсo-barreiro, forneiro. // Local salitroso procurado pelos animais que o lambem em busca de sal. Lambedor.

BARRIGA, s. A lс tosquiada da barriga dos ovinos.

BARRIGA DA PERNA, s. Parte carnuda da perna formada pelos mЩsculos gЖmeos.

BARRIGA-VERDE, s. e adj. Catarinense, filho do Estado de Santa Catarina. A denominaусo tem origem em uma faixa de cor verde que os legionрrios catarinenses usavam, como distintivo, apertando o ventre, nas guerras do sul do paьs, contra os platinos e contra os paraguaios.

BARRIGUEIRA, s. Peуa integrante dos arreios. Faz parte da cincha e ж constituьda de uma espжcie de trama de barbante ou tiras de couro, com uma argola em cada extremidade, que, presa ao travessсo pelos lрtegos, circunda a barriga do animal, a fim de manter Seguro o lombilho. // Couro da regiсo da barriga do animal. // Carne da barriga da rЖs. // Manta de charque, da carne da barriga da rЖs.

BARROAR, v. Latir demonstrando medo.

BARRнO, s. Latido medroso.

BARROSO, adj. Diz-se, em relaусo aos animais bovinos, do pЖlo branco amarelado ou branco acinzentado. Ocorrem vрrias tonalidades, como sejam, o barroso-claro, o barroso-amarelo, o barroso-vermelho, o barroso-fumaуa. Aplica-se tambжm, muito raramente, em relaусo aos eqЧinos, para significar o pЖlo do animal cor de barro escuro, o qual, quando estр pelechado, torna-se sebruno.

BARULHAR, v. Fazer barulho ou bulha.

BASEADO, adj. Diz-se do indivьduo experiente, sagaz, capaz, inteligente e, por isso, confiante em si.

“A estРncia era grande, amigo! Alжm de vinte invernadas De gado fino povoadas Ainda tinha dois potreiros Em cada uma morava E meio capatazeava Baseado e velho posteiro.” (Zeca Blau).

BASTEIRA, s. Parte acolchoada do serigote ou lombilho, que assenta sobre o lombo do animal. // Ferida ocasionada no lombo do animal por defeito dos arreios. Quando localizadas na regiсo dos rins essas feridas, mesmo cicatrizadas, reabrem com facilidade, o que desvaloriza bastante o animal. // “Para curar basteira, usar o pз do serigote queimado”, isto ж, deixar de encilhar o animal.

BASTEIRADO, adj. Diz-se do animal que apresenta no lombo sinais de basteiras, isto ж, manchas de pЖlo branco oriundas de antiga cicatriz ou escoriaушes provenientes do atrito do lombilho com a pele.

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BASTEIRAR, v. Ocasionar escoriaушes no lombo do animal.

BASTEIRAS, s. Lugar do lombo do animal onde assentam os bastos do lombilho. Manchas de pЖlo branco ou escoriaушes produzidas nesse lugar pelo atrito dos bastos.

BASTO, s. Lombilho de cabeуa muito pequena. Diz-se, tambжm, bastos.

BASTOS, s. Partes acolchoadas e paralelas do lombilho ou serigote, que assentam no lombo do animal. // Lombilho de cabeуa muito pequena. / Naipe de paus, nos jogos de baralho.

BASTRAR, v. Recuar.

BATA, s. Roupсo caseiro para homem. // Blusa larga, usada pela mulher, para dormir.

BATACAКO, s. Vitзria inesperada de um cavalo, cuja pule dр um grande dividendo.

BATAR┴, adj. Diz-se do galo de penas de cor clara, salpicado de preto, amarelo ou vermelho. Pintado. (Vem de mbatara, do guarani).

BATATA, s. Divisa, galсo.

BATATINHA-DO-CAMPO, s. Azedinha de flor amarela. Macachim.

BATE-BARBAS, s. Discussсo acalorada, bate-boca.

BATE-BOCA, s. Discussсo, briga, Bate-barbas.

BATE-COXA, s. Baile, danуa, arrasta-pж.

BATEL├O, s. Espжcie de bote, acionado a dois remos de voga ou Я ginga, usado nos rios da bacia do Guaьba.

BATE-N├O-QUARA, s. Roupa de uso diрrio.

BATER, v. Grassar. “A gripe bateu na Vila e derrubou todo mundo.” Treinar galos de rinha. // Procurar: “Bati toda a restinga”, isto ж, procurei em toda a restinga.

BATER A ALCATRA NA TERRA INGRATA, expr. Morrer. Cair no chсo.

BATER A CANASTRA, expr. Morrer.

BATER A LINDA PLUMAGEM, expr. Fugir, desaparecer, ir embora.

BATER A PASSARINHA, expr. Ter palpite, antever um acontecimento.

BATER A PRIMEIRA, expr. Fazer a primeira nesse jogo. // Ganhar o tirсo, anteceder-se.

BATER AS BOTAS, expr. Morrer.

BATER ASPAS, expr. Andar parelho com outro. // Encontrar-se com outra pessoa para dirimir dЩvidas. // Bater guampas.

BATER BRUACAS, expr. Sair a caminhar Я toa.

BATER CHAPA, expr. Brigar de facсo ou de adaga.

BATER COM A COLA NA CERCA, expr. Morrer.

BATER COM AS COALHEIRAS, expr. Cair, morrer.

BATER ESTRIBO, expr. Ir conversando com alguжm, lado a lado, a cavalo.

BATER GUAMPAS, expr. O mesmo que bater aspas.

BATER MARCA NA ESTRADA, expr. Sair a disparada, a cavalo.

BATER NA BOCA, expr. Vangloriar-Se diante do inimigo. // Ir, na carreira, o animal vencedor, correndo livre, na frente, sem grande esforуo.

BATER NA MARCA, expr. Chicotear o

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cavalo, fustigр-lo, apressр-lo. // Seguir viagem. Tocar estrada afora. Cobrir a marca.

BATER O PACAU, expr. Morrer.

BATER ORELHAS, expr. Correr juntos. Andar parelhos. Ter a mesma forуa.

BATIDA, s. Ato de pЗr dois galos a brigar, durante seu treinamento, a fim de aquilatar o valor de um deles, ou de ambos.

BATINGA, s. ┴rvore cuja madeira ж utilizada para varas de porteira, cabeуalhos de carroуa e outros usos.

BATIST╔RIO, s. Certidсo de batismo.

BATOCAКO, s. Golpe que o galo dр com os batoques durante a rinha.

BATOQUE, s. Esporсo do galo, quando ainda nсo desenvolvido completamente, ou quando rombudos. // Aparelho de proteусo que se coloca sobre os esporшes ou batoques. Pessoa de pequena estatura.

BATUIRA, s. Pрssaro de cor escura, com manchas castanhas e brancas.

BATUQUE, s. Denominaусo dada no Rio Grande do Sul Яs casas de culto africano. Candomblж, macumba. Religiсo de negros praticada tambжm, atualmente, por brancos de todas as categorias sociais.

“Batuque ou parр, assim sсo denominadas no Rio Grande do Sul, principalmente em Porto Alegre, as casas de culto africano. Isto ж, dirьamos, as de prрtica de religiсo da gente de cor, dos negros e mulatos, dos mestiуos enfim. As heranуas pagas, o que lhes sobreviveram no perьodo da escravidсo, Я жpoca da chegada dos estoques tribais que aportaram no Brasil, e a respectiva evoluусo atravжs dos sжculos. Portanto, ж o batuque nсo apenas uma danуa, como se o conceitua no resto do paьs. Certo que tem de admitir-se o batuque num estрgio de diversificaусo, ampliado, em plena mobilidade de aspecto. Insista-se ser muito mais do que uma festa, ou simplesmente uma cerimЗnia coreogrрfica. No Rio Grande do Sul, batuque ж religiсo de negro. (Dante de Laytano,A Igreja dos Orixрs, P.A., Ed. da Comissсo GaЩcha de Folclore, p. 31).

BAUTIZAR, v. Deturpaусo de batizar. Ocorrem bautismo e bautistжrio.

BAXAR, v. Baixar. Descer. Apear. // No sentido incoativo: “O homem baxou-se a beber cachaуa atж de madrugada”; “A mula baxou-se a velhaquear”.

BAXEIRO, s. O mesmo que baixeiro.

BAXERO, s. O mesmo que baixeiro.

BAXO DAS CRUZES, expr. V. Baixo das cruzes.

BAXO DE TR┴S, expr. V. Baixo de trрs.

BEBE-EM-BRANCO, adj. Diz-se do cavalar que tem o focinho branco.

BEBERGUA DE BRUКO, expr. Abusar dos prazeres do sexo.

BEBERGUA NA ORELHA DOS OUTROS, expr. Depender de favores de outros. // Andar de cochichos, fazendo intrigas.

BEBER UM TRAGO, expr. Tomar um cрlice de cachaуa.

BEBO, s. e adj. Corruptela de bЖbado.

BEJU, s. Bolo de massa de mandioca. (Do guarani mbeju).

BELDOS┴, 5. Espжcie de tijolo vermelho destinado a ladrilhar o interior da casa. (Espanholismo usado sз na fronteira).

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BELENDENGUE, s. Miliciano de cavalaria que defende a fronteira.

BELENDENGUES, s. Cavalaria de veteranos para a defesa da fronteira.

BELISCAR NO ANZOL, expr. Estar o peixe tocando na isca e, conseqЧentemente, mexendo com a linha.

BEM-QUERER, s. A pessoa amada.

BEM-TE-VI, s. Pрssaro que vive perto das habitaушes, cujo canto parece dizer bem-te-vi.

BENEFICIADO, adj. Castrado.

BENEFICIAR, v. Castrar.

BENS, s. Propriedades, riquezas, haveres.

BENZINHO-AMOR, s. Nome de uma variedade de bailes campestres chamados, geralmente, fandangos.

BERGAMOTA, s. Fruto da bergamoteira. O mesmo que laranja-cravo, laranja-mimosa, mimosa, mexerica, mexeriqueira, mandarina. Var.: vergamota.

BERIBA, s. Nome dado aos habitantes de Cima da Serra, descendentes de bandeirantes, ou aos tropeiros paulistas, os quais geralmente andavam em mulas e tinham um sotaque especial diferente do da fronteira ou da regiсo baixa do Estado. Var.: beriva, biriba e biriva.

BERIBADA, s. O mesmo que berivada.

BERIB┴S, s. Os homens provindos de Sсo Paulo ou do Paranр para comprar muares. Var.: Berivрs.

BERIVA, s. O mesmo que beriba.

BERIVADA, s. Conjunto de berivas ou beribas.

BERIV┴S, s. O mesmo que beribрs.

BERNENTO, adj. Diz-se do animal atacado de berne.

BERRAКADA, s. Berreiro, berraусo.

BERRAR, v. Chorar aos berros. Gritar.

BERRAR COMO UM TOURO, expr. Falar forte e corajosamente, desafiando os opositores.

BERZABUM, s. BalbЩrdia, tumulto, conflito, briga, bafafр, gangolina.

“Atж que enfim estava livre daquele berzabum de gente que comeуara desde manhс.” (Luiz Carlos Barbosa Lessa, O Boi das Aspas de Ouro, P.A., Globo, 1958, p. 144).

BETAS, s. Dificuldades, apuros. Ver-se em betas, significa ver-se ou achar-se em posiусo embaraуosa, difьcil, arriscada ou crьtica; encontrar-se em dificuldade: “Vi-me em betas para sair daquele negзcio.” (Hр em portuguЖs a palavra betesga, beco, ruela sem saьda, que, provavelmente, corrompendo-se, originou o termo betas, empregado na expressсo ver-se em betas, em vez de ver-se em betesga).

BIBI, s. Planta herbрcea parecida com o lьrio, de flores roxas, com trЖs pжtalas, que produz no subsolo um bolbo muito adocicado, semelhante a uma pequena cebola, do tamanho de uma avelс, denominado tambжm bibi, o qual se come cru ou cozido, tendo excelente paladar principalmente quando misturado com leite. Existe tambжm no Uruguai, com o mesmo nome.

BIBLIOGRAFIA SUL-RIO-GRANDENSE, s. ╔ constituьdo de mais de seis mil livros o atual acervo bibliogrрfico do Rio Grande do Sul. Tratam da matжria, entre outros, os seguintes autores: Pedro Leite Villas-BЗas, Notas de Bibliografia Sul-Rio-Grandense, P.A., A Naусo / IEL, publicado sob os auspьcios da Secretaria de Educaусo e Cultura, 1974; Ari Martins, Escritores do Rio Grande do Sul, P.A., Co-edi-

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ушes URGS, em convЖnio com o IEL, DAC-SEC-RS, 1978; Pedro Leite Villas-Bшas, Panorama Bibliogrрfico do Regionalismo, Cadernos GaЩchos n║ 4, ed. da Fundaусo Instituto GaЩcho de Tradiусo e Folclore, P.A., RS,

1978).

BIBOCA, s. Buraco, gruta, vale profundo, precipьcio, furna, barranqueira. (Do tupi, ibi, terra, boc, fenda).

BIBOC├O, s. Aumentativo de biboca.

BICAуO, s. Bicada.

BICHADOR, s. Pauzinho semelhante a espрtula com que se retiram os vermes das bicheiras dos animais.

BICH├O, s. Sujeito importante, bem conceituado.

BICHAR┴, s. Lс grossa para ponchos. / Poncho ou cobertor feito dessa lс, com listras brancas e pretas ao comprido. Chama-se tambжm poncho de Mostardas, por ser fabricado nesse municьpio. Var.: Vicharр.

BICHAREDO, s. e adj. Pessoa disposta para tudo, principalmente para peleias. “Fulano ж um bicharedo no ferro”, isto ж, ж um indivьduo hрbil no manejo do facсo. // De boa qualidade: “Comprei um capote bicharedo”, isto ж, comprei um capote muito bom, muito bonito. / Bicharada, bicharia, grande quantidade de insetos, vermes, bichos que se apresentam como pragas.

BICHAS, s. Lombrigas, vermes intestinais.

BICHEIRA, s. Ferida nos animais, contendo vermes depositados pelas moscas varejeiras. Para sua cura, alжm de medicaусo, sсo largamen te utilizadas as simpatias e benzeduras.

BICHO, s. V. as expressшes matar o bicho e virar a bicho.

BICHOCAR-SE, v. Tornar-se bichento.

BICHOCO, adj. Diz-se do cavalo extremamente gordo, que fica com os membros locomotores inchados por falta de exercьcio, a ponto de se tornar imprestрvel. Diz-se tambжm do fruto bichado.

BICHO DE UNHA, expr. Diz-se do animal corredor. // Por extensсo, diz-se de pessoa ou animal dotado de qualidades excepcionais.

BICO. s. Biscate. Pequena dьvida. “Pague tudo quanto ж bico;” (Zeca Blau, Trotas da EstРncia do Abandono, P.A., Grafipel, p. 24).

BICO-BLANCO, adj. O mesmo que bico-branco.

BICO-BRANCO, adj. Diz-se do animal que tem branca a ponta do focinho. O mesmo que bico-blanco.

BICOTA, s. Beijoca, beijo, boquinha.

BICUDO, s. e adj. Atrevido, hрbil no manejo das armas. “Dois bicudos nсo se beijam” ж expressсo de largo uso.

BID╩ ou BID╔, s. Mesinha de cabeceira. (Aportuguesado do francЖs bidet).

BIFE-A-CAVALO, s. Bife com ovos.

BIFE-A-P╔, s. Bife com ovos e batatas fritas.

BIGORRILHA ou BIGORRILHAS, s. Sujeito fraco que quer arrotar valentia.

BIGU┴, s. Ave aquрtica de cor preta que vive nos rios e lagoas. (Vem do tupi, mby-gud, pж redondo). Var.: binguс.

“Foi quando o seu Juca do Mato, pondo um acento grave na voz e encarando um a um os circunstantes, afirmara que vira um ninho de biguс com trЖs avezinhas ainda implumes”. (Francisco Pereira Rodrigues, O General).

“Nсo deixem morrer meu rio,

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Me ajudem por favor! O biguр, que mergulhava, jр morreu, Agua-pж nсo dр mais flor.” (Paulinho Pires, Milonga, 8ф Califзrnia da Canусo Nativa, Uruguaiana,

1978).

BIGUANCHA, s. Piguancha.

BIJUJA, s. Dinheiro.

BINGU┴, s. O mesmo que biguр.

BIONGOS, s. Bibocas, casebres, biriquetes, esconderijos.

BIQUEIRA, s. Espжcie de embornal, feito de couro ou de cipз, que se coloca no focinho do animal para este nсo pastar. ╔ usada, em geral, para parelheiros ou animais de trato, que comem a hora certa. // Piteira, ponteira de vidro ou de ambar, para fumar. // Enfeite de couro na ponta do calуado. // Instrumento, Яs vezes o cabo do relho, com que se torce o focinho do animal para subjugр-lo, e tambжm para anestesiр-lo a fim de marcр-lo ou castrр-lo, pois a dor do focinho, ocasionada pela biqueira, torna o animal menos sensьvel a qualquer outra. // Estar de biqueira, ou andar de biqueira, diz-se das pessoas proibidas de usar bebidas alcoзlicas e que estavam a elas habituadas.

BIRIBA, s. O mesmo que beriba. // adj. Curto, com alusсo a um pau que serve de cacete.

BIRIQUETE, s. Viela, caminho estreito, esconderijo.

BIRIVA, s. O mesmo que beriba.

BIRUTA, s. Apara de madeira; maravalha.

BISCA, s e adj. Pessoa ordinрria, cafajeste, sem carрter, ruim, de mau comportamento, coisa Я-toa.

BISCAIO, s. Facсo grande, usado pelos trabalhadores de mato. Este termo ж usado no Alto Uruguai.

BISPADO, adj. Diz-se do feijсo que, por descuido, a cozinheira deixou queimar.

BISPAR, v. Perceber, compreender, descobrir as intenушes de outrem.

BLUSONA, s. Doenуa que ataca as plantaушes de arroz.

BOA, s. Partida final que se joga como Щltima esperanуa para os que perderam, no jogo de vьspora.

BOA CARNADURA, expr. Qualidade da pessoa ou animal que engorda facilmente ou que se restabelece, com rapidez, de ferimentos recebidos. ╔ antЗnimo de mр carnadura.

BOBAJADA, s. Tolice, bobagem.

BOBO, s. Apalermado, pateta, tolo.

BOBМ, s. Bobo, tolo.

BOBO DE BOCA, expr. Diz-se do animal recжm enfrenado que ainda nсo sabe obedecer bem Я aусo das rжdeas.

BOCA, s. Emprego, colocaусo. “Jр estou procurando uma boca para quando deixar o Exжrcito.”

BOCA DA NOITE, s. O anoitecer.

BOCA DA SERRA, s. Garganta pela qual se tem acesso ao planalto.

BOCAGEM, s. PaLavreado, palavrсo, palavra imoral.

BOCAL, s. Peуa oca, de prata ou de outro metal, e tambжm de couro, que envolve o loro na parte inferior, imediata ao estribo. // s. Tira de couro ou de pano que se ata na boca do redomсo, para servir de freio, durante a doma, a qual ж presa Яs rжdeas. // adj. Oral, verbal.

“... recebeu este de passagem ordem bocal que jр marchasse por terra Я distРncia de 8 lжguas com a forуa de seu esquadrсo, e levasse por diante cavalos para montar…”

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(Mem. de Fr. Pedro de Abreu, n║ 14, P.A., 1921).

BOКAL, s. O mesmo que buуal.

BOКALETE, s. O mesmo que buуalete.

BOКALIZADOR, adj. Que boуaliza, que bestifica, que torna estЩpido:

“... onde o espьrito de religiosidade era sobremaneira intenso e desvirtuado, ao ponto de confundir suas fronteiras, nсo raro, com as do fanatismo boуalizador e enervante.” (Joсo Maya, Hist. do R.G. do Sul, 4ф ed., P.A., 1904, p. 192).

BOCALMENTE, adv. Oralmente, verbalmente. “A ordem foi dada bocalmente e nсo por escrito”.

BOCHA, s. Jogo de origem espanhola, muito usado na fronteira, que consiste em atirar-se bolas de madeira em cancha de terra, previamente preparada. ╔ esporte largamente praticado pelos rio-grandenses de origem italiana. A bola de madeira com que se pratica esse jogo. // A expressсo Я bocha ou Я boche significa a rodo, em grande quantidade.

BOCHE, s. Usado na locuусo adverbial Я boche: muito, em grande quantidade.

BOCHINCHADA, s. Ato de promover conflito ou bochinche. // PРndega, pagodeira.

BOCHINCHE, s. Baile de plebe, arrasta-pж, espжcie de batuque, divertimento chinfrim prзprio de gentalha. Desordem, briga. Anarquia, desleixo, mр direусo dada a qualquer empreendimento, por inaptidсo ou ignorРncia. Var.: Boch incho.

BOCHINCHEIRO, s. e adj. Indivьduo implicante, baderneiro, turbulento, desordeiro, provocador de bochinches. / Var.: Bochinchero.

“Tive fama de quebra e bochincheiro. Nсo carregava insulto nem pirraуa, E por uma chinoca bonitaуa, Peleava sem comer, um dia inteiro!

Sempre puxava o meu facсo primeiro, Quando entrava disposto numa arruaуa; E no fandango, por qualquer cachaуa, Eu atorava a gaita do gaiteiro!

De uma feita, num baile no povoado, Entrei por nсo ter sido convidado com meu chapжu quebrado bem na testa!

Como alguжm quis chamar “seu” Delegado, Resolvi pЗr na sala o meu Tostado E terminei, num upa, com a festa!” (Alfredo Costa Machado, Coisas do Pago, P.A., Livr. Andradas, 1955, p.

79-80).

“Era levado da breca, bochincheiro, mal-domado, mas tinha por predicado ser guasca justo e decente.” (Dimas Costa, Pelos Caminhos do Pago, P.A., Sulina, p. 26).

BOCHINCHERO, s. e adj. O mesmo que bochincheiro.

bOCHLNCHO, s. O mesmo que bochinche.

BOCO, s. Buraco em que, no jogo de gude, deve entrar a bola.

BOCМ, s. e adj. Bobo, tolo. pateta, boboca, acrianуado, lorpa. / Pequena bolsa de couro cru ou de fazenda, usada a tiracolo. Bornal.

BOCМ-DE-MOLA, s. Boneco ridьculo que, impulsionado por uma mola, sur-

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gia da caixa em que estava guardado ao ser ela aberta. // Boboca.

“E, ansim por diante, ensinando As letras co’a parecenуa, Era esta a maior sabenуa Daquele mestre d’escola. Um grande bocз-de-mola, Digo sem fazer-le ofensa.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 30).

BOCOIМ, adj. Bocз.

BOCМRIO, s. Bate-boca, destampatзrio, discussсo forte.

BODEGA, s. Pequena venda de campanha, boliche.

BODEG├O, s. Bodega bem sortida. Aumentativo de bodega.

BODEGUEIRO, s. Dono de bodega, caixeiro de bodega.

BODOQUE, s. Arco que atira pedras em vez de flechas.

BOlA, s. Comida, almoуo,janta, refeiусo, qualquer alimento.

BOIADA, s. Porусo de bois mansos, especialmente os utilizados nas carretas. Tropa de bois.

BOIADEIRO, s. O encarregado dos bois de serviуo, nas granjas de arroz.

BOI-BARROSO, s. Cantiga popular em que sсo exaltadas as qualidades e os mistжrios de um boi desse pЖlo. Sсo inЩmeras as quadras escritas a respeito de tal boi, a maioria de autores desconhecidos. A seguir, algumas dessas quadras:

“Meu boi barroso, Que eu jр contava perdido, Deixando o rastro na areia Foi logo reconhecido.

Montei no cavalo escuro E trabalhei logo de espora E gritei aperta, gente, Que o meu boi se vai embora!

No cruzar uma picada, Meu cavalo relinchou, Dei de rжdea par’a esquerda, E o meu boi me atropelou!

Nos tentos levava um laуo Com vinte e cinco rodilhas, Pra laуar o boi barroso Lр no alto das coxilhas!

Mas no mato carrasquento Onde o boi ‘stava embretado, Nсo quis usar o meu laуo, Pra nсo vЖ-lo retalhado.

E mandei fazer um laуo Da casca do jacarж, Pra laуar meu boi barroso No redomсo pangarж.

Eu mandei fazer um laуo Do couro dajacutinga, Pra laуar meu boi barroso Lр no passo da restinga.

E mandei fazer um laуo Do couro da capivara, Pra laуar meu boi barroso: E lacei de meia cara.

Pois era um laуo de sorte, Que quebrou do boi a balda Quando fui cerrar o laуo, Sз peguei de meia espalda!

Das guampas do boi barroso, Todo mundo se admirou: Deu pra cem navios de guerra, E das guampas inda sobrou.

A mсe do boi barroso Era uma vaca malhada Dava dez baldes de leite E cem guampas de coalhada.

O pai do boi barroso Era um touro baio pampa Com duas braуas e meia Da cola Я ponta da guampa.

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A avз do boi barroso Era uma vaca franqueira: Com aspas de duas braуas Nсo passava na porteira.

O avЗ do boi barroso Veio de Cima da Serra, Cada berro que ele dava Fazia tremer a terra.”

“E nunca sendo laуado por nenhum guapo campeiro, fama ganhou de encantado o boi barroso matreiro.” (J. O. Nogueira Leiria, Rincшes Perdidos, P.A., Sulina. 1968, p. 72).

“Lр longe estava o ranchito e a filharada esperando, talvez atж jр chorando de fome. Mas orgulhoso lutava pra nсo clamar, e disfarуando a desdita foi assobiando a coplita da canусo do Boi Barroso.” (Dimas Costa, Tarca, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981, p. 19).

“Boi Barroso Sempre que a lua embarriga teu fantasma a gente avista, passando o pago em revista, fiscalizando o rincсo; porque tu жs na verdade, o gЖnio da liberdade resguardando a tradiусo!” (Aparьcio Silva Rillo, Cantigas do Tempo Velho, P.A., Globo, 1959).

BOI CARREIRO, s. Indivьduo pacato, bom, paciente, trabalhador.

BOICININGA, s. Nome tupi da cobra cascavel.

“A boicininga – a cascavel amaldiуoada – toda se meneava, chocalhando os guizos, como por aviso, fueirando o ar com a lьngua, como por prova…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul,P.A. Globo, 1973,p. 163).

BOI-CORNETA, s. Boi de um sз chifre, por ter quebrado o outro, ou por ser aleijado de um deles. O boi-corneta, em geral, causa complicaушes na tropa de que faz parte. / Por ext., indivьduo indisciplinado, trЖfego, rixento, arengueiro, inquieto, que dр mau exemplo.

BOI-DA-PONTA, s. O boi da junta que puxa na ponta.

BOI-DA-QUARTA, s. Boi da junta que vai entre a ponta e o coice, nas carretas puxadas por trЖs juntas ou mais.

BOI-DE-ARRASTO, s. O boi empregado para o arrasto de toras de madeira.

BOI-DO-COICE, s. O boi que puxa junto Я carreta, no coice.

BOIEIRA, s. Estrela d’alva. Planeta VЖnus.

“Tonto de sono, olhei para a boieira, Estrela grande amadrinhando a lua, E senti no peito a pele nua Vibrando na carьcia da manhс” (Alcy Josж de Vargas Cheuiche, Versos do Extremo Sul, Canoas, Ed. La Salle, 1966, p. 49).

“No cжu reparo a boieira Na noite calada e fria. Parece atж que me espia A grande estrela xereta . Nсo tem fogсo de carreta Onde nсo meta o nariz. Atж de guia se diz, Quando se perde um sotreta.” (Ciro Gaviсo, QuerЖncia Xucra, p. 53).

“Lр vem a estrela boieira pela mсo da madrugada! Vem sonolenta, cansada de camperear no infinito … Parou o rodeio da noite,

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das estrelas fez sinuelo, depois, sem muito atropelo, foi chegando a despacito.” (Nilza Laydner de Castro, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970, p. 71).

BOI-FRANQUEIRO, s. Boi originрrio de Franca, em Sсo Paulo, trazido para o Rio Grande pelos primeiros paulistas que povoaram a regiсo serrana. O boi-franqueiro ж caracterizado pelo grande tamanho dos chifres e pelo avantajado esqueleto.

BOIGUAКU, s. Cobra grande. (Do Tupi).

BOI-LADR├O, s. Usado na expressсo apanhar como boi-ladrсo, que significa apanhar uma grande surra.

BOI MANSOQUE ARROMBA A PORTEIRA, expr. Em sentido figurado, diz-se do indivьduo de boas maneiras que consegue passar por bom, quando na verdade nсo o ж.

BOI-NEN╩, s. Terneiro nсo nascido, nonato, terneiro de barriga.

BOlOTA, adj. Rendido, quebrado, que sofre de hжrnia inguinal.

BOITAT┴, s. Fogo-fрtuo. Vem do guarani, mboi, cobra, e tatр, fogo, cobra de fogo. ╔ uma emanaусo de hidrogЖnio fosforado, muito leve, que tende a seguir o cavaleiro que viaja Я noite obedecendo ao deslocamento de ar que o mesmo produz. Para a maioria dos estudiosos ж palavra do gЖnero masculino.

“O boitatр, do guarani mboi, cobra, e tatр, fogo, cobra de fogo, ж mais uma crendice do que uma lenda. Conta-se entre a gauchada das estРncias que, nos passeios e nas viagens Я noite, aparece um fogo volante, Яs vezes em forma de cobra, outras vezes em forma de pрssaro, voando na frente do cavaleiro, impedindo-lhe a marcha. ╔. porжm, crenуa entre a gente do campo de que o boitatр se deixa atrair pelo ferro. E entсo, o meio para ver-se livre do ataque dele consiste em desatar o laуo dos tentos e arrastр-lo pela presilha, previamente presa esta Я argola da cincha. Desde entсo, o boitatр, atraьdo pelo ferro da argola do laуo, deixa assim de embaraуar a marcha do andante, e seguindo-o atrрs na altura do extremo do laуo atж amanhecer o dia, ora em que o abandona, deixando-o ir em paz. (Joсo Cezimbra Jacques, Assuntos do Rio Grande do Sul, P.A., Of. da Escola de Engenharia, 1912,p. 159). “Qual boi-tatр qual nada! O Alexandre caiu na asneira de acreditar que fosse isso mesmo, e desenrodilhou o laуo preso nos lentos, para ver se o tal de boi se grudava na argola, e o deixava em paz, mas perdeu o pulo e no dia seguinte lр se ia de embrulho, para a cidade dos pжs-juntos.” (Joсo Maia, Pampa, P.A., Globo, 1925, p. 38). “Boi e tatр sсo duas palavras guaranis que significam serpente e fogo, e que naturalmente foram aplicadas, ou que assim devemos entender que o foram, designando o fogo-serpente, ou o fogo que serpenteia, visto tсo bem adequar-se ao objeto de que nos ocupamos; de definir tсo tacitamente essa luz vaga, que conhecemos pela denominaусo de fogo efЖmero, ou fogo fрtuo.” (Josж Bernardino dos Santos, Boi-Tatр, in Revista do Partenon Literрrio, 1869, Separata da Revista do IHG doR. G. do Sul,P.A., 1951, p. 87). “Tudo o que morre no mundo se junta Я semente de onde nasceu, para nascer de novo: sз a luz da boitatр ficou sozinha, nunca mais se

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juntou com a outra luz de que saiu. Anda sempre arisca e sз, nos lugares onde quanto mais carniуa houve, mais se infesta. E no inverno, de entanguida, nсo aparece e dorme, talvez entocada. Mas no verсo, depois da quentura dos mormaуos, comeуa entсo o seu fadрrio. A boitatр, toda enroscada, como uma bola tatр, de fogo! – empeуa a correr o campo, coxilha abaixo, lomba acima, atж que horas da noite! ╔ um fogo amarelo e azulado, que nсo queima a macega seca nem aquenta a рgua dos mananciais; e rola, gira, corre, corcoveia e se despenca e arrebenta-se, apagado e quando um menos espera, aparece, outra vez, do mesmo jeito! Maldito! Tesconjuro! (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973,p. 137).

BOLA, s. Usada na expressсo como bola sem manicla, que significa: sem rumo, Яs tontas. // Boleadeira. // Var.: Bolas.

“Joga o laуo, campeiro, atira a bola, que esse rude trabalho nos consola, nos conforta e alegra o coraусo!” (Rui Cardoso Nunes, Tro pilha Perdida).

BOLACHA, s. Repreensсo, bofetada, tapa.

BOLA-CHARRUA, s. Pedra de boleadeira, muito grosseira, com um sulco central para passar as sogas, que pertenceram aos ьndios charruas, encontradas em algumas regiшes da fronteira. Bola-pampa. Bola-perdida.

BOLAКO, s. Tiro de bolas, golpe ou pancada dado com as bolas ou com a boleadeira. // Muito dinheiro, sendo, neste caso, sinзnimo de boiada.

BOLADA, s. Feita, vez, ocasiсo: “Daquela boiada descemos a serra.” // Muito dinheiro.

BOLANDINA, s. Agitaусo, azрfama, atrapalhaусo. р Trapalhada, trampolinada.

BOLA-PAMPA, s. O mesmo que bola-charrua.

BOLAP╔, s. Vau de um rio cheio que o cavalo sз pode atravessar quase nadando. Parece provir do castelhano volapiж que significa a meio voo, ou seja, parte andando, parte voando. Numa travessia a bolapж nсo hр nado completo, mas tambжm o animal, quase submerso, nсo tem condiушes de assentar, com firmeza, os pжs no fundo do rio.

BOLA-PERDIDA, s. O mesmo que bola-charrua.

BOLAS, s. O mesmo que boleadeiras. Bola.

“derrubando avestruzes a bolas” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 40).

BOLCAR, v. Virar, rolar. O mesmo que volcar. Volcar a terra com o arado.

BOLEA, s. Lugar, na carruagem, onde assenta o cocheiro.

BOLEADA, s. Boleio. Ato de bolear.

BOLEADEIRA, s. Instrumento de que se servem os campeiros para apreender os animais e tambжm para, nas guerras, abater os inimigos. Consta de trЖs pedras redondas retovadas com couro e ligadas entre si por cordas tranуadas ou torcidas que tЖm o nome de sogas. As duas pedras maiores, de igual tamanho, sсo ligadas, uma Я outra, por uma corda, ou soga, de aproximadamente um metro e meio de comprimento; a terceira pedra, menor que as duas anteriores, ж ligada, por uma soga com a metade do comprimento da primeira, ao meio da soga maior. A pedra menor tem o nome de manicla ou manica. Pa-

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ra usar as boleadeiras o campeiro segura com a mсo direita a manicla e imprime Яs outras duas bolas um movimento rotativo, a fim de conseguir impulso para lanур-las sobre o pescoуo, o lombo ou a anca do animal, que, assustado, aos coiceS, procura livrar-se delas, ficando, porжm, completamente enredado. Alжm de pedras, empregam-se, para confeccionar as bolas, pedaуos de panela ou quaisquer cacos de metal retovados com couro.

“(...) parece fora de qualquer dЩvida que as boleadeiras vieram por heranуa dos ьndios campeiros, charruas, minuanos e tapes, que as empregavam para a caуa, e, depois de conhecerem o boi e o cavalo, passaram a empregр-las nos arreados que faziam nos rebanhos alуados.” (Moraes). “E tu, peceta, ond’ж que te meteste todo esse tempo? Jр sei: andaste de boleadeiras quebrando o gado e aplastando o cavalo, comigo aqui Я tua espera, como se fosse teu negro cativo…” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto. Lello & Irmсo, 1910, p. 26). “E a vozeria reboava, ecoava o tropel, boleadeiras silvavam, brilhavam lРminas, trocavam-se tiros, ginetes e animais tombavam de roldсo, ou eram pingos em arremessada carreira apзs a queda dos cavaleiros.” (A. Maia, Tapera, RJ, F. Briguiet & Cia., 1962, 2ф ed., p. 73).

BOLEADO, s Arredondado. torneado. // adj. Amalucado, adoidado. que nсo ж muito certo da bola. // Derrubado pelas boleadeiras.

BOLEADOR, s. Homem adestrado no manejo das boleadeiras. // Cavalo que se joga ao chсo para livrar-se do cavaleiro.

BOLEAR, v. Arremessar as bolas sobre o animal, para apanhр-lo. Pegar de surpresa. / Cativar pelo bom trato, fascinar. (Cf. bolear-se).

“No potreiro de teus olhos Cupido me boleou: Que esperanуa de fugir-lhe! Logo o boуal me passou!” (Popular).

BOLEAR A PERNA, expr. Apeiar-se, descer do animal de montaria.

BOLEAR-SE. v. Jogar-se ao solo o cavalo com o cavaleiro, com os arreios, ou mesmo desencilhado. // Decidir-se a empreender uma viagem ou passeio: “Com chuva e tudo, ele se boleou para o baile”.

“A cousa foi que o ьndio se boleou serra a baixo, sem avisar ninguжm …” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p.

81).

BOLEEIRO, s. Cocheiro.

BOLICHAR, v, O mesmo que bolichear.

BOLICHE, s. O mesmo que bolicho.

BOLICHEAR, v. Exercer a profissсo de bolicheiro. Mascatear ou vender em pequena escala. O mesmo que bolichar.

BOLICHEIRO, s. Dono de boliche. Taberneiro. // FreqЧentador de boliches. // O mesmo que bolichero.

BOLICHERO, s. O mesmo que bolicheiro.

BOLICHO. s. Casa de negзcio de pequeno sortimento e de pouca importРncia. Bodega. Taberninha. // Casa de jogo. // Certo jogo de origem espanhola. O mesmo que boliche.

“Uma gurizada que vai crescendo na indolЖncia, no vьcio, nos balcшes dos bolichos…” (Sylvio JЩlio, Pampa, Fortaleza, 1919, p. 258).

“BolichO

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╔ a fonte aberta no pago Onde ao fechar da semana, A gauchada se irmana Ao pж da carta ou de um trago.” (Chico Ribeiro).

“Nas tardes poeirentas de verсo o bolicho sopra na cara do viajante o seu hрlito forte de cachaуa.” (Sьlvio Duncan, Paisagem Xucra, P.A., Globo, 1958, p. 36).

“╔ melhor que tu conheуas o poder do meu capricho: pra matar uma saudade basta a canha do bolicho.” (J. O. Nogueira Leiria, Rincшes Perdidos, P.A., Sulina, 1968, p. 123).

BOLITA, s. Pequena bola de vidro ou de рgata com que os meninos jogam; o jogo feito com essas bolas.

BOLIVIANO, adj. Diz-se do cavalo que nсo tem dono conhecido, teatino. / Moeda de prata, da Bolivia, que circulou no Rio Grande do Sul e que valia de 600 a 900 rжis.

BOLO, s. Confusсo. / Ajuntamento de gente. // Logro, briga.

BOLSA, s. Saco de estopa.

BOLSOQUIAR, v. Revistar os bolsos dos mortos em combate, para tirar o dinheiro e outros valores que possam conduzir.

BOM ANDAR, expr. Bom cЗmodo, do cavalo. Andar agradрvel para o cavaleiro.

BOMBA, s. Canudo de prata ou de outro metal, tendo em uma das extremidades um bojo crivado de furinhos, que ж introduzido na cuia cheia de erva, e, na outra, uma parte achatada, Яs vezes revestida de ouro, por onde se suga o mate.

BOMBACHAS, s. Calуas muito largas, presas por botшes logo acima do tornozelo. ╔ a vestimenta predileta dos homens do campo do Rio Grande do Sul que a usam tanto para o trabalho como para passeio. Na obra Notьcia Descritiva da Provьncia do Rio Grande de Sсo Pedro do Sul, de Nicolau Dreys, que esteve aqui em 1817, na descriусo da indumentрria gaЩcha nсo hр referЖncia Яs bombachas, o que indica que seu uso ж relativamente moderno em nosso Estado.

“(...) nсo ж um artigo de vestimenta caracterьstica do verdadeiro gaЩcho, pois que ela nсo ж originрria da Amжrica do Sul, e muito menos do pampa. ╔ antes uma vestimenta turca, que, da Turquia foi importada para a Espanha e desta para o Prata e dali para o Rio Grande do Sul.” (Cezimbra iacques, Assuntos do Rio Grande do Sul, P.A., Of. da Escola de Engenharia, 1912, p. 32). ...“O morto, deposto no catre, forrado de um cobertor de algodсo poьdo trajava bombacha azul” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 30).

BOMBEADOR, s. Aquele que bombeia, espiona, vigia, espreita. // O mesmo que bombeiro.

BOMBEAR, v. Espionar, espreitar, explorar, vigiar, espiar, perscrutar, olhar, ver, observar. Examinar, sem ser percebido, o campo inimigo, a fim de lhe conhecer a forуa, os recursos e as intenушes.

BOMBEIRO, s. Espiсo, esculca, observador, explorador do campo inimigo.

“... e ele viera ver como bombeiro, o que faziam na praуa.” (Apolinрrio Porto Alegre, O Vaqueano p. 86).

BOM DE BOCA, expr. Fрcil de alimentar, que come o que lhe for servido.

BOM DE R╔DEAS, expr. Diz-se do animal de montaria que obedece prontamente Я aусo das rжdeas.

BOM NO PAU, expr. Diz-se do cavalo de carreira que ж muito resistente.

BONANCH├O, adj. Bondoso, calmo, cavalheiro, franco.

BONECA, s. Espiga de milho antes de granar. // Moуa, mulher bonita.

BONECRA, s. O mesmo que boneca.

“EntРn foi ver a bonecra, com o poncho de pano azul e as botas de cano grande.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Globo, 1959, p. 39).

BONITAКO, adj. Bonitсo, muito bonito.

BONZ├O, adj. Muito bom.

BOQUE, s. Buraco para o jogo de bolita.

BOQUEIRO, s. Saьda larga para um campo, depois de um desfiladeiro, de uma estrada estreita, de um lugar apertado. // DistРncia muito grande que, numa carreira, um cavalo leva sobre o outro.

BOQUEJAR, v. Conversar.

BOQUEJO, s. Conversa.

“Entсo comeуou a correr um boquejo de ouvido pra ouvido…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p.

171).

BOQUINHA, s. Beijo, bicota.

“Nсo, Nicрcio, nсo presta! Moуa solteira que dр boquinha antes de casar, perde o noivo ou casa velha.” (Barbosa Lessa, O Boi das Aspas de Ouro, P.A., Globo, 1958, p. 145).

BOQUINHA-DA-NOITE, s. O anoitecer.

BORDONEAR, v. Executar mЩsica em

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viola ou violсo usando as cordas mais grossas, que emitem sons mais graves.

BORLANTIM, s. Saltimbanco. Artista de circo de cavalinhos. // Andar com borlantins, significa andar em mрs companhias.

BORQUILHO, s. e adj. Pessoa que tem as pernas tortas. Cambota.

BORRACH├O, s. Chifre preparado para conduzir liquido, fechado com um tampсo fixo de madeira na parte mais larga, e com uma pequena abertura na parte mais estreita, onde se coloca a rolha. Hр borrachшes de todos os tamanhos, de poucos centьmetros atж mais de um metro, uns feitos com simplicidade, outros artisticamente trabalhados. Sсo usados, em geral, para conduzir bebidas alcoзlicas.

BORRACHEIRA, s. Bebedeira, embriagues.

BORRACHO, s. BЖbado, жbrio, embriagado.

BORRACHUDO, s. Pequena motuca diurna que ataca em bando.

BORRA-DE-CAF╔, s. Pз de Cafж umedecido, usado como remжdio, na campanha, para estancar sangue de ferimento.

BORRA-TINTAS, s. Mau pintor. Mau profissional.

BORREGA, s. Ovelha de um ano.

BORREGADA, s. Rebanho de borregos.

BORREGAGEM, s. Porусo de borregos. Borregada.

BORREGO, s. Cordeiro de idade inferior a um ano. // Em sentido figurado: s. Pessoa pacьfica; // adj. bem jovem, novo.

BOSINUDO, adj. V. Buzinudo.

BOSTEIRA, s. Bosta, excremento de gado.

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BOTA, s. Calуado prзprio para andar a cavalo, feito de couro, que envolve o pж e a perna. // Dificuldade, obstрculo: “Vai ser difьcil descalуar aquela bota”, isto ж, livrar-se daquela dificuldade. // V. as expressшes bater as botas, bota de garrсo, e meter as botas em.

BOTADA, s. Investida, agachada, feita, vez, ato de botar. // Cotejo entre parelheiros ou galos de rinha.

BOTA DE GARR├O, s. Bota feita de couro verde, de vaca ou de potro. Para confeccionр-la, abatido o animal, ж retirado o couro da coxa e adaptado ao pж e Я perna da pessoa que vai usр-la, de modo que a ponta do jarrete da vaca ou do potro corresponda ao calcanhar do homem. A costura ж feita com certa folga para permitir a entrada e a retirada do pж. Os dedos, em geral, ficam de fora.

BOTADOR, s. Vara com que se empurra a embarcaусo. // adj. Que nсo se faz de rogado para iniciar a briga, arrojado, atrevido.

BOT├O, s. Pequena peуa de couro tranуado que se abotoa na presilha para unir duas extremidades de partes do arreamento.

BOTAR, v. PЗr.

BOTAR A BOCA NO MUNDO, expr. Gritar, esbravejar, reclamar.

BOTAR A COLA NO LOMBO, expr. Disparar, fugir.

“O animal, quando corre, levanta a cola e parece que a coloca sobre o lombo. Nota-se isso especialmente com os cavalos alуados que, quando perseguidos, fogem pondo a cola sobre o lombo.” (Walter Spalding, BaЩ de EstРncia).

BOTAR A CORRIDA FORA, expr. Atrapalhar o negзcio de outrem, fazer perder a oportunidade de realizar determinado empreendimento, deixar de ganhar uma carreira por imperьcia.

BOTAR CRIA, expr. Parir, reproduzir.

BOTAR NO CEPO, expr. Prender alguжm, por castigo.

BOTAR O P╔ NO MUNDO, expr. Fugir, ir embora.

BOTAR OS CACHORROS, expr. Atiуar os cachorros. // Em sentido figurado, falar mal de alguжm. Descompor.

BOTAR OS QUEIXOS, expr. Descompor.

BOTAR SAL NA MOLEIRA, expr. Fazer com que o opositor se submeta, reconhecendo que nсo tem razсo.

BOTAR-SE, v. Arrojar-se, atirar-se, jogar-se, lanуar-se.

“O campeiro botou-se em cima do rival com fЩria de touro brasino”. (Simшes Lopes, Contos).

BOTECO, s. Pequeno botequim.

BOTEIRO, s. Aquele que governa um bote. // Fabricante de botes. // Fabricante de botas.

“Zж Macaco ж boteiro por uma questсo de preconceito de cor. Foi recomendado como capataz de uma estРncia do Rosрrio, mas o homem velho quando o viu disse: – Nсo serve! Negro com posiусo ж encrenca no galpсo!” (Ivan Pedro de Martins, Caminhos do Sul, P.A., Globo, 1946, p.

67).

BOTEJA, s. Botelha, garrafa.

BRABO, adj. Feroz, raivoso, irado, selvagem, zangado, colжrico. // Ruim, pжssimo, incomum.

“No Rio Grande do Sul se faz diferenуa entre bravura (valentia) e brabeza (raiva) e entre bravo (valente, herзico) e brabo (raivoso, colжrico).” (Manuel do Carmo, Canta- 72

res da Minha Terra).

“Dia brabo, calor de acender as macegas. Atж a sombra do umbu parecia descer quente dos galhos.” (A. Maia,Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 6). “e a gauchada redemoinhava, braba.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910,p. 142).

BRAКA, s. Medida antiga, ainda muito usada no Rio Grande do Sul. A braуa linear equivale a 2,20 m e a braуa quadrada a 4,84 m2.

BRAКA-DE-SESMARIA, s. Medida antiga, de superfьcie, usada no Rio Grande do Sul. A braуa-de-seSmaria mede 2,20 m por 6.600,00 m, ou seja, 14.520,00 m2.

BRAКA-DESOL, expr. DistРncia aparente que falta para o sol desaparecer no horizonte. “Ainda estрvamos com duas braуas de sol, e tratamos de sair do mato enquanto nсo escurecia completamente.”

BRAКADA, s. Movimento do braуo.

BRACEADOR, adj. Diz-se do cavalo que braceia. // Nadador.

BRACEAR, v. Andar, o animal, com largos movimentos laterais dos membros anteriores. // Nadar, nadar de braуada. // Em sentido figurado: lutar pela vida, trabalhar intensamente.

BRAКO, s. V. as expressшes empinar o braуo e sentar o braуo.

BRAКOLADA, s. Pequeno pedaуo de linha do espinhel na extremidade da qual se prende o anzol.

BRAGADO, adj. PЖlo do cavalo ou do bovino que tem a verilha ou a barriga branca e o resto do corpo de outra cor. No animal bragado, em geral hр partes brancas tambжm na frente da cabeуa e nas pernas.

BRANCO, adj. PЖlo de cavalo que, em geral, quando novo, foi tordilho.

BRANCO-COUROS-NEGROS, adj. Diz-se do cavalo de pЖlo branco e de pele preta. Ao contrрrio dos melados, os animais deste pЖlo sсo muito apreciados.

BRANCO-MELADO, adj. Diz-se do cavalo que apresenta o pЖlo e a pele brancos e tem os olhos de cor clara. Albino. Em geral os animais deste pЖlo andam com os olhos remelentos, nсo enxergam bem nos dias muito claros, sendo pouco apreciados para montaria.

“Cavalo branco melado, nem dado nem bem comprado”. (Ditado popular).

BRANCO-OVEIRO, adj. Diz-se do animal branco com manchas pronunciadas de outra cor.

BRANDEZA, s. Brandura.

BRANDO DE BOCA, expr. Diz-se do animal que ж sensьvel Я aусo das rжdeas. Por extensсo, aplica-Se Яs Pessoas que facilmente se deixam convencer.

BRANQUEAR, v. Caiar de branco. Parede branqueada ж o mesmo que parede caiada.

BRANQUILHO, s. Nome de uma рrvore que produz bom carvсo para forjas.

BRASEDO, s. Brasido, braseiro.

BRASINO, adj. Da cor da brasa. PЖlo de vacum, de cachorro ou de gato, vermelho, com listras pretas ou muito escuras. V. a expressсo aspa de boi brasino. (Etim.: Vem de brasa).

BREQUE, s. Carro de quatro rodas, para paSsageirOS, puxado por cavalos. Dр-lhe o nome o freio de alavanca de que ж dotado, situado na bolжia, ao lado do condutor.

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BRETE, s. Pequeno curral destinado ao recolhimento das ovelhas que vсo ser tosadas. // Espжcie de corredor que comunica com a mangueira ou curral, dentro do qual o animal fica com seus movimentos tolhidos, podendo ser marcado, assinalado, vacinado, castrado, tosado, etc., sem ser derrubado. / Corredor estreito que dр acesso ao banheiro de carrapaticida. // Corredor que conduz Я charqueada ou ao trem de transporte de gado.

BRINCO, s. Sinal que ж feito na orelha do bovino, do suьno e do ovino, consistindo em um corte horizontal que faz com que fique pendente uma pequena lasca da parte inferior daquele зrgсo, semelhando um brinco. // ApЖndice gorduroso que existe nos maxilares de alguns porcos e no pescoуo de alguns ovinos e caprinos.

BRIQUE, s. Bricabraque. Estabelecimento que compra e vende objetos usados, ferro velho, obras de arte, etc.

BROACA, s. O mesmo que bruaca.

BROCA, s. Cavidade que, originando-se na parte mole do casco do animal cavalar ou muar, vai pouco a pouco subindo, atж chegar Я parte superior, quase o impossibilitando de andar. // Fome, vontade de comer.

BROCHA, s. Corda ou tira de couro com que se prende o boi Я canga, ligando os canzis por baixo do pescoуo do animal.

BROCHAR, v. Atrelar os bois Я canga, colocando-os entre os canzis e passando a brocha por baixo dos respectivos pescoуos.

BROMA, s. Troуa, gracejo, mofa, caуoada, brincadeira. // Demora. // (╔ vocрbulo hispano-americano, usado principalmente na fronteira).

“El que gana su comida GЧeno es que en silencio coma; Ansina, vos, ni por broma Querрs llamar la atenciзn: Nunca escapa el cimarrзn Si dispara por la loma.” (Josж Hernрndez, Martьn Fierro, Buenos Aires, Ed. Sopena Argentina, 1945, p. 88).

BRUACA, s. Espжcie de mala de couro cru, com alуas laterais, apropriada para ser conduzida em lombo de animal, pendurada Я cangalha, uma de cada lado. Cada bruaca comporta 3 arrobas de carga, ou seja 45 quilos. O par de bruacas, que ж a carga de uma mula, comporta mercadorias com o peso de 90 quilos. // Mulher sem pudor, desleixada, ordinрria, rameira. // Pessoa gaiata, brincalhona.

BRUM-BRUM, adj. Dizia-se do negro africano que falava mal, de modo ininteligьvel. Diz-se de qualquer pessoa que se expressa incorretamente, com dificuldade, ou que gagueja.

BRUXA, s. Espжcie de mariposa. // Ente fantрstico que durante a noite enreda as crinas dos cavalos preparando nelas estribos para seu uso. // Boneca de pano.

BUКAL, s. Espжcie de cabresto com focinheira. ╔ uma peуa de couro que faz parte dos arreios e ж colocada na cabeуa e pescoуo do cavalo. Compшe-se das seguintes partes: focinheira, cabeуada, fiador e cedeira. (V. as expresssшes passar o buуal e passar um buуal de couro fresco).

BUКALAR, v. PЗr o buуal em; embuуalar.

BUКALETE, s. Pequeno buуal. Cabresto aperfeiуoado.

BUCHA, s. Mau negзcio. V. as expressшes

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levar bucha e responder nas buchas.

BUCHADA, s. Conjunto do estЗmago e intestino da rЖs, quando carneada. / Iguaria preparada com estЗmago e tripas de rЖs.

BUCHA POR SE DESTAPAR, expr. Diz-se do parelheiro que ainda nсo se tornou conhecido como tal. ╔ uma expressсo irЗnica da gьria dos carreiristas.

BUCHO, s. EstЗmago. // Mulher muito feia.

BUDUM, s. Catinga, fartum, mau cheiro do corpo humano.

BUENACHO, adj. Muito bom, excelente, generoso, afрvel, bondoso, cavalheiro. Var.: Buenaуo.

“O gado foi descambando Que a correnteza era forte; Mas o dia era de sorte E o Lautжrio, buenacho, Ganhou porto logo abaixo Com todo o primeiro corte.” (Amaro Juvenal, Antonio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 45).

BUENAКO, adj. O mesmo que buenacho.

“Sem desmerecer ninguжm, eu ressalto um companheiro, que sempre foi o primeiro, nas horas mрs e nas boas, para quem eu peуo as loas. Pra o buenaуo secretрriO, para o peсo extraordinрrio, Pedro Leite Villas-Boas!” (Chico Gaudжrio, Correio do Povo de 29.6.68).

BUENO. adj. e adv. Bom, bondoso. Estр bem,muito bem,perfeitamente. (Esp.).

BUFIR, v. Bufar.

BUGIADO, adj. Qualificativo do cavalo cujo pЖlo lembra o do bugio.

BUGIO, s. Guariba.

BUGRA, s. Feminino de bugre. ═ndia.

BUGRADA, s. Porусo de bugres. Indiada. Gauchada.

BUGRE, s. ═ndio, silvьcola. Nome depreciativo aplicado aos selvagens do Brasil.

BUGREIRO, s. Caуador de bugres.

BUNDINHA, s. Habitante da cidade, pretencioso e janota, ignorante das lides campeiras. Designaусo dada pelo homem do campo ao da cidade, com sentido pejorativo. V. almofadinha, cola-fina.

“Nunca foi assim tсo maula Como os bundinhas de agora A peonada de outrora Que jр deu tсo boa cria, De modo que se dizia Ser gente vinda de fora.” (Homero Prates, histзria de D. Chimango, RJ, Livr. Machado, 1927, p. 89).

BUNGADA, s. Pechada, choque.

BUNGAR, v. Chocar, pechar. (╔ palavra de origem africana).

BUQUE, s. Cadeia.

BURABA, s. Burara.

BURACADA, s. Porусo de buracos, terreno esburacado, buraqueira. O mesmo que buracama.

BURACAMA, s. O mesmo que buracada.

BURINDANGAS, s. Burundangas. Ninharias.

BURLEQUEADOR, s. e adj. Vadio, vagabundo, madraуo, passeador, caminhador. Indivьduo que vive nas estradas, a passear de um lado para outro, sem procurar ocupar-se com qualquer trabalho Щtil. Var. Burliqueador.

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BURLEQUEAR, v. Vacliar, vagabundear, gastar o tempo em folias, caminhar Я toa, entregar-se a passeios e visitas sem finalidade Щtil. Var.: burliquear.

BURLIQUEADOR, s. e adj. O mesmo que burlequeador.

BURLIQUEAR, v. O mesmo que burlequear.

BURRINHO, s. Nome dado a inseto de cor acinzentada que ataca as hortaliуas, principalmente o tomateiro. Aparece em nuvens, como praga, e ж cрustico em contato com a pele.

BURRIQUETE, s. Filhote de miraguaia.

BURRO BURREIRO, s. Burro inteiro, isto ж, nсo castrado, que vive com as burras e nсo com as жguas.

BURRO-CHORO, s. Hechor. Jumento nсo castrado utilizado para cruzar, ou acasalar, com as жguas. O produto do cruzamento, burros e mulas rЩsticos e sзbrios, зtimos para o trabalho, ж hьbrido e, conseqЧentemente, nсo se reproduz.

BUSCA!, interj. Palavra com que se incita o cсo a procurar a caуa.

BUSCAR FOGO, expr. Permanecer em visita muito pouco tempo, nсo demorar-se.

BUSCAR PLEITO, expr. Procurar briga.

BUSO, s. Violсo, viola ou qualquer instrumento de corda. Var.: Buzo.

“Sentaram todos, Os busos, com cordas sobressalentes, cravelhas e parafusos, soltaram notas ardentes.” (Manoel Faria CorrЖa, Rumo aos Pagos, p. 94).

BUTI┴, s. Espжcie de coqueiro pequeno e sua fruta. Butiazeiro. O butiр ж muito apreciado para misturar na cachaуa.

BUTIAZAL, s. Butiatuba. Mato de butiazeiros. Plantaусo de butiрs ou butiazeiros.

BUTIAZEIRO, s. Butiр. Espжcie de coqueiro pequeno que produz o butiр. Do butiazeiro extrai-se a crina vegetal.

BUTIFARRA, s. Carne cozida, cortada em tiras compridas, para venda em carreiradas, festas etc.

BUZEIRA, s. Bozerra. Var. Buzera.

BUZERA, s. O mesmo que buzeira.

BUZINA, s. Orifьcio no centro da roda do carro, onde ж introduzido o eixo. Tal orifьcio ж mais largo na parte de dentro do que na de fora, disso lhe advindo a denominaусo. Chama-se contra-buzina a uma rodela de ferro que se coloca na parte de fora da buzina quando esta se encontra gasta. // s. e adj. Raivoso, irritado, colжrico, atrevido, zangado, furioso, brabo, mau, valentсo, bandido, estrзina, endiabrado. // Ficar buzina, encolerizar-se.

BUZINUDO, adj. Diz-se do carro ou da carreta que rechina ao andar por estar com folga nas buzinas.

BUZO, s. O mesmo que buso.

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C

CA┴LO, s. Deturpaусo de cavalo, muito em uso no Rio Grande do Sul. Var.: ca-alo.

“Menino, o ca-alo ж seu. Eu lhe prometi um de minha marca. Aь o tem.” (Manoelito de Ornellas, Mрscaras e Murais de Minha Terra, P.A., Globo, 1966, p. 195). “- Ca’alos, me parece, como o senhor diz, quem faz ж o dono.” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 35).

CABANHA, s. Estabelecimento pastoril destinado Я criaусo e Я seleусo de reprodutores de gado de raуa.

CABANO, adj. Diz-se do cavalo que tem as orelhas caьdas. Diz-se, tambжm, do vacum que tem os cornos virados para baixo, um ou ambos.

CABEКA-CHATA, s. Denominaусo dada aos cearenses, e, Яs vezes, por extensсo, aos demais nortistas.

CABEКADA, s. Peуa de couro que, cingindo a cabeуa do animal e passando-lhe por trрs das orelhas, serve para segurar-lhe o freio na boca. Hр cabeуadas chapeadas de prata ou feitas inteiramente desse ou de outros metais.

CABEКA DE PASSARINHO, expr. Diz-se de pessoa distraьda, leviana, desatenta, irresponsрvel.

CABEКALHO, s. Peуa comprida de madeira, ao lado da qual sсo atrelados os animais de traусo.

CABEDAL, s. Bens, propriedades, riquezas.

CABELAMA, s. AbundРncia de cabelos, grande cabeleira, pЖlos muito crescidos. Pelame. O conjunto dos pЖlos ou cabelos de um animal.

CABIDE, s. Cavalo muito magro, com os ossos Я mostra, esquрlido.

CABOCLO, s. Descendente de ьndio. // ╔, tambжm, o nome de uma vespa.

CABOR┴, s. Ave de rapina, espжcie de mocho.

CABORTAGEM, s. Ato de cabortear, velhacaria.

CABORTAR, v. O mesmo que cabortear.

CABORTEAR, v. Negar-se o animal a deixar-se pegar, esquivar-se Я aproximaусo das pessoas, mostrar-se infiel, tornar-se arisco. // Proceder mal, a pessoa, procurando enganar por meio de artifьcios, velhacarias, manhas, lрbias. // Var.: Cavortear, cabortar.

CABORTEIRICE, s. Ato de cabortear, trapaуa, velhacada. O mesmo que cabortice.

CABORTEIRO, s. e adj. Cavalo ou outro animal, manhoso, arisco, infiel, velha-

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queador, que nсo se deixa pegar. Indivьduo velhaco, esperto, manhoso, mau, mentiroso, trapaceiro, tratante, que vive de expedientes. / Var.: Cavorteiro.

“Nсo hр de tripudiar sobre as luminosas tradiушes do Rio Grande um Presidente da RepЩblica desabusado e cabo rteiro, afastado do cumprimento da lei.” (Josж AntЗnio Flores da Cunha, in Joсo Neves da Fontoura, Memзrias, 2║ vol., P.A., Globo, 1963, p. 192).

CABORTICE, s. O mesmo que caborteirice.

CABOS, s. Nome dado aos membros do eqЧino ou do muar, para referЖncia a pЖlo.

CABOS-BRANCOS, adj. Diz-se do cavalo de qualquer pЖlo que tem brancas as quatro patas.

CABOS-NEGROS, adj. Diz-se do cavalo de qualquer pЖlo que tem negras as quatro patas.

“Cabos negros: (...) olhos, cabelos e sobrancelhas negros (nas mulheres);” (Everton Florenzano, Dicionрrio Espanhol-PortuguЖs).

CABRA, s. Sujeito de baixa classe. Mestiуo de mulato e negro.

CABRESTEADOR, adj. Diz-se do animal que cabresteia bem, isto ж, que, conduzido pelo cabresto, acompanha facilmente o condutor que o vai puxando. // Por extensсo, aplica-se ao indivьduo que se deixa conduzir por outrem sem nenhuma resistЖncia.

CABRESTEAR, v. Andar o animal cavalar ou muar conduzido pelo cabresto, sem resistir. Obedecer, o vacum, ou qualquer animal, facilmente, Я traусo do laуo ou de qualquer corda. // Permitir o indivьduo que outro o conduza sem nenhuma resistЖncia.

“- Pila foi o Щnico polьtico que nсo cabresteou; os demais libertadores aceitaram o osso que o GetЩlio lhes ofereceu … e foram ser embaixadores…” (Jorge Cardoso de Oliveira).

“Aqui sim… Entrego as fichas! Foi quando entсo cabresteei, e cabresteei de verdade! Porque o bicho ж delicado: – sabe domar aporreado com cabrestitos de seda.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 78).

CABRESTILHO, s. Cabresto pequeno. // Correias de couro ou de metal que seguram as esporas aos pжs.

CABRESTO, s. Peуa de couro que ж apresilhada ao buуal ou buуalete para segurar o cavalo ou o muar. V. a expressсo sentar no cabresto.

CABRITA, s. Crianуa arteira.

CABRITILHA, s. Couro de cabrito, cortido.

CABRITINHO, s. Moreno, mulato.

CABRITO, adj. Diz-se do vacum que possui chifres curtos e levantados como os dos cabritos. / Coisa roubada. Contrabando.

CABRI▄VA, s. ┴rvore cuja madeira ж зtima para construушes. Tem aroma muito agradрvel e ж usada como medicamento peitoral.

CABUNGO, s. Recipiente para matжrias fecais. Foi substituьdo pelo tigre que, em noites escuras, era mandado despejar nas ruas. Talvez proceda do dialeto quibundo, no qual kibungo significa sentina. // Chapжu velho.

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CABUR╔, s. Pequena coruja cujas penas dсo sorte a quem as possua. Indivьduo trigueiro, puxando a caboclo. Caboclinho de pouca idade.

CACARIAS, s. Conjunto de objetos velhos, sem serventia. Cacarecos.

CAКAR VEADO, expr. Levantar-se de noite, com dor de barriga, para ir Я latrina. Urinar na cama.

CACETE, s. Pessoa importuna, impertinente.

CACHAКO, s. Porco nсo castrado, barrasco, varrсo.

CACHECOL, s. Manta.

CACHETADA, s. Bofetada, soco, paulada.

CACHIMBO, s. Pedaуo de pau com um fiel em uma das pontas, no qual se enfia o beiуo do animal que se pretende sujeitar, e se vai torcendo atж que o animal se entregue. Usa-se, tambжm, como cachimbo o fiel do relho e respectivo cabo. Biqueira. // Cрlice de flor.

CACHO, s. A cola, o rabo do cavalo. V. a expressсo quebrar o cacho.

CACHOPA, s. Grupo de flores na ponta de um ramo.

CACHORRETE, s. Pequeno cachorro, no sentido de peуa de madeira, de beirada de rancho.

CACHORRO, s. Peуa de madeira que, na construусo do rancho, ж colocada na beira do telhado ou das quinchas, junto Я ponta dos caibros, para tornar um pouco mais horizontal sua inclinaусo. // V. a expressсo hр cachorro na cancha.

CACIMBA, s. Fonte de рgua potрvel. Vertente.

CACOS, s. Arreios velhos, de mр qualidade.

CACUNDA, s. Corcunda.

CACURUTO, s. Cocuruto.

CADEIA. s. Entrelaуamento dos pares ao danуarem o fandango e outras danуas.

CADELA?, expr. O que ж dela?

CADELE?, expr. O que ж dele? O campeiro, Яs vezes, pergunta: “Cadele ele?”

CADENA, s. Nз falso. Forma de, Я distРncia, sem perigo, retirar o laуo que segura um animal bravio, com o auxьlio de outro laуo, preso Я argola do primeiro. // Entrelaуamento dos pares nas danуas do fandango e do pericon.

CADETE, s. Amigo do estancieiro e familiar da estРncia, que presta serviуos durante os rodeios.

CAFICHA, s. Bonita, vistosa, luxuosa.

CAFIFE, s. Bandeijinha ou pequeno cofre em que se recolhe o barato no jogo de cartas ou no de vьspora. // Por extensсo, o barato.

CAFUA, s. Cadeia. Prisсo para colegiais, quarto escuro.

CAFUNDМ, s. Lugar ermo e solitрrio, gruta.

CAFUN╔, s. Delicada pressсo que se faz na cabeуa de alguжm, dando estalinhos caracterьsticos com as unhas, para fazЖ-lo adormecer.

CAGAКO, s. Grande susto. Medo.

“Estсo se divertindo Я nossa custa. Porque o cagaуo (esta palavra nсo estр nos dicionрrios, vem de diarrжia emotiva, naturalmente), ж um fato! Estсo com toda a certeza rindo de nзs.” (Ramiro Frota Barcelos, EstРncia Assombrada, Livr. Porto Alegre Editora, 1947, p. 156).

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CAGARRETA, s. Homem baixo.

CAIAMBOLA, s. Escravo fugido que Яs vezes se acoitava em quilombos. O mesmo que canhembora, canhambora, canhambola, calhambora, quilom bola.

CA═BA, s. O mesmo que caьva.

CAICUE, adj. Diz-se do mate de erva velha, lavada.

CAIEIRA, s. Jazida de cal. O mesmo que calera.

CAIGU├, adj. Montaraz, silvestre, bravio.

CAINGANGUE, s. Indivьduo dos Caingangues, indьgenas dos quais ainda existem tribus no Rio Grande do Sul.

CAINHO, adj. Sovina.

CAIPORA, s. Caapora, curupira // Indivьduo azarado. // Azar, mр sorte, caiporismo.

CA═R DE COSTAS, expr. Ficar extremamente surpreendido com alguma notьcia.

CA═R DE PONTA CABEКA, expr. Cair de cabeуa para baixo.

CAIR N┴GUA, expr. Sair-se mal em qualquer empreendimento.

CAIR NA TIGUERA, expr. Fugir, ir-se embora, sair a vagabundear. O mesmo que cair no mato.

CAIR NA VIDA, expr. Prostituir-se.

CAIR NA VOLTEADA, expr. Vir o animal ao rodeio ou Я mangueira com os outros, embora nсo estivesse planejada a sua recolhida. Ser pegado por acaso. Ser enganado, ser pegado em falso.

CAIR NO JEITO, expr. Vir Я feiусo.

CAIR NO MATO, expr. O mesmo que cair na tiguera.

CA═VA, s. Mato ruim, carrasquento. Terra pobre de humus, de pouca fertilidade.

CAIXETA, s. Caixa de madeira, com tampa corrediуa, destinada a acondicionar marmelada, goiabada e outros doces, de consistЖncia pastosa, a esses assemelhados. // ┴rvore da famьlia das Urticрceas.

“C’um naco de marmelada, Que tirou de uma caixeta, Arranjou-lhe uma chupeta” ... (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978,p. 17).

CAJETILHA, s. Sujeito presumido, pelintra, janota, almofadinha, peralvilho, pilantra, peralta, casquilho, faceiro, canalha. Nome dado pelos habitantes da campanha aos rapazes da cidade, O J tem som aspirado, Я espanhola. (Vem de cajeta, peralta, peralviiho, na Argentina).

“Um cajetilha da cidade duma vez que a viu botou-lhe uns versos mui lindos” ... (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 13).

CALAGUALA, s. Planta da familia das Filьceas (Aspidium capense).

CALANDRA, s. Calhandra.

CALASSARIA, s. Bando de vagabundos, de preguiуosos, de vadios.

CALAVEIRA, s. e adj. Indivьduo velhaco, caloteiro, caborteiro, vagabundo, tonto, tratante. Var.: Calavera. (╔ espanholismo).

“Diante da casa a porteira, mas, a ramada no oitсo. Triste ж o fim do calaveira; a pж e de freio na mсo” (Hugo Ramьrez, in Cancioneiro de Trotas).

CALAVEIRADA, s. Procedimento do calaveira, velhacada, calote, tontice, vagabundagem. Var.: Calaverada.

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CALAVERA, s. O mesmo que calaveira.

CALAVERADA, s. O mesmo que calaveirada.

CALКADO, adj. Diz-se do animal de qualquer pЖlo que tenha os pжs brancos.

CALК├O, s. V. a expressсo estar de calусo.

CALКAR A PONTA, expr. Colocar-se um tropeiro Я frente da tropa em marcha, para obrigр-la a andar mais devagar.

CALКAR AS PUAS, expr. Calуar as esporas.

CALКAR NO TRINTA, expr. Fazer com que o inimigo se renda, apontando-lhe o revзlver.

CALCULAR, v. Imaginar, supor.

“Ninguжm calcula como a vida ж boa nas paragens cobertas de garoa do meu pago distante, que eu adoro.” (Zeno Cardoso Nunes, QuerЖncia).

CALDEAR, v. Tomar caldo. (Usado em Cima da Serra, conforme Romaguera CorrЖa. Atualmente, nсo se emprega esse verbo com tal sentido).

CALDEIR├O, s. Buraco grande na estrada ou no campo, aberto pelas chuvas ou pelas pisadas dos animais.

CALEADO, adj. Caiado, branco como a cal.

CALERA, s. Caieira.

CALHA, s. Conduto feito de madeira, de regular dimensсo, destinado a levar a рgua para irrigar as lavouras de arroz.

CALHANDRA, s. Pрssaro canoro muito admirado pelos gaЩchos. ╔ o rouxinol americano, segundo o naturalista Buffon.Vive nos campos, na proximidade das casas, mas nсo se adapta ao cativeiro. Gosta de bicar o charque nos varais. Tem canto prзprio e imita outros pрssaros.

“Salta, ao fogo, a Salamandra, o charqueador, quando hр embarque, inquietos como calhandra bicando em varal de charque”... (Hugo Ramьrez, in Cancioneiro de Trovas).

CALHORDA, s. Indivьduo desprezьvel.

CALIENTE, adj. Quente (Esp.).

CALIFМRNIA, s. Carreira de que participam mais de dois parelheiros. Penca. // Competiусo: Califзrnia da Canусo Nativa do RGS, festival de mЩsica rio-grandense, realizado anualmente em Uruguaiana, pelo Centro de tradiушes GaЩchas Sinuelo do Pago.

“Acabavam de correr uma califзrnia: levantara-a de pescoуo um potrilho pangarж” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910,p.

142).

CALIFМRNIA DO CHICO PEDRO, loc. s. Invasшes guerreiras levadas a efeito no territзrio do Uruguai, em 1849 e 1850, pelo Coronel Francisco Pedro de Abreu (mais tarde general e Barсo do Jacuь), pelo fato de haver o governo daquele paьs onerado com pesadьssimos impostos os campos dos brasileiros lр residentes. Durante essa peleja, na qual foi derrotado Chico Pedro, muitos abusos e extorsшes foram praticados.

CALOMBO, s. Raуa de gado bovino, outrora abundante no Rio Grande do Sul e hoje desaparecida, na qual os touros apresentavam pescoуo muito curto, com uma saliЖncia volumosa, ou calombo, semelhante a uma inchaусo, na

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parte anterior. Parece tratar-se de descendЖncia degenerada de gado zebu, cruzado com outras raуas Я revelia dos preceitos da zootecnia. / Protuberсncia, tumor, inchaуo.

CALOR, s. Coragem.

CALOTEADO, adj. Logrado, enganado, que nсo foi pago do que lhe era devido.

CALUNDU, s. Mau humor, aborrecimenЋ~ lo.

CALUNGA, s. Boneco articulado para entreter as crianуas. (li palavra de ori- gem africana).

CAMALOTE, s. Denominaусo dada a ilhas flutuantes formadas de рgua-pжs, que descem os rios. O mesmo que periantс na AmazЗnia.

CAMANGA, s. Negзcio escuso. // Amores clandestinos.

CAMARGO, s. Cafж forte com leite cru, quente da vaca, tirado na hora, na mesma vasilha em que se encontra o cafж. (╔ termo usado em Bom Jesus e adjacЖncias).

CAMBADA, s. Grupo de pessoas suspeitas, de alarifes, de desordeiros.

CAMBAIAR, v. Tornar cambaio.

CAMB├O, s. Pedaуo de pau furado nas duas extremidades, utilizado para unir duas ou mais juntas de bois, umas Яs outras, de modo que possam puxar ao mesmo tempo.

CAMBAR, v. Mudar de lugar a carga da embarcaусo. Cair para um lado.

CAMBARA, s. ┴rvore da famьlia das Compostas, que tem propriedades medicinais.

CAMBIAR, v. Trocar, permutar, transacionar. “Cambiei o burro por uma vaca de cria”. // Mudar de lugar.

CAMBICHO, s. Apego, paixсo, rabicho. Inclinaусo irresistьvel por uma mulher.

C┬MBIO, s. Troca, mudanуa. // Dinheiro miЩdo para troco.

CAMBISTA, s. Vendedor de bilhetes de loteria. Bilheteiro.

CAMBOAT┴, s. ┴rvore da flora rio-grandense que dр madeira excelente para lenha, por isso preferida para guarda-fogo ou trafugueiro. Var.: Camboatс.

CAMBOAT├, s. O mesmo que camboatр.

CAMBOIM, s. ┴rvore da famьlia das Mirtрceas de que hр diversas variedades no Rio Grande do Sul. V. a expressсo passar o camboim. Var.: cambuim.

CAMBONA, s. Chaleira rЩstica, constituьda de uma lata com alуa de arame, usada principalmente pelos carreteiros e tropeiros.

“Velha cambona crioula De destino andejo e vago Andarрs sempre no pago Em teu gauderiar eterno, Em tropeadas pelo inverno, Nas rondas ou num galpсo, Simbolizando um brasсo, Chamuscado pela glзria No fogo xucro da histзria Da gaЩcha formaусo.” (Ubirajara Raffo Constant, Xucro, P.A., p. 15).

“Por isso cambona antiga Quando te vejo ao baldrame Destranуada a alуa de arame Jр sem uso Я freguesia No entanto sem serventia Co’esta рgua enferrujada Te quero em manhс de geada Pra aquecer minh’alma fria.” (Tadeu Martins, Tarcas de EstРncia Antiga, P.A., Grрf. Mauр Ltda., p. 20).

“E enquanto chia a cambona

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coberta de picumс, emponchada no brilho da alvorada, boleia a perna dona madrugada para abrir a cancela da manhс...” (Aparьcio Silva Rillo, Cantigas do Tempo Velho, P.A., Globo, 1959, p. 44).

CAMBOTA, s. e adj. Diz-se de ou pessoa que tem as pernas tortas, em arco. // Cambalhota. // Camba de rodado.

CAMBOTADO, s. Peуa de madeira, por natureza curva, apropriada para cambotas de carreta.

CAMBUIM, s. O mesmo que camboim.

CAMBULHA, s. Molho de chaves. Porусo de coisas.

CAMBUQUIRA, s. Grelo de aboboreira. Guisado de grelos de aboboreira, que se come com carne assada.

CAMELADA, s. Grupo de camelos; os camelos.

CAMELO, s. Nome que os republicanos, na Revoluусo Rio-grandense de 1835, davam aos legalistas. O mesmo que galego, caramuru. // Relativamente Я derrota que os imperialistas sofreram no rio Inhanduь, onde para escapar tiveram que se lanуar Я рgua, existe a seguinte quadrinha popular:

A vinte e cinco de maio, No passo de Inhanduь, Camelo virou capincho Ninguжm me contou: eu vi.

CAMINHAMENTO, s. DistРncia que medeia entre duas estaушes, em levantamento topogrрfico.

CAMINHAR, v. ╔ norma entre os criadores, na venda de gado de cria, considerar os terneiros recжm-nascidos como inexistentes, isto ж, como se ainda estivessem no ventre da vaca. Quando, porжm, eles devem ser considerados no nЩmero de reses vendidas, o vendedor, entсo, declara que vende tudo o que caminha.

CAMOATIM, s. Vespa social da famьlia dos vespьdeos que fabrica um mel muito apreciado. A colmжia dessas vespas. V. a expressсo tirar camoatim sem poncho.

CAMONDONGO, s. Camundongo.

CAMORRA, s. Rixa, contenda, provocaусo, indireta, desafio. V. a expressсo comprar a camorra.

CAMOTE, s. Namoro, paixсo, predileусo de uma pessoa por outra, o namorado. (Vem do mexicano camotli, espжcie de batata, doce como o mel).

CAMPANHA, s. Zona de campo, apropriada Я criaусo de gado. Local distanciado da cidade; interior. // Parte baixa do Estado.

“A topografia do Rio Grande apresenta os seguintes traуos caracterьsticos principais. ╔ dentro do seu territзrio que o planalto brasileiro alcanуa o seu declive final para o sul. O grande muro alpino de rochas paleozзicas (granito, gnaisse, xistos arcaicos) da Serra do Mar ou Serra Geral, que desde a Bahia, ao norte, segue a costa brasileira, formando o gigantesco paredсo do planalto contra a beira-mar, ao entrar no Rio Grande, muda de direусo, recuando terra a dentro e acabando bruscamente na proximidade de Porto Alegre. O prзprio planalto termina igualmente por uma descida ьngreme que atravessa a maior parte do Rio Grande na direусo leste-oeste Я cerca de 29 graus latitude sul. Daь resulta a separaусo do Estado em duas metades, um planalto ao norte e uma baixada ao

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sul, atingindo para leste uma diferenуa de altitude de 500 metros que para o oeste diminui atж completo nivelamento. A primeira destas metades, como dizem os rio-grandenses, ж em Cima da Serra, e portanto um prolongamento dos Estados de Santa Catarina e Paranр (na жpoca em que foi escrito o notрvel livro, Paranр ainda se limitava com o R.G. do Sul), e forma um planalto desigual, ondulado de morros chatos e cortados por numerosos cursos d’рgua. A outra рrea, abaixo da serra, limitada ao norte pelo vale do Rio Jacuь ж geralmente denominada a Campanha, corresponde em todos os seus caracteres mais aos Estados limьtrofes a oeste e ao sul Corrientes, Entrerrios e Uruguai, e consiste em um terreno chato e aberto interrompido por alguns espigшes irregulares compridos e baixos denominados Coxilhas, ao redor dos quais o terreno retoma o seu carрter ondulado.” (C.A.M. Lindmann. A vegetaусo no Rio Grande do Sul).

“Vasto, verde estendal da campanha nativa, oficina ancestral das bravuras da raуa, onde, ao grito revel do gaЩcho que passa, tremula desdobrada uma flРmula altiva. Meiga terra de amor, de esperanуa e de graуa, dilatada extensсo que as energias aviva, predestinando Я luta a gente primitiva que um campo de batalha a seus destinos traуa. Meio ambiente fatal de que flui e dimana o forte coraусo da gente pampeana; e onde se constitui, de distРncia em distРncia, o clс das geraушes primeiras que plantaram, nos desertos do pampa, os esteios da EstРncia…” (Aurжlio Porto, A Campanha).

CAMPANHISTA, s. Guerrilheiro da campanha.

CAMPEADA, s. Ato de campear. Campeada.

CAMPEADOR, s. e ad). Pessoa que procura animal perdido no campo. Pessoa que procura qualquer coisa. O que campeia.

CAMPEAR, v. Procurar pelo campo. Buscar. Esquadrinhar. // Usa-se, tambжm, em sentido figurado.

“Daь por diante, quando qualquer cristсo perdia uma cousa, o que fosse, pela noite velha o Negrinho campeava e achava, mas sз entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar de sua madrinha, a Virgem Nossa Senhora, que o remiu e salvou e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguжm ver.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973,p. 185). “Largava o pensamento e andarengueava horas cansadas, campanhas afora, campeando, campeando o que nсo perdera.” (Cyro Martins, Paz nos Campos, P.A., Globo, 1957,p. 31).

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“Campeio tua presenуa Em todo este rincсo; Relinchando de saudades, Dando patadas no chсo. (Quadrinha popular).

“Enrolada no teu poncho da cor do resto das brasas, os meus olhos criam asas te campeando, sem descanso…” (Perpжtua Flores, Poemas, P.A., 1968, p. 44).

CAMPECHANO, adj. Pertencente ou relativo ao campo. Campeiro.

“Da querЖncia desgarrado, hoje embuуalo o passado em cantigas campechanas!” (R.C.N., Tropeiro de Saudades).

“Fez bem, o poeta Zeca Blau, ao fixar em seus poemas o nosso modo de falar campechano tсo pitoresco e rico e que ele maneja com a maestria de poucos.” (Morena Flores, Poncho e Pala, Almanaque do Correio do Povo, P.A., 1968,p. 252).

CAMPEIRAКO, s. e adj. Homem muito campeiro, profundo conhecedor da lida de campo.

CAMPEIRADA, s. Porусo de campeiros, peшes ou empregados de estРncia.

“De laуo e bolas nos tentos Pronta a lesta campeirada, Ejр nos pingos montada, Dividida em vрrios grupos, Segue rumo diferente, └s ordens do capataz.” (Taveira JЩnior, Provincianas).

CAMPEIRAGEM, s. O ato de executar serviуos de campo. Ato de campeirar. // Conjunto de campeiros. // Var.: camperagem.

“└ atorada da campeiragem respondia, atordoante, como um grande coro selvрtico, o ladrar bravio dos cсes, acuando de perto a novilha” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910,p. 114).

CAMPEIREAR, v. Trabalhar com o gado, no campo.

CAMPEIRO, s. e adj. Pessoa que executa com habilidade os serviуos de campo, que monta bem, que vive e trabalha no campo, que entende de tudo o que se relaciona com a criaусo de gado. // Aplica-se tambжm aos objetos de uso no campo ou apropriados para trabalhos de campo: freio campeiro, botas campeiras, chapжu campeiro, aos animais do campo: veado campeiro. O campeiro do Sul equivale ao vaqueiro do Norte.

“E o bravo campeiro No potro bizarro, Folheiro se ostenta Fumando o cigarro.” (Taveira JЩnior, Provincianas).

CAMPERAКO, s. O mesmo que campeiraуo.

“Era um homem de respeito, Trabalhador, camperaуo; (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 37).

CAMPERAGEM, s. O mesmo que campeiragem.

CAMPEREADA, s. Excursсo pelo campo para verificar a situaусo do gado, ou para recolher determinadas reses. Ato de camperear. O mesmo que campear.

CAMPEREAR, v. Percorrer o campo verificando as condiушes do gado, ou procurando alguma rЖs. Campear.

CAMPEREIO, s. Ato de camperear.

CAMPESTRE, s. Pedaуo de campo cercado de mato. Clareira gramada.

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“Desembocou num campestre, de gramado fofo, que tinha um cheiro doce que ele nсo conhecia.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 163).

CAMPO, s. Nome dado Яs extensas pastagens, apropriadas Я criaусo de gado, existentes no Rio Grande do Sul. Campina. (V. as expressшes abrir campo fora, cortar campo, estar o no campo fora, largar campo fora, queimar campo, sair campo fora, etc.).

“Corre, triste, o trem pela estrada. Para trрs tudo ao longe vai ficando: verdes campos bordados de saudade, velhas matas e pрssaros cantando.” (Carmem Vianna, Vento Verde, P.A., Centro de Poesia e Artes do R.G.S., 1965, p. 65).

CAMPO ARTIFICIAL, s. Campo cuja pastagem foi plantada pelo homem.

CAMPO COBERTO, s. O mesmo que campo sujo.

CAMPO DA NOSSA SENHORA, s. Campo cujo proprietрrio ж desleixado, no qual os animais alheios pastam livremente como se estivessem em logradouro pЩblico.

CAMPO DE AREIA, s. Campo em que o solo ж de areia, nсo produzindo boa pastagem.

CAMPO DE LEI, s. Campo de Мtima qualidade.

CAMPO DOBRADO, s. Campo com altos e baixos, com coxilhas e planьcies, como sсo, em geral, os campos de Cima da Serra.

CAMPO FINO, s. Campo de boa pastagem.

CAMPO FORA, expr. V. sair campo fora.

CAMPO FROUXO, s. Campo de fraca lotaусo, que comporta pouco gado, que nсo dр bom engorde.

CAMPO GROSSO, s. Campo de macega рspera e dura.

CAMPO LIMPO, s. Campo sem vassouras ou outros inуos.

CAMPO NATIVO, s. Campo primitivo, que nсo foi plantado. O mesmo que campo natural.

CAMPO NATURAL, s. O mesmo que campo nativo.

CAMPOS NEUTRAIS, s. Faixa de campos do litoral, entre a Lagoa Mirim e o mar, desde o Taim atж o Arroio Chuь, compreendendo parte do municьpio de Rio Grande e todo o de Santa Vitзria do Palmar. Essa рrea, em vista de tratado entre a Espanha e Portugal, era considerada neutra, nсo havendo sobre ela nenhuma soberania.

CAMPO PARELHO, s. Campo plano, sem ondulaушes muito sensiveis.

CAMPO SUJO, s. Campo inуado de vassouras e de outros vegetais de pequeno porte, alжm da macega. O mesmo que campo coberto.

CAMUNHENGUE, adj. Leproso.

CANA, s. Cachaуa, aguardente de cana-de-aуЩcar. O mesmo que caыa.

CAЛA, s. O mesmo que cana.

CANA DE R╔DEA. s. Tira de guasca de cada uma das rжdeas. As canas das rжdeas podem ser trabalhadas, tranуadas ou torcidas. Podem ser feitas, tambжm, de sedenho ou de outro material.

CANALETA, s. Pequeno canal ou rego em que corre рgua.

CANARINHO, s. Espжcie de canрrio, procedente, segundo parece, da Ilha da Madeira.

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CANCHA, s. Lugar plano, com vрrias quadras de comprimento por algumas braуas de largura, com duas trilhas, preparado especialmente para corridas de cavalos; lugar apropriado para jogar a pжla; lugar apropriado ao jogo da tava ou jogo do osso. // Lugar em que se depositam os tijolos antes da queima. / Lugar onde se bate a erva-mate antes de mandр-la para o moinho. // Nas charqueadas, lugar onde a rЖs ж morta e esfolada. / Paradeiro habitual de animal ou de pessoa; lugar em que a pessoa ou animal se sente bem, se sente forte, se sente Я vontade. / Campo de futebol. // V. a expressсo “abrir cancha.” (╔ vocрbulo quьchua).

CANCHAL┴GUA, s. Planta da famьlia das Iridрceas, Sisyrinchium vaginatom, utilizada em infusсo para tratamento dos rins e da bexiga. (Para Cezimbra Jacques, o nome desta grama medicinal vem da lьngua Charrua).

CANCHEAК├O, s. Ato de bater a erva-mate, depois de crestada, atж quase reduzi-la a pз.

CANCHEADO, adj. Diz-se do mate picado em pedacinhos muito pequenos.

CANCHEADOR, s. Instrumento usado para canchear o mate. // Pessoa que cancheia a erva-mate.

CANCHEAR, v. Triturar, moer, bater as folhas de erva-mate, depois de secas no carijo, reduzindo-as a pedacinhos muito pequenos. Para esse trabalho usa-se um facсo de pau.

CANCHEIRO, adj. Diz-se do cavalo jр habituado a correr nas canchas, treinado, adestrado para correr em canchas. // Por extensсo, aplica-se ao indivьduo que tem prрtica de determinado trabalho; que executa, com desembaraуo e habilidade, determinadas tarefas. // s. Empregado encarregado de cuidar das canchas.

CANCOROSA, s. Erva medicinal (Yodina rhombifolia), usada interna e externamente para o tratamento de feridas em geral.

CANDEEIRO, s. Carreiro. Homem que, de aguilhada ao ombro, segue adiante do carro de bois, como que ensinando-lhes o caminho. // Candieiro.

CANDIEIRO, s. Pequena lРmpada de folha, para alumiar, afunilada, abastecida com querosene ou зleo vegetal, antigamente muito usada na campanha. Candeeiro. Lamparina. // Os tradicionalistas rio-grandenses consideram esse pequeno utensьlio um sьmbolo de gauchismo, e, nas festas cьvicas em que se comemora a revoluусo farroupilha, na Semana Crioula, ж o candieimo utilizado como pira votiva que permanece acesa, no galpсo ou na praуa pЩblica, durante o tempo de realizaусo das solenidades. Nome de uma variedade de bailes campestres a que geralmente chamam fandango.

CANDIERO, s. O mesmo que candieiro.

CANDIL, s. Denominaусo, pouco usada, de candieiro.

CANDINHA, s. O povo em geral, a populaусo, a gente, indeterminadamente. Usa-se somente na expressсo filhos da Candinha.

CANDOMBE, s. Candomblж, danуa africana.

CANDONGA, s. Aусo do candongueiro.

CANDONGUEAR, v. Fugir o cavalo com a cabeуa quando se quer enfrenр-lo, pЗr-lhe o buуal, tosр-lo. // Aplica-se Яs pessoas, no sentido de tornar-se mesquinho, manhoso, arteiro, esquivo, inquieto, impaciente, questionador por

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coisas sem importРncia.

CANDONGUEIRO, adj. Aplica-se ao animal manhoso que foge com a cabeуa quando se quer por-lhe o freio, o buуal, ou tosр-lo. // Diz-se do indivьduo mesquinho, manhoso, arteiro, esquivo, inquieto, impaciente, que questiona por coisas sem importРncia.

“A Tudinha era a chinoca mais candongueira que havia por aqueles pagos.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973,p. 13).

CANELA, s ┴rvore abundante no Rio Grande do Sul e da qual existem muitas variedades.

CANELUDO, adj. Diz-se do indivьduo ou do animal que tem as canelas muito compridas ou grossas.

CANGA, s. Peуa de madeira em que se colocam os bois para puxar a carreta ou para fazer andar o engenho.

“O sol vai se levantando na coxilha do rodeio, atж parece um boi manso, redondo, bem amarelo, puxando a canga, sozinho, do dia que vem chegando.” (Laci Osзrio, Legendas, P.A., Cadernos Horizonte, 1953,p. 16).

CANGALHA, s. Peуa de trЖs paus, unidos em triРngulo, que se coloca no pescoуo dos porcos e de outros animais, para que nсo possam atravessar as cercas que protegem as рreas cultivadas. Peуa do arreamento do animal de carga, constante de uma armaусo de madeira acolchoada internamente com bastos feitos de uma palha denominada tiririca.

CANGAR, v. Colocar os bois na canga.

CANGAR-SE, v. Casar, constituir familia.

CANGERANA, s. ┴rvore de porte elevado apropriada para a feitura de dormentes, postes e vigas (Cabralia cangerana).

CANGOTE, s. Deturpaусo de cogote. Nuca, pescoуo, congote, cachaуo. V. a expressсo estar de cangote duro ou estar de cangote grosso.

CANGOTILHO, s. Cogotilho. Touso que se faz nas crinas do animal acompanhando a curvatura do pescoуo. Quando o touso vai sз atж a metade do pescoуo se denomina meio-cangotilho.

CANGOTUDO, adj. Que tem o cangote grosso. Cogotudo.

CANGUARA, s. Cachaуa, aguardente, canha, cana.

CANGURRAL, s. Vegetaусo arbustiva, nociva Яs pastagens.

CANHA, s. Cachaуa, aguardente, canguara, cana.

CANHADA, s. Vale, baixada entre coxilhas ou serras.

“...e desapareceu na canhada, onde os olhos de Belinha o perderam de vista.” (E. Contreiras Rodrigues, Amores do Capitсo Paulo Centeno, P.A., Globo, 1937, p. 81).

CANHAD├O, s. Canhada grande, funda, extensa. V. a expressсo atirar-se, ir, despenhar-se, por um canhaусo abaixo.

CANHAMBORA, s. Escravo fugitivo.

CANHONAуO, s. Fato ou notьcia de grande repercussсo.

CANHOTO, s. Peуa de madeira ou de ferro que, nos engenhos de serrar madeira, adaptada ao mancal de uma polia, transmite o movimento desta, transformando-o em movimento de ascensсo

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da serra.

CANINANA, s. Nome dado a uma das maiores cobras do Rio Grande do Sul. Nсo ж venenosa. ╔ conhecida tambжm por papa-pinto ou parelheira.

CANINHA, s. Aguardente de cana-de-aуЩcar, cachaуa, canha, cana, canguara, etc.

CANJICA, s. Espжcie de sopa de milho descascado e quebrado que se come geralmente com leite e aуЩcar ou rapadura. ╔ usada, tambжm, como comida de sal, cozida com charque.

CANJICAS, s. Os dentes. V. as expressшes estar com as canjicas de fora e mostrar as canjicas.

CANS├O, adj. Diz-se do cavalo que cansa com facilidade.

CANTAGALO, adj. Diz-se de certa maneira de atar a cola do cavalo.

CANTAR A BUENA DICHA, expr. Descompor, dizer as verdades. O mesmo que cantar a tirana.

CANTAR A TIRANA, expr. O mesmo que cantar a buena dicha.

CANTAR DE GALINHA, expr. Diz-se do galo de briga, quando ж vencido e se comporta como galinha.

CANTAREM OS FERROS, expr. Tinirem as armas brancas no combate, na briga.

“Quando eu cheguei na bodega, tinha acabado a refrega, nсo cantavam mais os ferro. Contando tudo por junto havia quatro defunto: dois home, um gato e um perro.” (ZCN).

CANTAR O FAC├O, expr. Entrar em usou facсo, na briga.

CANTINA, s. Estabelecimento vinьcola.

CANTO CHORADO, s. V. a expr. trazer de canto chorado.

CANTORINA, s. Cantiga, cantilena.

CANXEAК├O, s. O mesmo que cancheaусo.

CANZ┴, s. Instrumento musical que consiste em uma taquara na qual se praticam regos transversais e que se faz soar passando por eles uma varinha do mesmo material. ╔ usado pelas crianуas e serve tambжm para tocar nos batuques.

CANZIL, s. Cada um dos dois paus existentes em cada ponta da canga, entre os quais ж colocado o pescoуo do boi. O canzil ж feito de madeira resistente e muitas vezes ж utilizado tambжm como arma.

CANZURRAL, s. Mato composto de pequenos arbustos, prejudicial ao desenvolvimento das pastagens.

CAOLHO, adj. Zarolho, vesgo, torto de um olho.

CAPA, s. Capadura, capaусo, castraусo. V. touro de capa. // Parte da sela que protege as pernas do cavaleiro do contato com o cavalo.

“... quando, para as marcaушes e a capa de touros, paravam o rodeio do fundo, fronteiro ao Posto.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello&Irmсo, 1910,p.33).

CAPAК├O, s. Capa. Capadura. Castraусo. Ato de castrar os animais. ╔poca em que se procede a essa operaусo.

CAPADETE, s. Porco castrado, ainda nсo cevado.

CAPADO, s. Porco castrado. Carneiro ou bode castrado.

CAPADURA, s. Cicatriz proveniente da capaусo. // Capa, capaусo, castraусo. // A regiсo escrotal do animal. // V. a expressсo estar de capadura ou estar de

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capadura caьda.

CAPANGA, s. Indivьduo valente e devotado a uma pessoa importante, em geral fazendeiro ou polьtico, que o toma a seu serviуo para guarda-costas ou para enfrentar inimigos quando necessрrio.

CAPANGADA, s. Conjunto de capangas.

CAP├O, s. e adj. Diz-se de ou o animal capado. // Indivьduo fraco, covarde, vil, pusilРnime. // Pequeno mato isolado no meio do campo. (Etim.: Do guarani coei, mato, bosque, e paЩ, ilha, ou seja, ilha de mato).

CAPAR DE MACETE, expr. Castrar sem extrair os testьculos, desligando-os com uma pancada de macete na parte superior do escroto.

CAPAR DE VOLTA, expr. Castrar por inversсo dos testьculos. // Inutilizar os planos de alguжm.

CAPAR NA MARCA, expr. Castrar o animal na ocasiсo em que ж ele marcado. O sistema de capar na marca tem adeptos e opositores, pois alguns criadores acham que sendo o animal muito novo na ocasiсo da marcaусo seu desenvolvimento pode ser prejudicado pela falta dos testьculos.

CAPATAZ, s. Administrador de uma estРncia ou de uma charqueada ou ainda o responsрvel pela conduусo de uma tropa. Pessoa que, nas lides pastoris, ж incumbida de chefiar o pessoal. V. a expr. talho de capataz.

“E ele, Prudжncio, era capataz. Capataz, veja bem. Acima dele sз o Patrсo mesmo. Tinha que lidar com os ьndios brutos, xucros, muitas vezes bandidos, gente que matava um dando uma risada. Capataz de estРncia grande ж a pior vida do mundo. E o primeiro que se levanta – para dar as ordens – e o Щltimo que se deita – para ver se foram cumpridas. Trabalha como qualquer peсo e ainda tem que cuidar do trabalho dos outros. E se alguma coisa sai errada – ш Capataz relaxado!” (AntЗnio Augusto Fagundes, Destino de Tal, p. 70).

“ecoava, sonorosa, a gargalhada gostosa do capataz Odorico!” (R.C.N., Caуada em Mato Grosso).

CAPATAZAR, v. O mesmo que capatazear.

CAPATAZEAК├O, s. Ato de capatazear.

CAPATAZEAR, v. Exercer as funушes de capataz. Var.: Capatazar.

CAPELISTA, s. Habitante de capela ou povoaусo. Designaусo antiga dos moradores de Viamсo, no Rio Grande do Sul.

CAPELOA, s. Mulher que puxa o terуo no cemitжrio. (Voc. registrado por Arthur Ferreira Filho, in Narrativas de Terra e Sangue, P.A., Ed. A Naусo, 1974,p. 115).

CAPENGA, s. e adj. Indivьduo que tem uma das pernas mais curta. Coxo, manco.

CAPENGAR, v. O mesmo que capenguear.

CAPENGUEAR, v. Coxear, mancar. Var.: Capengar.

CAPETAGE, s. Requebro, momice, negaуo.

CAPIM, s. Nome comum Яs diversas espжcies de gramas e ervas rasteiras existentes nos campos de criaусo.

CAPINA, s. Mondadura, limpeza feita com a enxada nas plantaушes. O mesmo que capinaусo. // Repreensсo, admoestaусo, censura.

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CAPINAК├O, s. O mesmo que capina, no sentido de limpeza feita com enxada.

CAPINADEIRA, s. Mрquina agrьcola destinada Я capina das plantaушes. Carpideira.

CAPINADOR, s. Pessoa que capina. Mondador, carpidor.

CAPINAR, v. Limpar o terreno ou a lavoura, com a enxada ou com a capinadeira, segando as ervas mрs que se pretende destruir.

CAPINCHO, s. O macho da capivara. Filhote de capivara.

CAPITANIA DEL REI, s. Antiga denominaусo do Estado do Rio Grande do Sul.

CAPITANIA DE S├O PEDRO, s. Antiga denominaусo do Estado do Rio Grande do Sul.

CAPIT├O-DO-MATO, s. Autoridade incumbida de prender os pretos cativos que fugiam, no tempo da escravatura.

CAPIXUIM, s. Palavra da gьria militar antiga, significando repreensсo, descompostura.

CAPOEIRA, s. Local em que existiu uma roуa, e que, abandonado, se cobriu de vegetaусo arbustьfera. // Tiguera ou tigЧera. // Gaiola usada para o transporte de aves.

CAPOEIR├O, s. Aumentativo de capoeira. Capoeira em que os arbustos jр adquiriram grande desenvolvimento.

CAPONADA, s. Conjunto de capшes (mato). Conjunto de capшes (animais castrados: carneiros, cabritos, porcos, aves; nсo se aplica em relaусo aos vacuns, eqЧinos e muares).

CAPONETE, s. Pequeno capсo, matinho.

“Quando Piedra Sola apareceu, deixado por morto a um clarear do dia, sangrando e mutilado Я beira de um caponete, houve muita indignaусo para o bрrbaro crime…” (Aureliano, Memзrias do Coronel Falcсo, P.A., Ed. Movimento, 1974, p. 198).

CAPOROROCA, s. Ave branca, semelhante ao cisne,da famьlia dos Anatideos, que habita o Rio Grande do Sul. // ┴rvore cuja madeira ж de pouco valor.

C┴QUI, s. Fruto do caquizeiro. (A palavra, no Rio Grande do Sul, ж paroxьtona, sendo oxьtona nos demais Estados).

CAQUIZEIRO, s. ┴rvore frutьfera, de origem japonesa, que produz o cрqui.

CAR┴, s. Nome de uma das variedades de bailes campestres.

CARACA, s. Rugas que aparecem na base dos chifres dos vacuns que vсo envelhecendo.

CAR┴-CAR┴, s. Carancho, ave de rapina. (╔ vocрbulo guarani).

CARACAX┴, s. Chocalho, espжcie de reco-reco, com que se entretжm as crianуas.

CARACO, interj. Exprime surpresa, admiraусo. (Do esp. carajo).

CARACU, s. Designaусo dada ao osso da rЖs que contжm o tutano. // Em sentido figurado, resistЖncia, coragem. // Raуa crioula de gado bovino, de pЖlo curto e liso.

CARA DE TERNEIRO MAM├O, expr. Diz-se da pessoa de boca mole, com cara de boba.

CARAF┴, s. CriciЩma.

“A forma carafр ж exclusiva das missшes, no Rio Grande do Sul.” (Mozart Pereira Soares, Erva Can-

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cheada, P.A., Ediушes QuerЖncia, 1963,p. 126).

CARAGUAT┴, s. Gravatр. Planta filamentosa muito comum em todo o Rio Grande do Sul.

CARAGUATAL, s. O mesmo que caraguatazal.

CARAGUATAZAL, s. touceira de caraguatрs. Area coberta de caraguatрs. O mesmo que caraguatal.

CARAJA, s. Espжcie de taquara cuja rama se conserva sempre verde. O j desta palavra se pronuncia Я espanhola, com som gutural. // Bugio.

CARAJAZAL, s. Area coberta de carajрs.

CARAJO, intetj. Exprime admiraусo. Oj ж gutural. Tem o mesmo sentido de caramba.

CARAMBA, interj. Serve para exprimir espanto, entusiasmo, admiraусo: “Caramba! Que mulher bonita!” Tem o mesmo sentido de carajo!, barbaridade!, puxa!.

CARAMINGU┴S, s. Arreios velhos, muito ordinрrios, quase sem prжstimo. // Cacarecos, badulaques, coisas de pouco valor. // Dinheiro miЩdo e escasso.

CARAMURU, s. e adj. Denominaусo que os republicanos de 1835 davam aos legalistas. O mesmo que camelo e galego.

“Hр muito lombilho novo Carona de couro cru, Pois jр vai chegando o tempo De encilhar caramuru” (Apollinрrio Porto Alegre, Can cioneiro da Revoluусo de 1835, P.A., Globo, 1935, p. 68).

CARANCHEAR, v. Ir a festas e divertimentos sem ter sido convidado. // Tirar e comer pequenos pedaуos de churrasco que estр sendo assado. Trabalhar, em oficinas tipogrрficas, em muito serviуo, sem ser empregado efetivo.

CARANCHO s. O mesmo que carр-carр, ave de rapina muito comum nos campos do Rio Grande do Sul. // Pessoa que vai a festas e divertimentos sem ter sido convidada. // Indivьduo que entra de graуa em baile onde ж obrigatзrio o pagamento de ingresso. // Jogador excedente, em roda de jogo de nЩmero de parceiros limitado, que fica aguardando oportunidade de substituir algum dos jogadores em possьveis impedimentos.

“Siriri ж passarinho que peleia com carancho, por isso quando me prancho a te lembrar fachudaуa! – sinto inveja da fumaуa da chaminж de teu rancho!” (Lauro Rodrigues, A Canусo das Aguas Prisioneiras, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 85).

“Aos poucos foi o Chimango Se perpassando a carancho,” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Editor, 1978, p. 46).

“E os poderosos desses mundos, рvidas garras de caranchos, prontos ao golpe Я inerme presa, fecham os olhos Я tristeza que ronda as horas desses ranchos.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 83).

CARA-NEGRA, s. e adj. Ovino de cara preta.

CARANGUEJO, s. Danуa antiga no Rio Grande do Sul, provavelmente de origem aуoriana. Ainda se canta, no Estado, alguns de seus versos:

“Caranguejo nсo ж peixe,

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Caranguejo peixe ж, Caranguejo sз ж peixe. Na enchente da marж.”

CAR├O, s. Admoestaусo, repreensсo, censura. // Negativa de um pedido de casamento ou de um convite para danуar. / V. as expressшes dar carсo e levar carсo.

CARA┌NO, adj. Diz-se do boi preto muito retinto.

CARA-VOLTA, s. Volta instantРnea para trрs, meia volta. Menусo de voltar, de tornar para trрs. / Partido que um dos carreiristas dр ao outro e que consiste em ficar o seu cavalo voltado em direусo contrрria Я do laуo de chegada, por ocasiсo da saьda.

“No mesmo instante deu cara-volta no pingo, esporeou-o de leve, e a galopito retornou para o Posto de seus cuidados.” (Luiz Carlos Barbosa Lessa, O Boi das Aspas de Ouro, P.A., Globo, 1958, p. 26).

CARA-VOLTA E LUZ, expr. Vantagem que se dр, em carreira de cavalos, e que consiste em ficar o parelheiro que dр a vantagem voltado para trрs, no partidor, e, ainda, para ganhar a corrida, ser obrigado a fazer luz.

CARCHEADA, s. Pilhagem, carcheio.

CARCHEADOR, s. Ladrсo de gado, pessoa que pratica carcheio, que furta, que rouba.

CARCHEAR, v. Roubar, furtar, despojar, apoderar-se indevidamente de animais e coisas alheias, por ocasiсo das revoluушes, pretextando necessidades militares.

“E, agora, voltando, traz tarequeiras que ж um espanto. Peleou e venceu… ╔ o que eu digo: Como era rico o inimigo! se o vencedor carcheou tanto…” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 198l.p. 126.

CARCHEIO, s. Ato de carchear. Furto, roubo, praticado quase sempre nos tempos de revoluусo. Ato de despojar os vencidos ou mortos dos valores que tinham em seu poder. Qualquer modo sumрrio, como por exemplo o jogo, de apoderar-se dos bens alheios.

“E gritarсo que ж um carcheio, Que ж lingЧiуa, que ж mau jogo!” (Zeca Blau, Trovas da EstРncia do Abandono, P.A., Grafipel, p. 76).

“E atravжs da campanha invadida e deserta, a vinganуa e o carcheio eram o rasto dos bandos sanguissedentos…” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 98).

CARDO-SANTO, s. Planta medicinal, da famьlia das Papaverрceas. (Argemone mexicana).

CAREAR, v. Por os galos de rinha cara a cara, quando jр se encontram exaustos, para que continuem a briga.

CAREIO, s. Ato de carear.

CAREPA, s. Caspa, erupусo cutРnea. V. a expressсo levado da carepa.

CARGOSEAR, v. Discutir com teimosia e jactРncia. Teimar. // Contar proezas fantрsticas. / Importunar, perseguir, blasonar, cacetear, prosear, insistir, implicar com alguжm, fazer corte insistente a alguжm. // O mesmo que gargosecar.

CARGOSO, adj. Teimoso, importuno, impertinente, renitente, opiniрtico, blasonador. O mesmo que gargoso.

“E atж um garnizж cargoso vai rebolando orgulhoso

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o soveuzito feioso feito de couro com pЖlo.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 17).

CARGUEIREAR, v. Trabalhar com animais cargueiros. Transportar carga em animais cargueiros. Meter coisas em cargueiro. “Comeуou-se a cargueirear de tudo: panos, рguas de cheiro, armas, minigРncias, remжdios, o diabo a quatro…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos).

CARGUEIRO, s. Animal utilizado para conduzir cargas, em geral muar. // Pessoa que monta mal, que nсo sabe andar a cavalo.

CARGUINCHO, s. e adj. Carquincho. Magro, seco, enrugado, encarquilhado.

CARIBOCA, s. Mestiуo de sangue ьndio e europeu.

CARIJADA, s. Carga de erva-mate comportada pelo carijo para o trabalho de secagem.

CARIJO, s. Denominaусo dada a um jirau de varas destinado Я secagem da erva-mate.

CARIJМ, adj. Diz-se da ave pedrez.

CARIMBOTO, s. Alcunha depreciativa que os farrapos davam aos legalistas, O mesmo que absolutista, camelo, caramuru, corcunda, galego, restaurador.

CARNADURA, s. V. as expressшes boa carnadura e mр carnadura.

CARNAL, s. Lado do couro que estр pegado Я carne do animal.

CARNEAК├O, s. Ato de carnear.

“Era dia de carneaусo, para os agregados do Posto” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910,p. 109).

CARNEADEIRA, s. Faca especial para carnear.

CARNEADOR, s. Indivьduo encarregado de carnear. Magarefe. Carniceiro. Empregado de charqueada incumbido de desmanchar a rЖs abatida.

CARNEAR, v. Matar, esfolar e esquartejar a rЖs destinada a consumo imediato ou ao preparo de charque.

CARNEIRA, s. Ovelha. (Desus.).

CARNIКA, s. RЖs morta, em estado de putrefaусo, abandonada no campo. // Animal morto. // Lugar onde se carneou e onde ficaram o sangue e outros restos da rЖs abatida.

“De uma velha carniуa abu-se um corvo demandando uma pousada.” (Edmar Pery Mendes de Castro, Antologia da EstРncia da Poesia Crioula, P.A., Sulina, 1970, p. 105).

“Eram gaviшes, corvos e caranchos. Certamente rondavam uma carniуa, e a carniуa era ele.” (Cyro Martins, Paz nos Campos, P.A., Globo, 1957, p. 238).

CARNUDO, adj. Diz-se do animal em estado mжdio, que nсo estр gordo nem magro.

CARONA, s. Peуa dos arreios, constituьda de uma sola ou couro, de forma retangular, geralmente composta de duas partes iguais cosidas entre si, em um dos lados, a qual ж colocada por cima do baixeiro ou xergсo, e por baixo do bombilho, e cujas abas sсo mais compridas que as deste. // Carne magra e dura. // Conduусo obtida gratuitamente. // V. as expressшes andar pelas caronas, levar carona, mundo e carona, nсo agЧentar carona ou nсo agЧentar carona dura, tomar carona e comer carona.

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“Todos bзiam satisfeitos; Tiram logo umas milongas, Rudes, broncas de seus peitos; Puxam causos, falas longas; Depois deitam, sob a quincha, Nas caronas, sem delongas, E ali mesmo o sono os cincha.” (Padre Pedro Luьs, O GЖnio do Pampa, Santa Maria, Ed. Palotti, 1955,p. 108).

“E exemplarmente solidрrio com o meu desconforto, ajeitou-se numa carona, e comeуou a chupar, com excessivo prazer, um chimarrсo proletрrio.” (Aureliano, Memзrias do Coronel Falcсo, P.A., Ed. Movimento, 1974,p. 204).

CARONA-BAIXEIRA, s. Segunda carona, em geral de couro cru, que alguns campeiros usam sob a primeira.

CARONAКO, s. Pancada, golpe com a carona.

CARONEADO, adj. Ludibriado, cansado, estafado.

CARONEAR, v. Bater no animal com uma carona. // Dar ao animal trabalho excessivo. // Enganar, ludibriar, preterir.

CARPA, s. Barraca, tenda de campanha, lugar onde se joga.

“Dentro de uma carpa foi assassinado pelo prзprio filho por questшes de jogo.” (Darcy Azambuja, No Galpсo, p. 137).

CARPETA, s. Jogo, jogatina; casa onde se joga; a mesa de jogo; pano que cobre a mesa de jogo.

CARPETEADOR, s. e adj. O mesmo que carpeteiro e carpetista.

CARPETEAR, v. FreqЧentar carpetas, jogar.

CARPETEIRO, s. e adj. Jogador, o que tem o vьcio de jogar. O mesmo que carpeteador e capetista.

CARPETISTA, s. e adj. O mesmo que carpeteador e carpeteiro.

CARPIК├O, s. Capina.

CARPIDEIRA, s. Mрquina agrьcola destinada Я capina das plantaушes. Capinadeira.

CARPIDO, s. Cancha de carreira.

CARPIDOR, s. e adj. Pessoa que pratica a carpiусo.

CARPIM, s. Meia de homem. Meias curtas para homens e para crianуas. (Usa-se em geral no plural).

CARPINTEIRO-DA-COSTA, s. Minuano.

CARPINTEIRO-DA-PRAIA, s. Vento do sudoeste, sempre acompanhado de chuva. Minuano sujo, pampeiro.

“Sabe a lua que ж pra peixe o vento se ж carpinteiro, sabe mil causos que ouviu do pescador, seu parceiro. Sз nсo sabe ser crianуa porque foi velho primeiro.” (Gilberto Carvalho, Negro da Gaita, Prodeco Ltda., P.A., 1981, p. 35).

CARPIR, v. Capinar, limpar as hortas e lavouras, trabalhar com a enxada. (Com o significado de lamentar-se, este verbo ж pouco usado no Rio Grande do Sul).

CARQUEJA, s. Planta medicinal da famьlia das Compostas.

CARQUINCHO, adj. Magro, enrugado, encarquilhado, seco. O mesmo que corquincho.

CARQUINHA, adj. Diz-se do velho ou velha encarquilhados.

CARRABOIКAL, s. O mesmo que carrabouуal.

CARRABOUКAL, s. Ladeira penhascosa.

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Var.: corraboiуal.

CARRADA, s. Carga completa de um carro ou de uma carreta. V. a expressсo ter carradas de razсo.

CARRAMANCH├O, s. Caramanchсo.

CARRAPATAL, s. Campo em que abundam os carrapatos.

CARRAPATAR-SE, v. Agarrar-se com toda a forуa.

CARRAPATEADO, adj. Diz-se do bovino que estр imune de carrapato.

CARRAPATEAR, v. Proteger o animal dos carrapatos por meio de carrapaticidas.

CARRAPICHO, s. Erva daninha dos campos cujos frutos munidos de acЩleos se apegam Я lс das ovelhas e ao pЖlo e Я crina dos animais.

CARRAPICHO-RASTEIRO, s. Planta empregada contra a blenorragia.

CARRASQUENTO, adj. Diz-se do mato espinhoso, enfezado, de vegetaусo sem valor.

CARREGAК├O, s. Utilizado na expressсo de carregaусo, que significa de qualidade inferior.

CARREIRA, s. Corrida de cavalos, em cancha reta. Quando participam da carreira mais de dois parelheiros, esta toma o nome de penca ou califзrnia. // Carreiramento, carreirada.

“- Eu sз gosto de carreira em cancha reta. Muito mais divertido. Ele se recorda bem e, depois, o Horрcio e o Clementino falam muito nessas carreiras. Sempre saem brigas. O Horрcio conheceu um sujeito muito esperto, que armava botequim numa barraca ao lado da cancha. A barraca, bebidas, copos iam numa carroуa, puxada por um cavalinho de pЖlo pelado aqui e ali. Depois das corridas principais, atam-se carreiras menores. O sujeito sempre achava quem quisesse correr com o seu matungo de pЖlo pelado. Quantas corresse, quantas ganhava: o espertalhсo disfarуara em matungo puxador de carroуa um parelheiro…” (Dyonжlio Machado, Os Ratos).

“Deu-se, afinal, a largada E os pingos na disparada Levantaram muita poeira – Em quadra e meia o tordilho, Correndo firme no trilho, Jр resolveu a carreira.” (Jacyr Menegazzi, Carreira).

CARREIRADA, s. Carreira, carteiramento. // Reuniсo para a realizaусo de carreiras.

“Carreirada Fui a uma carreirada Lр na raia do Feitiуo Ia se bater um cuera Com meu potrilho mestiуo.

Caramba barbaridade Me bateu o coraусo Botei a mсo no relзgio Jр eram horas pois nсo.

Quando eu cheguei na raia Avistei meu contendor Puxando seu parelheiro Pra o lugar do partidor.

Os cavalinhos partiram Co a ligeireza do raio Gritei mais cinqЧenta facho Na luz do potrilho baio.

Escute meu companheiro Eu lhes digo como foi No varр da quadra e meia Era luz de contр boi.

Gritaram que nсo pagavam Que tinha sido lingЧiуa

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Num desrespeito ao juiz Num menospreso Я justiуa.

Quebrei meu chapжu na testa Puxei o facсo pra diante Como ж que vocЖs nсo pagam Su patota de tratante.

Dei facada e cortei negro Como quem lanha toicinho Afinal correram todos Fiquei peleando sozinho.” (Dжcima recolhida por Nara Ana Osзrio Marques em Sсo Francisco de Paula).

CARREIRA DE MAU JOGO, expr. Corrida de cavalos em que ж permitido atrapalhar o competidor, excluьdo, em geral, o direito de segurar-lhe as rжdeas. Podem os corredores segurar a cola do cavalo adversрrio e, com um puchсo, atravessр-lo na cancha antes do laуo de chegada, empurrр-lo para fora do trilho por cima de vassouras e de cupinzeiros, bem como praticar qualquer ato que prejudique sua carreira.

CARREIRA DE UM CAVALO SМ, expr. Carreira ganha com grande facilidade.

CARREIRA ENCARDIDA, s. Corrida de cavalos muito parelhos, cujo resultado ж difьcil de ser previsto.

CARREIRA GRANDE, s.A carreira principal, em uma carreirada.

CARREIRAMENTO, s. Carreira, carreirada.

“s. Disputa entre animais em corrida em campo raso. ╔ o esporte predileto dos habitantes das nossas campinas- Divertimento ao ar livre, concorre pata o fortalecimento dos nossos patricios, e para o desenvolvimento da criaусo cavalar. As carreiras se efetuam na pista denominada cancha. Ordinariamente essa pista nсo ж menor de quadra e meia (uma quadra tem 132 metros). Outrora corriam-se 20 quadras e mais. Notam-se na cancha: o partidor ou local da saьda;o laуo de chegada ou ponto final do tiro a ser corrido; as balizas de saьda e as de chegada, isto ж, marcas que determinam o comeуo da cancha ou o fim do tiro. No geral correm sз dois cavalos, cada um no seu trilho. Em uma mesma carreira podem-se assinalar diversos tiros. Assim, por exemplo, ж comum haver laуo na quadra e meia, nas duas, etc … Atж o final. Nesses laуos hр um julgador ou juiz para cada partida. Assim tambжm hр o juiz de partida cujo encargo ж verificar, aь, o cumprimento de todas as condiушes da carreira. A cancha pode ser perfeitamente plana, ou inclinada (cancha a subir e cancha a descer), o mesmo trecho em aclive e trechos em declive. O tiro pode ser curto ou largo (comprido). Entende-se por tiro curto o de quadra e meia a trЖs quadras, e daь em diante, tiro largo. Momentos antes da hora marcada para o inьcio da carreira, os interessados vсo Я cancha proceder Я sua medida e balizamento, assinalando visivelmente os laуos no terreno, por meio de balizas ou traуos praticados sobre a grama, apзs o que os parelheiros sсo conduzidos ao partidor. Hр sempre um contrato escrito ou verbal para a realizaусo da carreira. Quando ela ж de importРncia, pelo vulto da parada, o contrato ж sempre escrito. Nesse sсo estipuladas todas as condiушes de disputa: parada, peso com o qual corre cada cavalo, dia e hora, tiro a se correr, o lado em que deve correr cada cava-

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lo, partidos que se concedem, modo de saьda, isto ж, se Я vontade dos corredores ou se obedecendo a certas condiушes, etc.” (Moraes).

CARREIRISTA, s. Proprietрrio de parelheiros. Pessoa que se dedica a corridas de cavalos ou que as freqЧenta e as aprecia.

CARREIRO, s. Cocheiro, condutor de carruagem (e nсo de carreta ou carro de bois). // Trilho deixado pelos animais quando estes habitualmente transitam pelo mesmo lugar; o carreiro da paca, o carreiro da formiga, etc. Carreira, fileira, fila; Gaita de dois carreiros, isto ж, com duas fileiras de teclas.

CARRETA, s. Veьculo tosco e pesado, de duas rodas, grande, com tolda ou nсo, puxado por diversas juntas de bois.

“Carreta Quando ao Rio Grande chegou, Segundo os tentos da histзria Suas canastras de glзria Foi ela que transportou” ... (Chico Ribeiro).

“Embora durmas, carreta, O teu derradeiro sono Entre o pasto do abandono, Coberta de solidсo, Hр de erguer-se deste chсo Um altar em tua homenagem Eternizando tua imagem No seio da Tradiусo.” (Vaterloo Camejo, Cinzas do meu Fogсo, P.A., 1966,p. 73).

“Velha carreta esquecida, desengonуada e capenga, foste a maior andarenga que o Rio Grande conheceu. Quase a ninguжm hoje importas, no museu das coisas mortas o Progresso te esqueceu!” (Apparьcio Silva Rillo).

“Da Carreta Levaste os templos de pedra para os altos das Missшes. Levaste as armas de guerra de milьcias e Dragшes de herзicas beligerРncias. Levaste os lares primeiros e as culturas dos pioneiros para os fogшes das EstРncias.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro Editor, 1981, p. 145).

“Por la falda de la loma dejando a un costado el monte dibujando el horizonte la vieja carreta asoma pinta el sol su policroma en las piedras del camino y a paso lento y cansino se aieja por el sendero al grito del carretero apurando al buey barcino” (Roberto G. Morete, Por las Huellas del Recuerdo).

CARRETADA, s. Carga completa de uma carreta.

CARRETAMA, s. Grande nЩmero de carretas. Var.: Carretame.

CARRETAME, s. O mesmo que carretama.

CARRET├O, s. Carreta curta, pequena, puxada por uma Щnica junta de bois, usada no serviуo domжstico das estРncias. // Veьculo reforуado, sem leito, de duas rodas, puxado por muitas juntas de bois, destinado ao transporte de toros.

CARRETEADA, s. Cada viagem que faz uma carreta.

CARRETEAR, v. Exercer a profissсo de carreteiro, viajar com carretas.

CARRETEIRA, s. Estrada que permite a passagem de carretas.

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CARRETEIRO, s. Pessoa que tem a profissсo de viajar com carreta. // Pescoceiro. // Prato campeiro, constituьdo de arroz com guisado de charque.

“Aninhado na volta do braseiro Dorme um cusco de pЖlo indefinido, E a panela de casco jр encardido, Bafejante, requenta o carreteiro.” (Jorge Moraes, Carreta do Destino).

CARRETILHA, s. Carreta pequena, com cobertura de zinco, em geral bem pintada, puxada por uma sз junta de bois, utilizada na campanha para o transporte de famьlias. // Maxilar. CARRINHOS, s. Os maxilares inferior e superior. Diz-se tambжm carretilhas.

CARTEAR, v. Jogar, dar as cartas no jogo.

CARU┴, s. Inflamaусo sobre a pele.

CARUMB╔, s. Jaboti macho; bem desenvolvido.

CARUNCHADO, adj. Imprestрvel, em mau estado.

CARURU-DE-CACHO, s. Planta usada contra Щlceras malignas.

CASA-GRANDE, s. Morada de fazendeiro.

“Denominara-Se outrora, em tempos de rebeldia e de invasсo, a Casa Grande; fora um estabelecimento glorioso, opulento, quase feudal.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 42).

CASAR MAL A FILHA, expr. Meter-se o indivьduo em dificuldades das quais nсo consegue sair-se bem.

CASAS, s. Sede de uma fazenda de criaусo.

CASCA-DE-ANTA, s. Planta usada contra dispepsia e cзlicas intestinais.

CASCARRIA, s. Excremento seco que adere Я lс das ovelhas ou ao pЖlo de outros animais.

CASCAR-SE, v. Atracar-se, agarrar-se. Iniciar aусo: o cavalo cascou-se a velhacax.

CASCATA DO CARACOL, s. Situada no Parque Estadual do Caracol, em Canela, RS, esta Cascata, com uma queda d’рgua de cento e trinta um metros de altura, proporciona ao visitante um espetрculo de rara beleza.

“Eu canto, no meu poema, o divinal diadema de fogo e luz do arrebol! Mostro, em Gramado e Canela, a pitoresca e tсo bela Cascata do Caracol!” (Rui Cardoso Nunes, Rodeio Serrano).

CASCORRIENTO, adj. Diz-se do que estр coberto de feridas com cascas. // Diz-se das ovelhas que tЖm a lс impregnada de excrementos secos.

CASCUDO, s. Bofetada, soco. // Peixe da рgua doce, de pele рspera.

CASO, s. Histзria, conto, narraусo, relato, anedota. Causo.

CASQUEIRA, s. V. a expressсo levado da casqueira.

CASQUINHA, s. Espжcie de doce feito da casca da laranja ou da cidra. // Avarento.

CASSIA, s. O mesmo que perfumes. (Nсo encontramos o vocрbulo empregado com esta acepусo. Teschauer, no entanto, o registra).

CASSUCHA, s. Choupana, casebre (desus.).

CASTELHANADA, s. Grupo de castelhanos. // Dito, exagero de castelhano.

CASTELHANO, s. O natural do Uruguai ou da Argentina. // adj. Relativo ao

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Uruguai ou Я Argentina.

CASTILHISMO, s. Doutrina polьtica dos seguidores de JЩlio de Castilhos.

CATANA, s. V. a expressсo meter a catana.

CATERET╔, s. Danуa rural cantada. Tem nome de origem tupi, mas se mostra, em sua coreografia, bastante influenciada pelos africanos.

CATET├O, s. Tipo de milho de cultivo muito antigo no Rio Grande do Sul.

CATETE, s. Tipo de milho parecido com o catetсo.

CATIMBAO, s. Cerro que faz parte da Serra do Caverр, em Alegrete, Rio Grande do Sul.

CATINGA, s. Morrinha, mau cheiro.

CATINGA-DE-MULATA, s. Erva cujas raьzes, em infusсo, sсo utilizadas no tratamento do reumatismo, em uso externo. Pertence Я famьlia das Geraniрceas. Seu nome botРnico ж Pelargonium zonale.

CATIRA, s. Danуa caipira.

CATRAMBIAR, v. Virar de catrРmbias, ou seja, levar um tombo, ficando de pernas para o ar. // Levar a breca.

CATRE, s. Espжcie de jangada ou balsa, preparada com madeira destinada ao uso das populaушes da beira do Uruguai e do Ibicuь, descidas no tempo das enchentes. // Cama rЩstica.

CATURRA, s. O mesmo que caturrita. // Qualidade de banana que chamam d’рgua no Rio de Janeiro.

CATURRITA, s. Variedade de papagaios que andam em bandos, muito daninhos aos pomares e lavouras.

CATURRITAR, v. Tagarelar, falar em excesso.

CAUDA-DE-SORRO, s. Planta cujo cozimento ж usado contra inflamaушes da bexiga e da uretra.

CAUDILHEIRO, adj. Relativo a caudilho.

CAU═LA, adj. Diz-se de pessoa sovina (p. us.).

CAUNA, s. Erva-mate de mр qualidade, geralmente muito amarga. (Do tupi ka’a una, erva negra).

CAUSISTA, s. Contador de causos.

CAUSO, s. Caso, conto, acontecimento, histзria, narrativa. (Nos galpшes das estРncias gaЩchas, nas longas noites de inverno, Я beira do fogo, nunca falta um contador de causos).

CAVACO, s. Contrariedade, acanhamento, aborrecimento. “F. deu o cavaco”, isto ж, ficou aborrecido, decepcionado.

CAVACOS, s. Pequenos pedaуos de charque que ficam espalhados pelo chсo, apзs o recolhimento das mantas que se encontravam nos varais, secando ao sol ou ao vento.

CAVALARIANO, s. Soldado de cavalaria.

CAVALEIRADA, s. Proeza, aусo irregular.

CAVALEIREANO, s. O mesmo que cavaleriano.

CAVALERIANO, s. Cavaleiro, ginete, soldado de cavalaria. O mesmo que cavalariano e cavaleireano.

CAVALETE, s. Peуa de madeira apropriada para colocar os arreios. // Armaусo de madeira utilizada para serrar lenha.

CAVALHADA,s. Porусo de cavalos.

CAVALHADAS, s. Torneio em que doze cavaleiros cristсos enfrentam doze mouros, efetuando diversas escaramuуas e provas de equitaусo, que terminam, apзs propostas de paz, pelo aprisionamento dos campeшes mouros.

CAVALINHO, s, Couro curtido de cavalo.

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CAVALO DADO N├O SE OLHA O P╩LO, expr. Para receber um presente ou favor nсo se impшem condiушes.

CAVALO DA PORTA, s. Animal sempre Я mсo para qualquer serviуo leve da estРncia.

CAVALO DE BRIGAR DE FACA, s. Cavalo de зtimas qualidades, de agilidade, de destreza, de boa rжdea.

CAVALO DE CEGO, s. Animal de montaria que quer parar em todas as portas, como se o cavaleiro pretendesse pedir esmolas.

CAVALO DE COMISS┴RIO, s. A supremacia da autoridade, a razсo do mais forte: O cavalo do comissрrio ж sempre proclamado ganhador da carreira, embora a tenha perdido, porque a autoridade nсo pode ficar diminuьda com a derrota.

CAVALO DE LEI, s. Parelheiro muito veloz, capaz de percorrer duas quadras (264m) em 16 segundos ou menos.

CAVALO DE R╔DEA NO CH├O, s. Cavalo muito manso.

CAVALO DE SE LAVAR COM UM BOCHECHO D’┴GUA, expr. Cavalo bem nutrido, de belas formas.

CAVALO DE SE TOUREAR A POL═CIA, expr. Cavalo muito bom, de tanta confianуa que, montado nele, se pode enfrentar a polьcia sem grande risco.

CAVALO DE TIRO, s. Animal que se leva a cabresto, para muda ou para qualquer outro fim.

CAVALO ENCAPADO, s. Parelheiro que usa capa. // Fig.: Parelheiro que, alжm do dono e do tratador, ninguжm mais sabe a velocidade que tem.

CAVALO-ORELHA-DE-BURRO,s. Cavalo de orelhas grandes e em pж.

CAVALO PASSARINHEIRO, s. Animal assustadiуo, que nсo merece confianуa.

“Mulher sardenta e cavalo passarinheiro, alerta companheiro.” (Ditado popular).

CAVALO-PEITO-DE-POMBA, s. Cavalo de peito saliente.

CAVALO REIONO, s. O mesmo que cavalo reЩno.

CAVALO REONO, s. Em sentido figurado, pessoa muito humilde a quem todo o mundo se julga com direito de mandar. O mesmo que cavalo reiЩno.

CAVALO-SEM-CABEКA, s. O mesmo que mula sem cabeуa.

CAVALO SOLTO DE PATAS, s. Animal muito corredor. Excelente parelheiro.

CAVAQUEAR, v. Dar o cavaco, ficar aborrecido ou decepcionado.

CAVOD┴, s, Orifьcio que fica na parede da taipa apзs a retirada dos andaimes.

CAVORTEAR, v. O mesmo que cabortear.

CAVORTEIRO, adj. O mesmo que caborteiro.

CAXERENGUENGUE, s. Faca velha, faca sem cabo, imprestрvel, ordinрria; xerengue, xerenga. (Vem, provavelmente, do guarani, kiceringuengue, do nome kicЖ, faca). Var: caxirenguengue e caxiringuengue.

CAXETA, s. Caixeta. // Figueira brava, Cecropia adenapus.

CAXIRENGUENGUE, s. O mesmo que caxerenguengue.

CAXIRINGUENGUE, s. O mesmo que caxerenguengue.

CEMINT╔RIO, s. Cemitжrio.

“Disse um: Isto estр mui triste, Com ares de cemintжrio;”

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(Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978,p. 62).

CENTAURO, s. e adj. Denominaусo dada, no Rio Grande do Sul, aos gaЩchos que, nas revoluушes, peleavam a cavalo. // Hрbil cavaleiro.

“Por isso, amalgamados, esculpidos como num bloco Щnico, o cavalo e o homem, que o tem preso ao tenteio das rжdeas, reatam na coxilha, na mais surpreendente das realidades, a existЖncia mitolзgica dos Centauros.” (Roque Calage, O cavalo e o gaЩcho, in Seleta em Prosa e Verso, de Alfredo Clemente Pinto, 54.ф ed., P.A., Martins Livreiro-Editor, 1980,p. 178).

“E ali estavam de novo, na Praуa, por entre o povo, defendendo seu rodeio, tendo por Deus os gatilhos, os dois centauros caudilhos, aguardando o bombardeio!” (Rui Cardoso Nunes, poema).

CENTRO DE TRADIКНES GA┌CHAS, s. Designaусo de entidades de cultura nativista, fundadas a partir de 1948, e integrantes do Movimento Tradicionalista GaЩcho. Existem vрrias centenas dessas entidades, nсo sз no Rio Grande do Sul, mas tambжm em outros Estados da Federaусo, em que se radicaram rio-grandenses. (V. CTG).

“Simbolismo ж retrato, imagem, expressсo, cor, voz e pensamento. Simbolismo ж este movimento tradicionalista, criando em todas as cidades do Estado os “Centros de Tradiушes GaЩchas”, que manterсo acesos, tambжm simbolicamente, os fogшes do nosso chсo, sem permitir jamais apagar-se o espьrito da hospitalidade, do cavalheirismo, da honradez, da bondade, da forуa temperada de bravura, apanрgio e galardсo dos homens nascidos neste berуo de grama verde e cortinado de cжu azul que ж o Rio Grande, nossa querЖncia, nosso rincсo, nossos pagos e, nume tutelar de um passado de glзrias e desafrontas, sentinela avanуada do Brasil!” (Ramiro Frota Barcelos, Tradicionalismo, ConferЖncia, Sсo Leopoldo, Centro Cьvico Cultural Leopoldense, 1955, p. 20). “Os cetegЖs que, espalhados pela imensidсo dos pampas e das coxilhas da serra, como bandos de quero-queros vigilantes, deram os primeiros gritos de alerta em nosso Pago, despertando a QuerЖncia para a luta em prol da preservaусo de nosso patrimЗnio moral e cьvico encontrarсo neste зrgсo um companheiro da causa tradicionalista e um defensor de nossa cultura.” (R. C.N., Quero-quero, P.A., 1962, p. 1). “Nosso folclore, vasto e complexo, a rigor, poderia ter sucumbido, hр muito, pela transformaусo econЗmica e social do Rio Grande, definitivamente engajado no processo desenvolvimentista do Brasil. Isso, contudo, nсo ocorreu. O pesquisador pelo qual espero encontrarр mЩsicas, poesias, danуas, lendas, trajes, costumes, ditos e provжrbios, vivos, vivьssimos, nos Centros de Tradiусo GaЩcha. Por teatrais que pareуam, esses Centros – com seus artificialismos – tЖm o mжrito surpreendente de conservar ainda pulsрteis жpocas jр mortas e de manter acesas as brasas do velho fogсo.” (Mozart Victor Russomano, Simшes Lopes Neto e Darcy Azambuja, 1975, p. 11-12).

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CEPO, s. O mesmo que cepo colombiano ou cepo de campanha.

CEPO COLOMBIANO, s. Castigo bрrbaro que se aplica a um indivьduo, atando-o a um toro ou a um banco, com os membros em posiушes forуadas. O mesmo que cepo e cepo de campanha.

CEPO DE CAMPANHA, s. Castigo semelhante ao cepo colombiano, usado no Prata. // Prisсo para delinqЧentes, na campanha.

CEPO DE PACI╩NCIA, s. Indivьduo muito paciente.

CERCADO, s. Lugar cercado para lavoura.

CERDA, s. Crina.

CERDEAR, v. Tosquiar. Cortar as cerdas do animal. Var.: cerdiar.

CERDIAR, v. O mesmo que cerdear.

CERNOSO, adj. Que tem bastante cerne.

CERRAR, v. Reunir. “Estр cerrado o rodeio”, isto ж, todo o gado jр estр reunido no rodeio.

“O rodeio, de umas quinhentas reses, jр estava cerrado” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910,p. 110).

CERRAR A NOITE, expr. Escurecer.

CERRAR A PONTA, expr. Diminuir a marcha da tropa de gado, atacando-a na frente.

CERRAR AS ESPORAS, expr. Esporear.

CERRAR AS PERNAS,expr. Apertar com as pernas o animal e impeli-lo para a frente. V. cerrar pernas.

CERRAR DE CIMA, expr. Estar mandando, exercer autoridade, estar a cavaleiro.

CERRAR O NAMORO, expr. Intensificar o namoro. Aproximar-se cada vez mais da pessoa que se namora.

CERRAR O NEGМCIO, expr. Ajustar definitivamente o negзcio.

CERRAR O RODEIO, expr. Reunir, apertar o gado no rodeio.

CERRAR O TEMPO, expr. Ameaуar chuva. // Em sentido figurado, haver briga, luta, conflito.

CERRAR PERNAS, expr. Montar a cavрlo e arrancar, partir, avanуar, tocar para a frente.

“Cerremos Pernas!... Meus irmсos da vida rude, Mas que ж linda a toda prova, Agora que a era ж nova, Tudo vai no modernismo, Cantemos em altos brados, A esses tais inovadores, Do nosso Pampa – os primores; Da nossa gente – o civismo! Cantemos, guasca soberbo, Coisas aqui da querЖncia, Todo o brilho da existЖncia Que leva o filho do Pampa. Cantemos as nossas glзrias: – Civismos alevantados Dos nossos antepassados que dormem no frio da campa.

(...)

Usemos bombacha larga, Usemos lenуo ao pescoуo, Tenhamos alma de moуo: GaЩcho nсo envelhece! Defendamos nossa Pрtria, Briguemos por nossos brios, Aceitemos desafios, Que a vida assim enobrece!” (Pery de Castro, Coisas do meu Pago, P.A., Globo, 1926, p. 13-14).

CERRILHADA, s. Sucessсo de pequenos cerros formando uma cadeia.

CERRITO, s. Pequeno cerro. Elevaусo

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maior do que uma coxilha. Lugar elevado e pedregoso.

CERRO, s. Elevaусo, monte, morro.

CEVA, s. Comida que se deposita em lugar certo, Я guisa de engodo, para que os animais, aves ou peixes, que se pretende caуar ou pescar, se habituem a freqЧentar o lugar onde ela ж colocada. // Local em que ж depositado o engodo. // Ato de cevar. Cevadura. // Local onde se prendem animais, com allimentaусo especial, para engordar. // Anteparo lateral usado nas carretas para formar o lugar destinado Я carga.

CEVADOR, s. Pessoa que prepara o chimarrсo e o distribui entre os que o estсo tomando.

CEVADURA, s. A quantidade de erva necessрria para preparar uma cuia de mate. O mesmo que cevadura de erva. // Ceva, ato de cevar.

CEVADURA DE ERVA, s. V. cevadura.

CEVAR MATE, expr. Preparar o mate e servi-lo Яs pessoas que o estсo tomando.

“No que chegava do campo O padrinho, ele jр rente Co’a chaleira d’рgua quente Pra cevar o mate amargo.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 40).

CH┴CARA, s. Pequeno sьtio de plantaусo e de criaусo, prзximo a povoados ou cidades. Usa-se, tambжm, chacra. (Do quьchua, chacra).

“A palavra indьgena chрcara significa, propriamente, plantaусo. Pouco a pouco os portuguЖses e espanhзis alargaram-lhe a significaусo…” (Auguste de Saint’Hilaire, Viagem ao Rio Grande do Sul, RJ, Anel Editora Ltda., 1935, p. 163).

CHACAREIRO, s. Proprietрrio de chрcara. Pequeno criador de gado, pequeno agricultor. // Empregado incumbido de cuidar de chрcara. // O mesmo que chacreiro.

CH┴-CH┴, s. Provocaусo que ж feita ao animal vacum, para fazЖ-lo sair do lugar em que esteja. // Briga.

CHACRA, s. O mesmo que chрcara.

CHACREIRO, s. O mesmo que chacareiro.

CH┴-DE-BUGRE, s. Planta medicinal, tambжm chamada erva da pontada, com copa larga e folhas verdes e brilhantes. Casearia silvestre, Sw.).

CH┴-DE-CASCA-DE-VACA, s. Surra de relho.

“Mango amansa os quebra-freios, Arreador, mula que empaca… Quem esparrama os arreios quer chр-de-casca-de-vaca.” (Hugo Ramьrez, in Cancioneiro de Trovas).

CH┴-DE-VARA-DE-MARMELO, s. Surra.

CHAFUNDAR, v. Atolar-se, cair nрgua. Var. achafundar.

CHAG┴, s. O mesmo que tahс ou tajan.

CHAIRA, s. Peуa comprida de aуo, com cabo de osso ou de madeira, que serve para assentar o fio das facas.

CHAIRAR, v. Afiar a faca na chaira. // Aparar bem rente a crina do animal.

CHAIREL, s. Manta do selim de andar das senhoras.

CHALANA,s. Lanchсo chato.

CHALE-CHALE, s. Planta medicinal da famьlia das Sapindрceas, Allophilus educalis. (V. fruta-de-pomba).

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CHALEIRA, s. e adj. Diz-se de ou o indivьduo bajulador, engrossador.

CHALEIRE┴R, v. Bajular, lisongear.

CHALRAR, v. Conversar, prosear, palrar, chanlar.

CHAMA,s. Passarinho utilizado, na gaiola munida de alуapсo, para atrair os outros que se pretende pegar.

CHAMADOR, s. e adj. Diz-se de ou o que vai Я frente da tropa ou dos bois cangados, para guiar a marcha.

CHAMAR, v. Ir Я frente da tropa ou da carreta para guiar os bois.

CHAMARISCO, s. Coisa que chama, que atrai. O mesmo que chamariz.

CHAMA-RITA, s. Var. de chimarrita.

CHAMAR NAS ESPORAS, expr. Picar o cavalo com as esporas. // Em sentido figurado, repreender ou censurar alguжm. // O mesmo que procurar nas esporas.

CHAMARRITA, s. Var. de chimarrita.

CHAMB├O, s. e adj. Diz-se de ou o indivьduo relaxado, mal trajado. Indivьduo que executa mal os seus trabalhos.

CHAMECHUNGA, s. O mesmo que sanguessuga. Var.: chamichunga.

CHAMICHUNGA, s. O mesmo que sanguessuga.

“Mas a nossa confianуa, de verdade, nсo estava nas palavras da oraусo; estava grudada como chamichunga naqueles seis esteios de angico, quatro palinos de nabo atracados no chсo!...” (Mozart Pereira Soares, Erva Cancheada, P.A., Ed. QuerЖncia, 1963, p. 26).

CHAMPORREADO, adj. Diz-se do objeto mal preparado, grosseiro, tosco.

CHAMPORREAR, v. Estragar, amarrotar.

CHAMUSCAR, v. Esgueirar-se.

CHAMUSCO, s. Tiroteio, briga, conflito, encontro de forуas armadas.

CHANCHITO, s. Leitсo, porquinho.

CHANCHO, s. O porco, o suьno. V. as expressшes fazer-se de chancho rengo e Яs chanchas mouras.

CHANCHULIM, s. Conduto da secreусo do leite da vaca, tambжm chamado tripa leiteira, de зtimo paladar quando assada nas brasas. ╔ preparado em forma de tranуa e assim posto no espeto para ser assado. Var.: chinchulim. (Vem do quьchua, chanchulli).

CHANFALHO, s. Facсo.

CHANGA, s. Pequeno trabalho de transporte, serviуo avulso, biscate, feitos por changadores ou homens do ganho. // O pagamento dado por esses serviуos. Ganho, lucro, negзcios.

“Cativo ao brete das ruas Como pрssaro perdido, Negaceando alguma changa Pra o prato tсo diminuьdo.” (Gilberto Carvalho e Marco Aurжlio Vasconcelos, Toada, 8ф Califзrnia da Canусo Nativa, Uruguaiana,

1978).

CHANGADOR, s. Carregador, indivьduo que se incumbe de carretos, que se ocupa de fazer changas. Ganhador. Trabalhador por jornal.

“Havia, entretanto, entre os changadores, um homem destemido, cuja vida era uma lenda, que se dispЗs a salvar a mestiуa condenada Я morte.” (N. Pereira Camargo, Histзrias da Fronteira, P.A., Combate Ltda., 1968, p. 49). “Changador. s. M. Denominaciзn antigua de los gauchos. Vaquero y acopiador de cueros en la жpoca colonial.” (Fernando O.

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Assunусo, Pilchas Criollas, Montevideo, 1976,p.406).

“Maestros en la faena eran los changadores santafesinos. Este vocablo es la versiзn casteliana de la palavra portuguesa iangadeiro, el que trabaja en la iangada, o balsa (de changadam, palabra del idioma malaiolьn que los portugueses trajeron de sus posesiones de la India) com que se pasaban cueros y ganado de una orilla a otra de los rios.” (Bruno y Beatriz Premian, El Caballo, Buenos Aires, Edigraf, 1975, p.

127).

CH┬NGAR, v. O mesmo que changuear.

CHANGUEAR, v. Ter a profissсo de changador, ocupar-se de changas.

“E hoje… – a pж, bombacha remangada, changueando aqui e ali o pсo difьcil com que matar a fome dos guris.” (Apparьcio Silva Rillo, Caminhos de Viramundo, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1979, p. 68).

CHANGUEIREAR, v. Correr pouco, correr mal, correr como um changueiro. Var.: Changuerear.

CHANGUEIRITO, s. Diminuitivo de changueiro. Var.: Changuerito.

CHANGUEIRO, s. Parelheiro medьocre, para pequenas corridas. Changador.

CHANGUEREAR, v. O mesmo que changueirear.

CHANGUERITO, s. O mesmo que changueirito.

CHANGUERO, s. O mesmo que changueiro.

CHANGUI, s. Concessсo ao adversрrio. Dar ou nсo dar changui: Conceder ou nсo conceder vantagem ao competidor, fazer ou nсo concessсo ao rival, dar ou nсo dar quartel ao inimigo. ╔ expressсo empregada, geralmente, em relaусo a corridas de cavalos. (Vem do castelhano e significa palavrзrio, palavras sem fundamento)

CHANISCO, s. Partes pudendas da mulher. (P. us.).

CHANTAR, v. Aplicar, dizer asperamente. “Chantei-lhe a mсo na cara”, isto ж, apliquei-lhe uma bofetada; “Chantei-lhe na cara toda a verdade”, isto ж, disse-lhe toda a verdade, com a maior franqueza.

CH├O, s. QuerЖncia, pago. Local, assunto, atividade de preferЖncia de alguжm. “O chсo do meu cavalo ж a cancha em descida”, isto ж, o tipo de cancha a que o meu cavalo mais se adapta ж a cancha em descida. “Peleando de adaga eu estou no meu chсo”, isto ж, estou fazendo o que gosto de fazer, o que sei fazer. “Cair no chсo de alguжm” significa ser-lhe agradрvel, despertar-lhe simpatia.

CHAPADA, s. Planьcie em cima de uma montanha.

CHAPAD├O, s. Chapada muito extensa.

CHAPEADO, s. A parte de prata ou de outro metal da cabeуa do lombilho. Cabeуada de animal chapeada de prata ou de outro metal, no todo ou em parte.

CHAPE-CHAPE, s. Terreno рspero e seco; chсo duro.

CHAPEL├O, s. Chapжu de abas largas, usado pelos mexicanos.

“O gaЩcho parece um mexicano, com seu enorme chapelсo de pano!...” (Rui Cardoso Nunes, Tropilha Perdida).

CHAPET├O, s. e adj. Indivьduo sonso,

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tolo, boуal, inрbil, inepto, ignorante, inexperiente, que se deixa enganar com facilidade.

CHAPETONADA, s. Asneira, tolice, erro, engano. V. a expressсo pagar chapetonada.

CHAP╔U-DE-COBRA, s. Cogumelo com forma semelhante Я de um guarda-chuva. (PL: chapжus.de.cobra). O mesmo que chapжu-de-judeu.

CHAP╔U-DE-JUDEU, s. O mesmo que chapжu-de-cobra.

CHAPOEIRADA, s. Tisana em que sсo usadas diversas ervas medicinais.

“Chiru de cueras branqueadas, curtido de cha poeiradas e arisco da medicina.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 78).

CHAPULHAR, v. Chapinhar.

CHAR┴, s. Animal que tem o pЖlo crespo. O mesmo que xarр.

CHAR┴-CH┬-CH┴, s. Provocaусo, zombaria.

“Vim lр de Piratini fazendo charр-dzр-chр, procurando um trovador, para vencЖ-lo num jр.” (Olavo Rжgio Pinheiro).

CHARENGO, adj. Diz-se do animal defeituoso.

CHARLA, s. Palestra, conversa.

“Era ali que amavam descansar, ao calor das chamas, entre charlas, das galopadas e dos pialos do dia.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 89).

CHAROL, s. Couro envernizado para a feitura de sapatos e outros trabalhos.

CHARQUE, s. Carne de gado bovino, salgada e seca, em mantas. // O charque tem , nos Estados do Norte, as seguintes denominaушes: No Parр, carne seca; na Bahia, carne do sertсo; em Pernambuco, carne do Cearр; em Sergipe e norte da Bahia, jabр. O charque fabricado no norte, da Bahia ao Maranhсo, ж chamado carne de sol e ж muito mais saboroso que o feito no Rio Grande do Sul, no Uruguai ou na Argentina. (Etim.: Do araucano cha-qui, ou do quьchua charki, significando tassalho e tambжm seco).

CHARQUEAу├O, s. Ato de charquear. Charqueio.

CHARQUEADA, s. Saladeiro, estabelecimento onde o gado ж abatido para a fabricaусo do charque. // Em sentido figurado, no jogo, fazer charqueada, significa derrotar o adversрrio, deixando-o sem dinheiro.

“A atual cidade de Barra do Ribeiro teve origem na Charqueada de AntЗnio Alves Guimarсes, instalada na Sesmaria que lhe fora concedida por D. Luiz de Vasconcelos e Sousa em 1870.” (Luьs Alberto Cibils, Tapes, Camaquс, Guaьba e Barra do Ribeiro, P.A., Ed. Champagnat, 1959,p.179).

CHARQUEADOR, s. Saladeirista, dono de charqueada, fabricante de charque.

CHARQUEAR, v. Cortar a carne do bovino em mantas de certa espessura, salgр-la e secр-la, transformando-a em charque. // Cortar, dar talhos, ferir uma pessoa ou um animal. // Executar mal um trabalho, fazЖ-lo matado.

CHARQUE-DE-VENTO, s. Charque preparado para o consumo das estРncias, constituьdo de mantas finas, com pouco sal, secadas ao vento. ╔ muito saboroso, porжm tem pouca duraусo. (Pl.: Charques-de-vento).

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“Depois ж servido o almoуo ou jantar, constituьdo de excelente feijoada, bom churrasco, charque de vento, assado ao espeto e com pirсo dрgua fria, carne de ovelha tambжm ao espeto, arroz com couve, etc., nсo faltando a boa canjica com leite.” (O. M., com comentрrios de Lothar Hessel, Cadernos GaЩchos n║ 5, P.A., 1978, p. 14).

CHARQUEIO, s. O mesmo que charqueaусo. // Derrota do inimigo, acompanhada de grande matanуa. Carnificina.

CHARQUE SALGADO, s. Charque preparado para exportaусo.

CHARRUA, s. e adj. Uma das tribos indьgenas que habitavam o Rio Grande do Sul na жpoca do seu povoamento. // Indivьduo pertencente a essa tribo. // (Era uma tribo belicosa, de ьndios altivos e bravos, que nunca aceitaram a civilizaусo nem o cristianismo, e que nunca se submeteram aos conquistadores). (Etim.: Parece provir do quьchua, de Char-uhas, que significa ribeirinhos).

“Quando alinho o pensamento para as bandas da querЖncia me vem Я reminiscЖncia a velha “Pedra Furada”, masmorra que foi broqueada pela mсo de algum charrua que morto se perpetua naquela furna assombrada.” (Josж Paim Brites, “Pedra Furada”, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970,p. 121).

“Nсo morre o sangue crioulo, o nobre sangue guerreiro, que o guasca herdou do charrua,” ... (Antero CorrЖa de Barros, GaЩcho Nсo Morre Nunca, in Versos Crioulos, P.A., ed. do “35 Centro de Tradiушes GaЩchas”, 1951, p. 71).

CHASQUE, s. Mensageiro, estafeta, prзpno, pessoa que se despacha levando uma mensagem. // Carta, aviso, recado, desafio. // O mesmo que chasqui. (Vem do quьchua, chasqui, que significa correio, estafeta, mensageiro).

“Saem chasques a meia rжdea e bombeiros vЖm chegando…” (Lжo Santos Brum, Gente Guapa, Jaguarсo, Livr. A MiscelРnea, 1965, p. 25).

“Um mЖs decorreu sem recebermos notьcias; do exжrcito sabiamos pelos jornais e por uma ou outra correspondЖncia da cidade; mas, os chasques nсo saьam da estrada, entre a nossa e as estРncias vizinhas, cujos donos tambжm tinham parentes na luta.” (A. Maia,Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922,p. 76).

CHASQUEIRO, adj. Diz-se do trote duro, largo e incЗmodo do animal de montaria. Trote chasqueiro ж o andar que em outros estados chamam de trote inglЖs.

“└s vezes a cabresto, outras vezes encilhado, troteava e seguia sempre num trote chasqueiro de quem anda apurado ou de quem leva perdida a estribeira do pensamento.” (Piр do Sul, Farrapo, P.A., Globo, 1935, p.

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CHASQUENTO, adj. Diz-se de pessoa bem vestida, que causa boa impressсo. Bonito, engraуado, interessante.

CHASQUI, s. O mesmo que chasque.

CHATADA, s. Repreensсo, carсo, quinau. Resposta ou indireta desagradрvel para a pessoa que a recebe.

CHATEAК├O, s. Ato de chatear.

CHATEAR, v. Aborrecer, amolar. // Aga-

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char-se.

CHATO, adj. Aborrecido, enjoado.

CHAVASCA, s. Facсo, espada.

CHAVEAR, v. Fechar Я chave.

CH╔, interj. O mesmo que chЖ.

CH╩, interj. Equivale a tu aь, ou tu simplesmente. Usa-se, tambжm, como vocativo: “Como vai, chЖ?”; para chamar a atenусo: “chЖ! que mulher bonita!”. Pronuncia-se tchЖ Я maneira espanhola. // O mesmo que chж, chЖ e tchЖ.

“- Olha, chЖ! – bradou com escрrneo, retirando-se.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 88).

“Mas nсo adianta, tchЖ! Pra que capricho? o sonho ж como canha de bolicho: nunca se fica no primeiro gole!” (Kramer Neto, Rodeio Peleagudo, in Correio do Povo de 23-3-1968).

“Diante do que dissemos e reunimos, que soluусo oferecermos ao problema? De que lugar e idioma saiu o vocativo (nсo a interjeiусo simples) chЖ? Qual a sua geografia linguьstica? Jр confessamos nсo acreditar que o chЖ vocativo tenha nascido na Amжrica, rebento de nenhum linguajar indьgena. Seu berуo deve achar-se na prзpria Espanha, que o conhece e usa nas regiшes levantinas. Nestas, o idioma que o possui ж o valenciano. Portugal ignora absolutamente o chЖ. O Brasil inteiro, com exceусo do Rio Grande do Sul, nunca o empregou. Na Amжrica Espanhola, ele vive em toda a Argentina, Uruguai e Bolьvia. Ora, lр na Espanha o vocativo chЖ ж tьpico da lьngua valenciana e se usa nas plagas levantinas. Pensamos que nesta parte da Penьnsula Ibжrica e neste dialeto ж que se originou o caso. O chЖ dos gaЩchos brasileiros veio para o nosso paьs, entrando no Rio Grande do Sul, depois de circular entre argentinos, uruguaios e bolivianos. Nсo era, todavia, do idioma espanhol. Este o tomara do valenciano.” (Sьlvio JЩlio, Literatura, folclore e lingЧьstica da рrea gauchesca no Brasil, RJ, A. Coelho Branco F║, 1962, p. 286).

CHEGADOR, s. e adj. Indivьduo audacioso, avanуador, agressivo, valente, brigador, que nсo recua, que ataca resolutamente o inimigo.

CHEGAR A JEITO, expr. Abordar o assunto com boas maneiras, na ocasiсo oportuna, a fim de conseguir o pretendido.

CHEGAR EMBRULHADOS, expr. Em corridas de cavalos, chegarem juntos os dois parelheiros de modo a nсo se saber com seguranуa qual deles passou na frente.

CHEGAR NA TALA, expr. Chegar ao laуo, o parelheiro, nas corridas, vergastado energicamente pelo corredor.

CHEIRAR A DEFUNTO, expr. Haver perigo iminente de um conflito de conseqЧЖncias graves.

CHELPA, s. Dinheiro em geral. Cжdula de dinheiro.

CHERETA, s. Intrometido, conversador, pessoa que se mete onde nсo ж chamada.

CHERUME, s. Cheiro. // Resquьcio, vestьgio de alguma coisa: “Comeram tudo e nem o cherume deixaram.”

CHI, Interj. Exprime pasmo, horror.

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CHIBARRO, s. O bode nсo castrado. Veado macho, na gьria do caуador. // Em sentido figurado, pessoa que exala mau cheiro das axilas.

CHIBIO, s. Partes genitais.

CHIBO, s. Cabrito atж um ano. Cabrito inteiro, nсo castrado. Chibarro. // Catinga. // Contrabando; produto do roubo.

CHICHO, s. O mesmo que ovo de galinha. (Desconhecemos o emprego deste termo, que ж registrado por Teschauer).

CHICO, adj. Pequeno. // s. O mesmo que guarda-fogo.

“La ley es tela de araыa – En mi inorancia lo esplico -. No la tema el hombre rico; Nunca la tema el que mande; Pues la ruempe el bicho grande Y sзlo enrieda a los chicos.” (Josж Hernрndez, Martьn Fierro).

“Faremos uma bandeira dos frangalhos de todas as bandeiras. As pрtrias chicas sсo contornos da Grande Pрtria, construьdos no exьlio forуado, na fome encomendada, no-desemprego da inteligЖncia.” (Paulo Cesar Gutierres Guggiana, Ode р Amжrica Latina, in 1║ Mutirсo Literрrio, Sant’Ana do Livramento, Centro Cultural Josж Hernрndez, 1981, p. 44).

CHICO-A-GRANDE, expr. Condiусo de carreira em que um dos competidores pшe como corredor em seu parelheiro uma crianуa e o outro uma pessoa grande, ou seja, peso de crianуa contra peso de adulto.

CHICOCHOELHO, s. Rзtula ou osso mзvel da articulaусo do joelho do bovino, acompanhado de carne. Chicosuelo.

CHICO-DA-RONDA, s. Denominaусo de uma das variedades de bailes campestres a que chamam geralmente fandango. O mesmo que Chico-puxado ou Puxado.

CHICOLATEIRA, s. Vasilha de folha empregada para aquecer рgua e para fazer cafж. Var.: Chocolateira.

“Hр coisas que nсo se esquecem: o cafж do carreteiro, tomado de um sabor particular, com a brasa acesa que se atira na chicolateira quando a bebida jр estр fervendo; e o guisado do carreteiro, tсo bom quanto o cafж.” (Joсo Neves da Fontoura, Memзrias, I vol., P.A., Globo, 1958,p. 149).

CHICO-PLEITO, s. Coisa sem importРncia.

CHICO-PUXADO, s. Variedade de fandango, tambжm chamado chico-da-ronda e puxado.

CHICOSUELO, s. O mesmo que chicochoelho.

CHICOTAКO, s. Pancada com o chicote. Chicotada, relhada, relhaуo.

CHIFRAКO, s. Golpe com os chifres, chifrada, guampada, guampaуo.

CHILCA, s. O mesmo que chirca.

CHILENAS, s. Esporas com rosetas muito grandes.

“No meu rancho, pendurado, descansa um par de chilenas, evocando meu passado, recordando minhas penas.” (AntЗnio Augusto de Oliveira, Rastro de um Charrua, P.A., Martins Livreiro-Editor, p. 58).

“... os laуos distendiam-se aos tirшes dos pingos espicaуados Яs viri-

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lhas pelo resotear de ferro das chilenas” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello,p. 115).

“╔ preciso cravar as chilenas limpar as feridas tantas e tantas afastar as assombraушes muitas e olhar o perigo cara a cara como faziam os de ontem.” (Clзvis Assumpусo, Marcado pelos Guascaуos do Minuano, Canoas, Ed. La Salle, 1977, p. 21).

Ninguжm me pisa no poncho! Pardo velho abarbarado Tenho chilenas de prata E pala branco bordado. (Quadra popular).

“E as hipertrofiadas chilenas devem o nome Я semelhanуa com as tilintantes esporas do “huaso” do Chile.” (AntЗnio Augusto Fagundes, Indumentрria GaЩcha, Cadernos GaЩchos n║ 2, P.A., Ed. Fundaусo Instituto GaЩcho de Tradiусo e Folclore, 1977, p. 12).

CHILENO, s. e adj .Vacum da raуa de gado denominado chileno.

CHIMA-CHIMA, s. Ave de rapina semelhante ao chimango.

CHIMANGADA, s. Grupo de chimangos.

CHIMANGO, s. Alcunha dada no Rio Grande do Sul aos partidрrios do governo na revoluусo de 1923. // Ave de rapina muito comum na campanha rio-grandense, parecida com o caracarр, porжm menor do que este. // Tenaz feita de arame para pegar brasas nos fogшes. // V. as expressшes triste como chimango em tronqueira, e nсo gastar pзlvora em chimango.

CHIMANGUICE, s. Aусo prзpria de chimango.

CHIMARR├O, s. e adj. Mate cevado sem aуЩcar; ж preparado em uma cuia ou cabaуa e sorvido atravжs de um tubo metрlico, com um ralo na extremidade inferior, ao qual se dр o nome de bomba. // Cafж, chр ou qualquer outra bebida servida sem adoуar. // Gado bovino que foge ao custeio e passa a viver em estado selvagem. // Cсo que se tornou selvagem e vive fora de toda a sujeiусo, alimentando-se dos animais que mata. // Qualquer animal domжstico que se torne alуado.

“Eis o que a cuia me ensina: Quando chegou Silva Paes, Jр Sepж entre os ervais tomava o seu chimarrсo, feliz, na paisagem guasca. Sepж que soberbo e ousado sucumbiu, despedaуado, por amor deste Rincсo.” (Valdomiro Sousa, Chimarrсo).

“Senhora dona da casa Eu sou muito pedinchсo Mande-me dar que beber Mas que seja um chimarrсo.” (Quadrinha popular).

“Cedo provei o chimarrсo. Via todo o mundo mamando nas bombas de prata, via o topete da erva de um verde diferente dos outros porque a vida nele adormecera e esperava, e era como uma alusсo misteriosa ao sabor que deveria subir lр de dentro da cuia. Via o mate correr entre homens e mulheres, entre os homens da casa da fazenda e no galpсo, e pelos alpendres das manhсs acesas ou das tardes tristes, o mate obscuro das mulheres negras da cozinha nas tardes escuras de chuva, quando elas andavam silenciosas, descalуas sobre os ladrilhos gastos, com a cuia na mсo.” (Reynaldo Moura, Romance no Rio Grande, P.A., Globo, 1958, p. 71).

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“└ vontade, discretearemos sobre os problemas do mundo e da vida, tomando um chimarrсo notрvel – um chimarrсo de topete igual ao que o Bento Gonуalves tomava Я sombra da arqui-histзrica figueira de Belжm Velho, ou do arquilendрrio cipreste de Pedras Brancas.” (Otelo Rosa, A Moуa Loira, P.A., 1939,p. 161). “a correria dos preadores, o alarido dos cсes, inclusive dos cachorros-chimarrшes, que, aos milhares se acoitavam nos banhados e restingas, volvidos ao estado selvagem, mais ferozes que lobos, vivendo da caуa de potrancos e bezerros.” (Arthur Ferreira Filho, Histзria Geral do Rio Grande do Sul, p. 20).

“Estes campos dilatados encontram-se povoados de um tal gado chimarrсo, quer vacum, quer cavalar. Impossьvel de avaliar pois se acha tresmalhado vagando na imensidсo.” (Hжlio Moro Mariante, Fronteira do Vaivжm, P.A., Imprensa Oficial, 1969,p. 31).

“Catita estremeceu, vendo que estava cercada por uma matilha de cсes chimarrшes. Esses animais, criados nas charqueadas, Яs vezes se multiplicam prodigiosamente, e vagam em bandos pelos campos, como lobos carniceiros; ...” (Josж de Alencar, O GaЩcho). “Estes cachorros (chimarrшes), de origem europжia e trazidos pelos primeiros aquerenciadores, haviam-se multiplicado prodigiosamente e eram muito ferozes; chegaram a tornar-se tсo temьveis e prejudiciais Я criaусo pastoril que mais tarde houve de organizar-se expediушes a propзsito para exterminр-los. Viviam em matilhas, e os esconderijos eram conhecidos pela quantidade de ossamentos que eles arrastavam e pelas disparadas dos gados que perseguiam, para apanhar os terneiros e potrilhos que, em chusma, fatigavam depressa e apresavam para em seguida devorр-los entre brigas.” (Simшes Lopes, Terra GaЩcha, P.A., Sulina, 1955,p. 89).

CHIMARREAR, v. Chimarronear, tomar chimarrсo, matear, tomar mate-amargo.

CHIMARRITA, s. Denominaусo de uma antiga danуa popular e de uma poesia cantada com acompanhamento de viola ou violсo. ╔ denominada tambжm chamarrita. Parece provir dos Aуores, onde existe, segundo o Sr. Josino dos Santos Lima, a sua ascendente com o nome de Chama a Rita. As principais quadxinhas da Chinaarrita, registradas por Simшes Lopes Neto, no seu livro Cancioneiro Guasca, sсo as seguintes:

Vou cantar a Chimarrita Que hoje ainda nсo cantei; Deus lhes dЖ as boas noites, que hoje ainda nсo lhes dei. Vou cantar a chimarrita Que uma moуa me pediu; Nсo quero que a moуa diga: ingrato! Nсo me serviu. A Chimarrita que eu canto, Veio de Cima da Serra, Rolando de galho em galho Atж chegar nesta terra!

Chimarrita, quando nova, Uma noite me atentou Quando foi de madrugada, Deu de rжdea e me deixou!

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A Chimarrita ж uma velha Que mora no faxinal, Comendo a triste canjica E grсo de feijсo sem sal. Chimarrita ж mulher pobre, Jр nсo tem nada de seu; Sз tem uma saia velha Que sua sogra lhe deu. Chimarrita no seu tempo Jр muito potro domou: Agora quer um sotreta, Nem um rodilhudo achou!

Chimarrita ж altaneira, Nсo quebra nunca o corincho: Diz que tem trinta cavalos, E nсo tem nem um capincho. Chimarrita diz que tem Dois cavalinhos lazшes: Mentira da chimarrita, Nсo tem nada, nem xergшes!

Chimarrita diz que tem Quatro cavalos oveiros: Mentira da Chimarrita, Sз se sсo quatro fueiros. Chimarrita diz que tem Sete cavalos tostados: Mentira da Chimarrita, Nem perdidos, nem achados!

Chimarrita diz que tem Dois zainos e um tordilho: Mentira da Chimarrita, Nem um cupim p’r’o lombilho! Chimarrita diz que tem TrЖs cavalos tobianos: Mentira, tudo mentira, Nem garras, pingos, nem panos!

Tironeada da sorte, A Chimarrita rodou; Logo veio a crua morte E as garras lhe botou.

Chimarrita morreu ontem, Ontem mesmo s’enterrou: Quem chorar a Chimarrita Leva o fim que ela levou. Coitada da Chimarrita, Vou rezar por ser cristсo: A pobre da Chimarrita Viveu como um chimarrсo! Chimarrita morreu ontem, Ontem mesmo s’enterrou; Na cova da Chimarrita Fui eu quem terra botou!

Chimarrita morreu ontem, E ainda hoje tenho pena; Do corpo da Chimarrita Vai nascer um’aуucena! Chimarrita morreu ontem, Mas pra sempre hр de durar; As penas da Chimarrita Fazem a gente pensar… Aragana e caborteira A Chьmarrita mentiu; Nсo censure a dor alheia Quem nunca dores sentiu! Quem sabe se a Chimarrita Na alma criou cabelos… Quem vЖ uma bagualada, VЖ mais vultos do que pЖlos… Quanta maldade se disse Da Chimarrita, coitada! A pedra grande faz sombra… E a sombra nсo pesa nada!

Chimarrita generosa, Oh! Chimarrita, perdoa! Quem te chamava de mр, Nсo era melhor pessoa! Aqui paro, na saьda, Do fim desta narraусo, A moуa, se estр contente, Me dЖ o seu galardсo!

Eu disse o que a bisavз Da minha avз ensinou; Se alguжm sabe mais que eu, Jр nсo’ stр‘qui quem falou!

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Chimarrita morreu ontem, Inda hoje tenho dз; Na cova da Chimarrita, Nasceu um pж de cidrз. Chimarrita, mulher velha, Quem te trouxe lр do Rio? – Foi um velho marinheiro Na proa de seu navio.

A Chimarrita no campo Co ‘os bichos todos falou Na morte da Chimarrita O bicharedo chorou.

O trevo de quatro folhas Da Chimarrita ж feitura: Com ele se quebra a sina Que o mal sobre nзs apura. – E outros muitos. –

CHIMARRONA, s. Planta borraginea do Brasil.

CHIMARRONEAR, v. Tomar mate-dchimarrсo, chimarrear.

CHIMB╔, adj. Diz-se do gado vacum que tem o focinho curto e achatado. // Emprega-se tambжm em relaусo Яs pessoas de nariz chato ou pequeno e arrebitado.

CHIMBEAR, v. Gauderiar, vadiar, vagabundear. O mesmo que chimbiar.

CHIMBIAR, v. O mesmo que chimbear.

CHIMBO, s. Gaudжrio, teatino, cavalo cujo dono ж desconhecido. // Aplica-se Яs pessoas no sentido de vagabundo, vadio, desocupado, gaЩcho na acepусo pejorativa.

CHIMIA, s. O mesmo que chimier.

CHIMIER, s. Doce feito com frutas e melado de cana, de consistЖncia pastosa, para ser comido com pсo, Я guisa de manteiga. (Do alemсo, schmier).

CHIMIQUE. s. Pedaуo de barbante que os carroceiros amarram Я ponta da aуou teira do relho para produzir estalo.

CHIMPAR, v. Dizer.

CHINA, s. Descendente ou mulher de ьndio, ou pessoa do sexo feminino que apresenta alguns dos caracterьsticos жtnicos das mulheres indьgenas. // Cabocla, mulher morena. Mulher de vida fрcil. // (Parece provir do quьchua, xina, que significa aia).

“Muitas chinas percorriam Pelas margens dos banhados Levando cada uma delas De dez a doze soldados.” (ABC da Batalha do Passo do Rosрrio).

“De modo china, que atamos o dejamos la carrera… no serр la vez primera que se me niegan al “bamos”, los que deberas amamos, todo queremos o nada! Y si tu fж estр meyada por el filo de la intriga, te ganarж como amiga al perder-te como amada.” (Decimas de Sandрlio Santos, Editorial Fogзn, Montevideo, 1954, p. 14).

“Os anjos moram no cжu, mora o perfume na flor, dos guascas que andam ao lжu a china ж tolda de amor.” (Hugo Ramьrez, iii Cancioneiro de Trovas).

CHINARADA, s. Grande nЩmero de chinas, ьndias ou caboclas. O mesmo que chinaredo, chinerio, chineiro, chinedo.

CHINAREDO, s. O mesmo que chinarada.

CHINCHA, s. O mesmo que cincha.

CHINCHADOR, s. e adj. O mesmo que cinchador.

CHINCHAR, v. O mesmo que cinchar.

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CHINCHULIM, s. O mesmo que chanchulim.

CHINCO├, s. Papa-lagartas. Ave da famьlia dos Cuculьdeos. O mesmo que cucu.

CHINEAR, v. Andar Я procura de chinas. Estar com prostitutas.

CHINEDO, s. O mesmo que chinarada.

CHINEIRO, s. Diz-se do indivьduo que anda sentpre Я procura de chinas ou prostitutas. // Chinarada.

CHINERIO, s. Chinarada.

CHININHA, s. Caboclinha, filha de china, china ainda menina, chinoca, chinoquinha, piguancha.

CHINITA, s. Copo de aguardente (desus.).

CHINOCA, s. O mesmo que chininha.

“Chinoca, tu foste embora Mas deixaste no Rincсo A lembranуa dos teus olhos Na cor do meu chimarrсo.” (Luьs Alberto Ibarra, Canусo do Sul, P.A., Secretaria da Agricultura, 1958,p. 14).

“Botei o pж no estribo meu cavalo estremeceu… Adeus chinocas que ficam quem vai embora sou eu.” (Quadra popular, in Vida Esportiva, seусo QuerЖncia, de Roberto Eilert).

CHINOC├O, s. Chinoca bonita, vistosa, fornida.

CHINOQUINHA, s. Caboclinha, rapariguinha, chininha.

“Agarrado Я cintura das chinoquinhas do Rincсo, toda a beleza da terra estava, para mim, naquelas trancas terminadas num laуo de fita azul ou vermelha, soltas Яs costas;” (Manoelito de Ornellas, Mрscaras e Murais de Minha Terra, P.A., Globo, 1966,p. 194).

CHIPA, s. Bolo que os ьndios das Missшes preparavam com a massa de milho fervido, socado e passado na peneira, misturado com leite, assado no borralho. Atualmente a chipa ж feita de polvilho e queijo ralado, em forma de rosquinha, assada no forno. (Chipр ж a pronuncia guarani).

CHIQUEIRADOR, s. Relho de aуoiteira comprida, utilizado para tocar os animais, para separр-los ou reuni-los, nos serviуos de campo. Enchiqueirador.

CHIQUEIRAR, v. Enchiqueirar.

CHIQUEIRO, s. Pequeno curral ou encerra a que se recolhem terneiros mansos, porcos, ovelhas ou outros animais.

Cachorrinho estр latindo Lр pra banda do chiqueiro: Cala a boca cachorrinho, Nсo sejas mexeriqueiro. (Quadrinha popular).

CHIQUITO, adj. Pequenino.

CHIRCA, s. Erva daninha que inutiliza as pastagens. Diz-se, tambжm, chilca.

CHIRCAL, s. Terreno em que hр grande quantidade de chirca.O mesmo que chilcal.

“Saudade! lagoa mansa perdida no aguapezal, dos tahсs pelo chircal acordando o descampado;” (Rubens Dario Soares, Minha Ultima Tropeada, Cruz Alta, 1981, p.

33).

CHIRIPA, s. Acerto, por acaso, de uma tacada no jogo de bilhar. Ganho, por pura casualidade, em qualquer jogo. BambЩrrio.

CHIRIP┴, s. Vestimenta rЩstica, sem costuras, usada antigamente pelos homens do campo. ╔ constituьdo de um metro

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e meio de fazenda que, passando por entre as pernas, ж preso Я cintura em suas extremidades por uma cinta de couro ou pelo tirador. Hр, tambжm, chiripрs de luxo, bordados e com franjas. O chiripр serve de calуas ou de bombachas. Atualmente ж usado apenas nos CTGs, por conjuntos folclзricos.

A gaita matou a viola O fзsforo matou o isqueiro; A bombacha, o chiri pр, A moda, o uso campeiro. (Quadra popular).

“... as boleadeiras em laуo sobre os chiripрs listrados” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910,p. 120).

CHIRIPEAR, v. Acertar por casualidade, ganhar por chiripa.

CHIRIPEIRO, s. e adj. Chiripento.

CHIRIPENTO, s. e adj. Diz-se de ou indivьduo que ganha no jogo por casualidade; que acerta em qualquer assunto por puro acaso. O mesmo que chiripeiro ou chiripero.

CHIRIPERO, s. adj. O mesmo que chiripento.

CHIRISCA, s. Nada. Nem o mьnimo.

CHIRU, s. e adj. ═ndio, caboclo, moreno carregado, que tem traуos de indьgena. Acaboclado, indiрtico. Xiru.

CHIRUA, s. e adj. Feminino de chiru. China, ьndia, cabocla.

“E na garupa, mui refestelada trazia uma chirua, com ar de querendona…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 15).

CHIRUADA, s. O mesmo que chiruzada.

CHIRUAZINHA, s. Caboclinha.

CHIRUZADA, s. Grande nЩmero de chirus, de um ou de ambos os sexos.

CHIRUZINHO, s. Diminutivo de chiru.

CHIRUZOTE, s. Chiruzinho jр meio crescido.

CHISPA, s. Faьsca.

CHITA, adj. Cor do pЖlo do cavalo oveiro, salpicado de pequenas manchas. (V. oveiro-chita).

CHн, inteij. Exprime desprezo: “Ora chЗ! Nсo tenho medo de ti nem de toda a tua raуa!”

CHOCOLATEIRA, s. Vasilha de folha usada para aquecer рgua e para preparar cafж. O mesmo que cambona.

CHн-╔GUA, interj. Exprime espanto, desagrado, desprezo, e tem a significaусo de: “Ora, nсo me amole!““ChЗ-жgua minha madrinha, vaca magra nсo caminha”, ж locuусo utilizada para exprimir debique, zombaria, troуa, desfrute.

CHOFERAR, v. O mesmo que choferear.

CHOFEREAК├O, s. Ato de choferear.

CHOFEREAR, v. Guiar automзvel.

CHн-MICO, interj. Exprime desprezo, espanto, escрrneo: “Ora, chЗ-mico! Pensei que fosse coisa muito superior.”

“Tinha seis braуas e meia E mais dois parmos e pico Na minha vida, chЗ mico!, Nunca vi coisa mais feia.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro Editor, 1978,p. 28).

CHн-MOSCA, interj. Exprime surpresa.

CHORADA, s. Algazarra que fazem os cсes no momento do levante do veado.

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CHORADEIRA, S. LamЩrio. Pedidos insistentes e humildes.

CHOR├O, s. Pedido ou requerimento acompanhado de muitos lamentos. (Nсo temos conhecimento do uso deste termo, que ж registrado por Teschauer).

CHORAR PITANGA, expr. Queixar-se sem motivo. Lamuriar-se.

CHORO, s. Pequena quantidade a mais de leite que os vendedores ambulantes lanуavam na vasilha do comprador para ressarci-lo de pequenas quebras.

CHORO DO GADO, expr. Lamento do gado, onde ж morta uma rЖs.

“Vagaroso, escarvando o chсo a espaуos, um grande touro avanуou, farejou a terra, e, de pescoуo estendido, como se fitasse, evocativo, as sombras nutantes sobre os longes da noite, atroou o escampo com um longo mugido repassado de angЩstia. Outras reses acudiram, em tropel, ao berro trрgico e principiou, indescritьvel, cheio de amargura, inarticulado, porжm expressivo, no silЖncio do plaino, sob o crescente pрlido, o coro funerрrio dos irmсos do pampa Я vьtima do homem. Litania selvagem, de vozes incompreendidas, dir-se-ia haver naqueles sons, ora esmorecidos em infinita mansidсo, suaves de soluуo, ora ameaуadores, em despedaуadas explosшes brutescas, mais do que um ato instintivo, – um adeus amigo, uma solidariedade consciente, uma desordenada revolta contra o destino implacрvel. Era como se imprevista vibraусo de ignoto e de saudade abalasse aquelas consciЖncias obscuras numa primeira intuiусo, rompendo subitРnea Я luz de incerta religiosidade, a treva densa, imperscrutada, misteriosa, do ser animal. E era como se o amor, um amor fraterno inteligente, purьssimo, todo de alma, unisse no mesmo culto mortuрrio, em face do acampamento mudo, os feros coraушes dos touros xucros …” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910,p. 179). “Nсo vЖ, isso que acontece nos lugares onde se sangra uma rЖs pra carnear. De noite vЖm as pontas de gado chorar e babar ali. E berram, e choram, e babam e andam na volta. Nсo se cansam de berrar, de chorar, de babar, de andar em volta. ╔ coisa triste. Parece coisa do outro mundo, que deixa um medroso. Atж os cachorros ficam nervosos e estropiados por dentro, com aquela choraусo tсo triste, aquela tristeza tсo aflita.” (Sylvio da Cunha Echenique, Fagulhas do meu Isqueiro, Pelotas, Ed. Hugo, 1963, p. 59).

“Mas de tarde sempre fico triste, porque o gado parece atж que reza missa, e fica a soluуar, cavando terra, onde o companheiro foi sangrado. Depois vсo se esparramando, no paSSito, berrando, num gemido muito feio. Atж parece um adeus de despedida… ╔ o “terуo” da saudade do rodeio.” (Vargas Neto, Tropilha Crioula e Gado Xucro, P.A., Globo, 2ф ed., 1959, p. 45).

“└ frente da fazenda antiga, Velho solar histзrico dos pampas, Berram as reses mansas Em torno de poуas de sangue ene-

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(grecido. Berram dolorosamente Я irmс sacrificada Aqueles mugidos dolorosos, Gemidos de saudade, Vсo pelas canhadas e coxilhas, Como uma mЩsica plangente e funerрria. Naquela hora crepuscular, Quando o dia agoniza, E o pampa repousa na quietude verde, VЖm as reses chorar sobre o pasto manchado de vermelho-negro… Rжquiem solene na amplitude agreste. Longos, dolorosos bramidos de saudade, Prece, talvez, das vacas mansas No seu ritual ignorado Miserere bрrbaro dos pampas!” (Manoelito de Ornellas, Miserere Bрrbaro).

CHORONAS, s. Esporas de ferro, de grandes rosetas, que retinem quando movimentadas, usadas pelos domadores.

CHORRO, s. Jorro.

CHOUR╔M, s. Doente, sarnento.

CHOURIКO, s. Parte acolchoada do rabicho, que ж colocada por baixo da cola do animal.

CHUCHERIAS, s. Miudezas, ou bugigangas.

CHUCHO, s. Calafrio, tremor de frio, sezшes febre intermitente. Tremor por medo.

CHUCRO, adj. Bravio, esquivo, nсo domado; amargo. “Gado chucro”, gado bravio; “Cavalo chucro”, cavalo nсo domado; “Cafж chucro”, cafж sem aуЩcar, amargo. Var.: Xucro.

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CHULA, s. Danуa masculina, constante de sapateados e evoluушes em torno de uma lanуa largada no chсo.

“Velha Chula individual que vem de remotas eras, da solidсo das taperas perdidas num ervaуal. Marcaste o pampa imortal no repicar das chilenas, nos olhares das morenas, saudando os sapateadores. Abrem o peito os cantores. Berra a cordeona dos baixos. Chula ж danуa de ьndio macho em desafio, por amores…” (AntЗnio Augusto Fagundes, Danуas GaЩchas, Antologia da EstРncia Poesia Crioula, P.A., Salina, 1970, p. 189).

CHULEADO, adj. Diz-se do jogo em que se chuleou, em que houve chuleio.

CHULEAR, v. Torcer (na acepусo esportiva). Ir examinando aos poucos a carta ou as cartas do baralho, descobrindo-as lentamente, na expectativa de conseguir formar o jogo desejado. // Estar na espectativa e com esperanуa de conseguir qualquer coisa.

CHULEIO, s. Ato de chulear.

CHULEPENTO, adj. Diz-se do que tem chulж.

CHUMBEADO, adj. Embriagado, bЖbado, tragucada, chupado. // Baleado.

“Sз me afasto daqui chumbeado de morte. Eu brigo no lombo de meu cavalo, em meu torrсo natal e de minha mulher.” (Jhamil Barreiro, Outras Estзrias, in Escritores do Brasil, organizado por Aparьcio Fernandes, RJ, Ed. Arte Moderna Ltda., 1981,p. 236).

CHUMBEAR, v. Atingir com tiro de chumbo.

CHUPADO, adj. Embriagado.

CHUP├O, s. Inseto hemьtero de que hр vрrios gЖneros com diversas espжcies, podendo todas transmitir o Trypanosoma cruzi, agente etiolзgico da Doenуa de Chagas. Tryatoma infestans ж a espжcie domiciliрria e dominante no Rio Grande do Sul, onde ж chamado tambжm fincсo ou frade. No norte, tem a denominaусo de barbeiro. Nos paьses de lьngua espanhola da Amжrica, chamam-no de vinchuca.

“╔ mais conhecido no Norte e alhures sob a denominaусo de barbeiro, porque suga geralmente a face na regiсo da barba, sempre a mais exposta e descoberta durante o sono. No Rio Grande do Sul, tem os nomes vulgares de chupсo ou fincсo, e nos paьses americanos, de lьngua espanhola, de vinchuca.” (Raul di Primio, Doenуa de Chagas e Regionalismo GaЩcho, P.A., Globo, 1959, p. 23).

CHUPAR, v. Beber, embriagar-se.

CHUPISTA, adj. BЖbado, borracho.

CHURRASCADA, s. Reuniсo de pessoas para participarem de um churrasco.

CHURRASCO, s. Assado. Carne assada diretamente sobre as brasas ou labaredas, com ou sem o emprego de espeto. Em geral, no churrasco, a carne ж mal cozida, e comida ainda meio sangrenta. ╔ iguaria usada desde a mais remota antiguidade. Homero, na Ilьada, e Virgьlio, na Eneida,jр se referiram a ela. // Chama-se, tambжm, churrasco, o pedaуo de carne a ser assado, mesmo quando ainda cru.

“... e duas mantas de carne fresca estalejavam chamuscadas, fumarentas, ao espeto. O churrasco perfumava o rancho com o cheiro ativo dos tecidos sangrentos mal tostaqdos” (A. Maia, Ruinas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 89).

CHURRASQUEADA, s. Ato de churrasquear.

CHURRASQUEADOR, adj. Apreciador de churrasco, o que gosta de comer churrasco.

CHURRASQUEAR, v. Preparar e comer o churrasco. Comer churrasco. Por ex tensсo, tomar qualquer refeiусo, comer, alimentar-se.

CHURRASQUEAR NO MESMO ESPETO, expr. Terem duas ou mais pessoas grande amizade, entre si. “Churrasqueamos no mesmo espeto”, isto ж, somos grandes amigos, nos damos muito bem.

CHURRASQUITO, s. Diminutivo de churrasco.

CHURRIADO, adj. PЖlo de gado vacum, no qual, sobre o pelame predominante, em geral osco, vermelho ou preto, aparecem listras de outra cor, brancas ou esbranquiуadas, como se fossem feitas por um lьquido que tivesse escorrido. // Borrado.

CHURRILHO, s. Diarrжia, desinteria que ataca o gado. O mesmo que churrio. // Tambжm se aplica Яs pessoas.

CHURRIO, s. O mesmo que churrilho.

CHURUMELA, s. Escrito maуudo, de leitura desagradрvel. Discurso maуante.

CHUSPA, s. Bolsinha feita da pele do papo da ema, ou de outro material, destinada a guardar dinheiro, fumo, papel de cigarros, miudezas. (Do quьchua).

CHUSQUE, adj. Gracioso, airoso, elegante. (Cast.).

CHUVA DE MOLHAR BOBO, expr. Chuva miЩda, garoa. (Expressсo registrada

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por Arthur Ferreira Filho, in Narrativas de Terra e Sangue, P.A., Ed. A Naусo, 1974, p. 115).

CHUVISQUEIRO, s. Chuva miЩda, chuvisco.

CIDRМ, s. Planta medicinal empregada no tratamento do estЗmago, dos intestinos, e como calmante dos nervos. (Lippia citriodora.).

CIGARRARIA, s. Charutaria, tabacaria.

CIGARRO CRIOULO, s. Cigarro enrolado em palha de milho.

CILHA, s. Tira de couro ou de pano com que se aperta a sela por baixo do ventre dos animais.

CILHADO, adj. Diz-se do animal que, no lugar da cilha, apresenta pЖlos de cor diferente da do resto do corpo.

CILH├O, adj. Diz-se do cavalo que tem o espinhaуo encurvado para baixo no lugar em que se colocam os arreios, entre a anca e as cruzes. Selado. // Cilha grande, cilha mestra.

CIMBRAR, v. Pealar de um modo especial.

CINCERRO, s. Campainha grande que se pendura ao pescoуo da жgua-madrinha, a cujo som os outros animais se habituam, mantendo-se sempre reunidos.

“De um cincerro Я batida incompassada andei tocando tropa pela estrada,” (Zeno Cardoso Nunes, QuerЖncia).

“Ouуo, como ecos tristes do meu canto, de um quero-quero os gritos de ansiedade, e, como alguжm gemendo, imerso em pranto, um cincerro a bater na soledade!” (Rui Cardoso Nunes, Almas Penadas, p. 27).

CINCHA, s. Peуa dos arreios que serve para firmar o lombilho ou o serigote sobre o lombo do animal. A cincha compшe-se de: travessсo, constituьdo de uma peуa retangular de couro, com uma argola em cada extremidade, que ж colocado sobre o lombilho, no local em que se senta o cavaleiro; barrigueira, constituьda de uma espжcie de trama de barbante ou tira de couro, com uma argola em cada extremidade, que, presa ao travessсo pelos lрtegos, cinge o cavalo pelo lado da barriga; lрtego, tira de couro que, presa a uma das argolas do travessсo o une Я argola da barrigueira, para apertar os arreios, no lado de montar, Я esquerda do cavalo; sobre-lрtego, tira de couro que prende a argola do travessсo Я argola da barrigueira, no lado de laуar, Я direita do cavalo. // Tambжm ж chamada chincha.

“╔ bruto – barbaridade – de se agЧentar o tirсo, quando a cincha da saudade nos aperta o coraусo.” (AntЗnio Augusto de Oliveira, Rastros de um Charrua, P.A., Martins Livreiro-Editor, p. 59).

CINCHADOR, s. Peуa de ferro ou couro presa Я argola do travessсo da cincha, do lado direito do animal, que serve para nela apresilhar-se o laуo. // adj. e s. Diz-se de, ou aquele que cincha. Cavalo cinchador ж o que sabe cinchar, conservando o laуo sempre esticado. // Tambжm se diz chinchador, para qualquer das significaушes.

CINCH├O, s. Cinta larga de tecido que, nos arreios de luxo, substitui, Яs vezes, a sobrechincha.

CINCHAR, v. Montado, manter um animal preso a uma das extremidades do laуo, a do lado da armada ou da argola, e ter a outra extremidade, a da presi-

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lha, ligada ao cinchador e, conseqЧentemente, Я argola do travessсo da cincha, do lado direito do cavalo de montaria. // Puxar, arrastar pela cincha. // Apertar a cincha. // Tambжm se diz chinchar, para qualquer das significaушes.

CINCHO, s. Pequena рrvore, Soracea Ilicifolia, cuja casca, quando fendida, exuda um leite de cor vermelha, de propriedades cрusticas, e neutralizante do efeito irritante da seiva do mata-olho. // Forma de madeira utilizada para o fabrico do queijo.

CINCO MANDAMENTOS, s. Os cinco dedos da mсo. A mсo.

CINTO-DE-COURO, s. Cinta larga de couro cru que se usa para evitar a fuga de presos em viagem. Suas extremidades estсo providas de ilhoses que permitem ser ela apertada ao corpo do paciente, pelas costas, com tiras de couro, Я semelhanуa dos antigos espartilhos de senhoras. Aos lados a cinta ж provida de presilhas para ligar ao corpo os braуos do prisioneiro.

CIOBA, s. Indivьduo pedante e adulador.

CIPМ-CRUZ, s. Chiococa anguicida. Tem propriedades medicinais para o tratamento da asma, de mordedura de cobra, etc.

CIPМ-DE-S├O-JO├O, s. Pyrostegia venasta. Trepadeira de flor amarela.

CIPМ-SUMA, s. Planta medicinal usada como depurativo. Paraguaia.

CIRCO, s. Formaусo em cьrculo de pessoas a pж ou a cavalo, no campo, com a finalidade de conter reunidos, em pequeno espaуo, animais que vсo ser pegados para utilizaусo.

CIRCUNSTANTES, s. As pessoas presentes em uma festa ou reuniсo.

CISCAR, v. Brigar, entrar em conflito.

CISCO, s. Partьcula de qualquer corpo caьda no olho.

CISQUEIRO, s. Caixote ou lugar onde se lanуam coisas inЩteis ou o cisco.

CLARO, s. Clareira, local limpo no mato.

CLAVADA, s. O fato de, quando se atira o osso, no jogo desse nome, cair ele de ponta e, depois, lentamente, deitar-se dando a “sorte”. Ato de clavar. // Logro, velhacada.

“Num bolicho de campanha, de volta de uma tropeada, botei ali uma olada a maior da minha vida: dezoito sorte corrida, quarenta e cinco clavada! (Joсo da Cunha Vargas, Gaudжrio, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970. p. 236).

CLAVAR, v. Produzir a clavada. // Enganar, lograr, trampear.

CLAVO, s. Prejuьzo, logro, perda, calote.

CLINA, s. Crina, cerda, cabelo comprido. (╔ palavra castelhana e do portuguЖs antigo).

CLINUDO, adj. e s. Animal nсo tosado, de clinas grandes. // Por extensсo, aplica-se ao indivьduo cabeludo.

COALHAR, v. Aglomerar, agrupar, reunir, juntar: “O pomar estр coalhado de frutas”.

COALHEIRA, s. Um dos estЗmagos do animal bovino que, por conter muito рcido, ж usado para coalhar ou coagular o leite para o preparo de queijo. // Mulher velha e feia.

COARADOR, s. O mesmo que quarador.

COARAR, v. Corar, no sentido de ficar, a roupa, exposta ao sol para branquear. // Permanecer por muito tempo num lugar.

COAR O GADO, expr. Deixar, quando se

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estр tocando gado para o rodeio, propositadamente, que se vсo desgarrando as reses de que nсo se necessita.

COBRA MANDADA, s. Coisa feita com premeditaусo, de forma velhaca. “O que aconteceu ao teu primo foi cobra mandada”, isto ж, o acontecimento em que teu primo se viu envolvido, jр havia sido velhacamente preparado para ele.

COBRA NARIGUDA, s. Cobra inofensiva das dunas do litoral rio-grandense, (Leptophis d’Orbigny.).

COBRE, s. Dinheiro de pouco valor.

COBREIRO, s. Erupусo que se alastra pela pele e que ж atribuьda ao fato de ter passado pelo corpo ou por sobre a roupa, quando estendida no quarador ou em outro lugar, uma cobra ou qualquer outro animal peуonhento. (Segundo a crendice popular, se o cobreiro fechar, isto ж, se uma ponta da erupусo atingir a outra, a pessoa morre. Para evitar que tal fato ocorra ж aconselhado que se escreva, com um palito molhado em tinta a Ave-Maria Яs avessas ao redor de toda a erupусo).

COBRIR A MARCA, expr. Bater na marca.

COКADEIRA, s. Aparelho para os porcos se coуarem, livrando-se dos piolhos e aplicando-se, ao mesmo tempo, um desinfetante.

COC├O, s. Uma рrvore da flora do Rio Grande do Sul: Erytroxylon Palleterianum.

COКAR AS CANELAS, expr. Ter ciЩmes.

COКAR-SE, v. Fazer menусo de sacar as armas.

COCEIRA, s. Comichсo.

COCHA, s. Destreza, Рnimo, coragem. Perder a cocha: desanimar.

COCHE! COCHE!, interj. para chamar os porcos. V. curж! curж!.

“Na lьngua quьchua, coche ж porco. No Minho ж Cuche! Cuche!” (Moraes).

COCHO, s. Recipiente de madeira ou de outro material, de vрrias formas e de vрrios tamanhos, que serve para diversos fins: para colocar sal para o gado nos rodeios, para dar raусo aos animais domжsticos, para lavar mandioca, para o fabrico de farinha, etc.

COCO, s. Cabeуa.

COCRE, s. Croque.

COCUMBI, s. Danуa festiva de africanos.

COCURUTA, s. O mesmo que cucuruto.

COCURUTO, s. O cimo de uma coxilha. SaliЖncia do terreno. Montьculo. // Corcunda. A giba do zebu. Calombo. Inchaуo.

CODILHO, s. Perda. Levar codilho, o mesmo que perder.

CODORNA, s. Perdiz, codorniz.

COERANA, s. Coirana. Planta arbustьfera, perene, de atж dois metros de altura, que apresenta certas propriedades medicinais, e, no entanto, possui um princьpio tзxico que mata o gado. (Solanum inaequale).

COER├O, s. Corno. Individuo que consente na infidelidade da mulher ou da amiga.

COGOTILHO, s. Tosadura que se faz nas crinas do cavalo, acompanhando a volta do pescoуo e baixando progressivamente entre as orelhas e para o lado das cruzes, onde, em geral, ficam algumas crinas compridas para que nelas o cavaleiro se segure. (V. meio-cogotilho).

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COGOTUDO, s. e adj. Pessoa ou o animal que tem o cogote muito grosso. Pescoуudo.

COICE, s. Lugar prзximo Я carreta,junto ao cabeуalho, onde vai a junta de bois do coice. A parte traseira de uma tropa. O mesmo que couce.

COICEAR, v. Escoucear, dar coices.

COICEIRO, adj. Diz-se do animal que tem o costume de dar coices. O mesmo que couceirO.

COIMA, s. Parada de jogo de osso. // A percentagem que cabe ao proprietрrio da cancha de jogo de osso.

COIMEIRO, s. O depositрrio da coima, ou seja, da parada, no jogo de osso. // Indivьduo que explora o jogo, em carreiras.

“O coimeiro Breno preparou a cancha de taba, armou a roleta na lanуa da carreta e comeуou a gritar: Quem quer arriscar a sorte?! Quem quer ficar rico na roleta?! Venham sз olhar o jogo, amigos!” (Ivan Pedro de Martins, Caminhos do Sul, P.A., Globo, 1946, p. 47).

COIRANA, s. Coerana.

COIREADA, s. O mesmo que coureada.

COIREADOR, s. O mesmo que coureador.

COIREAR, v. O mesmo que courear.

COISAS DO ARCO DA VELHA, expr. ReferЖncias a respeito de pessoas, que causam espanto ou admiraусo.

COIVARA, s. Roуa de mato derrubado e queimado. (Do tupi, coyurra, queima de roуa).

COIVARAR, v. Encoivarar. Fazer a coivara. Reunir os ramos que sobraram da queima da coivara em montes e tornar a queimр-los.

COLA, s. Encalуo, rastro. // A cauda dos animais. (╔ termo antiguado em Portugal, nesta acepусo, mas muito usado no Rio Grande do Sul).

“Quando ato a cola do pingo, E ponho o chapжu do lado, E boto o laуo nos tentos, Por Deus que sou respeitado.” (Quadra popular).

COLA ATADA, s. A cauda do cavalo atada de modo a formar um tope.

COLA DE SORRO, s. Variedade de capim, Andropogon condensatus.

COLA E LUZ, expr. Partido que se dр nas corridas de cavalos e que consiste em sair o parelheiro favorecido na frente, devendo seu competidor, para ganhar, fazer luz no laуo de chegada.

COLA-FINA, s. Denominaусo que o homem do campo dр aos habitantes da cidade, que nсo entendem das lides campeiras.

“Cola fina – Os cavalos de trato, cavalos de cocheira, cuidados com carinhos especiais, como os de prado, por exemplo, ou do andar de elegantes, tЖm, por isso, a cola fina, lisa, sempre bem penteada e lustrosa. Por isso denomina o gaЩcho de cola-fina ao homem da cidade, ou que nсo entende da vida do campo.” (Walter Spalding, BaЩ de EstРncia).

COLEAК├O, s. Ato de colear, conluio, apaniguaусo, alianуa para fins incon- fessрveis. Coleada.

COLEADA, s. Coleaусo. COLEAR, v. Fazer cair o animal vacum, puxando-o pela cola ou cauda.

COLEAR-SE, v. Conluiar-se.

COLHERA, s. Peуa de couro ou de metal utilizada para prender dois animais,

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um ao outro, pelo pescoуo. O conjunto dos animais atrelados pela colhera. // Figuradamente, dois indivьduos que andam sempre juntos. (Do castelhano collera significando cadeia dos forуados das galжs).

COLHUDO, adj. e s. Cavalo inteiro, nсo castrado. Pastor. Figuradamente, diz-se do indivьduo valente, que enfrenta o perigo, que agЧenta o repuxo.

COLINCHO, adj. Rabсo, em relaусo aos animais. De cabo ou alуa muito curtos, em relaусo a objetos.

COLMILHUDO, s. Diz-se do animal cavalar de grandes colmilhos, portanto jр velho. // Figuradamente, aplica-se Яs pessoas de idade avanуada.

COLONISTA, s. Os portugueses procedentes da antiga ColЗnia do Sacramento.

COLORADO, s. e adj. Cavalar ou muar de pelo vermelho. // Encarnado, vermelho vivo. “Baeta cobrada”, significa baeta encarnada, bem vermelha. // ╔ tambжm qualificativo de um partido polьtico do Uruguai, bem como de membro desse partido.

“╔s branca como jasmim, colorada como a rosa. Por teu amor eu daria Minha terneira barrosa.” (Quadra popular).

“Em cima daquele cerro Tem uma sela dourada Pra assentar meu amor Co’a divisa colorada.” (Quadra popular).

COLOREADO, s. O vermelho, a cor vermelha.

COLOREAR, v. Mostrar-se em sua cor vermelha, apresentar a cor vermelha.

“O mato estava cobreado de pitanga”. “A moуa coloreou quando soube da chegada do antigo namorado”. “Os lenуos dos maragatos enforcavam na coxilha”. “Mal pelaram as adagas e jр o sangue coloreou a testa de um deles.”

COLUDO, adj. Diz-se do animal que tem a cola grossa, isto ж, com muito cabelo.

COMADRES, s. Hemorrзidas.

COM A PULGA ATR┴S DA ORELHA, expr. Desconfiado.

COMBUCA, s. Porongo grande, com pequena abertura, que ж utilizado para guardar objetos. (╔ termo de origem tupi).

COMEDOR, s. A sala de jantar.

COMER CARONA, expr. Passar muito trabalho.

COMER COLA. expr. Ir sempre atrрs na corrida de cavalos. Perder a carreira por grande diferenуa.

COMER DE VIANDA, expr. Comer de marmita. Comer refeiусo fornecida a domicьlio, em marmita.

COMER E VIRAR O COCHO, expr. Ser ingrato, nсo reconhecer os favores recebidos.

COMER MOSCA, expr. Estar distraьdo, deixar-se iludir, estar atoleimado (chulo).

COME-UNHA. s. Usurрrio.

COMO. adv. Tanto quanto, coisa de: “Eu vinha como a uma lжgua quando comeуou o tiroteio”. // Usa-se, ainda, em frases como estas: “Como para que o senhor deseja o facсo?”, isto ж, para que o senhor deseja o facсo?” Diz-se em resposta: “Como para abrir picada”, isto ж, para ser usado em abertura de picada.

MODO, s. O andar do animal. Diz-se de bom ou de mau cзmodo, o cavalo

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ou o muar, conforme seu andar for agradрvel ou desagradрvel para o cavaleiro que o monta.

COM O P╔ NO ESTRIBO, expr. Prestes a partir.

COMO QUER, loc. conj. O mesmo que como quera.

COMO QUERA, loc. conj. Como quer que seja, de qualquer modo, seja como for, apesar disso, ainda assim, ж bem provрvel, possivelmente.

“Como quera, tou com vontade de nсo fazж mais festa” (Darcy Azambuja, No Galpсo).

COMPADRADA, s. Fanfarronada, bazзfia, jactРncia, gabolice, gauchada, arrogРncia, galhardia, palavrзrio de sujeito conversador. (╔ vocрbulo uruguaio).

“Nсo sou homem de com padradas, tenho uma cavalhada flor, de marca grande.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, p. 156).

COMPADRE, s. Diz-se do que pratica a compadrada. Pretencioso, jactancioso, pernзstico, pachola, cheio de si. // Diz-se, tambжm, para exaltar as qualidades de um objeto: “Que poncho compadre tem o Janguta”, isto ж, que poncho lindo tem ele. // Diz-se, ainda, em relaусo ao cavalo monarca, faceiro. (╔ vocрbulo uruguaio).

COMPADREAR, v. Praticar ou fazer com padrada.

COMPANHA, s. Companhia. (Os dicionрrios registram o termo como desusado ou antigo, nesta acepусo. Entretanto, no Rio Grande do Sul, principalmente na fronteira, tem ele uso bastante freqЧente). “Fulano veio Я festa em minha companha”, isto ж, comigo, em minha companhia.

“se andarem com gente estranha, devem ser mui precavidos, pois por iguais serсo tidos se a maus fizerem companha.” (Josж Hernрndez, Martьn Fierro, traduусo de J. O. Nogueira Leiria).

COMPANHEIRA, s. Mulher amancebada, amigada, amasiada, que vive com o homem como se fosse casada.

COMPOR, v. Preparar o parelheiro para disputar carreira, submetendo-o a trato especial e a variados exercьcios. Emprega-se o termo tambжm em relaусo a galo de rinha. // No Rio da Prata dizem compoыer.

COMPOSITOR, s. Pessoa que prepara o parelheiro para a corrida, e, tambжm, o galo para a rinha.

COMPOSTURA, s. Preparaусo do cavalo para corridas. Tempo empregado no preparo do animal para corridas. Estado ou condiусo em que se encontra o animal preparado para as corridas. “O parelheiro estр em compostura, para correr no prзximo mЖs.” “Este parelheiro estр em boa compostura”, isto ж, em bom estado para correr. “O tostado passou da compostura”, significa que o exercitaram em excesso, de maneira a prejudicar o seu estado fьsico, diminuindo-lhe a capacidade de correr.

COMPRAR A CAMORRA, expr. Reagir a a uma provocaусo. Picar-se.

“E relanceou os olhos pelos redores, esperando que algum comprasse a camorra; ninguжm se picou.” (Simшes Lopes).

COMPRAR A PARADA, expr. Aceitar um desafio feito a outra pessoa, para jogo ou para briga. Tomar dores por outro. // Meter-se em negзcio alheio. // Comprar parada.

COMPRAR PARADA, expr. O mesmO que comprar a parada.

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COMPROMISSO, adj. Importante. “Negзcio de compromisso”, isto ж, negзcio importante. “Carreira de compromisso”, isto ж, carreira de grande importРncia, pelo vulto da parada ou por qualquer outro motivo.

COM UM P╔ ATR┴S, expr. Prevenido, pronto para defender-se, para safar-se de uma situaусo desagradрvel.

CONCHAVADA, s. Criada, empregada, peona ou pioa, fРmula.

CONCHAVADO, s. Trabalhador assalariado, peсo de estРncia, empregado, criado de serviуo, pessoa que estр a soldo de outrem.

CONCHAVAR, v. Contratar os serviуos de alguжm, tomar alguжm como peсo ou empregado.

CONCHAVAR-SE, v. Alugar-se, ajustar-se, entrar para o serviуo de uma estРncia ou de uma casa, empregar-se como peсo. // Amasiar-se, amancebar-se.

CONCHAVO, s. Ajuste de emprego. Emprego domжstico. // Significa tambжm combinaусo entre duas ou mais pessoas.

CONCHO, adj. Confiante. EmpregadЗ na expressсo mui concho com o sentido de despreocupado, muito confiante.

CONCLUDIR, v. Deduzir, concluir, inferir.

CONDE DE BARALHO, expr. Diz-se do cavalo muito bom, monarca, bonito, semelhante ao em que monta o conde no baralho espanhol.

CONDENADO, adj. Mau, perverso, endiabrado, safado. “Fulano ж um condenado”, isto ж, safado, mau.

CONFIANКA, s. Empregado, animal, ou pessoa amiga, de confianуa, com quem se pode contar em qualquer situaусo.

CONFORME, adv. Logo que, Я medida que.

CONGONHA, s. Erva-mate verdadeira, legьtima, de boa qualidade. Erva-mate preparada com folhas secas na sombra, sem o calor do fogo. (Vem do tupi, gзgЗi ou cogoi, folha, erva).

Quem quiser que eu cante bem DЖ-me um mate de congonha, Para limpar este peito Que estр cheio de vergonha. (Quadrinha popular).

CONGONHAR, v. Matear, tomar mate, tomar mate de congonha.

CONJUNTA, s. Tira de couro, macia, comprida, com trЖs centьmetros de largura, com que se prende o boi ao jugo pela base dos chifres.

CONT╔RRITO, adj. Aterrorizado, espantado. (Antiq. em Portugal).

CONTESTAR, v. Responder, replicar.

CONTiNENTE, s. Denominaусo popular do Estado do Rio Grande do Sul desde os tempos coloniais atж Я Revoluусo de 1835.

“Nas vetustas paredes do solar Ainda ecoam as vozes dos Farrapos, Em ordens, confabulaушes guerreiras Dos invictos centauros do decЖnio Que ж pрgina soberba, imperecьvel, Do Continente motivo de orgulho Da altiva gente que aqui nasceu.” (Adecarlice Ferreira Porto Alegre, Oblata, P.A., Ed. Thurmann, 1958, p. 45).

CONTINENTE DEL REI, s. Antiga denominaусo do Estado do Rio Grande do Sul.

CONTINENTE DE S├O PEDRO, s. O mesmo que Continente.

CONTINENTE DE S├O PEDRO DO SUL, s. O mesmo que Continente.

CONTINENTE DE VIAM├O, s. Antiga denominaусo do Estado do Rio Gran-

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de do Sul.

CONTINENTE DO RIO GRANDE, s. Antiga denominaусo do Estado do Rio Grande do Sul.

CONTINENTE DO RIO GRANDE DE S├O PEDRO, s. Antiga denominaусo do Estado do Rio Grande do Sul.

CONTINENTINO, adj. Continentista.

CONTINENTISTA, s. e adj. Habitante do Rio Grande do Sul, especialmente o revolucionрrio de 1835.

“este vocрbulo provavelmente nasceu da necessidade de se diferenуar os naturais do R.G. do Sul dos ilhжus catarinnenses e aуorianos.” (Moraes).

CONTRABUZINA, s. Peуa oca de aуo, de forma tronco-cЗnica, com a qual se reveste a buzina, para impedir o desgaste originado do atrito do eixo com a roda.

CONTRAMARCA, s. a marca aplicada em dois lugares e tem por fim indicar que o animal que a traz deixou de pertencer ao proprietрrio dela.

CONTRAPONTEADOR, s. e adj. Diz-se de ou a pessoa que tem o hрbito de contrariar, de contrapontear.

CONTRAPONTEAR, v. Contrariar, contradizer, retrucar, atrapalhar, aborrecer.

CONTRAPONTEAR-SE, v. Altercar, ter desinteligЖncia.

CONTRATAR, v. Fazer contrato ou pacto com alguжm.

CONTRA VOLTA s. Volta, volteio, giro em sentido contrрrio ao anterior.

CONVENTILHO, s. Prostьbulo.

CONVIDANTE, adj. Convidativo, que convida.

CONVIDAR O CAVAlO NAS PUAS, expr. Cravar as esporas no cavalo.

CONVIDAR-SE, v. Combinarem-se os corredores, na carreira de cavalos, para a largada dos parelheiros, isto ж, para o inьcio da corrida.

COPAR A BANCA, expr. Aceitar o jogo. (No jogo de cartas, quando hр banqueiro e quando este anuncia o mрximo da banca, um dos jogadores declara “copo a banca”, o que significa que ele jogarр contra o banqueiro, devendo pЗr na mesa a importРncia arbitrada).

COPAS, s. Peуas convexas e redondas, de prata, postas nas extremidades do bocal do freio campeiro. Muitas vezes se usam moedas, de prata ou de nьquel, para substituir aquelas peуas. O freio campeiro que tem essa guarniусo ж chamado freio de copas.

COQUEIRO, s. Jerivр, (Coco Romansoffiana).

CORAКONADA, s. Aquilo que o coraусo diz ou dita. Pressentimento, palpite.

CORAJUDO, adj. Diz-se de quem tem coragem. Corajoso, valente.

CORCOVEADOR, adj. Diz-se do animal, cavalar ou muar, que corcoveia.

CORCOVEAR, v. Pinotear. Dar o animal corcovos, isto ж, dar saltos, curvando o lombo para lanуar fora de si o cavaleiro.

CORCOVO, s. Pinote, pulo, movimento que faz o cavalo para lanуar do lombo o cavaleiro.

CORCUNDA, s. Alcunha que os farrapos davam aos legalistas. O mesmo que absolutista, camelo, carwnuni, galego, restaurador.

CORDA, s. Terno chulo com que os campeiros Яs vezes designam o laуo.

COR DE BURRO QUANDO FOGE, expr. Diz-se de uma cor, com intenусo

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depreciativa: “Ele estр com uma roupa cor de burro quando foge.” / PЖlo de animal de cor indefinida.

CORDEIRAGEM, s. Rebanho de cordeiros; porусo de cordeiros.

CORDEIRO, adj. Manso, pacьfico.

CORDEONA, s. Gaita de foles, sanfona, acordeona. Var.: Cordiona.

“A cordeona ж um instrumento que se parece Я mulher: se nos alegra um momento, nos faz chorar, quando quer.” (Luьs Alberto lbarra, Canусo do Sul, P.A., Secretaria da Agricultura, 1958, p. 34).

CORDIONA, s. O mesmo que cordeona.

COREAR, v. Esfolar, tirar o couro. // Matar.

CORINCHO, s. Topete, bazзfia, pimponice, proa, prosa, fanfarronada, arrogРncia, petulРncia. (Este termo, em geral, ж usado na expressсo quebrar o corincho).

“Em uma localidade deste Estado, no tempo da monarquia, numa inquiriусo de testemunhas sobre crime de morte, uma daquelas declarou que o rжu dissera que havia de escangalhar o corincho e tirar a vida a muita gente boa; a vista do que o juiz, que era nortista e nсo conhecia a terminologia rio-grandense, perguntou ao oficial de justiуa presente: Quem era esse tal corincho e se nсo estava arrolado como testemunha! A gargalhada na sala do tribunal foi geral e o juiz ficou desde entсo sabendo o que significava corincho, embora custasse-lhe isso o pagamento de uma chapetonada, conforme nos disse o nosso patrьcio informante do caso. Suponho que este vocрbulo derivase do hispano-americano curiche.” (Romaguera). “E Nicomedes sempre se saia bem, nсo sз quebrando os corinchos das crias tidas como rebeldes, para uma doma que nсo deixasse a heranуa de uma balda, como tambжm proporcionando espetрculos emocionantes Яqueles que desconhecem os arrojados lances das lides campeiras do Rio Grande.” (D’┴vila Flores, ┌ltimo Rastro, P.A., Imprensa Oficial, 1958, p. 22).

CORNAуO, s. Coroada, chifrada, marrada. Pancada com os cornos.

CORNADA, s. O mesmo que cornaуo.

CORNEADOR, adj. Diz-se do animal bovino que costuma dar cornadas.

CORNEAR, v. Dar cornadas, chifradas, marradas.

CORNETA, s. e adj. Diz-se de ou o vacum a que falta um dos chifres ou que possui um deles quebrado. (O boi corneta sempre ocasiona problemas na tropa em que anda, pois, nсo estando em igualdade de condiушes com os outros para brigar, estр constantemente fugindo e dando trompрzios a torto e a direito). // Por extensсo, diz-se do indivьduo intrometido, trapalhсo, indisciplinado, trЖfego, rixoso, arengueiro, inquieto, que dр mau exemplo.

“Dice el refrрn que en la tropa Nunca falta un gЧey corneta:” (Josж Hernрndez, Martьn Fierro).

CORNETEAR, v. Fazer o papel do individuo corneta, isto ж, do intrometido, do trapalhсo, do arengueiro.

CORNO, s. Marido cuja mulher prevarica.

CORNUDO, adj. Que tem grandes cornos.

COROAR, v. Capinar, na lavoura inуada de mato, um determinado circulo e

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nele abrir a cova para o plantio do grсo.

COROBICHO, adj. Diz-se do cavalo forte, resistente, muito bom.

CORONILHA, s. ┴rvore (Scutia Buxifolia, Reiss) cuja madeira ж muito resistente. // Em sentido figurado, indivьduo forte, guapo, disposto, resistente, valente. // Avarento.

CORPEADA, s. Negaуa com o corpo.

CORPEAR, v. Fazer negaуa com o corpo. Usar de esperteza para defender-se.

“Estр disposto a esperar com paciЖncia que chegue a sua hora, mas enquanto lhe sobrarem forуas hр de corpear, porque ж corpeando que se vive.” (Cyro Martins, Paz nos Campos, P.A., Globo, 1957, p. 152).

CORREAME, s. Peуas que formam o arreamento das viaturas.

CORREDEIRA, s. Trecho encachoeirado de rio ou arroio. / Churrilho, caganeira.

CORREDOR, s. Estrada que atravessa campos de criaусo, deles separada por cercas em ambos os lados. Hр, entre as cercas, regular extensсo de terra, onde, por vezes, se arrancham os que nсo tЖm onde morar. // Jзquei. Indivьduo que monta o parelheiro nas corridas de cavalo. // Indivьduo encarregado de, nas rinhas, entrar no tambor para instigar Я briga os galos jр cansados. // Anel de tiras de couro, ou tentos, tranуadas, ou anel metрlico, usado para apertar a costura de peуas do arreamento.

-“E todos marcam no corredor o traуo de suas vidas. O corredor vai de coxilha em coxilha, de sanga em sanga, entra e sai por cidades, sobe e desce pelos campos, arrastando a grande corrente das vidas de todos os tipos, grandes e pequenas, humildes e herзicas, cheias de dores e cheias de esperanуa. Em seu pз baila muito do que forma a vida das coxilhas todas.” (Ivan Pedro de Martins, Caminhos do Sul, P.A., Globo, 1946,p. 204). “Era profundamente doloroso o ver-se dezenas e dezenas de pessoas de todas as idades, em longas e vagarosas filas, palmilhando corredores, cortando campos, passando fome e frio, para alcanуar algum lugar onde pudessem viver.” (Francisco Pereira Rodrigues, Terra Afogada, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1979,p. 151). “Corredor comprido e reto como este tЗ pra vЖ. Os herdeiros dividiram com olho de gaviсo. Coisa a perder de vista. Sobe e desce coxilha na mesma direусo. Dр pra enxergar o fim do mundo…” (Tau Golin, TrЖs lжguas de volta, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1980, p. 30).

CORREIК├O, s. Grande quantidade de formigas que, de vez em quando, invadem as habitaушes, percorrendo-as canto por canto, em perseguiусo a todos os insetos nelas existentes, e que, a seguir, desaparecem assim como surgiram.

CORRENTOSO, adj. Diz-se do rio ou arroio cujas рguas correm com grande rapidez. (Segundo Granada o vocрbulo ж empregado tambжm no Rio da Prata).

CORRER EM CONDIКНES, expr. Correr bem. Processar-se a carteira na forma ajustada.

CORRER NA ORELHA, expr. Em carreira de cavalos, correrem os parelheiros em igualdade de condiушes.

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CORRETISMO, s. TendЖncia afetada de, na linguagem falada ou escrita, manter rigorosa pureza e correусo.

“E dos que tЖm feito estas vсs e temerрrias tentativas, para alardearem um corretismo balofo…” (Cezimbra Jacques, Assuntos do Rio Grande do Sul, P.A., 1912,p. 14).

CORRIDA, s. O mesmo que carreira. // Vide a expressсo botar a corrida fora. // adj. Diz-se de animal fЖmea quando no cio.

“╔gua corrida, sem pastor… sempre acha um retalhado…” (Mрrcio Dias, Brumas da Minha Saudade, p. 32).

CORRIDO, adj. Diz-se do galo de rinha que, por ter sido vencido, foge dos outros, ressabiado de brigar. Animal no cio.

CORRIMAКA, s. Carreira, tropel, feito pelas crianуas em suas brincadeiras.

CORRUIRA, s. Pequeno pрssaro da famьlia dos Trogloditьdios. Curruьra. Em outras partes do paьs tem os nomes de cambaxirra, carriуa, garriуa, garriуo, garrincha, etc.

CORTADO, s. A quarta parte da antiga moeda chamada boliviano. // Inquietaусo, apuro: “Esse novo fiscal traz os comerciantes num cortado.” // Ornato em relevo que se faz cortando; recorte.

CORTA-MORTALHA, s. Ave noturna que segue o viajante e que emite um som semelhante ao que produz uma fazenda que se rasga. (Os supersticiosos dizem que o corta-mortalha ж de mau agouro, que prenuncia desgraуas).

“Como um corta-mortalha, mau, de agouro, que rasga pano diante do tropeiro lhe trazendo notьcias de desgraуa, – uma leva de tristes pensamentos de ruьnas, de luto e sofrimentos, rasgando pano em nossas mentes passa.” (Zeno Cardoso Nunes – O Dia” V”).

CORTAR, v. Separar, apartar. “Da tropa que veio da invernada velha cortamos vinte reses”, isto ж, separamos vinte reses. “Depois de viajar umas duas horas, me cortei dos companheiros”. Ao verbo cortar-se no sentido de separar-se, Яs vezes junta-se a expressсo que nem tento. II Secar, dividir, separar as рguas de um arroio ou de um rio: “O arroio cortou-se por causa da seca”, isto ж, teve o seu curso interrompido pela seca.

“Atendendo Я solicitaусo do bravo revolucionрrio cortou-se da forуa e, a cavalo, apareceu, em terreno limpo, a fim de ter o entendimento pedido pelo inimigo.” (S. Faria CorrЖa, Serro Alegre, 1933, p.62).

CORTAR A CONVERSA, expr. Interromper a conversa.

CORTAR A PARTIDA, expr. Sustar o corredor a largada de seu parelheiro, no laуo de saьda, embora tenha dado a impressсo de que iria correr. Em grande nЩmero de casos as partidas sсo cortadas por velhacaria ou por habilidade dos corredores que procuram, na largada, obter vantagem sobre seu competidor. // Em sentido figurado, cortar a partida significa negar-se, usar de subterfЩgios.

CORTAR CAMPO, expr. Viajar fora das estradas, atravessando os campos.

“E vinha mesmo o cascudo do Bertoldo, nсo pela estrada real, mas do rumo da chacrinha, cortando campo em direусo ao caponete,

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acampamento dos aramadores.” (Aureliano, Memзrias do Coronel Falcсo, P.A., Ed. Movimento, 1974, p. 203).

CORTAR-SE, v. Mudar de rumo, tomar direусo diferente da que vinha seguindo.

CORTAR-SE DE DINHEIRO, v. Ficar desprovido de dinheiro.

CORTAR-SE QUE NEM TENTO, expr. O mesmo que cortar-se, com o sentido de separar-se, mudar de rumo: “Vou com eles atж o Passo e de lр me corto que nem tento para a cidade”.

“Sou torena e meio abarbatado, Se me pisam no poncho jр me esquento, E puxo do facсo enferrujado, Por vida – que daqui me nсo ausento Sem deixar algum diabo codilliado, E entсo jр me corto que nem tento.” (Popular).

CORTAR UMA PONTA, expr. Separar da tropa um grupo de animais, sem escolhЖ-los. (Quando um estancieiro vende parte do gado por uma ponta cortada, vende reses boas e mрs, separadas sem escolha, pelo corte de uma ponta da tropa, evitando a saьda de somente as melhores reses, o que desvalorizaria o restante do gado).

CORTAR VOLTA, expr. Desviar-se. Procurar enganar. Usar de subterfЩgios.

CORTE, s. Condiусo de abate para consumo, em relaусo ao gado. Gado de corte ж, pois, aquele que estр em boas condiушes de carnes e de gordura, podendo ser vendido a charqueadas, aуougues ou frigorьficos, para abate e consumo. No gado de corte nсo se incluem vacas de cria nem animais com menos de trЖs anos, excetuados os atuais terneiros precoces, que podem ser abatidos aos dois anos de idade. // Emprega-se, tambжm, em sentido figurado.

“A cordeona chorosa jр nсo chora na tirana, no chote, como outrora, quando o campeiro sua mрgoa expande! Tudo vai se findando, guasca forte! O tempo vai tirando para o corte as tradiушes mais lindas do Rio Grande!” (Rui Cardoso Nunes – Tropilha Perdida).

CORTICEIRA-DO-MATO, s. Seivo ou seibo. Corticeira do banhado. Erythrina crista galli, pertencente Яs PapilionрCeas.

CORUJA-DO-CAMPO, s. Uma variedade de coruja do campo, que habita em tocas. (Speotyto cuniculрria).

CORUJEIRO, adj. Bom, excelente, esplЖndido, agradрvel Я vista: “Esporas corujeiras”, isto ж, esporas lindas, agradрveis Я vista. // Diz-se, tambжm, da pessoa sempre disposta para tudo. // O mesmo que corujudo.

“Conto contigo, ьndio velho corujeiro”. (Callage).

CORUJUDO, adj. O mesmo que corujeiro.

COSCOR├O, s. Indivьduo rЩstico, atrasado.

COSCМS, s. Rosetas de ferro, colocadas no meio do bocal do freio campeiro, para fazer bulha. (╔ corrupусo do castelhano coscoja).

“Sob o umbu, de maneia, o cavalo de Roberto mosqueava-se Я sombra, mordendo o coscзs do freio.” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ., Pimenta de Melo & C., 1922, p. 66).

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COSCOSEAR, v. Movimentar o coscзs, produzindo o seu ruьdo caracterьstico.

COSCOSEIRO, adj. Diz-se do cavalo que faz funcionar com freqЧЖncia o coscзs.

COSQUENTO, adj. O mesmo que cosquilhento e cosquilhoso.

COSQUILHENTO, adj. O mesmo que cosquento e cosquilhoso.

COSQUILHOSO, adj. Coceguento. Muito sensьvel Яs cзcegas. O mesmo que cosquento, cosquilhento e cosquilhudo. // Em sentido figurado, diz-se de quem ж suscetьvel, de quem se melindra facilmente.

COSQUILHUDO, adj. O mesmo que cosquilhoso.

COSTA, s. Margem de um rio, arroio, lagoa, mar, oceano, banhado, regiсo, mata, planьcie, cerca, etc.: “Pernoitamos na costa do rio Camaquс e na manhс seguinte andamos vрrias horas pela costa de um alambrado.”

COSTA ABAIXO, expr. Terreno a descer, declive. // Em sentido figurado, um disparate, uma tolice: “Nunca vi coisa mais costa abaixo do que isso.”

COSTA ACIMA, expr. Terreno a subir, aclive. // Em sentido figurado: Coisa sem pж nem cabeуa, disparate, tolice. // O mesmo que costa arriba.

COSTA ARRIBA, expr. O mesmo que costa acima.

COSTANEIRA, s. A primeira tрboa tirada de um toro cilьndrico, nas serrarias ou engenhos de serrar madeira.

COSTANEIRO, s. Tropeiro que segue em um dos flancos da tropa.

COSTEADO, adj. Diz-se do gado que ж trabalhado freqЧentemente, e, por isso, manso.

COSTEAR, v. Submeter a costeio. Trazer o gado freqЧentemente ao rodeio ou Я mangueira para que fique bem manso e acostumado a obedecer os campeiros que lidam com ele. // Seguir pela costa de rio, arroio, lagoa, mar, oceano, banhado, regiсo, mata, planьcie, cerca, etc. // Corrigir defeitos de um indivьduo por meio de castigo. // Fazer alguжm sofrer, por desforra.

COSTEIO, s. Ato de sujeitar o gado a rodeios freqЧentes, ou de recolhЖ-lo, seguidamente, Я mangueira ou curral, para amansр-lo e acostumр-lo a obedecer aos campeiros que lidam com ele. // Castigo, ato de corrigir alguжm: “A professora deu-lhe um bom costeio”, isto ж, tratou-o com energia para que se corrigisse de seus defeitos.

COSTELHAR,s. O mesmo que costilhar.

COSTILHAR, s. Parte da carne da rЖs que cobre as costelas. As costelas do vacum com a carne que as cobre. O assado ou churrasco feito dessa carne. O costilhar ж muito saboroso, especialmente se for de rЖs bem nova.

COTEJAR, v. Comparar, avaliar. Cotejar um cavalo com outro ж fazer ambos correrem para verificar qual deles estр em melhores condiушes de carreira. Cotejar dois objetos ж examinр-los, provр-los, experimentр-los para verificar qual deles ж o melhor ou o mais bonito.

COTEJO, s. Ato de cotejar. Comparaусo que se faz entre dois cavalos ou entre objetos para verificar qual o melhor.

COTO, s. Indivьduo que tem um braуo mutilado. // Faca pequena e ordinрria. // Coto, coisa pequena.

COTUBA, adj. O mesmo que cutuba.

COTUCAК├O,s. Ato de cotucar.

COTUCAR, v. O mesmo que cutucar.

COUCE, s. O mesmo que coice.

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COUCEIRO, s. O mesmo que coiceiro.

COURAMA, s. Grande quantidade de couros.

COUREADA, s. Aусo de courear. Var.: Coireada.

COUREADOR, s. Aquele que coureia. Var.: Coireador.

COUREAR, v. Tirar o couro de animal, morto no campo, de peste, magreza ou desastre. Nсo se aplica courear em relaусo aos animais abatidos para consumo, usando-se, neste caso, tirar o couro.

COURO-CRU, s. Couro nсo curtido, seco pelo tempo.

COURO NONATO, s. Couro do terneiro encontrado no ventre da vaca carneada.

“Produtos exportados pela Mesa de Rendas de Quaraь... Couros nonatos secos, couros nonatos salgados …” (Relat. da Secret. de Estado, Anexo de julho de 1916, P.A.).

COVA DE TOURO, s. Escavaусo que o touro faz com os chifres e as patas, como provocaусo, quando se prepara para a luta.

COVOADA,s. Vale entre duas coxilhas.

COXILHAS, s. Grandes extensшes onduladas de campinas cobertas de pastagem, que constituem a maior parte do territзrio rio-grandense e onde se desenvolve a atividade pastoril dos gaЩchos.

“No sentido figurado coxilha ж o Rio Grande livre, o Rio Grande tradicional, a sua vida de guerras e a sua vida de estРncias, o trabalho campesino, em suma”. (Callage). “O termo ж evocativo como poucos. Quando se diz – coxilhas – vem logo Я lembranуa 35, 93 e 23; as guerrilhas e as escaramuуas; o minuano a cortar as carnes com o frio irresistьvel; umas carretas num pouso ao luar; um gaЩcho a galopar de pala ao vento; baguais correndo Яs soltas…” (Manoel do Carmo, Cantares da minha terra).

“Coxilhas do Rio Grande, Coxilhas do meu pago que eu revelo, prazeiroso, agora! Sob a toalha verde dos gramados, sois os altares onde a tarde reza o rosрrio de mil contas da Saudade!” (Roberto Osзrio JЩnior, Versos de Ontem e de Hoje, Alegrete, Cadernos do Extremo Sul).

COXILH├O, s. Coxilha grande, muito extensa, espжcie de chapadсo.

“Outro gado verр, de raуa estranha, nos campos lр da Serra e da Campanha, povoando coxilhшes, vрrzeas escampas!” (Rui Cardoso Nunes, Tro pilha Perdida).

COXINILHO, s. Tecido de lс, tinto geralmente de preto, que ж colocado sobre os arreios, para cЗmodo do cavaleiro. Var.: Coxonilho.

COXONILHO, s. O mesmo que coxinilho.

COZIDO, s. Fervido, puchero.

CRACA, s. O mesmo que caraca.

CRACR┴, s. Termo onomatopaico designativo da voz da coruja.

CRA┌NO, adj. Boi preto muito retinto. O mesmo que caraЩno.

CRAVADOR, s. Espжcie de furador de aуo, usado para trabalhar em couro.

CRAVINA, s. Pequeno pрssaro de plumagem cor de sangue, encontrado no Rio

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Grande do Sul.

CRAVO-DE-DEFUNTO, s. Denominaусo de uma variedade de cravo de cor roxa.

CRAVO-DO-MATO, s. Planta medicinal da famьlia das Bromeliрceas, usada como diurжtico e contra a blenorragia. (Tillandsia Dianthoidea).

CRECA, s. Careca, calvьcie.

CRESCER, v. Tomar atitude agressiva contra alguжm: “O touro cresceu para cima do peсo”, isto ж, investiu contra ele. // Encher, o rio. Aumentar, o rio, o seu volume de рgua: “Como o rio estava crescendo e a chuva ainda nсo havia parado, achei melhor atravessр-lo antes que isso fosse impossьvel.”

CRESКUDO, adj. Crescido, com bom desenvolvimento fьsico.

CRESPO, adj. Difьcil, рspero. Animal que tem o pЖlo encarapinhado.

“Fora uma agachada crespa, segundo a frase favorita do gaЩcho no relato romanciado de tais lances.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello& Irmсo, 1910, p. 9).

CRIA, s. Filho, de animal ou de pessoa. “Comprei uma vaca de cria” isto ж, comprei uma vaca e um terneiro, filho da vaca. “Tenho de ir para casa cuidar das crias”, isto ж, cuidar dos meus filhos. O termo serve tambжm para indicar procedЖncia: “Aquele touro ж cria da Fazenda Velha”, isto ж, procede da Fazenda Velha; Serve ainda o vocрbulo para designar pessoa de descendЖncia humilde criada a expensas ou sob o patrocьnio de outrem:

“Mulato velho mui sжrio cria de Dona Maruca.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 15).

“Meu vьcio ж o mate amargo e chinas da cima grande. Sou cria deste Rio Grande. Me criei meio a cavalo. Nсo gosto de errar pialo. Perdoem a petulРncia, mas nasci lр numa estРncia nas margens do Sсo Gonуalo.” (Josж Machado Leal, Um Tropeiro no Rodeio).

CRIAК├O, s. O conjunto de animais de uma estРncia. (Uma estРncia de 3.000 bovinos, localizada em Bagж, possuia a seguinte criaусo: 50 touros, 1,7%; 20 bois mansos, 0,6%; 800 novilhos, 26,7%; 1.000 vacas de cria, 33,3%; 400 vaquilhonas, 13,3%; 200 vacas de invernar, 6,7%; 530 terneiros, 17,7%).

CRIADEIRA, s. FЖmea que alimenta os filhos. Quando dispшe de bastante leite ж considerada boa criadeira e mр em caso contrрrio.

CRIADO, adj. Bem desenvolvido, corpulento, grande.

CRIADOR, s. Estancieiro, fazendeiro. // adj. Campo de boa pastagem, onde o gado se cria bem.

CRIATURA, s. Crianуa, feto; pessoa do sexo feminino.

CRICI┌MA, s. Gramьnea (Chusquia uruguayensis). Vegeta nos matos da regiсo serrana, constituindo зtimo pasto.

CRINUDO, adj. De crinas compridas, de cabelos compridos.

CRIOULINHO DO PASTOREIRO, s. O mesmo que Negrinho do Pastoreio.

CRIOULINHO DO PASTOREiO, s. O mesmo que Negrinho do Pastoreio.

CRIOULITO, s. Creoulinho, Diminutivo de crioulo.

CRIOULO, s. e adj. O natural de deter-

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minado lugar, regiсo, estado, paьs: “O Cжlio ж crioulo de Canguуu”, isto ж, ж natural de Canguуu. // O cavalo aqui existente desde a жpoca da colonizaусo, que, aqui aclimatado, veio a constituir uma raуa com caracteres bem definidos. // O animal oriundo de uma determinada fazenda, regiсo, ou lugar: “O Zaino ж crioulo da Fazenda do Borrachсo”. // Cigarro de fumo em rama enrolado em palha de milho.

“Ordinariamente nсo via os lugares: estava sempre entregue a si prзprio, absorto nos seus cрlculos e devaneios, de olhos semicerrados ao aspirar fumaуas do crioulo, que, sem interrupусo enrolava, afrouxava, apertava, acendia e reacendia (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ., Pimenta de Melo & C., 1922, p. 23).

CRIOULO DA MARCA, expr. Diz-se do animal que nasce na propriedade de determinado estancieiro e recebe a sua marca.

CRIOULO DO PASTOREIO, s. O mesmo que Negrinho do Pastoreio.

CRIST├O, s. Pessoa, ente: “Faz tempo que nсo vejo esse cristсo”. // Um dos partidos do torneio das cavalhadas.

CRISTEAR, v. Enganar, iludir, lograr, passar a perna, fazer de bobo: “Ele nсo entendia do jogo e os parceiros o cristearam.”њ

CRISTEL, s. O mesmo que clister (antiq. em Portugal).

CRISTIANO, adj. Cristсo.

CRISTO, s. Paciente, pessoa que ж vьtima de logro, velhacada, fraude, roubo, dano, insulto, vexame, violЖncia fьsica. “Jogaram a noite inteira e o cristo foi o Chico que perdeu tudo o que tinha.”

CRITIQUEIRO, s. Criticador, pessoa que habitualmente fala mal dos outros.

CRI┌VA, s. ┴rvore de casca grossa como uma espжcie de cortiуa, incombustьvel, que vegeta nos campos.

CRIVADO, adj. Cheio de alguma coisa: “Caminho crivado de buracos”, isto ж, cheio de buracos; “Cabeуa crivada de piolhos”, isto ж, cheia de piolhos; “Mulher crivada de filhos”, isto ж, que tem muitos filhos. “Morreu crivado de balas”, isto ж, atingido por muitas balas.

CRIVAR, v. Encher de alguma coisa: “Crivou a mulher de filhos”, isto ж, produziu muitos filhos na mulher; “Vou crivar de balas aquele patife”, isto ж, vou dar-lhe muitos tiros.

CROQUE, s. Pancadinha na cabeуa, dada com as falanges dos dedos indicador ou mжdio, Я guisa de castigo.

CRUEIRA, s. Pedaуo de mandioca que fica na peneira, quando se passa nela a massa da mandioca, antes de ser levada ao forno, na fabricaусo da farinha.

CRUZ, s. V. as expressшes fazer cruz na marca e fazer cruz no lombo.

CRUZA, s. Cruzamento de raуas; produtos do cruzamento. Lс de ovelha mestiуa. // Segundo ferro de arado que se passa num terreno, cortando o primeiro transversalmente.

CRUZADA, s. Encruzilhada, cruzamento, encruzada, ato de cruzar. // Passagem, travessia.

CRUZADO, adj. Diz-se do cavalo calуado em diagonal. // s. Antiga moeda de valor equivalente a Cr$ 0,40.

CRUZADOR, adj. Vagabundo, errante; indivьduo sem ocupaусo que anda de pouso em pouso.

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CRUZAR, v. Atravessar, transitar, atalhar, transpor. // Vagabundear, errar. // Aусo de os galos se apoiarem mutuamente pelo pescoуo, depois dos revЗos (na gьria dos rinhedeiros).

CRUZEIR└, s. Variedade de cobra jararaca muito venenosa, tambжm chamada urutu.

“Enroscada como fumo em balcсo de bolicheiro, uma cruzeira bombeia pra atirar no que rodeia malevo bote certeiro!” (Santos o Tropeiro, Gente Guapa, Jaguarсo, A MiscelРnea, 1965, p.

17).

CRUZES, s. Garrote do cavalar e do muar. A parte compreendida entre o dorso e o pescoуo do animal. Agulha, cernelha. Parte do lombo onde se unem as paletas.

CRUZO, s. Encruzilhada, atalho, caminho pouco conhecido.

CTG, s. Sigla de “Centro de Tradiушes GaЩchas”. // Pl.: CTGs, CETEGES.

CUCA, s. Variedade de pсo, doce.

CUCHARRA, s. Colher tosca, de madeira ou de chifre, usada no campo. // Denominaусo de uma das formas de pealar. (V. Pealo).

“... junto Яs tronqueiras, de tirador Я cinta e armada feita, esperava, para um tombo de cucharra, o primeiro novilho que saьsse, aos pinotes, Я disparada, investindo, do interior.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello&Irmсo 1910,p. 34).

CUCU, s. Papa-lagartas. Ave da famьlia dos Cuculьdeos. O mesmo que chincoa.

CU╩-PUCHA, interj. Exprime admiraусo, espanto: “CuЖ-pucha! Que morena!” // O mesmo que Cuepucha!, CuЖ!, Pucha!, CuЖ-puna!, CuЖ! Puna!, Cuna!, Eh! Pucha!, Epucha!

CUEPUCHA! interj. O mesmo que CuЖ-pucha!

CUЖ-PUNA, interj. O mesmo que CuЖ-pucha!

CU╩! PUNA! interj. O mesmo que CuЖ-pucha!

CUERA, s. Cicatrizes no lombo do cavalar ou do muar, provenientes de feridas ou mataduras ocasionadas pelo uso de arreios defeituosos. Essas cicatrizes, ao contato do serigote ou lombilho, podem transformar-se novamente em feridas. Unheira. Tubuna. // Homem ruim, maleva. // GaЩcho forte, destemido. (Cf. qЧera).

“Desatinado, violento, O cuera de Livramento Esfaqueou Juca Machado” (Jacyr Menegazzi, Carreira).

CUER├O, adj. Covarde, poltrсo.

CUERUDO, adj. Diz-se do animal que sofre de cueras.

CUFAR, v. Morrer.

CUIA, s. Cabaуa. Porongo, ou, mais propriamente, cabeуa de porongo que se usa para preparar o mate. Recipiente de barro, de louуa ou de madeira, usado para se tomar mate. A cuia de chimarrсo, ou de mate, feita de cabeуa de porongo, ж, muitas vezes, guarnecida de prata, artisticamente lavrada. // Cabeуa.

“Botar fora nсo pude. ╔ uma cuia de chimarrсo que minha mulher ganhou ainda antes de casarmos, e que nos acompanha desde as frias manhсs de Cruz Alta. Vinte e sete anos de uso, pelo menos. ╔ jeitosa para um mate a dois, econЗmi-

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ca, maneira de cevar! Sз que, por Щltimo deu de molhar as mсos e a roupa da gente, como nenж mal ensinado. Nсo mais que uma pequena rachadura bem no pescoуo do porongo, mas dano bastante para exigir sua substituiусo. Aposentei-a, sem jogр-la fora, que uma coisa assim, misturando o calor das mсos da gente em tantos anos de serventia, atж vai ganhando uma alma prзpria. E ж capaz de ter memзria e sensibilidade.” (Sжrgio da Costa Franco, Achados e Perdidos, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981, p. 31).

“Cuia

Casco de morena cor, com teu bojo olente e morno lembras, ao tato, o contorno de um seio, quente de amor.” (Joсo Otрvio Nogueira Leiria, in Curriculum Vitae de Dario de Bittencourt, P.A., Etica Impressora Ltda., 1953, p. 169).

CUIDAR, v. Julgar, pensar:

“Tirana minha tirana Tirana do ariru A mulher matou o marido Cuidando que era tatu.” (Quadra popular).

CUITELO, s. e adj. Beija-flor. Mimoso.

CULAPE, s. Culepe.

CULATRA, s. A retaguarda de uma tropa de gado. // Parte traseira da carreta.

“Vai sз um peсo na culatra, Vсo dois contendo a dianteira, E o gado desce a ladeira Correndo em busca da aguada.” (Ribas Silveira, Odissжia do Tropeirismo, Irati, Paranр, Irmсo Martins, p. 67).

CULATREAR, v. Seguir na culatra da tropa, conduzindo-a. Sair no encalуo ou em perseguiусo de alguжm.

CULATREIRO, adj. Diz-se do boi da culatra.

“Boi culatreiro bebe рgua barrenta”. (Adрgio popular).

CULEPE, s. Susto. Var.: culape.

CULO, s. O contrрrio da sorte no jogo de osso ou tava. Posiусo em que, caindo o osso, o jogador perde a partida. Mр sorte. Estar de culo: estar caipora.

“Eu finquei uma clavada Que embicou soltando barro! Atж o velho Canabarro Que ali estava e o Alanco Se levantaram, chЗ-mico!, Pra ver que sorte bonita. Porжm a tava maldita Virou num culo de bico. (Sejanes Quirino Dornelles, Tava Carregada, poema).

“... levantou do chсo uma das peуas, um tarso de rЖs polido com o uso, arremessando-o perito, Яs canhas, mal sofrido. ‘Culo! suerte! suerte! culo!’” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p.

61).

CUMPLEANOS, s. Aniversрrio. Data do nascimento. (Cast.).

CUNA!, interj. O mesmo que cuЖ-pucha!

“Forma reduzida de ai-cuna; esta, por sua vez, procede do americanismo aljuna!, que jр ж contraусo de ah! hijo de una! (Nсo dicionarizado)”. (B. Holanda).

CUNH├, s. Jovem ьndia. ╔ palavra guarani.

“E as morenas cunhсs de olhos profundos tecendo abrigos para as Reduушes.” (Aureliano, Romances de EstРncia e

137

QuerЖncia, II, P.A., Sulina, 1963, p.

17).

“No testamento de Irala foram reconhecidos nove filhos, trЖs varшes e seis mulheres, progЖnie de sete cunhсs favoritas.” (Manoelito de Ornellas, GaЩchos e Beduьnos, RJ, Josж Olьmpio, 1976,p. 12).

CUPI┴, s. Puxado que se faz nos oitшes das casas. Alpendre, varanda. (Vocрbulo de origem tupi, ogupiр, significando declive da casa ou do teto).

CUPIM, s. O cogote grosso e saliente dos touros das raуas zebu e calombo. // Montьculo de barro muito duro feito pelos cupins. Cupinzeiro.

CUPINCHA, s. Companheiro, amigo, comparsa.

CUPINUDO, adj. Diz-se do bovino que tem grande cupim ou giba. Pescoуudo, que tem grosso e saliente o toutiуo. // Em sentido figurado, aplica-se ao indivьduo forte, ousado, valente, respeitado, temido, que se distingue dos demais em qualquer atividade.

CUPINZAMA, s. Quantidade de cupinzeiros, ou seja, de montьculos de barro, consistentes, de forma arredondada, feitos pelas tжrmites ou formigas brancas.

CURE! CURE!, interj. Serve para chamar os porcos para serem tratados.

CURIANGADA, s. Bando de curiangos.

CUROTE, s. Corote. Barrilzinho. Pequeno barril em que os carreteiros conduzem рgua para a viagem.

CURRALADA, s. Porусo de currais.

CURRAL├O, s. Curral grande. Mangueira onde o gado ж encerrado.

CURRU═RA, s. O mesmo que corruьra.

CUSCA, s. Feminino de cusco.

“Meu cusco perdeu o entono quando viu a cachorrinha e lhes juro que a bichinha tambжm gostou do meu baio. Mas namoro sз de longe, que a cusca era mais cuidada que touro de exposiусo.” (Alcy Josж Cheuiche, Rodeio Fino- tiPo. Fundaусo Educacional de Alegrete, org. por Moacir Santana, 1979, p. 46).

CUSCADA, s. Bando de cuscos; os cuscos. // Em sentido figurado, gente ordinрria, imprestрvel, fraca. // Cuscama.

CUSCAMA, s. O mesmo que cuscada.

CUSCO, s. Cсo pequeno, cсo fraldeiro, cсo de raуa ordinрria. O mesmo que guaipeca, guaipeva, guaipж. / Em sentido figurado, pessoa de baixa estatura e de pequena importРncia. (Segundo L. Segзvia, citado por Moraes, o ьndio quьchua usava a interjeiусo Cuz! Cuz! para chamar os cсes. Em castelhano gozque ж cсo pequeno. Talvez seja essa a origem do vocрbulo).

CUSCOZINHO, s. O mesmo que cusquinho.

CUSCUZ, s. Bolinhos de farinha de mandioca. // Na maior parte do Estado, cuscuz ж um prato de farinha de milho cozido no vapor, que se come, em geral, de mistura com leite gordo (Segundo Jaques Raymundo, este vocрbulo ж de origem nigro-arрbica).

CUSPIR, v. Derrubar, o cavalo ou muar, corcoveando, ao cavaleiro que o monta.

Nсo relincha aporreado Que do lombo me cuspisse. Depois de eu me ver montado, Tentar o bruto ж tolice. (Manoel Faria CorrЖa, Rumo aos Pagos).

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CUSPIR NO LOMBO, expr. Partido, nas corridas de cavalo, que consiste em permitir que o adversрrio, coloque qualquer peso, por menor que seja, no lombo de seu parelheiro. “Ponho quarenta quilos no meu Tordilho e mando cuspir no lombo de seu Alazсo”, isto ж, nсo me interessa o peso do jзquei que irр correr no Alazсo.

CUSQUINHO, s. Diminutivo de cusco.

“Eu tinha um cusquinho overo quando eu era piazito.” (Barbosa Lessa, poema in Versos Crioulos, P.A., Ed. do ‘35 Centro de Tradiушes GaЩchas, 1951, p. 117).

CUSTAR CARO, expr. Ser difьcil de obter ou de realizar.

CUTIA, s. Planta, da famьlia Rutaceae, que produz varas muito resistentes.

CUTICAR, v. O mesmo que cutucar.

CUTUBA, s. e adj. Diz-se de ou o indivьduo forte, valente, respeitado, temьvel, disposto, destemido, de muito merecimento e valor. Bonito. Taura, torena, toruna. // O mesmo que cotuba. // Usa-se tambжm em relaусo a coisas e animais.

CUTUBAКO, adj. Superlativo de cutuba.

CUTUCAR, v. Contundir. Espetar com a aguilhada. Esporear. Fustigar com a extremidade de uma vara ou com outro instrumento. // O mesmo que cotucar ou cuticar.

CUXILAR, v. Cochilar. Dar rрpidas dormidas recostado em uma cama, sentado em uma cadeira, em um banco de carro andando, montando num cavalo, etc. // Em sentido figurado, distrair-se.

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D

DADO, s. O que ж usual, habitual, de uso corrente; o que foi combinado. “O dado do laуo ж ter, pelo menos, oito braуas de comprimento”, isto ж, o comprimento mьnimo usado para o laуo ж de oito braуas. “Isso nсo foi dado”, isto ж, isso nсo se combinou.

DAGA, s. Adaga.

D┴-LE QUE D┴-LE, expr. O mesmo que dЖle que dЖle.

DANКA-DE-RATO, s. BalbЩrdia, reviravolta, confusсo.

DANКAROLA, s. Bailarico, danуata, baileco.

DANКATA, s. Bailarico, baileco, danуarola.

DANINHAR, v. Danificar.

DANISCO, adj. Mau, diabзlico, pжrfido, que incomoda ou que maltrata.

DAR ALCE, expr. Contemporizar, dar uma folga ao inimigo. Geralmente se usa a forma negativa: “nсo dar alce” isto ж, nсo dar folga, nсo dar tempo de o inimigo se restabelecer.

DAR A M├O, expr. Deixar-se pegar o cavalo, no campo ou na mangueira, sem necessidade do uso do laуo.

DAR A LONCA, expr. Deixar-se surrar, dar o couro, apanhar. // Morrer.

DAR CAR├O, expr. Negar-se a moуa a danуar quando convidada pelo rapaz, ou vice-versa.

DAR CH┴ DE GARFO, expr. Dar indiretas ofensivas a alguжm.

DAR CHANGUI, expr. Fazer concessсo ao rival.

DAR COM OS BURROS N┴GUA, expr. Ser mal sucedido.

DAR CORDA, expr. Puxar conversa para induzir o interlocutor a ir contando o que sabe. Estimular alguжm a que discorra sobre determinado assunto. // Corresponder ao namoro. // Afrouxar o laуo, com o animal preso, para que ele vр se afastando atж onde lhe for permitido.

DAR CRIA, expr. Parir.

DAR DE R╔DEA, expr. Fazer, por meio de um movimento de rжdeas, que o cavalo se volte para o rumo desejado, Яs vezes oposto ao que ele ia seguindo. // Encaminhar-se a algum lugar. “O cavaleiro deu de rжdea e sumiu-se na escuridсo da noite.”

“Pois quero ver se me aprumo Dando de rжdea no rumo Daquilo que les dizia.” (Balbino Marques da Rocha, A EstРncia de Don Sarmento, p. 22).

“Despedi-me do presidente do meu tribunal de confisco. Montei e

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dei de rжdeas. Tranqueando com dignidade. Com a alma leve.” (Aureliano, Memзrias do Coronel Falcсo, P.A., Ed. Movimento, 1974, p. 179-180).

DAR LAКAКO, expr. Ser excelente, ser o mрximo, como coisa saborosa, coisa boa, e, ainda, como formosura de animais ou de pessoas. “Aquela moуa dр laуaуos”, isto ж, ж linda, bela, formosa.

DAR LAMBUGEM, expr. Dar pequeno partido nas corridas de cavalos.

DAR LUZ, expr. Estabelecer, no ajuste da carreira, que, na chegada ao laуo final ou a um dos laуos intermediрrios, o parelheiro que oferece a vantagem – faуa luz, isto ж, que haja, para quem observa lateralmente a competiусo, um espaуo, por pequeno que seja, entre a cauda do animal que ganha e a cabeуa do que perde. A luz pode ser dada tambжm na partida dos animais. // Fig.: Dar vantagem em qualquer competiусo.

DAR NA MESMA, expr. Acontecer de forma idЖntica. Ser a mesma coisa.

DAR NO JEITO, expr. Vir Я feiусo, vir a calhar.

DAR O COURO, expr. O mesmo que dar a lonca.

DAR O PELEGO, expr. Dar a vida.

DAR O PREGO, expr. Afrouxar o garrсo, cansar. Morrer.

DAR PANCA, expr. O mesmo que dar pancas.

DAR PANCAS, expr. Destacar-se, salientar-se, sobressair-se, distinguir-se, portar-se heroicamente, levar a primazia, seduzir, brilhar pela formosura ou elegРncia, causar admiraусo. O mesmo que dar panca.

DAR RODEIO, expr. Permitir que um vizinho a quem falta gado pare rodeio em seu campo, para verificar se as reses faltantes ali se encontram.

DAR-SE ARES, expr. Aparentar.

DAR UMA CHAMADA, expr. Passar uma descompostura, dar um carсo.

DAR UMA CHARADA, expr. Fazer uma insinuaусo maliciosa.

DAR UMA CHISPADA, expr. Ir rapidamente a um lugar.

DAR UMA FACADA, expr. Pedir dinheiro emprestado.

DAR UMA VOLTA, expr. Fazer um passeio.

DAR UM TIRO NO ESCURO, expr. Praticar um ato impensadamente, sem atentar para suas conseqЧЖncias.

“Jogar tudo para a frente ╦ dar um tiro no escuro. Qual ж o nosso futuro? A dьvida sз aumentando E o Governo exportando Somente pra pagar juro.” (Joсo Sem Terra, poema satьrico).

DAR VAZ├O, expr. Deixar que os sentimentos se externem. Permitir que os instintos se manifestem.

DE AGALHAS, loc. adj. Forte, audaz, admirрvel, vistoso.

DE ARRIBA, expr. De graуa, gratuitamente.

DE ATRAVESSADO, loc. adv. De travжs, de lado, de esguelha.

DEBOCHEIRA, s. Grande troуa, deboche, zombaria.

DE BOLA P╔, expr. Condiусo em que se encontra um rio que, por estar cheio, se atravessa ora andando ora nadando, sem que o animal consiga assentar os pжs com firmeza, O mesmo que a bola pж. V. bolapж.

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DE CABO A RABO, expr. Integralmente, de modo completo, de ponta a Ponta.

DE CARACAR┴, loc. adv. De Pouco ou de nenhum valor. O mesmo que de Cacaraca.

DE CHAROLA, loc. adv. Com acompanhamento de muitos admiradores.

DECLARAMENTO, s. Declaraусo, explicaусo. (Antiq. em Portugal).

DE COMPANHEIROS, loc. adv. Em companhia, Juntos.

DE CORPO QUADRADO, loc. adv. De tзrax distendido e ombros levantados, em posiусo de quem quadrou o corpo.

DE CORTE, expr. Diz-se do gado destinado Я venda para abate.

DE CRIA, expr. Diz-se do gado destinado Я reproduусo.

DE EM P╩LO, expr. Sem colocar forro algum no lombo do cavalar ou muar, para montр-lo. O mesmo que em osso ou em pЖlo.

“E o Chimango ali se via, Numa жgua velha de em pЖlo, Atacando o sinuelo Que era sз pra o que servia.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 40).

“└s vezes corria Я toa, solto, em violento furor, em um tremendo atropelo, tal se levasse de em pЖlo um guarani boleador” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 45).

DE ENCHOFRE, adv. O mesmo que em chofre.

DE ESCOTEIRO, adv. A cavalo, sem conduzir animais, cargueiros, viaturas ou qualquer coisa que cause embaraуo Я marcha: “Eu, indo de escoteiro, em dois dias chegarei lр.”

DEFENDER O PELEGO, expr. Defender a vida.

DEFUNTAR, v. Morrer.

DEFUNTEAR, v. Matar, assassinar. // Terminar de consumir (A garrafa de cana apresentada ao peсo estр quase no fim; ele olha, vЖ a pequena quantidade de lьquido existente e pergunta: “Patrсo, posso defunteр esta?”, isto ж, posso beber todo este resto de cachaуa?).

DEFUNTEIRO, s. Pessoa que trata de enterros. // Gato-pingado no sentido de indivьduo que acompanhava os enterros, a pж, com tocha ou archote. // adj. Prзprio de funeral, de enterro.

DEGAS, s. Eu, eu prзprio, a minha pessoa: “O degas aqui nсo vai nessa conversa”, isto ж, eu nсo vou nessa conversa, a minha pessoa nсo vai nessa conversa.

DEGOLADO, adj. Diz-se do animal de pescoуo muito fino no local da junусo com a cabeуa.

DEITAR O CABELO, expr. Fugir Я disparada.

DEITAR O PEALO, expr. Atirar o laуo para pealar.

DEIXA, s. Espaуo alagado que os rios deixam quando voltam ao primitivo leito, depois da enchente. Leito antigo de um rio, do qual hр claros vestьgios.

DEIXAR CAIR O REBENQUE, expr. Fustigar com o rebenque.

DEIXAR CORRER O MARFIM, expr. Nсo interferir.

DE J┴ HOJE, expr. Hр pouco tempo, momentos atrрs.

DE JEITO, adv. De forma propьcia, de

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modo oportuno.

DE LAКO A LAКO, expr. Em toda a extensсo.

D╩LE, expr. Serve para significar aусo continuada. DЖ-lhe.

“E dЖle sapateadas, e dЖle risadas, e dЖle viola, e dЖle canto. E o chiru sempre agarrado nas costelas da mesma china, que era a pinguancha melhor daquele festo.” (Piр do Sul, Farrapo, P.A., Globo, 1935, p. 108).

D╩LE BALA, expr. Serve para significar aусo continuada: “Amanhece e anoitece e o Chico sempre dЖle bala”, isto ж, sempre fazendo determinada coisa, sempre praticando determinada aусo.

D╩LE E D╩LE, expr. O mesmo que dЖle que dЖle.

DE LEI, expr. De boa qualidade, de real valor. Aplica-se a coisas, animais e pessoas.

DELE QUE DELE, expr. Serve para significar aусo continuada: “Era dЖle que dЖle, com chuva e com sol, de dia e de noite”, isto ж, praticava-se determinada aусo, constantemente, ininterruptamente. // V. dр-le que dр-le, dЖle, dЖle bala, dЖle e dЖle, dЖ-le que dЖ-le.

D╩-LE QUE D╩-LE, expr. O mesmo que dЖle que dЖle.

DELERIADO, adj. Desmaiado, sem sentidos.

DE MANO, expr. O mesmo que na orelha ou elas por elas. Em igualdade de condiушes. Diz-se, tambжm, de mano a mano.

DE MANO A MANO, expr. O mesmo que de mano.

DE M├OS ABERTAS, loc. adj. Generoso, liberal, nсo apegado ao dinheiro.

DE MI FLOR, loc. adj. O melhor possьvel, excelente.

DENGUE, s. Prostьbulo, cabarж. // Faceirice, manha.

“Toda china tem seu dengue, todo o guasca seu cambicho. Toda a tropa o seu perrengue e todo o mato o seu bicho” (Humberto Feliciano de Carvalho, Minha EstРncia, 2ф ed., Uruguaiana, Livr. Novidade Editora, 1964, p.

57).

DENTAMA, s. Grande quantidade de dentes, Dentadura toda igual.

DENTE SECO, s. e adj. Diz-se de ou o indivьduo destemido, audacioso, valente, que nсo tolera desaforo, que nсo foge Я luta.

“O rolo ia sendo preto, Mas toda a gente interveio E meteu-se pelo meio; Que nenhum era bem peco, O mulato um dente seco, o ьndio nсo dava rodeio. (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 25).

DENTUКO, adj. Diz-se do indivьduo que tem os dentes grandes, ou os tem saltados por ser proeminente seu maxilar superior.

DE ORELHA EM P╔, expr. De sobreaviso, atento.

DE P╔, expr. V. Sair em pж.

DE PECHADA FEITA, expr. Pronto para dar uma pechada.

DE PONTO FIXE, expr. Diretamente, com o rumo determinado: “Os cavaleiros foram de ponto fixe para a bodega…”

DEPМSITO, s. Quantia a ser paga ao

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adversрrio pelo carreirista que desistir da corrida.

DE POUCAS CARNES, expr. Magro, descarnado.

DE RANCHO, expr. Denominaусo dada pelo soldado ao camarada que com ele vive na mesma barraca ou tem a cama prзxima Я sua no alojamento. // Usa-se, ainda, com relaусo Я amante do soldado. (╔ expressсo de caserna).

DE RASTRO, expr. Cansado, fatigado, extenuado.

DE R╔DEA NO CH├O, expr. Diz-se em relaусo ao cavalo completamente manso, de toda a confianуa. // Figuradamente, se aplica ao indivьduo submisso, vencido, apaixonado.

DE RELANCINA, adv. De repente. (V. relancina).

“Nunca apartes sem sinuelo, ж o que a experiЖncia ensina. Nсo opines de atropelo, nem julgues de relancina.” (Zeca Blau, Poncho e Pala, P.A., Sulina, 1966, p. 44).

DERREAR, v. Esmorecer, desanimar.

DERRETER, v. Fugir, sumir-se, desaparecer.

DERRUBAR A CRIA, expr. Parir, a vaca ou outro animal.

DESABAR O TEMPO, expr. Chover forte.

DESABAR O TEMPORAL, expr. Ocorrer grande temporal, com trovoadas.

DESABOTINADO, adj. Insensato, adoidado, estouvado, estourado, valentсo, quebra, venta furada, velhaco, desenvolvido, disposto, resolvido a tudo.

DESACOLHERAR, v. Tirar o animal da colhera; soltр-lo.

DESACORКOAR, v. Descoroуoar, desanimar, desistir. O mesmo que desacoroуoar.

DESACOROКOAR, v. O mesmo que desacorуoar.

DESAFORAMA, s. Grande quantidade de desaforos, de insultos, de mрs palavras.

DESAGUACHADO, adj. Diz-se do cavalo que, depois de um longo perьodo de inatividade, foi novamente exercitado e estр em condiушes de prestar serviуo.

DESAGUACHAR, v. Exercitar, submeter a treinamento, um cavalo que esteve inativo por muito tempo e, por isso, engordou e ficou em mрs condiушes fьsicas para o trabalho.

DESAGUACHE, s. Ato de desaguachar. Adelgaуamento, treinamento, do animal pesado e gordo por falta de exercьcio.

DESAPONTE, s. Encalistraусo.

DESAPONTAR-SE, v. Vexar-se, envergonhar-se.

DESAPRESILHAR, v. Desprender, abrir a presilha.

DESAQUERENCIADO, adj. Nсo aquerenciado.

DESARME, s. Desarmamento.

DESARROLHAR, v. Espalhar, esparramar o gado que se encontra arrolhado, isto ж, agrupado, ocupando pequena extensсo de terreno.

DESARROLHAR-SE, v. Amolecer o lombo o animal que estava de lombo duro e voltou Я calma. // Desenvolver-se corporalmente: “O rapaz, tomando leite gordo e respirando o ar do campo, comeуou a desarrolhar-se”, isto ж, comeуou a desenvolver-se, a crescer.

DESARROLHAR A PONTA, expr. Permitir que a tropa ande com mais desembaraуo, adiantando os ponteiros,

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ou seja, os peшes que marcham na frente.

DESABADO, s. e adj. Indivьduo desajeitado, deselegante, desastrado.

DESBARRANCADO, s. Erosсo no terreno, escavaусo, corte.

DESBARRANCAR, v. Desfazer os barrancos, tirar a terra, aplainar o terreno. Cair o barranco, fender-se o solo.

DESBARRIGAR, v. Adelgaуar, desaguachar, alevianar.

DESBOCADO, adj. Diz-se do cavalo de boca muito sensьvel que, Я menor pressсo do freio, agita bruscamente a cabeуa, nсo governando bem.

DESBOLOTAR, v. O mesmo que descascarrear.

DESBRAVEJADO, adj. Diz-se do terreno limpo de inуos ou de mato.

DESBRAVEJAR, v. Limpar, roуar o terreno.

DESCALABRO, s. Desapontamento. // Empregado, tambжm, no sentido de desilusсo, desastre, coisa inesperada.

DESCAMBADA, s. Declive, descida de uma coxilha ou lomba para uma quebrada ou vale. O mesmo que descambado.

DESCAMBADO, s. O mesmo que descambada.

DESCAMBAR, v. Descer de uma coxilha ou cerro para uma quebrada ou um vale.

DESCAMBAR A MADEIRA, expr. Surrar, espancar. // Em sentido figurado, atacar, censurar, criticar, falar mal de alguжm. // O mesmo que meter o pau.

DESCAMBAR BORDOADA, expr. Esbordoar, surrar, espancar.

DESCAMBAR O FAC├O, expr. Espancar de facсo.

DESCAMBAR O LAКO, expr. Surrar, espancar.

DESCAMBAR O RELHO, expr. Surrar, espancar.

DESCANCHAR, v. Agredir, acometer: “O bandido descanchou -lhe o pau”, isto ж, deu-lhe pauladas.

DESCANGOTAR, v. Desarticular a nuca, descogotar.

DESCANHOTAR, v. Andar com desembaraуo e rapidez.

DESCARNADO, adj. Magro, sem carne.

DESCASCADINHA, s. Mulher clara.

DESCASCAR, v. Tirar da bainha a faca ou o facсo. Puxar a arma branca. Desembainhar, pelar.

DESCASCAREAR, v. O mesmo que descascarrear.

DESCASCARREAR, v. Retirar do ovino as bolas de excremento que ficam presas Я lс. O mesmo que desbolotar. Var.: descascarear.

DESCOBERTA, s. Nome dado a patrulhas ou partidas de reconhecimento, em operaушes de guerra no Estado.

DESCOGOTADO, adj. Diz-se do animal, cavalar ou muar, que em virtude de puxшes do cabresto ou do laуo, ficou com as partes зsseas do pescoуo fora do lugar.

“A fita do teu cabelo ╔ buуal, maneia e laуo; Descogotado e lunanco Inda por ti movo o passo!” (Quadrinha popular).

DESCOGOTAR, v. O mesmo que descogotear.

DESCOGOTEAR, v. Luxar algumas vжrtebras cervicais do animal, cavalar ou muar. Tirar do lugar, dando puxшes, por meio do cabresto ou do laуo, as

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partes зsseas do pescoуo do animal cavalar ou muar.

DESCONTAR-SE, v. Sofrer alteraусo para pior no estado fьsico.

DESCONTO, s. Alteraусo no estado fьsico do parelheiro que o impossibilita de tomar parte na carreira. Qualquer decadЖncia ou perda fьsica de animal ou de pessoa. // Perda de rЖs, prejuьzo.

DE SEGUIDO, loc. adv. Seguidamente.

DESEMBARRIGADO, adj. Sem barriga, delgado, adelgaуado, desbarrigado.

DESEMBARRIGAR, v. Adelgaуar, fazer desaparecer a barriga.

DESEMBESTAR, v. Disparar, o animal, nсo obedecendo ao freio. // Em sentido figurado, significa nсo obedecer a conselhos, agir obstinadamente.

DESEMBUCHAR, v. Confessar segredos, contar tudo o que sabe.

DESEMPENHO, s. Pessoa muito diligente. “Aquele cabra ж um desempenho em serviуo de campo”, isto ж, ж uma pessoa diligente para efetuar serviуos de campo.

DESENCILHADOR, adj. O que desencilha; o que tira a sela ou os arreios do animal.

DESENCILHAR, v. Tirar os arreios ou a sela de cima do animal.

“Rumbeia pra onde quiseres meu velho pingo tordilho; que eu hoje te desencilho, pra nunca mais por-te a mсo.” (Firmino de Paula Carvalho, Antologia da Poesia Quaraiense, org. por Joсo Batista Marуal, P.A., 1977, p. 70).

DESENFREAR, v. O mesmo que desenfrenar.

DESENFRENAR, v. Retirar o freio da boca do animal, cavalar ou muar.

DESENGANAR, v. Quebrar a resistЖncia do animal, tornando-o manso e fiel.

DESENLAуAR, v. Tirar o laуo do animal.

DESENTREVERAR, v. Separar o gado misturado no campo.

DESENTROPILHAR, v. Desfazer a tropilha, introduzindo nela animais de outros pЖlos. Var. destropilhar.

DESFLORAR, v. Tirar a uma tropa de gado os melhores animais, as reses mais bonitas e mais gordas. // Enfraquecer ou arruinar ligeiramente um cavalo, por mau trato, quase o inutilizando para a corrida.

DESGARRAR, v. Retirar as garras (pontas) do couro. // Apartar-se dos outros, perder-se dos companheiros.

“O meu som transforma o fado Do gaЩcho desgarrado Das ilusшes da existЖncia!” (Hipзlito Lucena, Ferro Velho, P.A., Tip. do Centro S.A., p. 23).

“O minuano repOnta os Щltimos peшes desgarrados.” (Josж Rodrigues, Noite do Tempo Antes, P.A., Ed. Flсmula, 1982, p. 53).

DESGARRONAR, v. Cortar o garrсo ou jarrete do animal.

DESGOVERNO, s. AusЖncia de governo.

DESORIENTAК├O, desnorteamento.

DESGRANIDO, adj. Vivo, esperto, decidido, desgraуado, levado do diabo.

“Nзis fumo naquela toada… nessa danуa desgranida em que um taura arrisca a vida sз pra honrar a patacoada!” (Aureliano, Romances de EstРncia e

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QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 87).

DESGUAMPAR, v. Aусo de atrofiar os cornos da rЖs quando ainda nova, a fim de permitir-lhe maior desenvolvimento corporal. Tirar as guampas da rЖs, usando da serra ou de qualquer outro meio.

DESGUARITADO, adj. Diz-se do animal desgarrado, abandonado, isolado, perdido, separado do rebanho ou dos companheiros.

“eram os maulas que andavam rastreando a furna encantada e que agora fugiam, desguaritados, como filhotes de perdiz …” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 173).

DESGUARITAR-SE, v. Perder-se, extraviar-se; desgarrar-se da tropa ou do rebanho; separar-se dos companheiros. // Aplica-se a pessoas e a animais.

DESIMPACIENTE, adj. Muito impaciente.

DESLAMBIDO, adj. Delambido, cьnico, sem-vergonha.

DESLAVADO, adj. Desavergonhado, cьnico.

DESLOMBAR-SE, v. Esgotar-se, extenuar-se, exaurir-se.

DESMANCHO, s. Aborto, mau sucesso. // Contrariedade.

DESMANEAR, v. Tirar a maneia do animal.

DESMONTAR, v. Vencer de forma humilhante para o contendor.

DESMUNHECAR, v. Cortar o tendсo das munhecas do animal para impedi-lo de andar. Quebrar ou decepar a mсo de.

DESNUCAR, v. Desarticular as vжrtebras do pescoуo. Matar a rЖs, fincando-lhe, na regiсo da nuca, um estilete ou ponta de faca atж que atinja a medula, ocasionando morte instantРnea.

DESOBRIGADO, adj. Diz-se do animal que anda de bom grado, sem que haja necessidade do uso de esporas ou de rebenque.

DE SOPET├O, expr. De repente, de improviso, inesperadamente, prontamente, repentinamente. Var.: de sopeto.

DE SOPETO, expr. O mesmo que de sopetсo.

DESOVAR, v. Desembuchar, revelar.

DESPACHADO, adj. Diz-se do animal voluntрrio, que anda sem que o cavaleiro precise de usar esporas ou relho. // Diz-se, tambжm, da pessoa arguta, desembaraуada, agil em dar respostas prontamente.

DESPACHAR, v. Defecar.

DESPACHAR TERRENO, expr. Andar o animal com bastante velocidade: “O meu Zaino despacha terreno”, isto ж, anda com bastante velocidade.

DESPACITO, adv. Devagar, pouco a pouco, vagarosamente, devagarinho. Var.: de espacito.

“Con mi tropa por la vida continuarж despacito, mientras que por lo infinito tleve esta luz encendida” (Hipolito Ballere, Tropero de Sueыos).

“Isso fechando um crioulito, que deixa a mсo amarela, mas feito, assim, despacito, em palha branca e cheirosa cortada pela mсo dela.” (Zeca Blau, Poncho e Pala, P.A., Sulina, 1966. p. 39).

DESPALETAR, v. O mesmo que despaletear.

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DESPALETEAR, v. Desarticular a paleta ou omoplata do animal, o que pode ocorrer ao ser ele laуado, pealado, boleado, ou por ocasiсo de uma rodada, ou, ainda, durante a execuусo de qualquer trabalho de campo.

DESPALMADO, adj. O mesmo que despalmilhado.

DESPALMILHADO, adj. Diz-se do cavalo estropeado, desferrado, doente da parte mole do casco. Despalmado.

DESPALMILHAR, v. Ficar o animal despalmilhado. Ficar com o casco mole. Molestar-se o animal na parte mole do casco. Despear-se. Estropear-se.

DESPARRAMADO, adj. Esparramado.

DESPARRAMAR, v. Esparramar.

DESPARRAMAR-SE, v. Esparramar-se.

DESPEADO, adj. Diz-se do animal que estр com os cascos gastos e por isso claudica no andar. Despalmilhado.

DESPEAR, v. Tornar-se despeado, despalmilhar.

DESPELAR, v. Despenar, desfolhar.

“Eram uns por cima dos outros Parecia um formigueiro Quando estсo de correiусo Despelando um pessegueiro.” (A Graviela, autor ignorado, Tip. d’A Luz, 1930, p. 4).

DESPENCAR-SE, v. Atirar-se, disparar, correr desabaladamente.

DESPENHAR-SE POR UM CANHAD├O ABAIXO, expr. Sofrer malogro, insucesso; agir com precipitaусo e temeridade.

DESPENQUE, s. Aусo de lanуar-se a galope, aусo de partir. disparada.

DESPILCHADO, adj. Que ou aquele que nсo tem pilchas, isto ж, que nсo tem dinheiro, jзias, adornos, objetos de valor.

“Foi sempre um gaЩcho quebralhсo, e despilchado sempre, por ser muito de mсos abertas.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 87).

DESPILCHAR, v. Tirar a alguжm os objetos de valor pertencentes aos arreios, dinheiro, jзias, adornos, roupas, etc. // Roubar, ganhar no jogo o dinheiro de alguжm.

DESPILCHAR-SE, v. Desfalcar-se das pilchas.

DESPOIS, adv. Depois. (╔ arcaьsmo portuguЖs usado ainda no Rio Grande do Sul).

DESPONTADO, adj. Diz-se do bovino que tem as pontas dos chifres aparadas.

DESPONTAR, v. Cortar as pontas dos chifres do vacum. // Contornar um obstрculo.

DESPONTAR O V═CIO, expr. Satisfazer o vьcio, embora incompletamente, contentando-se com coisa inferior Я que pretendia: “Este fumo ж ruim, mas serve para despontar o vьcio”, isto ж, na falta de outro melhor ele serve para satisfazer o vьcio.

DESPONTAR UM RIO, expr. Atravessar um rio, contornando-o pelas nascentes, onde ж menor seu volume de рgua e, conseqЧentemente, mais fрcil a passagem. Usa-se, tambжm, o verbo despontar com o sentido de contornar em relaусo a um banhado, um mato, uma lagoa ou qualquer outro obstрculo.

DESPONTE, s. Ato de despontar.

DESPOTISMO, s. Beleza; grande quantidade. “Aquela morena ж um despotismo”, isto ж, ж uma beleza. “Era um despotismo de gente naquela festa”, isto ж, havia lр grande quantidade de gente.

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DESPROP╔RIO, s. Absurdo, disparate, ofensa, impropжrio.

DESQUARTADO, adj. Diz-se do animal que tem os quartos pouco providos de mЩsculos ou de gordura.

DESQUARTAR-SE, v. Sofrer o animal desarticulaусo dos membros posteriores. // Perder a gordura, ficando com os quartos finos.

D╔S-QUE-M’INTENDo, expr. Desde que estou no uso da razсo.

DESQUINAR, v. Emparelhar o tento de lonca, suprimindo-lhe as quinas.

DESSOCADO, adj. Diz-se do animal cavalar que sofreu certa operaусo que lhe dificulta a carreira.

DESSOCAR, v. Efetuar certa operaусo nas mсos do animal matreiro, a qual consiste na incisсo dos tendшes de determinados mЩsculos daqueles membros, com o fim de dificultar-lhe a carreira.

DESTALAR, v. Retirar o talo da folha do coqueiro, para que o animal possa comЖ-la com maior facilidade.

DESTAPAR, v. Descobrir, manifestar.

DESTAPAR-SE, v. Salientar-se. Tomar a dianteira, em corridas de cavalo.

DESTAQUEAR, v. Retirar o couro, ou a pessoa, das estacas. Desestaquear.

DESTERNEIRAR, v. Separar das vacas as suas crias.

DESTETADEIRA, s. Tabuleta. Pedaуo de tрbua que se prende ao focinho dos bezerros, para impedi-los de mamar.

DESTOPETEAу├O, s. Ato de destopetear.

DESTOPErEADO, adj. Diz-se do animal a que foi tirado o topete.

DESTOPETEAR, v. Cortar o topete do cavalo, ou seja, as crinas que existem entre suas orelhas, para que nсo lhe caiam sobre os olhos.

DESTORCER-SE, v. Trabalhar com desembaraуo, rapidez e eficiЖncia. Multiplicar-se, esforуar-se muito para conseguir determinado resultado.

DESTORCIDO, adj. Desembaraуado, рgil, destro, decidido. Var. Destrocido.

“╔ destorcida e bem falante; e olhava pra gente, como o sol olha pra рgua: atravessando!” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 102).

“═ndio bom e destorcido, Clemente foi conhecido No mais distante rincсo. (Jacyr Menegazzi, Alma do GaЩcho).

DESTORNILHADO, adj. Diz-se do que nсo tem o juьzo muito certo.

DESTRATAR, v. Insultar, maltratar com palavras.

DESTRIPAR, v. Extrair os intestinos.

DESTROCIDO, adj. O mesmo que destorcido.

DESTROPILHAR, v. O mesmo que desentropilhar.

DESUNHAR, v. Disparar, correr, fugir de um perigo iminente, sumir-se. // Trabalhar intensamente.

DE SUPET├O, loc. adv. De repente, de golpe, imediatamente.

DESV┴RIO, s. Desvario.

DE TIR├O SECO, expr. De golpe, de um ьmpeto.

DE UMA FEITA, expr. Certa ocasiсo.

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DE UMA VEZ, expr. De todo, completamente.

DE UMA VIAJADA, expr. De uma sз vez, de um sз golpe.

DE UM TUDO, expr. Tudo o que ж necessрrio. De tudo.

DEVAGAR NAS PEDRAS, expr. Significa agir com cuidado, com prudЖncia, com calma, com cautela, sem afoitar-se.

DEVAS, adv. Deveras. Usado somente na expressсo Яs devas.

DE VEREDA, adv. Imediatamente, de momento, na mesma ocasiсo, logo a seguir, sem detenуa, de repente, repentinamente, facilmente, de golpe, de uma vez.

“Atirei um anzol nрgua, De vereda foi ao fundo, Nсo respeito cantador Nem que venha do outro mundo.” (Quadrinha popular).

“E como, por ele, rogo… tambжm grato e de vereda, a ambos envio, logo, um abraуo do Cabeda!” (Manoel Cabeda Perez).

DEVOLVER, v. Vomitar.

DIABRETE, s. Crianуa muito arteira. (╔ arcaьsmo).

DIACHO, s. Diabo. “╔ o diacho”, isto ж, ж o diabo. “Que diacho!”, isto ж, que diabo!

DIGESTIR, v. Digerir, suportar, agЧentar (antiq. em Portugal).

DILUTO, adj. Misturado com рgua, o vinho ou qualquer bebida.

DINHEIRAL, s. O mesmo que dinheirama.

DINHEIRAMA, s. Muito dinheiro. O mesmo que dinheiral. “Dei uma dinheirama por essa tropa”, isto ж, essa tropa custou-me muito dinheiro.

DIREITEIRO, s. Bacharel em direito, com sentido depreciativo.

DIREITO COMO LISTA DE PONCHO, expr. Em linha reta.

DISCUTISS├O, s. Discussсo.

DISPARADA, s. Dispersсo de animais, a galope, em vрrias direушes.

DISPARADOR, adj. Diz-se do animal que tem o hрbito de tomar o freio nos dentes e disparar, sem obedecer Яs rжdeas. // Espantadiуo, que por qualquer barulho dispara, escapa, foge. // Diz-se tambжm do indivьduo com ares de valente, mas que se esquiva Я luta ao mais leve arreganho do adversрrio. Medroso, covarde, nervoso.

DISPARAR, v. Estourar, debandar, dispersar-se, a tropa de gado vacum, quando assustada.

DISPARIDADE, s. Coisa desajeitada, despropзsito. // Palavra ou frase insensata.

DISPARO, s. Estouro, de tropa de gado.

DISPOSTO, adj. Animado, brincalhсo, valente.

DISTRATAR, v. Faltar ao respeito com uma pessoa, nсo dar-lhe o trato adequado, ofendЖ-la com palavras.

DITAS, s. Hemorrзidas.

DIT╔RIO, s. Mexerico.

DITRIMINAR, v. O mesmo que determinar (Alentejo).

DIVISA, s. Limite entre propriedades.

DIXOTE, s. Motejo, mofa, dito jocoso ou de provocaусo.

DOBLA, s. Dobra, moeda antiga de Por-

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tugal, cujo cunho e valor variaram nos diversos reinados.

DOBL├O, s. Dobrсo, antiga moeda de ouro.

DOBLE, s. Dobro. (Em apostas de carreira ou rinha de galo, o apostador que der doble e perder deverр pagar dois por um ao ganhador).

DOBLE E LUZ, loc. s. Partido que um dos competidores oferece ao outro, nas corridas de cavalos, e que consiste em o que dр a vantagem pagar dobrado se perder, sendo necessрrio, para ganhar, que seu parelheiro faуa luz.

DOBRADA, s. Ondulaусo do terreno, quebrada.

DOBRADO, adj. Diz-se do terreno acidentado, de morros e vales, de altos e baixos.

DOBRAR, v. Vencer, convencer.

DOBRAR O COTOVELO, expr. Beber, levar o copo Я boca.

DOCE DE BOCA, expr. Bom de rжdea.

DOMA, s. O ato de domar. Ato de amansar um animal xucro. O mesmo que domaусo.

DOMAК├O, s. O ato de domar, isto ж, de encilhar e amansar um potro chucro. O mesmo que doma.

“Ao mesmo tempo, outra carta determinava ao governo da capitania enviar para Pernambuco certo nЩmero de gaЩchos peritos na domaусo de animais xucros, a fim de ensinar essa arte aos nortistas e despertar neles o gosto pela cavalaria.” (Arthur Ferreira Filho, Histзria Geral do Rio Grande do Sul, p. 47).

DOMADOR, s. Amansador de potros. Peсo que monta animais xucros.

“Domador, rei das coxilhas, Quando o bagual encilhas, Estрs a vida arriscando; E ao montar, se corcoveia, Mesmo o que mais gineteia, corre perigo, em rodando.” (Josж Barros Vasconcelos, Domador).

DO OUTRO LADO, expr. Do outro lado da fronteira, isto ж, na Argentina ou no Uruguai.

DOR DE VI┌VA, s. Sensaусo dolorosa proveniente de pancada sobre o nervo existente na junусo do Щmero com o rрdio e o cЩbito.

DORME-DORME, s. Dorminhoco; ave de bela plumagem da famьlia dos Ardeьdeos.

DORMIDA, s. Sono. Pouso no fim da jornada.

“O dormi perto do fogo ж uma dormida inzonera, o marmibondo me morde faуo fogo a noite intera.” (Popular, O Pala Velho).

DORMIL├O, s. e adj. Dorminhoco.

DORMINHOCO, s. Pрssaro de bela plumagem que estр sempre em atitude de estar dormindo.

DORMIR NAS PALHAS, expr. Retardar uma providЖncia, nсo tomar cautela, facilitar, desprevenir-se, descuidar-se, atrasar-se.

DORMITOREIRO, s. Indivьduo que se ocupa com arranjo de dormitзrios.

DOURADILHO, adj. PЖlo de cavalo, vermelho-claro, amarelado, com reflexos cor de ouro; pЖlo cor de pinhсo desmaiado; pЖlo mais claro que o colorado, puxando a dourado; pЖlo castanho-baio. (Este termo se emprega exclusivamente em relaусo a animais cavalares e muares).

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DOURADINHA, s. Erva medicinal da famьlia das Malvрceas ( Valtheria Doradinha).

DRAGA, s. Grade de desterroar. Instrumento de agricultura, espжcie de grande ancinho mecРnico.

DRAG├O, s. Pрssaro que vive nos banhados, em bandos.

DUDA, s. DЩvida.

DUDAR, v. Duvidar.

DURASNAL, s. Pessegueiral. Mato de pessegueiros abandonados, reduzidos ao estado silvestre. (Vem do Castelhano, de durazno, pЖssego).

DURINDANA, s. Faca, punhal.

DURO, adj. Forte. resistente. // Cruel, difьcil, violento.

DURO DE BOCA, expr. Diz-se do animal que nсo obedece Я aусo das rжdeas. O mesmo que duro de queixo. // Por extensсo, aplica-se, tambжm, Яs pessoas teimosas.

DURO DE PELAR, expr. Difьcil de fazer, trabalhoso. O mesmo que duro de roer.

DURO DE QUEIXO, expr. O mesmo que duro de boca.

DURO DE ROER, expr. O mesmo que duro de pelar.

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154

E

GUA, s. e adj. Individuo ordinрrio, covarde, salafrрrio.

EGUADA, s. Manada de жguas.

GUA-MADRINHA, s. ╔gua a cujo pescoуo se pendura um cincerro e com a qual se acostumam os outros animais da tropa, mantendo-se sempre a ela reunidos. // Em sentido figurado, depreciativamente, se aplica a pessoa que mantem outras reunidas em torno de si, orientando-as e dando-Lhes conselhos.

“E a lua ж жgua-madrinha, meu amor, Da tropilha grandota das estrelas, Na invernada de Deus Nosso Senhor.” (Vargas Netto, Tro pilha Crioula e Gado Xucro, P.A., Globo, 1959, p.6).

EGUARIКO, adj. Diz-se do cavalo que, na manada, sз acompanha жguas; rufiсo, garanhсo, pastor. // Em linguagem de galpсo diz-se, tambжm, de homem que sз anda em roda de mulheres.

EH, interj. O mesmo que Eh! Eh!

EH! EH!, interj. O mesmo que xi! ou chi! Exprime surpresa, pasmo, receio. Tambжm se usa eh!

EH! PUCHA!, interj. Exprime admiraусo, espanto, pasmo, dor. O mesmo que Eh! Puxa!, Epucha!, La Pucha!, Pucha!, CuЖ! Pucha!, Cuna!, CuЖ! Puna!

Vivo corrido da sorte, Rebenqueado da saudade, Somente para te ver; Eh! Pucha! barbaridade! (Quadrinha popular).

Eu namorava uma bela Eh! Pucha! ... Moуa bonita! Me trazia pelo freio, Como ninguжm acredita, Mas por Deus que era linda Com seu vestido de chita! (Dos versos de um rio-grandense no Paraguai).

EH! PUXA!, interj. O mesmo que Eh! Pucha!

EIRA-PU┴, s. Abelha silvestre parecida com a tubuna.

ELAS POR ELAS, expr. Uma coisa pela outra. O mesmo que na orelha, de mano, ou de mano a mano.

EMA, s. Denominaусo da Rhea americana ou abestruz do Brasil e de outras partes da Amжrica. Nhandu.

EMALAR O PONCHO, expr. Enrolar o poncho para atр-lo nos tentos do lombilho, com ou sem mala-de-poncho. // Preparar-se para viajar.

“Depois seu dono achicou-se Ao peso dos seus sessenta.

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Nem com fumaуa na venta Seu fol’go se arregla mais! Estр de poncho emalado, Com o paletз bem dobrado Pra a tropa do Nunca Mais.” (Zeca Blau, Poncho e Pala, P.A., Sulina, 1966,p. 16).

EMARTILHAR, v. Engatilhar a arma.

EMASSILHAR, v. Colocar a massa nos vidros de uma vidraуa.

EMBALANTE, adj. Embalador.

EMBANDEIRADO, adj. Diz-se do indivьduo que de um momento para outro ficou em boa situaусo material.

EMBANDEIRAR-SE, v. Melhorar de situaусo material, arranjar-se, endireitar-se.

EMBARCAR, v. Morrer (gьr.).

EMBARRAR O PASTEL, expr. Estragar o que estava bom. PЗr um plano a perder.

EMBARRIGAR, v. Criar barriga, comeуar a engordar, por abundРncia de alimento. // Ganhar, encher-se, fartar-se, locupletar-se com dinheiro alheio. // Engravidar.

EMBELECOS, s. Coisas supжrfluas, de pouco valor; bugigangas; objetos de adorno, agradрveis Я vista.

EMBIOCAR, v. Encolher-se, esconder-se, fugir da discussсo. (╔ termo tupi).

EMBIRA, s. O mesmo que imbira.

“Fiquei encantado! E como jр queria utilizр-lo na viagem, emalei-o atando-o com uma embira larga, descascada a capricho.” (Simшes Lopes, Casos do Romualdo, P.A., Globo, 1952, p. 92).

EMBODOCAR-SE, v. Tomar a forma do arco do bodoque, arquear-se, curvar-se. Arquear o cavalo o lombo para corcovear.

EMBOLAR, v. Cair de repente, como se fosse boleado.

EMBONECAR, v. O mesmo que embonecrar.

“Ela vem, sempre lindaуa, como planta embonecando, cumprimenta meio arisca no seu nсo-quero-querendo. E o meu olhar atrevido todo o seu corpo envolvendo.” (Zeca Blau, Poncho e Pala, P.A., Sulina, 1966, p. 24).

EMBONECRAMENTO, s. Aparecimento das bonecas do milho.

EMBONECRAR, v. Criar espiga o milho.

EMBORCAR, v. Cair de borco, Virar a canoa ou o veьculo, ficando para baixo a parte superior.

EMBORQUILHAR, v. Emborcar. Virar a terra para o cultivo. Bolcar. Volcar.

EMBRABAR, v. Embrabecer, zangar-se, comeуar a ficar brabo.

EMRRABECER, v. Enfurecer-se, zangar-se.

EMBRAMAR, v. Enraivecer-se.

EMBRETADA, s. Apertura, dificuldade, perigo, apuros, enrascada.

EMBRETADO, p. p. Encerrado no brete. // Metido em apertos, em apuros, em dificuldades; enrascado, emaranhado.

EMBRETAMENTO, s. Ato de embretar. EMBRETAR, v. Meter animais no brete. // Sitiar, enrinconar: “As forуas revolucionрrias embretaram o inimigo, nсo lhe deixando possibilidade de fuga.” // Meter-se em apuros, envolver-se em negзcios difьceis.

EMBROMA, s. Demora ou delonga em realizar qualquer serviуo. Embromaусo.

EMBROMAК├O, s. O mesmo que embroma.

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EMBROMADO, adj. Brumoso, escuro.

EMBROMADOR, s. Indivьduo que embroma ou demora a fazer alguma coisa. // Caуoista, o que gosta de fazer troуa ou capetagem.

EMBROMAR, v. Levar muito tempo a fazer alguma coisa ou a realizar algum negзcio. Andar devagar, com displicЖncia. // Brincar, gracejar, troуar, pЗr ao ridьculo alguжm. (╔ vocрbulo castelhano, com a significaусo de enganar a alguжm).

EMBROMEIRO, adj. Diz-se do indivьduo que embroma ou demora a fazer alguma coisa. Embromador.

EMBRULH├O, s. e adj. Diz-se de ou o indivьduo que causa confusсo, embaraуo, atrapalhaусo, complicaусo. (Fem.: embrulhona).

EMBUуADELA, s. Ato de embuуalar.

EMBUКALADO, s. e adj. Enganado, logrado, iludido.

“Mas o embuуalado jр tocava a trote largo.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 36).

EMBUКALADOR, s. O que pшe o buуal no animal. // Em sentido figurado: Velhaco, embaуador, intrujсo, enganador, trampolineiro, espertalhсo, trapaceiro.

EMBUКALAR, v. Colocar o buуal no animal. // Em sentido figurado: Enganar, iludir com boas maneiras, abusar da boa fж.

“E, mui na maciota, vсo enganando a uns e outros, vсo embuуalando a ingЖnuos e papalvos, a crжdulos e parvoeirшes,” ... (Alvaro Porto Alegre, Ronda da Histзria, P.A., Ed. Thurmann, 1956, p.

17).

EMBURRO, s. Emburramento.

EMBUTIDO, s. Carne, fьgado, sangue e outros produtos, acondicionados em tripa, para se conservarem: salame, lingЧiуa, mortadela, patЖ, morcela ou morcilha, queijo de porco, etc.

EM CHOFRE, expr. Subitamente, repentinamente, de chofre, O mesmo que de enchofre.

EM CIMA DO LAКO, expr. Imediatamente, em seguida, ao pж da letra. “O maragato respondeu em cima do laуo”, isto ж, respondeu prontamente, imediatamente.

EM OSSO, adv. O mesmo que de em pЖlo.

EMPACADO, adj. Calado, sжrio, taciturno.

EMPACADOR, adj. Diz-se do animal, cavalar ou muar, que tem o hрbito de empacar.

EMPACAMENTO, s. Ato de empacar.

EMPACAR, v. Emperrar, deter-se, parar, nсo querer mais andar, obstinar-se em nсo seguir. Aplica-se principalmente a cavalares e muares, mas usa-se, tambжm, em relaусo a bovinos e outros animais. // Em sentido figurado, gaguejar.

“- Se jр entendeu, deixe eu seguir no rastro do causo, que nсo sou mula de gringo para estar empacando a toda hora (Barbosa Lessa, O Boi das Aspas de Ouro, P.A., Globo, 1958,p. 113).

EMPACHADO, adj. Diz-se do animal cavalar ou muar que, embora manso, tem a balda de dar corcovos logo que ж encilhado. // Diz-se do indivьduo de ventre volumoso; rotundo, cheio.

EMPACHAR, v. Obstruir um orifьcio, enchendo-o de pano ou de estopa. // Ensurruar.

EMPACHAR-SE, v. Comer em excesso.

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Ficar com o intestino obstruьdo por ter comido em demasia.

EMPACHE, s. O mesmo que empacho.

EMPACHO, s. Indigestсo. Estado de quem comeu em excesso ficando com o estЗmago sobrecarregado de alimentos. // Obstruусo intestinal, prisсo de ventre. // Coisa com que se tapa um orifьcio. // O mesmo que empache.

EMPACHOLADO, adj. Metido a pachola, vestido como um pachola.

EMPAIOLAR, v. Arrecadar, armazenar em paiol.

EMPALAMADO, adj. Doente, achacado. O mesmo que empalemado.

“Fica logo empalamado O guasca mais resistente.” (Manoel Faria CorrЖa, Rumo aos Pagos).

EMPALAMAR-SE, v. Ficar doente.

EMPALEMADO, adj. O mesmo que empalamado.

EMPALHADOR, s. Preguiуoso, embromeiro, que leva muito tempo a fazer um trabalho ou a concluir um negзcio.

EMPALHAR, v. Demorar, retardar a conclusсo de um trabalho ou de um negзcio.

EMPANDILHADO, adj. Diz-se do indivьduo que anda em pandilhas.

EMPANDILHAR-SE, v. Reunir-se em pandilha.

EMPANTUFAR-SE, v. Encher-se, enfunar-se, mostrar-se orgulhoso.

EMPAQUETAMENTO, s. Ato de empaquetar-se.

EMPAQUETAR-SE, v. Tornar-se paquete, enfeitar-se, vestir-se luxuosamente. Endomingar-se.

“Ginetes chegavam de todos os lados, caracoleando os pingos, estancieiros opulentos, com sжquito, rapazes de vilas finьtimas, domadores, peшes, militares, vagabundos, mais ou menos empaquetados, do vestuрrio Я chaparia reluzente, de mau gosto, dos arreios” ... (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo. 1910, p. 1955).

EMPARDAR, v. Reunir em parelhas, combinar dois a dois, igualar.

EMPARVAMENTO, s. Ato de emparvar.

EMPARVAR, v. Fazer a parva, ou seja, a meda de trigo ou de arroz. // Tornar parvo.

EMPASTALHADO, adj. Empastado.

EMPATAR, v. Igualar. Diz-se, em corridas de cavalos, quando os dois parelheiros passam juntos no laуo de chegada.

EMPATE, s. Empacho, obstruусo intestinal.

EMPEКAR, v. Comeуar. (╔ provincianismo transmontano e minhoto, usado, no Brasil, apenas no Rio Grande do Sul, talvez por influЖncia platina).

EMPEКO, s. Comeуo, princьpio.

EM P╦LO, loc. adv. O mesmo que de em pЖlo. Tambжm se usa empelo.

EMPELO, adv. O mesmo que em pЖlo.

EMPENDOAR, v. Aparecer o pendсo ou flor, no milho, no trigo e em outras plantas.

EMPERRADO, adj. Empacado, obstinado.

EMPERREAR, v. Empacar. Negar-se o animal a caminhar.

EMPILCHADO, adj. Diz-se da pessoa que tem pilchas. // Rico, que possui muitos haveres.

EMPILCHAR-SE, v. Cobrir-se de pilchas,

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de jзias, de enfeites, de objetos de valor. Encher-se de dinheiro.

EMPINADO, adj. BЖbado, embriagado, alcoolizado.

EMPINAR, v. Levantar uma coisa por uma de suas extremidades, de modo que ela fique em posiусo inclinada. // Beber, embriagar-se.

“Na sombra de uma carreta Boliou a perna e foi sentando, Puxou da faca e do fumo Descascou e foi picando, Pediu um trago de canha E aos poucos foi empinando.” (Rui de Oliveira Brandсo, Dсo Salatino).

EMPINAR O BRAКO, expr. Dar-se ao vьcio da embriaguez.

EMPINAR-SE, v. PЗr-se o cavalo em pж, apoiando-se nos membros posteriores.

EMPIPOCAR, v. Criar pЩstulas, bolhas ou borbulhas. // Estalar, arrebentar. // O mesmo que espipocar, pipocar, papocar e espocar.

EMPONCHAR, v. Cobrir com o poncho.

“A noite em poncho os capшes. Os quero-queros alertas patrulham vрrzeas desertas, montam guarda nos rincшes…” (Guilherme Schultz Filho, Gesta de um Clarim, Ed. da Assemblжia Legislativa do RGS, p. 17).

“Jр a noite emponchava o campo todo, botando estrelas, na рgua, a rodo.” (Padre Pedro Luьs. Pedro Trapeira, Santa Maria, Ed. Pallotti, 1971, p. 2).

EMPONCHAR-SE, v. Cobrir-se com o poncho. Revestir-se como de poncho:

“... as рrvores emponcham-se de folhas tenras (A. Maia, Alma Bрrbara, Rio, 1922,p. 24).

EM POUCAS PALETADAS, expr. O mesmo que em quatro paletadas.

EM QUATRO PALETADAS, expr. Em pouco tempo, rapidamente, com facilidade.

EM RIBA, loc. prep. Em cima.

EM SEGUIDA, loc. adv. Jр, sem demora, imediatamente.

EMULITAR-SE, Desaparecer, esconder-se, ocultar-se, encantar-se, como a mulita ao entrar na toca.

ENANCAR-SE, v. Montar nas ancas do animal.

ENCABAR, v. Colocar cabo em machado, martelo, enxada ou em qualquer ferramenta.

ENCAFIFAR, v. Encalistrar, ficar contrariado ou aborrecido.

ENCAIPORAR-SE, v. Tornar-se caipora.

ENCALISTRAR, v. Acanhar-se, vexar-se, envergonhar-se, encafifar.

ENCAMBICHADO, adj. Enamorado, apaixonado.

ENCAMBICHAR-SE, v. Enamorar-se, apaixonar-se.

ENCANGALHAR, v. Colocar a cangalha no animal. Colocar qualquer coisa em cangalha.

ENCARANGADO, adj. Enregelado, tiritante, encolhido de frio.

ENCARANGAR, v. Ficar enregelado a ponto de ficarem hirtas as mсos e os dedos.

ENCARAPITADO, adj. Amontoado, superposto, trepado.

ENCARDIDO, adj. Feio, carregado, ameaуador, complicado, difьcil de entender.

ENCARIJAMENTO, s. Ato de encarijar.

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ENCARIJAR, v. Ato de submeter a erva-mate ao carijo.

ENCAROКADA, s. Certa qualidade de terra roxa.

ENCAROКAR, v. Intumescer. // Nсo ter fluЖncia no discurso.

ENCARREIRAMENTO, s. Corrida de cavalos. Carreiras. Carreiramento.

ENCASQUETAR, v. Obstinar-se em realizar alguma coisa. Meter na cabeуa uma idжia fixa.

ENCASTIКADO, adj. Oriundo do cruzamento de espжcies diferentes.

ENCASTIКAR, v. Cruzar, acasalar, espжcies diferentes.

ENCERRA, s. Ato de recolher o gado ao curral ou Я mangueira. // Mangueira ou curral grande para encerrar uma tropa de gado. // Chiqueiro para encerrar terneiros. // Espжcie de curral feito no campo para apanhar baguais, de feitio muito semelhante ao dos currais de peixes. Armadilha prзpria para apanhar avestruzes, veados e animais alуados.

ENCERRAR, v. Prender o gado na encerra.

ENCESTAR, v. Meter em jacрs.

ENCHER BARRIGA DE CORVO, expr. Morrer o animal.

“Eu tinha um pingo tordilho, Que era o melhor pra o lombilho De todos que jр encilhei. Mas nunca falta um estorvo Jр encheu barriga de corvo O meu cavalo de lei…” (Vargas Netto, Tro pilha Crioula e Gado Xucro, P.A., Globo, p. 27).

ENCHIQUEIRADOR, s. Relho de aуoteira comprida utilizado para tocar o gado. // Pessoa encarregada de recolher ao chiqueiro os terneiros, porcos ou outros animais. O mesmo que chiqueirador.

ENCHIQUEIRAR, v. Recolher os animais ao chiqueiro. // Meter alguжm, por forуa ou manha, em lugar de difьcil saьda, cercar: “O batalhсo enchiqueirou o inimigo entre o banhado e a lagoa”.

ENCILHADA, s. Cada uma das vezes que se encilha e monta o animal: “Este potro jр levou trЖs encilhadas”. // Carсo, repreensсo, censura, descompostura. // Porусo de erva que se coloca sobre a jр usada, para fortalecer o mate.

“Boto erva nova ou dou uma encilhada, pai? – perguntou Romero com a cuia na mсo.” (Serafim Machado, Por que acredito em Lobisomem, P.A., Globo, 1975, p. 142).

ENCILHADELA, s. Diminutivo de encilhada. Encilhada pouco demorada.

ENCILHADO, adj. Diz-se do animal que estр com os arreios colocados no lombo. // Diz-se do mate do qual se tirou um pouco da erva usada, substituindo- a por nova, para tornр-lo mais forte.

ENCILHADOR, s. Pessoa que encilha o animal.

ENCILHAR, v. Colocar os arreios no animal. // Substituir parte da erva jр usada por outra nova, para tornar o mate mais forte. // Repreender, censurar, descompor.

“Os restantes haviam aceito um amargo, que, sempre taciturno e frio, o Jango Souza encilhava, renovando-lhe a cevadura de erva” (A.

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Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 63).

“Vai dar um calorzinho nest’рgua, e encilha o mate, para oferecer-lhe um amargo.” (F. Contreiras Rodrigues, Amores do Capitсo Paulo Centeno, P.A., Globo, 1957, p. 100).

ENCLENQUE, adj. Adoentado, enfermiуo, empalamado, frрgil, atempado, fracalhсo, molestado, ferido, guenzo por algum defeito fьsico; impossibilitado de sair. // Covarde, dжbil de carрter.

ENCOLHER-SE, v. Contrair-se o cavalo, ameaуando corcovear.

ENCOMPRIDAR, v. Alongar, fazer durar.

ENCOMPRIDAR OS ESTRIBOS, expr. Encompridar os loros.

ENCONTRO, s. O peito do animal entre as espрduas. Usa-se geralmente no plural.

ENCORDOADO, adj. Enfileirado. Serrania encordoada ж aquela em que os montes estсo enfileirados, um apзs o Outro, sem soluусo de continuidade.

ENCORDOAMENTO, s. O conjunto das cordas; as cordas. “Vou comprar um encordoamento para o meu violсo”, isto ж, vou comprar um conjunto de cordas para o meu violсo.

ENCORDOAR, v. Marchar um atrрs do outro formando filas. // Aplica-se a animais e, figuradamente, a pessoas. “Abaixo de grito e de cachorro, o gado saiu da restinga e encordoou para o rodeio.”

ENCORRENTADO, s. O indivьduo preso com correntes, acorrentado, encadeado.

ENCORUJADO, adj. Encolhido, aborrecido, acabrunhado, tristonho.

ENCORUJAR-SE, v. Retrair-se, evitando o contato com as outras pessoas. Isolar-se, acabrunhado e aborrecido.

ENCOSTAR, v. Aproximar a fЖmea do reprodutor, para ser coberta. // Cotejar: “Encosto meu tordilho no teu zaino”, isto ж, faуo correr o nieu tordilho com o teu zaino. “No teu galo eu encosto este meu franguinho preto”, isto ж, com o teu galo faуo brigar este meu franguinho preto.

ENCOSTAR A M├O, expr. Esbofetear.

ENCOSTAR O LAКO, expr. O mesmo que encostar o relho.

ENCOSTAR O PAU, expr. O mesmo que encostar o relho.

ENCOSTAR O RELHO, expr. Surrar, esbordar, castigar, bater de relho.

ENCOSTE, s. Ato de aproximar a fЖmea do reprodutor, para ser coberta. // Cotejo entre parelheiros ou galos de briga. // Em sentido figurado, proteусo, encosto.

ENCOSTELAR, v. Emparelhar, ficar rente com outrem, encostar-se a outrem, andar junto.

ENCOXILHADO, adj. Diz-se de um campo acidentado, formado de coxilhas.

ENCURTAR OS LOROS, expr. Calar-se.

ENDOMINGADO, adj. Diz-se de quem estр em trajes de domingo, com suas melhores roupas, vestido para passeio.

ENDOMINGAR-SE, v. Vestir-se bem, com roupa de passeio.

ENDURECER AS CONJUNTURAS, expr. Morrer.

ENDURECER O LOMBO, expr. Encolher-se o cavalo, tornar-se de lombo duro, contrair-se ameaуando corcovear. // Figuradamente, teimar, zangar-se, rebelar-se contra uma determinaусo.

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ENEGRECER, v. Encher-se, acumular-se, fazer-se um ajuntamento: “A praуa enegreceu de gente”, isto ж, encheu-se de gente.

ENFARDADA, s. DependЖncia do saladeiro onde se enfarda o charque.

ENFATIOTAR-sE, v. Meter-se na fatiota, vestir-se bem, endomingar-se.

ENFEITAR-SE, v. Entrar a menina no perьodo da puberdade, tornando-se garrida e louус. // Ficar a franga adulta, cacarejando como sinal de prзxima postura. // Tornar-se bonito quem nсo o era. Endireitar-se.

ENFERNAR, v. Incomodar outra pessoa enraivecer, amolar.

ENFESTADO adj. Diz-se do pano largo que vem dobrado ao meio na respectiva peуa. // Reforуado, dobrado, de compleiусo robusta.

ENFESTADOR, s. Vendeiro que conta ou mede dobrado a sua mercadoria com intuito de enganar o comprador.

ENFESTAR, v. Alterar para mais uma conta. Aumentar qualquer coisa. Adulterar, aumentando, com intenусo velhaca.

ENFEZAMENTO, s. Ato de enfezar.

ENFEZAR, v. Infernizar, impacientar, irritar. // Divertir-se intensamente no carnaval.

ENFIAR, v. Encalistrar, encabular.

ENFIARGUA NO ESPETO, expr. Trabalhar inutilmente.

ENFOGUEIRAR, v. Colocar em pж, para a fogueira, a lenha da coivara e demais material destinado ao fogo.

ENFORQUILHADO, adj. Preso em forquilha. Montado a cavalo deselegantemente.

ENFORQUILHAR-sE, v. Em sentido figurado, montar a cavalo deselegantemente.

ENFRENAR, v. Enfrear. Colocar o freio na boca do animal, cavalar ou muar. Passar a usar o freio, no redomсo, em vez do bocal.

ENFRINAR MAL O CAVALO, expr. Ser mal sucedido.

ENFRU═DO, adj. Influьdo, animado. (Antiq. em Portugal).

ENGAMBE LADO, adj. Enganado capciosamente, logrado. Engabelado.

ENGAMBELADOR, adj. Diz-se do que engambela.

ENGAMBELAR, v. Enganar jeitosamente. Agradar, captar a simpatia de outrem, para enganр-lo. Iludir com promessas vсs.

ENGAMBELO, s. Palavras tendenciosas ou pequenos presentes utilizados para agradar alguжm, com a intenусo preconcebida de enganр-lo, logrр-lo, iludi-lo. // Lambiscarias que se come para disfarуar a fome enquanto nсo se dispшe de alimento adequado.

ENGARUPADO, adj. Montado na garupa.

ENGARUPAR-SE, v. Montar na garupa. // Em sentido figurado, acompanhar: “A desgraуa engarupou-se com o coitado” isto ж, estр acompanhando o coitado que se encontra numa fase de caiporismo.

ENGATANHADO, adj. Agadanhado, em forma de gadanho.

“E de dedos engatanhados socou-o todo para dentro da guaica, sentindo-lhe o peso e o sonido afogado.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 168).

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ENGAZOPADOR, adj. Diz-se da pessoa que engana ou ilude intencionalmente a outrem. Trapaceiro, velhaco.

ENGAZOPAMENTO, s. Ato de engazopar.

ENGAZOPAR, v. Usar de velhacada, fazer trapaуas, enganar, iludir, mentir, impingir.

ENGENHO DE SERRA, s. Nome dado Яs serrarias mecРnicas.

ENGENHO DE SOQUE, s. Moinho em que a erva-mate ж triturada em cochos de madeira por mсos-de-pilсo.

ENGORDE, s. Estado de gordura do animal: bom engorde ou mau engorde. Finalidade, destino estabelecido para o gado: “Na invernada de fora estсo os animais de engorde”, isto ж, os que estсo sendo engordados para o corte.

ENGRAXATARIA, s. Engraxateria.

ENGROLIO, s. Trapaуa, embrulho, embrulhada.

ENGROSSAMENTO, s. Aусo de engrossar, de exagerar as qualidades boas de alguжm. Bajulaусo, chaleirismo, lisonjeamento.

ENGRUDE, s. Grude, cola. (Cast.).

ENGUIКAR, v. Parar por desarranjo (a mрquina, o relзgio, etc.).

ENGUIКO, s. Atrativo, lisonja.

“Fez-le muitos cumprimentos Muita festa, muito enguiуo.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 68).

ENLAКADOR, s. e adj. Laуador.

ENLAКAR, v. Laуar, jogar o laуo para prender o animal. V. laуo e laуador.

“Enlaуar ou simplesmente laуar ж um dos serviуos mais pitorescos das estРncias gaЩchas, constituindo uma verdadeira diversсo entre os nossos campeiros. O autor deste modesto trabalho tem um capьtulo num de seus livros de contos regionais, Rincсo, em que mostra a grande, a extraordinрria habilidade com que certo campeiro de nome Maneco Pereira, residente no municьpio de Sсo Gabriel, fazia uso do laуo. De fato, ninguжm como o referido gaЩcho para um tiro certeiro, para um pealo de cucharra ou de sobre-lombo. Fazia-o de qualquer maneira, pelas costas, de olhos vendados, e atж com os dedos do pж direito. Em companhia de Alcides Maia assistimos, em 1915, essa prova gauchesca que Maneco Pereira repetiu, dezenas de vezes, sem errar.” (Callage).

ENLIAR, v. Enlear.

ENOVELAR-SE, v. Emparelharem-se os cavalos na carreira de forma a nсo se conseguir perceber qual o que leva vantagem sobre o outro. “Os parelheiros chegaram enovelados no fim da cancha”, isto ж, chegaram juntos, ou melhor, quase juntos, sendo difьcil distinguir o vencedor de tсo pequena que foi a diferenуa entre eles.

ENQUADRILHADO, adj. Posto em quadrilha, integrante de quadrilha.

ENQUADRILHAMENTO, s. Aусo de enquadrilhar.

ENQUADRILHAR, v. Reunir animais cavalares em quadrilha. Reunirem-se, andarem juntos, animais ou pessoas: “Aqueles tipos andam sempre enquadrilhados”, isto ж, andam sempre juntos, agrupados, reunidos.

ENQUARTADO, adj. Diz-se do vacum ou cavalar que tem os quartos bem provi-

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dos de carne ou de mЩsculos. // Por extensсo, aplica-se a pessoas, principalmente Я mulher de quartos largos, cadeiruda.

ENQUARTAR, v. Adquirir gordura ou mЩsculos nos quartos.

ENQUIZILAR, v. O mesmo que enquizilhar. (Usa-se tambжm na voz reflexiva).

“A peonada jр nem podia arranhar nas violas, porque o velho se enquizilava e mandava logo um piazito dizer lр fora que nсo queria bochinchadas em casa.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 110).

ENQUIZILHAMENTO, s. Ato de enquizilhar.

ENQUIZILHAR, v. Enraivecer, aborrecer a Outrem. O mesmo que enquizilar. (Usa-se tambжm na voz reflexiva).

ENRABAR, v. Prender pelo cabresto um animal Я cauda do outro para conduzi-los em marcha. // Unir, por meio de corda ou de corrente, uma viatura Я parte traseira de outra. // Andar Я rabadilha de alguжm. Acompanhar de peito, persistentemente, outra pessoa.

ENRABICHADO, adj. Diz-se do indivьduo que anda sempre muito agarrado a determinada pessoa. // Apaixonado.

ENRABICHAR-SE, v. Andar preso a outra pessoa. Enamorar-se, apaixonar-se.

ENRASCADA, s. Dificuldade, embaraуo, embrulhada.

ENREDADA, s. Trama, embaraуo, trapalhada, enredo, confusсo, intriga.

ENREDADO, adj. Enleado nas rжdeas, no laуo, no aramado. Emaranhado.

ENREDAR O RASTO, expr. Despistar, lograr, enganar.

ENREDAR-SE NAS QUARTAS, expr. Atrapalhar-se, perturbar-se, embaraуar-se, desatinar-se.

ENREDIуA, s. Trama, rede, enredo, emaranhamento, entranуado.

ENRESTADO, adj. Farto, saciado.

ENRESTAR-SE, v. Saciar-se, comer ou beber a fartar, comer atж nсo poder mais. // Praticar qualquer aусo atж fartar-se.

ENRINCONAR, v. Arrinconar. Rinconar. PЗr os animais a pastar em rincсo, ou seja, em campo cercado de matos, rios ou outros acidentes naturais. // Embretar.

ENRINCONAR-SE, v. Meter-se, refugiar-se em um rincсo.

ENRODILHADO, adj. Embaraуado, acanhado, encolhido.

ENRODILHAR-SE, v. Enredar-se, embaraуar-se, acanhar-se, encolher-se.

ENROLAR O PONCHO, expr. Preparar-se para viajar.

ENSEBAR AS CANELAS, expr. Fugir medrosamente.

ENSURROAR-SE, v. Comer atж nсo poder mais. Encher-se, como quem enche um surrсo. Fartar-se.

ENTABULAR, v. Reunir um certo nЩmero de жguas, acostumando-as a viverem juntas, formando uma manada, com um garanhсo ou pastor, o qual as mantжm agrupadas em determinado lugar do campo e cuida delas com muito zelo.

ENTAFULHAR, v. Encher uma mala, gaveta ou outro recipiente, de modo atabalhoado, sem cuidado, negligentemente.

ENTANGUIR, v. Entanguecer.

ENTALONAR-SE, v. Cravar os garrшes. Firmar-se nos calcanhares. (P. us).

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ENTECADO, adj. Enfezado, sem viуo, dжbil, achacado. // Inerte, imзvel, sem aусo.

ENTECAR, v. Enfermar, enfezar-se. // Ficar imзvel, sem aусo.

ENTERRO, s. Tesouro enterrado, constituьdo de moedas de prata e de ouro, alfaias e outros valores. (Dizem os que acreditam na existЖncia dos enterros, que, em sua saьda precipitada da Amжrica, os Jesuьtas ocultaram sob o solo, em vрrios lugares do Rio Grande do Sul e do Prata, as suas riquezas, nсo havendo porжm provas de que tal afirmativa tenha fundamento).

“As pessoas que vЖm assistir a estas assombraушes, mesmo as que nсo vЖm, sсo de opiniсo que isso tudo deve ter por motivo algum enterro de dinheiro.” (Ramiro Frota Barcelos, EstРncia Assombrada, Livraria Porto Alegre Editora, 1947, p. 181).

ENTERTER, v. Entreter.

ENTERTIMENTO, s. Entretimento.

ENTICADOR, s. e adj. Indivьduo implicante, que tem o costume de escarnecer de outrem. O mesmo que enticante.

ENTICANTE, s. e adj. O mesmo que enticador.

ENTONADO, adj. Soberbo, arrogante, enfatuado, convencido, que tem entono.

ENTONCE ou ENTONCES, adv. Entсo, pois. (Arc. port. em uso no RS).

“Louvado seja Jesu-Cristo, patrьcio! Boa-noite! Entonces, que tal te foi de susto?...” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos eLendasdo Sul, P.A., Globo, 1973, p. 12).

ENTRADO, adj. Diz-se do indivьduo que toma liberdade facilmente com outras pessoas; confiado, abusado.

ENTRANTE, adj. Em princьpio, novo, que estр comeуando. “No mЖs entrante”, isto ж, no mЖs que estр comeуando.

ENTRAR, v. Comeуar, principiar.

ENTRAR EM CURRAL DE RAMA, expr. Meter-se em complicaушes. Expor-se a perigos.

ENTRAR O RIO NA CAIXA, expr. Voltar o rio ao seu leito natural depois de ter saьdo campo fora durante as enchentes.

“Dia e meio ali ficou-se Parado Я beira da enchente. Mas mui pronto, felizmente, Foi-se apresentando a baixa, Entrou logo o rio na caixa, Ansim muito de repente.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 43).

ENTRAR POR MORTO, expr. Nсo ser contado, no negзcio, para efeito de pagamento. Ocorre nas transaушes de gado, quando os terneiros, atж determinada idade, nсo sсo computados na contagem, como se nсo existissem.

ENTREGAR AS FICHAS, expr. Entregar-se, ceder, concordar.

ENTREGAR-SE, v. Perder o animal todo o sestro, por efeito da doma, tornando-se manso, confiante e dзcil. Desenganar-se.

ENTREPELADO, adj. Diz-se do eqЧino que tem pЖlos brancos, pretos e vermelhos misturados, dando a impressсo de rosрceo. Diz-se, ainda, do animal de

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vрrios pЖlos, de tal maneira misturados, que nсo se consegue saber qual o predominante. // Figuradamente, aplica-se a indivьduo que muda facilmente de partido polьtico ou que adota ao mesmo tempo idжias contraditзrias.

“Entrepelado, que lindo, por ser um pЖlo esquisito: eu aceitava me rindo porque sempre achei bonito.” (Raul Sotero, ABC sobre pЖlos de cavalo, in Aurжlio Porto, Dicionрrio Enciclopжdico do Rio Grande do Sul, 19 vol., P.A., Ed. Minuano Ltda., 1936,p. 17).

ENTREPERNA, s. A carne da regiсo de entrepernas do bovino, que serve para assado ou churrasco. O assado ou churrasco preparado com essa carne.

ENTREVEIRO, s. O mesmo que entrevero.

...“advinhava, sentia a beleza da luta, na embriaguez das arremetidas, no renhido dos entreveiros, no delьrio das resistЖncias.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 36).

ENTREVERADO, adj. Misturado.

ENTREVERAR, v. Misturar, entremeter, confundir. // Participar de um entrevero.

ENTREVERAR OS PELEGOS, expr. Casar-se, ajuntar-se com mulher.

ENTREVERO, s. Mistura, desordem, confusсo, de pessoas, animais ou objetos. // Recontro em que as tropas combatentes, no ardor da luta, se misturam em desordem, brigando individualmente, corpo a corpo, sem mais obedecer a comando, usando predominantemente a arma branca. O entrevero ж uma luta de extermьnio, em que o sangue corre com abundсncia e os mortos e feridos sсo inumerрveis, pois, em geral, cada participante briga com fЩria e decisсo, preferindo morrer a recuar ou entregar-se.

“Uma bala atravessa-lhe o chapжu. Forma-se um entrevero sumamente desigual. Um tiro, disparado Я queima-roupa, abate-lhe a montaria. E quando Anita cai por terra, envolvem-na e a tomam prisioneira.” (Lindolfo Collor, Garibaldi e a Guerra dos Farrapos, P.A., 1958, p.

265).

“Resvala as mсos nos vincos desta arma crua; e imagina quanto golpe ela aparou legendas que bandeou nos xucros entreveros!” (J. A. Pio de Almeida, Claves da Harpa e do Vento, P.A., Sulina, 1970, p. 40).

“Necessрria ao carreteiro para as cordas consertar ou, mesmo num entrevero se nсo puder evitar.” (Cardo Bravo, Faca, poema).

ENTROpIGAITADO, adj. Zambo, tonto, perturbado, confuso, desnorteado, embriagado.

“Quero falar e nсo posso, Pois fico entropigaitado, E escuto, entсo, religioso, O teu falar adorado!” (Pery de Castro, Coisas do meu Pago, P.A., 1926, p. 105).

ENTROPILHADO, adj. Reunido Я tropilha.

ENTROPILHAR, v. Formar pequena tropa, ou tropilha, de animais cavalares que tenham o mesmo pЖlo.

“Hoje sсo raros os estancieiros que entropilham os seus animais por terem relegado para o rol das coisas sem valor o rebanho cavalar.” (Moraes).

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...“Depois do entrelaуamento dos rabos, a canalha se entropilha…” (Hжlio Osзrio Marques, Canусo de Protesto…). “Assim, a impulsсo do prezado patrьcio, entropilhando os poemas de sua antologia.” (Vasco Mello Leiria, apresentaусo de Chimarreando a Rima, Sсo Gabriel, 1981, p. 5).

“Sсo Francisco de Paula, minha Terra, quantas gratas lembranуas entropilhas para mim, na campanha aqui da Serra, entre as dobras do poncho das coxilhas.” (Rui Cardoso Nunes, Revendo o Pago).

ENTROPILHAR-SE, v. Reunir-se, juntar-se em tropilha. Formarem as pessoas grupos ou magotes.

ENTROUXAR, v. Introduzir goela abaixo. Empurrar, atochar, entulhar.

ENTROVISCADO, adj. Diz-se da pessoa meio embriagada.

ENTUNA, s. Caminhada pelos montes, caуando ou vadiando. // A caуa. (P. us.).

ENVARETADO, adj. Desapontado, tolhido, encalistrado, encabulado. // Diz-se, tambжm, do galo que enxerga pouco.

ENVARETAR, v. Desapontar-se, encalistrar-se, zangar-se, encabular, atrapalhar-se, em conseqЧЖncia de caуoada ou gracejo de outrem. // Receber o galo de rinha pancada ou golpe nos olhos, ficando cego ou com a visсo reduzida.

ENVEREDAR, v. Tomar uma determinada direусo. Seguir com destino exclusivo a certo lugar. Dirigir-se direta e precipitadamente para um rumo. “Deixamos a estrada e enveredamos para a beira do rio”; “Mal comeуou a festada, o gado todo enveredou para o mato”; “insultado, enveredou logo contra o ofensor”. // Tambжm significa guiar, encaminhar: “Nзs o enveredamos pelo bom caminho.”

ENVERGADURA, s. ImportРncia atribuьda a uma pessoa, valor.

ENVIDAR, v. Jogar, apostar, arriscar no jogo.

ENVITE, s. Envide.

ENVOLVER, v. Preocupar: “Fulano estр envolvido com sua plantaусo”, isto ж, estр preocupado, atarefado com sua plantaусo.

ENVULTAR, v. Correrem os cavalos um ao lado do outro, podendo um estar mais avanуado do que o outro, mas sem que haja luz entre ambos.

ENXERG├O, s. Xairel de lс que se coloca sobre o lombo do cavalo, por baixo dos arreios. O mesmo que baixeiro.

ENXUGAR, v. Matar, assassinar.

ENXURRADA, s. Chuva prolongada e muito forte.

ENZAMBUAК├O, s. Erupусo cutРnea. Brotoeja.

ENZAMBUAR, v. Cobrir-se a pele de exantemas, brotoejas ou manchas.

EPUCHA!, interj. O mesmo que Eh! Pucha!

EPUXA!, interj. O mesmo que Eh! Pucha!

╩RA… ╩RA…, interj. Voz usada pelos tropeiros e carreteiros para estimularem os animais a andarem.

“E cantando lр se vai:

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Жra. Жra, Жra boi da ponta nзs jр temo chegando! E cantando lр se vai: Жra. Жra. Жra boi do coice, segue o piazito cantando…” (Luiz Menezes, Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970, p. 219).

ERGUER-SE, v. Ir-se embora o hзspede: “Ele levantou muito cedo e ergueu-se”, isto ж, ele levantou muito cedo e foi-se embora.

ERM├O, s. Irmсo. ╔ vocрbulo largamente usado pela gente rЩstica da campanha. (Etim.: Parece provir do latim germanus, que originou hermano na Espanha e irmсo e mano em Portugal).

“Perdсo, з gente povoeira, Do que disse de vocЖs, Foi quase sз brincadeira; Nem tudo ж assim que penso, Nem tudo estр no bom senso Do teu ermсo camponЖs.” (Pery de Castro, Coisas do meu Pago, P.A., Globo, 1926, p. 141).

“Mui franco, o dono da casa, Moуo guapo e bonanchсo, Ofereceu logo o galpсo, ┴gua, lenha, mate doce; Parecia atж que fosse A tropa de um seu ermсo.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 34).

ERONIA, s. O mesmo que ironia.

ERRADA, s. Perdida em viagem. // Caminho que pode levar o viajante a desviar-se de seu itinerрrio. “Vр sempre pela estrada geral, evitando uma errada que existe Я direita, depois do passo”. “Vр sempre em frente, que nсo tem errada”.

ERRAR O PEALO, expr. Sair-se mal na investida. Enganar-se. Nсo obter vantagem julgada fрcil de ser alcanуada. O mesmo que errar o pulo e errar o vau.

ERRAR O PULO, expr. O mesmo que errar o pealo.

ERRAR O VAU, expr. O mesmo que errar o pealo.

ERVA, s. V. erva-mate.

ERVA-CANCHEADA, s. Produto obtido mediante a trituraусo dos ramos de erva-mate, apзs a secagem.

ERVA-CANCROSA, s. Planta medicinal da famьlia das Santalрceas (Iodina rhombtfolia H e A).

ERVA-CA┌NA, s. Variedade de erva-mate de mр qualidade, amarga. (Ilex amara).

ERVA-DA-PONTADA, s. Chр de bugre. Erva medicinal (Casearia silvestris).

ERVA-DE-BICHO, s. Erva cujas folhas tЖm propriedades altamente causticantes (Polygnonum acre).

ERVA-DE-BUGRE, s. Planta de efeitos depurativos e anti-reumрticos.

ERVA-DE-LAGARTO, s. Erva com propriedades medicinais (Eupatorium oblongifolium). ╔ usada contra mordedura de cobra.

ERVA-DE-PASSARINHO, s. Planta parasita, com propriedades medicinais, que se desenvolve nas рrvores. (Loranthus engenio ides).

ERVA-DE-SANTA-MARIA, s. Erva empregada como vermьfugo e como inseticida (Chenopodium ambrosixide).

ERVA-DE-S├O-JO├O, s. Denominaусo dada a duas plantas, uma da famьlia das Compostas (Ageratum conyzoides Lin.) e outra da famьlia das Solanрceas (Jaborosa montividensis Casar.). O mesmo que erva-de-Sсo-Josж.

ERVA-DE-S├O-JOS╔, s. O mesmo que

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erva-de-Sсo-Joсo.

ERVA-DE-TOURO, s. Erva de aroma muito agradрvel que se emprega em mistura com o mate e que tem propriedades diurжticas (Poiretia glandulosa).

ERVAL, s. Plantaусo de erva-mate; mato em que predomina a erva-mate.

ERVA LAVADA, s. Erva jр sem fortidсo por ter servido para muitos mates.

ERVA-MATE, s. Planta da famьlia das aqЧifoliрceas (Ilex paraguaiensis, St. Hil.), tambжm chamada mate, de cujas folhas se prepara o chimarrсo.

“╔ uma рrvore que se encontra vegetando no estado silvestre numa extensa regiсo de clima temperado quente da Amжrica do Sul; seu porte faz lembrar o da laranjeira. O caule ж um tronco de cor acinzen- tada, que mede, geralmente, de 20 a 25 centьmetros de diРmetro, podendo alcanуar 40 centьmetros nas рrvores anosas. A altura ж variрvel, depende tambжm da idade, da natureza do solo e das condiушes climрticas. Quando as erveiras crescem livremente em solo fжrtil e profundo, nсo raro atingem 10 metros, ao passo que as plantas submetidas ao regime de poda, quando ainda novas, geralmente nсo passam de 6 metros. As folhas, que constituem a parte mais importante da planta, sсo alternas, oblongas e estreitas na base ou cuneiformes, coriрceas, com nervuras salientes e dispostas segundo o tipo peninжrvio. As suas bordas sсo providas de pequenos dentes visьveis, principalmente, da metade do limbo para a extremidade; o peciolo tem cerca de um centьmetro de comprimento e mostra-se um tanto torcido.” ... (Joсo CРndido Ferreira Filho, Cultura e Preparo da Erva-Mate, RJ, Graf. Guarani, 1948, p. 5).

ERVA-MINUANA, s. Planta usada contra feridas e Щlceras.

ERVA-SANTO-FILHO, s. Praga das lavouras do vale do rio Taquari.

ERVATEIRO, s. e adj. Indivьduo que negocia com erva-mate, ou que se dedica Я colheita e Я industrializaусo desse vegetal.

ERVA-TOST├O, s. Erva com propriedades medicinais, usada contra as doenуas do fьgado.

ESBARRANCADA, s. Vala produzida por erosсo pluvial. O mesmo que esbarrancado.

ESBARRANCADO, s. O mesmo que esbarrancada.

ESBARRAR, v. Abancar o cavalo. Parar o animal de repente, riscando a terra com as patas traseiras e quase assentando no chсo.

ESBARRO, s. Encontrсo, esbarrсo, repelсo. // Censura, repreensсo.

ESBODEGADO, adj. Cansado, exausto, esbaforido.

ESBODEGAR-SE, v. Cansar-se, esbaforir-se, exaurir-se.

ESCABRIADO, adj. Ressabiado, arrependido.

ESCABRIAR-SE, v. Ressabiar, arrepender-se.

ESCAMURRENGAR, v. Tornar-se casmurro, entristecer.

ESCANDESCENCIA, s. Prisсo de ventre.

ESCANDESCER, v. Produzir prisсo de ventre, peso na cabeуa, e outros males.

ESCANZURRADO, adj. Cansado, sovado, estafado, surrado, escangalhado, descomposto, estirado.

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ESCANZURRAR, v. Tornar ou tornar-se escanzurrado em conseqЧЖncia de trabalho excessivo.

ESCARAMUКA, s. Ato de obrigar o cavalo, por meio de movimentos de rжdea e de pernas, a efetuar diversas evoluушes, como arrancar para a frente, voltar-se para trрs, volver para a direita ou para a esquerda, parar e partir repentinamente, etc. Numa escaramuуa o cavaleiro hрbil experimenta o animal e se identifica com ele, verificando se foi bem domado, se ж forte e dotado de agilidade, se tem boa rжdea, etc. // Movimentos rрpidos de cavalaria, na frente do inimigo, com constantes mudanуas de direусo e ataques e retiradas repentinas, para desnorteр-lo. // Emprega-se tambжm em sentido figurado: “O moуo fez uma escaramuуa para ir embora, mas acabou ficando”, isto ж, fez menусo de ir embora, preparou-se para ir embora, mas acabou ficando. O mesmo que escaramuуada, escaramuceada, escaramuceio.

ESCARAMUКADA, s. O mesmo que escaramuуa.

ESCARAMUКAR, v. Fazer escaramuуas.

“М selvagem corcel de crinas cжrulas, minha curiosidade, з Mar, aguуas, quando aljofras, com teu colar de pжrolas de espuma, a areia e nela escaramuуas.” (Rui Cardoso Nunes, CiЩme do Sol, in Anuрrio de Poetas do Brasil, org. por Aparьcio Fernandes, RJ, Folha Carioca Ed. Ltda., p.415).

ESCARAMUCEADA, s. O mesmo que escaramuуa.

ESCARAMUCEIO, s. O mesmo que escaramuуa.

ESCARAPETEAR, v. O mesmo que escrapetear.

ESCARCEADA, s. Ao de escarcear. O mesmo que escarceado.

ESCARCEADO, s. O mesmo que escarceada.

ESCARCEADOR, adj. Diz-se do cavalo, e, figuradamente, da pessoa que escarceia.

“Pra cavalo escarceador nсo se dр milho em bornal!” (Chico Ribeiro, Filosofia Campeira, P.A., A Naусo S.A., 1964. p. 61).

ESCARCEAR, v. Levantar e abaixar briosamente a cabeуa, curvando, com garbo, o pescoуo. // Aplica-se aos cavalos, e, figuradamente, Яs pessoas.

“Chegou ceditu, me lembro. num pingo zaino escarceando faceiro, atirando o freio.” (AntЗnio Augusto Fagundes, com a Lua na Garupa, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981, p. 52).

ESCARCEIO, s. Escarceada.

“Sз ж preciso cuidado c’os escarceios danados da ventana da saudade,” (Dirceu A. Chiesa, O GЖnio dos Pagos, P.A., Livr. Continente, 1950, p. 23).

ESCARPATEAR, v. Passar, pular por escarpas.

ESCARPETEADOR, adj. O mesmo que escrapeteador.

ESCARPETEAR, v. O mesmo que escrapetear.

ESCARRANCHADO, adj. Enforquilhado, montado, esganchado.

ESCONDER O LEITE, expr. Negar a pessoa o que havia prometido ou o que se esperava dela. // Dissimular. // Mostrar-

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-se medroso.

ESCORA, s. Espera, emboscada, cilada.

ESCORADOR, s. Indivьduo valente, que nсo foge da luta, que enfrenta o inimigo.

ESCORAR, v. Ficar de emboscada para surpreender a pessoa que se quer agredir, ou Я espera do animal que se pretende caуar. Armar cilada. // Enfrentar o inimigo, topar a briga, aceitar o combate.

ESCORAR DE FORQUILHA, expr. Colocar uma forquilha como escora. Amparar, proteger.

ESCORREDOR, s. Pequeno curral junto ao banheiro carrapaticida, onde, depois do banho, o gado permanece por algum tempo, atж que lhe escorra a рgua do corpo.

ESCOTEIRO, adj. Diz-se do cavaleiro que viaja sз, sem conduzir cargueiros, sem ser acompanhado de viaturas, sem embaraуo ou impedimento de qualquer espжcie.

ESCRACHETAR, v. Rebentar, acabar, destruir: “Escrachetei-lhe a fuуa”.

ESCRAPETEADOR, adj. Diz-se do animal que escrapeteia.

ESCRAPETEAR, v. Correr o animal de um lado para outro, galopar em todas as direушes, escaramuуar. Reagir o animal, quando se tenta prendЖ-lo, pateando, corcoveando, dando pinotes. // Andar a pessoa em movimento constante, de um lado para outro, relutando em fazer alguma coisa que lhe ж desagradрvel. // Receber, uma pessoa, com maus modos, a outra pessoa de cujas intenушes estр desconfiando. // Zangar-se, vociferar. // O mesmo que escarpetear ou escara petear.

“O povo ж como o boi manso. Quando novilho atropela, Bufa, pula, se arrepela. Escrapeteia e se zanga; Depois… vem lamber a canga E torna-se amigo dela.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 55).

ESCRESPAR-SE, v. Irritar-se.

ESCREVER, v. Caminhar ziguezagueando. Dirigir veьculo ziguezagueando.

ESCUDRINHAR, v. Investigar, perscrutar com cuidado.

ESCUITAR, v. Corruptela de escutar.

“Escuite no mais… Chegou o dia do baile, estava tudo arreglado, era aquela a noite…”(A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 145).

ESFOGUETEAR, v. Ativar o cavalo, esporeando-o e batendo-lhe com o chicote, sem permitir, porжm, que ele dispare.

ESFREGA, s. Esforуo, trabalho em demasia. “Levei uma esfrega”, isto ж, fiz um grande esforуo, trabalhei demais.

ESFREG├O, s. Cucurbitрcea cujas fibras constituem esfregсo para lavar louуas e panelas.

ESFRIAR, v. Acalmar.

ESGANCHADO, adj. Escarranchado, esgarranchado, enforquilhado, montado.

ESGARRANCHADO, adj. O mesmo que esganchado.

ESGARRANCHAR-SE, v. Montar.

ESGRAVATAR, v. Esgaravatar.

ESMERIL, s. Mau chofer, que estraga qualquer automзvel que lhe seja entregue.

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ESMOLEIRO, adj. Que dр esmolas, caritativo, esmoler. // O vocрbulo tambжm ж usado com o sentido oposto.

ESMULAMBADO, adj. Tornado em mulambos. Maltrapilho.

ESMULAMBAR, v. Tornar-se em mulambos.

ESMURREGAR, v. O mesmo que esmurrengar.

ESMURRENGAR, v. Esmurrar muito, dar muitos murros.

ESNOCAR, v. Deslocar, sofrer luxaусo.

ESPALHAR O P╔ ou ESPALHAR OS P╔S, expr. Danуar. // Fugir.

ESPALHAR OS ARREIOS, expr. O mesmo que sair vendendo os arreios.

ESPARRAMAR, v. Espalhar, dispersar.

ESPARRAME, s. O mesmo que esparramo.

ESPARRAMO, s. Separaусo, disseminaусo de objetos, de animais ou de pessoas. O mesmo que esparrame. V. fazer um esparramo.

ESPELOTEADO, adj. Fraco do juьzo, aloucado.

ESPELOTEAR, v. Proceder como um espeloteado. Dar por paus e por pedras.

ESPELOTEIO, s. Espeloteamento.

ESPERA, s. Emboscada, cilada, escora. Fazer uma espera significa aguardar, escondido, a vinda de alguжm para atacar ou agredir, ou a passagem da caуa, que virр trazida pelos cсes, para abater.

ESPETO, s. Coisa difьcil de fazer, maуadora, inconveniente. Complicaусo, espiga, contratempo.

ESPICHAR A CANELA, expr. Morrer.

ESPICHAR O LAКO, expr. Atirar o laуo para prender a rЖs.

ESPICHAR OS COBRES, expr. Entregar o dinheiro em pagamento.

ESPIGA, s. Extremidade da haste a que estр fixada a marca de ferro que se imprime a fogo na rЖs, para identificр-la. // Mau negзcio. Coisa que se compra e, apзs, se verifica que nсo corresponde Я expectativa. Coisa que se compra por preуo superior ao corrente no mercado.

ESPINHAR-SE, v. Zangar-se, tomar o peсo na unha, dar o cavaco.

ESPINHEL, s. Aparelho de pesca, constituido de uma linha comprida, de algumas dezenas de metros, tendo de espaуo a espaуo, presa a ela, uma linhazinha curta, de um palmo mais ou menos, munida de anzol. Cada espinhel tem de 25 a 50 anzзis. Espinel.

ESPINILHO, s. ┴rvore que produz uma flor amarela muito apreciada pelas abelhas. Sua madeira ж зtima para lenha, prestando-se, tambжm, para trama de cerca. (Hр duas variedades: Acacia cavenia, Hook e Arm., e Xantoxylon precox, St. Hil.).

ESPINHO, s. Faca ponteaguda.

ESPORA, s. Individuo que em tudo se intromete. Sujeito que aparece onde nсo ж chamado. Intrometido.

O sacristсo, sem demora, tendo alcanуado meu gesto meteu-se logo de espora e atirou seu manifesto. (Faria Corrжa, Rumo aos Pagos, p. 89).

ESPOREAR, v. Incitar, amolar alguжm com dichotes.

ESPUMENTO, adj. Espumoso.

ESQUECIDO, adj. Diz-se do animal que,

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por anomalia da dentiусo, nсo tem os colmilhos. Aplica-se ao galo adulto a que nunca apareceram as esporas, ou que as tem atrofiadas. // Sem movimento, devido a uma paralisia: “Esquecido de um braуo, de uma perna”, significa sem movimento em um braуo ou em uma perna.

ESQUENTADO, adj. Colжrico, zangado.

ESQUENTAR-SE, v. Encolerizar-se, zangar-se.

ESQUILA, s. Ato de esquilar, tosquia. (╔ palavra castelhana muito usada na fronteira).

ESQUILAR, v. Tosquiar. (╔ palavra castelhana).

ESSE, s. Parte do facсo ou da adaga, entre o cabo e a lРmina, com forma semelhante Я da letra “S”.

“O negro urrou como um touro na capa… a rumo no mais avanуou o braуo, e fincou e suspendeu, levantou a velha, estorcendo-se, atravessada no facсo, atж o esse…;” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1957, p. 136).

ESTACA, s. Pedaуo de pau, fincado no chсo, utilizado para amarrar a soga com que se prende o animal.

ESTAD├O, s. Luxo, grandeza. Viver num estadсo: Viver a la gordacha.

EST┴ DIREITO, expr. Estр bem, estр certo. Estou de acordo. Pode ser como vocЖ propшe.

ESTADO, s. Condiусo fьsica em que se encontra o animal. Boas condiушes, bom estado; mрs condiушes, mau estado; melhorar de condiушes, tomar estado. Usa-se especialmente em relaусo a parelheiros ou galos de rinha.

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, s. Nomes dados, anteriormente, Я Terra GaЩcha: O Estado do Rio Grande do Sul, situado na extremidade meridional da RepЩblica Federativa do Brasil, da qual ж parte integrante e autЗnoma, teve, no passado, entre outras, as seguintes denominaушes: Sсo Pedro, Capitania del Rei, Rio Grande, Provьncia do Tape, Porto de Sсo Pedro, Provьncia del Rж ou Provьncia del Rey, Rio Grande de Sсo Pedro, Rio de S. Pedro, ColЗnia do Rio de S. Pedro, Rio de S. Pedro do Sul, Terra dos Tapes, Governo do Rio de Janeiro, Governo do Rio Grande, Continente de Viamсo ou del Rei, Governo do Rio Grande de Sсo Pedro do Sul, Continente do Rio Grande, Continente do Rio Grande de Sсo Pedro, Continente do Rio Grande de Sсo Pedro do Sul, Continente do Rio Grande do Sul, Provьncia ou Governo de Buenos A ires, Capitania do Rio Grande, Capitania do Rio Grande de Sсo Pedro, Capitania do Rio Grande de Sсo Pedro do Sul, Capitania de Sсo Pedro, Capitania do Rio Grande do Sul, Capitania de Sсo Pedro do Sul, Capitania de Sсo Pedro do Rio Grande, Capitania de Sсo Pedro do Rio Grande do Sul, Provьncia de Sсo Pedro do Rio Grande, Provьncia del Rei, Provьncia do Rio Grande de Sсo Pedro do Sul, Provьncia de Sсo Pedro do Sul, Provьncia do Rio Grande de Sсo Pedro, Provьncia do Rio Grande, Provьncia de Sсo Pedro, Provьncia de Sсo Pedro do Rio Grande do Sul, Provьncia do Rio Grande do Sul, Estado Rio-Granden se, Rio Grande de Sсo Pedro do Sul, Rio Grande do Sul.

“Em conclusсo e tendo em vista quanto foi exposto, indicamos a seguir as denominaушes atribuidas Я terra gaЩcha e que podem ser con-

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sideradas como oficiais, desde que ou foram assim declaradas expressamente, ou constam em documentos da mesma natureza, ou em mapas de autores consagrados e oficialmente reconhecidos. Essas denominaушes sсo as seguintes: 1. Sсo Pedro – Foi o primeiro nome dado oficialmente Я Barra do Rio Grande e o ‘Щnico que ficou e se estendeu, depois, a todo o territзrio’, no entender dos acatados historiadores General Souza Docca e Coronel Rego Monteiro, vindo da expediусo de Martim Afonso de Souza de 1531-1532, e dado em homenagem a seu irmсo Pero Lopes de Souza. E tambжm, na feliz expressсo do Coronel Rego Monteiro, o nome que ‘durante cerca de trЖs sжculos batizou o nosso Rio Grande – Rio Grande de Sсo Pedro’. Aparece pela primeira vez no mapa de Gaspar Viegas, do ano de 1534. 2. Capitania del Rei – Essa denominaусo deve ser posterior ao ano de 1534, quando foi feita a divisсo do Brasil em Capitanias Hereditрrias. Entсo, segundo o Visconde de Sсo Leopoldo, como o Rio Grande nсo ficara pertencendo a nenhum donatрrio, para distingui-lo das Capitanias do Norte, foi denominada Capitania del Rei, isto ж, pertencente Я Coroa. 3. Rio Grande – Aparece esse nome, pela primeira vez, em um mapa de Pierre Desvaliers, de 1550, segundo ensina o P. Carlos Teschauer, S.J. E foi usado em muitos documentos oficiais e publicaушes diversas, a partir de 1715.4. Rio Grande de Sсo Pedro – ‘Invocaусo que ж fama lhe deram os jesuьtas das Missшes do Uruguai’; de acordo com o Visconde de Sсo Leopoldo, ж esse nome empregado para indicar a terra rio-grandense em documentos que datam do ano de 1721, tendo servido para batizar nosso Estado ‘durante cerca de trЖs sжculos’, nas palavras do Coronel Rego Monteiro, antes referidas. 5.Rio de Sсo Pedro – Denominaусo muito usada em documentos oficiais antigos, sendo o de data mais recuada que encontramos, a Consulta do Conselho Ultramarino, de 28 de janeiro de 1736. 6. Continente do Rio Grande – Essa designaусo passou a ser usada alguns anos depois da fundaусo do Presьdio Jesus-Maria-Josж, em 1737, pelo Brigadeiro Josж da Silva Pais e figura, entre outros muitos documentos, no Auto de Posse do Coronel Josж Marcelino de Figueiredo como Governador, datado de 23 de abril de 1769, e em Relatзrio do Vice-Rei Luьs de Vasconcelos e Souza, apresentado ao Governo de Lisboa, com data de 2 de outubro de 1784. 7. Continente de Viamсo ou del Rei – Consta esse nome no mapa organizado ao ser instalado o Senado da CРmara da Vila do Rio Grande de Sсo Pedro, em data de 16 de dezembro de 1751. 8. Governo do Rio Grande – Passou a ser empregado esse nome depois de ter sido o Rio Grande elevado Я categoria de governo independente, igual a Santa Catarina e ColЗnia do Sacramento, mas ainda subordinado ao Rio de Janeiro, pela Carta-Patente de 9 de setembro de 1760. E aparece em Alvarр de 16 de dezembro de 1812, quando jр era adotada oficialmente a denominaусo de Capitania de Sсo Pedro.9.Continente do Rio Grande de Sсo Pedro – Esse nome aparece, alжm de outros, em dois documentos oficiais do ano de 1769: o termo de homenagem pres-

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tado pelo Coronel Josж Marcelino de Figueiredo para o cargo de Governador do Rio Grande (16 de marуo, no Rio de Janeiro) e o auto de sua posse na elevada funусo (23 de abril, no Arrayal do Viamсo’). 10. Capitania de Sсo Pedro – Nome oficial dado Я terra rio-grandense pela Carta-Patente de 19 de setembro de 1807, que elevou o Governo do Rio Grande a Capitania-Geral e nomeou seu primeiro Governador e Capitсo-General o Conselheiro e Brigadeiro D. Diogo de Souza, cuja posse ocorreu a 9 de outubro de 1809, constando no respectivo auto a mesma denominaусo. 11. Provьncia do Rio Grande de Sсo Pedro do Sul – Embora oficialmente adotado em virtude da aceitaусo do regime constitucional decorrente da Revoluусo do Porto, de 24 de agosto de 1820, essa denominaусo jр constava no Alvarр de 26 de agosto de 1819, que criou o cargo de Juiz de Fora para as vilas de Rio Pardo e de Sсo Joсo da Cachoeira. E aparece, posteriormente, em muitos outros documentos oficiais, especialmente em Avisos, Portarias e Ofьcios do Ministro da Guerra do Impжrio para o Presidente da Provьncia, assim como na Ordem do Dia n║ 61, baixada pelo entсo Conde de Caxias na Vila de Jaguarсo, a 4 de junho de 1852. 12. Provьncia do Rio Grande do Sul – Nome oficial da terra rio-grandense a partir da IndependЖncia do Brasil e consagrado pela Constituiусo Imperial de 25 de marуo de 1824. 13. Estado Rio-Grandense – Denominaусo oficialmente adotada pelos revolucionрrios farroupilhas, quando proclamaram a RepЩblica Rio-Grandense em 1836, aparecendo em muitos documentos oficiais do glorioso decЖnio. 14. Estado do Rio Grande do Sul – Nome oficial da terra gaЩcha depois da proclamaусo da RepЩblica a 15 de novembro de 1889, constante do Decreto n║ 1 do Governo Provisзrio, e consagrado na Constituiусo de 24 de fevereiro de 1891 e pela Constituiусo Polьtica de 14 de julho de 1891, assim como pelas posteriores Constituiушes do Estado, de 29 de junho de 1935, 8 de julho de 1947 e, ainda, ultimamente, pela de 14 de maio de 1967.” (Riograndino da Costa e Silva, Notas Я Margem da Histзria do Rio Grande do Sul, P.A., Globo, 1968, p. 108-110).

ESTADO RIO-GRANDENSE, s. Denominaусo do Estado do Rio Grande do Sul, adotada pelos farrapos.

ESTAFAREU, s. Grande tumulto, estardalhaуo, confusсo, um caso sжrio, um deus-nos-acuda.

ESTALEIRO, s. Denominaусo dada a paus suspensos em forquilhas altas, onde ж colocada a carne para secar. // Local, no mato, onde se depositam os toros a serem transportados para a serraria.

EST┬NCIA, s. Estabelecimento rural destinado Я criaусo de gado, constituьdo de grande extensсo de campo dividido, por cercas de arame, em diversas invernadas, casa de residЖncia do proprietрrio, casas de empregados, currais, mangueiras, galpшes, lavouras, banheiro carrapaticida e outras instalaушes. Fazenda de criaусo. Fazenda.

“A estРncia nсo ж apenas, assim, uma fonte de riqueza, centro da fortuna do gaЩcho onde circulam os bens materiais em abundРncia, um negзcio. Sim, ж um negзcio. Mas, nas fazendas preparam-se de revolu-

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ушes a herзis, de uma resistЖncia a transformaушes atж a RepЩblica. Esta, teve seu instante maior quando os conspiradores reuniram-se numa estРncia para deliberar a vitзria da causa que se aproximava derrubar o trono.” (Dante de Laytano, A Cozinha GaЩcha na Histзria do Rio Grande do Sul, P.A., Esc. Sup. de Teologia Sсo Lourenуo de Brindes, 1981, p. 33).

“Tinha uma estРncia asseada, Galpсo coberto de zinco,” (Amaro Juvenal, Antзnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 66).

“Eis os motivos simultaneamente histзricos e lingЧьsticos que nos forуam a declarar que o vocрbulo de origem latina estРncia pertence com idЖntico direito, quer quanto Я etimologia, quer quanto Я fonжtica e morfologia, ao luso e ao castelhano. Dizemos o mesmo relativamente ao campo semiolзgico atж 1493, pois antes as acepушes das palavras eram iguais em Portugal e Espanha. Com o descobrimento da Amжrica o termo estРncia, conservando as antigas significaушes, adquiriu a nova de propriedade rural, herdade, fazenda.” (Sьlvio JЩlio, Literatura, folclore e linguьstica da рrea gauchesca no Brasil, RJ, A. Coelho Branco F║, 1962, p. 323).

“E onde se constitui, de distРncia em distРncia o clс das geraушes primeiras que plantaram, nos desertos da pampa, os esteios da EstРncia.” (Aurжlio Porto, Farrapьada, RJ, Papelaria Velho, 1938, p. 22).

“Na estРncia do Juquita Pras bandas do Jaguarсo, Se reЩne a peonada, Toda noite no galpсo.” (Lourival Leite Villas-BЗas, Fandango no Galpсo).

EST┬NCIA DA POESIA CRIOULA, s. Entidade literрria fundada a 29 de junho de 1957, em Porto Alegre, com a finalidade de congregar os poetas tradicionalistas gaЩchos, estudar as origens e a evoluусo da poesia crioula, zelar pela sua pureza e autenticidade, promover a sua divulgaусo e, sobretudo, pugnar pela preservaусo do patrimЗnio cultural e moral nela consubstanciado.

ESTANCIEIRO, s. Proprietрrio de estРncia. Fazendeiro.

ESTANCIOLA, s. Pequena estРncia. Fazendola.

ESTANDARTE, s. Espantalho, monstrengo.

ESTANHAR, v. Balear, atirar contra рlguжm.

ESTAQUEADO, adj. Esfalfado, abombado, estrompado, rebentado.

ESTAQUEADOR, s. Indivьduo que tem a incumbЖncia de estaquear o couro da res. // O lugar onde habitualmente se estaqueia o couro. // Estaqueadouro.

ESTAQUEADOURO, s. Lugar onde se estaqueiam os couros das reses abatidas, tanto nas estРncias como nos matadouros ou charqueadas. Var.: Estaqueador.

ESTAQUEAMENTO, s. Estaqueaусo. Ato de estaquear o couro, para secar, ou uma pessoa, como castigo. // O mesmo que estaqueio.

ESTAQUEAR, v. Estender e entesar o couro por meio de estacas a fim de o secar. Hр vрrias formas de estaquear o couro: Pode ele ser esticado e preso ao

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chсo por meio de estacas; pode-se esticр-lo, em vрrias direушes, cruzando varas compridas com as extremidades presas Яs suas bordas; pode-se estaqueр-lo, ainda, pregando-o, espichado, sobre uma parede. // Parar de repente. // Ficar imзvel, confuso. // Amarrar um indivьduo a quatro estacas, de dois a quatro palmos de altura, pelos quatro membros, ficando o corpo suspenso no ar, de rosto voltado para cima. Esse suplьcio bрrbaro era geralmente inflingido a bandidos ou soldados que praticavam grandes faltas. Em certos casos, para aumentar a eficiЖncia do castigo, a pessoa que o determinava tomava chimarrсo sentado sobre a barriga do supliciado.

“Para capturр-los, fez vрrias tentativas o Capitсo Morais, da Guarda Cьvica da Provьncia, famoso pelo gosto com que esta queava os presos que lhe caьam Яs mсos. Este oficial havia prometido tomar mate sentado na barriga do chefe do bando, a quem tencionava erguer nas quatro estacas, mas falhou fragorosamente.” (Arthur Ferreira Filho, Narrativas de Terra e Sangue, P.A., Ed. A Naусo, 1974, p. 60).

ESTAQUEIO, s. O mesmo que estaqueamento.

ESTAR A BAIXO, expr. Estar em situaусo de dependЖncia.

ESTAR ABICHORNADO, expr. Estar aborrecido, acabrunhado, triste, abatido.

ESTAR A MANO, expr. O mesmo que estar de mano.

ESTAR A MEIA GUAMPA, expr. Estar meio embriagado.

ESTAR A PAU, expr. Estar em jejum.

ESTAR BUZINA, expr. Estar raivoso, zangado, brabo, colжrico.

ESTAR CHEIRANDO A CHAMUSCO, expr. Estar prestes a haver conflito.

ESTAR COM A BARRIGA NO ESPINHAКO, expr. Estar muito delgado. Estar famжlico, esfomeado. Estar muito magro.

ESTAR COM A PULGA NA ORELHA, expr. Estar desconfiado, preocupado, prevendo que vai acontecer algo desagradрvel.

ESTAR COM AS CANJICAS DE FORA, expr. Estar rindo.

ESTAR COM COMICH├O NO LOMBO, expr. Estar adotando procedimento provocante de forma a merecer uma surra.

ESTAR COMO CARANCHO EM TRONQUEIRA, expr. Estar triste, abatido, abichornado.

ESTAR COM O CAVALO PELA R╔DEA, expr. Estar pronto para sair. Estar prevenido.

ESTAR COMO COBRA QUE PERDEU O VENENO, expr. Estar desinquieto, agitado, irritado, sem sossego.

ESTAR COM O DIABO NO CORPO, expr. Estar furioso. Estar insuportрvel.

ESTAR COM O P╔ NO ESTRIBO, expr. Estar prestes a sair. Estar pronto para sair.

ESTAR COM OS DIAS CONTADOS, expr. Estar para morrer, ou por doenуa, ou por extrema velhice, ou por ter desafiado a ira de um inimigo que nсo o pouparр.

ESTAR DE ASPA TORTA, expr. Estar zangado, de mau humor.

ESTAR DE CALК├O, expr. Estar a rЖs muito gorda, apresentando, entre as pernas, porушes caьdas de carne gordurosa, imitando bolsas ou calушes.

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ESTAR DE CANGOTE DURO, expr. O mesmo que estar de cangote grosso.

ESTAR DE CANGOTE GROSSO, expr. Estar gordo, o animal cavalar ou muar. O mesmo que estar de cangote duro.

ESTAR DE CAPADURA, expr. Estar o animal gordo a ponto de apresentar a regiсo escrotal volumosa por acЩmulo de graxa. O mesmo que estar de capadura caьda.

ESTAR DE CAPADURA CA═DA, expr. O mesmo que estar de capadura.

ESTAR DE CARIJO ACESO, expr. Estar namorando. (╔ expressсo usada na zona ervateira das Missшes).

ESTAR DE CULO, expr. Estar caipora, sem sorte.

ESTAR DE FREIO NA M├O, expr. Estar em prontidсo para atender a qualquer missсo ou chamado.

ESTAR DE LOMBO DURO, expr. Estar o cavalo encolhido, ameaуando corcovear. // Em sentido figurado, estar a pessoa zangada, irritada, disposta a nсo fazer o que os outros queiram, a nсo ceder.

ESTAR DE MANO, expr. Estar quite. Estar um indivьduo em igualdade de condiушes com outro, no jogo ou em qualquer assunto.

ESTAR DE MARCA QUENTE, expr. Estar ressabiado, exasperado, irritado, muito brabo.

ESTAR DE PITO ACESO, expr. Estar assanhado.

ESTAR DE TIRAR COURO E CABELO, expr. Estar uma coisa muito quente, estar de pelar. // Estar uma coisa muito difьcil de ser feita.

ESTAR DE TIRAR LEXIGUANA, expr. Estar excessivamente frio.

ESTAR DE VIRAR E ROMPER, expr. Estar em зtimas condiушes para alcanуar determinado objetivo. Estar muito arteiro, muito gaiato.

ESTAR EM PONTO DE BALA, expr. Estar perfeitamente preparado para algum empreendimento. // Estar muito zangado, irritado, brabo.

ESTAR LOBUNO DE FOME, expr. Estar com muita fome, a ponto de mudar de cor.

ESTAR MASCANDO O FREIO, expr. O mesmo que estar mordendo o freio.

ESTAR MORDENDO O FREIO, expr. Estar ansioso por fazer determinada coisa. Estar pronto para entrar em aусo.

ESTAR NA CEVA, expr. Estar o animal preso, com aUmentaусo especial, para engordar, antes de ser abatido.

ESTAR NA PINDA═BA, expr. Estar sem dinheiro, sem recursos.

ESTAR NA TALA, expr. Estar em aperturas, em dificuldades, por falta de dinheiro.

ESTAR NA TINIDEIRA, expr. Estar totalmente desprovido de dinheiro.

ESTAR NA TIORGA, expr. Estar bЖbado. // Estar corretamente vestido com roupas domingueiras.

ESTAR NO MATO SEM CACHORRO, expr. Estar sem meio de sair das dificuldades em que se encontra.

ESTAR NOS PERNAMBUCOS, expr. Estar Я vontade, na situaусo que sempre desejou.

ESTAR NOS TRINQUES, expr. Estar bЖbado. (Vem do alemсo: trinken, beber).

ESTAR O RIO CAMPO FORA, expr. Estar o rio muito cheio, fora do leito.

178

ESTAR POR UMA DEPENDURA, expr. Estar em grande misжria. // Estar em perigo de vida. // Estar Я dependura.

ESTAR POTRO, expr. Estar disposto, forte, pronto para agir. Estar brabo.

ESTAR SAINDO FAISCA, expr. Estar brilhante, cintilante. // Figuradamente, diz-se de um animal ou de um objeto que estр em зtimas condiушes: “Esta faca estр saindo faьsca”, isto ж, estр muito bem afiada.

ESTAR TININDO, expr. Estar sem nenhum dinheiro. // Estar vibrando de contentamento ou de raiva. // Estar perfeitamente preparado para fazer determinada coisa.

ESTEIRO, s. Estero.

ESTENDER O CAVALO, expr. Preparar o cavalo para correr tiro longo.

ESTENDER O LAКO, expr. Arremessar o laуo para prender a rЖs.

ESTENDERETE, s. Pequeno tendal de secar roupa.

ESTENDIDO, adj. Diz-se de determinada forma de o parelheiro iniciar a carreira, recebendo o sinal de largada jр correndo.

“Hр parelheiros de pulo e outros estendidos. Se ж de pulo e o corredor largou estendido, saiu mal. No caso contrрrio dр-se o mesmo. O de pulo logo que se volta pra a saьda encolhe-se para pular mais longe, ao sinal do corredor; o parelheiro que sai estendido deve receber o sinal para sair, jр vindo correndo. Ainda hр os parelheiros de estouro. Estes vсo ao passo para o laуo de saьda e pulam no instante em que recebem o sinal.” (Herрclito, O Campeiro Rio-Grandense).

ESTIADA, s. Parada momentРnea da chuva.

“A chuva de verсo passou. Veio a estiada. O sol a pino. A terra inda molhada.” (Zeno Cardoso, Briga de Touros).

ESTIAR, v. Parar a chuva, momentaneamente.

ESTICA, s. Aprumo, elegРncia. “Estar na estica” significa estar bem trajado, enfeitado, vestido com aprumo.

ESTICANTE, adj. Que estica, que se pode esticar.

ESTICAR A CANELA, expr. Morrer.

ESTICAR O MOLAMBO, expr. Morrer.

“A policia uma noite prendeu o borrachсo, que resistiu, entonado; apanhou estouros… e foi para o hospital, golfando sangue; e esticou o molambo.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 122).

ESTILINGUE, s. Forquilha de madeira munida de elрsticos, com que os guris atiram pequenas pedras. O mesmo que beca, bodoque, funda, peteca, seta, baladeira, atiradeira.

ESTIRADA, s. Estirсo. Caminhada longa.

ESTIRADO, adj. Morto. Estendido.

ESTIR├O, s. O mesmo que estirada.

ESTIVA, s. Ponte tosca sobre um cзrrego ou arroio, feita de varas ou paus atravessados. // Grande quantidade espalhada. // Grande quantidade.

ESTIVADO, adj. Cheio, repleto.

ESTORNICADO, adj. Diz-se do traje muito apertado, que tolhe os movimentos do corpo.

ESTOURO, s. Dispersсo, em todas as direушes, dos bois de uma tropa em marcha, tomados de pРnico sЩbito e inexplicрvel. O mesmo que estouro da boiada.

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“Como sofrenada de sopetсo pelo grito dum chimango que passa rente ao lombo da tropa, a gadaria pрra, para arrancar num trovсo de cascos, levantando uma tormenta preta de poeira que cobre o infinito verde da canhada. Por entre o negrume da nuvem xucra relampeiam as guampas afiadas da arreada em disparada o pampeiro corporizado que’vem trazendo nas patas, aramados, tronqueiras, taipas e mangueiras…” (Lжo Santos Brum, Disparo de Tropa, Antologia da EPC, PA., Sulina, 1970, p. 266).

“DЖs que a tropa dр o estouro Nсo tem que fazer mais conta,” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango).

ESTOURO DA BOIADA, s. O mesmo que estouro.

“No mundo nсo teme a nada quem doma potro de em pЖlo; nem estouro de boiada arrepia seu cabelo!” (Rui Cardoso Nunes,Pago Imortal).

ESTRABULEGA, s. e adj. Indivьduo estourado, estovado, pРndego, prзdigo, insensato, extravagante, desordeiro, traquinas, que faz estrabuleguices.

ESTRABULEGUICE, s. Aусo prзpria de estrabulega. Desordem, doidice, extravagРncia, pРndega, coisa fora do comum.

ESTRADA-DE-ARRASTO, s. Picada ou trilha utilizada especialmente para o transporte de toras de madeira, ou arrasto.

ESTRADEIRICE, s. Esperteza, velhacada, dolo, mau procedimento.

ESTRADEIRO, adj. Diz-se de pessoa que anda sempre fora de casa, que vive constantemente na estrada. // Alarife, esperto, conquistador, velhaco.

ESTRAFEGO, s. Uso, utilizaусo constante. “As botas estсo no estrafego”, isto ж, estсo sendo usadas permanentemente.

ESTRALAКADA, s. Rumor que faz o animal quando dispara por dentro do mato, quebrando galhos de рrvores. // Em sentido figurado: desordem, zanga, descompostura em altas vozes.

ESTRALAR, v. Estalar (antiq. em Portugal). Dar estalos.

ESTRAMBМLICO, adj. Estrambзtico.

ESTRANHAR, s. Desavir-se, desacertar-se, entrando em luta. “Os dois tauras se estranharam e jр se misturaram no ferro”, isto ж, se desentenderam e comeуaram a brigar de facсo.

ESTRANHAR O CORPO, expr. Fazer negaуa com o corpo, desviar o corpo.

ESTRANZILHADO, adj. Estafado, esfalfado, extenuado, abombado, abatido, alquebrado. // Diz-se do cavalo, e, figuradamente, da pessoa.

“De volta ao pago, ao tranquito, Com o pingo estranzilhado ;” (Firmino de P. Carvalho, Geraусo pelas Caronas, Pelotas, 1957, p.

16).

ESTRANZILHAR, v. Estafar, esfalfar, abombar, extenuar, abater, alquebrar, inutilizar o cavalo de serviуo.

ESTRANZILHAR-SE, v. Estafar-se, fatigar-se o cavalo.

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ESTRAPILHAR, v. Fazer em trapos a roupa.

ESTRAPILHO, adj. Maltrapilho.

ESTRAVIADO, adj. Diz-se da pessoa vestida com desalinho, com roupas amarrotadas. // Significa, tambжm, acanhado, desconfiado, desajeitado, encabulado.

ESTRAVIO, s. Estado de desalinho em que se acha uma pessoa.

ESTRELA, s. Mancha branca na testa de animal cavalar, muar ou vacum.

ESTRELA-BOIEIRA, s. Estrela d’alva. O planeta VЖnus.

ESTRELEIRO, adj. Diz-se do cavalo que, ao correr, Я menor pressсo do freio, levanta exageradamente a cabeуa, diminuindo a marcha, o que o torna imprestрvel para a lida de campo. A denominaусo tem origem no fato de o cavalo erguer a cabeуa como se olhasse para as estrelas. Var. estrelero.

ESTRELO, adj. Diz-se do animal que apresenta uma mancha branca na testa.

ESTREPOLIA, s. Desordem, algazarra, baderna.

ESTRIBO, s. Utilizado, com significaусo especial, nas seguintes expressшes: Estar com o pж no estribo, mate do estribo, negar o estribo, para o estribo, perder os estribos.

ESTRIBO DE MEIA PICARIA, s. Estribo de metal branco ou de prata, de entrada de dimensсo mжdia, sз permitindo a introduусo da ponta do pж.

ESTROMBAR, v. Romper, arrombar, rasgar.

ESTROMPADA, s. Esfalfamento.

ESTROMPADO, adj. Diz-se do animal cansado, estragado, arrebentado, estafado. // EstЩpido, bronco, estouvado, quebrado, aleijado, gasto.

ESTROMPAR, v. Estafar, cansar, arrebentar, estragar, tratando-se de animal cavalar ou muar.

ESTRONCAR, v. Destroncar.

ESTROPIADO, adj. Diz-se do animal sentido dos cascos, com dificuldade de andar, em conseqЧЖncia de marchas por estradas pedregosas.

ESTROPIAR, v. Cansar, deixar exausto, estragar dos cascos o animal de montaria.

ESTROPIAR-SE, v. Tornar-se estropiado.

ESTROUXAR, v. Colher todos os favos da colmжia.

ESTROUXO, s. Ato de estrouxar.

ESTRUP═CIO, s. Barulho, desastre, estrжpito, alvoroуo, acidente, briga, incidente lamentрvel, ocorrЖncia desagradрvel e inesperada.

“Com tua delicadeza Tu bem mostras qu’жs dos nossos! Esquece os meus estrupьcios . Amigo, aperta estes oSsos!” (Damasceno Vieira, Os GaЩchos).

“Era ele, sз ele, o calor, a quentura de sua lс, que estava causando todo aquele estrupьcio na cidade.” (Simшes Lopes, Casos do Romualdo, P.A., Globo, 1952, p. 98).

ESTURDIO, adj. Diz-se do indivьduo trajado fora de moda, de forma esquisita.

EXTRAVIADO, adj. Diz-se do indivьduo vestido com desalinho, com roupas amarrotadas. Significa, tambжm, acanhado, desconfiado, desajeitado, encabulado. Estraviado.

EXTRAVIO, s. Estado de desalinho em que a pessoa se encontra. Estravio.

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F

FACADA, s. Pedido de dinheiro feito por indivьduo vadio, incapaz de trabalhar, que nсo pretende restitui-lo.

FACA DE RASTO, s. Grande faca, ou facсo, apropriada para abrir caminho no mato.

FAуALVO, adj. Diz-se do cavalo que tem um grande sinal branco no focinho.

FAC├O, s. Espжcie de adaga que serve tanto para brigar como para o trabalho de mato. Nсo ж aumentativo de faca.

“Facсo velho de aуo temperado nas forjas de um ferreiro pЖlo-duro, tu foste irmсo da foice e do machado, nos trabalhos violentos do roуado, quando abriste picadas ao futuro!” (Zeno Cardoso Nunes).

FACEIRAуO, adj. Muito faceiro.

FACEIRO, adj. Diz-se do cavalo elegante, garboso, brioso.

FACHAD├O, s. Boa aparЖncia. V. a expressсo fazer um fachadсo.

FACHA, s. Cara. Usada na expressсo irЗnica: que facha!

FACHINAL, s. V. Faxinal.

FACHO, s. O ar livre. Usado na expressсo sair ao facho.

FACHUDAКO, adj. Superlativo de fachudo. Muito lindo, muito bonito, muito garboso, muito fachudo.

“Chinocas fachudaуas, de peitos de laranja…” (Clemenciano Barnasque,No Pago, p. 43).

FACHUDO, adj. Diz-se do cavalo de bela estampa ou do cavaleiro que monta com garbo. Lindo, airoso, elegante, distinto, garboso, belo, bonito, trajado com esmero, que tem ares distintos. (Derivado de facha, figura, rosto, parecer, tanto em castelhano como em portuguЖs).

FAISCA, s. Pessoa esperta, рgil, viva. // Mulher leviana. Aplica-se tambжm ao cavalo. // V. a expressсo estar saindo faьsca.

FAISCAMA, s. Conjunto de faьscas.

FAISCAMENTO, s. Desprendimento de faьscas ou fagulhas, do tiусo ou das brasas.

FALTO, s. Faeton, aranha.

FAIXA, s. Tira de pano, larga e comprida, que o gaЩcho usava enrolada na cintura, prendendo o chiripр.

FALARAZ, s. Falрrio, falatзrio.

FALA-VERDADE, s. Arma de uso pessoal: facсo, faca de ponta, pistola, etc.

FALHA, s. Interrupусo casual ou intencional de uma viagem. “Por causa da enchente tivemos dois dias de falha na beira do Santa Cruz”, isto ж, interrom-

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pemos a viagem por dois dias. “Um dia de falha nсo irр nos atrasar muito, por isso, ao passar em Porto Alegre, nсo deixarei de visitar o compadre…”

FALHADA, adj. Diz-se da vaca, da жgua ou de qualquer outro animal fЖmea, que, apesar de servida pelo macho, nсo ficou para dar cria.

FALHAR, v. Interromper uma viagem ou qualquer serviуo: “Depois de uma semana de via gem,falhamos um dia para descanso dos animais;” “Por causa da chuva, falhamos trЖs dias Я escola.” Deixar de conceber, nсo ficar prenhe, nсo agarrar cria, a fЖmea de qualquer animal, embora servida pelo macho: “A жgua baia falhou este ano.”

FALHUTO, adj. Falhado; que apresenta falhas. “A espiga de milho estр falhuta”, isto ж, apresenta falhas, nсo estр bem granada.

FAMILHA, s. O mesmo que famьlia (Alentejo).

FAM═LIA, s. Filhos. O fato de ter ou nсo ter filhos significa ter ou nсo ter famьlia.

FANDANGO, s. Denominaусo genжrica de antigos bailes campestres, constituьdos de danуas sapateadas, executadas alternadamente com canушes populares, com acompanhamento de viola. Entre essas danуas estсo as seguintes: anu, balaio, bambaquerж, benzinho-amor, carр, candieiro, cerra-baile, chimarrita, charр, chico-puxado, chico-da-ronda, feliz-amor, feliz-meu-bem, galinha-morta, joсo-fernandes, meia-canha, pagarр, pega-fogo, recortada, retorcida, sarrabalho, serrana, tatu, tirana. Trata-se de danуas portuguesas, alegres e ruidosas, trazidas pelos reinзis ou aуorianos, as quais se arraigaram aqui no Rio Grande, tomando feiушes caracterьsticas do nosso meio. Hoje essas danуas estсo quase abandonadas nos bailes populares, sendo praticadas, porжm, nos centros de culto Яs tradiушes gauchescas, que existem em grande nЩmero em todo o territзrio do Estado. Atualmente o termo fandango serve para designar qualquer baile ou divertimento. // ╔ usado ainda para significar tumulto, desordem, conflito, arruaуa, briga, folia, gangolina, barulho.

“Hр jogadas e hр bochinchos, e fandangos bem marcados, cantores de Vai de Serra seguem com seus amores…” (Olyntho Sanmartin, Santo Antсo Abade, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970, p. 288).

FANDANGUEAR, v. Danуar em fandango, ou em qualquer outro baile. Participar de pРndegas, patuscadas, folias.

“- E agora, seu Neco, que ж que vai? Nсo teve resposta. Seu Neco sorria ao comentрrio de Paulo: Puxa, amigo velho, que chinocas que sabem fandanguear! Todo o mundo ж bom no pж.” (Lothar Hessel, Brava Gente, Sсo Paulo, Ed. Saraiva, 1959, p. 8).

FANDANGUEIRO, adj. Diz-se da pessoa que gosta de fandango, que ж habituada a danуar o fandango, que gosta muito de bailes. Fandanguista.

“Menina case comigo Que bom marido lhe vai; Fandangueiro e jogador, Tomador cada vez mais!” (Quadrinha popular).

FANDANGUISTA, adj. O mesmo que fandangueiro.

F┬NEGA, s. Medida para cereais, equivalente a 100 quilos. Usa-se somente na fronteira.

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FANISCO, s. Pessoa magra e de estatura pequena.

FANISQLJINHO, s. Diminutivo de fanisco.

FANTASIA, s. Graуa, beleza (Alentejano antiq.).

FAQUEAR, v. Pedir dinheiro, pechar.

FAQUISTA, s. Facadista. Indivьduo que vive a pedir dinheiro.

FAREJAR CATINGA AGOURENTA NO AR, expr. Pressentir acontecimento desagradрvel.

FARINHA DE CACHORRO, s. Farinha que ж obtida socando amendoim com farinha de mandioca e aуЩcar. Tambжm ж feita de pipoca que nсo estala, bem socada, com aуЩcar. Passoca.

FARO, s. Tino, discernimento.

FAROL, s. Lampeсo a querosene usado nos ranchos.

FAROLAGEM, s. Fanfarrice.

FAROLEAR, v. Aparentar alguma ciЖncia ou forуa que nсo tem.

FARRA, s. Bebedeira, troуa, divertimento, em geral com licenciosidade.

FARRANCHO, s. PРndega, troуa, folia, baderna, grande farra, grossa pagodeira.

FARRAPADA, s. Conjunto de farrapos, os revolucionрrios republicanos de

1835.

“A guerra estava no fim, e a farrapada se viu pelas caronas.” (A. Maia, Alma Bрrbara, P. 84).

FARRAPIADA, s. e adj. Narraусo dos feitos herзicos dos farrapos. Farrapo. (p. us.).

“Desobrigando-nos da grata tarefa que tomamos a peito, guardamos nossos trabalhos, editando Farrapiada, com chave de ouro.” (Gen. Borges Fortes, nota em Farrapiada, de Aurжlio Porto).

“Farrapьada, vela! A Pрtria em ti confia,” (Aurжlio Porto, Farrapьada, RJ, Papelaria Velho, 1938,p. 14).

FARRAPO, adj. e s. Alcunha deprimente que os imperiais davam aos revolucionрrios de 1835. O apelido aviltante, alusivo Я misжria em que se encontravam os farrapos, transformou-se, porжm, em vista do civismo e da bravura que sempre demonstraram, em legenda de glзria e de heroьsmo de que se orgulham todos os seus descendentes.

“Estр provado Я luz de documentos indiscutьveis, que nunca passou pela idжia dos revolucionрrios de entсo, o propзsito de constituir o R.G. do Sul um paьs definitivamente separado do resto do Brasil. Quem compulsar o notрvel trabalho do Ten. – Cel. Emьlio de Sousa Doca, lido em sessсo solene do Instituto Histзrico e Geogrрfico, no 20 de setembro de 1932, disso se convencerр, se dЩvida tiver.” (Moraes).

“Pra que quero mais glзrias na vida, Se de glзrias transborda meu carro? Jр peleei junto ao Netto valente, Militei com David Canabarro. Fui soldado de Bento Gonуalves, Joсo AntЗnio me viu a seu lado; Na peleia fui sempre valente, Sempre guapo no pingo montado.

Esse grande, imortal Garibaldi, Que da Itрlia cр veio por guapo, Teve em mim um fiel companheiro, Destemido, valente farrapo. Andei junto na guerra a Portinho,

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De faуanhas eternas, virentes; Combati com Frutuoso, com Guedes, Trabuzanas famosos, valentes.

De Rio Pardo me achei na batalha; Que vertesse meu sangue, Deus quis, No recontro imortal, legendрrio, Que – Porongos na histзria se diz.

Poncho-Verde foi outra peleia Onde a vida arrisquei pelos meus E, se lр nсo tombei retalhado, que a vida ж guardada por Deus.

Nas peleias mais rijas, ementas, Sempre firme na frente me achei; Que na frente ж o lugar dos farrapos Que combatem com crenуa na lei.” (Assis Brasil, Canto Farrapo).

“E o velho AntЗnio, galhardo, Por amor de seu rincсo, Foi preso de armas na mсo. Lutando atrevido e guapo. O neto dum farroupьlha Nesse topo de coxilha, Lembrava um herзi farrapo.” (Zeca Blau, Trovas da EstРncia do Abandono de Da., Brasьlia Comarca, O Estouro, p. 68).

“Mas tem-se esperanуa ainda de que, dando a liусo linda, que do Passado aprendeu, nossa gente altiva e guapa retire a lanуa farrapa que colocou no museu.” (Rui Cardoso Nunes, Lanуa Farrapa).

FARREAR, v. Sair Я pРndega, Я folia, Я troуa, para divertir-se, passear, beber.

FARRISTA, adj. Diz-se da pessoa que gosta de farras. Foliсo, divertido, beberrсo, turbulento.

FARROMA, s. Fanfarronada, fanfarrice, farronca, farromba, jactРncia, bravata, prosрpia, gabolice, provocaусo.

“Prefiro o ar livre, os capЗes de fresca alfombra sob os sзis pampeanos, e, Я noite, para sair de madrugada, um fogсo de gaЩchos, com viola e farroma, sob ramadas ‘abertas.” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 111).

“Da Farroma Meu amigo Juan Castillo, bom, da presilha atж a ilhapa! No meio da charla guapa lр vem alguma farroma. E esta, veio hoje de inhapa, ansim no mais sem embroma: – Comprж una casita em Roma para matear con Don Papa…” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 148).

FARROMEAR, v. Praticar farromas, provocar, fanfarronear, bravatear.

FARROMEIRO, adj. Fanfarrсo, jactancioso, gabola, bravateiro.

“- Queria dizer que um era farromeiro e largado e outro meio carancho, assim como quem anda de vigia…” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922,p. 148).

FARROUPILHA, adj. e s. O mesmo que farrapo. Diminutivo de farrapo. O que pertenceu Я RepЩblica de Piratinь, de 1835. O revolucionрrio republicano de 1835. Os nativistas do Rio Grande do Sul, que, antes da revoluусo de 1835, jр se batiam pela brasilidade na administraусo da provьncia.

“Mais vale uma farroupilha, Que tenha uma saia sз, Do que duas mil camelas Cobertas de ouro em pз.” (Quadrinha da жpoca da Revoluусo de 1835).

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“Ao fogo arrimo a chaleira E sinto que se entropilha Toda a histзria farroupilha, Na brasa viva e candente… Eu sinto que estр presente Cada herзi na madrugada, Esperando a clarinada Para pelear novamente.” (Cyro Gaviсo, QuerЖncia Xucra, p. 54).

“E quando ao romper da aurora a tua voz se descora pelos grotшes das coxilhas, a cavalgada dos ecos, pelos ermos e penhascos repete o rufar dos cascos das legiшes farroupilhas…” (Lauto Rodrigues, Invernada Vazia, Gaita, p. 49).

“Abre essa gaita, gaiteiro, num chotis bem requebrado! Que minh’alma se debruce nos barrancos do teclado, como a rezar uma prece, sobre o altar das coxilhas, num culto ao guasca tombado nas peleьas farroupilhas.” (Dimas Costa, Pampa Bravo, Abre essa gaita, p. 37).

“Perseguir ж lei. Mas nisto O vulcсo dos farroupilhas Sobre o dorso das coxilhas, Fundo como fundo abismo, Ao lampejo das espadas Solta as plЖiades forjadas No Ideal do Patriotismo.” (Pe. Pedro Luiz, O GЖnio do Pampa, p. 72).

FATIOTA, s. Conjunto das roupas do homem: calуa, colete e paletз.

FAXINA, s. Limpeza geral. // Gravetos muito secos, que queimam rapidamente, apropriados para comeуar fogo.

“Hр um adрgio gaЩcho que diz: Amor de china ж como fogo de faxina.” (┴lvaro Porto Alegre, Ronda da Histзria, Ed. Thurmann, 1956, p.

13).

FAXINAL, s. Lugar baixo, de certa extensсo, coberto de vegetaусo pobre, com bastante рgua mas dispondo de grandes рreas enxutas, habitрvel para homens e animais. Nсo ж brejo, nem banhado. // O mesmo que faxina.

FAZ-DE-CONTA, s. e adj. Diz-se de ou o marido que se deixa enganar pela mulher. Corno.

FAZEDOR, adj. Benfazejo, que faz o bem.

FAZER A CAMA PARA OS OUTROS SE DEITAREM, expr. Fazer uma coisa que outra pessoa venha a desfrutar.

FAZER AS PAZES, expr. Pacificar-se.

FAZER A VIAGEM DO CORVO, expr. Sair e demorar muito a regressar.

FAZER BOCA, expr. Comer alguma coisa para que o vinho fique com melhor sabor. // Fazer alguma coisa como inьcio de uma aусo mais importante.

FAZER CORPO DE COBRA, expr. O mesmo que fazer corpo de mico.

FAZER CORPO DE MICO, expr. Mostrar grande agilidade ao defender-se de ataque de arma branca.

FAZER COSTADO, expr. Ajudar, colocar-se ao lado de outro.

FAZER CRUZ, expr. Considerar determinada coisa definitivamente perdida. Desistir de procurar coisa perdida.

FAZER CRUZ NA MARCA, expr. Perder um animal ou objeto sem ter possibilidade de vir a encontrр-lo.

“Se nсo fosse tсo campeira A peonada e de truz.

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Tinha o dono feito cruz Na marca e havido porquera.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 42).

FAZER CRUZ NO LOMBO, expr. Resoluусo, determinaусo, propзsito de jamais montar em determinado animal: “Fiz cruz no lombo daquele pilungo” isto ж, tomei a deliberaусo de nunca mais montar nele. Resoluусo, determinaусo, propзsito de jamais emprestar determinado animal a quem nсo o tenha tratado bem por ocasiсo de emprжstimo anterior: “Fulano pode fazer cruz no lombo do meu cavalo”, isto ж, pode perder a esperanуa de montр-lo, por que nunca mais permitirei que ele o monte.

FAZER DAS TRIPAS CORAК├O, s. Fazer o impossьvel para conseguir determinada coisa de que se necessite.

FAZER E ACONTECER, expr. Ameaуar, prometer fazer muitas coisas, que ficam sз em ameaуas e promessas, pois nсo chegam a ser feitas. // Fazer o que bem entende: “Na minha casa eu faуo e aconteуo e ninguжm tem nada com isso.”

FAZER FESTAS, expr. Agradar. Cumprimentar a alguжm com muita amizade. // Demonstrar o animal, principalmente o cсo, intenушes amistosas, manifestando sinais de alegria.

FAZER LUZ, expr. O mesmo que ganhar de luz.

FAZER O BEM, expr. Fazer o favor, o obsжquio. “Fulano, faуa o bem de fechar aquela porta.”

FAZER OUVIDOS DE MERCADOR, expr. Nсo dar atenусo ao que os outros lhe estсo dizendo.

FAZER PELEGO, expr. Cometer erro nas danуas gauchescas. “No baile de ontem houve muito pelego”. “VocЖ precisa aprender a danуar; chega de fazer pelego.”

FAZER-SE DE CHANCHO RENGO, expr. Fazer-se de desentendido. Fazer-se de tolo. O mesmo que fazer-se de sancho rengo.

“O Reduzo foi se fazendo de sancho rengo… e foi se encostando pra janela da sala de jantar… e por ali foi comendo e bebendo, como soldado estradeiro, que nсo se aperta…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 78).

FAZER-SE FUMAКA, expr. Desaparecer, fugir, ir embora.

“Mas eu, na mesma horinha, ainda armado do ferro ensangЧentado, ganhei na noite e me fiz fumaуa.” (Sylvio da Cunha Echenique, Fagulhas do meu Isqueiro, Pelotas, Ed. Hugo, 1963, p. 77).

FAZER TROPA, expr. Adquirir gado para formar uma tropa. Tropear. Conduzir gado.

FAZER UMA VACA, expr. Contribuir, cada integrante de um grupo de pessoas, com determinada quantia em dinheiro, para formar uma importРncia maior, necessрria a uma certa finalidade. O mesmo que fazer vaca.

FAZER UM BARRO, expr. Cometer aусo criminosa.

FAZER UM ESPARRAMO, expr. Externar admiraусo ruidosamente. // Dar grande importРncia a uma coisa insignificante.

FAZER UM FACHAD├O, expr. Fazer

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boa figura, pela зtima aparЖncia, elegРncia ou beleza.

FAZER VACA, expr. O mesmo que fazer uma vaca.

FECHAR-SE EM COPAS, expr. Calar-se.

FEL-DA-TERRA, s. Planta medicinal, usada como tЗnico, digestivo e febrьfugo. (Scoparia sp).

FELIZ-MEU-BEM, s. Variedade de baile campestre. ╔ uma das danуas que tЖm a denominaусo genжrica de fandango.

FELOR, s. O mesmo que flor. (Alentejo).

FELORIDO, adj. Florido.

FEREDIMENTO, adj. Cheio de feridas. Feridento.

FERIDA, s. Pessoa ruim, covarde, imprestрvel.

FERIDA BRABA, s. Ferida de mau carрter; ferida cancerosa. // Em sentido figurado, pessoa ruim, ordinрria, covarde e mр.

FERRAR A CARRETA, expr. Revestir de ferro as rodas da carreta.

FERRAR NO SONO, expr. Dormir profundamente.

FERRAR O NAMORO, expr. Intensificar, acirrar o namoro.

FERRAR OS DENTES, expr. Morder.

FERREIRO, s. Araponga.

FERRO, s. Arma branca.

FERRO-BRANCO, s. Arma branca. Faca, punhal, facсo, espada, adaga. V. a expressсo baralhar o ferro.

FERVEDOR, s. Olho dрgua que brota do chсo formando borbulhas.

FERVER, v. Haver discussсo acalorada, agitaусo, briga. // Divertir-se intensamente: “Aquela moуa ferveu a noite inteira”, isto ж, divertiu-se muito durante toda a noite.

FERVIDO, s. Cozido. Puchero.

FERVO, s. Briga, conflito, tumulto, luta.

FESTAR, v. Participar de festas populares.

“Enquanto nзs aqui estamos festando, nas pрtrias lр da Eurрsia ensanguentada a metralha estр dando gargalhada,” (Zeno Cardoso Nunes, Ano Novo,

1941).

FESTO, s. Festa, farra, festejo, divertimento, baile. // Tжdio, indisposiусo, impaciЖncia, aborrecimento.

“- Haviam de ver! ... Ou bem se faz ou nсo se faz; e aquela intrigante e linguaruda ia ficar sabendo como se perpara um festo…” (A. Maia, Tapera, RJ, F. Briguiet & Cia., 1962, p. 98). “O que le conto ж que o seu major Vieira, ainda em cadete, se casou com a nhр Velinda, e aquele tal Menininho Jesus ainda hoje ж o figurсo do oratзrio e ж o mesmьssimo do presжpio que, hр mais de cinqЧenta anos, se arma sempre na estРncia, no festo do Natal.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 127).

FIADOR, s. Parte do buуal que cinge o pescoуo do cavalo, passando-lhe pela regiсo jugular. // Alуa colocada no cabo do relho para se introduzir o pulso,

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tambжm chamada fiel. // Homem que marcha na frente da tropa de gado para regular-lhe a marcha, alжm do ponteiro. // V. a expressсo ganhar de fiador.

“Fala-se noutra pegada Para a troca de patrсo, Consagrando cada peсo Como fiador da largada.” (Chico Gaudжrio, poema, 1981).

FIAMBRE, s. Alimento para a viagem, geralmente carne fria, assada ou cozida.

FIANКA, s. Confianуa, seguranуa. Cavalo de fianуa, ou simplesmente fianуa, ж o cavalo de зtimas qualidades, no qual se tem confianуa para as viagens ou para o trabalho.

FICADO, adj. Diz-se das reses de corte que nсo foram vendidas na жpoca e que, por isso, permanecerсo na invernada para venda no ano seguinte.

FICAR BUZINA, expr. Irritar-se, zangar-se, encolerizar-se.

FICAR A MANO, expr. O mesmo que ficar de mano.

FICAR DE MANO, expr. Ficar em igualdade de condiушes, um indivьduo com outro, no jogo ou em qualquer assunto.

FICAR SAPATEIRO, expr. Nсo conseguir ganhar nenhuma vez em jogo de cartas ou em corridas de cavalos. Nсo fisgar nenhum peixe, na pescaria. Nсo danуar nenhuma marca durante um baile.

FICAR XAVIER, expr. Ficar encalistrado, desenxabido, encabulado.

FIDALGO POBRE, s. Variedade de garуa de cor azul-cinzenta.

FID╔O, s. Massa de farinha de trigo.

FIEL, adj. Alуa de couro ou de corrente de metal, colocada em uma das extremidades do cabo do rebenque ou do relho, na qual se enfia a mсo que vai segurar qualquer daqueles trastes campeiros.

“E o chicotinho tecido De prata e de tento fino E com fiel de corrente? Foi batuta de regente Nos valseios do destino De muito chiru valente.” (Zeca Blau, Poncho e Pala, P.A., Sulina, 1966, p. 30).

FIGOS, s. Doenуa de pele que se manifesta em forma de pequenas bolhas de рgua, ou como frieiras, nos pжs e nas mсos. (O termo, de uso na campanha, ж empregado sempre no plural).

FIGUEIRA, s. ┴rvore gigante, Uro stigma ficus, abundante no Rio Grande do Sul, que dр pequenos frutos comestьveis, de tronco nсo muito elevado, porжm dotada de grande copa esparramada, cobrindo vasta рrea, e produzindo excelente sombra. ╔, como o umbu e o pinheiro, uma das рrvores simbзlicas do Rio Grande.

“Na crista da onda maior, Я sombra da figueira brava ao lado da mangueira grande, a casa velha da estРncia abre o sorriso das dez janelas.” (Felipe de Oliveira, Recuo Nostрlgico).

FIGUEIRILHA, s. Batatinha do campo que, seca e cortada em pequenos pedaуos ou moьda, se mistura ao fumo do cigarro crioulo para aromatizar-lhe a

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fumaуa. cabeуa para baixo. // Morrer. “Mas que cheirinho bom tem mesmo essa tal figueirilha. Eu estava sentindo mas nсo sabia donde ж que vinha.” (Lothar Hessel, Brava Gente, Sсo Paulo, Saraiva S.A., 1959, p. 97).

FIJA, adv. Na certa. (Cast.).

FILA TESTA, s. Fila da testa, da frente, da vanguarda.

FILHO DA MACEGA, s. Filho natural. Filho de pai desconhecido.

“Ele mesmo se chama filho das macegas Sem berуo pra nascer, sem morada certa, Tem pai adotivo que ж o padrinho e o patrсo Seu lar ж o rancho ou apenas o galpсo. Seu mundo, pago e querЖncia, O campo verde com a sua vastidсo!” (Ramiro Frota Barcelos, Romanceria Gauchesca, Sсo Leopoldo, Ed. Rotermund, 1966, p. 45).

FILHO DE TIGRE SAI PINTADO, expr. Tal pai, tal filho; o filho se assemelha ao pai.

FILHOS DA CANDINHA, s. O povo em geral, a populaусo: “Dizem os filhos da Candinha”, isto ж, diz o povo, murmura-se, comenta-se, fala-se por aь.

FINC├O, s. O mesmo que chupсo.

FINCA-P╔, s. Teimosia, esforуo, persistЖncia, resistЖncia em ceder.

FINCAR AS CRAVELHAS NO CH├O, expr. Levar uma rodada. Cair do cavalo.

FINCAR AS GUAMPAS, expr. Cair de cabeуa para baixo. // Morrer.

FINCAR AS GUAMPAS NO CH├O, expr. Cair, levar um tombo.

FINCAR AS GUAMPAS NO INFERNO, expr. Morrer. (Aplica-se em relaусo a pessoa indesejрvel).

FINCAR O LAКO, expr. Surrar de laуo. // Atirar o laуo para prender a rЖs.

FINCAR O P╔, expr. Nсo recuar, teimar, obstinar-se. // Fugir.

FINCAR O P╔ NO MUNDO, expr. Fugir, ir embora.

FINCAR O RELHO, expr. Surrar de relho.

FINCAR UMA BOFETADA, expr. Dar uma bofetada.

FITAR AS ORELHAS, expr. Entesar, levantar as orelhas.

FIXAR-SE, v. Olhar, prestar atenусo. O x tem som de ch.

FIXE, adj. Fixo, firme.

“Do mesmo talho varou os dois coraушes, espetou-es no mesmo ferro, matou-os da mesma morte, fazendo os dois sangues, num de cada peito, correrem juntos num sз derrame… que foi lastrando pelo chсo duro, de cupim socado, lastrando… atж os dois corpos baterem na parede, sempre abraуados, e depois tombarem por cima do balcсo, onde estava encostado o tocador, que parou um rasgado bonito e ficou olhando fixe para aquela parelha de danуarmos morrentes e farristas ainda! ...” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p.

98).

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“E, de noite, a peonada Veio ali, de ponto fixe.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 62).

“Quem havia de dizer Que aquele homen tсo miche Que o Lautжrio num boliche Descreveu tсo bem um dia A essa altura chegaria E nela ficasse, fixe.” (Homero Prates, Histзria de D. Chimango, RJ, Livr. Machado, 1927. p. 25).

FLACO, adj. Fraco, magro, desnutrido. (Esp.).

“Eu madrugava e anoitecia montado no meu cavalo, percorrendo o campo, com dois peшes apenas, trabalhando de sol a sol, levantando o gado flaco que afundava nos atoleiros vizinhos aos tremedais, salvando da morte certa, uma por uma, as vacas magras que nсo tinham forуa para erguer as patas cravadas nos banhados.”(ManoeLito de Ornellas, Terra Xucra, p. 112).

“Me parece que lo veo Con su poncho calamaco, Despuжs de echar un gЧen taco, Ansь principiaba a hablar: Jamрs ileguжs a parar Ande veas perros flacos.” (Josж Hernрndez, Martin Fierro, Buenos Aires, Ed. Sopena Argentina, 1945, p. 87).

FLAQUEIR├O, adj. Emagrecido, um tanto fraco, mas podendo ainda fazer algum esforуo.

FLAQUITO, adj. Diminutivo de flaco.

“Veio ao mundo tсo flaquito, Tсo esmirrado e chochinho Que, ao finado seu padrinho Disse espantada a comadre: – Virgem do cжu, Santo Padre! Isto ж gente ou passarinho?” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978,p. 16).

FLAUTEAR, v. Troуar de alguжm, debicar, debochar. // Vadiar.

FLECHAR, v. Ir em rumo certo, sem se deter. “Os cavalos mal se viram soltos flecharam para a querЖncia.”

FLECHILHA, s. Grama ou capim muito comum em vрrias zonas do Estado do Rio Grande do Sul (Stipa neesiana,). ╔ de superior qualidade para a criaусo de gado. (Encontra-se, tambжm, em bons escritores, flechilha grafada com X).

“Lр nсo se via macega, Tudo grama de forquilha Trevo era mato e flechilha.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 35).

“Quem cruzar hoje aqui nestas coxilhas, hр de ver jр cobertas das flechilhas as taperas de um tempo promissor!” (Rui Cardoso Nunes, Tropilha Perdida).

FLECHOSO, adj. Que se assemelha a uma flecha ou seta.

FLECOS, s. Franjas.

FLETAКO, s. Aumentativo de flete.

FLETE, s. Cavalo bom e de bela aparЖncia, encilhado com luxo e elegРncia.

FLOR, adj. Muito bom, excelente, bonito, belo, lindo, grande, gordo. O mais lindo, o melhor, a porусo mais fina, o mais apurado.

FLOR DE CAMPO, s. Campo muito bom, de excelentes pastagens, boas aguadas. abrigo para o inverno, etc.

FLOR DE CAVALHADA, s. Cavalhada muito boa.

FLOR DE CAVALO, s. Cavalo excelente.

FLOR DE CHINA, s. China muito linda, muito prendada.

FLOR DE GADO, s. Gado excelente, fino, de raуa selecionada, de grande valor econЗmico.

FLOR DE TOMBO, s. Queda espetacular.

FLOR DE TROPA, s. Tropa muito boa, de gado gordo, bonito, pesado, excelente.

FLOREADO, adj. Embriagado, tonto, perturbado; a meia embriaguez.

FLOREAR-SE, v. Tornar-se floreado, ficar meio embriagado.

FLOR E FLOR, expr. Duas vezes flor. Duplamente bom.

FLOREIO, s. Embate de arma branca, de pequena duraусo. // Susto, revжs, corrida, derrota acontecida a alguma pessoa em negзcio, combate ou em qualquer competiусo. // Exercьcio a que se submete um parelheiro ou galo de briga, como treinamento.

FLOUXO, adj. O mesmo que floxo.

FLOXO, adj. Frouxo, fraco, medroso. // Diz-se tambжm do campo de pastagem inferior. Var.: Flouxo.

FOGACHAR, v. Despedir fogachos, deitar fogo.

FOG├O, s. Grande fogo que se acende no

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galpсo das estРncias para o preparo do mate e do churrasco. // O lugar em que se faz o fogo e que ж o ponto de reuniсo dos tropeiros e peшes. // O mesmo que fogo de chсo. Esse fogo, tradicьonalmente acolhedor, possui tambжm a conotaусo de sьmbolo de hospitalidade, visto que qualquer forasteiro, mesmo desconhecido, ж admitido ao convьvio dos que se reЩnem em torno dele. Tem, ainda, o significado de pago ou de querЖncia.

“Hр dois sжculos jр que o fogсo alumia o rancho de torrсo, a casa do posteiro, o acampamento, o pouso, o galpсo do estancieiro, quer sucedendo o sol, quer precedendo o dia.

└ luz da labareda, ao calor do braseiro, onde se assa o churrasco e a chaleira chia, como diante do altar de onde a vida irradia, ж que o guasca comunga em ritual campeiro.

Farol de noite aceso ao vaqueano sem rumo, o seu fogo sagrado incensa o cжu azul, quando aceso de dia, elevando o seu fumo.

E as sombras que ele agita em macabro bailado sсo as das geraушes do Rio Grande do Sul agachadas em torno, adorando o passado.” (Piр do Sul. O Fogo Sagrado).

“E o fogсo do carreteiro, na escuridсo que se expande, parece uma estrela grande

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entreverada com as outras que fogoneiam no cжu.” (Juca Ruivo, Tradiусo, CTG de Iraь, 1957, p. 34).

“Fogo de chсo que nсo se apaga nunca, жs rito que nos une e nos congraуa no culto desse amor que nсo se trunca, que Я QuerЖncia natal nossa alma enlaуa. Nсo pЗde do progresso a garra adunca, que os costumes crioulos despedaуa e de gado estrangeiro os campos junca, apagar teu fulgor que Я histзria passa! Bendito seja aquele que te atiуa, porque, ao teu clarсo de luz mortiуa, reviverсo as glзrias do Rincсo. Hoje estрs mais aceso do que outrora, transformado em fanal, em clara aurora: num sьmbolo de luz da tradiусo. (Rui Cardoso Nunes,Fogo de Chсo).

FOGO DE CH├O, s. O mesmo que fogсo.

FOGO DE PALHA, s. Atividade de pouca duraусo, prзpria de indivьduo sem perseveranуa.

FOGO MORTO, s. Vestьgios do fogo feito anteriormente e jр extinto. (Hр quem acredite que reavivar o fogo morto ж causa de desgraуas).

FOGUEAR, v. Despedir, irradiar, lanуar de si raios, cores, chamas.

FOGUETE, adj. Diz-se de crianуa muito arteira, muito traquinas, ou de indivьduo muito desinquieto.

FOGUISTA, s. O mesmo que fogueiro.

FOLGO, s. Corruptela de fЗlego.

FOLHEIRITO, adj. Diminutivo de foiheiro. Muito folheiro.

“Quando boleamo a perna, em riba mesmo da trincheira, jр Andrade Neves riscava o campo na frente, folheirito, folheirito, manoteando a espada” (A. Maia. Ruьnas Vivas, Porto, Lello& Irmсo, 1910,p.47).

FOLHEIRO, adj. Airoso, garrido, alegre, satisfeito, desembaraуado, desempenado, despreocupado, elegante, garboso, vistoso, lindo, taful, louусo, bem disposto, de boa aparЖncia. // Que faz ou obtem as coisas com facilidade, sem embaraуos.

“Sr. Saldanha da Gama Lр do Rio de Janeiro, Nos seus barcos a vapor Nсo anda muito folheiro…” (Simшes Lopes, Cancioneiro Guasca, P.A., Globo, 1954, p. 259).

FOLHO, s. Doenуa que dр nas patas do cavalo.

FORA, adv. Usado na expressсo “vida de fora”, que significa vida do campo, distante da cidade.

“Vida de fora ж melhor: tem mais ar, mais alegria . Lр fora, jр bem cedinho, canta o galo no poleiro; se ouve a voz do canarinho quase sempre o dia inteiro.” (Edoardo Granata, Trovas e Trovoadas, P.A., Tip. Santo AntЗnio, 1977,p. 125).

FORCEJAR NAS QUARTAS, expr. Esforуar-se, esmerar-se, empenhar-se.

FORКUDO, adj. Robusto, vigoroso, que

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tem muita forуa.

FORJAR, v. Fazer o cavalo barulho com as ferraduras.

FORNEIRA ou FORNEIRO, s. Joсo-de-barro.

FORQUILHA, s. Sinal, para identificaусo, que se faz nos bovinos, suьnos e oVinOS, constituьdo de uma forquilha recortada na ponta de uma das orelhas do animal. // Grama excelente para a alimentaусo do gado.

FORRAR O PONCHO, expr. Ganhar bastante dinheiro. Conseguir um negзcio muito lucrativo.

FORROBODМ, s. Desordem, bochinche, baile popular.

“Deus ajude que nсo venham brigar por aqui. Que faуam seus forrobodзs lр por longe!” (Lothar Hessel, Brava Gente, Sсo Paulo, Saraiva S.A., 1959, p. 134).

FORTALEZA, s. Ponto turьstico situado no Parque Nacional de Cambarр do Sul, RS, Fortaleza fica no alto da serra e ж cercada, em grande parte, por escarpas de atж 1000 metros de altura. Em dias de claridade, ela proporciona, aos que a visitam, a visсo de uma das paisagens mais lindas do mundo.

“Mostro, em Cambarр do Sul, sob o mesmo cжu azul que emponcha toda a beleza do universo do meu pago, para gрudio do ьndio-vago, a lindaуa Fortaleza.

Aqui no meu verso a ponho porque ela parece um sonho, uma paisagem sem par! Do alto dela, lр da crista da verde serra, se avista a praia branca do mar!” (Rui Cardoso Nunes, Rodeio Serrano)

FRADE-FEDORENTO, s. Nome comum dos opiliшes.

FRANGO, s. Espiga de milho assada.

“- Vamos aos frangos, seu Alcides? Que fazer o infeliz, se nсo avanуar para as espigaS, que sз entсo ele ficou sabendo serem conhecidas por frangos naqueles pobres sьtios serranos.” (Joсo Maia, Pampa, Ed. Globo, p. 107).

FRANGUEAR, v. Comer milho assado, especialmente milho catete.

FRANQUEIRO, s. Raуa de gado vacum de grande corpulжncia, muito ossudo, de chifres longos e demasiadamente abertos. oriunda do municьpio de Franca, no Estado de Sсo Paulo.

“O tal era de raуa fran queira, e tinha umas aspas abertas, quase de braуa, cada uma, e grossas, na proporусo.” (Simшes Lopes, Casos do Romualdo, P.A., Globo, 1952, p. 196).

FRECHAR, v. Correr velozmente, disparar, fugir. // Seguir em linha reta. // Emprega-se flechar com o meSmO sentido.

FREGE, s. Conflito, bagunуa, briga. // Hotel ou pensсo muito ruim.

FREIO DE COPAS, s. Freio campeiro cujo bocal ж guarnecido nas duas extremidades por peуas de prata ou de outro metal redondas e convexas. As vezes essas peуas sсo substituьdas por moedas, de prata ou de nьquel.

FREIO DE MULA, s. Freio grosseiro que se usa para domar as mulas, desde o inьcio da doma, pois sendo animais indзceis, dificilmente podem ser amansadas com bocal de couro, como os

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cavalos.

FRENAR, v. Freiar.

FRENTEAR, v. Atacar a tropa pela frente, impedir o gado de disparar pelo campo. // Deparar-se, defrontar-se.

FRESCAL, adj. Meio fresco, oreado, em meio preparo, que ainda nсo alcanуou a consistencia devida. Diz-se, em geral, da carne e do queijo.

FRESCATA, s. Passeata pelo campo, folganуa. Ato de pЗr-se р vontade, desapertar-se.

FRESCO, adj. Desempenado, рgil, lampeiro. nсo cansado. Pederasta.

FRISSURAS, s. As vьsceras da rЖs. MiЩdos.

FRI┌RA, s. Friagem. Frio intenso.

FRONTEIRIКO, s. O mesmo que fronteiriSta.

FRONTEIRISTA, s. Pessoa que nasce na fronteira com o Uruguai ou a Argentina. Habitante da regiсo da fronteira.

FRONTINO, adj. Diz-se do cavalo que tem malha branca na testa.

FRUTA-DE-POMBA, s. O mesmo que chale-chale.

FRUTILHA, s. Morango.

FRUTOS DO PA═S, s. Denominaусo dada a produtos naturais da pecuрria: couro, lс, cabelo, sebo, e outros.

FRUZU╩, s. FuzuЖ.

FU┴, adj. Ressabiado, arisco, desconfiado, espantadiуo, sestroso, manhoso, aruр, puava, quebra, bagual, ou vрrias dessas qualidades ao mesmo tempo.

FUCHICO, s. Fuxico.

FUEIRAR, v. Alancear, furar, espetar.

FUEIRO, s. Estaca para amparar a carga da carreta ou carro de bois. // O fueiro, que ж feito de madeira muito resistente, ж, freqЧentemente, usado como arma: “Dei de mсo num fueiro e, em poucas paletadas, amoitei os dois quebras”.

FUFIA, s. Baile, festa, festejos.

FULEIRO, s. e adj. Farrista.

FULERIA, s. Festa licenciosa, farra.

FUMAКA, adj. Diz-se do vacum de pelagem cor de fumaуa, barroso fumaуa. // adj.Zangado. brabo, irritado. // s. JactРncia, prosрpia: Ela tem uma certa fumaуa de gente graЩda”, isto ж, pensa, quer aparentar que ж gente graЩda.

FUMACEAR, v. Mostrar-se em bando numeroso, mais ou menos compacto.

FUMEIRA, s. Bolsinha para guardar o fumo cortado e desfiado, geralmente feita de borracha.

FUMO BRAVO, s. Planta da famьlia das Solonрceas (Solanum auriculatum).

FUMO CRIOULO, s. Fumo em rama, em corda, enrolado. O mesmo que fumo em corda, fumo em rama, fumo em rolo.

FUMO EM CORDA, s. O mesmo que fumo crioulo.

FUMO EM RAMA, s. O mesmo que fumo crioulo.

FUMO EM ROLO, s. O mesmo que fumo crioulo.

FUNDA, s. Estilingue.

FUNDO, s. Lugar afastado. Cafundз.

FUNGU, s. Bruxaria, feitiуo.

FURADO, s. Braуo de rio, corrente que se desvia do curso geral para contornar uma ilhota.

FURO, s. Sinal para identificaусo, que se faz nos vacuns, suьnos e ovinos, consistindo em um furo recortado em uma das orelhas do animal. // Descobrimen-

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to de um segredo. // Saьda, explicaусo, maneira de solucionar um negзcio, de contornar um obstрculo, de resolver uma dificuldade.

FURUNGAR, v. Insistir enfadonhamente a respeito de um assunto. Cacetear com queixas e pedidos, de forma a indispor quem o ouve. Intrigar com mexericos insistentes.

FUSCO-FUSCO, s. Lusco-fusco.

“Era jр fusco-fusco. Pegaram a acender as luzes.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 93).

FUSIL, s. O mesmo que fuzil.

FUTRIQUINHA, s. Coisa velha, sem valor.

FUXICAR, v. Coser com grandes pontos, sem muito cuidado, pano ou roupa. // Bulir, remexer em qualquer coisa: “O que estрs a fuxicar nessa gaveta?” // Intrigar, enredar, furungar.

FUXICO, s. Costura mal feita. // Enredo, intriga.

FUZARQUEAR, v. Fazer fuzarca. Farrear.

FUZIL, s. Peуa de aуo ou pedaуo de lima, utilizado para tirar faьscas da pedra-de-fogo, para acender a isca, feita de trapos de algodсo meio queimados, contidos no isqueiro de guampa ou de porongo.

FUZILAR, v. Fugir apressadamente. Dar no pж.

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G

GACHAR-SE, v. O mesmo que agachar-se.

GACHO, adj. Abaixado, baixo, caьdo, pendido para baixo: “O criminoso estava de cabeуa gacha”, isto ж, estava cabisbaixo; “Aquele tordillio ж gacho de frente”, isto ж, tem os membros anteriores mais baixos que os posteriores; “Esse boi tem as aspas gachas”, isto ж, tem as aspas caьdas para baixo.

“Depois… de focinho gacho garrou ladera em descida na fЩria despavorida de um louro num costa-abaixo!” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 87).

GAD┬NHAR, v. O mesmo que gadunhar.

GAD├O, s. Gado em bom estado, de boa aparЖncia, de boa raуa, de excelente qualidade.

GADARIA, s. Porусo de gado, grande quantidade de gado, o gado existente em uma estРncia ou em uma invernada.

“A casa, os lavourшes, a gadaria, o fogo amigo que nos aquecia, tudo licou perdido no passado.” (Zeno Cardoso Nunes, Tapera).

GADEIRO. adj. Relativo ao gado.

GADELHUDO, adj. Diz-se de pessoa com os cabelos muito crescidos, // Aplica-se tambжm ao cavalo muito crinudo. // Intrжpido, audaz.

GADO, s. O gado vacum. Quando o rio-grandense quer referir-se a outro gado que nсo seja o vacum, ele o especifica, chamando-o gado lanьgero, asinino, muar, cavalar etc.

“Ao contrрrio do resto do Brasil, cuja colonizaусo assentou na base da exploraусo agrьcola, o Rio Grande do Sul nasceu e se formou Я custa do gado. Tornou-se a criaусo desde o inьcio, o eixo de sua vida coletiva. Jр dissemos em outro lugar que a formaусo gaЩcha sob inЩmeros aspectos apresenta-se como obra exclusiva do pastoreio, da gadocracia.” (AntЗnio Carlos Machado, Vozes da QuerЖncia, p. 29). “O gado que os Jesuьtas introduzem, em 1634, no territзrio que se estende a Oriente do Rio Uruguai, e que vai constituir o casco da pecuрria sul-riograndense e uruguaia, procede, em suas origens primitivas, dos rebanhos brasileiros de Sсo Vicente, aь introduzidos um sжculo precisamente antes, por ordem do donatрrio dessa capitania Martim Afonso de Sousa.” (Aurжlio Porto, Histзria das Missшes Orientais do Uruguai, Vol III, P.A., Livr. Selbach,

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1954, p. 242-43).

“SSabe-se tambжm, segundo o testemunho de Prudжncio de Mendoza, no seu livro Histзria de la Ganaderia Argentina, que o casco do gado vacum trazido pela Expediусo de Salazar Espinoza, desdobrou-se nos rebanhos do pampa, criando as riquezas da pecuрria do Prata e do Paraguai .” (Manoelito de Ornellas, Mрscaras e Murais de minha Terra, P.A., Globo, 1966,p. 150). “O gado no Rio Grande – Dizem historiadores que, anos antes (1512) da viagem em que foi trucidado pelos ьndios charruas, viera Solis ao Rio da Prata em viagem secreta e nessa, sobre a costa de Maldonaldo, perdera alguns navios, salvando-se nessa ocasiсo uns poucos cavalos inteiros e жguas, que internaram-se nas fartas pastagens e foram procriando: datarр daь, pois, o aparecimento destes animais nos campos do Uruguai e do Rio Grande. Quando Fernсo de Magalhсes chegou ao estuрrio do Prata, foi por ele acima, estanceando na ilha de Sсo Gabriel e daь mandou sob o comando do seu capitсo Juan Serrano subisse a nau “Santiago” em busca do canal; o explorador remontando, achou a foz do Uruguai, pelo qual entrou e seguiu atж regular distРncia, regressando com a notьcia do novo rio; foi, pois, Serrano, o descobridor do grande rio histзrico. O governador (adelantado) Pedro de Mendoza (1524) desembarcou no Prata trazendo uma expediусo preparada com carрter colonizador; alжm de colonos, ferramentas, trouxe 100 cavalos e жguas. Durante o governo de Domingo de Irala (1544-56), os irmсos Goes, portugueses de naусo, introduziram em Assunусo oito vacas e um touro; esta foi, parece, a origem de todo o gado vacum do Paraguai. Logo que os jesuьtas sentiram-se seguros contra os ьndios de Guaira (em cujo territзrio a conquista espanhola havia lanуado a fundaусo de Vila Rica (1580) e depois de Ciudad Real), foram sendo conduzidos para essas paragens e utilizados os plantжis desses animais. No relato de outros historiadores foi o governador Hernandarias de Saavedra (1600) o verdadeiro introdutor do gado nas terras da margem esquerda do Uruguai. Na Argentina havia prosperado de modo assombroso a procriaусo dos primeiros casais bovinos provenientes do Paraguai e outros, introduzidos pelos governadores Mendoza e Garai. Ilernandarias ordenou que se passasse de Buenos Aires, em jangadas, para o lado fronteiro, 100 vacuns e duas manadas de жguas. Um decжnio transcorrido havia jр esparsas muitas pontas de gado – vacum e cavalar – que seguiram desenvolvendo-se admiravelmente. Daь em diante foi incontestрvel a multiplicaусo dos rebanhos chucros que discorriam pelas amplas campanhas sulinas.њ (Simшes Lopes, Terra GaЩcha, P.A., Sulina, 1955, p. 86-87).

GADO CHIMARR├O. s. Gado alуado, xucro, sem custeio.

GADO DA PORTA, s. O gado manso que pрra habitualmente perto da casa da estРncia.

GADO DE CORTE, s. Gado gordo, ou em

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bom estado, destinado a ser abatido.

GADO DE CRIA, s. Gado para criar, gado novo que ainda estр em desenvolvimento. Totalidade do gado existente em uma estРncia em que o estancieiro nсo se dedica a invernar, mas apenas a criar.

GADO DE INVERNAR, s. O gado magro que se compra para invernar, para vendЖ-lo mais tarde, depois que estiver gordo, como gado de corte.

GADUNHAR, v. Gatunar, gatunhar, gadanhar, pegar com as unhas, prender com forуa nas mсos, agarrar de repente.

GAFEIRA, s. Doenуa da pele que ataca os animais cavalares, principalmente no focinho e no lombo. Os animais melados sсo os mais sujeitos a essa doenуa.

GAFEIRENTO, adj. Que tem gafeira.

GAGINO, s. Galo que tem as penas com aspecto semelhante Яs da galinha.

GAITA, s. Sanfona, acordeona.

“Velha gaita abandonada, Relьquia da gauchada Que sempre alegre te ouviu, Teu compasso delicado Faz reviver o passado Deste Rio Grande bravio!” (Josж Barros de Vasconcellos, Gaita Velha, in Voz do Sul, n║ 1, P.A., set., 1958, p. 8).

“Desafios sсo lanуados por gaЩchos respeitados que saltaram lр dos matos com fanhosas gaitas velhas, sсo poetas de bom quilate, que, ao descante, tomam mate.” (Olyntho Sanmartin, Santo Antсo Abade, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970, p. 288).

“A gaita hoje estр louca de amargura; geme e chora como um coraусo partido nas mсos morenas do gaiteiro. Dзi uma dor profunda em seu gemido. Quando a gaita se abre toda, o homem parece crucificado, implorativo, doloroso …

Depois se encurva, corcoveia, ondula, vai-vem! Lembra o mar! Lembra tudo o que ж cruciante na tortura de gritar!

Cordeona trЖmula, turva de raiva contida, cheia de humana amaragem, hр um gemido de trova em teu soluуo – hр um soluуo de amor em teu gemido…” (Augusto Meyer, Giraluz).

GAITADA, s. Gargalhada.

GAITEIRO, s. Tocador de gaita, sanfona, acordeona.

GAIUNA, s. Negaуa.

GAJETA, s. Espжcie de bolacha ou de biscoito. (╔ termo castelhano).

GAJO, s. Pessoa de pouca importРncia.

GALA, s. Galadura, mancha da fecundaусo no ovo, esperma, sЖmen. (Parece-nos incorreta esta definiусo. Na realidade o que o gaЩcho denomina galas sсo as calazas, substРncia albuminosa espessa, parecidas com barbantes, que ligam a gema a cada um dos pзlos do ovo, mantendo-a mais ou menos fixa no centro do mesmo).

GAL├O LARGO, s. Militar de alta graduaусo.

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GALEGADA, s. Nome dado por apodo aos legalistas de 1835.

GALEGO, s. Alcunha que os farrapos davam aos legalistas. O mesmo que absolutista, camelo, caramuru, restaurador corcunda.

“O farroupilha ж mui livre, E denodado, ж mui bravo, E braуo da liberdade E o galego ж vil escravo.” (Apolinрrio Porto Alegre, Cancioneiro da Revoluусo de 1835, P.A., Globo, 1935, p. 55).

GALETO, s. Galo nсo adulto. Frango. Assado de frango.

“O galeto, constituьdo de franguinho novo, do primeiro canto, assado, com polenta, salada e vinho, ж, provavelmente, o Щnico prato tьpico do Rio Grande do Sul. Foi ideado pelos descendentes de imigrantes italianos, que eram grandes apreciadores de passarinhadas. Tendo o IBDF e a consciЖncia ecolзgica impedido a continuaусo das passarinhadas, recorreram os seus aficionados ao saboroso galeto que a elas muito se assemelha. O assunto merece ser estudado pelos interessados na cozinha gaЩcha.” (Corita Costa Cardoso, pesquisa).

GALGO, adj. Esfomeado, faminto. Aflito por alcanуar um objetivo, sedento, desejoso de qualquer coisa. GastrЗnomo.

GALGUINCHO, adj. Magricela, esfomeado.

GALHO, s. Emprego, ocupaусo subsidiрria. Gancho, biscate, bico. // Dificuldade, problema.

GALHEIRO, s. Galhudo, o veado macho, de chifres muito grandes e com diversas pontas.

GALINHA MORTA, s. Cantiga popular, executada Я viola ou ao violсo, nos bailes e festas da campanha ou nos divertimentos galponeiros. Sua letra tem inЩmeras variantes, entre as quais a seguinte:

“Vou cantar a galinha morta: Por cima deste telhado. Viva branco, viva negro, Viva tudo misturado.

Eu vi a galinha morta, Agora, no fogo fervendo… A galinha foi pra outro, Eu fiquei chorando e vendo!

Minha galinha pintada… Ai! meu galo carijз Morreu a minha galinha, Ficou o meu galo sз.

Minha galinha pintada… Ai! meugalo garnizж! Morreu a minha galinha Fica o galo sem mulher…

Minha galinha pintada, Com tсo bonito sinal! Meu compadre me roubou Pelo fundo do quintal.

Minha galinha morta Bicho do mato comeu: Fui ao mato ver as penas, Dobradas penas me deu.

A galinha e a mulher Nсo se deixam passear: A galinha o bicho come… A mulher, dр que falar!

Eu vi a galinha morta, A mesa jр estava posta; Chega, chega, minha gente, A galinha ж pra quem gosta!

Minha galinha pintada, Pontas d’asas amarelas: Tambжm serve de remжdio Pra Quem tem dor de canelas.”

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GALINHEIRO, s. Campo ou mato onde a caуa de pena ж abundante.

GALISTA, adj. Diz-se do aficionado Яs brigas de galos.

GALOADO, adj. Agaloado.

GALOPE, s. Cada uma das montadas que se dр no potro ou redomсo com o fim de amansр-lo, repasse: “Este potro jр tem dois galopes”, isto ж, jр tem duas liушes de doma, jр foi encilhado duas vezes. “Este ж um animal do primeiro galope”, isto ж, foi encilhado uma Щnica vez. // Treino a que se submete o cavalo de corrida: “O parelheiro estр em galopes”, isto ж, estр sendo obrigado a galopar, na cancha, para desenvolver-se. // Admoestaусo, censura, castigo, capina, susto: “Este galope que ele levou hoje lhe servirр de liусo para toda a vida”. // Trabalho, canseira, lida: “A doenуa do guri manteve o pessoal da casa num galope”, isto ж, deu muito trabalho. // Velocidade, pressa, rapidez: “O trabalho vai a galope”, isto ж, se desenvolve rapidamente.

GALOPEAК├O, s. O mesmo que galopeada.

GALOPEADA, s. Galopada, ato de galopear. O mesmo que galopeaусo.

GALOPEADO, adj. Diz-se do cavalo que esteve ou estр em preparo para corridas. // Diz-se do potro cuja doma jр foi iniciada. // Diz-se do andar do cavalo que se assemelha ao galope, que tem rapidez que se aproxima da do galope.

GALOPEADOR, s. e adj. Aquele que galopeia. Corredor, jзquei, domador, pessoa que monta o animal para galopeр-lo.

GALOPEADURA, s. Exercьcio a que se sujeita o potro ou redomсo, galope.

GALOPEAR, v. Galopar. Montar um potro ou redomсo para amansр-lo e ensinр-lo a ser obediente Яs rжdeas. Treinar o parelheiro para a carreira.

GALOPITO, s. Diminutivo de galope.

“E deu de rжdea, a galopito, para o acampamento.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul Sul, P.A., Globo, 1973, p. 106).

GALP├O, s. Construусo existente nas estРncias destinada ao abrigo de homens e de animais e Я guarda de material. // Varanda, alpendre, galeria aberta junto Я casa de habitaусo. // ╔, tambжm, estрbulo ou estrebaria, daь vindo animal de galpсo, para significar o que ж tratado e dorme no estрbulo, e animal a meio galpсo, para indicar o que ж tratado no estрbulo mas pernoita no campo. // O galpсo caracterьstico do Rio Grande do Sul ж uma construусo rЩstica, de regular tamanho, coberta de santa-fж, na fronteira, ou de taboinhas, nos campos de Cima da Serra, em geral com parte da рrea assoalhada de madeira bruta e parte de terra batida, desprovido de porta e Яs vezes atж de uma das paredes, onde o fogo de chсo estр sempre aceso. Serve de abrigo e aconchego Я peonada da estРncia e a qualquer tropeiro, viajante ou gaudжrio que dele necessite. No galpсo se prepara e se come o churrasco, se toma chimarrсo, e, tambжm nele, nas horas de folga, ao redor do fogo, se improvisam reuniшes de que participam democraticamente patrшes e empregados, viajantes, tropeiros, carreteiros e gaudжnios, nas quais se contam causos de guerra, de tropeadas, de carreteadas, de serviуos de campo, de caуadas, de pescarias, de amores, de assombraушes, ao mesmo tempo que se bebe uma canha, se toca uma cordeona, se dedilha uma viola, se canta uma modinha ou se re-

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cita uma dжcima. (Etim.: Vem de calpulido do idioma nahuatel ou mexicano – R. Mendonуa; ж vocрbulo da lьngua asteca – Zorob. Rodrigues; ж palavra de origem quьchua, segundo outros autores).

“Meu primeiro encontro com o galpсo foi de espanto. Vi o braseiro a palpitar, em fagulhas vermelhas e o tronco das cabriЩvas a arder e a espoucar Яs gotas espessas da graxa dos costilhares, espichados nos espetos negros de ferro, cravados de pж como estandartes Я margem dos rodados de aуo de velhas carretas inservьveis, que emolduravam agora os fogшes cobertos de cinza. Em cima, os tetos de palha santa-fж, galvanizados de picumс. Ao lado, a chaleira chiando, com a tampa de flandres a danуar em cima, premida pelo vapor. E em cepos de troncos de рrvores mais velhas que os velhos tapejaras de em torno, homens sentados Я roda do fogo, com a cuia do chimarrсo a correr de mсo em mсo e de boca em boca, enfeitada de topete verde. Charla, conversa grande; contos de gesta; estзrias de brigas e de assombraушes, de aventuras e de amores, de lances dramрticos e episзdios pitorescos.” (Manoelito de Ornellas, Terra Xucra, P.A., Sulina, 1969, p. 69). “Com a chegada de seu Fausto, a peonada reunida no galpсo da EstРncia Alegre, naquele comeуo de noite, interrompeu por alguns momentos a palestra que era inda sobre a grande gineteada havida durante a tarde, porжm, ansim que o maduro postero e causista, colocando-se entre eles, terminou de abancar-se em um grosso pedaуo de tronco, o qual tava forrado com um peleguito, foi o prзprio capataz, que tambжm fazia parte da roda, quem primero falou, dizendo-le ansim: – “Seu Fausto: Nзs tava charlando sobre a gineteada de hoje, e como sabemos que vancж tambжm foi grande ginete, queremos que, a esse respeito, nos conte algo de seus tempo.” O velho gaЩcho, que jр entonces saboreava um amargo, atiуou o fogo do cigarro com um assoprсozito, deu uma talagada e, enquanto botava a fumaуa fora, olhava pra quincha, como se buscasse no alto o recuerdo das cosas passadas. Despois, abaixando os olhos pra boca da cuia, deu otro chupсo na bomba e empeуou desta maneira sua charla: ...” (Natрlio Herlein, Os Causos do “seu” Fausto, p. 25).

“Setembro chegou lustroso Da estРncia do Pai-do-Cжu. Passou aquentando fogo Nas brasas dos seus galpшes. Vem dando as cartas pra o jogo Do truco das estaушes. (Zeca Blau,Poncho e Pala, p. 68).

“Lр fora no galpсo, Я beira do fogo, os peсes tambжm, mateando, contavam os rudes “casos”. Ora da vida campeira, das marcaушes ao pз e ao sol dos dias quentes, dos rodeios pelas madrugadas frescas, de estouros de tropas, e trabalhos e perigos; ora casos de amor, de guerras, de entreveros. As chamas inquietas davam tons vermelhos Я face dos mateadores, que chupavam cigarros, sentados em cьrculo, atentos ao relato. ... Ao calor da narraусo os rostos enжrgicos aproximavam-se mais do fogo, e ficavam, iluminados e ansiosos, num circulo vivo dentro da treva que enchia o

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galpсo. E contaram ainda outros casos de sua existЖncia vibrante de lutas.” (Darcy Azambuja, Fogсo GaЩcho, No Galpсo, P.A., Globo, 8ф Ediусo, p. 18).

“Apeia e amarra, meu irmсo do Norte, essa jangada que teu punho forte trouxe ao rodeio grande do Rincсo! Descansa agora dessa maratona, ouvindo a voz chorosa da cordeona, no aconchego crioulo do galpсo!” (Rui Cardoso Nunes, Queimadas, Hino ao Jangadeiro, p. 56).

“Ainda ж Sьlvio JЩlio, escritor pernambucano que conviveu alguns anos com os gaЩchos pampeanos, quem nos diz: “Em perpжtua evoluусo o rio-grandense mostra-se produto lьdimo do meio em que se desenvolveu. A sua histзria ж reflexo da eterna alegria fanfarrona dos galpшes”. (Ramiro Frota Barcelos, Tradicionalismo ConferЖncia, Sсo Leopoldo, Centro Cьvico Cultural Leopoldense, 1955, p, 9).

“No aconchego dogalpсo em torno ao fogo de chсo a peonada mateava. Lр fora uma lua branca mais branca do que mortalha a coxilha amortalhava, e o minuano esse vento que corta como navalha zunia e assobiava.

Havia um peсo esquisito conhecido por Teatino que quando estava inspirado falava como um doutor sobre as manhas do destino, e tambжm contava causos ouvidos com atenусo por moуo, velho e menino.

Depois de um mate espumante, a pedido da peonada, de um jeito manso e buenacho foi que o Teatino contou a histзria que segue abaixo: ...” (Zeno Cardoso, O Causo do Pinheiro).

GALPONEIRO, s. e adj – Relativo ao galpсo. Pessoa habituada no galpсo.

“E a mesma ironia que transparece de um adрgio crioulo, de uma anedota galponeira, de um caso crivado de reticЖncias…” (Augusto Meyer, Estudo Crьtico, in AntЗnio Chimango, 3ф ed., P.A. Globo, p, 13).

GAMBELAR, v. Engambelar.

GAMBELO, s. Festa, carьcia, carinho, no sentido de enganar, iludir. // Gulodice, coisa boa, gostosa, agradрvel, deliciosa.

GAMBETA, s. Movimento desordenado que faz o indivьduo ou o animal com o corpo e com as pernas, fugindo para um e outro lado, para escapar ao seu perseguidor. // Manha, ardil, // Procedimento irregular, manhoso, pouco decente.

“Isso ж que ж velho de gambetas. Tem mais voltas que o Camaquс, (E. Contreiras Rodrigues, Amores do Capitсo Centeno, P.A., Globo, 1937, p. 102).

“Mas nisto o nhandu deu com a boca do rincсo, viu o campo largo, e fazendo umas gambetas fortes, esparramando as asas, por fim aprumou o corpo e cravou a unha, num trotсo galopeado, de comer quadras” ... (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p.

109).

GAMBETEAК├O, s. Ato de gambeterar, de fazer gambetas.

GAMBETEADOR, adj. O que gambeteia,

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isto ж, o que foge, com movimentos irregulares de corpo e de pernas, para um e outro lado, para escapar Я perseguiусo. // Manhoso, ardiloso, enganador, pouco decente. // Aplica-se, tambжm, ao cavalo espantadiуo ou passarinheiro.

GAMBETEAR, v. Fazer gambetas, isto ж, fugir manhosamente com o corpo para um e outro lado de modo a escapar ao perseguidor. Ladear o corpo, esquivar-se, para evitar o golpe do adversрrio. // Proceder irregularmente, ardilosamente, de forma pouco honesta.

“Gambetear: (verbo) Hacer gambetas. Excusarse. Zafarse.” (Diccionрrio de Modismos Argentinos, p. 95).

GAMBETEIRO, adj. Diz-se do indivьduo ou do animal que faz gambetas.

GANAS, s. Desejo sЩbito, vontade. Este termo ж usado ordinariamente no plural.

GANDOLA, s. Peуa do vestuрrio, usada por militares em substituiусo ao capote. Blusсo.

GANDULAR, v. Viver pedindo coisas emprestadas. Desejar tudo que vЖ. Pedinchar, puуuquear, filar.

GANDULO, s. e adj. Pessoa que vive Я custa dos outros, que deseja tudo o que vЖ. Vagabundo, pedinchсo, parasita, pedinte, filante, puуuca. (╔ vocрbulo castelhano usado tambжm em Portugal).

“Porжm, de tal novidade Muito gandulo aproveita – E tem logo a cama feita.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 71).

GANGOLINA, s. Ameaуa de revoluусo, briga, conflito, rusga, rixa, rolo, barulho, desordem.

GANHADOR, adj. Indivьduo sem escrЩpulos para quem todos os lucros sсo bons.

GANHAR, v. Encaminhar-se para algum lugar, meter-se, esconder-se: “O criminoso ganhou o mato”, isto ж, meteu-se no mato, escondeu-se no mato. // Receber, contrair: “Ganhar uma gripe”, isto ж, contrair uma gripe. // Ter um filho: “A empregada ganhou uma crianуa”, isto ж, a empregada deu Я luz uma crianуa. Esta Щltima acepусo ж mais usada na zona de colonizaусo alemс.

GANHAR ABANANDO, expr. Vencer a carreira de cavalos com grande facilidade.

GANHAR BATENDO NA BOCA, expr. Vencer a carreira de cavalos com grande facilidade.

GANHAR BRICANDO, expr. Vencer a carreira de cavalos com grande facilidade.

GANHAR DE BOQUEIR├O, expr. Vencer a corrida de cavalos, fazendo grande luz.

GANHAR DE FIADOR, expr. Vencer, em carreira de cavalos, sз pela distРncia que vai da testa atж Я garganta do animal.

GANHAR DE LUZ, expr. Vencer o parelheiro, em corridas de cavalos, atingindo o laуo de chegada distanciado do contendor, de forma a haver, para quem observa lateralmente, algum espaуo entre a cola do ganhador e a cabeуa do perdedor. O mesmo que fazer luz.

GANHAR DE MANO, expr. Anteceder-se na disputa de determinada coisa; chegar em primeiro lugar para pedir o que

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se deseja. O mesmo que ganhar de mсo.

GANHAR DE M├O, expr. O mesmo que ganhar de mano.

GANHAR DE MEIA COSTELA, expr. Vencer a carreira, estando, no laуo de chegada, a cabeуa do perdedor Я altura da meia costela do ganhador.

GANHAR DE MEIO CORPO, expr. Vencer a carreira excedendo o competidor de meio corpo ao passar pelo laуo de chegada.

GANHAR DE MEIO PESCOКO, expr. Vencer a carreira, estando, no laуo de chegada, a cabeуa do perdedor na altura da metade do pescoуo do ganhador.

GANHAR DE PALETA, expr. Ganhar a corrida, estando, no laуo de chegada, a cabeуa do perdedor Я altura da paleta do animal vitorioso.

GANHAR DE QUEIXO TORTO, expr. Vencer a carreira com grande facilidade.

GANHAR DE REBENQUE ERGUIDO, expr. Vencer a carreira com grande facilidade.

GANHAR DE VAZIO, expr. Vencer a carreira, estando, no laуo de chegada, a cabeуa do perdedor Я altura do vazio do parelheiro ganhador.

GANHAR DE VIRILHA, expr. Vencer, nas corridas de cavalos, de forma que o perdedor, no laуo de chegada, esteja com a cabeуa defronte Я virilha do parelheiro vitorioso.

GANHAR DIVIDINDO A CANCHA PELO MEIO, expr. Passar o parelheiro vencedor, na corrida de cavalos, pelo laуo de chegada, quando o que perde vem ainda na metade da cancha. Isso, em geral, nсo acontece, empregando-se a expressсo para significar a vitзria muito fрcil e com grande luz.

GANHAR DOMANDO, expr. Vencer a carreira com grande facilidade.

GANHAR NA ESTRADA, expr. Ir-se embora, largar-se na estrada, viajar.

GANHAR NA NOITE, expr. Desaparecer na escuridсo da noite. // Ficar acordado atж tarde da noite.

GANHAR NA TALA, expr. Ganhar o parelheiro a carreira com grande esforуo, apanhando de rebenque.

GANHAR NA TAMPA, expr. Ganhar a carreira por diferenуa muito pequena.

GANHAR NOS PELEGOS, expr. Ir deitar-se, meter-se na cama.

GANHAR O LADO DE LAКAR, expr. Conquistar a confianуa de alguжm, ganhar-lhe o lado bom.

GANHAR O TIR├O, expr. Chegar em primeiro lugar; anteceder-se para conseguir vantagens.

GANIКAR, v. Ganir.

GANJA, s. Vaidade, orgulho, empрfia, soberbia, atrevimento, presunусo, importРncia. “Dar ganja” quer dizer dar importРncia, dispensar consideraушes a quem delas abusa passando a julgar-se superior aos demais. (Segundo Jaques Raymundo, ж termo de origem bunda nganji, que significa soberbia, atrevimento).

GANJENTO, adj. Vaidoso, presumido, enganjento, presunуoso, atrevido, que tem ganja.

GANZEL├O, adj. Diz-se do cavalo grande, lerdo, desajeitado, tardo, pesado, moleirсo.

GARALHADA, s. Gralhada.

GARANTONHAS, s. Aspecto do tempo, quando estр feio ou ameaуador de chuva.

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GARAPA, s. Coisa boa, certa, fрcil de ser obtida.

GARATEIA, s. Espжcie de fateixa, no linguajar dos marinheiros da bacia do Rio Guaьba.

GARFIAR, v. Fugir, desaparecer, escapulir-se.

GARGALEJADO, adj. Diz-se do ruьdo que lembra o do gargalejo.

“E quando firmei a vista no ьndio, ele arregalou os olhos, teve uma ronqueira gargalejada e finou-se, nuns esticшes…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 69).

GARGALEJO, s. Gargarejo.

GARGANTA, s. e adj. Indivьduo conversador, prosa, mentiroso, jactancioso, fanfarrсo.

GARGANTEAR, v. Virar um saco, uma bolsa ou outro recipiente, para fazer sair-lhes o conteЩdo.

“Aь o coitado perdeu quase o dia inteiro a gargantear a guaiaca e a aparar onуa por onуa, uma atrрs da outra, sempre uma a uma! ...” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul; P.A., Globo, 1973, p.

170).

GARGANTILHO, adj. Diz-se do animal cavalar que tem o pЖlo da garganta manchado de branco aparentando uma gargantilha.

GARGOSEAR, v. O mesmo que cargosear.

GARGOSO, adj. O mesmo que cargoso.

GARGUELEJAR, v. Gargarejar.

GARITA, s. Porte da locomotiva.

GAROA, s. Chuvisco. (╔ vocрbulo de origem peruana, garЩa, usado tambжm no Chile e em outros paьses hispano-americanos).

GAROAR, v. Chuviscar.

GARRA DE COURO, s. (Fig.) Coisa que nсo tem valor algum, que nсo serve para nada.

GARRAIO, adj. Ordinрrio, ruim, de mр qualidade. ╔ empregado em relaусo a animais cavalares e vacuns.

GARR├O, s. Jarrete do cavalo, ou de qualquer animal ou de pessoa. V. a expressсo afrouxar o garrсo.

GARRAS, s. Arreios velhos, grosseiros, gastos pelo uso.

GARRAS DE DOMAR, s. Arreios prзprios para a doma.

GARREADO, adj. Derreado, em apuros, cansado, perseguido; que sofreu o garreio.

GARREAR, v. Tirar as garras do couro. // Tosquiar, no ovino, a lс que nсo faz parte do vжu. // Derrear.

GARREJO, s. Ato de garrear, na acepусo de tosquiar.

GARROTEADO, adj. Diz-se do couro que ficou macio em conseqЧЖncia de ter sido sovado.

GARROTEAR, v. Sovar e bater o couro atж deixр-lo bem macio.

GARRUCHA, s. China Velha.

GARUA, s. O mesmo que garoa.

GARUAR, v. O mesmo que garoar.

GARUPA, s. Arbusto cujas folhas, em infusсo, sсo usadas para doenуas do aparelho digestivo. // Nome de rio da fronteira, no municьpio de Quaraь.

G┴S, s. Presunусo, bazзfia.

GASGUITA, s. Rapariga intrometida, desenvolta, desinibida.

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GASTARLVORA EM CHIMANGO, expr. Desperdiуar esforуos, sem proveito algum.

“Quero voltar ao meu pago, Comer churrasco e mogango. Gastei pзlvora em chimango, Nesta vida de cidade, E guasqueado da saudade O meu coraусo encerra A nostalgia da terra E do pampa a liberdade.” (Alcy Josж de Vargas Cheuiche, Versos do Extremo Sul; Canoas, Ed. La Salle, 1966, p. 85).

GASTURA, s. Mal do estЗmago, azia, fome, enfarte.

GATAS, s. O vocрbulo ж usado na expressсo a garoa que significa: a duras penas, a muito custo, com dificuldade, mal-mal, por milagre, com grande esforуo.

GATEADA, s. Libra ou onуa, moeda de ouro.

“E os patacшes vinham vindo, e as gateadas iam-se amontoando.” (A. Maia,Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 83-84). “- Foi na lei! A carreira ж de parada morta; perdeu o cavalo baio, ganhou o cavalo mouro. Quem perdeu, que pague. Eu perdi cem gateadas; quem as ganhou venha buscр-las. Foi na lei!” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul; P.A., Globo, 1973, p. 181).

GATEADO, adj. PЖlo de animal cavalar ou muar, que se aproxima do amarelo desmaiado, puxando um pouco a avermelhado. ╔ definido tambжm como amarelo avermelhado e como “baio com as crinas cor de flecha”. O animal gateado apresenta, em geral, raias de mula nos membros e faixa mais escura que se estende, pelo fio do lombo, das cruzes atж Я raiz da cauda. Hр gateados com raias por todo o corpo e alguns possuem a faixa crucial, ou seja, uma faixa que desce pelas espрduas, atravessando, nas cruzes, a do fio do lombo. Existem muitas variedades de gateado, entre as quais as seguintes: Gateado-bragado, gateado-cabos-negros, gateado-claro, gateado-escuro, gateado-estrelo, gateado-malacara, gateado-oveiro, gateado-pangarж, gateado-rosilho, gateado-ruano, e gateado-ruivo.

GATEADO-BRAGADO, adj. Diz-se do cavalo gateado que tem, na barriga ou na virilha, uma mancha branca de regular tamanho.

GATEADO-CABOS-NEGROS, adj. Diz-se do cavalo gateado que tem crina, cola e membros de cor escura.

GATEADO-CLARO, adj. Diz-se do cavalo gateado de pЖlo amarelo desmaiado, avermelhado, claro.

GATEADO-ESCURO, adj. Diz-se do cavalo gateado, de pЖlo amarelo desmaiado, avermelhado, meio escuro.

GATEADO-ESTRELO, adj. Diz-se do cavalo gateado que apresenta uma pequena mancha branca na testa.

GATEADO-MALACARA, adj. Diz-se do cavalo gateado que tem a frente aberta, isto ж, tem brancas a testa e a frente da cabeуa atж o focinho.

GATEADO-OVEIRO, adj. Diz-se do cavalo gateado que tem no corpo grandes manchas brancas.

GATEADO-PANGAR╔, adj. Diz-se do cavalo gateado que tem meio esbranquiуados o focinho, a barriga, os sovacos e as virilhas.

GATEADO-ROSILHO, adj. Diz-se do cavalo gateado que tem pЖlos brancoS

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em todo ou em parte do corpo.

GATEADO-RUANO, adj. Diz-se do cavalo gateado que tem as crinas e a cola brancas.

GATEADO-RUIVO, adj. Diz-se do cavalo gateado que tem as crinas de cor ruiva carregada.

GATEADOR, adj. Diz-se do caуador que usa de astЩcia e manha para conseguir aproximar-se da caуa e matр-la. Diz-se, tambжm, do cavalo ensinado a participar dessas negaуas. // Significa, ainda, astucioso, manhoso, ardiloso, gatuno, ladrсo.

GATEAR, v. Andar, cautelosamente, fazendo negaуas, rastejando, caminhando de gatinhas, usando de ardis, de astЩcia, de manhas, para conseguir aproximar-se da caуa e matр-la. Significa, tambжm, roubar, furtar. (Etim.: “O termo vem, como ж claro, da astЩcia e agilidade do gato para dar o bote” – Moraes; “╔ vocрbulo castelhano significando andar o homem a quatro pжs como os animais quadrЩpedes” – Campano).

“Manoelito sabia negacear: gateava com uma pertinрcia de ьndio e mais ardentemente que os Outros anelava a sensaусo da presa” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p.41).

GATEIO, s. Ato de gatear, ou de fazer negaуas para iludir a caуa e apanhр-la. // Roubo, furto.

GATIMANHAS, s. Negaуas, trejeitos, requebros.

GATINHAS, s. Usado na expressсo da gьria cagar de gatinhas, que significa andar em dificuldades, estar em apuros. (Chulo).

GATO, s. Bebedeira, porre, embriaguez.

GATO PINGADO, s. Pessoa sem significaусo social.

GATUNHAR, v. Gadunhar. Apoderar-se de alguma coisa sorrateiramente, de surpreSa.

GAUCHAКO, s. GaЩcho Яs direitas, cavaleiro dextro, perito nas lides do campo, desempenado, destemido. Aumentativo de gaЩcho.

GAUCHADA, s. Grande nЩmero de gaЩchos. // Faуanha de gaЩcho, cometimento muito arriscado, proeza no serviуo de campo. // Aусo nobre, impressionante, corajosa.

“Gosto da vida do campo, Dessa eterna gauchada: Na cidade eu morreria Comendo carne cansada.” (Autor ignorado). “Ao raiar do dia, de novo montaram. E quando o sol clareou a extensa paisagem, viu agauchada, desdobrar-se, diante de seus olhos, a empolgante perspectiva de longas planuras, a deslumbradora visсo da campanha imensa.” (Mрrio Lima Beck, Nova QuerЖncia, P.A.,Livr. Selbach, 1935, p. 28).

GAUCHAGEM, s. Grande nЩmero de gaЩchos. // Var.: Gauchada, gaucharia, gaucherria, gaucheria.

GAUCH├O, s. e adj. Homem simples, de maneiras agauchadas, que nсo aceita os costumes muito requintados da cidade. // Cavalheiro, franco. // RЩstico, inculto.

GAUCHAR, v. Praticar o gaЩcho os seus costumes. Mostrar-se ou proceder como gaЩcho. Levar a vida que levam os gaЩchos. // Andar sem paradeiro certo. // Var.: Gaucherear ou gaucherrear.

GAUCHARIA, s. Faуanha, cometimento arriscado, aусo nobre ou corajosa,

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prзpria de gaЩcho. Gauchada, gauchagem, gaucheria, gaucherria.

GAUCHEREAR, v. Gauchar.

GAUCHERREAR, v. O mesmo que gaucherear.

GAUCHERIA, s. Gaucharia.

GAUCHERRIA, s. Gaucharia.

GAUCHESCO, adj. Relativo ao gaЩcho.

“Completava, de imaginaусO, as narrativas e sem descanso ia medindo a zona lendрria das refregas, atravжs das tradiушes gauchescas.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto Lello & Irmсo, 1910, p. 35).

“Viste a paz e os entrechoques das gauchescas contendas, herзicas beligerРncias, misticismos e legendas;” (Nilza Castro, Baqueria de los PiЧales).

GAUCHISMO, s. Costume, hрbito de gaЩcho. Palavra, expressсo ou construусo caracterьstica da fala gaЩcha.

GAUCHITO, s. Diminutivo de gaЩcho.

“Morena bela e faceira, esses teus olhos bonitos jр prenderam,jр estragaram, mais de cinqЧenta gauchitos”њ (Pery de Castro, Coisas do meu Pago, P.A., Globo, 1926, p. 65).

GA┌CHO, s. e adj. Habitante do Rio Grande do Sul. // Habitante do interior do Rio Grande, dedicado Я vida pastoril e perfeito conhecedor das lides campeiras. // Habitante da Argentina e do Uruguai, da regiсo de campanha, com origem e costumes assemelhados aos dos rio-grandenses. // Primitivamente: Changador, gaudжrio, ladrсo, contrabandista, vagabundo, coureador, desregrado, andejo, ьndio ou mestiуo, maltrapilho, sem domicьlio certo, que andava, de estРncia em estРncia, traba- lhando em serviуos que fossem executados a cavalo. // Remanescentes de tribus guerreiras que habitavam a Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul. Яs vezes amestiуados com portugueses e espanhзis, nЗmades, hрbeis cavaleiros, extremamente valentes, desprendidos de tudo, inclusive da vida, valorosos, leais, hospitaleiros, ocupados alguns com as lides da vida pastoril primitiva, outros com roubo de gado ou contrabando, e outros, ainda, a maioria transitoriamente, com a vida militar em que exerciam funушes de bombeiros, de chasques, de arrebanhadores de gado e de cavalos, de vaqueanos, de isca para o inimigo, ocupando postos que variavam de soldado raso a general. // Animal ou objeto sem dono, ou cujo dono ж desconhecido. // (Etim.: Existem centenas de hipзteses a respeito da origem da palavra gaЩcho, que, apesar dos esforуos dos pesquisadores, continua envolta em denso mistжrio).

“GaЩcho. – Do рr. gaЩch, proveniente do persa gauchi, boizinho, formado de gau-, “boi ou vaca”, mais chi, sufixo diminutivo, e que, por sua vez, veio do sРnscrito gaЩh, “boi, gado vacum”; este, por seu turno, ж oriundo da raiz indo-europжia gwo-, gwow-, “boi, vaca”. Cast. ant. chaucho, com sentido equivalente (do рr. chaЩch, de chaoЩch, “tropeiro”), a par de gauche; e este, que se documentou primeiro (sжc. XVIII), foi tambжm, ao que nos parece, a primeira transcriусo рrabe na forma genitiva, seguindo-se-lhe a nominativa, que prevaleceu: gaucho. Envolvendo assim originariamente a idжia de gado, jр que a riqueza primitiva era constituьda pelos

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rebanhos, como fonte de ganho e de lucro, de alimento e de utilidade, donde “os bens” dos povos antigos, pastores e nЗmades, passou Я acepусo de “criador ou guardador de gado”; pastor, tropeiro; que se dedica a trabalhos correlativos e com seus usos e costumes caracterьsticos. Perdendo jр a acepусo pejorativa em que era tido o termo atж meados do sжculo XIX em ambas as bandas do Prata, para assumir a de homem digno, batalhador e independente, a par de destemido, bravo e patriota, generalizou-se o curioso nome para designar gentilicamente os filhos do Rio Grande do Sul, bem como os naturais do interior do Uruguai e de parte da Argentina.” (Propьcio da Silveira Machado, O GaЩcho na Histзria e na LingЧьstica, P.A., 1966, p. 79).

“Gaucho, m. Hombre del campo, baqueano, diestro en el manejo del caballo, del laуo, de las boleadoras, de la daga y de la lanza, esforzado, altanero y amigo de aventuras. D. Emilio Daireaux (El abog. etc., Trat. de dcho civ. para la Rep. Arg., 2ф ed.) deriva la voz del рrabe chaouch, propiamente tropero, em Espafia chaucho, corrompido em Amжrica en gaucho, al pasar de boca de los chilenos por la de los indios de la Pampa.” (Daniel Granada, Vocabulрrio Rioplatense Razonado, Bibl. Artigas, // Tomo, Montevideo, 1957, p. 29). “Conforme Buenaventura Caviglia, ilustre homem de letras do Uruguai, o termo procede de garracha ou garrucha, simЩlacro de lanуa de que habitualmente eram portadores os ьndios charruas e minuanos, que, ao que parece, foram os primitivos gaЩchos. // Para alguns pesquisadores, gaЩcho vem de cachu ou cauchu, do araucano, com as acepушes de camarada, vagabundo, e, ainda, de esperto, fino, arteiro, astucioso. // J. Corominas, glotзlogo e professor em Chicago, considera o termo de “origen incierto” e acrescenta “quizр sea lo mismo que guacho “huжrfano” (en Colombia guaucho y gaucho id:), que procede del quichua uрjcha (antes uрkcha) “pobre, indigente, huжrfano, de donde primero guaucho y “despuжs gaucho.” // Para Martiniano Leguizamon “la palabra gaucho derivз por metрstesis de guacho’. // Para Aurжlio Porto, o termo vem de guahЩ, do guarani, canto triste, e de che, do quьchua, gente, donde guahЩ-che, gente que canta triste. // Diz o padre AntЗnio Ruiz de Montoya, em seu Vocabulрrio da Lьngua Guarani, que guahЩ significa canto dos ьndios; e os ьndios e mestiуos daquele tempo, os primitivos gaЩchos, eram muito afeiуoados Я mЩsica e seu canto era naturalmente triste.” (Diversos autores). “O gaЩcho ou camponЖs rio-grandense, habituado a uma vida toda cheia de perigos, ж um dos melhores soldados do mundo, pela sobriedade, valor, constРncia e rapidez com que pode mover-se de um ponto a outro mui distante; afeito a todas as intempжries, identificado com o cavalo, que por assim dizer, o completa, o rio-grandense, ou melhor o gaЩcho rio-grandense, nas vрrias guerras que o paьs tem sustentado, hр mostrado quanto ж apto para a luta.” (Romaguera). ““Gaucho, s. m. ═ndio do campo

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sem domicьlio certo. Cavalo gрucho ж quase o mesmo que cavalo teatino, que nсo ж permanente em parte alguma.” (Coruja).

“Tambжm no Prata evoluьra o gaЩcho, diversificando-se em tipos particulares. Na segunda metade da centЩria passada, ao tempo em que Joсo Mendes no Brasil deparava com um gaЩcho diverso do de Dreys, na Argentina abundavam os gaЩchos que, consoante distinусo do general Mansilla, se agrupavam em torno de certos tipos como o gaucho neto, o paisano gaucho, o indio gaucho e o gaucho malo. A respeito dos dois primeiros, diz-Mansilla em 1870: “Son dos tipos diferentes. Paisana gaucho es el que tiene hogar, paradero fijo, hрbitos de trabajo, respeto por la autoridad, de cuyo lado estarр siempre, aun contra su sentir. El gaucho neto es el criollo errante, que hoy estр aqui, mafiana allр, jugador pendenciero, enemigo de toda disciplina; que huye del servicio cuando le toca, que se refugia entre los indios si da una putialada, o gana la montonera si esta asoma. El primero tiene los instintos de la civilizacion; imita al hombre de las ciudades en su traje, en sus costumbres. El segundo ama la tradiciзn, detesta al gringo; su lujo son sus espuelas, su chapeado, su tirador, su facзn. El primero se quita el poncho para entrar en la villa, el segundo entra en ella haciendo ostentaciзn de todos sus arreos. El primero es labrador, picador de carretas, acarreador de ganado, tropero, peon de mano. El segundo conchaba para las yerraS”. Jр o indio gaucha definiu o general como “un indio sin ley, ni sujeciзn a nadie, a ningun cacique mayor, ni menos a ningun capitanejo;que campea por sus respetos;que es aliado unas veces de los otros, otras enelnigo; que unas veces anda a monte, otras se arrimaaIatolderьa de un cacique; que unas veces anda por los campos maloqueando, invadiendo meses enteros seguidos; otras por Chile comerciando, como ha sucedido ultimamente”. Finalmente o gaucho maia aparece retratado em corpo inteiro no Martьn Fierra (cuja primeira parte Josж Hernрndez escreveu na cidade brasileira de Santana do Livramento, durante o seu exьlio).” (Lothar F. Hessel, Aspectos Sociais e Literрrios do GaЩcho, p.

17).

“Produto natural do meio bрrbaro, ж o gaЩcho um amрlgama de raуas e nacionalidades. Vem de todos os pontos, atraьdo pelas facilidades propiciadas na campanha. Sсo egressos da sociedade, criminosos e fascinorosos, que a defesa natural e a luta pela subsistЖncia congregam em certos lugares defesos Я incursсo de forуas espanholas e portuguesas, que lhes dсo caуa contьnua. Percorrem os campos. Deles tangem grandes arreadas de gado chimarrсo, isto ж, alуado, para rincшes recЗnditos e indevassрveis, onde estabelecem as suas fainas, a que dсo o nome de vacarias. Aь fazem largas matanуas de reses, de que sз aproveitam o couro e as graxas. Estabelece-se assim um intercРmbio de produtos entre as vacarias e as povoaушes mais prзximas, Rio Grande, Rio Pardo, Montevidжu. Em troca de produtos bovinos, recebem erva-mate e aguardente, de que sсo рvi-

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dos, e outros. Criam tambжm grandes quantidades de cavalos, ven dendo-os, juntamente com outros roubados atж Я prзpria Fazenda Real, aos portugueses e aos espanhзis.” (Aurжlio Porto, Provincia de Sсo Pedro, marуo de 1946,apud Augusto Meyer, GaЩcho Histзria de uma Palavra, Ed. do IEL, P.A., 1957, p. 50).

“Asi fue como la Banda Oriental se sembrз de vagabundos, que se denominaron primero changadores (1729), luego gauderios (1763), y mрs tarde gauchos (1790).” (Liborio Justo, Pampas y Lanzas, Ed. Palestra, Buenos Aires, 1962).

“Do homem da natureza ao gaЩcho, a transiусo ж fрcil, e somos levado, pela continuidade do assunto, a dar aqui os esclarecimentos que havemos prometido sobre essa singular associaусo cujos membros sсo designados no Sul por essa denominaусo, a qual, todavia, perdeu nessa aplicaусo alguma cousa do significado desfavorрvel que lhe era primitivamente inerente. Os gaЩchos, nЗmades, habituados nas margens do Rio da Prata, principalmente nas campinas ao N. de Montevidжu, estendem-se igualmente em todo o territзrio banhado pelo Paraguai, Paranр e Uruguai, atж o Oceano, em todas as partes onde hр estРncias ou charqueadas em que servem de peшes. Os gaЩchos parecem pertencer a uma sociedade agyne, como dizia Algarotti, que viviam de seu tempo os Tрrtaros zaporojos; pelo menos, os gaЩchos aparecem geralmente sem mulheres e manifestam mesmo pouca atraусo para elas, felizmente para seus vizinhos, a quem sua multiplicaусo, acompanhada de desejos tumultuosos, poderia causar desassossego: formados originariamente do contato da raуa branca com os indьgenas, eles se recrutam incessantemente dos mesmos produtos, e ainda de todos os indivьduos que nessas imediaушes nascem, sem ordem e sem destino, com o gosto tсo geral de uma vida fрcil e de perfeita liberdade. Sem chefes, sem leis, sem policia, os gaЩchos nсo tЖm da moral social, senсo as idжias vulgares, e sobretudo uma sorte de probidade condicional que os leva a respeitar a propriedade de quem lhes faz benefьcio ou de quem os emprega, ou neles deposita confianуa: entregues ao jogo com furor, esse vьcio, que parecem praticar como um meio de encher o vрcuo de seus dias, ж a fonte dos roubos e Яs vezes das mortes que cometem. Joga o gaЩcho tudo que possui, dinheiro, cavalo, armas, vestidos, e sai Яs vezes do jogo inteiramente ou quase nu; nessa posiусo ж que o gaЩcho se torna temьvel, pois que, perdendo tudo o que tem, nсo perde ainda o desejo de desafiar outra vez a fortuna, nem a esperanуa de achр-la menos cruel; e por mais temьvel que se torne nesse estado, nсo de desesperaусo, mas de profunda mрgoa, os movimentos interiores do gaЩcho escapam aos olhos do observador, nunca se altera nele aquela superfьcie de impassibilidade que faz a parte mais saliente de seu carрter; ele diverte-se, sofre, mata e morre com o mesmo sangue frio. Geralmente, jogar as cartas e fumar o cigarro sсo os gostos dominantes do gaЩcho; para jogar, no primeiro lugar que se encontra,

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mesmo no meio do campo, o gaЩcho estende no chсo o seu xiripр, o qual serve para receber as cartas, enquanto que a faca resta fincada em terra do lado direito de cada um dos concurrentes, para estarem prontos a qualquer acontecimento ou dЩvida que possa ocorrer. As armas do gaЩcho sсo as que se usam no Rio Grande: a faca, a espada, a pistola, quando a pode comprar, e, sobretudo, o laуo e as bolas; estas duas Щltimas armas sсo, Яs vezes, as Щnicas que tem, e nunca o gaЩcho ж visto sem elas; verdade ж que excele em manejр-las; com elas, assenhoria-se do jaguar, da onуa, do boi, do cavalo, do avestruz, e vimos no Camaquс um rapaz matar com as bolas um abutre voando. O gaЩcho ж зtimo cavaleiro: identificado aparentemente com o cavalo, nasce, vive e morre com ele; nunca o gaЩcho recusou montar qualquer cavalo, e nunca se importou com seus vьcios ou suas qualidades. Nas planьcies imensas em que vagueia, quando o seu cavalo estр estafado, ele o larga onde se acha, e transporta seu grosseiro arnЖs para o primeiro que se apresenta e que seu laуo lhe submete; sobre o cavalo, o gaЩcho afeta todas as posiушes e toma indiferentemente a que sua comodidade ou interesse do momento lhe sugere; estando de vedeta, deita-se Яs vezes sobre o flanco do cavalo que se acha encoberto do inimigo, de modo que, nessas campinas povoadas de animais selvagens, a vista nсo pode discernir, a certa distРncia, se o cavalo estр pastando solto ou se o homem o acompanha; por isso ж que, na guerra contra Artigas, todos os oficiais traziam, geralmente ao tiracolo, зculos de alcance. O gaЩcho faz as mesmas evoluушes no combate e procura sempre opor o cavalo Я bala esperada; pouco lhe importa perdЖ-lo, pois tem sempre outros cavalos prontos para o suprir; em tudo o gaЩcho brinca com o cavalo e parece desafiр-lo: em seus exercьcios, fр-lo pular de barranco em barranco, por cima de alguma dessas fendas profundas que nсo sсo raras no paьs; Яs vezes, o cavalo cai no precipьcio e morre; mas o cavaleiro, erguido sobre os estribos, acha-se sempre pronto para aproveitar o derradeiro ponto de apoio, deixar a sela e lanуar-se do outro lado. Nas guerras precedentes, os gaЩchos nсo combatiam em linha; a natureza de suas armas e seus costumes poucas facilidades lhes proporcionavam para isso: na presenуa do inimigo, espalhavam-se em diferentes direушes, sempre galopando, aproximando-se e afastando-se alternativamente com a mesma velocidade, evitando habilmente os golpes do adversрrio, e hostilizando-o continuadamente, ora com as armas de fogo, que correndo sabem carregar, ora com o laуo e as bolas. Dizem que recentemente apareceram com prрtica de evoluушes mais regulares. A faca ж arma particularmente usada nas questшes que sobrevЖm entre eles; tem uma sorte de duelo em que a faca nсo deve empregar-se senсo cortando, e nesse caso, dirigem-se reciprocamente os golpes Я cara; o ponto de honra exige que o inimigo fique marcado ostensivamente, mas nсo ordena de o matar; Яs vezes, volvem em jogo esse costume bрrbaro.

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Certo de seus mantimentos, enquanto o laуo nсo lhe faltar, e nсo tendo vestido senсo o estrito necessрrio, isto ж, o xiripр, pedaуo de baeta amarrado em redor do corpo, da cintura para baixo e por cima do xiripр, o cinjidor, espжcie de avental de couro cru, destinado a receber a fricусo do laуo, quando o animal faz forуa sobre ele, uma camisa, se a tem, uma jaqueta sem mangas, um par de ceroulas com franjas compridas nas extremidades inferiores, Яs vezes um par de calуas por cima, um lenуo, quase sempre amarrado na cabeуa, um chapжu roto, raras vezes um ponche completo, e em lugar deste, um pedaуo de baeta vermelha, o gaЩcho parece apreciar o dinheiro menos para suprir suas precisшes, que sсo poucas, do que para satisfazer suas paixшes ou alguns gostos instantРneos. Ele quer dinheiro principalmente para jogar ou para adquirir a posse de algum brinquedo que, como nas crianуas, excitou sua cobiуa passageira; por isso pouco trabalha o gaЩcho enquanto tem dinheiro; o tempo passa-se em jogar, tocar ou escutar uma guitarra nalguma pulperia, e Яs vezes, porжm com raridade, danуar uma espжcie de chula grave, que vimos praticar por alguns deles. Quanto ao mais, pouca propensсo parecem ter para os licores espirituosos, e a embriaguЖs ж cousa quase nunca aparecida entre esses homens cujas disposiушes taciturnas e apрticas pouco se conciliam com a loquacidade e movimentos desordenados da bebidice. O arnЖs do gaЩcho ж ordinariamente obra de suas mсos, e jр demos algumas informaушes sobre o seu modo de proceder, cortando uma tira de um couro seco e puxando-a repetidas vezes pelas apertadas aberturas de um pedaуo de pau fendido, atж conseguir, por esse meio e com bastante paciЖncia, amolecer o couro e tornр-lo flexьvel e prзprio para servir os mesmos usos de qualquer couro surrado. O freio ж feito de pau duro, ordinariamente de nhanduvaz embutido em cada uma de suas pontas um pedaуo de chifre cortado segundo o seu comprimento: a rжdea estр presa na extremidade inferior daquele pedaуo de chifre, O barbicacho ж uma guasca, e Яs vezes uma argola de ferro, quando se encontra. Os estribos sсo formados de um rolinho de pau suspenso horizontalmente por duas guascas, de modo a descrever um triРngulo em que entra somente o dedo grosso do pж. As esporas do gaЩcho tЖm uma roseta, de mais de uma polegada de diРmetro. Suas botas sсo, de ordinрrio, fabricadas da pele crua tirada inteira da perna de um cavalo ou de um boi, secada depois sobre uma forma grosseira e amarrada fortemente na extremidade inferior para formar a ponta do pж. Todos os exercьcios de manejo e de picaria dos mestres de equitaусo da Europa sсo familiares ao gaЩcho, e alguns dos exercьcios mais difьceis sсo mesmo entre eles divertimentos de crianуas; um gaЩcho nunca desce do cavalo para apanhar suas armas ou qualquer objeto que deixou cair; por um movimento rрpido, ele se debruуa do cavalo atж a mсo chegar ao chсo, sem por isso retardar o andar do cavalo, seja qual for a velocidade de seu passo.” (Nicolau Dreys, Notьcia Descri-

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tiva da Provьncia do Rio Grande de Sсo Pedro do Sul, Globo, IEL, P.A., 1961, p. 160).

“O que ressalta, porжm, de uma larga pesquisa para fins genealзgicos em todos Os arquivos eclesiрsticos do Rio Grande do Sul, sobre as bases estruturais da nossa formaусo, jр autoriza a estabelecer rumos mais precisos nessa direусo. As primeiras famьlias que se estabelecem no Continente, ocupando estРncias que se estendem desde Tramandaь atж os campos de Viamсo, sсo todos de origem mestiуa. Contam-se entre estas oito filhos do capitсo-mor da Laguna, Francisco de Brito Peixoto, que nсo foi casado, mas, que de vрrias ьndias da terra, de naусo carijз, teve esses filhos que foram os primeiros povoadores do Rio Grande do Sul.” (Aurжlio Porto, Histзria das Missшes Orientais do Uruguai, Vol. IV, P.A., Livr. Selbach, 1954, p. 412). “Os elementos de que se formou a populaусo do Rio Grande diferem em muito do que originaram a dos outros territзrios do paьs. Foram, na verdade, portugueses os primeiros povoadores, mas portugueses que jр nсo eram, por sua vez, iguais aos que tinham imigrado antes para a Amжrica. Eram aуorianos, e nos Aуores a primitiva populaусo lusitana se havia modificado sob o influxo do meio. Era uma raуa forte e persistente, singularmente prediposta para construir sзlido tronco a uma nova populaусo. Os portugueses do continente que vieram mais tarde encontraram, jр formado, esse tronco original, e, unindo-se a ele, nсo podiam deixar de sofrer o seu influxo.” (Assis Brasil, A Guerra dos Farrapos). “Antes de irmos adiante notaremos que o rio-grandense difere essencialmente nos costumes dos habitantes das outras provьncias do Brasil, assemelhando-se muito neste ponto aos habitantes das repЩblicas do Prata; fenЗmeno este que se pode atribuir Я uniformidade de climas do Rio Grande do Sul com essas repЩblicas e Я posiусo topogrрfica desta provьncia que separa-se das outras regiшes do Brasil por altas serras e medonhas brenhas, ao passo que com aqueles paьses, nсo havendo separaусo, sз cessa o contato em tempo de guerra.” (Joсo Cezimbra Jacques, Costumes do Rio Grande do Sul, P.A., Ed. Gundlach, 1883, reed. pela Cia. Uniсo de Seguros Gerais, p. 48). “Sob a forma americana do gaЩcho, jр nсo era o espanhol, jр nсo era o portuguЖs, que aparecia, nem o matuto ou o sertanejo. Nсo era o bandeirante, nсo era o aуoriano, o ьndio, o lagunense… E era tudo isso! que se individuou num vinco de diferenciaусo, numa surpreendente plasticidade mental, numa expressсo, ativa e inteligente, de adaptaусo assombrosa da alma que se veio elaborando, de ponta a ponta do Rio Grande, ao ritmo do coraусo do Brasil, embalando o sentimento mьstico da coesсo de um povo… Determinantes histзricas lanуavam as sementes eternas da raуa…” (Fernando Osзrio, Fogo Morto, Pelotas, Globo, 1930, p. 48). “O gaЩcho, que despreza a prзpria vida e a vida dos seus semelhantes, que, cruel, subjuga o potro e, para se alimentar, crava com jЩbilo

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cru, aquecido a borbotшes vermelhos, a faca afiada no sangradouro da rЖs colhidaЯvolta silvante do laуo. tem o culto animista dos pequenos seres que o cercam e o culto de certos vegetais, ele, o manejador feroz, do machado, o rijo devassador de picadas hravias, hр ritos inconscientes, sobreviventes, no respeito desses feras homens a um animalejo que lhes passe ao alcance ou na saudaусo que atiram muitas vezes sem palavras, a velhos umbus da estrada…” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 134-35).

“PЗr em evidЖncia o tipo do gaЩcho rio-grandense dentro das condiушes naturais e culturais em que se formou, nсo serр uma operaусo gratuita, de interesse puramente acadЖmico. Ao contrрrio disso, o que buscamos agora ж responder ao desafio de um problema vivo, cheio de implicaушes polьticas e sociolзgicas, e ainda exposto a freqЧentes deformaушes. Com efeito, da confusсo reinante acerca da origem e caracterizaусo histзrica do brasileiro do extremo sul decorrem desacertos que atingem aspectos vitais da tradiусo rio-grandense e a prзpria posiусo do Rio Grande do Sul perante a comunidade nacional. Dentre as causas que poderсo ser invocadas para explicar tais desacertos nсo serр das mais ostensivas, mas nem por isso das menos influentes, a ligeireza com que se admite e proclama a identidade do nosso gaЩcho com o gaЩcho platino. E daь, por extensсo, o conceito verdadeiramente peregrino de um Rio Grande meio portuguЖs-meio espanhol. Nem faltam, jр o vimos, os que consideram o Rio Grande em face da Histзria do Brasil como uma espжcie de capьtulo Я parte, que se tivesse extraviado acidentalmente do tempestuoso contexto da formaусo platina. Tambжm responde por grossos erros de interpretaусo o paralelo fрcil, por vezes atж servil, entre situaушes que, se ж verdade que se armaram em рreas geograficamente contьguas, nсo menos verdade ж que pertencem a tradiушes antagЗnicas, cujas relaушes de vizinhanуa, durante todo o ciclo da nossa formaусo, nсo foram outras se nсo os incidentes e guerras de fronteira. Ao tempo das crises da demarcaусo da raia meridional, que comeуaram com a fundaусo do presьdio de Rio Grande, para nсo recuarmos atж Я ColЗnia do Sacramento, em 1860, e que a bem dizer sз tiveram remate efetivo com a liquidaусo da Guerra do Paraguai, em 1870, os homens do Rio Grande e do Prata, jр marcados por um antagonismo atрvico, seriam lanуados uns contra os outros numa violenta reativaусo de rivalidades imemoriais, heranуa subjacente de velhas disputas peninsulares. Pois apesar de tudo, apesar dessa realidade histзrica saltar aos olhos com a eloqЧЖncia que os prзprios fatos carregam em si, ainda hр quem ponha em dЩvida a autenticidade das raьzes luso-brasileiras do Rio Grande do Sul, obstinando-se na insinuaусo do nosso meio-castelhanismo congЖnito. Nсo haveria nenhum desdouro em que assim fosse, pois aos espanhзis, nсo menos que aos lusitanos, assistem iguais direitos Я mais alta cidadania histзrica. Mas o reconhe-

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cimento desta verdade nсo autoriza a interpretar errЗnea ou tendenciosamente o processo de que resultou a formaусo social e polьtica do Rio Grande do Sul. Pontos de parecenуa entre os tipos sociais do gaЩcho rio-grandense e do gaЩcho platino existem, sem dЩvida, mas se restringem Яs pecoliaridades decorrentes do mesmo sistema bрsico de atividades – o pastoreio desenvolvido num cenрrio fьsico semelhante, e parcialmente fundado, em ambos os lados, na experiЖncia e na prрtica do campeador nativo. Fora disso, porжm, fora desses fatores circunstanciais, suscitadores de aушes e reaушes equivalentes, tudo o mais sсo traуos que caracterizam tipos autЗnomos, ativamente extremados um do outro, e chamados a desempenhar um drama de fronteira no qual haviam de atuar como inimigos. (Moysжs Vellinho, Capitania d’El-Rei, P.A., Globo, 1964, p.

155).

“Desenvolveu-se ultimamente, em uma banda da intelectualidade historiogrрfica do Rio Grande do Sul, desmedido e delirante lusitanismo continental e aузrico, que seria um tanto perdoрvel, se nсo o forjicasse mentirosa e furibunda negaусo de outros fatores constitutivos da populaусo do gloriosьssimo estado. Ninguжm, que seja honesto, negarр nunca o papel importante que tiveram portugueses e ilhжus na evoluусo do povo admirрvel daqueles rincшes fortes e belos. Entretanto, injusto, falso, absurdo, ridьculo ж pretender ocultar que, alжm de tсo fortes influxos, a sociedade gaЩcha recebeu, quando se formava, elementos jр brasileiros, oriundos de Sсo Paulo e do norte de nosso paьs, elementos platinos, elementos hispano-americanos, elementos hispРnicos, elementos amerigenas, etc. Uns direta, outros indiretamente. Da paixсo cega pelo lusitanismo continental e aузrico, com exclusсo incompreensьvel das demais forуas que entraram na composiусo da gente sul-rio-grandense, passaram alguns escritores a uma espжcie de зdio ao resto, sobre tudo ao castelhano, ao platino e ao hispano-amerьgena. Por quЖ? Fato ж fato. O que aconteceu, aconteceu. Tolo despautжrio e vсo parece esse erro de torcer e ocultar a verdade. Ela sempre triunfa. Achamos que a potЖncia e originalidade mental do homem das planuras meridionais de nossa pрtria reside, capitalmente, na variedade das fontes do seu espьrito. Das mesclas e harmonias que ele extraьa dos esforуos e ideais importados, derivou magnьfico mundo novo, atravжs das exigЖncias da adaptaусo a uma vida cheia dos mais intensos e ativos caracteres. Como nos fьsicos, tambжm nos cruzamentos psьquicos hр possibilidades e riquezas imensas. O mesmo, nas combinaушes sociais de ordem жtnica e histзrica.” (Sьlvio JЩlio, Literatura, folclore e linguьstica da рrea gauchesca no Brasil, RJ, A. Coelho Branco F║, 1962, p. 407). “El gaucho del Rio Grande del Sur. En el Brasil se llama gaucho a todo nacido en el Estado de Rьo Grande del Sur, mas el autЖntico es el que a caballo se ocupa de la industria ganadera. Hay gauchos del

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de Paranр, Santa Catarina y en el mismo Mato Grosso. Descienden de ьndios, portugueses, bandeirantes, de habitantes de otras regiones del Brasil y de los antiguos pobladores espaыioles de las llanuras cisplatinas. Fijadas las fronteras del Estado despuжs de mochas guerras contra los castellanos y luego de obtenida la paz tras enconadas luchas polьticas, se distribuyeron tierras a los militares y a los inmigrantes. especialmente a los de las islas Azores, con la intenciзn de fomentar la economia agrьcola. En cambio, los reciжn ilegados dieron preferencia a la industria pecuaria. Era mрs fрcil. Nacieron asь grandes estancias, mрs de una de las cuales a su vez fuж cuna de una ciudad. Porto Alegre, la capital del Estado, tuvo, en efecto, su origen en una estancia. Luego de una gran crisis econзmica, la regiзn conociз la prosperidade y isto se viз a las claras en los arreos guarnecidos de plata y en las caronas hechas de piei de yaguaretж. El hablar diario del gaucho brasileыo es rico en palabras castellanas: aquerenciar, guasca, pingo, bagual, peзn, cimarrзn, maneador, etc. Por lo demрs el fogзn, el asado, el mate, la estancia, la vida misma en poco o nada difiere de la de los gauchos de las llanuras uruguayas y argentinas. A pesar de ello, el gaucho del Rьo Grande del Sur resalta por su propria, inconfundible y recьa personalidad, rodeada de un halo de hermosas leyendas y un historial interminable de luchas. Desde muy temprano este gaucho diз a sus hermanos del Plata arneses, costumbres y palabras. Estos a su vez, asь como los indios de las misiones, le dieron otro tanto. De tal modo recebiз el poncho al que llama pala, el lomillo, los pellones, el lazo, las chilenas y las nazarenas, las botas altas y las boleadoras. Aceptз el chiripр con cierta resistencia por considerarlo cosa de indio pobre. El tirador es un delantal de cuero crudo ornado com flecos que o protege de los tirones del lazo. Tьpico de su indumentarьa es el sombrero de ala amplia; la guaiaca (del quichua huayaca, bolsa) o emturзn de cuero con un bolsillo grande; las bombachas anchas y caьdas. Lleva el facзn con el filo hacia arriba y siempre acompaыado por la chaira o afiador. Va casi siempre arremangado; el paыuelo farrupilha que entaыo llevaba a media espalda (como todos los otros gauchos) es herencia de aquel que usaba, anodado de diversas maneras, en la Guerra de los Farrapos. Aunque le gusta la guitarra, alegra sus asados con la mЩsica del acordeзn.” (Bruno y Beatriz Premiani, El Caballo, Buenos Aires, Edigraf, 1975,p. 137).

“A julgar pela autoridade dos arquivos, antes do vocрbulo gaЩcho o que aparece nos documentos de uma e outra banda ж a palavra gaudжrio, que Bernardo Ibaыez de Echavarri introduz em 1770 na sua traduусo castelhana do diрrio do padre Tadeu Xavier Henis sobre a guerra dos Guaranis. Aparece entсo aplicada aos aventureiros paulistas que desertaram das tropas regulares, identificando-se com a vida rude dos coureadores e ladrшes de gado: ‘hombres Paulistas, que tienen la

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propiedad y costumbre de vender lo que no es suyo a los quales en el pais llaman gauderios’. Seja ou nсo uma interpolaусo do tradutor, como afirma Buenaventura Caviglia e indiretamente se deduz de uma nota de Rodolfo Garcia ao criticar a fidelidade de Echavarri, a observaусo coincide com as deserушes numerosas que o prзprio Gomes Freire de Andrada consignou, quando em 1754 chegavam Яs Missшes os ‘paulistas e lagunistas aventureiros’. Ora, qualquer desertor fatalmente era um novo candidato Я sociedade dos ‘coureadores’, ‘changadores’, ‘gaudжrios’, associaусo de rapinagem mais ou menos organizada que chegou a constituir grave problema para os guardas volantes da campanha. Esses homens sem lei nem rei, que moravam na sua camisa, debaixo do seu chapжu”, mantendo-se num equilьbrio estрvel entre o ьndio e o branco, foram aproveitados muita vez nas armeadas e na guerra como campeiros ou bombeiros, mas o seu entendimento com as tropas regulares de espanhзis ou portugueses era um ajuste condicionado Яs obrigaушes momentРneas do serviуo, combinadas entre as partes, e representava uma espжcie de parЖntese na sua vida habitual de gaudжrios. A sua atividade marginal estende-se por mais de um sжculo da histзria do pampa, perdurando ainda no contrabandista menos abarbarado, quase paisano dos Щltimos tempos, o mesmo carрter que distinguia o antigo changador. Dois modernos historiadores da cidade de Buenos Aires, em obra documentada, mostraram repetidamente o que foi o esforуo de repressсo empreendido pelos alcaides da ‘hermandad’, auxiliados pelos guardas da campanha: um corre-corre interminрvel. Os campos, nсo obstante, continuavam cheios de ‘vagabundos’, ‘changadores’ e outros desocupados, que viviam dos gados alheios, do contrabando e da venda de couros e graxa aos portugueses. “Eran los sujetos, comentam, Я quienes mрs tarde, a fines del siglo XVIII, se llamз gauchos”. O pioneiro do tema, Emilio Coni, afirma, baseado em pesquisas de don Josж Torre Revello, que a palavra foi citada pela primeira vez em documento de 1790, justamente um parecer propondo a criaусo de uma partida volante, para que “perseguiese y arrestase a los mochos malжvolos, Ladrones, Desertores y peones de todas castas, que llaman Gauchos o Gauderios…” Em pesquisa recente, Ricardo Rodrigues Molas encontrou diversas referЖncias ao mesmo vocрbulo, na segunda metade do sжculo XVIII, e jр em 1774 aponta os primeiros testemunhos. De suas acuradas investigaушes no Archivo General de la Naciзn, ressai a formaусo, na fronteira com o Brasil, de um grupo social constituьdo de peшes, desertores e ьndios, entregues ao contrabando e ao roubo de gado, muitas vezes a soldo dos estancieiros de Rio Pardo, ou de hacendados da Banda Oriental. Observa Rodriguez Molas: “En el documento referido aparece la palavra gaucho para denominar a ladrones de ganado en la region fronteriza com el Brasil. Se trata de una comunicacion del comandante del Real de San Carlos, don Nicolрs de Elorduy, al gobernador Juan Josж de Vжrtiz y Salce-

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do, fechada en 24 de setiembre de 1774”. O documento reproduz em cзpia fiel a preciosa nota remetida por um subalterno de nome Ignacio Paredes, que escreve ao seu superior: “Io por salir tan pronto fui con mui poca Jente que casi los Gauchos me han hecho burla”; e mais adiante: “E nel Campo se rreconoze que hai muchos Gauchos”. Nas comunicaушes oficiais o termo bрrbaro ж substituьdo por cuereadores. (...) (...) Mais interessante no caso e mais trabalhoso tambжm – seria mostrar como adquiriu lentamente o termo novos matizes de sentido, conforme as reaушes de meio e momento; como afinal chegou a enfeixar todo um conjunto de sentidos, que poderiam discriminar-se, a traуo grosseiro, do seguinte modo: logo de inicio, para os capitсes generais ou autoridades e primeiros proprietрrios de terras – ladrсo, vagabundo, contrabandista, coureador: para os capitсes de milьcias e comandantes de tropas empenhados em guerras de fronteiras – bombeiro, chasque, vedeta, isca para inimigo, bom auxiliar para o munьcio e remonta; nas guerras de independЖncia do Prata, ou nas campanhas do sul – lanceiro, miliciano; a contar de certo momento histзrico, no Rio Grande do Sul, para o homem da cidade – o trabalhador rural, o homem afeito aos serviуos do pastoreio, o peсo de estРncia, o agregado, o campeiro, o habitante da campanha; na poesia popular, um sinЗnimo de bom ginete, campeiro destro, com tendЖncia para identificar-se com os termos guasca, monarca, e finalmente, para todos nзs, um nome gentьlico, a exemplo de carioca, barriga-verde, capichaba, fluminense. (Augusto Meyer, Prosa dos Pagos, RJ, Livr. Sсo Josж, 1960, p. 19-22 e 35).

“Ouvindo outro dia o grande repentista Jaime Caetano Braun, numa de suas gineteadas, sem amadrinhadores, pelos potreiros da poesia gauchesca, chamou-me atenусo, mais uma vez, a singular contribuiусo de alemсes e seus descendentes aos valores culturais tipicamente rio-grandenses. O fenЗmeno nсo ж de hoje, vem de longe. Entсo nсo se pode deixar de lembrar que Carlos von Koseritz foi dos primeiros a preocupar-se com o cancioneiro popular gaЩcho, reunindo e publicando quadras, mais tarde incluьdas por Sьlvio Romero nos “Cantos Populares do Brasil”. Antecipou-se de muitos anos ao “populрno” que viria a ser coligido por 1. Simшes Lopes Neto. Carlos Jansen, outro alemсo nato e, como Koseritz, tambжm “brummer”, alжm de ter participado da redaусo de “Guaьba” (indicado por Guilhermino Cesar como “o primeiro periзdico literрrio de importРncia que aqui se publicou”), ainda escreveu “O Patuр”, novela que lhe abriria lugar entre os precursores do nosso regionalismo. Nos domьnios da dialetologia logo ocorre o nome de Carlos leschauer, o qual tambжm ilustrou outros campos da cultura rio-grandense, sobretudo nos estudos de antropologia e histзria, integrando a numerosa e notрvel galeria de humanistas e cientistas da Companhia de Jesus, de atuaусo marcante

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em tantos setores da vida rio-grandense, mesmo em atividades prрticas, como o cooperativismo, de que foi fundador, no Estado, o padre Teodoro Amstad. Ainda nсo se fez o levantamento completo das atividades culturais desses jesuьtas, tarefa para a qual me parece naturalmente indicado o padre Artur Rabuske. Em razсo da diversificada e vultosa contribuiусo jesuьtica, o trabalho seria enorme, mas nсo se pode deixar de empreendЖ-lo, pelo que significa dentro do nosso processo cultural. Figura na copiosa bibliografia do padre Teschauer uma histзria da erva mate, publicada no “Anuрrio” de Graciano Azambuja. Por falar nisso, nсo recordo se Barbosa Lessa observou, na sua excelente monografia sobre o “Chimarrсo”, a disseminaусo do hрbito do mate-amargo nas рreas rio-grandenses de colonizaусo alemс. Estou para dizer que hoje se toma tanto mate nessas рreas quanto nas de pura cepa crioula, o que ilustra uma das muitas facetas da aculturaусo dos descendentes de imigrantes teutos aos nossos usos e costumes mais tradicionais. Encontrando-me outro dia em Estrela, observei trЖs senhoras, em diferentes pontos da cidade, tomando mate nas janelas de suas casas e assim reeditando a clрssica postura janeleira, com uma inovaусo: a companhia da cuia de chimarrсo. Por sua vez, o grande Augusto Meyer, alжm de tomador de mate era inveterado pitador de crioulo, tendo levado esses hрbitos guascas aos lugares ilustres onde pontificou, como a Universidade de Hamburgo. E me disse certa vez que, se tivesse sido contemporРneo de Alcides Maya na Academia Brasileira de Letras seria homem para trocar o chр dos acadЖmicos pelo chimarrсo galponeiro, tomando-o de mano com o velho escritor gaЩcho. Pelas duas correntes de sangue, a alta e a baixa, como se diz no Stud Book, Augusto Meyer era alemсo puro de “pedigree”. Poucos, entretanto, sсo os nossos escritores tсo impregnados do sentimento do pago. Sobretudo na sua obra poжtica hр manchas pampeanas da maior autenticidade e pureza. Embora depurada pelo intelectualismo mais refinado, a sua poesia de feiусo regionalista tem a simplicidade e a marca do nativismo campeiro. E sendo “o nosso Erasmo”, como enfatizou Alceu Amoroso Lima, pЗde conciliar o universo do seu enorme saber com o mundo xucro da antiga campanha rio-grandense. O teuto-brasileirismo de que falava Josж Fernando Carneiro parece mais bem definido no Rio Grande do Sul, motivo pelo qual entendo que a expressсo mais apropriada seria teuto-gauchismo. Nсo consigo explicar, mas existe algo de misterioso, algo de mрgico na identificaусo de alemсes e seus descendentes com a alma gaЩcha. Talvez seja por isso que o maior e, sobretudo, o mais crioulo dos nossos “payadores” atenda pelo nome de Jaime Caetano Braun. o assunto poderia ir longe, permitindo, inclusive, algumas incursшes no terreno das nossas refregas caudilhescas, onde o jeito de pelear de um certo capitсo Pimba (de sobrenome Heigert), nada tinha de prussiano, puxando parelho com o estilo de Honзrio Lemes, tambжm conhecido por Leсo do Caverр e

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Tropeiro da Liberdade. (Dezembro, 1978).” (Carlos Reverbel, Teuto Gauchismo, in Saudaушes aftosas, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1980, p. 67-8).

“O gaЩcho, entanto, nсo ж sз e apenas uma resultante biolзgica das miscigenaушes: ж, tambжm, uma resultante psьquica de muitas influЖncias psicolзgicas, desde a agressividade do tape, do charrua, do minuano, atж o aventurismo bandeirante e esse idealismo algo mьstico que os jesuьtas lhe insuflaram no Рnimo, formando a civilizaусo dos Sete Povos. E a terra, com seu calor, sua seiva, seu encanto e seu capricho, esteve presente nesse trabalho de modelaусo fьsica e anьmica do homem.” (Moacir Santana,A Nova Cidade de Deus, P.A., Globo, 1952, p. 83).

“GaЩcho eu sou, nasci feliz, nesta terra formosa onde estou, sob o cжu do meu lindo paьs.

Vim lр de fora, sou laуador, sз nсo pude laуar atж agora, o teu amor.

GaЩcho forte pra querЖncia voltarei, do potreiro dos teus olhos nunca mais me afastarei!” (Manoel Faria CorrЖa, Canусo GaЩcho sou – Conta-nos, Joсo Mozart de Melo, que, na noite de 11 de maio de 1954, quando era velado, em Porto Alegre, o corpo de Manoel Faria CorrЖa, esta canусo estava sendo cantada por um coro na cidade de Nevada, nos Estados Unidos).

“Sou monarca nestas plagas. E livre como o pampeiro. A campanha ж meu palрcio. O valor meu escudeiro!

Nсo me seduzem os tronos, Nem das grandezas o brilho. Eu tenho tambжm um trono De baixo do meu lombilho!

Pernoito pelas coxilhas, Sozinho, mas sem receios. Meu cobertor ж meu poncho; Minha cama, os meus arreios!

De laуo e bolas nos tentos, No lombo do meu ginete, Nсo hр quem nсo me respeite Nestes campos de Alegrete!

Conheуo estes pagos todos, Como a estРncia onde nasci, Do Uruguai ao AtlРntico, Do Paranр ao Chuь!” (Gabriel Pereira. Canусo do GaЩcho).

“GaЩcho Fusiзn sanguьnea. Prestancia ibжrica quemada en soles indios. Nexo herзico. Aurora de flechas, amanecida en filos de facзn y botes de lanza, Centauro de fuego en los rudos cuerpo a cuerpo. Nervio hecho dolor en cuerdas de guitarra. Lujo de cicatrices y fiesta de rodajas, que serрn seыuelos dei recuerdo en los ocasos lentos. Sueыo de hornero, majestad de рguila. Hosquedades grрvidas de ternura estrujando en el beso. Corazзn. – Vidalita, madurado en silencios.

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(Dжcimas de Sandрlio Santos, Montevideo, Ed. “Fogon”, 1954, p. 67).

“Eu nasci cр no Sul, bem na coxilha, Onde sibila o gжlido minuano, E se avista o gaЩcho soberano Sobre o pingo, no encalуo da tropilha.

Deste querido pago eu sou vaqueano Conheуo a sua histзria Farroupilha. Os feitos dos seus filhos na guerrilha, Sсo glзrias eternais de que me ufano.

Seu grande coraусo ж Porto Alegre, A cidade sorriso, sempre alegre, Berуo de um povo altivo e varonil.

Quando, ao citar seu nome, a alma se expande, Logo se vЖ que falo do Rio Grande, Sentinela avanуada do Brasil!” (EugЖnio VenРncio Mascarello, Minha Terra, in No Reino da Poesia, ed. da Assoc. de Cultura Literрria de Porto Alegre, 1951, p. 9).

“Gente herзica e fadada a um futuro ainda em denso Vжu oculto, porжm fatal como o destino Que nсo falhando nunca, ou fere de inopino Ou salva, hр no gaЩcho o destemor nativo, A resistЖncia, o brio, o carрter altivo Que se nсo dobra nunca; a vontade inflexьvel De vencer ou morrer quando luta. O impossьvel Nсo o detem, jamais! Seu querer ж uma reta: O caminho mais curto entre o desьgnio e a meta . Laуos, bolas e poncho, ao corcel rжdea solta, E ei-lo pronto Я peleja. ╔ o gЖnio da revolta, MagnРnimo entretanto. Ao vencedor estreita A mсo sem se abater. Ao vencido respeita Se ж bravo. Se ж cobarde, o despreza. Um valente Da forуa nunca abusa: odeia nobremente E mesmo na vinganуa ж justo e nсo bandido. Alma errante do Pampa, o seu ‘fogсo’ querido Abre para o inimigo acossado. O churrasco E o ‘amargo’ lhe oferece e protege-o. Carrasco Nunca foi nem serр. Da terra do Cruzeiro, Exemplo de nobreza, ж o mais lindo luzeiro. Atilado, vЖ tudo e, Я ponta do chicote, Apara sempre a tempo o disfarуado bote. Se erra e o erro reconhece, emenda-o a um gesto breve, Sem guardar da traiусo o ressaibo mais leve. Trovador instintivo, ama o descante Я viola; Improvisa e a poesia harmoniosa se evola De sua alma, espontРnea e doce, como o aroma Do coraусo da flor e para tema toma Sempre o amor, a saudade, a ingratidсo, o brio, E gosta de cantar versos em desafio. Nos dias de ‘rodeio’ ou de ‘carrei-

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(ra”, cedo Tem o pingo encilhado e vai para um “brinquedo”, De fado e pistola, arrastando as “chilenas”. Amoroso e sensual, morre pelas morenas Sertanejas gentis de dez lжguas em torno… O gaЩcho! O gaЩcho! Ei-lo alheio ao suborno Do forte, contra o forte a lanуa levantando, E avanуando! avanуando! avanуando! avanуando! (Zeferino Brazil, Alma GaЩcha, ed. da Livr. Seibach, P.A., 1935, p. 17).

“Herdou dos espanhзis o exagero e os rompantes, do luso – o aventurismo e o gosto da saudade, do charrua a amizade aos cavalos velozes, e o delirante amor Я sua liberdade.” (Ernani Fornari, O GaЩcho).

ALMA GAUD╔RIA (SociogЖnese do GaЩcho) “Os rasteadores da Histзria campearam minha memзria, do tempo nas noites grandes, e me encontraram na Taba, nos araxрs do ameraba da cordilheiria dos Andes!

Dos sжc’los na densa bruma, a minha origem se esfuma! Sou alma xucra e gaudжria que vem de tempos sem fim! Ninguжm sabe de onde vim, se de AtlРntida ou Sibжria!

Talvez fosse um lemuriano, guardasse n’alma o arcano da lengendрria LemЩria – minha primeira QuerЖncia, tragada pela violЖncia de cataclismos em fЩria! Talvez malaio, australiano ou mongol, ou tasmaniano, antes de vir para a Amжrica! Sou, hoje, o guasca sulino, mestiуo com beduьno lр da Penьnsula Ibжrica! Sou mescla de vрrios sangues! Dos temidos Caingangues sinto a fibra em minha raуa! Destas coxilhas sou filho, cruza de branco caudilho com amerьndia lindaуa! Fui Charrua e Minuano! Enfrentei o lusitano nos campos de Caiboatж! Na regiсo missioneira, iluminei a fronteira nas guerrilhas de Sepж! Fui guerreiro, andei lutando… Surgi mil vezes peleando, mil vezes tombei na guerra, eternizando na histзria, numa legenda de glзria, as tribos de minha Terra! Marquei, com sangue estrangeiro, deste Torno Brasileiro as fronteiras que ele tem! E nelas, qual marco vivo, deixei meu sangue nativo, as demarcando tambжm! E se alguжm, num dia aziago, quiser tomar este pago, ser das coxilhas monarca, hр de sentir pelo lombo, no impacto de cada tombo, que nossa Terra tem marca!” (Rui Cardoso Nunes, Alma Gaudжria, P.A., Ed. Pallotti, 1977, p. 13-

14).

GAUDERIAК├O, s. Ato de gauderiar.

GAUDERIAR, v. Vagabundear, andar

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errante, de casa em casa, sem ocupaусo sжria, vivendo Яs expensas de outrem. Gandular, filar. Vagamundear. Viver sem eira nem beira. Tornar-se gaudжrio.

“Pois o bugre velho meu avЗ, deu ela a meu pai quando deixou de gauderiar e se parou nos fogшes.” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo &C., 1922, p. 83).

“Gauderiei terra bendita querendo saber quem жs,” (Fernando T. C. Saraiva, Das Coivaras do Tempo, P.A., 1958, p. 78).

GAUD╔RIO, s. e adj. Pessoa que nсo tem ocupaусo sжria e vive Я custa dos outros, andando de casa em casa. Parasita, amigo de viver Я custa alheia. Denominaусo dada ao antigo gaЩcho, em sentido depreciativo. // ═ndio-vago, andarengo. // Cсo sem dono, errante, que acompanha qualquer pessoa mas logo a abandona para seguir outra, sem aquerenciar-se em parte alguma. // Pessoa que viaja muito. GaЩcho.

“Ressalve-se, todavia, a figura dos gaudжrios, sem lei nem rei, aos quais vрrios documentos fazem referЖncia, especialmente ao tempo das guerras. Sobre seu nЩmero nсo se pode ter idжia precisa, e ж quase certo que nem batizassem filhos nem se deixassem arrolar em recenseamentos.” (Sжrgio da Costa Franco, Origens de Jaguarсo, IEL/UCS, 1980, p. 97). “Hacia fines del siglo XVIII estos inestables pobladores frontenizos fueron designados por los paulistas con otra palabra portuguesa, gauderios que, para resumir, significaba juerguistas y vagabundos (gaudжrio en Brasil llaman tambiжn al renegrido, ave sin nido propio).” (Bruno y Beatriz Premian, El Caballo, Buenos Aires, Edigraf, 1975, p. 128).

“Houve histзria e correu lenda que escutei numa fazenda que foi do pai do meu pai, sobre o Vasco, esse gaudжrio que hoje estр no cemitжrio de onde nem gaЩcho sai.” (Josж JЩlio Barros, “... E a de ‘30′ ele nсo fez. “, inжdito).

“Nasci gaudжrio, me criei ufano, amando a terra, venerando o pago e duvidando que de um ьndio-vago a sua histзria fosse desengano.” (Luiz Alberto de Menezes, Tropa Amarga, inжdito).

“Gaudжrio ж vertente humana serpenteando pelo chсo que de rincсo em rincсo vai buscando novo alento; inconstante como o vento num upa – mudando rumo, – sol nascente – sol a prumo… sз estrada no pensamento!” (Marco Polo Giordani, De Rumo Feito, P.A., Martins livreiro-Editor, 1981, p. 51).

“Gaudжrio… ═ndio-vago … Andarengo… ж o gaЩcho, sem eira nem beira, que vive solto, sem querЖncia, sem destino, cruzando pelos caminhos da vida. Porжm, sempre aonde retorna, ж recebido com muita alegria, muito carinho… e muita curiosidade!” (Dimas Costa, Pelos Caminhos do Pago, P.A., Sulina, 1963, p. 142).

“Como ele anda sempre de gaudжrio, na estrada, talvez nсo demore a aparecer.” (E. Contreiras Rodrigues, Amores do Capitсo Paulo Centeno, P.A., Globo, 1937, p. 99).

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“Campiei alжm do mundo meu brete definitivo Agora, a boleadeira que trancei do amor vai ter uma manicla. E o rancho do gaudжrio ж um ponto fixo no mapa do Rio Grande.” (Luьs Alberto Ibarra, Canусo do Sul, 1958).

GAVAR, V. Gabar.

GAVI├O, adj. Diz-se do cavalo arisco, matreiro, que dificilmente se deixa apanhar. Fem.: gaviona.

“A amplitude dos campos, a suavidade do clima, a beleza das noites enluaradas e dos dias plenos de sol, a flora sem a agrestia e as as perezas do sertсo, as aves e os animais de pequeno porte, sem maior ferocidade, as enormes pontas de gado alуado, as manadas de жguas gavionas, tudo isso compunha um quadro, de esplжndido efeito, de paisagem animada, aguуando a imaginaусo e desafiando o espьrito criador do homem.” (Salgado Martins, Aspectos do Continente de Sсo Pedro, in Correio do Povo de 23-3-1968).

GAVIONAуO, adj. Diz-se do animal muito matreiro, muito arisco, muito gaviсo.

GAVIONAR, v. Fugir, o animal, correndo pelo campo, procurando nсo se deixar apanhar. Tornar-se o animal gaviсo, matreiro, arisco. // Aplica-se tambжm Яs pessoas: “Tanto gavionou, que acabou brigando com a noiva.” // Significa, ainda, andar esquivo, fugir, vagabundear.

GAVIONICE, s. Ato de gavionar, esperteza, alarifagem, velhacada.

GEBO, s. Zebu.

GEBITO, s. Diminutivo de gebo ou gebu.

GEBU, s. Zebu.

GEMER NAS PUAS, expr. Estar sofrendo castigo moral ou tendo aborrecimentos, em conseqЧЖncia de faltas cometidas.

GENEROSO, s. Ente fantрstico, prazenteiro e brincador, que, conforme lenda missioneira, entrava invisьvel nas casas, passeava nos quartos e salas fazendo estalar o madeiramento, fazia tinirem as cordas da viola, assobiava nas juntas das portas e janelas, soprava as chamas das velas devagarinho, e fazia muitas outras brincadeiras.

“E muitas vezes – atж o tempo dos farrapos -, quando se danуava o fandango nas estРncias ou a chimanita nos ranchos do pobrerio, o Generoso intrometia-se e sapateava tambжm, sem ser visto; mas sentiam-lhe as pisadas, bem compassadas no rufo das violas… e quando o cantador do baile era bom e pegava bem de ouvido, ouvia, e por ordem do Generoso repetia esta copla, que ficou conhecida como marca de estРncia antiga: sempre a mesma…

Eu me chamo Generoso, Morador em Pirapз: Gosto muito de danуar Coas moуas, de paletз...” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1957, p. 343).

“Sobre a madrugada, metidos na teorga, comeуam a ver almas-de-outro-mundo. Entсo o chiru manda parar as violas e improvisa:

- Meus senhores e senhoras,

228

Nсo quero mentir, eu vi A assombraусo do fandango; O Generoso anda aqui.” (Piр do Sul, Farrapo, Globo, 1935, p. 108).

“Ou nсo serр o Generoso num fandango de terreiro, repinicando, manhoso, a viola dum carreteiro?” (Dirceu A. Chiesa, O GЖnio dos Pagos, P.A., Livr. Continente, 1950, p. 74).

GENTALHA, s. Gente de classe inferior. Gentama. Gentinha.

GENTAMA, s. Reuniсo de muita gente; multidсo; grande nЩmero de pessoas. Gentarada, gentalha. Gentinha. Grande quantidade de gente de classe inferior.

“Gentama perambulante que nunca-esquenta-lugar. Hр o gaudжrio e o teatino, gaЩchos bem haraganos, que tЖm como seu destino o destino dos ciganos. Sсo, como muito lhes convжm, graxeiros e coureadores, os da Terra-de-Ninguжm.” (Hжlio Moro Mariante, Fronteira do Vaivжm, P.A., Imprensa Oficial do Estado, 1969, p. 31).

“E logo no derredor a gentama tambжm se foi arrodilhando…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p.

32).

“Quem sсo, De onde provжm esta gentama de feiусo asiрtica, Pele cor-de-canela, Face triangular, Olhos amendoados?!” (Ramiro Frota Barcelos, Romanceria Gauchesca, Sсo Leopoldo, Ed. Rotermund, 1966,p. 18).

“Singularizava-se pelo alce do porte com que encarava aquela gentama.” (Cyro Martins, Paz nos Campos, P.A., Globo, 1957, p. 13).

GENTARADA, s. Gentama, gentaria, multidсo.

GENTARIA, s. Gentarada, gentama, reuniсo de muita gente.

GENTERIO, s. Grande quantidade de gente. Multidсo, gentama, gentalhada, gentarada, gentaria, gentinha.

GENTINHA, s. Gentalha. Gente de classe inferior.

GERVAOZINHO, s. Espжcie de gervсo que dр nas hortas.

GIBU, s. Zebu.

GINETAКO, s. Superlativo de ginete. Pessoa que cavalga bem e com garbo.

GINETE, s. Pessoa que monta bem, com firmeza e com garbo. Bom cavaleiro, domador. // O vulto de um homem a cavalo.

GINETEAК├O, s. Ato de ginetear.

GINETEAR, v. Montar a cavalo com firmeza e com garbo; andar em animal arisco ou xucro, fazer o animal corcovear, agЧentar corcovos.

“Atrрs dos gaЩchos, que se iam acercando do terreiro, outros cavaleiros gineteavam com galhardia.” (Aurжlio Porto, O Tesouro do Arroio do Conde, P.A., Globo, 1933, p. 34).

“Por Ti… – A mais linda triguera! gineteio a vida intera no lombo do meu Destino!...” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 88).

“Muito cedo, pouca idade,

229

Gineteava de verdade, Apenas por distraусo.” (Jacyr Menegazzi, Alma do GaЩcho).

GIRADOR, s. Virador. Pessoa diligente na conduусo de seus negзcios.

GIRO, adj. Diz-se do galo de plumas escuras com penas brancas e prateadas.

GOIACA, s. O mesmo que guaiaca.

GOIANZEIRO, s. Capinzal, matagal cerrado.

GOLA-DE-COURO, s. Soldado, milico, miliciano.

GOLE, s. Cafezinho, xьcara de cafж. Emprega-se tambжm um goles. (Usado em Bom Jesus, conforme registro feito pelo Prof. Breno Osзrio Marques).

GOLPE, s. Trago, gole. (PortuguЖs antigo).

GOLPEADO, adj. Diz-se do indivьduo que toma resoluушes irrefletidamente, de golpe. Impulsivo, leviano, tonto.

GOLPEAR. v. Puxar com violЖncia o laуo, quando laуado o animal. // Jogar-se, arremessar-se, atirar-se: “Golpear-se no chсo”, isto ж, arremessar-se no chсo.// Latejar.

GOLPEAR NA BOCA, expr. O mesmo que bater na boca.

GOLPE DE HOMEM, s. Homenzarrсo.

GOLPE DE GENTE, s. Grupo de pessoas.

GORDACHO, adj. Gordaуo, gordalhaуo, gordalhudo, gordalhсo, gordсo, gordalhufo, muito gordo, gordьssimo, gorducho.

GORDUCH├O, s. Diz-se do indivьduo muito gordo, pesado e lerdo. Aplica-se somente a pessoas.

GOSTOSURA, s. Grande gosto, intenso prazer.

GOVERNAR, v. Obedecer o cavalo Я aусo das rжdeas. Com este verbo, ora o animal ж agente ora paciente da aусo de governar: “O cavalo governa mal”, isto ж, nсo sabe obedecer convenientemente Я aусo das rжdeas; “O cavaleiro governa mal o seu cavalo”, isto ж, o cavaleiro nсo sabe governar o animal. // Possuir juьzo anormal: “Fulano nсo governa bem”, isto ж, nсo regula bem da cabeуa.

GOVERNICHO, s. Denominaусo deprimente que os imperialistas deram ao governo republicano de 1835. // Governo efЖmero instalado no Rio Grande do Sul em 1891 por uma dissidЖncia do Partido Republicano Rio-Grandense, o qual teve a duraусo de sete meses.

GOVERNO DO RIO GRANDE, s. Antiga denominaусo do Estado do Rio Grande do Sul.

GRALHA, s. Ave da famьlia dos Corvьdeos que, no Sul do Brasil, ж considerada como plantadora de pinheiros.

“O pinheiro de que falo, por uma gralha plantado, de pequenino e mirrado como um ponto na planura, com os sжculos passando, foi crescendo, foi se alteando, ficando de tal altura que o cжu jр estava tocando.” (Zeno Cardoso Nunes, O Causo do Pinheiro).

GRAMEAR, v. AgЧentar, aturar, sofrer, suportar.

“Sempre na mesma querЖncia, com a mesma emoусo sentida, livres da inveja e da injЩria vamos grameando a penЩria dos impossьveis da Vida.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 21).

GRANAR O CATETE, expr. Realizar-se o fato como estava previsto. “Ele pretendia conseguir aquilo tudo, mas nсo granou o catete”, isto ж, nсo se realizou o que ele pretendia.

GRANDUMBA, adj. Diz-se de pessoa grandalhona, porжm mole, pouco ativa.

GRANEAR, v. Granar. Criar grсo, o milho, o trigo etc.

GRANITO, s. Assado que se tira de cima do osso do peito da rЖs, e que ж formado de grРnulos rijos de tecido gorduroso.

GRO-DE-GALO, s. Denominaусo de um arbusto que produz uma frutinha amarela do tamanho de uma ervilha (Celtis tala, Gil.).

GRAPIAPUNHA, s. ┴rvore gigantesca cuja madeira presta-se para pranchшes e vigas (Apuleia praecox).

GRASPA, s. Aguardente obtida pela destilaусo das borras do vinho; aguardente destilada do bagaуo de uvas, tambжm chamada bagaceira.

GRAVAT┴, s. Caraguatр.

GRAVATA, s. Degola, decapitaусo. O mesmo que gravata colorada.

GRAVATA COLORADA, s. Gravata, degola, decapitaусo. “Passar a gravata colorada”, significa degolar.

GRAVAT┴-DO-CAMPO, s. Planta da familha das Umbelьferas.

GRAVATAZAL, s. Lugar onde existe grande quantidade de gravatрs.

GRAVATEADOR, s. O que gravateia, o que degola, o que passa a gravata colorada. Degolador, magarefe, bandido.

GRAVATEAR, v. Degolar, decapitar, assassinar por degolamento, passar a gravata colorada.

GRAXAIM, s. Guaraxaim, sorro, zorro.

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Pequeno animal semelhante ao cсo, que gosta de roer cordas, principalmente de couro cru e engraxadas ou ensebadas, e de comer aves domжsticas. Sai, geralmente, Я noite. ╔ muito comum em toda a campanha. Seu nome cientьfico ж Canis azaraж.

“La vem o guaraxaim Com cara de disfarуado: Ele vem comer galinha E soltar cavalo atado”. (Quadrinha popular).

GRAXEAR, v. Namorar.

“... e, todavia, Neco Alves, se assim pensava, nсo sentia assim: respeitava as mulheres, graxeava delicadamente com todas as moуas bonitas da redondeza…” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 28).

GRAXEIRA, s. Panela grande ou caldeirсo onde se fervem os ossos e se derrete o sebo da rЖs, para extrair a graxa. // Lugar onde, nas charqueadas ou nas estРncias, ж instalado esse caldeirсo.

GRAXENTO, adj. Que tem muita graxa, gordo, graxudo, lambuzado de graxa.

GRAXUDO, adj. Diz-se do animal que tem graxa, que estр gordo. Graxento.

GRIMPA, s. Ramo de pinheiro. ╔ espinhento e muito fрcil de queimar, prestando-se para a feitura de fogueiras, em poucos segundos, as quais, embora tenham pequena duraусo, servem para fazer-se sapecadas de pinhшes, ou para aquecer o caminhante nos dias de frio intenso. // PetulРncia, atrevimento. (V. as expressшes abaixar a grimpa e levantar a grimpa).

GRIND╔LIA, s. Planta medicinal usada em xaropes.

GRINFO, s. Moreno, crioulo, namorado.

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GRINGADA, s. Reuniсo ou grupo de gringos. Gringalhada.

GRINGALHADA, s. O mesmo que gringada.

GRINGO, s. Denominaусo dada ao estrangeiro em geral, com exceусo do portuguЖs e do hispano-americano.

“Sз com a chegada dos gringos dos frigorьficos introduziu-se o uso compulsзrio da balanуa nas operaушes de gado para abate.” (Carlos Reverbel, Um Capitсo da Guarda Nacional, P.A., UCS – Martins livreiro, 1981, p. 20). “Gringo, de modo geral, no Rio Grande do Sul, ж o italiano, mas tambжm denominam assim os de outras nacionalidades, exceto o portuguЖs, que ж galego.” (Valter Spalding, Tradiушes e Superstiушes do Brasil, RJ, Organizaусo Simшes, 1955,p. 156).

“Gringo ж guasca da coxilha, jр ninguжm o colhe e pega com o freio na macega, nem lhe passa o maneador. Flor de Roma ou da Alemanha, come carne, bebe canha, bom de queixo no que for!” (Padre Pedro Luьs Bottari, O GЖnio do Pampa, 3ф ed.).

GRITAR BURACO, expr. Desafiar, nas canchas de carreira, qualquer competidor. O mesmo que gritar sem reserva.

GRITAR SEM RESERVA, expr. Significa, em carreira de cavalos, desafiar qualquer competidor, nсo temer adversрrio algum, venha de onde vier. O mesmo que gritar buraco.

GRITO, s. Voz de alarma.

GRITO ENVULTADO, expr. Condiусo de corrida de cavalos em que, no quarto obrigado, o juiz darр o sinal de largada quando os parelheiros envultarem defronte ao laуo de saьda.

GROSSEIRA, s. Urticрria, jacomeуa, coceira.

GROTA, s. Socavсo, furna, gruta, desbarrancado, vale profundo.

GROT├O,s. Aumentativo de grota.

GRUDAR, v. Dar, pespegar: “O cachorro grudou os dentes no menino”, isto ж, deu-lhe uma mordida; “O domador grudou um relhaуo no aporreado”; “O bandido grudou uma bofetada no bodegueiro mas caiu ali mesmo varado pela faca.”

GRUDE, s. Namoro, derriуo.

GRULHA, s. e adj. Valente, animoso, destemido, orgulhoso, audacioso, temido por suas faуanhas. Grulho.

GRULHAКO, s. e adj. Muito grulha.

GRULHO, s. Sabugo que, depois de debulhado o milho, serve para certo jogo, que consiste em cada jogador segurar um sabugo por uma das extremidades, para que seu competidor bata nele, com outro sabugo, tentando quebrр-lo. Tambжm ж chamado jogo do turco. // Em sentido figurado, pessoa valente, resistente, guapa.

GRUMAT├ ou GRUM┴T┴, s. Corumbatр. Nome de um peixe de рgua doce.

GRUNIR, v. Trabalhar intensamente, afanosamente. // Sofrer muito, ou resistindo a dores, ou esforуando-se para conseguir algo. Suportar incЗmodos, aborrecimentos; curtir, agЧentar. ” O mesmo que gurnir.

GRUPETE, s. Pequeno grupo.

GUABIJU, s. Fruta silvestre, comestьvel, semelhante Я jabuticaba, porжm um pouco menor e que nсo cresce presa ao tronco como aquela. // Nome da рrvore que dр esse fruto. Guabijueiro, guabi-

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luzeiro.

GUABIJUEIRO, s. ┴rvore da famьlia das Mirtрceas, que produz o guabiju. Guabiju, guabijuzeiro.

GUABIJUZAL, s. Lugar onde hр muitos guabijuzeiros.

GUABIJUZEIRO, s. O mesmo que guabijueiro ou guabiju.

GUABIROBA, s. Fruta silvestre, comestьvel, de cor amarela, muito cрustica quando ainda nсo bem madura.

GUABIROBEIRA, s. ┴rvore da famьlia das Mirtрceas, que produz a guabiroba.

GUACHINHO, s. Diminuitivo de guacho, muito usado em Cima da Serra. Guachito.

GUACHITO, s. Diminuitivo de guacho, muito usado na Fronteira. Guachinho.

GUACHO, s. e adj. Animal ou pessoa criado sem mсe ou sem leite materno. (O Vocabulрrio Ortogrрfico da Lьngua Portuguesa, organizado de acordo com as instruушes aprovadas pela Academia Brasileira de Letras, na sessсo de 12 de agosto de 1943, registra guaxo, com ‘x’ em vez de ‘ch’.

“Guacho – ж vocрbulo corrente no Rio Grande do Sul, nсo se trata, porжm, de um brasileirismo e sim de um americanismo. Lemos em A. Malaret: “Guacho (del quich. huachu, ilegьtimo, o del aimarр, huajch e watcha: quejar-se), adj. Chile, Peru y Rio de la Plata: Huжrfano, sin padres, tanto persona como animales, extensivo a cosas para indicar que estрn solas sin compaыeras. 2) Chile: Planta que hр nacido sin ser sembrada. 3) Peru: Pedaуo de billete de loteria. 4) Ecuad.: Surco del arado. En Colombia dicen guachico (del quich. huachicuk, surco, camellзn). 5) Mex. Sinзnimo de guacho: la persona del interior de la RepЩblica. 6) C. Rica e Panamр: arroz aguado, espжcie de sopa espesa, carne a base de arroz que sirve ordinariamente a los peones. Huevo guacho. Bol. y Urug. El que no incumba la hembra”. (Dicionрrio de Americanismos, 3ф ediусo, pрg. 444). Como se vЖ o vocрbulo ж empregado em quase todos os paьses da Amжrica. D. Eleutжrio Tiscornia definiu: “Guacho: Animal tierno sul madre. Se dice comumente de las rezes del ganado vacuno, cabalar e lanar”. (Martin Fierro, pрg. 37, Ed. documentada por Manoel Lisandro Borda escreveu o seguinte, Я pрgina 179 de Voces Tucumanas Derivadas del Quichua: Guacho: Voz comЩn em la provьncia, pero mрs em la Capital y entre personas mрs o menos cultas. El campesino sacie usar la forma pura guascho”. Juan B. Selva, notрvel filзlogo argentino, escreveu Я pрgina 137 de Q’ecimiento del Habia: Guacho (del quichua; es dado tambiжn como der. del aimarр o chibcha: animal que se cria sin madre, huжrfano, bijo ilegitimo. Esta voz se usa en toda la Amжrica del Sur, con ligeras variantes de significado”. O Mestre argentino declara ser voz orginрria do quьchua e de uso em toda a Amжrica do Sul. Como, pois, classificр-la de brasileirismo? Em escritores rio-grandenses, encontramos, por vezes, o vocрbulo guacho, como nos trechos seguintes: “... criados guachos, em casa foram garroteados a facсo”. (Ma-

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noel Acauan, Ronda Charrua, pрg. 116).

“Na relva fresca escabujava um potrilho guacho (ibidem, pрg.

167).

“... sз cria de guacho para a mсo”. (F. Contreiras Rodrigues, Gauchadas e Gauchismos, p. 82). Josж Hernрndez empregou guacho na seguinte passagem de Martin Fieira: “Le dije ‘Que le aproveche, Que habia sido pa el amor Como guacho pa la leche”. (Versos n║ 1818, 1819 e 1820).

(A. Tenзrio D’Albuquerque).

“Eu nсo fui criado guaxo, Graуas ao Deus Soberano. Mamei atж o sobre-ano Sem misжrias nem surpresas, Porжm conheуo as tristezas Dos guaxos – sem lar nem teto Sei que a fome de afeto ╔ a mais cruel das pobrezas.

E ж por ter pena dos outros, Que andam soutos na terra, Que quando esse guaxo berra Meu peito xucro se amansa, Pois eu sinto – na confianуa Que inspiro ao pobre borrego O mesmo anseio de achego Que eu tive – quando crianуa.” (Jaime Caetano Braun, Potreiro de Guaxos, P.A., Ed., Champagnat, 1965,p. 17).

GUACO, s. Planta medicinal de que hр no Rio Grande do Sul duas variedades, a saber: Guaco da Serra, Mikania officinaus, Mart, e Guaco do quintal, Mikania scandens, Wild, ambas da famьlia das Compostas.

GUAКUZAL, s. Campo grosso, coberto de capim guaуu.

GUAIACA, s. Cinto largo de couro macio, Яs vezes de couro de lontra ou de camurуa, ordinariamente enfeitado com bordados ou com moedas de prata ou de ouro, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos. Var: Goiaca. (Etim.: Vem do quьchua, huayaca, que significa bolsa).

“... outros empenhavam as palavras em apostas, calculavam tiro e peso de cavalos, batiam nas guaiacas pejadas de dinheiro” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910,p. 156). “- Pois amigo! Nсo lhe conto nada! Quando botei o pж em terra na ramada da estРncia, ao tempo que dava as – boas-tardes! – ao dono da casa, agЧentei um tirсo seco no coraусo… nсo senti na cintura o peso da guaiaca”. (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, 4ф ed., P.A., Globo/Inst. Nacional do Livro, 1973, p. 8). “Nesse instante estudava as guaiacas. Que guaiacas! A do AntЗnio, principalmente. Toda de couro trabalhado, guarniушes de prata. Estofadinha, talvez de puras onуas. Aliрs a guaiaca estava de acordo com o apero do animal, do freio ao estribo, tudo luzindo de prata peruana. Bem que diziam que na fronteira chegava muita prata do Peru.” (Lothar Hessel, Brava Gente, Sсo Paulo, Saraiva S.A., 1959, p. 32).

“A bombacha eu vesti, a mais rodada, minhas botas de cor bem amarela. Com a guaiaca de couro e recheada, a cavalo me fui pra casa dela.” (Anita R. Gonzales, Meu Rio Grande do Sul, P.A., Sulina, 1953, p.

37).

234

GUAIACANAN, s. e adj. Uma das naушes indьgenas que habitavam o Rio Grande do Sul; estes ьndios viviam pelos campos da Vacaria, e logo foram extintos.

GUAIAMBE, s. O mesmo que guaimbж.

GUAICURU, s. Planta adstringente usada contra hemorragias e fluxos intestinais.

GUAIMB╔, s. Planta parasita que nasce geralmente no alto das рrvores de grande porte, e de lр lanуa raьzes para o solo, soltas ou enroladas no tronco, como verdadeiras cordas de um centьmetro ou mais de diРmetro. Das cascas dessas raьzes se confeccionam cestos, cordas e outros utensьlios. As folhas sсo grandes, de cor verde-escura, lembrando as do inhame, porжm mais resistentes. Seu fruto ж comestьvel, quando assado. O guaimbж, que vive tambжm no chсo, formando grande reboleira, ж tambжm planta de adorno nos jardins. Suas folhas tЖm propriedades medicinais tanto em cozimento como em maceraуKo. ╔ da famьlia das Arрceas: Philodendron Sp. (Seu жtimo tupi ж Ym-mbж, que significa planta que se arrasta, planta rasteira).

GUAINXUMA, s. O mesmo que guanxuma.

GUAIP╔, s. O mesmo que guaipeca.

GUAIPECA, s. Cсo pequeno, cusco, cachorrinho de pernas tortas, cсozinho ordinрrio, vira-lata, sem raуa definida. // adj. Pequeno, de minguada estatura. // Aplica-se, tambжm, Яs pessoas, com sentido depreciativo. // O mesmo que guaipж, guaipeva e guapeca. (Parece provir do guarani).

“DЖ-lhe uns tirшes na canela, Pra que nсo fique guaipeca.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 16).

GUAIPECADA, s. Uma porусo de guaipecas.

GUAIPEVA, s. O mesmo que guaipeca.

GUAIPEVADA, s. O mesmo que guaipecada.

GUAIQUICA, s. Pequeno animal, raro no Rio Grande do Sul.

GUAJUVIRA, s. ┴rvore (Patagonula americana) que produz excelente madeira de construусo.

GUAMERIM, s. Arbusto de pequeno porte, de madeira de extraordinрria dureza. Os revolucionрrios de 1893 preparavam lanуas com as hastes deste arbusto.

GUAMPA, s. Chifre, corno, aspa. // Chifre preparado para ser usado como copo ou como vasilha para guardar lьquidos. Hр guampas com trabalhos artьsticos, como esculturas feitas nelas a canivete, ou revestimentos de prata ou de ouro. Existem pequenas guampas, providas de uma tira de couro ou corrente metрlica fina, que sсo conduzidas na parte dianteira do serigote e usadas para beber рgua, nas travessias de rios e arroios, podendo ser enchidas de cima do cavalo. (Etim.: Parece provir do quьchua; ж vocрbulo muito usado nas RepЩblicas Platinas; no Chile dizem guampara).

“Ir ao curral e, mesmo na porteira, Uma guampa beber de leite quente, Sovar a palha e ir picando o fumo, A conversar com essa boa gente…” (MЩcio Teixeira).

“Dependuradas vasilhas de vрrias formas e guampas cheias de leite; ...” (Ovьdio Chaves, Chсo de InfРncia, P.A., Sulina/IEL, 1980, p.

21).

“Pelas tardes feiticeiras, A vagar no verde pampa

235

Ou nas coxilhas peladas, Devastava as laranjeiras Bebia apojo na guampa E errava pelas canhadas.” (Hugo Ramьrez, Cancioneiro da Estrada, Uruguaiana, Livr. Novida- de Editora, 1956, p. 32).

╔ quase incrьvel ver-se aqui nos pampas onde hр florestas de luzentes guampas faltar a carne que dр forуa e nutre! Se alguжm disso ж culpado, oculte o nome, pois a mсo de quem vЖ os filhos com fome toma a forma da garra de um abutre!” (Zeno Cardoso Nunes, Carne Racionada).

“Do nosso gado bom, gado fraqueiro, resta lр um que outro par de guampas!” (Rui Cardoso Nunes, Tropilha Perdida).

GUAMPAКO, s. Guampada. Golpe dado com a guampa. // Guampa grande, bonita, bem trabalhada.

GUAMPADA, s. Chifrada, guampaуo. Golpe dado pelo bovino, com as guampas. Pancada com uma guampa. // O lьquido contido em uma guampa.

GUAMPA-TORTA, s. Indivьduo valente, ventana, quebra, destemido. // Criador de casos, intrometido.

GUAMPEAR, v. Laуar o animal pelas guampas. // Agredir, o vacum, com as guampas ou chifres. // Ser infiel, a mulher, ao homem com quem vive.

GUAMPINHA, s. Pequena guampa, provida de uma tira de couro ou corrente fina, que o gaЩcho costuma conduzir presa Я cabeуa do lombilho, para beber рgua, sem apear-se, nas travessias de rios ou arroios. Comumente ж esculpida a canivete e enfeitada com aplicaушes de prata, e atж de ouro, fazendo parte dos arreios.

GUAMPUDO, adj. Que tem grandes chifres, chifrudo. // Diz-se, tambжm, do homem cuja mulher lhe ж infiel.

GUANXUMA, s. Guaxima. Arbusto baixo, de raьzes profundas, muito resistente. O cozimento de suas folhas e hastes ж usado para a cura da caspa e como tЗnico para o уabelo. // O mesmo que guainxuma e guaxuma.

GUAPEAR, v. Mostrar Рnimo, coragem, valor, resistЖncia: “A gauchada continua guapeando apesar de agredida por todos os lados”. Resistir Я aусo do tempo, durar: “Este poncho jр tem dez anos de uso, mas ainda estр guapeando”; “A doenуa do velho tem sido longa, mas ele vai guapeando, apesar da idade avanуada.”

GUAPECA, s. O mesmo que guaipeca.

GUAPETAКO, adj. Muito guapo, valente, animoso, valoroso. Guapetсo.

GUAPETAGEM, s. O mesmo que guapeza.

GUAPET├O, adj. Muito guapo, valente, animoso, valoroso, fanfarrсo. Guapetaуo.

GUAPETONAGEM, s. O mesmo que guapeza.

GUAPETONEAR, v. Guapear, mostrar Рnimo, coragem, valentia. // Ostentar fanfarrice, aparentar ares de valentсo.

GUAPEZA, s. ┬nimo, valor, resistЖncia, bravura, fortaleza, valentia; guapice.

GUAPITO, adj. Diminutivo de guapo.

GUAPO, adj. Forte, vigoroso, valente, bravo.

“Na terra boa e fжrtil que era tua,

236

Aperfeiуoando o arado do charrua. Para o labor das lutas pastoris, Tu – ьndio macho, Tiaraju valente – Foste o supremo chefe desta gente, Dos guapos, indomрveis, guaranis.” (Fernandes Barbosa, Sepж – o Morubixaba Rebelde, P.A., Tip. Santo AntЗnio, 1964, p. 10).

GUAPORITI, s. Fruto do guaporitizeiro.

GUAPORITIZEIRO, s. ┴rvore que vegeta em geral na beira dos rios e que produz um pequeno fruto comestьvel.

GUAR┴, s. Um quadrЩpede canьdeo, carniceiro, que vive nos banhados, hoje raro no Rio Grande do Sul. Seu couro, provido de pЖlos altos, ж apreciado para pelego. // Ave de bela plumagem cor-de-rosa (Phoenicopterus chilensis), tambжm denominada flamingo.

“Nсo se chegue pra meu lado Com manhas de sorra mansa Que eu sou guarр ressabiado Que guaipeca nсo alcanуa.” (Vargas Netto, Tro pilha Crioula e Gado Xucro, P.A., Globo, 1959, p.

34).

GUARAIPO, s. Espжcie de abelha, que produz mel muito apreciado, com propriedades medicinais. Guarapu. Essa abelha, quando pressente a aproximaусo de alguжm, pрra de trabalhar, ficando em completo silЖncio, para despistar o possьvel melador. // Em sentido figurado, aplica-se ao indivьduo ladino, velhaco, dissimulado.

GUARAPA, s. Caldo de cana.

GUARAXAIM,s. O mesmo que graxaim.

“Cobra ж bicho traiуoeiro, Guaraxaim disfarуado, Quando se sente pegado Deita e se finge de morto.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978,p. 19).

GUARDA-FOGO, s. Grande toro de lenha que conserva sempre aceso o fogo do galpсo. O mesmo que trafugueiro, chico, pai-de-fogo e mсe-do-fogo.

“O guarda-fogo ж o tiусo Onde o foguito amanhece;” (Chico Ribeiro, Filosofia Campeira, p. 20).

“O inverno. O fogсo caseiro. O guarda-fogo de angico. e as labaredas lambendo os gravetos muito secos que o braseiro retorcia.” (Ovidio Chaves, Chсo de InfРncia, P.A., Sulina/IEL, 1980, p. 14).

GUARECER, v. Restabelecer-se, fortalecer-se, sarar, melhorar de estado fьsico.

“Livre de tal solitрria O Chimango guareceu, Nсo engordou, mas cresceu E ficou mais espertinho; Foi pra casa do padrinho Que de pena o recebeu.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21.ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p, 29).

GUARIBA, s. Pelego curtido e pintado, em geral forrado de pano.

GUARUPU, s. Abelha silvestre semelhante Я mandaуaia.

GUASCA, s. Tira, correia, corda de couro cru, isto ж, nсo curtido. // Denominaусo dada aos rio-grandenses pelos filhos de outros Estados, pelo fato de neste, em vista da predominРncia da indЩstria pastoril e da carЖncia de outros materiais, haver sido generalizado o emprego do couro para as mais diversas finalidades. Esta designaусo, a princьpio, teve significado pejorativo, sendo hoje perfeitamente aceita pelos rio-grandenses que dela se orgulham.

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Denominaусo dada, no Rio Grande do Sul, pelos habitantes das cidades aos moradores da campanha. // Homem rЩstico, forte, guapo, valente. // GaЩcho, // (Pop.) O pЖnis. (Etim.: Parece provir do quichua, huasca, que significa soga, cordel). “O escasso comжrcio de couros mantido pelos jesuьtas, a dar crжdito Я observaусo de Cardiel, encontra explicaусo na urgЖncia do seu aproveitamento para diversos fins. Quanto Яs Missшes, sсo os padres Anton Sepp e Muriel que nos fornecem documentos mais caracterьsticos da chamada idade do couro. Entrava na confecусo de tudo: caixas e arcas, cestas e sacos, toldos de carretas ou embarcaушes; pelotas, redes, os prзprios caixшes mortuрrios eram feitos de couro, em vez de pregos, correias, em vez de paredes internas, armaушes de madeira revestidas de couro; retovavam-se os canhшes, e eram de couro todos os ranchos dos antigos posteiros. Refere um documento citado por Muriel e reproduzido em Teschauer: “Os couros, ainda falando dos de curso comercial, se consomem quase todos nos povos para vрrios usos… Nсo hр nas casas caixa grande nem pequena nem cesto que nсo se fabrique inteiramente de couro. Os grсos e legumes se guardam nсo em celeiros senсo em sacos de couro. De couro se fazem as correias que se usam em vez de cordas de maromas, seja para obras pЩblicas, seja para privadas, e para travar entre si os pavimentos e as estacadas. Quando o carro ou outro veьculo se estraga ou uma parte dele comeуa a apartar-se de outra, nсo se compшe com pregos, senсo com tiras de couro. A cobertura dos carros ж de couro. As escadinhas fabricadas de taquaras que usam para os galinheiros, tambжm lhes pegam couro. A maior parte dos canhшes que tЖm, sсo de madeira igualmente forrada de couro. Os botes para passar os rios que chamam pelotas, sсo inteiramente de couro. As vigotas dos edifьcios ou dos telhados se prendem, nсo com pregos como em outras regiшes, senсo com cordas de couro atж formarem grade. Suas casinhas muitas vezes as cobrem nсo com madeira mas com couro. Suas armas nсo sз as tЖm colocadas sobre um tecido de correias, mas muitas sсo inteiramente de couro. As paredes em muitas partes sсo ali uma construусo que chamam de taipa francesa e se reduz a uma grade feita de estacas e troncos travados com troуos de correia e revestida de barro”. Um viajante que passara por Montevidжu durante a sua primeira fase de construусo, observou quarenta casas de couro e sз duas de material. A mesma observaусo faria outro viajante, ao passar pelo Rio Grande, como ressalta de uma das pрginas mais interessantes de Alfredo Varela na sua Histзria da Grande Revoluусo, pрgina que poderр servir de moto a estes comentрrios, alжm de esboуar um resumo vivo da idade do couro no Continente: “Era com o couro bruto, escreve o historiador gaЩcho, que se obrava o fechamento das poucas aberturas da casota, e tinha o mesmo preponderante emprego na elaboraусo de quase todos os mзveis domжsticos: estrados dos leitos, assentos dos escabelos, forro da poltrona Щnica destinada ao patriarca. Com a pele assim

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rЩstica se faziam os apeiros da faina dominante, os laуos, maneadores, lombilhos, caronas, maneias, rжdeas, cabeуadas, sogas, cabrestos, rebenques, como em parte o arreador e as boliadeiras… Daь a alcunha de guascas. Quanto Яs habitaушes, Strasser, que nos visitou por essa remota quadra, ao pintar o que era a nascente presьdio, mais tarde nossa primeira vila, menciona o palрcio do regedor local… Em seu torno havia algumas construушes, retangulares sempre, cobertas de telha ou palha, mas, na quase totalidade, nсo ultrapassavam as da gente do comum, junto Яs devesas ou potreiros, cortes ou invernadas, currais ou mangueiras das pрtrias estРncias. Isto ж, forradas por inteiro de couro incurtido. Por inteiro, do teto Я base; madeira unicamente a da armaусo interna”.

Nсo serр redundРncia abrir o livro de Saint-Hilaire e assinalar as pрginas 88 e 90, onde podemos ver confirmado em pleno sжculo XIX o mesmo complexo cultural: “Les estanceiros (sic) tuent un grand nombre de bestiaux pour leur nourriture (observam os seus olhos infatigрveis), mais la consommation des cuirs est Я peu prУs dans la mЖme proportion, parce que, comme je l’ai dit, on les emploie dans ce pays Я mille usages diffжrents”. E veja-se nesta vinheta final um verdadeiro sьmbolo dessa fase de transiусo: “No transporte de areia e tijolos ж usado, Я guisa de carreta, um couro, puxado por dois bois, que por sua vez sсo atrelados por meio de uma corda de couro.” Tudo isto estр contido do vocрbulo Guasca, sьntese daquela idade, alcunha um tanto crua com que se cognominaram os nossos campeiros, generalizada mais tarde entre os brasileiros do norte para designar indistintamente os filhos do Rio Grande. Em Coruja e Romaguera Correia ainda vem a palavra com laivos da sua origem, apresenta-se de certo modo como dictЖrio, pois reflete a opiniсo do pracista que deseja apartar-se do homem da campanha, ou do nortista um tanto desdenhoso. Mas o sentido predominante acabou desbancando qualquer restriусo no seu uso, a ponto de manifestar-se neutro na obra de um dos nossos escritores mais ponderados na economia da frase: Machado de Assis. No Quincas Borba, diz D. Fernanda a Carlos Maria, referindo-se, em caloroso elogio, a uma filha do Rio Grande: – “╔ uma guasca de primeira ordem”. Guasca, aliрs, nсo tardou muito em corresponder a uma intenусo elogiosa, a ser pronunciado como um tьtulo de hombridade e destemor, o que transluz do nosso populрrio. Falava-se em guasca largado como quem dissesse quebra largado, torena, monarca das cochilhas. Como quem diz – gaЩcho. (Augusto Meyer, GaЩcho, Cadernos do Rio Grande, P.A., Globo, 1957,p. 11-15). “Utilizado praticamente para todos os fins, o couro cru deu origem ao apelido de guasca ao nosso homem do campo, termo que, de seu primeiro sentido depreciativo passou a ter, mais tarde, uma significaусo lisonjeira, ‘um tьtulo de hombridade e destemor’.” (Rita Canter, Impressшes Regionalistas e Outras CrЗnicas, P.A., Ed. Difusсo de Cultura, 1962, p. 26).

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“Coice vil de gente manca Na honra e brio da alma guasca E patada de potranca Em pau-ferro, que nсo lasca.” (Padre Pedro Luiz, O GЖnio do Pampa, p. 50).

“Brigada de guascas, de aуo forjado no fogo das lutas do pampa viril, Brigada, жs a glзria do nosso passado, Brigada, жs a guarda do nosso Brasil.” (Zeno Cardoso Nunes, Brigada GaЩcha).

GUASCAуO, s. Pancada, golpe dado com guasca. Relhaуo, relhada, chicotada, chibatada, correada, aуoite, guascada, guasqueada. // Lembranуa, recordaусo grata: “O guascaуo da saudade”, isto ж, a saudade originada por lembranуas, por recordaушes gratas. (Etim.: Do americanismo guascazo).

“A fisionomia do homem fechada nos limites do barbicacho com os movimentos marcados pelos guascaуos do minuano pela cara.” (Clзvis Assumpусo, Marcado pelos Guascaуos do Minuano, Canoas, Fd. La Salle, 1977, p. 13).

GUASCADA, s. Grupo ou reuniсo de guascas. // Guascaуo, pancada com guasca. // Guascaria.

GUASCA LARGADO, s. Valente, disposto, destemido, forte.

GUASCARIA, s. Grande quantidade de tiras de couro cru, ou guascas. // Casa que vende guascas. // Muitos camponeses.

GUASQUEAК├O, s. Ato de guasquear.

GUASQUEADA, s. O mesmo que guascaуo. // Exercьcio a que ж submetido o parelheiro: “Amanhс vou dar uma guasqueada no meu cavalo”, isto ж, vou fazЖ-lo correr, castigando-o com o rebenque, ou guasca, para ver do que ele ж capaz.

GUASQUEADOR, s. e adj. Indivьduo que guasqueia, ou seja, que dр pancadas com guasca, chicote ou relho; que gosta de castigar o animal que monta. // Diz-se de ou o indivьduo que submete o parelheiro Я guasqueada.

GUASQUEAR, v. Surrar, aуoitar, espancar, chicotear, fustigar com guasca ou com qualquer outro aуoite.

“Era como capivara E guasqueando o malacara Com seu rabo-de-tatu Pinchou-se nрgua e gritou.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 43-45).

GUASQUEAR O PARELHEIRO, expr. Submeter o cavalo de corrida a uma carreira simulada, antes da verdadeira, para tirar-lhe o tempo.

GUASQUEIO, s. Ato de guasquear.

GUASQUEIRO, s. Pessoa que trabalha em guascas. // Adj. Raro: “Os cobres andam guasqueiros e o pior ж que nсo se encontra serviуo em parte alguma”.

“Na campanha sempre existiram os guasqueiros, os homens que do couro cru fazem verdadeiras obras-primas nas tranуas, nos passadores, nos botшes de tento fino e em muitos trabalhos que exigem muita paciЖncia, muito boa memзria para saber resolver de cor os intrincados da trama dos tentos, que ж um verdadeiro quebra-cabeуa.” (Luiz G. Gomes de Freitas, Gauchadas, 1957, p. 201). “O chiru velho, de cara retovada, achego antigo da venda, guasqueiro de profissсo, arrastou o cepo para

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baixo do galpсo aberto, donde se via a cancha pisoteada e deserta, sentou a faquinha na baiana, e empeуou a desquinar uns tentos, devagar. (Cyro Martins, Paz nos Campos, P.A., Globo. 1957. p. 16).

GUASQUINHA, s. Diminutivo de guasca. Aplica-se tanto a tiras de couro cru como a pessoas.

GUASSATUNGA, s. Casearia inae quilatera, Camb. ┴rvore cujas flores sсo muito apreciadas pelas abelhas, produzindo excelente mel. A madeira desta рrvore ж inadequada para qualquer construусo, pois suas fibras rompem-se facilmente. Suas folhas, em infusсo, sсo usadas para tratar a picada das vьboras, tendo, ainda, diversas outras aplicaушes medicinais. Tambжm ж classificada como Cascaria parvifolia. Pertence Я famьlia Bizaceae.

GUATAMBU, s. ┴rvore da famьlia das Apocinрceas.

GUATAPAR┴, s. Espжcie de veado do mato.

GUAVIROVA, s. O mesmo que guabiroba.

GUAVIROVEIRA, s. O mesmo que guabirobeira.

GUAXA, s. Rebenque curto e grosso usado para doma.

“Guaxa: Espжcie de rebenque que tem o cabo muito curto e grosso e a soiteira chata, isto ж, em forma de tala, nсo atingindo em seu todo mais de noventa centьmetros. ╔ o relho usado para domas, porque, segundo os domadores, quando bate, estala, assusta o potro, mas nсo o machuca. Compшe-se de fiel, cabo, palmatзria e tala que ж uma soiteira chata. O fiel ж feito de uma tira chata, de couro, que serve de pegamсo. O cabo, que ж retovado de couro cru, nсo ultrapassa a trinta centьmetros. No arremate do cabo com a tala os caprichosos usam corredores que fixam a palmatзria ao retovo e Я tala. Esta, de couro sovado ou garroteado, deverр ter dez centьmetros de largura por sessenta, mais ou menos, de comprimento.” (Gregзrio Antзnio Bonilla, Pesquisa).

GUAXO, s. O mesmo que guacho.

GUAXUMA, s. O mesmo que guanchuma.

GUECHA, s. O mesmo que gueixa.

GUECHINHA, s. Diminutivo de guecha.

GUEIXA, s. Mulher nova e bonita. Potranca, poldra, жgua nova. // ╔gua, жgua velha, mula.

“s. жgua adulta. ╔ termo muito em voga em todo o Estado do R.G. do Sul. Em certas regiшes substitui a palavra жgua, que a gente inculta considera pouco delicada ou feia, para ser pronunciada em roda ou perante pessoas de respeito. Vem aqui a propзsito lembrar uma passagem de que fui testemunha. Um indivьduo no Municьpio de Palmeira, veio Я presenуa da autoridade queixar-se de que lhe haviam roubado uma жgua, assim se expressando: “Com perdсo da mр palavra, a жgua foi roubada na noite passada.” R. Corrжa (ob. cit.) dр para esse vocрbulo a significaусo de mula, com a etimologia de hechor. Confesso-me, entretanto, surpreendido com tal significado. Talvez alguma vez por apodo, tenha o ilustre autor ouvido, mas posso aqui deixar registrado que nсo ж ele assim usado no R.G. do Sul. – R. Callage (ob. cit.) registra o vocрbulo como жgua velha. Outra opiniсo com a qual absoluta-

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mente nсo posso concordar, em que me pese o nome ilustre do finado patrьcio. Encontra-se no dialeto aуoriano a palavra guecho, significando o animal ainda novo, o novilho. Assim, pois, nсo temos dЩvida de que a palavra nos veio daquele arquipжlago, e que no R.G. do Sul sз se aplica no feminino, e somente Я жgua. ╔ sabido que na fronteira o vocрbulo ж quase desconhecido, ao passo que na zona do Estado onde a influЖncia aуoriana ж indiscutьvel o seu uso ж correntьssimo. Na gьria de carreira, por desprezo, se diz que o cavalo do adversрrio ж guecha.” (Moraes).

GUENZO, adj. Fora de prumo; que foi tirado de sua posiусo normal; inclinado; pendido para um lado; inseguro; bamboleante.

GUERREIRO, adj. Diz-se do cavalo que, cansado dos trabalhos nas forуas beligerantes, ou delas desgarrado, vai parar nas estРncias sem que se saiba quem ж seu dono.

GUINCHA, s. Poldra, potranca, жgua nova, gueicha. //) Mulher despudorada.

“Ele sз olhava-lhe para as ancas, e os seios, e para a grossura dos braуos; era, – mal comparando -,como um pastor no faro de uma guincha…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 23).

GUINILHA, s. O cavalo andador, de marcha muito apressada e incЗmoda.

GUISADO, s. Picadinho de carne fresca ou de charque.

GUITA, s. Soldado de polьcia. Tem sentido depreciativo.

GURI, s. Crianуa, menino, piazinho, serviуal para trabalhos leves nas estРncias.

GURITA, s. Corruptela de guarita. Denominaусo dada a certos altos, de formas caprichosas, de imponente aspecto, existentes na Serra de Caуapava, em lugar de difьcil acesso, Я margem esquerda do rio Camaquс. As guritas estсo ligadas Я histзria do Rio Grande, pois, nelas, se reuniram para deliberar, muitas vezes, os revolucionрrios de 1835,1893, 1924 e 1926.

GURIZADA, s. Rapazio, meninada, muchachada, gurizeiro.

GURIZEIRO, s. Gurizada; grupo de guris, grupo de moуas.

GURIZINHO, s. Diminutivo de guri.

GURIZOTE, s. Guri jр um pouco crescido, mocinho.

GURNIR, v. O mesmo que grunir.

GURUPI, s. Pessoa que, nos leilшes, faz lances falsos elevados, de combinaусo com o leiloeiro, para aumentar o preуo das mercadorias que estсo sendo vendidas. Intrometido, leva-e-traz, alcoviteiro.

GUSSANO, s. Gusano, verme.

GUSTAR, v. Gostar, apreciar, admirar. (Esp).

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H

H┴ CACHORRO NA CANCHA, expr. Significa que hр qualquer coisa atrapalhando a execuусo de determinado plano, assim como um cсo na raia atrapalha a corrida.

HAEDO, s. Coxilha localizada no sul do municьpio de Livramento.

HARAGANAR, v. O mesmo que haraganear.

HARAGANEAR, v. Andar solto o animal por muito tempo, sem prestar serviуo algum, tornando-se arisco. // Em sentido figurado, aplica-se Яs pessoas, significando vadiar, gauderiar, vagabundear, andar sem ocupaусo, passear de um Lado para outro sem procurar serviуo. // O mesmo que haraganar, haranganear e araganear.

HARAGANO, adj. Diz-se do cavalo que por haver estado solto durante muito tempo, sem prestar serviуo, tornou-se arisco, espantadiуo. // Em sentido figurado, mandriсo, velhaco, vagabundo, vadio, ocioso, preguiуoso, esperto, vivaracho, matreiro. Var.: aragano. (Etim. ╔ palavra castelhana com o significado de mandriсo, ocioso, preguiуoso, e diz-se de quem foge ao trabalho e vive na ociosidade).

“Hр o gaudжrio e o teatino, gaЩchos bem araganos, que tжm como seu destino o destino dos ciganos.” (Hжlio Moro Mariante, Fronteira do Vaivжm, P.A., Imprensa Oficial do Estado, 1969, p. 30).

“No verso laуo o minuano esse corcel hara gano que dos Andes vem, bravio, escramuуar na coxilha, comandando a gris tropilha dos dias de neve e frio!” (Rui Cardoso Nunes, Rodeio Serrano).

“E no chegar do solstьcio da luz do Direito Justo, teu grito nсo trarр susto como este livro agourento, que agora eu solto hara gano como pastor orelhano pras жguas do Pensamento…” (Lauro Rodrigues, A Canусo das ┴guas Prisioneiras, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 125).

“Segue, carreta, segue com teu destino haragano. Eu tambжm sigo o destino no brete do desengano.” (Luьs Alberto Ibarra, Canусo do Sul, P.A., Secretaria da Agricultura, 1958, p. 28).

HARANGANEAR, v. O mesmo que haraganear.

“... castelhanos de pinta na tes-

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ta, haranganeando em viagens de sair ao escurecer e voltar de manhс...” (Darci Azambuja,No Galpсo).

HARANGANO, adj. O mesmo que haragano.

HARPISTA, adj. O mesmo que arpista.

HARPISTAR-SE, v. O mesmo que arpistar-se.

HASTE, s. Planta da famьlia das Mirtрceas (Eugenia chartacea), cujo tronco linheiro presta-se para a fabricaусo de hastes de lanуa.

H┴STIA, s. Corruptela de haste.

HAVERA, v. Corrupусo de havia.

HECHOR, s. Asno ou burro que serve de garanhсo para fecundar as жguas, a fim de promover a hibridaусo de que resulta o gado muar, isto ж, as mulas. O mesmo que burro-choro, (Etim,: ╔ vocрbulo castelhano antiquado e significa fazedor).

HEP, interj. Usa-se no campo para excitar os animais a andarem. O h ж aspirado.

HER╔U, s. Herdeiro, dono, proprietрrio. (Ant. em Portugal).

HOM!, interj. Hum!

HORNEIRO, s. O mesmo que Joсo-de-Barro. (Cast.).

“Companheiro do gaЩcho Joсo-de-Barro ou Joсo-Barreiro, tambжm o chamam de homeiro os gaЩchos castelhanos, a esse pрssaro aragano, habilidoso pedreiro.” (Cardo Bravo, Joсo-de-Barro, poema).

HORTELEIRO, s. Hortelсo.

HOSCO, adj. O mesmo que osco.

HOSPE, s. Corruptela de hзspede.

“E nсo havia hospe que tivesse comido daquela mesa ou dormido naquele teto,” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A.,Globo, l973,p. 111).

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I

IAP┴, s. O mesmo que inhapa.

IBICUI, s. Afluente do rio Uruguai que nasce no municьpio de Santa Maria, banha Sсo Gabriel, Rosрrio, Alegrete e Uruguaiana, Я esquerda, e Sсo Pedro, Sсo Vicente, Sсo Francisco de Assis e Itaqui, Я direita.

“O Ibicuьж um extraviado que desgarrou da tropilha. Na fralda duma coxilha sobre as pontas dum banhado nasceu flaquito, aperreado na Serra de Sсo Martinho. Cresceu e tranqueou sozinho como gaЩcho teatino peleando com o destino e abrindo o prзprio caminho.

Tudo lhe veio ao contrрrio atж a lei da gravidade Preferiu a liberdade a ser mero caudatрrio. Virou a revolucionрrio tomou rumo da fronteira e ponteando a montonera da qual se tornou caudilho o velho guasca andarilho percorre a campanha inteira.” (Guilherme Schultz Filho, Galponeiras, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981, p. 112).

IBIROCAI s. Arroio, afluente do Ibicuь, da margem esquerda; fica entre os municьpios de Alegrete e Uruguaiana.

IDO, adj. Corrido (gьria do rinhedeiro).

IGUALA, s. Igualha. Igualdade de condiусo, classe, posiусo ou categoria social.

ILHAPA, s. A parte mais grossa do laуo, presa Я argola, tendo de quatro a cinco palmos de comprimento. A ilhapa ж feita separadamente do corpo do laуo e a ele ligada por uma trama especial feita com os prзprios tentos. A razсo da maior grossura e de ser separada, ж sofrer ela atrito e desgaste mais intensos, podendo ser substituьda quando necessрrio. O peso da ilhapa tem, tambжm, importРncia no manejo do laуo, influindo nas condiушes de equilьbrio necessрrias Я perfeita movimentaусo da armada.

“Quando pego no meu laуo Desde a ilhapa atж Я presilha, Retine que nem um aуo Nas guampas de uma novilha” (Popular)

IMBA, s. Buraco no chсo em que, no jogo de gude, deve entrar a bola.

IMBIRA, s. Arbusto de cuja casca se preparam cordas. ╔ planta considerada tзxica. Hр as variedades branca, Daphnopsis racemosa, e vermelha, RoIlimia salicifolia, aquela da famьlia das Thimeliacea, e esta das Amonaceae. Embira.

IMITANTE, adj. Parecido, semelhante.

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IMPERADORICE, s. Condiусo, posiусo de imperador.

IMUND═cIE, s. Grande quantidade, abundРncia: “Era uma imundьcie de caуa”, isto ж, havia caуa em grande quantidade.

“Eguada xucra, potrada orelhana, isso, era imundьcie, por esses campos de Deus; miles e miles!” (Simшes Lopes, Contos (Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 45).

INANA, s. Luta, briga, conflito.

INCHADO, adj. Diz-se do fruto ainda nсo bem maduro. // Envaidecido, lisonjeado, cheio de si, faceiro.

INCHAR, v. Atingir o fruto o estado de quase maduro. // Envaidecer-se, ficar lisonjeado, faceiro, cheio de si.

INCHERIDO, adj. Convencido, metido, presumido, ganjento.

INCHUME, s. Inchaуo, inchaусo, calombo, tumor.

INКO, s. Plantas daninhas que medram nos terrenos cultivados.

INCOMODATIVO, adj. Incomodador.

INDIADA, s. Grupo de gaЩchos, gauchada. Peonada. Agrupamento de homens.

INDIADO, adj. Indiрtico. Diz-se do individuo da cor do nosso indьgena.

NDIO, s. Homem do campo. Peсo de estРncia. Indivьduo valente, bravo, disposto, destemido, valoroso.

“Este ano (1932) assinalou tambжm o aparecimento de um magnьfico poeta regionalista, Joсo Otрvio Nogueira Leiria, ьndio dos “Campos de Areia” de Sсo Chico de Assis.” (Pedro Leite Villas-BЗas, Um Quarto de Sжculo de Literatura Rio-grandense 1929-1954, in Revista da Academia Rio-Grandense de Letras n║ 1, P.A., 1980, p. 129).

NDIO-VAGO, s. Vagabundo, malandro, gaudжrio. // Pessoa que viaja muito.

INDIV═DUA, s. Feminino de indivьduc entre gente inculta.

INDUSTRIALISTA, adj. Industrial.

INFERNIZADO, adj. Diz-se do indivьduc que estр aborrecido, arreliado, irado, enfadado, incomodado, apoquentado, amargurado.

INFERNIZAR, v. Aborrecer, impacientar, arreliar, enfadar, incomodar, apoquentar, amargurar.

INFLADOR, s. Bomba manual para inflar pneumрticos.

INGRIBA, s. Disputa, questсo, contenda, desaguisado, conflito, rixa, confusсo, desordem.

INHANDUV┴, s. ┴rvore da famьlia das leguminosas, que produz excelent madeira. Os gaЩchos primitivos a utilizavam para a feitura de seus freios. O mesmo que nhanduvр e nhanduvai.

INHAPA, s. O que o vendedor dр de presente ao comprador, alжm do que este adquiriu mediante pagamento; o que se recebe alжm do combinado. O mesmo que anhapa, aiapa, lapa e mota. (Etim.: No quьchua se encontra yapa ou yapana com a significaусo de coisa dada pelo vendedor, alжm do que foi vendido).

INHATIUM, s. Arroio no municьpio de Sсo Gabriel.

INHATO, adj. Que tem nariz curto e arrebitado; que tem nariz chato; o mesmo que chimbж.

INH╔, s. Onomatopжia designativa da voz dos sapos e das rсs.

INQUIZILAR, v. Impacientar, importu-

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nar, incomodar, aborrecer, zangar.

“Nunca se vira tamanho bochincho. Um serviуo tсo sem patrсo. E dirigido pela Lei. Era aquela correria de teses e cuscos. Apartaушes Я toa. Com um mundarжu de gente a inquizilar a criaусo. E a berraуada infernal da vacaria. E o berreiro da terneirada que parecia choramingar,” (Aureliano, Memзrias do Coronel Falcсo, P.A., Ed. Movimento, 1974, p. 178).

INSTORMENTO, s. Corruptela de instrumento.

“Foi logo direito aos troуos, Trouxe de lр o instormento,” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978.p. 15).

INSTROVENGA, s. Instrumento ou mрquina, de pouco valor.

“Essa instrovenga nсo aprovou. Rebenta mais do que caminha.” (Darcy Azambuja,No Galpсo, P.A., Ed. Globo, 1960, p. 43).

INT╔, prep. Atж. Significa, tambжm, “atж logo”, atж outra vistaњ.

INTEIRO, adj. Diz-se do animal nсo castrado. Diz-se tambжm de um animal que, apзs uma viagem ou trabalhos prolongados, ainda estр na plenitude de suas forуas.

INTENDENTE, s. Prefeito de municьpio, antigamente.

INTENTOR, s. O que propшe demanda ou que intenta aусo.

INTERTER, v. O mesmo que entreter.

INTICANCIA, s. Desafio, provocaусo.

INTICANTE, adj. O que intica; provocante. O mesmo que enticante.

INTICAR, v. Provocar, desafiar, mecher com alguжm. O mesmo que enticar.

“Meio chumbeado, arrastando Chilena e mango no chсo Com todos foi inticando Quebrando a paz do galpсo.” (Lourival Leite Villas-BЗas, Fandango no Galpсo).

INTIMAК├O, s. Ostentaусo, bazзfia.

INTRUSAR-SE, v. Usurpar um cargo, uma autoridade, uma jurisdiусo.

INVENTIVEL, adj. Que nсo se pode achar ou inventar.

INVERNADA, s. Grande extensсo de campo, cercado. Nas estРncias, geralmente, hр diversas invernadas: para criar, para engordar, para cruzamentos de raуas, para desterneirar vacas, etc. // Usa-se, tambжm, em sentido figurado.

“Na invernada do abandono vou cumprindo meu destino, como cachorro sem dono, como cavalo teatino.” (ZCN)

INVERNADOR, s. Pessoa que tem como profissсo engordar bovinos para o corte.

INVERNAGEM, s. Ato de invernar.

INVERNAR, v. Dedicar-se Я profissсo de invernador. Colocar o gado destinado Я engorda em certa invernada. // Ficar a pessoa, a comitiva, a tropa, impossibilitada de seguir viagem devido ao mau tempo. Ir a um lugar e lр demorar-se mais do que se esperava.

INVERNISTA, s. Invernador.

INVITAR, v. Convidar, oferecer.

INVITE, s. Convite. Convite para jogar. // Oferecimento de uma coisa.

IP╔, s. IpЖ. (No Rio Grande do Sul, esta palavra ж pronunciada geralmente com

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o e aberto). Madeira de lei e planta medicinal.

“Hр trЖs espжcies desta madeira de lei: amarelo, preto e azul. Este Щltimo ж o mais raro e o melhor. Uma carreta deste passa de pais a filhos e chega aos netos. O preto tem o segundo lugar. O amarelo ж o Щltimo.” (Lothar F. Hessel, Os Glossрrios de Joсo Mendes da Silva, P.A., Graf. da Universidade do Rio Grande do Sul, 1959, p. 15).

IRAMIRIM, s. Uma variedade de abelhas que fazem sua casa em buracos, no chсo, fabricando mel de excelente qualidade. Essas abelhas sсo comuns nas Missшes e em toda a regiсo serrana. Sсo desprovidas de ferrсo.

IR AO CEPO, expr. Ir para o lugar de namoro. Ir o noivo fazer a corte Я sua noiva. (P. us.).

IR AO PELEGO, expr. Esbordoar, espancar, surrar alguжm.

IR AOS P╔S, expr. Defecar.

IRAPU┴, s. Abelha silvestre que faz um mel vermelho e desagradрvel, que tambжm toma o nome de mel de irapuci. Embora nсo seja venenosa como a abelha da Europa, ela agride o homem, sendo dolorosas as suas ferroadas. (Vem do guarani, ira-puР, que significa colmжia suspensa).

IRATIM, s. Variedade de abelha silvestre, existente em Cima da Serra, que produz grande quantidade de cera e um mel que ж doce no verсo e amargo no inverno.

“Esta abelha faz o mel nos ocos dos paus e na porta faz um canudo de uma resina semelhante Я cera que termina em forma de trombeta. A porta do Iratim ж considerada, pelos roceiros, como anti-histжrica, devendo para isso ser queimada nas brasas em recinto fechado onde o doente possa receber a fumaуa. ╔ crenуa dos moradores da Serra que o mel do Iratim embriaga quando se bebe no mato e que apзs a ingestсo se pronuncia a frase: “Vamos embora”. Dizem eles que a pessoa que bebe esse mel, proferindo essa frase, entontece e logo adormece nсo podendo sair do mato senсo muitas horas depois.” (Joсo Cezimbra Jacques, Assuntos do Rio Grande do Sul, P.A., Oficinas Grрficas da Escola de Engenharia, 1912, p. 202).

IR NO PACOTE, expr. Ser logrado, enganado, iludido.

IR PARA O CEPO, expr. Emparelhar os cavalos para a carreira, no laуo de saьda, de onde arrancarсo sem partidas a um sinal do juiz. // Ir para a obrigaусo. // Ir conversar com a namorada.

IR PAR└ O LAКO, expr. Submeterem, as pessoas em contenda, o seu caso Я apreciaусo judicial, quando nсo conseguem soluусo amigрvel. // Ir para o castigo.

“Quem resmunga vai pra o laуo Pois a regra ж obedecer.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 71).

IR POR UM CANHAD├O ABAIXO, expr. O mesmo que despenhar-se por um canhadсo abaixo.

IR-SE, v. Morrer.

IR-SE A LA CRIA, expr. Largar-se na estrada, ir embora. O mesmo que mandar-se a la cria.

ISABEL, adj. PЖlo de cavalo de cor entre branca e amarela. Cor de camurуa. Cor baуa, pardacenta. (P. us.).

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ISCA, s. A mecha que se coloca no isqueiro. Nos antigos avios de fogo, de guampa ou porongo, se usava como isca pedaуos de pano de algodсo, parcialmente queimados, os quais eram acesos por faьscas produzidas pelo atrito de um pedaуo de lima, chamado fuzil, com a pedra-de-fogo.

“A isca! – cuЖ puna! – tinha virado em pirсo, pois eu jр nem tinha fio enxuto. Ao demais, frзfo eu nunca usei na minha vida. Nem quero simiante luxo, que eu nao troco p’lus meus avio.” (Lжo Tito, Aventuras de um Tropeiro, P.A., Gundlach, 1940, p. 9).

ISCAR, v. Atiуar, aуular o cсo para agredir.

ISONERO, adj. Desassossegado. sem descanso.

ISQUEIRO, s. Aparelho para acender o cigarro, constituьdo de pequeno recipiente de guampa ou de porongo dentro do qual ж colocada a isca, de pedra-de-fogo e de fuzil. O fuzil ж, geralmente, um pedaуo de lima.

ITAIMB╔, s. O mesmo que taimbж.

ITAMB╔, s. O mesmo que taimbж.

IXE!, interj. Indica desdжm ou ironia.

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J

JAC┴, s. Cesto grande feito de taquara, com uma alуa de couro cru de cada lado, destinado a transportar coisas em cargueiro. (Os jacрs sсo pendurados Я cangalha, um de cada lado do animal. A carga completa que o animal conduz ж de seis arrobas, trЖs em cada jacр, ou seja, 90 quilos ao todo).

J┴-COMEКA, s. Comichсo, coceira, sarna.

JACUBA, s. Bebida-pirсo que se prepara com рgua quente, farinha de mandioca e aуЩcar. └s vezes, a рgua ж substituьda por cachaуa ou leite e o aуЩcar por mel. A jacuba preparada com cachaуa ж tida como excelente remжdio para diarrжia.

JAGUAN╔, adj. Diz-se do animal que tem o fio do lombo e a barriga brancos e o lado das costelas vermelho ou preto, donde o jaguanж-vermelho e o jaguanж-preto; Aplica-se ao gado vacum, e tambжm, muito raramente, a outros animais. (Etim.: ╔ vocрbulo guarani, com a significaусo de cachorro fedorento, ou seja, o nosso zorrilho, animal de cor preta com duas listras longitudinais na parte superior do corpo).

“O tatu foi encontrado Lрno serro de Bagж, De bola e laуo nos tentos, Atrрs de um boi jaguanж.” (Popular).

JAGUARA, s. Cсo ordinрrio.

JAGUARAO, s. Nome dado a um campo de boa qualidade, onde o pasto estр muito alto, a ponto de dobrar-se. (P. us.).

JAGUATIRICA, s. Carnьvoro felьdeo, tambжm chamado maracajр e gato-do-mato-grande.

JANTAROLA, s. Jantarсo, jantar opьparo, banquete.

JAPA, s. O mesmo que inhapa.

JARACATI┴, s. ┴rvore da famьlia das caricрceas, existente no alto Uruguai.

JARARACA, s. Nome de uma das mais venenosas cobras do Rio Grande do Sul (Botropus jararacae). // Mulher feia, faladeira, intrigante.

JARARACA-CRUZEIRA, s. Cruzeira, urutu.

JARARACA-DA-PRAIA, s. Cobra da famьlia dos Viperьdios (Lystrophis dorbignyi, D. B.), existente no Rio Grande do Sul.

JARAU, s. Cerro existente no municьpio de Quaraь, no Rio Grande do Sul, onde, conforme lenda do tempo das Missшes Jesuьticas, estavam escondidas grandes riquezas.

JARDINEIRA, s. Carro de quatro rodas, puxado por cavalos, muito usado nas estРncias. // Danуa antiga.

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JARUVA, s. Espinilho. ii Danуa antiga, usada em festejos pЩblicos.

J┴ SE VIERAM, expr. Maneira usual de se manifestarem os assistentes de uma carreira por ocasiсo da largada.

JATA═ s. Abelha amarela que faz um mel muito doce.

JEITO, s. Direусo, rumo: “Siga no jeito daquela coxilha atж varar o arroio”, isto ж, siga na direусo daquela coxilha… (V. a expressсo chegar a jeito).

JERIV┴, s. Jeribр. Espжcie de palmeira existente em diversos pontos do Estado. As folhas do jerivр podem ser utilizadas como trato para animais. // Fig.: Pessoa muito alta e magra. O mesmo que jerivр-sem-folhas.

JERIV┴-SEM-FOLHAS, s. Pessoa muito alta e magra.

JERIVAZAL, s. Terreno onde hр grande nЩmero de pжs de jerivр.

JERIVAZEIRO, s. O mesmo que jerivр.

JERRA, s. Banquete campestre, piquenique.

JETA,s. Azar, mр sorte.

JIBМIA, s. Cobra lendрria no Rio Grande do Sul. (Diz Moraes que nunca se constatou a existЖncia desse ofьdio no Rio Grande do Sul).

“A cobra jibзia que comeu tantos olhos de viventes.” (Darcy Azambuja, No Galpсo).

JINJIBIRRA, s. Espжcie de cerveja de gengibre, outrora muito usada em Porto Alegre, principalmente nos festejos de Natal.

JIRAU, s. Construусo rЩstica constituьda de uma espжcie de leito ou soalho, em geral feito de varas brutas, destinado a receber produtos da lavoura ou da pecuрria, ou o que nele se queira guardar. Armaусo onde se deposita a erva-mate para secar. Pode ser coberto ou descoberto, construьdo sobre as linhas das casas ou galpшes, suspensos por cordas, ou em armaушes especiais. // Sзtсo.

JO┴, s. Frutinha de cor encarnada caracterьstica, comestьvel, porжm nсo apreciada.

JOANINHA, s. Jacundр. // Alfinete de seguranуa.

JO├O-BARREIRO, s. O mesmo que joсo-de-barro.

JO├O-DE-BARRO, s. Ave da familia dos Dendrocolaptьdeos (Furnarius rufias Gm.), muito comum no Rio Grande do Sul, tambжm chamada joсo-barreiro, barreiro, forneiro e horneiro.

“Sз eu sei, que de emoусo da minha alma se extravasa, vendo o casal de barreiros que enfeita a frente da casa.

Tem altivez e arrogРncia de um taura que foi caudilho sempre alerta e cauteloso, a mсo campeando o gatilho.

Ouvindo um canto mais alto parece que se empertiga. – Herзi fronteiro do pago pensando em forуa inimiga.

Tem sempre o todo altaneiro de um lanceiro de vanguarda, arroubos de rebeldia da guapa cria galharda. (Josж de Figueiredo Pinto, Conversa com Joсo – Barreiro, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970, p.

131-33).

“Agora o vejo em diferente aspeto, Na sua atividade de engenheiro Ou mais exatamente de arquiteto Reconhecido pelo mundo inteiro.

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A obra milenar do prзprio teto Executa-a, paciente, o Joсo-barreiro. De barro faz um sзlido concreto Que resiste ao inverno traiуoeiro. Antevendo o quadrante da tormenta, A frente da morada, nesse inverno, Para o lado contrрrio, entсo, a orienta. E, cioso do romРntico agasalho, Para o idьlio de amor mais doce e terno, Assenta o ninho no mais forte galho!” (Roberto Osзrio JЩnior, Horizonte do Pago, Canoas, Ed. La Salle, 1970, p. 37).

JO├O-FERNANDES, s. Denominaусo de uma das variedades de bailes campestres chamados geralmente fandango.

JO├O-GRANDE, s. Pessoa alta.

JOGADOR, s. Osso do peito das aves, em forma de forquilha.

JOGAR A MANO, expr. O mesmo que jogar de mano.

JOGAR DE MANO, expr. Jogar em combinaусo com outrem, comprometendo-se, ambos, a dividirem entre si, igualmente, os lucros ou prejuьzos. // Jogar um contra o outro, em igualdade de condiушes.

JOGAR O PELEGO, expr. Arriscar a vida.

JOGO DO OSSO, s. Jogo muito usado na fronteira, principalmente pela baixa camada social. Consiste no arremesso de um osso de garrсo de vacum, chamado tava ou taba, sobre uma cancha plana, de chсo nem muito duro nem muito mole. Se o osso cai com o lado arredondado para baixo ж culo e perde quem o arremessou. Se fica para baixo o lado chato do osso ж suerte e ganha quem efetuou o lanуamento. Se ficar equilibrado sobre uma das extremidades, ocorre uma clavada. Ao lado da raia fica o depositрrio da parada, chamado coimeiro.

“VancЖ sabe como se joga o osso? Ansim: Escolhe-se um chсo parelho, nem duro, que faz saltar, nem mole, que acama, nem areento, que enterra o osso. ╦ sobre o firme macio que convжm. A cancha com uma braуa de largura, chega, e trЖs de comprimento; no meio bota-se uma raia de piola, amarrada em duas estaquinhas ou mesmo um risco no chсo, serve, de cada cabeуa da cancha ж que o jogador atira, sobre a raia do centro: este atira daqui pra lр, o outro atira de lр pra cр. O osso ж a taba, que ж o osso do garrсo da rЖs vacum. O jogo ж sз de culo ou suerte. Culo ж quando a taba cai com o lado arredondado pra baixo: quem atira assim perde logo a parada. Suerte ж quando o lado chato fica embaixo: ganha logo e sempre. Quer dizer: quem atira culo perde, se ж suerte ganha e logo arrasta a parada. Ao lado da raia do meio fica o coimeiro que ж o sujeito depositрrio da parada e que a entrega logo ao ganhador. O coimeiro tambжm ж que tira o barato – para o pulpeiro. Quase sempre ж algum aldragante velho e sem-vergonha, dizedor de graуas. ╔ um jogo brabo, pois nсo ж? Pois hр gente que se amarra o dia inteiro nessa cachaуa e parada a

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parada envida tudo: os bolivianos, os arreios, o cavalo, o poncho, as esporas. O facсo nem a pistola, isso, sim, nenhum aficionado joga; os fala-verdade ж que tЖm de garantir a retirada do perdedor sem debocheira dos ganhadores… e, cuidado… muito cuidado com o gaЩcho que saiu da cancha do osso de marca quent!...” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1957,p. 213).

“Surgem brigas e facadas e brigam as namoradas, roubam no jogo do osso. a cachaуa vai rolando sendo tudo um alvoroуo.” (Olyntho Sanmartin, Santo Antсo Abade, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970, p. 289).

JORNA, s. Bebedeira. Tomar uma jorna: embriagar-se.

JORNADEAR, v. Viajar a cavalo, caminhar.

“Eu iajornadeando pela estrada, sem nem sequer pensar no meu destino.” (R.C.N., Serrana).

JUDIARIA, s. Malvadeza, maus tratos.

JUEIRA, s. Peneira de taquara.

JUGO, s. Peуa de madeira usada Я guisa de canga com que se unem os bois Я carreta ou ao arado. O jugo ж colocado na parte posterior dos chifres e a eles ligado pelas conjuntas.

JUIZ, s. Pessoa que julga a chegada dos parelheiros, nas carreiras, em cada laуo. O mesmo que julgador.

JUIZ DE PARTIDA, s. Pessoa que verifica, no inьcio das corridas de cavalos, o cumprimento de todas as condiушes da carreira, e que dр o sinal de largada.

JULGADOR, s. Pessoa que julga a chegada dos parelheiros, nas carreiras, em cada laуo. O mesmo que juiz.

JUNCO, s. Planta com que, em alguns lugares, se preparam os acolchoados dos lombilhos.

JUNQUIDITO, adj. Diminutivo de junquido.

“... e deu-lhe uma tunda grande junquidito num moeirсo.” (Zeca Blau, Negrinho do Pastoreio).

JUNQUIDO, adj. Jungido.

JUNTA,s. Parelha de bois mansos que puxam lado a lado.

JUNTA DA PONTA, s. A junta de bois que puxa mais distanciada da carreta, na ponta.

JUNTA DO COICE, s. A junta de bois que puxa mais prзxima da carreta.

JUNTAR, v. Apanhar: “Chico, junta do chсo o relho, isto ж, apanha do chсo o relho.

JUNTAR AS ESPORAS, expr. Cerrar as pernas, fincando as esporas no animal de montaria.

JUNTAR OS TRAPOS, expr. Casar, amasiar-se.

JUNTAR O TORRESMO, expr. Economizar, juntar dinheiro, enriquecer.

JURURU, adj. Cabisbaixo, tristonho, abatido, melancзlico, pensativo.

JUSTAR, v. Contratar, conchavar-se para um determinado trabalho.

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L

L┴BIA, s. Habilidade na conversa.

LAКAКO, s. Pancada dada com o laуo. Relhaуo, guascaуo, correada. Golpe dado com corda, vara ou qualquer outro aуoite. V. as expressшes apresilhar um laуaуo e dar laуaуo.

LAКADA, s. AstЩcia, engodo, armadilha: “Prepararam-lhe uma laуada e ele caiu como um patinho”. Armar uma laуada ж o mesmo que preparar as coisas para iludir ou apanhar em falta uma pessoa.

“Enfiando o pж na laуada, cada qual no seu papel, viЩvo e prenda assanhada sсo que nem mosca no mel.” (Hugo Ramьrez, in Cancioneiro de Trovas).

LAКADOR, s. e adj. Homem destro no manejo do laуo, que laуa com perьcia, que quase nсo erra tiro de laуo. // Campeiro que durante os serviуos de campo ж encarregado de laуar as reses. // Pessoa que laуa, que gosta de laуar, bem ou mal.

“Narraremos, a seguir, algumas proezas dos laуadores rio-grandenses, inigualрveis na arte de laуar, as quais parecem fantрsticas mas sсo reais: Em Santa Maria, em 1952, Euclides Guterres, empregado de uma estРncia, laуou um pequeno aviсo que fazia um vЗo rasante sobre o local em que ele se encontrava. O aparelho era pilotado por Irineu Noal que fazia um vЗo de recreio pelo interior do municьpio. Felizmente a hжlice cortou o laуo e o aparelho, apesar de danificado, conseguiu aterrissar. O fato, registrado nos arquivos da Base Aжrea de Santa Maria, com projeусo mundial, foi relembrado pelo jornalista Vitor Moraes, em reportagem do “Correio do Povo” de 24 de outubro de 1978. Em Cima da Serra, principalmente nos municьpios de Sсo Francisco de Paula, Bom Jesus e Vacaria, existiram, e existem ainda, exьmios laуadores, capazes das mais fantрsticas proezas. Dentre eles citaremos: Norberto Osзrio Marques, de Sсo Francisco de Paula, que atirava, com extraordinрria perьcia e seguranуa, enormes armadшes ornamentais que iam cerrar-se nas guampas, Яs vezes de poucas polegadas, de um zebuzinho de sobreano, em doida disparada, e ainda sem pegar-lhe as orelhas. O velho Geraldino, de Sсo Francisco de Paula, que, jр com mais de oitenta anos de idade, laуava atж no escuro, pelo tropel, sem perder uma

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Щnica armada. Certa ocasiсo, quando ainda mais moуo, o velho Geraldino participou de um cotejo, com outro laуador afamado, num rodeio perto da Fazenda dos Morrinhos. Seria considerado vencido o que errasse o primeiro pealo. A disputa terminou em empate, pois os dois laуadores derrubaram todo o gado do rodeio, quase duzentas reses, sem que nenhum perdesse uma armada. – Aquela onуa me escapou, disse o Anastрcio, do municьpio de Bom Jesus, porque nсo consegui chegar a tiro de laуo e ela se embrenhou num banhadсo onde nсo dava para entrar a cavalo. Cheguei a fazer a armada e se tivesse conseguido chegar mais perto nсo tinha deixado a bicha ir embora. – E nсo deixava mesmo, disse outro campeiro, pois esse ьndio jр laуou tamanduр, zornilho e atж um lagarto. Ele ж capaz de laуar atж um gato solto no campo, quanto mais uma onуa. Certa ocasiсo, em Bom Jesus, um velho campeiro que havia lр, passeando a cavalo no campo com um de seus netos, desafiou-o: – “Vamos ver quem ж que bota a armada mais antiga naquela novilha. VocЖ pode atirar primeiro a sua, mas tem que deixar a rЖs continuar correndo atж que eu coloque a minha.” A armada mais antiga nсo significa a que chegou primeiro Яs guampas da rЖs, mas sim a que ficou por baixo. O rapaz, que era destro nas lidas de campo, laуou facilmente a novilha pelas guampas e acompanhou-a para que ela continuasse correndo enquanto ia cerrando aos poucos sua armada. Mal esta terminava de cerrar, jр a novilha entrava por dentro de um enorme armadсo jogЯdo pelo velho, o qual subiu como se fosse uma coisa viva e veio cerrar-se por baixo da armada do rapaz. Houve muitos casos, em nossas guerras e revoluушes, de gaЩchos laуarem metralhadoras e as arrancarem de seus ninhos na cincha do cavalo.” (Z.C.N.)

“De chofre, no campo, nos ares reboa Feroz estampido, que parte do gado: Novilho altaneiro, veloz como o raio, do circ’lo se escapa, dispara enraivado. Mas logo amestrado, Bizarro campeiro, Qual Pжgaso alado, Vencendo o espaуo, Dos tentos – o laуo Desata – pendente Com arte enrolado. No vЗo fogoso que leva o cavalo, Seguindo o novilho, tentanto alcanур-lo, O laуo desdobra, formando uma armada, Que os ares aуouta com baita rodilha Que presa fenece na forte presilha. N’ardente corrida O laуo volteia, E o impulso tenteia, Medindo a distРncia; E apзs, meneando-o, Sacode-o nos ares – O altivo campeiro! E o laуo no espaуo flutua, se estira, Se alonga qual serpe silvando irritada, E ao torvo novilho, nas aspas terrьveis,

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Lр vai alcanур-lo na fuga arrojada! E a fera raivosa, medonha rugindo, Fazendo investidas, nos ares se empina; E o bravo campeiro, sustendo-lhe as iras, Sujeita-a no laуo – na extensa campina!” (Taveira JЩnior, Provincianas.)

“Mas, depois, viera a guerra e Mрximo, protegido de um chefe governista, incorporou-se Яs forуas republicanas, ao passo que o pai, acompanhando o estancieiro em cujo campo morava, alistou-se na gente de Juca Tigre, sucumbindo logo em seguida no Inhanduь, quando numa atropelada tentava tomar a tiro de laуo um canhсo do inimigo.” (A. Maia, Tapera, 2ф ed., RJ, F. Briguiet & Cia., 1962, p. 85). “Comuns, tambжm, os relatos de canhшes e metralhadoras laуados e arrastados pelos gaЩchos, faуanhas muito a gosto para serem contadas Я roda do fogo-de-chсo, enquanto arde um assado e a cuia de chimarrсo impera, soberana”. (Hжlio Moro Mariante, A Idade do Couro, 2ф ed., P.A., RS-Brasil, Instituto GaЩcho de Tradiусo e Folclore, 1979, p. 96). “Entre os laуadores – que os hр habilьssimos – comum ж ouvir-se contar proezas extraordinрrias. No assunto, o causo de maior efeito foi narrado por Inжrio Silveira, natural de Sсo Gabriel, referindo-se a um certo Maneco Pereira, gaЩcho ainda moуo, que laуava atж com os dedos do pж. Possuьa o famoso campeiro um cavalo de estimaусo, que definia como sendo um animal manteЩdo, pescoуo de papagaio, cabeуa de gafanhoto, perna de cabra, peito de pomba, lombo de veado e anca de viЩvaњ. Montado nesse cavalo, nсo errava tiro de laуo, afirmando que ‘de bicho vivente sз nсo tinha pealado cobra e barbuleta.” (Arthur Ferreira Filho, Narrativas de Terra e Sangue, P.A., Ed. A Naусo, 1974,p. 101-102).

LAКAR, v. Atirar o laуo e por meio dele aprisionar ou apreender o animal, a pessoa ou o objeto sobre o qual ж ele lanуado. O mesmo que enlaуar.

“arte de manejar o laуo. Para laуar o operador estр a pж ou a cavalo. Em ambas as situaушes ele farр a armada, segurando o laуo com a mсo direita, prзxima da argola, porжm suficientemente afastada, para lhe permitir fрcil e cЗmodo manejo. Por ela deixa correr o laуo atж que se forme a armada do tamanho que deseja, com o cuidado necessрrio para que ele nсo se torуa, enquanto que, com o auxьlio da esquerda vai acomodando as rodilhas. Feita a armada, as rodilhas ou sсo distribuьdas pelas dЩas mсos, ou permanecem somente na esquerda. O comum, porжm, ж dividi-las. Dр-se o tiro de laуo, reboleando-o sobre a cabeуa ou atirando-o de tino. Essa Щltima ж a maneira mais difьcil de se acertar o tiro e ж a que mais recomenda o laуador, mormente se se trata de laуar animais cavalares, porque, sendo esses mais nervosos do que os vacuns, se espantariam e se poriam a correr, se vissem o laуador reboleando o laуo. O laуar de tino pega o animal de surpresa, da boa regra de laуar, prender o vacum pelos chifres, deixando livres as orelhas. A armada, no trajeto pelo ar vai se cerrando e, ao atingir o animal, deve estar reduzida ao

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minimo necessрrio. Se se laуam animais cavalares, a laуada deve prendЖ-los pela garganta e nсo no grosso do pescoуo.” (Moraes).

“GaЩcho bom laуador, laуa boi de toda a idade; Chinoca, com teu amor Laуo atж a Felicidade!” (Natрlio Herlein, Trovas Я Chinoca, habanera).

“Se ele vier para cр, Virр agЧentar repucho, Visto que laуar navio Nсo ж novo pra gaЩcho.” (Simшes Lopes, Cancioneiro Guasca, P.A., Globo, 1954, p. 260).

LACEIRA, s. Latada, enramada, ramada.

LAКO, s. Corda tranуada de tiras de couro cru, de comprimento que varia entre oito e dezoito braуas, ou seja de dezessete a quarenta metros; ж constituьdo de argola, ilhapa, corpo do laуo e presilha. // Ponto inicial e final em carreiras de cavalos.

“O laуo, arma de que fizeram algum uso os rio-grandenses em diversas guerras em que se tЖm empenhado, foi encontrado, segundo Nicolau Dreys, nas mсos dos indьgenas; porжm ignora-se de quem os receberam. Acrescenta o mesmo historiador acima, que Thevenot jр havia encontrado o laуo entre os povos da ═ndia e que o Padre Verbiest viu os guerreiros da Tartрria manejarem-no. O campeiro rio-grandense bem raras vezes anda sem o seu laуo, que ele carrega enrolado e atado a uma das tiras de couro (tentos) existentes na parte posterior do lombilho. O gaЩcho faceiro carrega o laуo com variada e requintada elegРncia. Alжm de ser uma arma de valor para apreender o inimigo, serve para o campeiro em qualquer lugar segurar o cavalo para seu uso ou a rЖs para sua alimentaусo.” (Romaguera). “O laуo quando nсo estр sendo utilizado ж conservado enrodilhado e guardado sobre o chсo ou assoalho e nunca suspenso na parede ou cabide, porque assim se tornaria ressequido. Nсo se deve tambжm lubrificр-lo com sebo ou outra graxa, e sim passar-lhe um pedaуo de carne verde, especialmente fьgado de rЖs ou entсo, cobri-lo por alguns momentos com a bosta existente no bucho da rЖs, quando ainda quente, apзs a morte. O laуo lubrificado com зleo, graxa ou sebo, ficaria muito mole, nсo permitindo uma armada bem aberta. A feitura do laуo obedece ainda um costume anti-higiЖnico para o tranуador. Toda a tranуa ж molhada Я saliva, para que melhor e mais perfeita se apresente. Cada perna vai saindo do seu manojo, recebendo a dose de saliva que a amolece e a ajusta ao tranуado. O laуo, segundo Dreys, foi encontrado entre os ьndios, ignorando-se, porжm, de quem os receberam. Assim tambжm nas Judias e na Tartрria, desde os tempos remotos, jр existia o laуo, conforme versсo de Thevenot e do Pe. Verbiest (R. CorrЖa, ob. cit.). O portuguЖs, bem como o espanhol, nсo conheciam o uso do laуo na жpoca da conquista. Quanto a isso nсo hр dЩvidas, O seu uso foi encontrado entre os ьndios guaranis das Missшes, vindo do Paraguai; das Missшes espalhou-se para outros ьndios, depois de conhecerem bois e cavalos.” (Moraes).

“A sorte atirou-me o laуo

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E me guiou para aqui, Maneou-me nestes campos Que se chamam Tuyuty. Por Deus que tenho saudades Dos pagos em que nasci.” (Dos versos de um rio-grandense na campanha do Paraguai).

“O tatu foi encontrado No serro de Viamсo, De bola e laуo nos tentos Repassando um redomсo.” (Quadra popular).

“Eu vi cupido montado No seu cavalo picaуo, De bolas e tirador, De faca, rebenque e laуo.” (Quadra popular).

“Quem nсo se sente orgulhoso de ser filho desta terra, dentre todas do Universo a mais formosa e mais rica, vendo um campeiro gaЩcho, ou vendo um cabra do Norte subjugar um touro forte num laуo ou numa mussica?!” (Catulo da Paixсo Cearense, Um Caboclo Brasileiro, RJ, Ed. A Noite, p. 45).

“Meu laуo

(...)

Mais tarde, quando eu morrer, Velho traste de galpсo; Ao parar o coraусo Que tсo alegre, hoje, soa, Laуo velho, guasca, Я-toa, Eu te quero enrodilhado, No meu caixсo de finado, Fazendo vez de coroa.” (Cyro Gaviсo, QuerЖncia Xucra, p. 117).

LAКO DE CHEGADA, s. Ponto final do tiro a ser corrido, pelos parelheiros, nas carreiras.

LAКO DE SA═DA, s. Ponto inicial da carreira.

LACRAIA, s. Espжcie de canoa.

LACRANADO, adj. Alacranado.

LACRANAR, v. Lacerar.

LADEADO, adj. Inclinado, pendido para um lado, de costado.

LADEAR, v. Desviar, contornar, tirar da frente.

L├ DE BORREGA, s. Lс de ovelha nova que ж tosada pela primeira vez.

L┴ DE DENTRO, expr. Forma de os habitantes da fronteira se referirem aos do norte do Estado e do litoral. Os habitantes dessas zonas sсo lр de dentro. (P. us.).

L┴ DE FORA, expr. Forma de os habitantes do interior se referirem aos da fronteira; sсo lр de fora os habitantes desta regiсo. (P. us.). Forma de os habitantes da cidade se referirem aos moradores da campanha.

“Quando eu vim de lр de fora Oito dias de viagem; Trocar um amor por outro Eu nсo tenho essa coragem.

Eu nсo sou filho daqui, Sou filho de lр de fora, Ando cumprindo o meu fado Acabando vou-me embora.” (Quadrinhas populares).

L├ DE PONTA,s. Lс de fios compridos e de qualidade inferior.

LADO BRABO, s. O lado direito do cavalo. Lado de laуar.

LADO DE LAКAR, s. O lado direito do cavalo, no qual ж conduzido e utilizado o laуo. O lado brabo. // Por ext., aplica-se ao vacum, a outros animais e atж a objetos. // Figuradamente, usa-se em relaусo Яs pessoas. // V. a expr. pelo

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lado de laуar.

“- Responde a tudo – disse o negro escravo; – responde Я rжdea, responde Я espora, responde ao laуo e Я lanуa. Vem da outra banda com muita fama. ╔ lрstima que ainda rengueie do lado de laуar.” (Felix Contreiras Rodrigues, Farrapo, P.A., Globo, 1935, p. 205).

LADO DE MONTAR, s. O lado esquerdo do cavalo, pelo qual se monta. // Por ext., o lado esquerdo de qualquer animal, e atж de pessoas e objetos. V. a expr. pelo lado de montar.

LADO MANSO, s. O lado esquerdo do cavalo. O lado de montar.

LADRONAКO, s. Ladroaуo, ladravas.

LA FRESCA, interj. Exprime admiraусo, espanto, descrenуa, surpresa. O mesmo que ala fresca.

LAGARTEAR, v. Aquecer-se ao sol, nos dias de inverno, como o lagarto.

LAGARTO, s. Ladrсo.

LAGO├O, s. Lagoa grande e profunda que se forma no curso das sangas.

LAGOНES, s. Denominaусo de um arroio, no municьpio de Erval, tributрrio do rio Jaguarсo, Я margem esquerda.

LAGUNOSO, adj. Que tem muitas lagunas.

LAIA, s. Raуa, espжcie, qualidade, gЖnero, classe.

LAJEADO, s. Arroio, regato ou rio que corre sobre leito de pedras. // Trecho mais ou menos plano do terreno, onde afloram rochas de grandes dimensшes.

LAM├O, s. Forma popular de alemсo. O mesmo que alamсo.

“O romance teria, ainda, um elemento novo – os lamсos que se haviam infiltrado por aquelas picadas, desde o ano de sua chegada a Sсo Leopoldo, na infРncia do primeiro Reinado.” (Guilhermino Cesar, Histзria da Literatura do Rio Grande do Sul, P.A., Globo, 1956, p. 317).

“Depois ж que apareceram uns lamшes e uns ingleses, melados, que compravam o cabelo: por isso Яs vezes se cerdeava;” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 45).

LAMBADA, s. Relhada, laуaуo.

“Anda bem no pз do gato, se nсo a lambada pega…” (Marina Maciel, O Balж da Rosa).

LAMBANКA, s. Intriga, embrulhada, briga, bate-boca, enredo.

LAMBANCEADOR, s. Lambanceiro.

LAMBANCEAR, v. Fazer lambanуa, intrigar, conversar demais.

LAMBANCEIRO, adj. Diz-se de pessoa que faz lambanуa. Conversador, intrigante, rixento, que gosta de questionar.

LAMB├O, adj. Porcalhсo, imundo, maltrapilho.

LAMBAREIRO, s. Nome de uma peуa volante do engenho de serrar madeira.

LAMBARIZEIRA, s. Linha de pescar lambari.

LAMBEDOR, s. Terreno salitroso onde os animais que necessitam de sal vсo lamber a terra. // Adj. Diz-se do adulсo, do engrossador, do lambe-esporas.

LAMBE-ESPORAS, s. e adj. Indivьduo bajulador leva-e-traz, engrossador, adulсo.

LAMBER A CANGA, expr. Tornar-se manso, confiante, submisso, afeiуoado. A expressсo tem origem no fato de o

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boi manso, mesmo quando liberto, solto no campo, gostar de aproximar-se de sua canga e de lambЖ-la.

LAMBER A CRIA, expr. Permanecer o pai em casa mimando o filho recжm nascido. (A expressсo se origina no hрbito que tЖm muitos animais, principalmente a vaca, de lamber o filho logo que este nasce, nсo se afastando dele para nada).

LAMBER ESPORAS, expr. Adular, engrossar, bajular.

LAMBETA, adj. e s. Indivьduo lambanceiro, intrigante, leva-e-traz, delator. O mesmo que lambeteiro.

LAMBETEAR, v. Proceder como lambeta. Fazer mexericos ou alcovitices. Adular, delatar.

LAMBETEIRO, s. e adj. O mesmo que lambeta.

LAMBISCARIA, s. Lambisco.

LAMBUJA, s. Vantagem que se dр sem ter sido pedida; partido concedido ao adversрrio.

LAMENTO, adj. Lamacento, lamoso, lodoso.

LAMPAКO, s. O mesmo que lampada.

LAMPADA, s. Pancada com relho ou com qualquer outro aуoite. Laуaуo, lambada, lampaуo.

LAMPE├O, adj. Diz-se do animal cavalar ou muar que tem a cara branca.

LAM┌RIO, s. LamЩria, choradeira.

LANКAКO, s. Golpe de lanуa, lanуada.

LANКANTE, s. Descida. Forte declive num cerro ou coxilha; qualquer terreno em declive. // Emprega-se, tambжm, em sentido figurado.

“No lanуante e no repecho, na planura e na lomba, na coxilha e no cerro, na barroca e na sanga la te vais contra o vento.” (Aureliano,Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., 1981, p. 149).

“Quando eu o escuto, relembro a primavera, em setembro, juncando os campos de flor! E sinto – barbaridade! – desembestar a saudade pelos lanуantes da dor!” (Rui Cardoso Nunes, Cжu e Campo).

LANКAR UM PEALO, expr. Lanуar uma indireta.

“Que o pealo era pra ela Logo a moуa compreendeu,” (Versos populares).

“O tatu desceu a serra Com fama de laуador; Tira laуo, bota laуo, Bota pealos de amor.” (Quadra popular).

LANCHA, s. Pж grande.

LANCH├O, s. Pж muito grande. Aumentativo de lancha.

LANGANHENTO, adj. Langanhoso, languinhento. Ranhoso, viscoso.

LAPACHO, s. Nome dado algumas vezes ao ipж na divisa com a Argentina.

LAP┴SIO, s. Panaуo, panрzio, golpe de espada ou facсo. Ferimento.

“(...) mas nesse dia, laуando mal um touro, sofreu violento lapрsio, quando o laуo arrebentou pelo meio.” (Arthur Ferreira Filho, Narrativas de Terra e Sangue, P.A., Ed. A Naусo, 1974, p. 47).

LA PUCHA, interj. Exprime admiraусo, espanto, pasmo, dor, O mesmo que Eh! Pucha!, Eh! Puxa!, Epucha! Pucha!, Cuж! Pucha!, Crina!, CuЖ! Puna!

“Quando me lembro, la pucha!,

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Da china que deixei lр, Sinto um repuxo por dentro, Que nem sei o que serр.” (Vargas Netto, Tropilha Crioula, p. 51).

LARANJEIRA-DO-MATO, s. Planta da familia Deuphorbiaceae actinostemon con color, Mull. Arg.

LARANJO, adj. Diz-se do animal vacum que tem cor de laranja.

LARGADA, s. Arrancada. Ato de largar o animal na carreira. Saьda. Partida. Arranco. Agachada. Gauchada. Faуanha, proeza. // Tirada. Dito chistoso, piada.

LARGADO, adj. Diz-se do animal que, por muito quebra, por indomрvel, foi abandonado no campo, imprestрvel para os arreios. Diz-se tambжm do animal que se encontra solto hр muito tempo, sem prestar serviуo, tendo se tornado infiel e arisco. // Por extensсo, aplica-se ao homem, com a significaусo de malжvolo, turbulento, animoso, valente, corajoso, desordeiro, desabusado, inculto, irrecuperрvel, impossьvel de ser corrigido.

“Eu sou um quebra largado, Por Deus e um patacсo, E, se duvidam, perguntem └ moуada do rincсo. (Quadrinha popular).

“Quando me lembro dos pagos Fico triste e aperriado; Lр deixei o mano Juca, Monarca quebra e largado: Ninguжm pisou-lhe no poncho Que nсo ficasse pisado.” (Versos de um rio-grandense na campanha do Paraguai).

“Nas altas cavalarias, Em que sou guasca largado, Tenho sempre Я mсo o relho E o pingo rinchando ao lado.” (MЩcio Teixeira, Cancioneiro GaЩcho).

LARGADOR, s. Partidor. Lugar de inьcio da carreira. // adj. Diz-se do galo de briga, que, por lhe faltarem qualidades combativas, desiste da peleja.

LARGAR, v. Iniciar a corrida, ao sinal do juiz, nas carreiras de cavalos.

LARGAR A M├O, expr. Dar uma bofetada.

LARGAR AS PATAS, expr. O mesmo que largar os pжs.

LARGAR CAMPO FORA, expr. Deixar que vр embora.

LARGAR COM UM COURO NA COLA, expr. Despedir de maneira descortЖs, despachar, mandar embora rispidamente. “Vou largar aquele cafageste com um couro na cola”, isto ж, vou mandр-lo embora rispidamente.

LARGAR DE CEPO, expr. Fazer o cavalo sair, na carreira, repentinamente, ao sinal do juiz, sem partidas. O mesmo que largar de tronco.

“mas de repente, como um parelheiro largado de tronco, saltou pra diante e de vereda atirou-se no manancial…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 31).

LARGAR DE M├O, expr. Desistir de um empreendimento. Abandonar. Nсo se preocupar mais com determinado assunto. “Como nсo conseguiu a colaboraусo de ninguжm, ele largou de mсo os problemas do clube”. “O velho, a conselho do mжdico, largou de mсo o cigarro”. “Aquela mulher largou de mсo a filharada.”

LARGAR DE TRONCO, expr. O mesmo que largar de cepo.

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LARGAR OS CACHORROS, expr. Passar descompostura, escorraуar.

LARGAR OS P╔S, expr. Coicear, escoicear. // Descompor, fazer grosserias. // O mesmo que largar as patas.

LARGAR-SE, v. Ir-se embora.

LARGO, adj. Comprido (Cast. usado na fronteira).

LARGO RATO, expr. Longo tempo (Cast. usado na fronteira).

LASCA, s. Chispa, faьsca, na expressсo sair lasca.

LASTIMADO, adj. Ferido, machucado, pisado.

“Acuda, tatu, acuda, Me acuda senсo eu morro, Venho todo lastimado Das dentadas de um cachorro.” (Quadrinha popular).

LASTIMADURA, s. Pisadura, escoriaусo, machucadura, ferimento.

LASTIMAR, v. Ferir, machucar, pisar, contundir, causar ofensa fьsica que deixe marca. “Ao prenderem o ladrсo lastimaram-no em vрrias partes do corpo.”

LASTIMAR-SE, v. Machucar-se, ferir-se.

“- Como vai a rapaziada? – Boa, menos o Andrж, Que levou uma rodada E lastimou-se num pж.” (Taveira JЩnior).

LASTRO, s. O estrado, a parte da cama sobre a qual assenta o colchсo.

LATA, s. Telha de zinco. // A cara. // Ficha de metal, usada nas estРncias, entregue ao esquilador ou tosador cada vez que este solta uma ovelha tosada, para controle de seu trabalho e respectivo pagamento.

L┴TEGO, s. Parte da cincha, constituьdo de uma tira de couro cru devidamente sovada, com trЖs ou quatro centьmetros de largura e mais de um metro de comprimento, a qual, presa a uma das argolas do travessсo o une Я argola da barrigueira, para apertar os arreios, no lado de montar, Я esquerda do animal. A tira de couro semelhante, que fica do lado direito, ж chamada sobrelрtego.

LAUS’ SUS-CHRIS’, expr. Corruptela de “louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”.

“Mentira! Nem uma princesa lhe deu afetos de amor! E nem mesmo um sз cristсo lhe abriu as portas do mundo, embora, humildemente, andasse ao lжu, repartindo, Laus’ Sus-Chris’ a toda gente.” (Dimas Costa, Carta Я Mсe Natureza, P.A., Ed. Lamar, 1979, p. 68).

“Eh! Laus’ Sus’ Cris’! Deus atira o laуo na lua, que desgarrou, que se meteu pela mangueira da lagoa.” (Ruy Cirne Lima, Passo Velho).

LAVADO, s. Encargo de lavar a roupa; trouxa de roupa lavada. “Fulana pegou o lavado de D. Beltrana”, isto ж, tomou a incumbЖncia de lavar a roupa da casa de D. Beltrana. “Este ж o quinto lavado que faуo esta semana”, isto ж, ж a quinta porусo ou a quinta trouxa de roupa que lavo esta semana.

LAVAGEM, s. Repreensсo, censura, descompostura. // ┴gua passada nos pratos e panelas, antes de serem lavados com sabсo, contendo gordura e restos de comida, que se utiliza como alimentaусo para os porcos e outros animais.

LAVORAR, v. Lavrar, desenvolver-se, alastrar-se.

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LAVOUR├O, s. Aumentativo de lavoura.

LAVRA-M├O, s. Planta da famьlia das Compostas (Chuquiragua tomentosa Bak).

LAZ├O, s. O mesmo que alazсo.

LAZEIRAS, s. Feridas que se alastram pelo corpo, de pessoas e de animais.

LE, pron. Lhe. (Este vocрbulo, empregado na linguagem popular do Rio Grande do Sul por influЖncia castelhana, ж, tambжm, forma do portuguЖs arcaico). Pl.: Les.

“- Graуas le dou, tio Jordсo: a sua mezinha foi tiro e queda.” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 132).

“Foi ansim como ler conta, Neste fogсo, junto ao rio, Quem muita coisa jр viu Quer na guerra, quer na paz;” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 56).

LE├O-BAIO, s. Puma, suуuarana.

LECHEGUANA, s. O mesmo que lьchiguana.

LECHIGUANA, s. O mesmo que lichiguana.

LEGRE, s. Ferramenta de aуo, de ponta curvada, apropriada para emparelhar o casco do cavalo.

L╔GUA, s. Medida intinerрria equivalente a 3.000 braуas ou a 6.600 metros. O mesmo que lжgua de sesmaria.

L╔GUA DE SESMARIA, s. O mesmo que lжgua ou sesmaria.

LEI, s. Boa qualidade. “Gado de lei”, gado de boa qualidade; “Cavalo de lei”, cavalo de boa qualidade; “Madeira de lei”, madeira boa para construусo, de grande durabilidade.

LEITE DE MACEGA, s. Diz-se do leite tirado da vaca que, em cima da serra, se alimenta, quase que exclusivamente da macega do campo. Esse leite ж, para o gaЩcho da regiсo serrana, muito mais saboroso do que o tirado de vaca que se nutre do pasto de campo de baixo da serra, ou de vaca de trato.

LENGA-LENGA, s. Conversa comprida e desagradрvel, choradeira, lamЩria, alegaусo, queixa.

LENHEIRA, s. Lugar, no mato, em que se tira lenha.

LENHEIRO, s. Lenhador, tirador de lenha.

LEPRA, s. Pessoa ruim, imprestрvel. // Gafeira, sarna, toda a doenуa de pele dos animais.

LERDEAR, v. Andar vagarosamente. Andar com preguiуa. Demorar.

LERDO, adj. Vagaroso, lento, pesadio, preguiуoso, molengсo.

LEVADO, adj. Travesso, endiabrado, moleque.

LEVADO DA BRECA, expr. Travesso, endiabrado, moleque, engraуado, manhoso, jocoso, alegre, divertido, satьrico, ardiloso, velhaco, valente, brigсo, forte, audaz, respeitрvel, temьvel, fжrtil em expedientes. // Negзcio levado da breca, significa negзcio difьcil, perigoso, de resultados duvidosos. // O mesmo que levado da carepa, levado da casqueira, levado do diabo.

LEVADO DA CAREPA, expr. O mesmo que levado da breca.

LEVADO DA CASQUEIRA, expr. O mesmo que levado da breca.

LEVADO DO DIABO, expr. O mesmo que levado da breca.

LEVANTADO, adj. Diz-se do cavalo que estр adelgaуado, alevianado, preparado

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para carreira.

LEVANTA-PМ, s. Baile, arrasta-pж.

LEVANTAR, v. Adelgaуar, alevianar, preparar o cavalo para a carreira. // Retirar o gado do campo ou do lugar em que se encontra. // Crescer a pastagem de um campo.

LEVANTAR A GRIMPA, expr. Reagir, nсo submeter-se, mostrar-se altaneiro, soberbo.

LEVANTAR POLVADEIRA, expr. Promover agitaусo, provocar intranquilidade.

LEVANTE, s. Momento em que o cсo faz sair a caуa de seu esconderijo.

LEVAR A CARGA, expr. Insistir na conquista de uma mulher. // Arremeter contra o inimigo.

LEVAR BUCHA, expr. Ser logrado em negзcio. // Comprar, por boa, coisa de mр qualidade.

LEVAR CARO, expr. Ser o rapaz rejeitado pela moуa que convida para danуar, ou vice-versa.

LEVAR CARONA, expr. Ser o oficial preterido em sua promoусo. O mesmo que tomar carona.

LEVAR CLAVO, expr. Sofrer prejuьzo, ser logrado, enganado, ludibriado.

LEVAR NA PARADA, expr. Possuir uma cota na parada pela qual foi ajustada a carreira.

LEVAR NO PACOTE, expr. Lograr, enganar, ludibriar.

LEVIANO, adj. Leve, de pouco peso.

LEXIGUANA, s. O mesmo que lichiguana.

LHANURA, s. Planьcie, planura.

“a doуura das lhanuras verdejantes e a meiga candura do olhar namorado da Chinoca.” (Naiade Anido, Sentimento de Identidade na Poesia GaЩcha).

“O silЖncio parecia dilatar as lhanuras, engrandecer as colinas, prolongar ilimitada na atmosfera luminosa, toda a vasta perspectiva pampeana…” (A. Maia, Ruьnas Vivas, p. 13).

LHEGALH╔, adj. Lagalhж.

LHEGUELH╔, adj. Lagalhж.

LHEGUELH╔U, adj. Lagalhж.

LIAКA, s. Haste do centro da palma do jerivр.

LIBUNO, adj. O mesmo que lobuno.

LICHIGUANA, s. Espжcie de abelha ou marimbondo (Nect atina lecheguana Latr.), que fabrica mel de sabor muito agradрvel. ╔ dotada de ferrсo e defende com bravura a colmжia. Frio. // O mesmo que lecheguana, lechiguana, lexiguana, lixiguana, lixigoana. (Etim.: Do quьchua, lachihuana). // V. a expr. tirar lichiguana.

“O radical de lechiguana modificou-se na Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul. Procurar essa forma no mundo, o que produz ж disparate, como o de leche e iguana (leche de iguana) a gerar o vocрbulo lechiguana. Corretamente, em vez do moderno lechiguana, deve-se levar a estudo o termo lachiguana, que ж o antigo e autЖntico. Pertence tudo ao quЖchua. Desde o sжculo XVI foi anotado para denominar a colmжia de abelhas no Peru.” (Sьlvio JЩlio, Literatura, folclore e lingЧtstica da рrea gauchesca no Brasil, RJ, A. Coelho Branco F║, 1962, p. 249). “Tranquei portas e janelas e saь para buscar um porongo de mel de lexiguana, por ser o mais fino.”

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(Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo. 1973, p.

151).

“Vinha fazer ‘mesma cousa: a noite ‘stр de se tirar lechiguana; o vento dзi que nem laуo e, parando, ж geada grande, nacerta. Vai amanhecer tudo branco”... (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910,p. 107).

LIDE, s. Lida, faina, trabalho.

LIGA, s. Sorte, felicidade no jogo, nos amores ou em qualquer outra coisa. O mesmo que potra.

LIG┴, s. O mesmo que ligal.

LIGAL, s. Couro cru de bovino com o qual se cobrem as cargas transportadas por animais, para protegЖ-las da chuva.

LIGAR, v. Estar com sorte no jogo, nos amores, nos negзcios ou em qualquer assunto. // s. Ligрrio.

LIG┴RIO, s. Couro de terneiro tirado de forma a se poder fazer dele uma carona. O mesmo que ligar.

“VancЖ nсo sabe o que ж um ligar? Nсo ж sз, nсo sr., o couro de terneirote pra fazer carona: ж tambжm uma tira de guasca, chata, assim duma meia braуa, com um furo dum lado e uma meia ponta do outro. Conforme boleava um animal e ele caьa, o campeiro chegava e passava-lhe o ligar em cima do garrсo e apertava, Яcochava Я moda velha; hom! ... era mesmo como botar uma liga de mulher, com perdсo da comparaусo.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos, p. 80).

LIGEIRA, s. Diarrжia, soltura de ventre, caganeira.

LIGEIRICE, s. Ligeireza.

LIGEIRO, s. Nome dado ao indivьduo que viaja a pж pela via fжrrea.

LIGEIRO DE PATAS, adj. Diz-se do cavalo veloz, corredor.

LINDAКO, adj. Muito lindo. Fem.: lindaуa.

“Querida china gaЩcha Linda уa, como o pecado, Este teu corpo delgado, Com cintura de violсo, Faz com que meu coraусo, Pelo desejo cinchado, Se borque pra todo o lado Relinchando de paixсo!” (Ubirajara Raffo Constant, Pago Xucro, P.A., p. 25).

“Lindaуa ficou, como uma Nossa Senhora!” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 79)..

LINDONA, adj. Muito linda. Aplica-se a pessoas e animais: moуa lindona, жgua lindona, mula lindona.

LINDURA, adj. Lindeza, beleza.

LINGUA-DE-VACA, s. Erva alimentьcia que dр gaudжria nas lavouras (Chuzptalia nutans hemsley). O suco das raьzes e folhas ж usado contra ictericia e molжstias do estЗmago.

LINGUAGEM GAUCHESCA, s. PortuguЖs falado pelos gaЩchos da zona pastoril do Rio Grande do Sul, ao qual se agregaram elementos uruguaios, argentinos, paraguaios, guaranis, tupis, quьchuas, araucanos, рfricos e de vрrias outras procedЖncias. (V. Poesia Gauchesca).

“O linguajar vivo e cotidiano da gente gaЩcha no Brasil ж, de fato, rico, cheio de caracterьsticas prзprias, ligado fortemente Я histзria,

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ao trabalho e Я famьlia sul-rio-grandense. Nenhum outro, em nossa pрtria, possui tantas variedades e fontes, tantos recursos e expedientes semРnticos. Portugueses, aуorianos, brasileiros, рfricos, amerigenas, espanhзis, etc., nсo lhe faltam tesouros lжxicos, sintрticos e semiolзgicos no emprego diрrio da fala. Tem o de que dispomos no resto de nosso territзrio e ainda elementos castelhanos, platinos, quЖchuas, araucanos, caribes, nuaruacos, guaranis, que nсo conhecem os nortistas, os nordestinos, os mineiros, os goianos, os matogrossenses, os cariocas.

(...)

Acontece que a fala popular do Rio Grande do Sul vem lжxico-morfologicamente enriquecida de centenas de vozes e locuушes nсo sabidas do resto dos brasileiros, locuушes e vozes que ela recebeu atravжs da Amжrica Espanhola. Quem, atento e imparcial, segue os passos de Cezimbra Jacques, Simшes Lopes Neto, Alcides Maia, Contreira Rodrigues, Roque Calage, Ramiro Barcelos, MЩcio Teixeira, Luis Carlos de Moraes, Augusto Meyer, nunca duvida de tсo evidente verdade. No glossрrio de Aurжlio Buarque de Holanda, onde a objetividade cientьfica predomina, isto ж fрcil de averiguar. Embora o erudito autor desconheуa as fontes hispano-americanas e especialmente platinas do gauchismo brasileiro, o fato se manifesta cristalino e inegрvel. Faуa Aurжlio Buarque de Holanda uma excursсo pelos livros rioplatenses que em seguida mencionamos, e compenetrar-se-р da aproximaусo lingЧistica dos pampeanos argentinos, uruguaios e do Brasil. 1) Antonio D. Lussich: Los tres gauchos orientales y otras poesias, prзlogo de Mрrio Falcсo Espalter, Montevideo, reimpressсo de 1937. 2) El Viejo Pancho: Paja brava, 4ф ediciзn, Montevideo – Buenos Aires, Agencia General de Libreria y Publicaciones, 1926. 3) Javier de Viana; Yugos, O.M. Bertani, Editor, Montevideo, 1912. 5) Javier de Viana: Abro/os. tercer miliar. 1ф ediciзn pзstuma, Montevideo, 1936. 6) Alejandro Magariыos Cervantes: CaramurЩ, ediciзn de Claudio Garcia y Cia., Montevideo, 1930. (Alejandro Magariыos Cervantes n. em 1825 e m. em 1893. Escreveu Caramuru em 1848). 7) Carlos Reyles: El Gaucho Florido (La novela de la estancia cimarrona y del gaucho crudo) Impressora Uruguaya, Montevideo, s. d. 8) Roberto Payrз: Pago Chico y Nuevos cuentos de Pago Chico, Editorial Losada S.A., Buenos Aires, 1940. 9) Benito Lynch: Los Caranchos de la Florida, 4ф ediciзn, Editorial Ibжrica, Buenos Aires, 1926. 10) Benito Lynch: El inglжs de los gЧesos, Colecciзn Contemporрnea, Editorial Espasa-Calpe, Madrid, 1924. 11) Benito Lynch: Palo verde y otras novelas cortas, Espasa-Calpe Argentina S.A., Colecciзn Austral, Buenos Aires, 1940. Nem de longe desejamos exteriorizar conhecimentos, pois isso que aь se acha ж apenas um punhado de obras platinas que contЖm dezenas de termos, ditos e construушes dos Contos Gauchescos e Lendas do Sul. Propomos a Aurжlio Buarque de Holanda um confronto de tudo, para organizarmos depois o vocabu- 267

lрrio sul-rio-grandense de origem hispРnica, americanista e amerigenista, incontestavelmente grande e significativo.” (Sьlvio JЩlio, Literatura, folclore e lingЧьstica da рrea gauchesca no Brasil, RJ, A. Coelho Branco F║, 1962, p. 80 e 84-85).

“As vozes de diversas origens que se incorporaram ao portuguЖs falado na zona pastoril do Rio Grande do Sul nсo o empobreceram ou abastardaram, mas, ao contrрrio, o enobreceram e embelezaram, dando-lhe, ao mesmo tempo, invulgar colorido e extraordinрrio vigor.” (ZCN). “Consultar o vocabulрrio gaЩcho ж rasgar Я visсo interior paisagens retrospectivas, enquadradas na moldura da histзria. O vocрbulo entсo nсo ж apenas a carniуa magra ou polpuda em que a etimologia vem dar a sua bicada. Na perna de cada letra estсo entecidas sugestшes e sugestшes para o leitor fantasista, amigo da pachorra que devaneia e do fumo crioulo bem palmeado. Enquanto a fumaуa escreve no ar a garatuja indecifrрvel, salta do texto um termo vivo, que os olhos apalpam e o ouvido reproduz, buscando o seu eco no poуo da memзria. Vozes que nascem, carreando outras vozes, sopros de geraушes repetindo a mesma eufonia incerta, silabadas e modismos em que a forуa do sentimento gravou a sua marca, transbordando de bocas duras ou carinhosas, vestьgios do espьrito moldados no barro, Яs vezes simples sobrevivЖncia da vida rude nos trabalhos e dias. Algumas ainda arrastam a espora, atravessam o tempo num passo decidido. Outras dizem de campos abertos ao galope, e da peleia, da cancha reta ou da longa viajada. Esta sabe a galpсo; aquela abre no fundo da lembranуa uma vрrzea ao sol-entrar, quando o cheiro dos pastos verdes ж mais ativo e os banhados refletem uma nesga de cжu mais profunda. Hр os catelhanismos petulantes, palavras que parecem a toda hora cobrar um queijo, topar qualquer parada. Hр os falsos castelhanismos de muito bom portuguЖs, quinhentismos retovados ou conservados na provьncia, surdindo improvisadamente na boca de um peсo. Nсo faltam as que sugerem as finais das nossas toadas, embebidas na lonjura… E hр tambжm palavras de dedo no lрbio, impondo silЖncio: querЖncia, pagos, rincсo.” (Augusto Meyer, Prosa dos Pagos). “A fonЖmica-sintрtica deve nortear-se, na Dialectologia das zonas gauchescas, pelas mesmas regras do idioma luso-brasileiro e do castelhano. Nсo convжm que estacione na aclaratзria anрlise dos casos insulados da fala, porжm a isto acrescentarр o estudo do tom caracterizado, do estilo que abrange a personalidade do linguajar dos guascas. Desta sorte ж que descobrimos as possibilidades de uma literatura, nсo sз no Rio Grande do Sul, como do Rio Grande do Sul, cujo veьculo nсo poderр ser senсo a ьndole, a feiусo, o modo de empregar o portuguЖs pelos campeiros do pampa fronteiriуo. Nenhum vocabulрrio sozinho exercerр as funушes emancipadoras que tem a fonЖmica-sintрtica da рrea gauchesca. ╔ a sua atmosfera

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espiritual. Estudados os vocрbulos realmente representativos e regionais da vida diрria das campanhas do Rio Grande do Sul, suas correlaушes na frase, as maneiras semРnticas de adaptр-los Яs condiушes tradicionais da labuta entre guascas, o estilo espontРneo que hр na conversaусo das estРncias, para caracterizar a Dialectologia total, nсo fragmentрria, das zonas onde trabalha o cavaleiro pampeano, entсo o glotзlogo poderр decidir se a lьngua portuguesa adquire novas energias e coloridos de acordo com os imperativos do existir material e espiritual daquele povo. Em havendo singularidades diferenciais nas atividades, nas vestes, nas comidas, quando confrontadas a outras de outras gentes, o lжxico e a fonЖmica-sintрtica devem corresponder aos bрsicos dictames da emoусo e do pensamento, quer como invenусo improviso, onomatopжia, quer como metaforizaусo necessрria de termos e expressшes usuais.” (Sьlvio JЩlio, Folclore e Didectologia do Brasil e Hispanoamжrica, Petrзpolis, RJ, 1974, p. 25).

LINGUIКA, s. Trapaуa.

LINHA, s. Denominaусo dada Я linha divisзria entre o Brasil e o Uruguai.

“No outro lado da linha, Lр pra banda Oriental, Vou arriscar minha vida No partido liberaL” (Simшes Lopes, Cancioneiro Guasca, P.A., Globo, 1954,p. 180).

LINHEIRO, adj. Diz-se do tronco de рrvore que tem as fibras dispostas de tal modo que pode, com facilidade, ser transformado em lascas compridas, regulares e direitas.

LINJERA, s. Indivьduo que vive de um lado para outro, andando a pж ou de carona; espжcie de andarilho, de ьndio-vago.

LINTERNA, s. Lanterna (antiq. em Portugal).

LIO, s. Enredo, trama, confusсo (Cast.).

LIONANCO, adj. Lunanco.

LISTA DE MULA, s. listra que corre desde a cernelha atж Я cauda dos cavalares.

LISTAR, v. Listrar, riscar.

LIVIANO, adj. ┴gil, leve.

LIVRE, s. Nome dado aos republicanos rio-grandenses de 1835, depois de proclamada a independЖncia da provьncia.

“O Neto gritou na frente, O David na retaguarda: – Esta corja de cativos Para os Livres nсo sсo nada!” (Popular).

LIVRETA, s. Livro pequeno ou caderno para anotaушes ou contas.

LIVRO, s. O menor dos estЗmagos do bovino ou dos ruminantes em geral. Em portuguЖs chama-se folhoso por ser constituьdo de muitas folhas.

LIXIGOANA, s. O mesmo que lichiguana.

LIXOGOANA-DO-CAMPO, s. O mesmo que lichiguana.

LIXIGUANA, s. O mesmo que lichiguana.

LOBISOMEM, s. Indivьduo muito feio.

LOBUNO, adj. Diz-se do pЖlo escuro acinzentado, do cavalo ou do vacum. O que tem cor de lobo. O mesmo que libuno e lubuno. (Em Cima da Serra

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se usa lobuno somente para cavalares: A um bovino de tal pЖlo se chama barroso -fumaуa ou simplesmente fumaуa).

LOITA, s. Luta.

“Viu o bando sem tardanуa Que a loita perdida estava”. (Manoel do Carmo, Cantares, p.

137).

LOMBA, s. Lombada. // Declive ou aclive das fraldas de pequenos morros ou de coxilhas baixas.

“precipitou-se declive abaixo e se foi parar alжm dos chorшes, onde a lomba terminava” (Erico Verьssimo,Noite, p. 10).

LOMBADA, s. O mesmo que lomba. Pequena elevaусo de terra.

LOMBEAR-SE, v. Torcer o lombo, o animal meio arisco, quando ж montado. // Retorcer o corpo por motivo de pancada recebida, de qualquer dor fьsica ou de cзcega: “Dei-lhe uma relhada que ele saiu se lombeando.” // Ter preguiуa. Retardar a realizaусo de um serviуo por preguiуa ou medo Я responsabilidade. Remanchar, marombar.

LOMBEIRA, s. Preguiуa, modorra, moleza no corpo.

LOMBIAR, v. Ferir a sela o lombo do cavalo.

LOMBILHAR, v. Encilhar com freqЧЖncia o animal, obrigando-o a trabalhos e exercьcios para que ele se torne manso. O mesmo que piquetear.

LOMBILHARIA, s. Estabelecimento comercial onde se fabricam ou se vendem lombilhos.

LOMBILHEIRO, s. Indivьduo que fabrica ou que vende lombilhos e objetos de montaria em geral.

LOMBILHO, s. Denominaусo da peуa principal dos arreios. ╔ uma espжcie de sela, muito semelhante ao serigote, usada no Rio Grande do Sul.

“Deitado de costa, de pescoуo torcido sobre o lombilho que lhe servia de travesseiro, o velho apertava ao peito uma linda tranуa negra, de cabelo crespo, meio desatada, suja de terra e jр embebida em sangue…” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo &C., 1922, p.

137).

LOMBINHO, s. Peуa de carne, muito macia, tirada da regiсo lombarda rЖs.

LOMBO DE COXILHA, s. Cimo de coxilha.

LOMBO DE SEM-VERGONHA, expr. Ordinрrio, safado, muito sem-vergonha.

LOMBO-SUJO, s. Nome deprimente dado aos civis que tomaram parte em revoluушes no Rio Grande do Sul, tanto ao lado do governo como contra este. Em 1893, os governistas davam esse apelido aos rebeldes. // Figuradamente, aplica-se a indivьduo reles, desprezьvel.

LONCA, s. Denominaусo dada a parte do couro do cavalar ou do muar, tirada dos flancos, da regiсo que vai da base do pescoуo atж Яs nрdegas. A lonca nсo ж curtida. ╔ utilizada para fazer tentos ou para retovo. Para pelar a lonca se usa faca ou cavadeira de pau, apзs curtimento com cinza. (A palavra ж de origem platina, lonja, que significa couro descarnado, com pЖlo ou sem ele).

LONJURA, s. Grande distРncia, longura,

270

longitude.

“... como tapera esquecida na lonjura da distРncia,” (Rubens Dario Soares, Minha ┌ltima Tropeada, Cruz Alta, 1981, p. 33).

“Ou como uma ave que emigra, retardatрnia seguindo, para sempre se sumindo sobre as lonjuras do mar.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, P.A., Martins Livreiro- Editor, 1981, p. 73).

“No relзgio das planuras as mсos e patas do baio sсo qual ponteiros de prata a consumir as lonjuras.” (Gilberto Carvalho, Negro da Gaita, Prodeco Ltda., P.A., 1981, p. 37).

“Era a ruminaусo de distРncias. O ponto visto no horizonte permanecia horas a fio, inalterрvel, esperando na lonjura.” (Manoelito de Ornellas, Terra Xucra, P.A., Sulina, 1969, p. 48).

LONQUEADOR, s. e adj. Indivьduo que lonqueia. Diz-se, tambжm, lonqueiro.

LONQUEAR, v. Preparar o couro, em geral do cavalar ou do muar, limpando-o e raspando-lhe os pЖlos, a fim de utilizр-lo depois para a feitura de tentos, tranуas, costuras e retovos. // Courear, no sentido de tirar o couro de animal morto no campo, de peste, magreza ou desastre. // Ganhar no jogo todo o dinheiro de alguжm. // Surrar, espancar, esbordoar, ferir. // Matar.

LONQUEIRO, adj. O mesmo que lonqueador.

LORO, s. Tira de couro cru ou de sola que prende o estribo ao travessсo do lombilho.

LOROTA, s. Conversa sem importРncia, jactРncia mentirosa, pabulagem, fanfarrice, banalidade, mentira, embuste.

LOROTAGEM, s. Conjunto de lorotas.

LOROTAR, v. Contar lorotas.

LOROTEIRO, s. e adj. Indivьduo mentiroso, fanfarrсo, embusteiro, contador de lorotas.

LOSCANHA, sdj. Diz-se do indivьduo aluado, meio louco.

LUBUNO, adj. O mesmo que lobuno.

“... depois que apeou e atou o lubuno Я soga, foi que verificou…” (N. Pereira Camargo, Histзrias da Fronteira, P.A., Ed. Combate Ltda., 1968, p. 43).

LUNANCO, adj. Diz-se do cavalo que tem um quarto mais baixo do que o outro. // Aplica-se tambжm a pessoas.

“A fita do teu cabelo ╔ buуal, maneia e laуo; Descogotado e lunanco Inda por ti vou no passo.” (M. Teixeira, Cancioneiro GaЩcho).

LUNANQUEAR, v. Ficar o cavalo com uma anca mais alta que a outra por luxaусo de uma das articulaушes coxo-femurais. // Causar esse defeito ao cavalo, tornar lunanco.

LUNAR, s. Lanуa com forma de meia lua. // Marca em forma de lua nova que, segundo a tradiусo, Sepж trazia sobre a testa.

“Sepж Tiaraju nсo tem superiores. Ele ж o Щnico superior! A todos vencerр porque a sua lanуa ж invencьvel. ╔ o enviado das florestas e das рguas para a salvaусo do povo guarani. Ele traz na testa um lunar e esse lunar ж o seu prзprio destino.”

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(Anselmo F. Amaral, Sepж Tiaraju, P.A., PublicaусЧ da Assemblжia Legislativa do Estado, 1976, p. 5).

LUNAREJO, adj. Diz-se do animal que tem lunares no pЖlo, ou seja, manchas ou sinais que permitam distingui-lo facilmente dos outros. (Vem de lunar, vocрbulo tanto portuguЖs como castelhano. Na fronteira o j ж pronunciado com som gutural).

LUZ, s. Espaуo compreendido entre a cauda do animal que vai na frente, nas corridas de cavalos, e a cabeуa do que vai atrрs. O termo ж usado nas expressшes dar luz, tirar luz, fazer luz, luz morta, luz curta, luz e doble, luz, ganhar de luz e outras.

LUZ CURTA, s. Pequena luz, isto ж, distРncia diminuta, em corridas de cavalos entre a cauda do cavalo que ganha e a cabeуa do cavalo que perde. O mesmo que luz morta.

LUZ E DOBLE, s. O mesmo que doble e luz.

LUZITA, s. Diminutivo de luz.

LUZ-MALA, s. Boi-tatр , fogo-fрtuo.

LUZ MORTA, s. O mesmo que luz curta.

272

M

MACACA, s. Gripe. (P. us.).

MAК├ DO PEITO, s. Estremidade do osso esterno do animal.

MACAIO, s. Fumo ruim.

MACAMB┌ZIO, adj. Tristonho, abichornado, sorumbрtico.

MACANA, s. Mentira, embuste.

MAКANICO, s. Danуa gaЩcha. // Corruptela de maуarico, ave dos banhados do nordeste do Rio Grande do Sul.

“O Maуanico ж uma danуa gauchesca. O nome ж uma corruptela de Maуarico, ave dos banhados do nordeste do Estado. A corridinha na danуa imita o vЗo do pрssaro. O Maуanico ж danуa nascida no RS, mas sofre influЖncia dos motivos coreogrрficos portugueses. Classificaусo: pares soltos semi-independentes.” (Carmen Almeida de Melo Mattos, aula ministrada em Curso de Introduусo ao Folclore e ao Tradicionalismo GaЩcho, marуo, 1976).

MACANUDO, adj. Bom, superior, poderoso, forte, prestigioso, inteligente, belo, rico, macota, admirрvel, excelente, respeitрvel.

M┴ CARNADURA, expr. Diz-se de pessoa que tem dificuldade de engordar ou que demora a restabelecer-se de ferimentos recebidos. (╔ antЗnimo de boa-carnadura).

MAКAROCA, s. Intriga, mexerico.

MAКAROCAR, v. Fazer enredo ou maуaroca. Emaranhar.

MACAXIM, s. Azedinha. // Batatinha do trevo branco do campo.

“Mais doce que macaxim Expressсo ouvida em Bagж e assim explicada pelo Dr. Fжlix Contreiras Rodrigues: Macaxim ж o nome que dсo Я batatinha do trevo branco do campo. ╔ sumamente adocicada. Este trevo e mais o rosa, que superabundam nos campos bageenses, indicam inverno frio e Щmido (chuvoso). Quando existe em maior quantidade o de flor amarela, significa inverno frio e seco, com geadas. Esta explicaусo foi confirmada por diversas pessoas. A expressсo mais doce que macaxim ж empregada para significar algo muito doce e meio enjoativo por isso, ou entсo, segundo o gosto de outros, para indicar coisa muito boa, agradрvel. Esta quadrinha explica bem a frase:

Por que me fazes sofrer, por que me tratas assim, se sсo teus lрbios, morena,

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mais doces que o macaxim?” (Walter Spalding, BaЩ de EstРncia).

MACEGA, s. Arbusto rasteiro que viceja em geral nos campos de mр qualidade. Pastagem. Capim alto.

“O laranjal enrubece Ao disco argЖnteo da lua. E a estrada deserta e nua Logo aos olhos te aparece: Uma restinga enverdece Beijando a fralda a um regato: E lр... no fundo do mato Arde o roуado e fumega O menЩfar – a macega.” (Lobo da Costa).

“Bebi рgua deitado na macega Я beira de um arroio claro e manso que seguia cantando o seu caminho.” (Zeno Cardoso Nunes, QuerЖncia).

MACEGA-BRAVA, s. Espжcime do reino vegetal, cuja classificaусo ж Erianthus augustifolium, Nees.

MACEGAL, s. Terreno coberto de macegas.

MACEGA-MANSA, s. Gramьnea (Erianthus saccharoides, Nees) que constitui boa pastagem.

MACEGA-VERMELHA, s. Espжcime vegetal cuja classificaусo ж Andropogen apathiflorus Kunt.

MACEGOSO, adj. O mesmo que maceguento.

MACEGUENTO, adj. Diz-se do campo em que existe muita macega. O mesmo que macegoso.

MACELA, s. Planta medicinal usada em travesseiros, contra a insonia ou enxaqueca, e em infusсo para desarranjos gрstricos. (Diz-se que sua eficрcia ж maior se for colhida na sexta-feira santa, antes de nascer o sol). Var.: Marcela.

MACETA, adj. Diz-se dos animais cavalares e muares que apresentam os machinhos mais grossos que de ordinрrio, o que lhes dificulta a marcha.

MACETAR, v. Deixar maceta o animal de montaria, o que Яs vezes ocorre em conseqЧЖncia de viagem por caminhos ruins e pedregosos. O mesmo que macetear.

MACETE, s. Garrote de sovar couro. // Instrumento rЩstico utilizado para a castraусo.

MACETEAR, v. O mesmo que macetar.

MACETUDO, adj. Maceta cuja doenуa ou defeito estр muito desenvolvido. // Figuradamente, diz-se de animal ou pessoa velha, inЩtil, imprestрvel.

MACHAC┴, s. Balaiozinho que os negros amarravam aos pжs para as suas danуas, os quais, cheios de frutinhas secas, serviam de chocalho.

MACHAуO, s. e adj. Aumentativo de macho.

“dos que comigo na velhez machaуa, ainda verсo pelo porvir da raуa quem sobre o pampa nos orgulharр.” (Fernando T. C. Saraiva, Das Coivaras do Tempo, P.A., 1958, p. 109).

MACHERIO, s. Grupo de machos.

MACHINHOS, s. A parte fina dos pжs dos animais cavalares e muares, logo acima dos cascos. (Tambжm ж usado no singular).

MACHO, s. Burro.

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MACHONA, s. Mulher com jeito de homem.

MACHORRA, s. Vaca ou ovelha que nсo dр cria. Toda fЖmea estжril. Machona.

MACHUC├O, s. Pisadura, contusсo, machucadura.

MACOTA, adj. Grande, alto, poderoso, influente, numeroso, vultoso, macanudo, bom de qualidade, superior em qualquer sentido. “Tropa macota”, tropa numerosa, de gado muito bom; “fortuna macota”, fortuna grande; “capote macota”, capote de boa qualidade; “moуa macota”, moуa bonita, prendada. (Etim.: ╔ vocрbulo da lьngua bunda, segundo Serpa Pinto, significando fidalgo, chefe de tribo, conselheiro do sova).

“Aь para os meios de Quaraim, nos campos do major Jordсo, entrei uma vez numa correria macota” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 46).

MACOTAуO, adj. Muito macota.

MACUCO, s. Ave do mato, semelhante ao perdigсo (Titamus solitarius).

MADEIRA-DE-LEI, s. Madeira dura, resistente Яs intempжries. Figuradamente: coisa boa, forte, duradoura.

“Minha QuerЖncia ж madeira-de-lei: dela fiz meu rancho e repouso.” (Nelson Fachinelli, Temas da QuerЖncia).

MADEIREIRO, s. Dono de engenho de serrar ou beneficiar madeira; comerciante de madeira; tirador de madeira, nas matas. // Adj. Relativo Я madeira.

MADORNA, s. SonolЖncia, modorra, pequeno sono.

MADORNENTO, adj. Relativo a madorna, sonolento, modorrento.

MADRINHA, s. O mesmo que жgua-madrinha.

MADRINHAR, v. O mesmo que amadrinhar.

MADRINHEIRO, s. O rapaz que cavalga a жgua madrinha, seguindo na frente da tropa, para regular a marcha da mesma.

MADUR┴ZIO, adj. Bastante maduro, idoso.

M├E-D’┴GUA, s. Ente fantрstico que vive nos rios e nos lagos, e que aparece na forma de uma moуa de cabelos negros e longos.

M├E-DO-FOGO, s. Grande tiусo que, no fogсo do galpсo das estРncias, conserva o fogo para o dia seguinte. O mesmo que trafugueiro, chico, pai-de-fogo e guarda-fogo.

MAGANGABA, s. O mesmo que mamangava.

MAGOTE, s. Pequeno grupo.

MAIORAL, s. O boleeiro da diligЖncia; o capataz da tropa ou da estРncia.

MAIS PRIMEIRO, expr. Em primeiro lugar. “Fui eu que cheguei mais primeiro”, isto ж, em primeiro lugar. (╔ expressсo chula).

MAITACA, s. Espжcie de papagaio daninho Яs roуas e aos pomares (Pionus maximiliani Kuhl).

MAL, s. Lepra.

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MALACARA, adj. Animal que tem a testa branca, com uma lista da mesma cor que desce atж o focinho. Desta denominaусo excetua-se o cavalo de cor bem escura, que, sendo malacara, se chama picaуo. Animal de frente aberta, de testa branca. Se o animal tiver branca toda a frente da cabeуa, se chama lampeJo e nсo malacara. O animal malacara pode ser de vрrios pЖlos, donde o zaino-malacara, o vermelho-malacara, o baio-malacara, o tostado-malacara, e outros. (Etim.: O termo pode provir de malha na cara ou da expressсo espanhola mala cara. Neste Щltimo caso a significaусo nсo seria de cara ruim ou cara feia, e sim de cara mр para a guerrilha, visto que, sendo branca, em corpo de outra cor, se apresentaria muito visьvel para o inimigo).

MALA-DE-GARUPA, s. Pequeno saco, com uma abertura longitudinal no centro, que se carrega na parte posterior do lombilho ou serigote, Я guisa de alforjes, por baixo dos pelegos.

MALA-DE-PONCHO, s. Peуa de couro, de lona ou de brim, em que se envolve o poncho enrolado quando nсo estр em uso, a fim de carregр-lo nos tentos, por trрs da cabeуa posterior do lombilho, descansando na garupa do animal.

MALAMPANКA, s. O mesmo que manapanуa.

MALA-NOS-TENTOS, loc. adj. Diz-se do indivьduo independente, sem ocupaусo certa, gaudжrio:

“GaЩcho mala nos tentas Por nсo ser de meios termos, Nunca votei em governo Nem ganhei o seu salрrio;” (Zeca Blau).

MALDADE, s. Pus proveniente de Щlcera.

MAL-DA-TERRA, s. Anciostomьase.

MAL-DE-VASO, s. Ferida cancerosa na raiz dos cascos de cavalares e muares. (Etim.: Do castelhano, em que vaso significa tambжm casco de cavalo).

MAL-DOS-CASCOS, s. O mesmo que mal-de-vaso.

MALEBRA, s. e adj. O mesmo que maleva.

MAL E MAL, adv. Escassamente, imperfeitamente. “O dinheiro mal e mal deu para o negзcio”, isto ж, deu escassamente para o negзcio.

MAL ENJAMBRADO, expr. Mal vestido.

MALEVA, s. e adj. Bandido, malfeitor, malfazejo, desalmado, perverso, desapiedado, malжvolo, mau, genioso, velhaco, cruel, de maus instintos. Cavalo infiel, que por qualquer coisa corcoveia. // O mesmo que malevo e malebra.

“O menino maleva foi lр e veio dizer ao pai que os cavalos nсo estavam.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973,p. 182). “Pra cabortero, ladrсo e maleva nсo hai lei como maniadЗ, laуo ou trabuco.” (Lжo Tito, Aventuras de um Trapeira, P.A., Gundlach, 1940, p. 76).

“E quando uma rЖs maleva queria ficar revel, o laуo a achava na treva guiado pelo tropel.” (Zeno Cardoso Nunes, Ladrсo de Gado).

MALEVAКO, s. e adj. Aumentativo de maleva. O mesmo que malevсo.

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MALEV├O, s. e adj. O mesmo que malevaуo.

MALEVO, s. e adj. O mesmo que maleva.

MALEVOLO, s. Bandido, bandoleiro, assassino, ladrсo, que vagueia pelos campos e matos. ╔ mais usado no plural: “Naquele mato existem uns malжvolos que a polьcia nсo consegue pegar”.

MALFEITO, s. Bruxaria, feitiуo.

MALHADOR, s. Lugar em que o gado se deita para ruminar e descansar.

MALHO, adj. Malzinho, pouco mal.

MALMEQUER, s. Planta do campo, da famьlia das Compostas, que dр flores amarelas (Aspilia sp.).

MALO, adj. Mau, violento, irascьvel, rancoroso, bandido, brigсo. (╔ vocрbulo castelhano, empregado somente na fronteira).

MALOCA, s. Bando de malfeitores,de salteadores, de gente de mр vida. // Favela. Agrupamento de ranchos.

MALOQUEIRO, s. Aquele que vive em maloca ou em grupo de bandidos. Habitante de maloca.

MAL PARADO, expr. Perigoso, difьcil, ameaуador, com referЖncia a uma situaусo ou circunstРncia em que o indivьduo se encontre.

MAL-PENTEADA, s. A mulher, a china.

MALTRATADO, adj. Diz-se do animal de montaria que estр ferido no lombo por uso incorreto dos arreios.

MALTRATAR, v. Molestar, pisar, ferir o lombo do animal de montaria pelo uso inadequado dos arreios.

MALUDO, s. e adj. Cavalo inteiro, pastor, garanhсo. Diz-se do animal de grandes testьculos, lembrando uma mala.

MALUNGO, s. Denominaусo dada a indivьduo de baixa condiусo social. Os negros escravos chamavam de malungos os companheiros de bordo ou de viagem. (Vem do conguЖs, mu-alungo, no barco).

MAMADEIRA, s. Denominaусo que no Rio Grande do Sul ж dada Я cobra limpa-campo (Pseudo boa clelia).

MAMADO, adj. Embriagado.

MAMA-EM-ONКA, s. Caуa-dotes, interesseiro, casado com mulher feia.

MAMANGABA, s. O mesmo que mamamgava.

MAMANGAVA, s. Espжcie de grande vespa, muito venenosa, cuja picada produz dor intensьssima, calafrios e febre. O mesmo que mangangр, mangangaba, mamangaba, mangangava e mamangaba. // Frio intenso por falta de cobertas.

“meu pala era velho, Mas inda me arremediava. Depois que perdi meu pala Fui conhecЖ a mamangava.” (Pala velho, de um cantador de Jaquirana).

MAM├O, adj. Mamado, bЖbado, tomado, embriagado. (Cast.).

MAM├O, s. e adj. Diz-se de ou o terneiro de sobreano que ainda mama.

MAMAR, v. Embriagar-se.

MAMBIRA, s. e adj. Matuto, homem rude, caipira, rЩstico, desajeitado, nсo acostumado Я cidade. Pessoa que nсo sabe caminhar nem vestir-se como os

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habitantes da cidade. (Do tupi-guarani, mambir, atado, embaraуado).

“Atж parece mentira Que semelhante mambira Assim passasse o boуal.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 65).

MAMBIRADA, s. Reuniсo de mambiras: grupo de pessoas que nсo estсo habituadas Я vida da cidade.

MAMICA-DE-CADELA, s. ┴rvore cuja madeira ж de cor amarela e de muita densidade, com acЩleos, em forma de mamas, sobre a casca. As folhas tambжm sсo providas de espinhos. ╔ da famьlia Rostaceae (Xantoxalon rhoifolium Lam. Ver. Petiolatum Engl.).

MAMONA, s. e adj. Diz-se de ou a terneira de sobreano que ainda mama.

“E cortar sobre a carona um churrasco de mamona na beirada do fogсo; e, da trova na porfia, descantar causos do dia na roda do chimarrсo.” (AntЗnio Augusto de Oliveira, Rastro de um charrua, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981, p. 26).

MAMPAR, v. Comer.

MAMULO, s. Grande mama. Coisa que tenha semelhanуa com mama.

“Esta ж B. tem dois mamulos. E, para nunca esquecЖ-lo, Lembre-se de um pessuelo Na garupa atravessado, Um bolso pra cada lado E um travessсo pra sustЖ-lo.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 30).

MANADA, s. Magote de жguas ou burras, ordinariamente de trinta a cinqЧenta, acompanhadas por um garanhсo ou um burro-choro, destinadas Я reproduусo.

“Um pastor gordo e feliz reponta ao longe a manada.” (Homero Prates, Ao Sol dos Pagos, RJ, 1939, p. 37).

“E me vejo, voando como o vento, num pingo baio, que era um pensamento, repontando a manada pela estсocia.” (Rui Cardoso Nunes, Vozes da QuerЖncia).

MANAMPANуA, s. O mesmo que manapanуa.

MANANCIAL, s. Sumidouro, tremedal, paul, pРntano. Nascente, vertente. // Var. Manantial.

“Secundou o tiro e a bala quebrou o ombro do Chicсo, que deu um urro e estorceu-se todo; quis firmar-se, porжm o braуo sсo afundava-se no barro, acamando os capins jр machucados; com esses tirшes e arrancos o manantial todo tremia e bufava, borbulhando…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 31).

“Yo no soy cantor letrao, Mas si me pongo a cantar No tengo coando acabar Y me envejezco cantando: Las copias me van brotando Como agua de manantial.” (Josж Hernandes, Martin Fierro).

“Rugosa e antiga figueira opulento vegetal que Я beira do manancial

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projeta sua ramagem.” (Cardo Bravo, Figueira, poema).

MANANTIAL, s. O mesmo que manancial.

MANAPANКA, s. Espжcie de beiju espesso feito de farinha de mandioca e temperado com aуЩcar e erva-dOCe. O mesmo que manampanуa e mamampanуa.

MANCADA, s. O mesmo que polca mancada.

MANCADOR, s. e adj. Animal que anda mancando. Aplica-se ao mau cavaleiro que, por descuido ou incЩria, torna mancO o animal.

MANCAR, v. Manquejal. Tornar-se manco. Tornar manco.

MANCARR├O, s. e adj. Cavalo velho, sem valor, quase imprestрvel. O mesmo que pilungo e matungo. // Cavalo bom.

“Maneei os mancarrшeS e com um olho no padre, outro na missa, por entre as ramas da restinga, fui espiar a peleia.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 104).

MANCHA, s. CarbЩnculo do gado vacuns. ╔ mais freqЧente no gado bovino, mas ataca tambжm outros animaiS. ╔ tranSmissivel ao homem, que comumente contrai essa peste ao tirar o couro de uma rЖs morta pela mesma.

MANCHADO, adj. Diz-se do pЖlo do animal vacum ou cavalar que, sobre determinado fundo, apresenta zonas de outra cor.

MANCO, adj. Diz-se do animal que claudica dos membros anteriores.

MANDAКAIA, s. Espжcie de abelha silvestre, sem ferrсo, que dр excelente mel.

MANDADO, s. Raio. Forma abreviada de mandado-de-deus.

MANDADO-DE-DEUS, s. O raio, o cOrisco. Tambжm se diz apenas mandado.

MANDAGUARI, s. Uma das espжcies de abelhas silvestres existentes no Rio Grande do Sul. ╔ parecida com a tubuna.

MANDALETE, s. Pessoa, geralmente menino ou velho, que trabalha nos serviуos leves de uma estРncia, em geral na transmissсo de recados ou ordens.

MANDAR, v. Arremessar alguma coisa contra alguжm. “Mandei-lhe a argola do relho bem na idжia”, isto ж, dei-lhe com a argola do relho na cabeуa.

MANDAR CASCO, expr. O mesmo que mandar pata.

MANDARINA, s. O mesmo que tangerina.

MANDAR PATA, expr. Ser o parelheiro muito corredor. Correr velozmente.

MANDAR-SE A L┴ CRIA, expr. Largar-se na estrada. Ir-se embora. O mesmo que ir-se a la cria.

MANDAR-SE CAMBIAR, expr. Ir-se embora.

MANDAR-SE DIZER, expr. Exprimir-Se bem acerca de determinado assuntO, demonstrando conhecЖ-lo perfeitamente: “O padre mandou-se dizer naquele sermсo sobre o casamento”.

MANDAR-SE DIZER NA ESTRADA, expr. Ir-se embora.

MANDAR-SE MUDAR, expr. Ir-se embora.

MANDARUV┴, s. Maranduvр.

MANDA-TUDO, s. Manda-chuva, pessoa de grande influЖncia.

MANDI, s. Peixe (Pimellodela lateristriga M. Tr.) do Rio Uruguai e de Seus afluentes. O mesmo que mandim.

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MANDIM, s. O mesmo que mandi.

MANDINGA, s. Mandraco, feitiуo.

MANDORI, s. Abelha silvestre.

MANDRACA, s. Feitiуo, mandinga.

MANDRACO, s. Amuleto usado pelos jogadores.

MANDRAQUEIRO, adj. Feiticeiro.

MANDRI├O, adj. Vadio, preguiуoso.

MANDUBI, s. Amendoim (palavra tupi). O mesmo que mendubi.

MANDURUV┴, s. Maranduvр.

MAN╦A, s. O mesmo que maneia.

MANEADO, adj. Diz-se, em sentido figurado, de pessoa embaraуada, sem iniciativa. // Diz-se tambжm do cavalo mau corredor, de pouca velocidade.

MANEADOR, s. Tira de couro cru bem sovada, de dois dedos de largura por seis braуas de comprimento, mais ou menos, que o campeiro conduz no pescoуo do animal ou em baixo dos pelegos, para servir de soga durante as paradas em viagem. // adj. Diz-se do que maneia, ou prende o animal com maneia. // V. a expressсo passar os maneadores ou passar o maneador.

“╔ preciso ter paciЖncia – os costumes da querЖncia exigem certo ritual – um maneador mal atado, pode dar mau resultado, deixar baldoso um bagual.” (Josж Barros de Vasconcellos, Maneador, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970, p. 241).

MANEAR, v. Prender com maneia ou com qualquer corda.

“Cavalo maneado tambжm pasta.” (Ditado popular).

MAN╔-BOCМ, s. Bobalhсo, aparvalhado, tolo, pateta, palerma. O mesmo que Manж-de-Souza.

MAN╔-DE-SOUZA, s. O mesmo que Manж-Bocз.

MANEIA, s. Peуa constituьda de dois pedaуos de couro, ligados por uma argola, que serve para prender uma Я outra as patas do animal, a fim de que este nсo possa fugir. Cada um dos pedaуos de couro formadores da maneia que, com um furo em uma extremidade e um botсo na outra, envolve, como se fosse uma pulseira, a canela do animal maneado. Manжa.

“Vi entсo o que ж uma mulher rabiosa…: nсo hр maneia nem buуal que sujeite: ж pior que homem! ...” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973,p. 18).

“GaЩcho de coraусo ж o que de nada receia e que sз teme a maneia da saudade do rincсo.” (Dirceu A. Chiesa, O GЖnio dos Pagos, P.A., Livr. Continente, 1950, p. 9).

MANERAR, v. Maneirar.

“Vem, gaЩcho, manera esse lirismo, busca o Novo, guardando o sonho antigo. Leva o ‘amargo’ no peito, em simbolismo, e Я procura da Lua, vem comigo!” (Maria Dinorah Luz do Prado, Quadrilogia Campeira, Diрrio de Notьcias, P.A., 13-1-1974, p. 7).

MANETA, adj. Diz-se da pessoa que tem falta de um braуo.

MANETEAR, v. Tornar-se maneta. // Mancar.

MANGA s. Linha formada de pessoas a

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pж ou a cavalo para obrigar o gado a passar por determinado ponto ou fazЖ-lo entrar para a mangueira. // Cercas divergentes de pedra ou de pau que levam Я entrada da mangueira, dispensando a presenуa de pessoas, no lugar em que estсo construьdas, para o encurralamento do gado.

MANGAК├O, s. Ato de mangar, isto ж, de demorar, de remanchar.

MANGAКO, s. Pancada com o mango.

MANGANG┴, s. O mesmo que mamangava.

MANGANGABA, s. O mesmo que mamamangava.

MANGANGAVA, s. O mesmo que mamangava.

MANGAR, v. Demorar, remanchar, estar com delongas. // Reinar, provocar.

MANGO, s. Relho de cabo grosseiro, de madeira, e aуoiteira larga, de couro cru, nсo tranуada. Rebenque pesado e grosso, com tala de couro cru.

“Veio o dono com parte de tetжia jр le traquei meu mango bem na idжia!” (Vargas Neto, Tropilha Crioula).

MANGOL├O, s. Rapaz alto, forte e preguiуoso.

MANGORRA, s. Tristeza, aborrecimento, melancolia. // Mangaусo, disfarce.

MANGORREAR, v. Aborrecer, entristecer. Trair, engodar, enganar.

MANGOTE, s. Alуa de couro do arreamento de traусo em que ж passado o varal da carroуa. // Diminutivo de mango.

MANGRUEIRO, adj. Arreliento, impertinente, exigente.

MANGRULHO, s. Baliza que indica um baixio.

MANGU┴, s. Bastсo grosseiro que usavam os negros Я guisa de bengala.

MANGUARI, s. Indivьduo alto e magro.

MANGUEAК├O, s. Ato de manguear.

MANGUEADOR, s. e adj. Diz-se de ou o que mangueia, que forma a manga.

“empreenderam-se Я noite volteadas, para apanhar as reses alуadas, com dezenas de mangueadores e numerosos sinuelos.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 43).

MANGUEAR, v. Guiar o gado na travessia de algum rio, flanqueando-o a cavalo ou de canoa. // Conduzir, andando-lhe no flanco, o gado na direусo da mangueira, do rodeio, de uma aguada ou do grosso da tropa. // Enganar, iludir. Procurar, com manhas e artifьcios, conduzir outrem a determinado assunto que se deseja abordar.

MANGUEIRA, s. Grande curral construьdo de pedra ou de madeira, junto Я casa da estРncia, destinado a encerrar o gado para marcaусo,castraусo, cura de bicheiras, aparte e outros trabalhos.

“manguera, f. – En las estancias, mataderos, etc., corral grande, cercado de postes o de piedra, para encerrar ganado.” (Daniel Granada, Vocabulario Rioplatense Razonado, Montevideo, Biblioteca Artigas, Tomo II, 1957,p. 90).

MANGUEIRAO, s. Mangueira grande, para encerra de tropas.

MANHA, s. Queixume, choro. // Vьcio, balda, caborteirice do animal. // Figuradamente: velhacada, astЩcia.

MANHEIR├O, adj. Muito manhoso. Diz-se da crianуa que, sem motivo, vive chorando, fazendo berreiros. // Diz-se, tambжm, do boi vagaroso e do cavalo lerdo.

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MANHEIRAR, v. Fazer manha, fazer berreiro, chorar, teimar, mostrar-se descontente, aparentar doenуa, queixar-se, a crianуa, por motivo insignificante ou sem motivo algum: “Porque nсo lhe deram a boneca, a menina manheirou a tarde inteira”; “Nсo sei por que estр manheirando tanto hoje esta crianуa”. // Mostrar-se o indivьduo vagaroso e de mр vontade na realizaусo de um trabalho: “Hр mais de trЖs meses vocЖ vem manheirando e nсo apronta essa mangueira. ” // Custar o gado a obedecer Я volteada: “Os bois estсo manheirando para sair do mato”. // Empacar ou mostrar-se desobediente o animal de montaria: “O cavalo do guri manheirou desde que saiu de casa.” // Esquivar-se, ocultar-se, ser difьcil de encontrar, a caуa ou o peixe. // Ser o fogo difьcil de acender e de se manter aceso. // Apagar-se, freqЧentemente, o cigarro de palha, necessitando ser aceso de momento a momento.

MANHEIRENTO, adj. Que faz manha freqЧentemente, que se mostra habitualmente manheiro, muito manheiro. O mesmo que manhento e manherento.

MANHEIRO, adj. Manhoso, caprichoso, que tem o hрbito de manheirar. // Crianуa manheira ж a que teima, que chora, que faz berreiros, que se queixa por motivo insignificante ou sem motivo algum. // Trabalhador manheiro ж o que faz de vagar e com mр vontade o seu serviуo. // Gado manheiro ж o que custa a obedecer Я volteada. Cavalo manheiro ж o que empaca, que nсo atende Я aусo das rжdeas, que se recusa constantemente a obedecer ao cavaleiro. // Negзcio manheiro ж o que demora a ser decidido, que se mostra difьcil de realizar; diz-se tambжm do estabelecimento comercial de pouco movimento, que dр pouco lucro. // Fogo manheiro ж o difьcil de acender e de se manter aceso. // Fumo ou cigarro manheiro ж o que se apaga freqЧentemente.

“China arisca, caborteira, Morena do meu deleite, Nсo banca a vaca manheira, Que vive escondendo leite.” (Oscar da Cunha Echenique).

“Cito ainda Ganbaldi gaЩcho-gringo manh eiro que metido a marinheiro organizou nossa esquadra.” (Moisжs Silveira de Menezes, 1ф Antologia de Poetas Brigadianos, P.A., Ed. Pallotti, 1982, p. 65).

MANHENTO, adj. O mesmo que manheirento.

MANHERENTO, adj. O mesmo que manheirento.

MANICA, s. O mesmo que manicla.

MANICLA, s. A menor das trЖs bolas que formam a boleadeira. ╔ a que se toma na mсo para lanуar a boleadeira sobre o animal que se deseja apanhar. // V. a expressсo andar como bolas sem manicla.

MANILHA, adj. Inteligente, vivo. (Des.).

MANO A MANO, expr. Em igualdade de condiушes. Jogar ou brigar mano a mano significa participarem do jogo ou da briga somente duas pessoas, uma contra a outra, em igualdade de condiушes.

MANOJO, s. Novelo que o tranуador do laуo faz com cada um dos tentos da tranуa, o qual se vai desenrolando, Я medida que ele trabalha, por efeito de uma laуada especial.

MANO-JUCA, s. Denominaусo que o habitante da cidade dр ao camponЖs, Я pessoa de fora, com ares de rЩstico.

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MANOSEADO, adj. O mesmo que amanonciado.

MANOSEADOR, s. O mesmo que amanonciador.

MANOSEAR, v. O mesmo que amanonczar, amanunciar, amanosear ou amanusear.

MANOSEIO, s. Ato de manosear.

MANOTAуO, s. Pancada que o animal cavalar ou muar dр com uma das patas dianteiras ou com ambas. // Bofetada, pancada com a mсo, dada por pessoa. // Em sentido figurado, desfeita, afronta.

“E tudo mais em S. Pedro Vai morrendo, pouco a pouco, A manotaуos e a soco” ... (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 72).

MANOTEADO, adj. Roubado, furtado.

MANOTEADOR, adj. Diz-se do animal cavalar ou muar que costuma dar manotaуOS.

MANOTEAR, v. Dar manotaуos. // Pegar, segurar, agarrar rapidamente qualquer objeto: “Mano teei a pistola antes que ele puxasse da faca.” “O ьndio torceu o corpo e manoteou a aspa do touro.” // Roubar, furtar, gadunhar.

MANOTEAR COLUDOS, expr. Roubar ovelhas.

MANQUEIRA, s. Peste da mancha, carbЩnculo.

MANSARR├O, adj. Diz-se do animal muito manso. // Figuradamente, pessoa de muita paciЖncia.

MANSO COMO UM CEPO, expr. Diz-se do cavalo completamente manso.

MANSO DE BAIXO, expr. Diz-se do animal que embora sendo manso para se lidar com ele, pЗr-lhe o cabresto, conduzi-lo para qualquer lugar, nсo foi ainda amansado para montaria.

MANSO DE EM P╩LO, expr. Aplica-se ao cavalo que se deixa montar sem os arreios.

MANTA, s. Grande pedaуo de carne de rЖs, seco ao sol.

MANTEAR, v. Repartir a carne do bovino em mantas.

MANTENEDOR, s. Chefe de cada partido, mouro ou cristсo, nas cavalhadas.

MANTENER, v. Manter, no sentido de prover do alimento necessрrio.

MANTE┌DO, adj. Diz-se do animal que se mantжm em bom estado, embora com raушes deficientes.

M├O, s. Unidade de medida para o milho nсo debulhado, equivalente a 64 espigas.

M├O DE LEIT├O, s. Indivьduo avarento, seguro, usurрrio, somьtico, mсo-de-finado.

M├O-DE-TRAGO, s. Rodada de trago em regozijo por uma gauchada.

M├OPATIA, s. Homeopatia. Var.: Mompatia.

“Diz que era fome canina, Que o rapazinho sofria; Por isso, num certo dia, Foi levado na garupa A um baiano, um tal Chalupa Que aplicava mсopatia.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 27).

M├O PELADA, s. QuadrЩpede, semelhante a um cсo selvagem, que vive no mato.

MARACOT├O, s. Variedade de pЖssego muito desenvolvido.

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MARAGATADA, s. Grupo, reuniсo, porусo, conjunto de maragatos.

MARAGATAGEM, s. Aусo prзpria de maragato. Maragatice. Maragatismo.

MARAGATEAR, v. Exercer atividade polьtica de maragato. Praticar aушes prзprias de maragato.

MARAGATICE, s. O mesmo que maragatagem.

MARAGATISMO, s. O mesmo que maragatagem. // Credo polьtico dos maragatos.

MARAGATO, s. Denominaусo dada ao revolucionрrio ou partidрrio da revoluусo rio-grandense de 1893, adepto do credo polьtico pregado por Gaspar da Silveira Martins e adversрrio do partido entсo dominante, chefiado por JЩlio Prates de Castilhos. // Revolucionрrio ou partidрrio da revoluусo rio-grandense de 1923, adepto do partido liderado por Joaquim Francisco de Assis Brasil e contrрrio a AntЗnio Augusto Borges de Medeiros, governador do Estado. // Federalista.

“Na provьncia de Leзn, Espanha, existe uma comarca denominada Maragateria, cujos habitantes tЖm o nome de maragatos, e, que, segundo alguns, ж um povo de costumes condenрveis; pois, vivendo a vagabundear de um ponto a outro, com cargueiros, vendendo e comprando roubos e por sua vez roubando principalmente animais; sсo uma espжcie de ciganos. Aos naturais da cidade de Sсo Josж, no Estado Oriental do Uruguai, dсo neste paьs o nome de maragatos, talvez porque os seus primeiros habitantes fossem descendentes de maragatos espanhзis. Pelo fato de os rebeldes em suas excursшes irem levantando e conduzindo todos os animais que encontravam, tendo apenas bagagens ligeiras, cargueiros, etc. Como os da Maragateria e porque (com exceушes) suspendiam com o que encontravam em suas correrias, aplicou-se-lhes aquela denominaусo, que aliрs eles retribuьram com outras nсo menos delicadas aos republicanos, a despeito da correусo em geral observada por estes em toda a luta.” (Romaguera). “Ainda hoje (1897), que 11 sжculos sсo decorridos, os maragatos constituem um nзdulo distinto no meio da populaусo lionesa. Sсo ainda os bжrberes antigos: usam a cabeуa raspada, com uma mecha de cabelo na parte posterior; falam uma linguagem que nсo ж bem castelhana, a qual apresenta uma pronЩncia arrastada, dura e lenta, e sсo geralmente arredios.” (Oliveira Martins, apud Vocabulрrio Sul-Rio-Grandense, P.A., Globo, 1964, p. 289). “Trouxera consigo, alжm do irmсo Aparьcio, um grupo de maragatos do Departamento de S. Josж, nome por que eram conhecidos os imigrantes de certa regiсo da Espanha, e, que, pelo prestьgio do chefe, se extendeu a todos os rebeldes da Revoluусo Federalista e atж, posteriormente, a qualquer adversрrio da situaусo castilhista do Rio Grande.” (Arthur Ferreira Filho, Revoluушes e Caudilhos, 2ф ed., Passo Fundo, p. 34). “J. F. de Assis Brasil, o velho lьder polьtico maragato, lanуa “A Atitude do Partido Democrрtico Nacional na Crise da Sucessсo Presidencial do Brasil”, um trabalho que merece ser lido e meditado” (Pedro Leite Vilas-BЗas, Um Quarto de

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Sжculo de Literatura Rio-Grandense – 1929-1954″ in Revista da Academia Rio-Grandense de Letras, n║ 1, P.A., 1980, p. 125).

“Velho tropeiro Vicente, que amas tuas origens fibra de velhas raьzes, em solo duro e ingrato. Teimoso remanescente duma raуa em extinусo ╔s caudilho mara gato sem armas nem muniусo, peleando valentemente na defesa deste chсo!” (Cardo Bravo, Rebeldia, poema).

MARANDUV┴, s. Marandovр. Espжcie de lagarta cujo contato produz queimaduras na pele.

MARATIMBA, s. e adj. Matuto, roceiro.

MARCA, s. Instrumento de ferro usado pelos estancieiros para marcar seu gado a fim de diferenур-lo do de outras estРncias. Depois de aquecida ao fogo a ponto de ficar em brasa a marca ж assentada no animal. O sinal impresso a fogo no corpo do animal pelo instrumento descrito tambжm se chama marca. Os cavalos sсo marcados na perna, as жguas, na picanha; o gado vacum manso, na perna; o gado vacum chucro, nas costelas. Atualmente se usa marcar na perna ou na cara do animal, para nсo desvalorizar o couro. A aposiусo da marca uma segunda vez se denomina contramarca e significa que o animal que a recebeu deixou de pertencer ao seu primeiro dono.

“Joсo Simшes Lopes Neto nсo era ruralista, nсo dispunha sequer de um palmo de terra, nem de gados de cria ou de invernar, embora fosse dono de uma marca, devidamente registrada na prefeitura de Pelotas.” (Carlos Reverbel, Um Capitсo da Guarda Nacional, P.A., UCS – Martins Livreiro-Editor, 1981,p. 124).

MARCA-BORRADA, s. Indivьduo trampolineiro, velhaco, desprezьvel.

MARCAК├O, s. Aусo de marcar os animais de uma estancia. Reuniсo de campeiros para a realizaусo do trabalho de marcar o gado. Esse trabalho, apesar de fatigante e perigoso, ж executado com muita alegria, constituindo verdadeira festa para a gauchada que dele participa ou que simplesmente o assiste.

“Enfim, via-se toda a alegre azрfama de uma marcaусo, que ж, nas campinas rio-grandenses, um dia de festa, pois ela constitui, apesar dos seus inЩmeros perigos e acidentes, um dos melhores divertimentos do gaЩcho.” (Gabriel Peixoto, Alma GaЩcha, P.A., Globo, 1926, p. 2). “As marcaушes duram sempre de trЖs a quatro dias. Durante esse ligeiro tempo, a velha estРncia como que ressurge do seu passado de grandeza e de domьnio. Lр dentro a famьlia inteira se desdobra em ocupaусo de toda ordem. Lр fora, nos galpшes, corre um sussurro de ьntima jovialidade. E a peonada composta de moуos e velhos se distribuindo a cavalo e a pж, de boleadeiras na mсo, de laуos armados, pronta a percorrer o campo, bombiando as invernadas de gado, tirando terneiros dos atoleiros e das restingas. Formam-se, entсo, entre eles, diversшes tradicionais. Jogam, pealos a cigarros, a tragos de canguara e levam, em cada tiro, a certeza da parada ganha. Destros laуadores rebuscam-se assim da obrigaусo dos

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vьcios, sem uma sз vez falhar a armadilha do laуo. Quando o nсo acertam na parte determinada previamente, reboam, em pilhжrias, as vaias inofensivas, enquanto lр um que outro manga com as rodilhas mal-armadas. Outros exigem com desdжm: – Pealos de cucharra nсo se agЧenta. Tem que sЖ de todo o laуo. – Este ainda nсo presta ermсo… ж pealo de sobrelombo. De novo, entсo, o laуo esfuzia nas mсos possantes do pealador e, lр adiante, o terneiro a correr cai, preso pelas patas. – Ansim me venha, parcero! O tiro foi bueno. E com outras mil proezas comeуa, desse modo, o intenso perьodo das marcaушes. O gado todo estaciona nos mangueirшes de pedra, Я sombra dos umbus e cinamomos. Daь para o transcurral saem presos, um a um, os orelhanos a serem marcados. Permanece ainda em quase todas as estРncias o mesmo costume antigo. Forma-se todo o pessoal, inclusive os vizinhos e agregados que vсo prestar tambжm seus ajutзrios. O capataz escolhe quatro laуadores, e, para cada um, dois apertadores рgeis. Junto ao tronco ж conduzida entсo a terneirada que vai receber no couro novo a inicial do nome do estancieiro. As vezes, com dificuldade, a cria ж derrubada. Um dito qualquer desaponta o terno que trabalha para subjugр-la: – Que flacos! ... – Andam mesmo que zorros pendurados na cola dos terneiros. Um outro arremeda: – Quр-quр! ... ╔ o guaraxaim, o zorro. Para eles ж o sьmbolo de fraqueza, da covardia, e quando o campeiro se enquadra nessa comparaусo humilhante por qualquer um ato que denota timidez, os outros o sitiam em chufas deprimentes, em risos escarninhos, ao borboletear-se frases ambьguas. De cuia na mсo, chupando o amargo, o estancieiro intervжm, ante a morosidade do serviуo: – Que andassem c’os diabos. Que nсo fossem lerdos, estavam maуando o animal… Depois do terneiro estendido no chсo, a marca em brasa assenta sobre o quarto direito, queimando pЖlo e couro. Um cheiro de carne tostada recende entсo, no ar, estimulando o apetite para o churrasco do meio-dia. Marcado o terneiro, recebe ele na orelha, com ligeiro corte de faca, um outro sinal imperecivel. ╔ o registro, a confirmaусo, a garantia do primeiro. Alguns fazendeiros usam marcar a rЖs na paleta. Sсo raros. O que permanece em voga ж o costume primitivo, de uso quase geral nas estРncias centenрrias. Nos dias de marcaусo recrudesce em todas as mangueiras, a mesma atividade, o mesmo afс de manhс Я tarde. Por todos os lados os apertadores gritam: – Chega a marca, marqueiro! . Ao que este logo responde: – Aperta manheiro… E assim, sucessivamente, cem, duzentas, trezentas cabeуas de crias novas, sofrem a mesma operaусo em fins de agosto a princьpio de setembro, quando a safra ж зtima e a produусo abundante. Com o mesmo entusiasmo seguem-se depois a domaусo, ou mais

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propriamente a doma de potros, a tosa da eguada, a marcaусo de potrilhos e de gado xucro, a pega dos baguais venenosos, a capaусo de touro, tudo isso num multiplicar intenso de energia, atividade e audрcia.” (Callage, Terra GaЩcha, 2ф ediусo, p. 76).

“Ampliemos o quadro: Grande festa Foi sempre em toda estРncia a marcaусo; Nesses dias de lides fervorosas Dos campeiros se alegra a multidсo; Todos querem Я porfia nos pealos, Uma palma ganhar – de distinусo.

Da vizinhanуa as belas camponesas Tambжm a festa vЖm abrilhantar; Com seus formosos olhos e sorrisos, VЖm Я leda moуada estimular; Quantos ali, porжm, a errar pealos, Nсo se deixam por elas pealar?

Bem gordas vaquilhonas nesses dias Nсo poupa o estancieiro; ж gosto seu Com profusсo tratar os convidados, Que jamais em bem tratar ninguжm perdeu. De mais, nunca a franqueza da cidade Como a do campo lhana pareceu.

E enquanto se trabalha na mangueira, E sucedem-se os pealos com fervor, Chiam assados – o melhor petisco Que ao campeiro consola e dр vigor; De mсo em mсo a cuia espuma o mate, E animaусo ж tudo, vida, amor.” (Taveira JЩnior, Provincianas).

MARCA DE FAZENDA VELHA, expr. Diz-se para significar coisa muito conhecida, que permanece sempre igual, que nсo muda nunca.

MARCADO, s. e adj. Diz-se de ou o homem que gosta de enganar os outros. Velhaco. trampolineiro, espertalhсo. Aplica-se, especialmente, ao homem que negocia procurando iludir os outros.

MARCADOR, s. Indivьduo encarregado de aquecer a marca e levр-la para sentar no animal. Marqueiro.

MARCA GRANDE, s. A marca principal de uma estРncia, destinada a marcar o gado do proprietрrio. Chama-se marca grande nсo por seu tamanho mas sim por sua importРncia em relaусo Яs outras marcas, usadas no gado dos dependentes do estancieiro. // Diz-se, tambжm, de marca pertencente a estancieiro que possui muito gado ou vрrias estРncias.

MARCAR, v. Aplicar a marca no animal; fazer o serviуo de marcaусo. ╔ o mesmo que ferrar, isto ж, aplicar o ferro quente na rЖs, nos outros Estados. A marca pode ser aplicada na cara, pescoуo, flanco, perna, paleta ou picanha do animal, conforme a vontade de seu proprietрrio.

MARCAR NA PALETA, expr. Anotar, assinalar, nсo esquecer, o mau procedimento de determinado indivьduo: “Aquele patife me logrou, mas vai ficar marcado na paleta para o resto da vida”, isto ж, vai ficar sendo reconhecido como velhaco enquanto viver. O mesmo que marcar na picanha.

MARCAR NA PICANHA, expr. O mesmo que marcar na paleta.

MARCELA, s. O mesmo que macela.

MARCHA, s. Modo especial de andar dos animais de montaria. Existem a marcha batida, a marcha troteada, a mar-

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cha galopeada, etc.

MARCHA BATIDA, s. Modo de andar do animal de montaria, bastante cжlere e confortрvel para o cavaleiro.

MARCHADOR, adj. Diz-se do animal que em vez de trote tem outro modo de andar, denominado marcha.

MARCHA GALOPEADA, s. Modo de andar do animal de montaria que se assemelha ao galope.

MARCHANTE, s. O que sustenta uma amрsia. // O que paga para os outros. // Dono de matadouro.

MARCHA TROTEADA, s. Modo de andar do animal de montaria em que este parece que anda a passo com os membros posteriores e troteia com os anteriores. ╔ marcha muito apreciada pelo bem-estar e comodidade que proporciona ao cavaleiro.

MAR╔, s. Dono da banca em que ж vendido o peixe, na gьria dos pescadores de Porto Alegre. (Desus.).

MAREADO, adj. Um tanto жbrio, meio embriagado.

MARIA-BACOMB╩, s. O mesmo que Maria-macumbж.

MARIA-MACOMB╩, s. O mesmo que Maria-macumbж.

MARIA-MACUMB╔, s. Brinquedo infantil que consiste em as crianуas se esconderem para que uma delas, que ficou de costas para as outras ou com os olhos vendados, as encontre e agarre alguma. O mesmo que Maria-macombЖ ou Maria-bacombЖ.

MARIA-MOL, s. O mesmo que Maria-mole.

MARIA-MOLE, s. Arbusto que dр nos campos e que indica a boa qualidade dos mesmos. A Maria-mole jр foi acusada de planta geradora e transmissora da ferrugem do trigo: “Examinados no Museu Nacional um pж de Maria-mole e um de trigo que lhe era vizinho, o encarregado do estudo identificou em ambos a existЖncia da Puccinia rubigo vera, como consta do ofьcio dirigido Я Fiscalizaусo dos Trigais.” (Chрc. e Quint., fev de 1912, p. 3). A transcriусo acima, em nossa opiniсo, nada prova contra a Maria-mole, pois tanto pode ter ela transmitido a ferrugem ao trigo como o trigo a ela.

MARIA-PRETA, s. ┴rvore da famьlia Ebenaceae (Macreightia obovata Mart.).

MARIC┴, s. ┴rvore de pouco crescimento, muito espinhosa, tambжm chamada espinho-de-cerca, da famьlia Mimoseae (Mimosa sepiaria Benth).

“... e as cercas de maricр pareciam verdes fitas cobertas de neve.” (Carlos Jansen, O Patuр, P.A., URGS, 1974, p. 75).

MARICAZAL, s. Lugar onde cresce com abundРncia o maricр.

MARIMBAU, s. Instrumento musical usado antigamente pelos pretos africanos.

“Meu pai ж um negro velho Tocador de marimbau, Minha mсe uma coruja Que mora no oco do pau.” (Quadrinha popular).

MARIMBONDO, s. Frio, por falta de cobertas.

“Depois que perdi meu pala Sucede desta maneira: O marimbondo me morde, Faуo fogo a noite inteira.” (Pala Velho, de um cantador de Jaquirana).

MARINHEIRO, s. Grсo de arroz com casca, encontrado no arroz jр descasca-

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do. // Joio.

MARIPOSA, s. Espжcie de draga puxada a boi, cavalo ou burro, e utilizada em escavaушes para aуudes.

MARMOTA, s. Instrumento que permite ver cenas fotografadas, em terceira dimensсo e em tamanho natural.

MAROMBA, s. Cabo de aуo ou de fibras colocado transversalmente sobre um curso dрgua, com uma extremidade presa em cada margem, no qual se seguram os tripulantes de uma barca para puxarem-na de um para o outro lado. Ii Espжcie de sardinha grande. // Situaусo em que se encontra uma pessoa que estр jogando com pau de dois bicos, isto ж, que estр defendendo ora uma, ora outra, de duas idжias contrрrias, para agradar Яs duas partes.

MAROMBAR, v. O mesmo que marombear.

MAROMBEAR, v. Utilizar a maromba para puxar a barca. // Jogar com pau de dois bicos, isto ж, defender ora uma ora outra de duas idжias contrрrias para agradar aos que as professam. O mesmo que marom bar.

MARQUEIRO, s. O indivьduo que nas marcaушes tem o encargo de aquecer a marca e conduzi-la para assentar na rЖs. O mesmo que marcador.

MARQUESA, s. Espжcie de cama muito larga.

MARRANO, adj. Diz-se de gado ruim.

MARR├O, s. e adj. Gado bravio, selvagem, chimarrсo. // Barrсo, varrсo.

MARRECA-DO-PAR┴, s. IrerЖ. Ave da famьlia dos Anatьdios, tambжm chamada marreca-piadeira, marreca-viЩva, marreca apaь, apaь, chega-e-vira.

MARREQUINHA, s. Flor de corticeira.

MARROTE, s. Porco pequeno, ainda nсo castrado.

MARTEL, s. Copo de um quarto de garrafa, usado para bebida nos boliches de campanha.

MARTELO, s. Sinal para identificaусo que se faz nos vacuns, suьnos e ovinos, consistindo em dois recortes, em esquadro, na parte inferior de uma das orelhas do animal. // Qualificativo dado Я cabeуa do cavalo que tem o frontal saliente, dando-lhe um feio aspecto. // Tesoura utilizada para tosar ovinos.

MARTILHAR, v. Engatilhar, emartilhar. Preparar o cavalo para partir com rapidez.

MARTILHO, s. Gatilho (raramente usado).

MARTIM, s. Abreviatura do nome do conhecido pрssaro martim-pescador.

“Num galho de amarilho, um martim retrata-se Я corrente.” (Clemenciano Barnasque, No Pago, p. 39).

MARTIM-PESCADOR, s. Pрssaro que vive nas costas dos rios e arroios, alimentando-se de peixes, que sabe caуar com extrema perьcia.

MARUCA, s. Designativo familiar de Maria.

“Vamos, Maruca, vamos, Vamos pra Jundiaь, Com os outros vocЖ vai, Sз comigo nсo quer ir!” (Popular).

MASCADOR, s. e adj. Galo que, na pelea, pega freqЧentemente o adversрrio com o bico, mas nсo lhe desfere a pancada com os tarsos.

MASCAR, v. Mastigar.

MASCAR O FREIO, expr. Fazer o cavalo, com o maxilar, movimentos que

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semelham o de mastigar o freio, produzindo um ruьdo caracterьstico. Esse procedimento denota alegria e boa disposiусo do animal.

MASSAP╔, s. Terra vermelha, argilosa, parecida com a terra roxa de Sсo Paulo.

MATA, s. O mesmo que matadura.

MATA-BICHO, s. Cachaуa servida em copo; trago de cana. // Cafж preto, tomado em jejum.

MATA-BOI, s. Corda com que se une o eixo Я mesa da carreta, para que ele nсo salte fora por ocasiсo de algum solavanco.

MATA-CAVALO, s. Planta espinhosa da famьlia das Solanрceas, cujos frutos, de cor amarela, tЖm fama de ser venenosos. // Indivьduo que usa excessivamente seu cavalo, ocasionando-lhe esgotamento.

MATA-COBRA, s. Joсo Ninguжm, pessoa sem merecimento. // Cacete, porrete, usado como bengala.

MATADO, adj. Diz-se do animal cheio de mataduras produzidas pelos arreios. // Diz-se, tambжm, de trabalho mal acabado, feito apressadamente.

MATADORA, s. e adj. Mulher encantadora, muito bonita.

MATADURA, s. Ferida no lombo do cavalo, proveniente do mau uso dos arreios. O mesmo que mata.

MATAMBRE, s. Carne que fica entre as costelas e o couro da rЖs. Dр um assado muito saboroso. (Etim.: Vem do castelhano, mata hambre, mata fome, por ser a primeira carne que se pode tirar do bovino abatido).

“Matambre – ж a carne que cobre as costelas e a primeira que se tira depois de courear, constituindo um assado muito saboroso.” (Dante de Laytano, A Cozinha GaЩcha na Histзria do Rio Grande do Sul, P.A., Esc. Sup. de Teologia Sсo Lourenуo de Brindes, 1981, p. 46).

MATA-OLHO, s. ┴rvore pertencente Я famьlia Euphorbiaceae (Pachistroma iliciofolyum Mull). Tem uma seiva acre e irritante quando em contato com as mucosas ou mesmo com a pele, motivo pelo qual os derrubadores de mato a tratam com grande precauусo. Acredita-se que a fumaуa produzida por sua combustсo origine oftalmias e atж cegueira. // Indivьduo caloteiro, velhaco, trapaceiro.

MATA-PIAVA, s. Cacete usado para pescar piava, batendo-lhe na cabeуa quando ela aflora Я superfьcie da рgua.

MATAR, v. Causar esgotamento ou cansaуo excessivo ao animal de serviуo pelo seu emprego imoderado; produzir-lhe esfoladuras no lombo pelo mau uso dos arreios.

MATAR CACHORRO A GRITO, expr. Andar sem dinheiro, estar na misжria, viver em grandes aperturas: “Aquele coitado estр matando cachorro a grito”, isto ж, estр desempregado, sem dinheiro, mal de finanуas, em grandes aperturas.

MATAR O BICHO, expr. Ingerir cachaуa ou outra bebida alcoзlica; tomar um gole de qualquer bebida espirituosa. // Tomar cafж preto, pela manhс, em jejum. // Divertir-se.

MATE, s. Infusсo de erva-mate (Ilex paraguayensis, St.-Hil.) preparado em cuia de porongo e sorvida por meio da bomba. (Bem ou mal preparado, o mate serр sempre uma bebida saudрvel, tЗnica, estimulante e reconfortante. No entanto, para que ele atinja o mрximo de suas boas qualidades, devem

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ser observadas, para a sua feitura, as seguintes regras: Coloca-se a erva, que deve ser de boa procedЖncia, nem muito grossa nem muito moьda, em uma cuia feita de cabeуa de porongo, enchendo-a atж pouco mais de dois terуos de sua capacidade. Para quatro ou cinco pessoas, pode-se usar uma cuia com capacidade de um quarto de litro, na qual se colocam aproximadamente cento e trinta gramas de erva. Segurando-se a cuia com a mсo esquerda, tapa-se sua boca com a direita, emborcando-a e sacudindo-a, de maneira que os pauzinhos e a erva mais grossa, de menor densidade, fiquem ocupando a parte do fundo que, no caso, estр voltado para cima. A seguir, deita-se a cuia, de forma que a erva se aloje em um dos seus lados, onde se procura acamр-la com branda pressсo dos dedos. Coloca-se depois, no espaуo vazio, pequena quantidade de рgua fria ou morna, lentamente, aos poucos, ao mesmo tempo que se reconduz a cuia Я posiусo normal, terminando de enchЖ-la, com cuidado, para que a erva, jр parcialmente embebida de рgua, nсo se acame no fundo. Aguarda-se de quinze a vinte segundos para dar tempo Я erva de absorver mais um pouco da рgua jр posta na cuia. Com esse procedimento, de um lado da cuia fica a erva, meio molhada, e, do outro, certa quantidade de рgua e o espaуo por onde se vai colocar a bomba. Segurando a cuia com a mсo esquerda, pega-se a bomba com quatro dedos da mсo direita, tapando o bocal com o polegar da mesma mсo e se a introduz na cuia, pelo lado em que foi posta a рgua, fazendo com que o ralo penetre atж o fundo, onde se encontram a erva mais grossa e os pauzinhos, o que evita entupimento da bomba, proporcionando um mate mais voluntрrio, ou seja, que pode ser chupado mais facilmente. ╔, tambжm, para evitar que a bomba entupa que os entendidos na feitura de mate tapam o bocal da mesma, com o dedo polegar, ao introduzi-la na cuia, pois acreditam que nсo havendo saьda para o ar, a pressсo deste impedirр a entrada, nos furinhos do ralo, de fragmentos de erva que poderiam entupi-lo parcialmente. A introduусo da bomba ж feita com a erva Я esquerda do preparador, para que o mate nсo saia canhoto, isto ж, para que ao enchЖ-lo, a chaleira, segura com a mсo direita, fique em posiусo adequada Я colocaусo da рgua. └ esquerda de quem ceva o mate fica uma pequena saliЖncia da erva, ocupando a metade da boca da cuia, denominada topete, a qual o cevador cuidarр para que nсo desmorone quando estiver pondo a рgua quente. Para que o mate apresente melhor рspecto, o topete poderр ser aumentado com a colocaусo, sobre ele, de mais um bocado de erva. O topete nсo ж feito apenas com finalidade estжtica, pois ele vai sendo derrubado, aos poucos, Я medida que o mate ж cevado, de modo a conservar sua fortidсo uniforme por bastante tempo. Quando o mate comeуa a enfraquecer, pode ele ser encilhado, mediante o acrжscimo de um pouco de erva nova sobre a que estр sendo utilizada, da qual ж retirada uma pequena parte. A рgua, aquecida de preferЖncia em chaleira de ferro, deverр apenas chiar, e nunca ferver, pois o mate ж mais saudрvel e mais saboroso em temperatura moderada, de 70 a 80 graus centьgrados, alжm de, como qualquer outra bebida, ser nocivo Я saЩde se for tomado excessivamente quente. O mate deve ser tomado em sorvos longos e lentos; nсo com excessiva forуa, mesmo quando nсo esteja fluindo com facilidade atravжs

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da bomba. Para melhor entendimento deste verbete convжm examinar os termos mate-chimarrсo, mate-amargo, chimarrсo, amargo, verde, congonha, erva, erva-mate, cuia, bomba, topete, mate-doce, tererЖ, mate-do-estribo, matear, verdear, congonhar, chimarrear e outros que a leitura dos citados irр sugerir).

“A erva-mate em histзria natural toma o nome de Ilex paraguayenses. Tambжm a denominam chр do Paraguai. Os ьndios guaranis a denominavam cogoi e caр, sendo esta Щltima palavra mais usada. A palavra congonha, como a denominavam em Sсo Paulo e em Minas Gerais, cabe Я erva encestada, ж uma palavra composta de cogoi e da partьcula nha, encestar, isto ж, por em jacр ou em cesto. O mate tem entre os ьndios guaranis uma origem mitolзgica. Comeуaram eles a usar como bebida a erva-mate, cad por indicaусo de um pajж, feiticeiro. Segundo a lenda, tendo anhang aparecido a esse pajж, narrou-lhe as virtudes e os males do caр. E desde entсo comeуaram a usр-la com as devidas precauушes para tirar dela as vantagens tЗnicas e medicinais, evitando seus inconvenientes. Nсo sз os pajжs como os caciques nas grandes decisшes, nos conselhos, nada resolvem sem tomar alguns tragos de mate. Tal ж a conta que tЖm de suas virtudes. Os ьndios guaranis usam o caр em infusсo com рgua nсo muito quente, a que chamam caay, mate, e com рgua fria, como refresco tЗnico, a que chamam tererж. Na opiniсo deles, a рgua quente, fervendo, tira-lhe as virtudes e faz mal. Segundo autores notрveis, o mate tomado Я noite provoca insЗnias. ╔ excitante e tЗnico do sistema nervoso. O seu uso moderado estimula a imaginaусo e facilita o trabalho intelectual. Por sua aусo tЗnica promovendo o equilьbrio fisiolзgico, constitui um sedativo do sistema nervoso. O mate chimarrсo ж que goza dessas propriedades. Porжm, para que ele dЖ resultado, nсo deve ser tomado com рgua muito quente. Tomado com рgua fria, o tererж, alжm de ser um refresco, ж mais enжrgico em as ditas virtudes medicinais.” (Joсo Cezimbra Jacques, Assuntos do Rio Grande do Sul, P.A., Of. da Escola de Engenharia, 1912). “Tendo na mсo a cuia de mate – quente como uma presenуa humana – e chupando lentamente na bomba, Ana Terra Яs vezes ficava sentada Я sombra duma laranjeira, na frente de seu rancho, tentando lembrar-se das coisas importantes que tinham acontecido desde o dia em que ele chegara Яquele lugar.” (Erico Verьssimo, O Tempo e o Vento, P.A., Globo, 1950, p. 134).

“Quando ela me passa o mate eu sinto um forte desejo de em vez de chupar a bomba sorver-lhe a boca, num beijo.” (Hugo Ramьrez, in Cancioneiro de Trovas).

“Mate bueno de gosto amarguento, de erva batida na concha da mсo, de bomba de prata chapeada de ouro, de cuia cozida com cinza e carvсo.

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Mate gostoso, cevado de novo, recжm escorrido, ainda espumante, que a gente tragueando se sente contente e esquece um momento a gaЩcha distante. Mate que encerra em seu gosto esquisito o mesmo amargor da saudade febril que vem da lembranуa de uns olhos profundos. Mate que lembra os ervais tсo bonitos que vivem da seiva do imenso Brasil, – a terra mais fжrtil das Terras do Mundo !!! -” (Lauro Rodrigues, Minuano, P.A., Globo, 1944, p. 29).

“Em seguida traz o mate cevado por ela mesma numa cuia aparelhada, vem de pezinho estalando na chinelita bordada. Eu, chiru mui marombero, vou mateando e dando prosa, porque sempre o assunto vem, mas meu feitiуo estр todo naquele lindo vaivжm. Traz o mate topetudo e leva a cuia vazia, tocando-se os nossos dedos e nesse leve roуar trocamos fundos segredos. Nesse andar dela pra cр, a minha ida ao seu encontro, (eu fachudo, ela garrida) estр pra um ьndio como eu o encanto guasca da vida. Ela vai encher a cuia, a cuia vou lhe alcanуar. O tempo assim vai correndo, quando em silЖncio imagino que a bomba ж agulha tecendo as tranуas do meu destino. Meu alazсo estр inquieto, fazendo bulha no freio. Chego na porta, bombeio, e vejo dois barreirinhos, trabalhando no seu ninho, que jр estр quase no meio. Vendo lр fora os barreiros, eu penso em nзs aqui dentro: carregando eles o barro com tanto empenho e carinho, e nзs, no vaivжm da cuia, trilhando o mesmo caminho! – Que estр neste chimarrсo o barro pra o nosso ninho! (Zeca Blau, Poncho e Pala, P.A., Sulina, 1966, p. 24-25).

“E entre o amargo e a tragada tranqueiam na madrugada tantos recuerdos perdidos. E o chimarrсo macanudo vai entrando pelo sangue! Vai melhorando as macetas, curando as juntas doridas como рgua arisca de sanga sobre loncas ressequidas. O peito avoluma e arqueia como cogote de potro. E as ventas se abrem gulosas por cheiro de madrugada. – Potrilhos em disparada num Setembro de alvoroto. Ah! sangue velho… Descubro porque hoje estрs de vigьlia: – Dois sжculos de Fronteiras, de madrugadas campeiras, de velhas guardas guerreiras bombeando pampa e coxilha! Por isso ж que hoje nсo dormes! Ouviste a voz de ancestrais:

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- O chimarrсo principia! Alerta! O campo vigia! Da meia noite pra o dia um taura nсo dorme mais.” (Aureliano, Romances de EstРncia e QuerЖncia, 2ф ed., P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981, p. 18-19).

“E assim ж que o mate amargo tem muito de pago e china. E a tradiусo ж que ensina que o chimarrсo, no passado, foi erva amaldiуoada e por isso foi queimada por um conselho sagrado.” (Dimas Costa, Carta Я Mсe Natureza, P.A., Ed. Lamar, 1979, p. 27).

“O mate que a china alcanуa na despedida, ж verdade, tem o verde da Esperanуa e o amargo da Saudade.” (Luьs Alberto Ibarra, Canусo do Sul, P.A., Secretaria da Agricultura, 1958, p. 30).

“Me assento sobre um pelego Que, num cepo, se conserva. Passo a mсo na lata d’erva Feita de folha madura… EssЖncia charrua e pura, Que traz o gosto do pampa. Com rude naco de guampa Vou medindo a cevadura. Ajeito a erva na cuia, Reclinada na canhota. Toda a erva que se bota Deve ter medida certa… Depois, com рgua jр esperta, Faуo o topete dum lado, Que fica meio inclinado No dedo grande que aperta. Enquanto a lenha crepita, E meu chimarrсo nсo sai, Me lembro que o Paraguai Nos legou esta liturgia… Dizque, lр, com рgua fria; Quente aqui, como um desejo. Caramba, quase nсo vejo Minha chaleira que chia.” (Cyro Gaviсo, QuerЖncia Xucra, Ed. Porto Alegre, 1966, p. 53).

“Amargo doce que eu sorvo Num beijo em lрbios de prata! Tens o perfume da mata Molhada pelo sereno, E a cuia, seio moreno Que passa de mсo em mсo, Traduz no meu chimarrсo, A velha hospitalidade Da gente do meu rincсo!” (Glauco Saraiva, No Reino da Poesia, Ed. Assoc. de Cultura Literрria de Porto Alegre, 1951,p. 51).

“Do mate.

Hр uma рrvore importante que nasce sem se plantar. Sua folha ж estimulante depois de se a sapecar. ╔ planta mas chamam erva. Dizem que as forуas conserva dos que a tomam no freqЧente. ╔ chupada de um porongo com canudo e рgua-quente.” (Hжlio Moro Mariante, Fronteira do Vaivжm, P.A., Imprensa Oficial do Estado do Rio Grande do Sul, 1969, p. 32).

MATEADOR, s. Aquele que gosta de tomar mate, que toma muito mate. O mesmo que matista.

MATE-AMARGO, s. O mesmo que mate-chimarrсo. Chimarrсo, amargo, verde.

“Potreiro grande, aqui no pampa largo, onde guardas as ‘prendas’ do costume: um rancho alegre perto do tapume, a chinoca, o cavalo e o mate-amargo.” (Valdomiro Sousa, O GaЩcho nсo

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Morre, in No Reino da Poesia, ed. da Assoc. de Cultura Literрria de Porto Alegre, 1951,p. 39).

“Yo he conocido esta tierra en que el paisano vivia y su ranchito tenha y sus hijos e mujer… Era una delicia el ver cЗmo pasaba sus dias. Entonces … cuando el lucero brillava en el cielo santo y los galos con su canto nos decьan que el dьa llegaba, a la cocina rumbiaba … el gaucho que era un encanto. Y sentao junto al jogзn a esperar que venga el dia, al cimarrЗn se prendia hasta ponerse rechoncho, mientras su china dormia tapadita com su poncho.” (Josж Hernрndez, Martьn Fierro).

“El mate amargo

No sж que tiene de rudo, no sж que tiene de рspero. no sж que tiene de macho, el mate amargo. El sirve para todo; para lo bueno, para lo malo; жl lava los dolores del pecho a cada trago; es el cЩralo todo em la casa de gaucho; alegra la alegrьa y destiыe la pena, el mate amargo. El es el contemporрneo de la bota de potro Y de las nazarenas, y de la guitarra; pero de la guitarra que usaba cintas como las chinas cintas celestes o cobradas. En el campo no hay boca masculina que rehuse besarlo, as manos callosas que no le hagan un hueco al mate amargo. L Cзmo me siento suyo! L cзmo lo siento mьo, al mate amargo!; Yo lo llevo disuelto en la sangre como uno jugo americano. No sж que tiene de sьmbolo el mate amargo. Por el pico plateado de la bombilla canta de madrugada como um pрjaro gaucho.” (Fernрn Silva Valdжs, apud Tito Saubidet, Vocabulario y Refranero Criollo, Buenos Aires, 1958).

“Como su gusto es amargo, las clases acomodadas lo usan com azЩcar; pero em la campaыa este renglзn ha sido antes muy caro, y por eso los gauchos se han acostumbrado a tomar mate amargo, es decir, sin azЩcar. Esta falta de ingrediente usado por la gente de los pueblos ha producido la clasificaciзn de cimarrзn silvestre com que se designa por antonomasia el mate amargo, que es de uso general en la campaыa.” (Hilрrio Ascasubi, apud Vocabulario y Refranero Criolo, Buenos Aires, 1958).

MATEAR, v. Tomar mate, chimarrear, verdear, congonhar.

“╔ por isso meu patrьcio Que nсo mateio solito Embora o verde bendito Pra mim seja mais que vicio. ╔ o meu Щltimo munьcio Que nсo dispenso nem largo E peуo a Deus, sem embargo, Na xucreza do meu canto, Que no Cжu me guarde um Santo Parceiro pra o Mate Amargo!” (Jaime Caetano Braun, Potreiro de Guaxos, p. 55).

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MATE-CHIMARR├O, s. Mate amargo, mate sem aуЩcar.

MATE COMPRIDO, s. Mate em que se colocou quantidade insuficiente de erva, ficando espaуo excessivo para a рgua.

MATE CURTO, s. Mate em que se colocou quantidade excessiva de erva, deixando-se pouco espaуo para a рgua.

MATE DE ARMADA CURTA, s. Mate muito quente, a ponto de queimar a boca.

MATE-DOCE, s. Mate com aуЩcar ou com mel. ╔ muito apreciado pelas mulheres.

“... la tia Clodomira dejз de acompaыarlos a la hora del mate dulce, que despuжs da siesta saboreaban reunidos…” (Gregorio Alvarez, Trenza Nativa, Buenos Aires, Editorial Escorpio, 1965, p. 131).

“Quanto a mim, mate divino Inspirador de cantores, Foste o filtro dos amores Que enfeitiуou meu destino Pois este andejo teatino Ao sorver-te a vez primeira, Se adonou dessa maneira, – Deus permitiu que assim fosse – Da que encheu o mate doce, Minha doce companheira!” (Jaime Caetano Braun, Potreiro de Guaxos, p. 31).

MATE-DO-ESTRIBO, s. Ultimo mate, tomado jр na ocasiсo de pЗr o pж no estribo para montar e ir embora. O Щltimo mate que se dр Я pessoa que estр prestes a sair, a pж ou em qualquer conduусo. // O mesmo que mate-do-estrivo, mate para o estribo ou mate para o estrivo.

“- Bueno … sejр se vai, entonces tome otro mate prр o estribo…” (Natalio Herlein, Os “Causos” do “Seu” Fausto, p. 79).

MATE-DO-ESTRIVO, s. O mesmo que mate-do-estribo.

MATE ENSILHADO, s. Mate cuja erva foi parcialmente substituьda, para tornр-lo mais forte.

MATEIRO, s. Pessoa que explora a erva-mate.

MATE PARA O ESTRIBO, s. O mesmo que mate do estribo.

MATE PARA O ESTRIVO, s. O mesmo que mate do estribo.

MAT╔RIA, s. Pus que sai das feridas.

MATEZINHO, s. Diminutivo de mate. O mesmo que matinho.

MATINHO, s. Matezinho, diminutivo de mate.

“Do recanto em que ‘stou vejo Matinhos ‘stares tomando; Quando chega a minha vez Os pauzinhos ‘stсo nadando.” (Quadrinha popular).

MATISTA, s. O mesmo que mateador.

MATREIRAКO, adj. Muito matreiro.

MATREIRAR, v. O mesmo que matreirear.

MATREIREAR, v. Tornar-se o animal arisco, matreiro, recalcitrante, difьcil de trazer para o rodeio ou para a mangueira. Fugir para o mato, esconder-se para nсo se deixar pegar. Mostrar-se esquivo, arredio. // Em sentido figurado, mostrar-se a pessoa esperta, matreira; excusar-se com evasivas a ultimar um negзcio, a chegar a um acordo, a ceder alguma coisa.

MATREIRO, adj. Diz-se do animal arisco, esquivo, recalcitrante, que se esconde no mato para nсo se deixar pegar. // Diz-se, tambжm, da pessoa muito es-

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perta, difьcil de convencer, que raramente cede ou entra em acordo, que estр sempre de mр-fж e com evasivas.

MATUNGADA, s. Porусo de matungos. Cavalhada, mesmo nсo sendo constituьda exclusivamente de matungos. O mesmo que matungama.

MATUNGAMA, s. O mesmo que matungada.

MATUNG├O, s. Aumentativo de matungo. Cavalo grande, ruim, ordinрrio, lerdo, pesadio, sem vivacidade.

MATUNGO, s. Cavalo velho, ruim, imprestрvel. O mesmo que pilungo, sotreta, urucungo, mancarrсo. Hр no Rio Grande do Sul a tendЖncia de estender o uso do termo a qualquer cavalo, embora novo e bom. // Aplica-se, tambжm, Яs pessoas. // (Etim.: ╔ palavra usada em Cuba, com a significaусo de dжbil, enfezado, fraco, definhado, particularmente em relaусo aos animais. Segundo J. Raimundo, ж palavra da lьngua banta).

“Qual matungo apaixonado Atrрs da жgua-madrinha, Assim pena, assim padece Esta bem triste alma minha.” (Quadrinha popular).

“Encilhar o matungo, ir, ao tranquito, Dar uma volta por aqueles pagos… E, na venda mais prзxima apeando, Cantar ao violсo, tomando uns tragos.” (MЩcio Teixeira, Na EstРncia).

“Alguns matungos, mais cansados que seus donos, tambжm pateavam o corredor, num passo de tomara-que-um-dia-eu-chegue-lр.” (Tau Golin, TrЖs Lжguas de Volta, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1980, p. 49).

MATURRANGADA, s. Grande nЩmero de maturrangos. // Erro cometido em assunto de pecuрria. // Serviуo de campo mal feito, por quem nсo conhece a lida ou monta mal a cavalo; trabalho executado por maturrango. // O mesmo que maturrengada ou baianada.

“Mas ж tambжm engraуado Ver uma maturrangada Quando o cabra ж meio tonto Fica com a perna apertada Dizendo logo de pronto Mas que жgua desgraуada.” (Edegar Motta, Pрginas de minha Terra, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1980, p. 44).

MATURRANGAR, v. O mesmo que maturranguear.

MATURRANGO, s. Indivьduo que monta mal a cavalo, que nсo entende dos trabalhos de campo. Baiano, no sentido de mau cavaleiro. Indivьduo inрbil, bisonho, pouco prрtico, em qualquer atividade. O mesmo que maturrengo. (╔ vocрbulo hispano-americano).

“Maturrango: El que no sabe andar bien a caballo. Maturrangos llamaban los gauchos de la жpoca de nuestra IndependЖncia a los soldados espaыoles que les hacьan la guerra, por ser poco jinetes.” (Justo P. Saenz (h), EquitaciЗn Gaucha, Buenos Aires, Ed. Peuser, 1959, p. 248).

“Era uma vez, era e nсo era um monarca num pingo, um menino e um matungo, um menino maturrango e o matungo malacara.” (Augusto Meyer, Segredos da InfРncia, P.A., Globo, 1949, p. 125).

“Sei que tu жs maturrango, Porжm, dou-te a preferЖncia.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor,

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1978, p. 48).

MATURRANGUEAR, v. Fazer coisas de maturrango, mostrar-se mau cavaleiro, nсo saber executar os serviуos de campo ou executр-los mal. O mesmo que maturrangar e maturrenguear.

MATURR├O, s. Besta velha, ou cega, imprestрvel para o trabalho.

MATURRENGADA, s. O mesmo que maturrangada.

MATURRENGO, s. O mesmo que maturrango.

MATURRENGUEAR, v. O mesmo que maturranguear.

MAU JOGO, s. Trapaуa. Trancamento com a perna ou qualquer outro procedimento, de um dos corredores de parelheiro, para atrapalhar a corrida do cavalo adversрrio e ganhar a aposta. └s vezes ж estabelecido o mau jogo nas condiушes da carreira, excluьda, em geral, apenas a permissсo de segurar as rжdeas do adversрrio.

MAULA, adj. Ruim, pusilРnime, mau, covarde, tьmido, medroso, frouxo, mole, fraco, ordinрrio, sem prжstimo, sem energia. // Aplica-se a animais e a pessoas. (Etim.: ╔ palavra castelhana).

“O mais maula levava pelos meos dois pares de bolas;” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P. A., Globo, 1973, p. 46).

“Quero montar, neste dia de festanуa e de alegria, da saudade o pingo maula, e percorrer toda a serra, os campos de minha terra, de Sсo Francisco de Paula!” (Rui Cardoso Nunes).

“Essa indiada nada maula toda a Serra percorria, de Sсo Francisco de Paula aos confins da Vacaria.” (Zeno Cardoso Nunes, Ladrсo de Gado).

MAULITA, adj. Diminutivo de maula.

MAXAMBOMBA, s. Trole para carga e descarga de embarcaушes. Carro de dois pavimentos, movido a vapor, existente outrora em Porto Alegre.

“A maxambomba era um pesado carro, movido a vapor, comportando em cada viagem vinte passageiros. Esse carro comeуou a trafegar em 19 de novembro de 1864 e logo depois cessou por nсo serem satisfatзrios seus resultados.” (G. H. Maseron, Notas para a histзria de Porto Alegre).

MAXIXE, s. Espжcie de pepino comestьvel.

MAZANZA, adj. MacambЩzio, triste, moleirсo, pateta, desapontado, corrido, desajeitado, mazombo.

MAZANZAR, v. Mostrar-se mazanza.

MAZUNGA, s. Desarranjo, desordem; desarrumaусo, relativamente a roupas guardadas em malas ou gavetas. (O vocрbulo parece ser de origem africana).

MECHIFLARIAS, s. Quinquilharias, bugigangas, coisas sem valor.

MECHINFLМRIO, s. Quinquilharia, bugiganga, ninharia, coisa sem valor. // Enredo, intriga, confusсo, coisa embrulhada. // O mesmo que mexinflзrio.

MEGANHAS, s. Soldados de polьcia. (Desus.).

MEIA-CANHA, s. Antiga danуa de roda, executada ao som de uma polca, muito usada antigamente no Rio Grande do Sul. ╔ uma das variedades de bailes campestres chamados fandangos. Parece nсo tratar-se de danуa de ori-

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gem castelhana como o nome deixa transparecer, pois era danуada principalmente no interior e na zona nordeste do Estado.

“Levantava-se o moуo com o lenуo na mсo, dava com esse um sinal a uma moуa e ela saьa tambжm com um lenуo na mсo; esta dava o mesmo sinal a um moуo e Жste saьa, repetindo-se isso atж que fossem tirados os moуos e moуas que quisessem danуar. Feito isso, formava-se a roda, a mЩsica tocava uma polca. O moуo saindo, entсo, colocava-se no meio da roda, sempre danуando e fazendo sinal a uma moуa, que saьa e tambжm ia para o meio. A roda anda para um lado e os dois no centro ao contrрrio. Depois de muitas negativas e requebros, o moуo dр um sinal e a mЩsica pрra e, entсo, na frente da dama, tomando um ar imponente, recita:

Eu plantei a sempre-viva Sempre-viva nсo nasceu. Tomara que sempre viva O teu coraусo com o meu.

A moуa respondia:

Tu plantaste a sempre-viva Sempre-viva nсo nasceu, ╔ porque teu coraусo Nсo quer viver com o meu. Incontinente toca a mЩsica, o par se liga, danуa um pouco, e a moуa entсo leva o moуo para o lugar dele na roda, e, ficando sozinha, dр sinal a outro moуo e este sai, repetindo-se as escaramuуas.” (AntЗnio Stensel Filho, descriусo da media-caыa danуada no Paraguai).

“No costumbrismo lр de fora, Hugo Ramьrez nсo se esquece de focalizar, no capьtulo XVI, intitulado ‘O Fandango e a Peleja’, o colorido coreogrрfico da meia-canha,” (Rui Cardoso Nunes, Comentрrio sobre Rio dos Pрssaros,).

“Meia-canha e canha inteira, Meia-Ganha e canha e meia. Enquanto a gaita floreia, a roda fecha a porteira. Linda essa danуa campeira! ╔ a Polca-de-relaусo! Os versos vжm e se vсo, ‘desempenho’, uma risada. Nсo fica gente parada. Nunca se perde a esperanуa. A Meia-Canha ж uma danуa romРntica e engraуada.” (AntЗnio Augusto da Silva Fagundes, Danуas GaЩchas, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970, p. 192-

93).

MEIA-DOBLA, s. Moeda que vale a metade da dobla ou dobra.

MEI┴GUA, adj. Lunanco.

MEIA-LUA, s. Sinal com forma de um crescente, localizado na testa de alguns animais.

MEIA-R╔DEA, adj. Diz-se da andadura do cavalo com velocidade maior do que a do galope ordinрrio, porжm menor do que a de carreira. Diz-se, ainda, da viagem apressada, acelerada.

MEIA-R╩S, adj. Diz-se do animal que tem as patas brancas de um lado.

“Com patas brancas de um lado ж o que chamam meia-rЖs.” (Firmino de Paula Carvalho, PЖlos).

MEIO, s. Meio-real. Cem rжis, ou seja, metade do valor da moeda oriental que correspondia a duzentos rжis, dois tostшes.

MEIO CANGOTILHO, s. O mesmo que meio -cogotilho.

MEIO-COGOTILHO, s. Tosadura que se

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faz nas crinas do animal, baixa entre as orelhas e elevando-,se progressivamente, atж o meio do pescoуo, acompanhando-lhe a curvatura. Da metade do pescoуo atж Яs cruzes, neste toso, a crina nсo ж cortada.

MEIO-REAL, s. Cem rжis, metade de um real que na fronteira gaЩcha equivalia a duzentos rжis ou dois tostшes. O mesmo que meio.

MEIO-TOURO-MEIO-GALO, s. e adj. Indivьduo valente, guapo, peleador.

MELADO, adj. Diz-se do cavalo que tem o pЖlo e a pele brancos. Albino. Os animais desse pЖlo tЖm em geral os olhos ramelosos e nсo enxergam bem nos dias claros.

“Mostra-se preocupado esse gaЩcho com o desinteresse existente para esse assunto, havendo paisanos de boa cepa que mal distinguem douradilho de colorado, baio-encerado de sebruno, bragado de tobiano, gateado de baio-amarelo, melado de baio-ovo-de-pato. E, por falar nestes Щltimos pЖlos,jр Virgьlio, nas suas “Geзrgicas”, se ocupou do assunto, isto ж, antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, “Noble es el rucio azul, noble el castaыo, de blancos e melados desconfio.” O gaЩcho antigo tambжm nсo gostava desses pЖlos, tanto que aь estр o ditado: “Cavalo branco ou melado, nem dado, nem bem comprado”, ainda corrente. A pelagem melada ж a albina, que se carateriza pela ausЖncia de pigmento na pele, nos pЖlos e nos olhos, ou seja, falta-lhes a melanina, de cuja intrincada constituiусo molecular e oxidaусo dependem as suas diferentes tonalidades. Os melados enxergam mal, por isso sсo assustadiуos. E, tambжm, sсo dorminhocos por que cerram as pрlpebras para resguardarem da luz os olhos despigmentados.” (Sylvio da Cunha Echenique, excerto de artigo publicado no Correio do Povo).

“O Melado de olho branco, De todos ж o mais lacaio: Nсo monto nem pra um ensaio. Ou pra matar uma bronca; Nem o couro dр pra lonca E ж perseguido de raio.” (Firmino de P. Carvalho, Geraусo pelas Caronas, Pelotas, Ofigraf, 1957, p. 53-54).

MELADOR, s. Indivьduo que se dedica Я extraусo do mel silvestre.

MELANCIA, s. Designaусo dada durante a revoluусo de 1923 aos indivьduos que, dizendo-se partidрrios do governo, que usava como distintivo a cor verde, eram, no intimo, adeptos da oposiусo que adotava a cor vermelha como emblema. Note-se que a melancia do Rio Grande do Sul ж verde por fora e vermelha por dentro.

MELAR, v. Ir ao mato procurar e apanhar o mel da abelha silvestre.

“Tranquei portas e janelas e saь para buscar um porongo de mel de lexiguana, por ser o mais fino. E fui;melei;e voltei.” (Simшes Lopes, Lendas do Sul, P.A., Globo, 9ф ed., 1976, p.

46).

MEL DE CH├O, s. Mel de abelha silvestre, cuja colmжia ж feita no solo.

MEL DE PAU, s. Mel de abelha silvestre, cuja colmжia ж feita em oco de pau.

MELEIRA, s. Qualquer colmжia de abelhas silvestres.

MELEIRO, s. Espжcie de pica-pau.

MEL┌RIA, s. Lisonja, agrado.

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MEMМRIA, s. Jзia, anel. (╔ palavra antiga e quase em desuso).

MENDUBI,. s. Amendoim. O mesmo que mandubi.

MENEAR, v. Dar golpes com a mсo. Executar qualquer coisa com as mсos. Manejar.

MENEAR CASCO, expr. Correr muito, o parelheiro.

MENEAR O CORPO, expr. Fazer negaуa com o corpo.

MENSTRUS, s. Mastruуo.

MENSUAL, s. O assalariado, o empregado. // adj. Mensal, por mЖs.

MEQUETREFE, adj. Diz-se do indivьduo vagabundo, tratante, capadзcio, acanalhado, fanfarrсo.

MERCADINHO, s. Quitanda. Pequeno estabelecimento comercial que negocia com frutas, verduras e cereais.

MERINМ, s. Tecido ou pano de lс merina. O mesmo que merino.

MERMA, s. Quebra, diminuiусo, perda de quantidade ou de peso em uma mercadoria ou em qualquer coisa. “Depois de ensacada a lс houve uma merma de muitos quilos”. “A merma do rio foi grande”. (╔ termo castelhano).

MERMAR, v. Diminuir, decrescer, minguar, perder em valor, em peso, em quantidade ou em velocidade.

“Plata, a falar a verdade, foi coisa que sempre mermou na minha guaiaca…” (A. Maia, Alma Bрrbara, P. 85). “O gado, aqui, nсo merma: o campo ж de qualidade, agЧenta qualquer peso.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lelo & Irmсo, 1910, p.

59).

“E quebrando a calma do ambiente Onde mermara a conversa, Foi pedindo ao bolicheiro: Um naco de fumo bueno, Duas latas de pescada… DepЗs… um liso da branca Pra refrescar a memзria.” (Marco Polo Giordani, Terra de Herзis, P.A., 1973,p.21).

“Carregaram no Chimango Que jр nсo tinha mais gente, Pois a que havia, descrente, Aos poucos ia mermando Como gado magro quando Chega o inverno de repente.” (Homero Prates, Histзria de D. Chimango, RJ, Livr. Machado, 1927, p. 63).

“E ansim, tudo na EstРncia Vai mermando devagar, Tudo de pernas pra o ar, Nem tem mais vergonha a gente ;” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 72).

MERMAR O CORPO, expr. Procurar o indivьduo a cavalo tornar o corpo mais leve nсo se firmando muito nos estribos.

MESA, s. O soalho do carro ou da carreta.

MESQUINH┴DOR, s. e adj. Cavalo que mesquinha.

MESQUINHAR, v. Fugir o animal com a cabeуa nсo permitindo que se lhe ponha o freio ou o buуal. // Figuradamente, procurar a pessoa fugir de qualquer assunto ou esquivar-se de fazer qualquer coisa; mostrar-se ressabiado ou desconfiado. Mostrar-se mesquinho, pouco generoso.

MESQUINHO, adj. Diz-se do animal que foge com a cabeуa, nсo permitindo que se lhe ponha o freio ou o buуal. // Figuradamente, diz-se de pessoa aris-

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ca, difьcil, desconfiada, sucetьvel, cheia de precauусo.

MESTRE, s. Moirсo grosso que serve de apoio principal Я cerca de arame, o qual ж colocado em suas extremidades ou Рngulos.

METER A CATANA, expr. Falar mal de alguжm.

METER A PATA, expr. Cometer gafe.

METER AS BOTAS, expr. Falar mal de alguжm, criticar acremente.

METER A VIOLA NO SACO, expr. Calar-se. Deixar de pavonear-se. Acovardar-se.

METER NAS IMBIRAS, expr. Recolher o preso ao xadrez; amarrar o criminoso.

METER O CAVALO, expr. Interferir, decidir, atuar, apartear. O mesmo que meter o petiуo.

METER O PAU. expr. Atacar, criticar, censurar, falar mal de alguжm. O mesmo que descambar a madeira.

METER O P╔ NA LAКADA, expr. Cair na armadilha preparada pelo antagonista.

METER O PETIКO, expr. O mesmo que meter o cavalo.

METER-SE EM ASSADO, expr. Envolver-se em questшes complicadas, meter-se em embrulhos.

METIDO, adj. Intrometido, abelhudo, que se faz passar por pessoa importante.

MEXER, v. Incomodar, incitar, levar Я bulha, ridicularizar, zombar de alguжm.

MEXERICADA, s. BalbЩrdia, desordem, confusсo, mistura de coisas ou de animais que deviam estar separados.

MEXERICO, s. O mesmo que mexericada. Maуo de palha seca, de milho, amarrado a um suporte qualquer, na beira do rio, sobre o qual se faz passar a linha de pescar, para que, quando o peixe a puxar, produza ruьdo que alerte o pescador.

MEXIDA, s. Intriga, coisa embrulhada. // O mesmo que mexericada e mexerico, no sentido de balbЩrdia, confusсo, desordem, mistura de objetos ou de animais que deviam estar separados.

MEXIDO, s. Nome dado ao feijсo, carne picada, ou qualquer outro gЖnero alimentьcio, em geral sobra da refeiусo anterior, que se prepara mexendo-se, a quente, em panela ou frigideira, com farinha de mandioca.

MEXINFLМRIO, s. O mesmo que mechinflзrio.

MIANGO, s. Pequena porусo, pedacinho.

MIANGOS, s. Cacarecos.

MICHARIA. s. Coisa de pouco valor, coisa sem importРncia.

MICHE, adj. O mesmo que mixe.

“O tal dono da invernada Tinha tambжm um boliche, Negocinho muito miche, Fumo, cachaуa e mais nada;” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 62).

MICUIM, s. Inseto parasita de minЩsculas dimensшes, quase invisьvel, que vive nos gramados e nos arbustos, e que ataca o homem e os animais.

MIJAC├O, s. Flictena, tumor ou abcesso que aparece na sola dos pжs das pessoas que andam descalуas, principalmente das crianуas de zona rural. Acreditam os camponeses que o mijacсo seja proveniente de contato demorado da pele da sola do pж com a urina do cavalo. Var.: Mijicсo.

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MIJIC├O, s. O mesmo que mijacсo.

MILES, adj. Milhares, grande quantidade.

“E miles de gente cortou estrada, rumo aos campos de Caaporс, pra ver o boi encantado que tinha as aspas de ouro.” (Luiz Carlos Barbosa Lessa, O Boi das Aspas de Ouro, P.A., Globo, 1958, p. 20).

“- EstРncia de marca grande, rapaziada: sсo miles e miles de cabeуas, tudo animalada linda e parelha como esta.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 59).

“Com o arco-ьris, nossos campos nimba! Nossos telhados, toma por marimba, e tamborila com teus miles dedos.” (Rui Cardoso Nunes, Chuvinha).

MILEVA, s. Caуador que nсo tem conduусo nem recursos para participar de caуadas, indo a elas Яs expensas de um companheiro. (╔ termo da gьria dos caуadores).

“Mileva ж o caуador Que nсo tem auto pra viagem, Leva ж o dono do auto, Que sabe tirar vantagem.” (Joсo do Brejo, Mileva”).

MILHADO, adj. Diz-se do animal que adoece por haver comido milho em excesso. // Figuradamente, bЖbado, жbrio, embriagado.

MILHO-CATET├O, s. Milho proveniente da mescla de diversos tipos, de cultivo muito antigo no Rio Grande do Sul.

MILHO-CATETE, s. Tipo de milho (Zea mays amillaceae) de cultivo muito antigo no Rio Grande do Sul, podendo ser considerado natural da regiсo. Hр o amarelo e o claro, ambos ricos em teor farinрceo.

MILHO-CRIOULO, s. Milho (Zea mays indurata) de cor vermelha, duro, de cultivo muito antigo no Rio Grande do Sul, principalmente na fronteira.

MILHO-QUARENT├O, s. Tipo de milho cultivado hр muito tempo no Rio Grande do Sul.

MILICADA, s. Grupo de milicos. Os milicos. O mesmo que milicama.

“Se empezз en aquel entonces A rejuntar caballada, Y riunir la milicada Teniжndola en el cantзn, Para una despediciзn A sorprender a la indiada.” (Josж Hernрndez, Martьn Fierro).

MILICAMA, s. Grupo de milicos. Milicada.

“Esse pingaуo quando ouvia o charachachр de um entrevero e sentia o faro de sangue, a alaЩza do combate, os gritos da milicama e aquele cheiro esquisito de pзlvora, suor de cavalos, poeira… cheiro de guerra, vossemecЖ sabe… pois aь carecia de ginete para lo sustentar, porque disparava, nсo da luta, que nсo era pingo pra isso, mas lр pra frente, querendo comandar, fazendo o sinuelo no mais. (Hжlio Moro Mariante, O Dente do Minuano, in Revista da Academia Rio-Grandense de Letras, n║ 1, P.A., 1980, p. 52).

MILICO, s. Soldado, militar, policial, miliciano, de qualquer classe ou posto.

MILONGA, s. Espжcie de mЩsica dolente, crioula, de origem platina, cantada com acompanhamento de guitarra ou violсo. // Figuradamente, mexericos, dengues, manhas, desculpas descabidas.

“Eu sou a velha milonga, consolo de ьndio esquecido,

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gemendo sigo o gemido do rodado das carretas. Em noite tordilha ou preta vou rompendo, tento a tento, silЖncios de acampamento, enquanto o ьndio nсo deita.” (Guido de Jesus Machado Moraes, Rodeio Emotivo, Fundaусo Educacional de Alegrete, org. por Moacir Santana, 1979, p. 16).

MILONGAGEM, s. Dengue, manha, requebro, pieguice.

“... nсo vale a pena de falar nestes chicos pleitos de namoriscos e milongagens de crianуas.” (Simшes Lopes, Novos Contos GaЩchos, p. 39).

MILONGUEIRO, s. e adj. Cantador de milongas. // Manhoso, dengoso, labioso, piegas, jeitoso para enganar os outros.

MINGO, adj. Pequeno, menor, mьnimo: “o dedo mingo”, o mьnimo; “a costela minga”, a menor costela.

MINGUINHO, adj. Diminutivo de mingo.

MINHOCA, s. Nome usado para qualquer oligoqueto. // Isca.

MINIG┬NCIAS, s. Miudezas, tarecos, bugigangas, quinquilharias, ninharias, restos, coisas sem importРncia. // Sovinice.

MINISTRADA, s. Grupo de ministros. Os ministros.

MINUANA, s. Nome de planta da famьlia das Enoterрceas.

MINUANO, s. Indьgena dos minuanos, tribo que antigamente habitava o sudoeste do Rio Grande do Sul; relativo aos minuanos. // Vento frio e seco que sopra do sudoeste, no inverno. Vem dos Andes, passando pela regiсo onde habitavam os ьndios minuanos, dos quais tomou o nome. O minuano modifica a atmosfera, dissipa as nuvens, enxuga as estradas, e prenuncia tempo firme e seco. Sua duraусo ж geralmente de trЖs dias. Chama-se tambжm carpinteiro-da-costa ou minuano claro. Hр, ainda, o minuano sujo ou carpinteiro-da-praia, que ж o vento de sudoeste acompanhado de chuva. (V. Pampeiro).

“Recebido de frente, nas coxilhas e escampados, o minuano ж navalliante, cruelmente frio. O gaЩcho recebe-o, porжm, com satisfaусo, adivinhando nele duros dias de inverno, mas de tempo firme e seco. O minuano ж hoje um sьmbolo do Rio Grande, um admirрvel preparador de resistЖncias.” (Callage).

“Poderoso exaustor, limpa completamente os miasmas e gases deletжrios que sobem dos monturos e pauis, as impurezas todas que andam no ar. Num relРmpago espana o leito dos caminhos que atravжs da campanha serpenteiam, no mesmo andar que na cidade o pз das ruas e a fumaуa das fрbricas dissolve. De tal sorte que apзs sua passagem renovadora e clarificadora, do norte ao sul, no pampa ou na montanha, uma vera delьcia ж o respirar.” (Mansueto Bernardi).

o v~to-mito do Pago. Ronda trЖs dias e noites, assobiando nos capшes. Ќ Voz de fantasmas andejos, gemidos de entes penando, lamentos de assombraушes .

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Bebe as рguas dos caminhos pelo chсo em que ele passa, consome as pragas da terra, tempera o cerne da Raуa!” (Mozart Pereira Soares, Eva Cancheada, P.A., Ed. QuerЖncia, p. 29).

“Minuano

O minuano que passa esparrama a fumaуa do fogo de chсo. Minuano, tu жs a era renascendo da tapera da lenda, da tradiусo; no teu gemido se abriga a gauchada caьda pela glзria do Rincсo.” (Lauro Pereira Rodrigues, Minuano. P.A., Globo, 1944,p. 11).

“Na rua uma lua branca mais branca do que mortalha a coxilha amortalhava e o minuano esse vento que corta como navalha zunia e assobiava.” (Zeno Cardoso Nunes, O Causo do Pinheiro).

“Minuano de Junho

Ouуo esta noite toda em vigilia Doridas queixas do minuano, Forуando trancas, portas, janelas Nсo te recebo, vento aragano, Nau da amargura que, a todo o pano, O mar da vida como encapelas!” (Zeca Blau, Poncho e Pala, p. 65).

“E o minuano assopra o fogo que se aviva e que se aclara, se retempera e levanta como a saudade que canta nos lрbios do tapejara.” (Apparьcio Silva Rillo, Caminhos de Viramundo, P .A., Martins Livreiro- Editor, 1979, p. 42).

“Quanta emoусo ao rever a Casa onde passei a infРncia! Senti a carьcia do minuano diluindo pensamentos tristes e voei nas asas da distРncia onde danуaram minhas fantasias …” (Lia Corrжa, Bom Jesus, in Antologia da EPC, P.A., Sulina, 1970, p.

127).

“Carregado de mensagens, o minuano traz lamentos talvez de povos sofridos, enquanto todos os ventos cantam os cantos perdidos.” (Perpжtua Flores, Raiz y Nube, Argentina, Ed. Figaro, 1976, p. 85).

“Esses uivos do Minuano nas noites frias de invernos sсo os lamentos eternos do Negro do Pastoreio, que vem chorar no rodeio os seus queixumes mais ternos. Sсo os protestos veementes de tantos injustiуados, que bradam desesperados pedindo reparaусo E um grito de maldiусo de inocentes castigados .” (Guilherme Schultz Filho, Galponeiras, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981, p. 66).

“Primeiros frios rьgidos do ano. A noite ж longa e as chuvas sсo constantes. Parece haver na voz do minuano Guaraxains em bandos ululantes. Em planaltos imensos e distantes, sob o sopro do vento soberano, hр pinheiros antigos soluуantes que gemem como geme um ente

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(humano.

E a peonada no galpсo se abriga, ouvindo cousas da fazenda antiga e se aquecendo em volta da fogueira. E o mate vai de mсo em mсo passando, enquanto um preto velho vai contando o ‘causo’ do fantasma da mangueira.” (Josж JЩlio Barros, Noite de Inverno na EstРncia).

“Lр fora estр o minuano, sempre forte, a assobiar, lembrando, com seus lamentos, tristes murmЩrios do mar.” (Heloьsa Vaesken Guillжn, Vento dos Andes).

“Mas quando o minuano assobia na Serra, eu penso escutar a trombeta de guerra dos ьndios serranos chamados Caaguaras. ecoando nos campos, na fЩria do vento que rijo sibila, num longo lamento, fazendo de inЩbias as ocas taquaras!” (Rui Cardoso Nunes, Os Caaguaras, in Iconografia Poжtica do Indio do Rio Grande do Sul, Seleусo de Hugo Ramьrez, P.A., 1976, p. 36).

MINUANO-CLARO, s. Minuano. Carpinteiro-da-costa.

MINUANO-SUJO, s. Vento sudoeste acompanhado de chuva. Carpinteiro-da-praia, pampeiro.

MIO-MIO, s. Erva do campo, da famьlia das Compostas, muito venenosa.

“erva mui tзxica que cresce em reboleiras nos campos de boa qualidade. Sua folha, quase sempre verdoenga, ж um cрustico poderoso, pelo que os campeiros a empregam para curar as ovas dos cavalos, socando-as de mistura com um pouco de sebo (dos rins) e colocando essa mistura nas partes afetadas. Ingerida, essa planta mata em poucas horas um animal. O gado vacum e cavalar que vem da margem direita do Ibicuь, onde nсo hр essa erva, quando chega Я outra margem, desde que os tropeiros nсo tenham cuidado, come o mio-mio por ele desconhecido, morrendo completamente inchado e com uma sede devoradora, acompanhada de tenaz diarrжia. Os animais da margem esquerda do Ibicuь e os dos campos em que abunda essa planta, por instinto a evitam. Seu nome cientьfico ж Baccharis cordifolia.” (Romaguera).

“SilЖncio pesado havia, Nenhuma aragem bulia Com as moitas de mio-mio.” (Hermelindo Cavalheiro, O Negrinho do Pastoreio, P.A., Globo, 1954, p. 11).

MIRADA, s. Olhada, olhadela. Ato de mirar, olhar, fitar, cravar a vista.

MIRAR, v. Olhar, ver.

MIRADOR, s. Mirante, miradouro, miradoiro.

MIRIM, s. Pequena abelha silvestre da regiсo serrana, que fabrica excelente mel, com propriedades medicinais. ╔ desprovida de ferrсo e faz sua colmжia em ocos de рrvores, em cavidades nas paredes das casas e atж em buracos no solo. Nome do mel fabricado pela abelha mirim. (╔ termo da lьngua guarani e significa pequeno).

MIRIM-AZEVEDO, s. Abelha silvestre, muito pequena, cujo mel azeda em

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certa estaусo do ano.

MIRIM-GUAКU, s. Abelha silvestre, da regiсo serrana, que produz excelente mel, com propriedades medicinais. (Em guarani, mirim significa pequeno e guaуu, grande).

MIRIM-GUARUPU, s. Abelha silvestre, maior que o mirim-azedo, que fabrica mel muito saboroso.

MIRONES, s. Espectadores.

MISSIONEIRO. s. e adj. Indьgena das antigas missшes jesuьticas. // Habitante da regiсo Missioneira do Estado. // Relativo Яs mьssшes.// Missionрrio, aquele que realiza missшes.

“A trova do missioneiro por gosto no mais cantando, ж faca marca coqueiro: sai da bainha cortando.” (Zeca Blau, Poncho e Pala, P.A., Sulina, 1966, p. 43).

“Entrefechado espinheiro que se abre ao calor do afago, ж um caso a parte no pago o gЖnio do missioneiro: dele nos vЖm as legendas da crisma da nossa fж, o exemplo que deu Sepж, a tropilha azul das lendas, as artes do Generoso, a toada do Boi Barroso e heranуas da bruxaria Nem hр no Rio Grande inteiro rincсo como O missioneiro na floraусo da poesia.” (Hugo Ramьrez, Missшes).

MISSНES, s. Regiсo do Rio Grande do Sul, do Mato Castelhano Я barra do rio Ibicuь, onde estavam localizados os Sete Povos de Missшes.

“O nascimento, glзria e morte das Missшes Orientais, parcela dos trinta povos, que compunham a Provьncia Jesuьtica do Paraguai, foram episзdios que se consumaram numa porусo geogrрfica que sз alguns decЖnios apзs a expulsсo da Companhia, veio a incorporar-se, por capitulaусo militar, ao territзrio rio-grandense. Antes, a рrea dos Sete Povos, ainda que desde muito negaceada pelos luso-brasileiros, pertencia, toda ela, ao domьnio espanhol. Os fastos da crЗnica missioneira ocorreram, assim, do outro lado da nossa fronteira histзrica e polьtica, sendo, portanto, inteiramente estranhos aos fatores ativos da nossa tradiусo. A temerрria experiЖncia da Companhia de Jesus foi levada a efeito em termos da mais viva hostilidade ao mundo luso-brasileiro. Era natural, jр por isso, e nas penosas circunstРncias em que se realizou, que nada tenha transmitido, nenhum legado cultural, Яqueles que acabaram senhores do territзrio onde uma vez haviam sido as Missшes Orientais da Provьncia do Paraguai. Na verdade, a anexaусo dos antigos Sete Povos ao Brasil, em 1801, nсo trouxe como consequЖncia nenhum processo local de aculturaусo. Jр nсo havia ali o que assimilar. Dos restos de gente que tinham sobrado entre as ruьnas, sombras apрticas e estuporadas, a rigor nenhum ser vivo em condiушes de receber nem transmitir qualquer tipo de influЖncia. Dos campos de trabalho e de guerra que, ao lado do esplendor e das festas litЩrgicas, emprestaram, um dia, vida e calor Я clausura missьoneira, nenhum vestьgio humano. Depois do colapso, que se verificou, desde o abalo da primeira viga atж o Щltimo desmoronamento, sob a inteira responsabilidade das

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guarniушes espanholas, pouco ficou de tudo alжm de escombros, histзrias de subterrРneos, tesouros escondidos, vagas superstiушes. Passados mais de trinta anos sobre a expulsсo dos jesuьtas, quando Borges do Canto e Santos Pedroso rechaуaram dali, num golpe fulminante, os comandos castelhanos, viu-se que o decantado fastьgio das Missшes Orientais jр pertencia ao mundo das coisas imponderрveis e que os aguerridos catecЩmenos de outrora, relaxada a fжrrea disciplina em que viveram sob os jesuьtas, iam jр de regresso, em marcha batida, e sem o aprumo antigo, para a sua condiусo de bрrbaros: neles se haviam deteriorado para sempre o vigor da heranуa selvagem. Eram os sobejos escarmentados de uma experiЖncia frustrada de civilizaусo. Como se o que restara jр nсo fosse tсo pouco, algum tempo depois as reiteradas faуanhas de Andresito Artigas atrairiam e sacrificariam muitos desses pobres ьndios. A seguir Fructuoso Rivera irromperia ali de surpresa e arrastaria em dezenas de carretas quase tudo do pouco que sobrara. Atrрs do caudilho oriental, desarvorados, se foram por assim dizer os Щltimos detritos daquela populaусo condenada, numa surda e arquejante transmigraусo. Tinha-se apagado de todo a tradiусo jesuьtica. “A invasсo de Rivera, – conclui Aurжlio Porto, – o Жxodo dos remanescentes das populaушes indьgenas que seguem o caudilho em sua retirada, o despovoamento completo dos Sete Povos de massas dessa origem, marcam inegavelmente o fim do regime missioneiro.” Por isso jр em 1882 Alcides Lima sentenciava: “As missшes em nada influьram no carрter da formaусo rio-grandense.” Destruьdo o passado, outra histзria, outra experiЖncia, sob inspiraусo polьtica antagЗnica, iam comeуar ali, no exclusivo interesse da estruturaусo definitiva do Rio Grande do Sul. Nсo se tratava de um simples processo de enxertia. Era uma planta nova que ia meter ali novas raьzes. Uma civilizaусo diferente, sob outra bandeira, sob outro signo cultural, nasceria e tomaria corpo sobre os destroуos de uma construусo que se erguera ao arrepio dos tempos. Sз uma coisa nos ficou do passado morto: O papel de depositрrios de ruьnas alheias. Depositрrios por sinal nem sempre zelosos. Uma vez, folheando o orуamento de certa Prefeitura, surpreendeu-nos a consignaусo de uma taxa para a venda, a tanto por metro cЩbico, do material das velhas taperas missioneiras! Hemetжrio Veloso da Silveira, por sua vez, teve ocasiсo de identificar esse mesmo material atж na construусo de chiqueiros! Viu ainda com melancolia uma venerрvel pia batismal servindo para dar milho e sal a muares! Nсo era preciso chegar a esse grau do desrespeito para mostrarmos que nada nos diziam particularmente os entulhos dos Sete Povos… O certo ж que a vida pregressa das missшes jesuьticas, estranha e hostil Я formaусo rio-grandense, jр estava inteiramente desmantelada, sociologicamente inerte, quando a antiga рrea missioneira foi anexada ao domьnio luso-brasileiro. A densidade demogrрfica dessa рrea era praticamente igual a zero: 1 habitante para 53 km!”

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(Moysжs Vellinho, Capitania d’El-Rei, P.A., Globo, 1964, p. 102).

“A Guerra das Missшes, se assim pode ser classificada essa seqЧЖncia de bрrbaras chacinas, em que dois exжrcitos disciplinados e aparelhados com as melhores armas do tempo se atiram contra chusmas de ьndios quase indefesos, ж uma das pрginas mais dolorosas da histзria das Missшes. Nсo se pode ainda, de sс consciЖncia, pesar a responsabilidade que cabe aos Jesuьtas nesse transe que destrзi a sua prзpria obra e arrasta, conseqЧentemente, Я queda a mesma Companhia. Conforme Capistrano de Abreu, a maior culpa que pesaria sobre os Padres seria a de acreditarem-se poderosos para ajudarem as duas Cortes a ‘consumar facilmente esse ultraje Я humanidade’ e ‘bem caro pagaram esse excesso de fraqueza ou de vaidade: quando os ьndios se levantaram, desmentindo ou antes engrandencendo seus Padres, mostrando que a catequese nсo fora mera domesticaусo e a vida interior vibrava-lhes na consciЖncia, aos Jesuьtas foi atribuьda a responsabilidade exclusiva em um movimento natural, humano e por isso mesmo irresistьvel’. O relato dos encontros e combates que se seguem atж Я chacina de Caaibatж, em que tombam milhar e meio de ьndios, ж um atestado vivo da incЩria desses infelizes, que lavram com o seu prзprio sangue um dos maiores protestos da histзria sul-americana contra a iniqЧidade que pesou sobre os seus destinos. Acompanharam-nos os Padres. IngЖnuoS, ou intencionalmente votando-se a um sacrifьcio que seria superior Яs suas forуas, nсo poderiam desertar nessas horas amargas que lembravam as primeiras arremetidas dos bandeirantes sobre as primitivas aldeias cristсs do Tape.” (Aurжlio Porto, Histзria das Missшes Orien tais do Uruguai, 2ф Parte, P.A., Livr. Selbach, 1954, p. 216). “Somente em janeiro de 1756 fizeram junусo os dois exжrcitos. Dias depois morre, numa escaramuуa de vanguarda, o cacique Sepж Tiaraju. Nсo desistiram, porжm, da luta os missioneiros e, reunidos em grande nЩmero, sob o comando do cacique Nicolau Neenguiru ofereceram batalha ao exжrcito luso-castelhano, nas margens do arroio Caibatж, nascentes do rio Cacequi, lugar que, mais tarde, se chamaria Campo da Cruz. A tropa guarani, colocada atrрs de leve sistema de trincheiras, foi atacada de frente e envolvida por ambos os lados. O Cel. Tomрs Luьs Osзrio atacou a ala direita missioneira, desbordando-a, enquanto os espanhзis realizavam idЖntica manobra pela ala esquerda. Caibatж nсo foi, a rigor, uma batalha. Foi uma tremenda matanуa de ьndios, carecedores do necessрrio preparo militar com que enfrentar os dois exжrcitos peninsulares. Faltou aos jesuьtas a devida autoridade para impedir que seus pupilos se lanуassem naquele matadouro, visto que protestavam obediЖncia ao soberano espanhol. Confrontem-se as baixas: os ьndios deixaram no campo 1200 mortos, inclusive seu chefe, ovalente Nicolau Neenguiru. Os espanhзis

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tiveram dois mortos e dois feridos, e os portugueses, dois mortos e dezoito feridos. O nЩmero de mortos dos guaranis foi trezentas vezes maior que o de seus opositores. Nсo obstante essa derrota catastrзfica, o сnimo varonil dos ьndios nсo foi quebrado. Continuaram oferecendo resistЖncia, sempre que as condiушes do terreno o permitissem. Ficaram mais prudentes. Lutam, a 22 de marуo, na Boca do Monte, e a 3 de maio, no caminho da Capital das Missшes, no povoado de Sсo Miguel. Depois, a 10 de maio, no arroio Churiebi, atual Chuni, onde sofrem sangrenta derrota, com baixas insignificantes para os exжrcitos da demarcaусo. Daь para diante nсo houve mais resistЖncia organizada. Os guaranis incendiavam as povoaушes que eram obrigados a abandonar e, guiados pelos padres, transpunham o rio Uruguai, ou internavam-se na densa floresta.”њ (Arthur Ferreira Filho, Histз ria Geral do Rio Grande do Sul, P.A., Globo, 1974, p. 4546).

“Como sempre estivemos convencidos da impossibilidade da existЖncia de tesouros enterrados pelos jesuьtas, aqui damos em nota 7) as relaушes das grandes quantidades de alfaias que o governo do Brasil arrecadou nas missшes, depois que destas se apropriou. (...) 7) Como uma prova de que os jesuьtas nсo esconderam tesouros em parte alguma, fazemos menусo da extraordinрria quantidade de prata e objetos de ouro das igrejas alжm do Uruguai, destruьdas e saqueadas por ordem do general Chagas Santos. Essa prataria e a arrecadada da igreja de Sсo Borja, dando um total de oitenta ou mais arrobas, consta da certidсo fornecida pelo almoxarife AntЗnio Pedro Frasсo de Lima ao cЗnego Gay e por este transcrita na nota 49 da sua citada obra. Esse documento oficial diz o seguinte: 11 custзdias com o peso total de 3 arrobas, 6 libras e 2 onуas. 7 Рmbulas com 23 lb. e 2 onуas, 49 patenas com 8 1/2 libr., 52 cрlices com 1 arroba e 31 1/2 libr., 10 cruzes grandes com 2 arrobas, 18 lib. e 10 onуas, 15 ditas menores, 4 coroas, 8 purificadores, 5 hostiрrios, 37 sacras com 5 arrobas e 5 lib., 16 vasos de santos зleos, 5 palmas com 5 libras e 6 onуas, 2 bacias, 12 estantes com 2 arrobas e 29 lib., 8 pares de galhetas, 1 par de ditas e campainha dourada, 14 turьbulos, 12 navetas, 2 saleiros com salvas, 6 vasos para flores, 3 ditos para sete lustres, 1 bordсo de Sсo Josж, 19 campainhas, 2 salvas para galheteiros (prata dourada), 82 castiуais com 13 arrobas, 2 Cristos de prata, 2 barrilinhos de prata, 1 braseiro com 2 libras, 2 incensadores, 2 chaves de sacrрrio, 27 pratos para galhetas com 29 lib. 19 ditos com 19 lib. 3 caldeirinhas com hissope, 7 varas de cereais com 3 1/2 arrobas, 44 canudos vazios, 4 ciriais com 1/2 arroba, 1 conxa de batismo, 6 copos, 35 colheres de cрlices, 7 relicрrios de prata, 2 lРminas de dar a paz, prata quebrada 17 arrobas, 1 rosрrio de ouro com topрzio, 1 relicрrio de dito. Essa foi a prata vinda dos povos da margem direita do Uruguai. A levada para Porto Alegre, pertencente Я igreja de Sсo Borja constava: 1 cruz paroquial, 2 tocheiros grandes, 1 terno de sacras,

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2 estantes, 1 Santo Cristo, 2 turьbulos com naveta, 3 cрlices com patenas, 1 caldeirinha com hissope, 1 jarro, 1 vaso, 1 purificador, com tampa e prato, 1 custзdia dourada, 1 alРmpada, 1 serpentina com 7 luzes, 1 caixa para hзstias, 12 campainhas, 4 castiуais grandes de banqueta, 1 relicрrio de prata, 1 bordсo de Sсo Josж, 2 arandelas, 2 coroas de Nossa Senhora, 1 par de galhetas com salva dourada, 1 campainha dourada, 1 rosрrio de ouro, o que tudo excedeu, muito de seis arrobas. 8) Entre os sonhadores com tesouros dos jesuьtas conhecemos em Sсo Miguel um capitсo de navio mercante por nome Joaquim Josж Pereira que abandonou a profissсo e a famьlia e viveu por mais de dez anos a fazer escavaушes. A Щltima, na igreja, foi no espaуo da capela mor, onde perfurou tanto o sub-solo, que encontrou uma abundante veia e tЖ-lo-ia sepultado, se um dos seus escravos nсo o tivesse salvado. Desanimado depois disso, retirou-se para Sсo Joсo do Monte Negro, onde faleceu com mais de noventa anos. Teve ele um filho, muito ajuizado, que foi professor em Porto Alegre, no bairro do Menino Deus. De um outro sonhador de tesouros jesuьticos, dр notьcia o Comжrcio de Joinvile (Santa Catarina) nos termos seguintes: “Da freguesia da Penha de Itapocoroi nos comunicam que no morro da Prainha, situado Я praia daquela freguesia, hр um mЖs para cр trabalha pertinazmente o Sr. AntЗnio Silveira, fazendo profundas escavaушes e cortes extraordinрrios em busca de cinqЧenta mil contos e um Santo Inрcio de ouro, com o peso de 80 quilos, ali deixados pelos jesuьtas, quando expulsos do Brasil. O Sr. Silveira guia-se nesses trabalhos por um mapa que acredita deixado por aqueles religiosos, e morando numa gruta daquele morro, diz, que se nсo encontrar a riqueza por cujo fim trabalha, acabarр doido e morrerр imediatamente, conforme lhe diz uma voz intima, que o guia nessa dificьlima tarefa.” Essa notьcia vem transcrita no Jornal do Comжrcio de Porto Alegre, de 17 de marуo de 1906.” (Hemetжrio Josж Velloso da Silveira, As Missшes Orientais e seus Antigos Domьnios, 1909, reed. pela Cia. Uniсo de Seguros Gerais, P.A., 1979. p. 195 e 197-98).

“Casa das Armas e prata de Missшes. – Д 29 – Este estabelecimento ж digno de atenусo, tanto pela elegРncia do interior e boa distribuiусo, como pelo asseio, limpeza e bom trato com que se cuida do armamento. Em um repartimento desta mesma Casa se conservam ainda os despojos das Missшes situadas alжm do Uruguai, conhecidos em geral por prata de Missшes. Ali se vЖ um retрbulo quase inteiro, todo construьdo em prata maciуa, com a imagem da Virgem e Apзstolos em relevo; cрlices, castiуais, pрtenas e outras alfaias do mesmo metal e de ouro; assim como vestimentas, frontais de tisso (sic) de ouro e outras de veludo, alvas e toalhas finьssimas, missais de todos os tamanhos e riqueza, outros muitos objetos do serviуo das igrejas, tudo riquьssimO, mas quase tudo em mau estado por sua antigЧidade e mau trato. As coisas que sсo de prata puramente ainda chegam a um peso de 64 arrobas (cerca de 940 kg). Pode portanto dizer-se que existem hoje

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em Porto Alegre grandes fragmentos da riqueza do Impжrio Guaranьtico. Contudo, estamos longe de pensar que estes despojos possam valer uma sз folha de louro ao nosso exжrcito. Atribui-se ao MarquЖs de Alegrete (Assumiu a 13 de novembro de 1814 como capitсo-general, sucedendo a D. Diogo de Sousa, e passou o cargo ao Conde da Figueira a 19 de outubro de 1818) a ordem positiva para se incendiarem as igrejas de Missшes alжm do Uruguai e tirar-lhes tudo o que lhes fosse pertencente. Esta ordem fora comunicada pelo General Curado (Joaquim Xavier Curado) ao Marechal Chagas (Francisco das Chagas Santos), comandante entсo em Missшes, que a fez cumprir e conduzir os despojos para esta provьncia, e sinos atж onde puderam transitar. Eis o fruto da anarquia militar e dissoluусo do tempo do MarquЖs de Alegrete. Nсo sabemos quem tem a culpa de feitos tсo desastrosos, que tanto eclipsaram o brilho das nossas armas, se da Corte se nсo tivesse ordenado, como jр se ordenou em outro tempo, a restituiусo, e sз resta cumprir esta disposiусo equitativa, filha da sabedoria, integridade e retidсo, reparando os danos nсo autorizados pelo direito da guerra, quando ser possa, logo que alguma forma de governo ganhe estabilidade entre aqueles povos. Com este procedimento digno de um povo brioso e honrado, publicando-se os nomes dos culpados por nсo ser justo que a honra do exжrcito fique comprometida por causa dos erros de alguns indivьduos, fica salva a honra nacional e reconhecida a boa fж e integridade do povo brasileiro.” (AntЗnio Josж Gonуalves Chaves, Memзrias Economopolьticas sobre a Administraусo PЩblica do Brasil, RJ, Tip. Nacional, 1822, reed. pela Cia. Uniсo de Seguros Gerais, em P.A., 1978, p. 107-108).

“Ouro, prata, cristais – A nсo ser no arquivo secreto da Ordem e nesse mesmo, escrito, diz-se, em grego e hebraico e pouco em latim, e ainda assim parte em cifra, nсo tem a crЗnica leiga informaусo certa para transmitir quanto Я captaусo dos metais preciosos pelos jesuьtas no Rio Grande. Diz-se que extra ьam minжrio de prata na Missсo de S. Lourenуo; que colheram abundante ouro nos cзrregos de (hoje) Lavras e Sсo Sepж; em Canguуu e outros lugares das serras existem ainda velhas galerias cavadas por mсos mestras e atribuьdas aos padres. Ocuparam-se, pois, de mineraусo? ╔ certo que foram acusados de explorar minas clandestinamente: poderia ser uma acusaусo maldosa, mas podia ser uma verdade obscurecida pela dificuldade da prova. Todos os padres aprendiam o abaa-nЖenga, mas proibiam aos ьndios usar de outra lьngua que nсo a sua, nativa. Desta forma ficava impossibilitada a comunicaусo correntia deles com os conquistadores platinos e lusitanos e portanto impenetrрvel o segredo do que se passava naqueles sertшes, alжm do mais, hostis para o estranho. O certo ж que as suas igrejas possuьram algumas centenas de arrobas de prata em obras; lРmpadas, candelabros e outras alfaias, muitas das quais de provрvel fatura local, pois

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que havia ьndios ourives – discьpulos dos padres. Nessa жpoca raro aparecia moeda cunhada, na colЗnia; nos pagamentos corriam as barrinhas de ouro e de prata, de peso e valor conhecidos; os saldos dos negзcios das Missшes eram enviados para a Europa ao Padre Geral da Ordem e nesse saldo de negзcios ninguжm poderр afirmar que nсo fossem agregados os lingotes fundidos nas reduушes, por um valor que se nсo pode determinar. Da metrзpole, sempre рvida e insaciрvel das riquezas do Novo Mundo ж que nсo desciam como dрdiva piedosa aqueles dons, ricos, das igrejas. Outra nсo menos curiosa indagaусo ж a referente aos cristais preciosos, abundantes no latifЩndio missioneiro – azuis, roxos, amarelos, vermelhos -, rubins, topрzios, ametistas, safiras que, nсo podiam, de forma alguma, escapar Я inteligente busca dos padres e que foram, por certo, brilhar na Europa, lapidados e vendidos por preуos de alta cotaусo.” (Simшes Lopes, Terra GaЩcha, P.A., Sulina, 1955, p. 118-20).

“Ao lado de Cacambo, Caitetu, PindЗ, Lindзia e de Tatu-Guaуu – que nunca desonraram teus brasшes – Tu – meu Sepж, herзi Morubixaba – Nсo foste, apenas, Chefe de uma taba, Foste o fanal divino das Missшes.” (Fernandes Barbosa, Sepж, P.A., Tip. Santo AntЗnio, p. 10).

MISTURADA, s. Moуa de cor morena, cabocla, mulata, mestiуa. // Denominaусo de uma danуa executada no final dos bailes, constituьda de valsa, polca e outras marcas, desempenhada quase sempre com o mesmo par.

MISTURAR-SE, v. Brigar.

MISTURAR-SE NA BALA, expr. Brigar a tiros.

MISTURAR-SE NO FERRO, expr. Brigar de facсo, de faca ou de espada.

MITRA, s. AstЩcia, manha. Usa-se tambжm como adjetivo, com o significado de astucioso, manhoso, finзrio, mitrado.

MITRAК├O, s. Aусo prзpria de mitra ou mitrado. // Tratantada, esperteza.

MITRADO, adj. Esperto, finзrio, astucioso, manhoso, sagaz, vivo, atilado. O mesmo que mitra.

“Nisto, um aspa-torta, gaЩcho mui andado no mundo e mitrado, puxou-me pela manga da japona…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 29).

MIUКALHA, s. Gente miЩda, crianуada, pequenada, miudagem, garotada.

MIUDAGEM, s. Porусo de objetos de pouco valor, de coisas miЩdas, de restos de mercadorias que estсo em liquidaусo. Gado miЩdo, em geral gado de cria, terneirada. Grupo de miЩdos, com a significaусo de meninos, guris, garotos, crianуas.

MI┌DO, s. Menino, guri, garoto, crianуa. // Animal pequeno.

MI┌DOS, s. Dinheiro em moedas de pequeno valor. // Vьsceras dos animais de corte, bovinos, suьnos, ovinos e aves.

MIXANGA, s. Caipira.

MIXE, adj. Apoucado, enfezado, peque-

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no, pьfio, ruim, insignificante, ordinрrio, desprezьvel, sensaborсo, de mр qualidade, pouco desenvolvido, que nсo tem prжstimo, sem animaусo, sem brilho.

“- Veja vancЖ, que desgraуados; tсo ricos – e por um mixe couro do boi velho! ...” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 44).

MIXМRDIA, s. Confusсo, balbЩrdia, misturada, intriga, mexerico.

MOAFOS, s. Roupa velha, maltratada, de pouco valor.

MOКADA, s. Grupo de jovens. Rapaziada.

“A esta, querida entre todas as suas recordaушes, elegia habitualmente para narrar Я moуada, nas grandes reuniшes da estРncia” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p. 32).

MOCHA, adj. Mulher de seios pequenos.

MOCHAКO, s. O mesmo que muchacho.

MOCHAR, v. Enganar, iludir alguжm, faltar a um compromisso.

MOCHO, s. Uma raуa de gado bovino, sem chifres ou com os chifres atrofiados. // RЖs desprovida de chifres, de qualquer raуa.

MOCOTМ, s. Patas de bovino, sem cascos; o alimento preparado com essas patas.

MOCOTOZADA, s. Prato preparado com as patas do bovino. Mocotз.

MOCUREIRO, s. Pessoa sem habilidade na sua arte ou no seu ofьcio. Matсo.

MODA, s. Canусo, modinha, toada.

MODE, adv. Devido a, por causa de.

“Jр falara com o seu Aires, da venda, mode o gado que tinha na EstРncia” (A. Maia., Ruьnas Vivas, Porto. Lello & Irmсo, 1910, p. 103).

MOEIR├O, s. Moirсo, mourсo, moerсo, palanque.

MOER├O, s. O mesmo que moeirсo.

MOFINO, adj. Avarento, mesquinho.

MOGANGO, s. Fruto do mogangueiro, muito saboroso, que se come cozido ou assado, puro ou com outros alimentos, principalmente com carne ou leite.

MOIRAMA, s. O mesmo que mourama.

MOIRONADA, s. Porусo de moirшes, uma partida de moirшes. O mesmo que mourama.

MOJAR, v. Amojar.

MOLAR, s. Variedade de pЖssego com o caroуo solto.

MOLHO, s. ┴rvore (Schinus dependens), tambжm chamada assobiadeira.

MOLITO, adj. Frouxo, lascivo, indolente.

MOMBUCA, s. Variedade de abelha silvestre.

MOMPATIA, s. Homeopatia.

MONARCA, s. GaЩcho que monta com garbo e elegРncia, em animal bom e bem parelhado. Adj. Diz-se do cavalo faceiro, garboso, voluntрrio e guapo.

“ж sinЗnimo de gaЩcho na sua mais alta significaусo, pois monarca se refere exclusivamente ao que monta com garbo e elegРncia em montaria Я altura do montador. Para o monarca das coxilhas nсo hр segredos, nсo hр dificuldades que ele nсo venуa, e, dominando o cavalo com a sua intrepidez de cavaleiro, ele ж o verdadeiro dominador do meio em que vive. Daь o termo monarca.” (Callage).

“Que saudades eu nсo tenho

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Daqueles tempos passados, Em qu’eu montava um tordilho Com arreios prateados E riscava campo fora Entre os monarcas largados!” (Dos versos de um rio-grandense no Paraguai).

“Falava-se em guasca largado, como quem dissesse quebra-largado, torena, monarca das coxilhas. Como quem diz – gaЩcho. A violenta expansсo de individualismo, quase narcisismo, que palpita ainda em tais vocрbulos! Palavras de sangue quente, revelam o excesso de vitalidade que se apega ao desafio por desfastio e Я ebriez de si mesmo, como o touro escarva a terra. ╔ menos que egolatria e mais do que bravata, ж uma forуa que se gasta por necessidade. E hр um fundo ingЖnuo em tamanho entono. Ainda que mal compare, seria neceSSрriO recorrer ao motivo musical do Siegfried moуo, aquele que Nietzsche amou tanto, para sentir a energia matinal, a pulsaусo da vida, mas tambжm a cegueira que anima o rapsodo de si mesmo, o eu embebedado pela contemplaусo do eu e elevado Я nota mais aguda, ao cantar:

Sou valente como as armas, Sou guapo como um leсo, ═ndio velho sem governo, Minha lei ж o coraусo.

Quando ato a cola do pingo E ponho o chapжu do lado E boto o laуo nos tentos, Por Deus! que sou respeitado!

Nсo tenho mancha nem medo, Nсo temo inverno ou verсo; Meu culto ж o das raparigas E do mate chimarrсo. Quando me ausento dos pagos, Isto por curto intervalo, Reconhecem minha volta Pelo tranco do cavalo.

Sem dЩvida, pela voz do cantor fala a exaltaусo da coragem pessoal, que ж da infРncia de todos os povos e anda em qualquer cancioneiro ou romanceiro ou epopжia.” (Augusto Meyer, Prosa dos Pagos, RJ, Livr. Sсo Josж, 1960, p.

18).

MONARCAКO, s. Aumentativo de monarca.

MONARCADA,s. Grande nЩmero de monarcas; os monarcas em geral. Monarquismo, monarqUeaусo.

MONARQUEAК├O, s. O mesmo que monarquiaусo.

MONARQUEAR, s. O mesmo que monarquiar.

“Gente cruzava por eles, descuidosa, ao tranco: primeiro, foi um velho, arrastando um couro, preso a cincha; depois, um gaЩcho em trajes de monarqUear.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lello & Irmсo, 1910, p.

77).

MONARQUIA, s. Vida, condiусo, costumes, usos do gaЩcho monarca.

“Todos cantam, trovam versos Com sua sabedoria Sз eu me ponho a cantar Pela lei da monarquia!” (Quadrinha popular).

MONARQUIAК├O, s. Ato de monarquiar. Monarqueaусo, monarquismo.

MONARQUIAR, v. Montar bem a cavalo, com elegРncia e garbo, como um monarca. Imperar, dominar. Andar o cavalo garbosamente.

MONARQUISMO, s. O mesmo que mo-

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narquiaусo.

MONDONGO DURO DE PELAR, expr. Coisa difьcil de fazer.

MONDONGUDO, adj. Diz-se do parelheiro ruim, para ridicularizр-lo ou depreCia-lo.

MONDRONGO, adj. Diz-se da pessoa mole, preguiуosa, sem iniciativa.

MONEAR, v. Fazer monadas, macaquices, trejeitos.

MONJOLEIRO, s, Indivьduo que toma conta do monjolo.

MONJOLO, s. Engenho tosco, movido a рgua, utilizado para socar milho ou qualquer outro produto.

MONTADO, adj. Diz-se de animal domжstico que se tornou bravio e vive no campo. (P. us.).

MONTANHA-RUSSA, s. Doce de vрrios cremes, servido em taуas, tendo por cima certa quantidade de merengada e sobre esta uma ameixa.

MONTEVID╔U, s. Cicatriz de ferimento recebido na guerra ou em briga. (P. us.).

MOQUEAR, v. Sapecar ou passar pelo fogo a carne da caуa a fim de conservр-la ou de tirar-lhe a catinga.

MOQUETA, s. Caipira.

MOQUETE, s. Sopapo, soco, tapa.

MORAMA, s. Certa porусo de moirшes de cerca ou de alambrado.

MORANGO, s. Frutilha, fruto do morangueiro.

MORCILHA, s. Tripa de boi recheada com sangue e algumas miudezas de porco e diversos temperos, O mesmo que morcela.

MORDAКA, s. Pedaуo de pau com mais ou menos dois palmos de comprimento e uma ou duas polegadas de diРmetro, fendido longitudinalmente atж alжm do meio, utilizado para amanciar tiras de ouro cru. // Tambжm se chama sovador.

MORENA, s. Moуa da campanha, gaЩcha. // Negra.

MORINGA,s. Moringue, quartinha.

MORISQuETA, s. Careta, momice. // Negaуa, gambeta que o animal faz com a cabeуa ao ser enfrenado ou tosado. // Pulo que o cavalo dр como sinal de contentamento. Corcovo.

MORMAКO, s. Quentura, calor intenso.

“Mas de verсo, depois da quentura dos mormaуos, comeуa entсo o seu fadрrio.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 137).

“Uma hora eles passam nessa luta de esforуos colossais, mas, envoltos na furia do mormaуo, sentem fraquear os mЩsculos de aуo, lutar nem podem mais.” (Zeno Cardoso, Briga de Touros).

“... enquanto torra as coxillias um mormaуo de sol forte…” (Lжo Santos Brum, Gente Guapa, Jaguarсo, Livr. A MiscelРnea, 1965, p.

17).

MORO, adj. O mesmo que mouro.

MOROCHA, s. Moуa morena, mestiуa, mulata, rapariga da campanha.

“Chimarrсo bueno e gostoso como beijo de morocha, que ж braseiro perigoso em boca em que desabrocha.” (Dirceu A. Chiesa, O GЖnio dos Pagos, P.A., Livr. Continente, 1950, p. 41).

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MOROCHO, s. Moreno, caboclo, mestiуo.

MOROINADA, s. Quantidade de moirшes. O mesmo que morama.

MOROSCA, s. Morocha, mestiуa, cabocla, qualquer pessoa morena e jovem do sexo feminino.

“nсo se dominou em face da morosca e sentando na rede, atirou-lhe com desplante uma graуola.” (A. Maia,Ruьnas Vivas, p. 66).

MORRENTE, s. e adj. Moribundo, que estр morrendo.

MORRINHA, s. Catinga dos animais de caуa.

MORRINHENTO, adj. Diz-se de coisa maуante, enervante, prolongada. // Enevoado, com relaусo ao tempo: “O dia todo foi morrinhento”.

MORRUDAКO, adj. Muito morrudo.

“Estendido nos pelegos, a cabeуa no lombilho, com o chapжu sobre os olhos, fiz uma sesteada morrudaуa.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos).

MORRUDO, adj. Grande, volumoso, corpulento, grosso, bem criado, gordo, avultado, comprido, alto, fora do comum, muito numeroso. “Tropa morruda”, tropa de muitas cabeуas, muito grande, de gado muito bom. “Pessoa morruda”, pessoa corpulenta. (Vem de morro).

“Caramba! rugiu o mulato, que pechada morruda!” (Apolinрrio Porto Alegre, O Vaqueiro, p. 31). “- Papai, aь vem uma tropa morruda, o corredor estр coalhado de novilhos, jр estсo abrindo a porteira.” (Luiz G. Gomes de Freitas, Gauchadas, 1957, p. 36). “O missioneiro benzeu, e entсo fincamos uma cruz morruda, de cambarр, para vigia Яs almas dos quatro mortos.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 32).

MORTO, s. Pau enterrado ao qual se prende o rabicho destinado a firmar o palanque mestre do aramado.

MOSCAR-SE, v. Fugir (Alentejano antiq.).

MOSQUEADOR, adj. Diz-se do animal que mosqueia.

MOSQUEAR, v. Movimentar o cavalo a cola para espantar as moscas que o perseguem, ou fazer tal movimento quando ж aуoitado ou esporeado.

MOSQUEAR-SE, v. Estar inquieto, sacudir as moscas.

MOSQUEDO, s. Mosqueiro. Grande quantidade de moscas; lugar onde hр muitas moscas.

MOSQUITEIRO, s. Reuniсo de espectadores de qualquer festa domжstica, os quais permanecem defronte Яs portas e janelas, no lado de fora da casa, para observarem o que ocorre e geralmente emitirem crьticas mordazes.

MOSSA, s. Sinal, para identificaусo, que se faz nos bovinos, ovinos e suьnos, consistindo em uma mossa recortada em uma das orelhas do animal.

MOSTRADO, adj. Balaqueiro, exibido, saьdo, prosa.

MOSTRAR AS CANJICAS, expr. Rir.

MOSTRAR-SE, v. Balaquear-se, exibir-se.

MOTA, s. Presente que o negociante dр a seu freguЖs, depois de uma compra feita pelo mesmo. // Inhapa ou iapa. // Gorjeta, molhadura, propina que se dр a alguжm por algum serviуo prestado. // Presente, esmola.

“... eu levianito e mui concho, que tinha alimpado o meu nome e

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inda levava de mota, na garupa, aquela florzita.” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 86).

“E foi um alegrсo por aqueles pagos, porque logo o ganhador mandou distribuir tambeiros e leiteiras, cЗvados de baeta e baguais e deu o resto, de mota, ao pobrerio.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 181).

MOTUCA, s. O mesmo que mutuca.

“Picada pela motuca, gadaria foge sem rumo… Enroscada como fumo em balcсo de bolicheiro, uma cruzeira bombeia, pra atirar no que rodeia, malevo bote certeiro!” (Santos, o Tropeiro, Gente Guapa, Jaguarсo, Livr. A MiscelРnea, 1965, p. 17).

MOURAMA, s. Moirama, mouronada. Uma partida de mourшes ou moirшes. Porусo de moirшes ou mourшes.

MOURO, adj. PЖlo de animal negro salpicado de branco. ╔ mais escuro que o tordilho-negro. Tem uma cor meio puxando a azul escuro que faz lembrar nosso granito ou ardзsia. // Um dos partidos no torneio denominado cavalhadas. // Var.:Moro.

“Em todo poncho hр uma gola, Em todo enterro um tesouro, Em toda cincha uma argola, Em toda manada hр um mouro.” (Humberto Feliciano de Carvalho, Minha EstРncia, Uruguaiana, Livr. Novidade Editora, 2ф ed., 1964, p. 58).

“O meu cavalo de guerra chamava-se “Liberdade! Chomico! Quanto saudade me alvorota o coraусo! Era um mouro fanfarrсo, crioulo da prзpria marca e eu ia como um monarca na testa de um esquadrсo.” (Guilherme Schultz Filho, Galponeiras, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981,p. 17).

“Quantas vezes, montando um pingo mouro, eu cruzei, como um rei, esta avenida, com aperos de prata, em tardes de ouro, sob o olhar da serrana mais querida?!” (Rui Cardoso Nunes, Revendo o Pago).

MOURONADA, s. Partida de mourшes; porусo de mourшes. Mourwna, moironada.

MOVER A CRIA, expr. Abortar, a vaca ou a жgua.

MOVIMENTADO, adj. Animado, o comжrcio ou o meio social de uma localidade.

MOVIMENTO TRADICIONALISTA GA┌CHO, s. Aусo cьvica, social, desportiva e cultural, de culto sistemрtico Яs tradiушes gaЩchas, atravжs de entidades denominados Centros de Tradiушes GaЩchas (CTG), em nЩmero superior a 300, com aproximadamente dois milhшes de associados. O Movimento Tradicionalista GaЩcho usa a sigla MTG. Nossos irmсos do Prata, uruguaios e argentinos, tambжm hр muito cultuam as tradiушes gaЩchas.

“Ainda em 1914 havia mais de duzentos pequenos clubes cuja finalidade ostensiva era perpetuar a tradiусo gaЩcha. Sз em Buenos Aires

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havia mais de cinqЧenta desses clubes. Os seus associados reuniam-se de vez em quando, Я noite, tocando violсo, cantando canушes gaЩchas, escrevendo jornais gaЩchos, representando peуas gaЩchas.” (Madaline Wallis Nichois, O GaЩcho, RJ, Ed. Zelio ValverdЖ S.A., 1946,p. 115).

MUCHACHA, s. Feminino de muchacho.

“Quando voltarmos, virрs um oficialсo bonito e guapo, que mamсe olharр com orgulho e as muchachas tambжm…” (A. Maia, Alma Bрrbara, RJ, Pimenta de Melo & C., 1922, p. 75).

MUCHACHADA, s. Grupo de muchachos. Rapazio, meninada, moуada. // Travessura prзpria da mocidade. Brincadeira. Criancice.

MUCHACHITO,s. Menino, gurizinho.

MUCHACHO, s. Rapaz, moуo. // Suporte em que descansa o cabeуalho ou a parte traseira da carreta. // Var.: mochaуo ou muchaуo.

“O couro bate na porta. Vai o muchacho de arrasto deixando atrрs o seu rasto rabiscado em linha torta;” (Juca Ruivo, Tradiусo, Ed. do CTG de Iraь, 1957, p. 36).

“Pertinho estava o carretсo, antigсo, jр meio desconjuntado, com o cabeуalho no ar, descansado sobre o muchacho.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 43).

MUCHACHOTE, s. Rapazote, mocinho.

MUCHAКO,s. O mesmo que muchacho.

MUКUM, s. Enguia do Brasil. // Em sentido figurado, pessoa de cor preta, negro.

MUCUREIRO, s. Indivьduo que atira mal, no esporte da caуa. Mau caуador. O mesmo que mocureiro.

MuDADOR, s. Lugar onde habitualmente sсo trocados os cavalos, que estavam sendo usados, por outros descansados.

MUI, adv. Forma apocopada de muito, de uso freqЧente na fronteira.

MUITO SIM SENHOR, expr. Muito Я vontade, com displicЖncia, descuidosamente, sem preocupaусo, com toda a calma. “Estavam todos preocupados, quando o guri apareceu muito sim senhor”, isto ж, apareceu com toda a calma, sem afligir-se.

MULADA, s. Grande nЩmero de mulas. Tropa de mulas.

MULADEIRO, s. Condutor de mulas, arrieiro, almocreve.

MULA-DE-PADRE, s. O mesmo que mula-sem-cabeуa.

MULA-SEM-CABEКA, s. Ente fantрstico em que ж transformada a mulher que vive amancebada com padre. O mesmo que mula-de-padre, burra-de-padre, cavalo-sem-cabeуa.

MULHERENGO, adj. Prзprio de mulher, mulheril, feminil.

MULITA, s. Espжcie de tatu de pequeno porte, de carne muito saborosa. A mulita, em cada pariусo, produz de oito a onze filhotes, todos do mesmo sexo. Mentira, logro, engano. Pregar ou passar mulita significa enganar, lograr.

“O tatu mais a mulita, ╔ lei da sua criaусo, Sendo macho nсo pode ter irmс, Sendo fЖmea nсo pode ter irmсo.” (Quadra popular).

“E a virge disse: – Mulita, como paga do leite de tuas filhas e da forуa de teus filhos, daqui por delante sempre que tengas ninhadas, seran solamente de machos ou sola-

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mente de fЖmeas.” (╦rico Verьssimo, O Tempo e o Vento, P.A., Globo, 1950, p. 89).

MUMBUCA, s. Variedade de abelha silvestre existente na regiсo serrana. Produz muito mel e cera.

MUMUCA, s. Ente fantрstico, espжcie de papсo, com que alguns pais asSustam as crianуas a fim de que parem de fazer manha.

MUND├O, s. Grande quantidade. “Um mundсo de gente compareceu Яs carreiras”, O mesmo que mundarжu.

MUNDAR╔U, s. O mesmo que mundсo.

MUND╔, s. Mundжu.

MUNDEIRO, s. Vagabundo, andejo. O mesmo que mundero.

MUNDERO, s. O mesmo que mundeiro.

MUND╔U, s. Armadilha para apanhar caуa. // Traiусo.

MUNDO E CARONA, expr. Trabalhos, provaушes. A luta pela vida, a experiЖncia adquirida com o tempo. “Fulano, para se endireitar, precisa de mundo e carona”, isto ж, precisa de passar trabalho, de lutar pela vida, de adquirir experiЖncia.

MUNGRIENTO, adj. Sujo, relaxado.

MUNHATA, s. Batata-doce.

MUNHECA,s. Mсo.

MUN═CIO, s. Gado de corte que segue as forуas, para alimentaусo dos soldados. RЖs, quase sempre terneira ou novilha, que ж incorporada Я tropa de gado vacum para ser abatida, durante a viagem, para alimentaусo dos tropeiros. // GЖnero alimentьcio que o tropeiro conduz consigo para as necessidades da viagem. // Muniусo de boca.

“Esperavam que o fogo se transformasse em braseiro para assar a carne do munьcio recжm abatido.” (Edy Lima, Minuano, RJ, Irmсos Pongetti, 1959, p. 257).

“Carneou-se ali o munьcio: Era um tourito brasino Gordacho e de pelo fino Que repontava o matambre;” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, P.A., Martins Livreiro-Editor, 1978, p. 14).

MUNTAR, v. Colocar-se sobre o animal de montaria, O mesmo que montar.

MUQUIКO, s. Lugar sujo e em desordem. // Piolho da roupa, tambжm chamado muquirana.

MUQUINHAR, v. Vadiar, vagabundear.

MURCHAR AS ORELHAS, expr. Aquietar-se. A expressсo “quando um burro fala o outro murcha as orelhas”, muito usada no Rio Grande do Sul, significa que quando uma pessoa estр falando as outras devem permanecer caladas.

MURINGA, s. Moringa, quartinha.

MURRINHA, s. Cheiro acre dos animais e tambжm das pessoas. // Cheiro das roupas servidas. // Preguiуa, moleza, lassidсo. // Morrinha.

MURRINHENTO, adj. O mesmo que morrinhento.

MURTILHO, s. ┴rvore da famьlia das Mirtрceas.

MUS, s. Jogo de cartas, oriundo da Espanha, usado na fronteira.

MUSCAR-SE, v. Fugir apressadamente, desaparecer. Moscar-se.

MUSSITAR, v. Murmurar, segredar, cochichar.

MUTREITA, s. Gordura excessiva do gado vacum. “Estar de mutreita”, signifi-

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ca ser muito gorda a carne ou o animal.

MUTRETA, s. Velhacaria, maroteira. // Negзcio escuso. // Golpe de mрgica que esconde intenусo de logro.

MUTRETEIRO, s. Fazedor de mutretas. Patife, velhaco.

MUTUCA, s. Mosca grande, de picada dolorosa, que irrita os animais. // adj. Diz-se do galo de briga ruim, ordinрrio para a rinha.

MUTUQUEIRO, s. Neзfito em brigas de galo.

MUXIBA, s. Pelancas, pedaуos de carne magra, retalhos de carne que se dр aos cсes. // Seios de mulher, magros e caьdos.

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N

NABO, s. A parte mais grossa do moirсo, palanque, tronqueira, poste ou esteio, que fica enterrada no chсo.

NACA, s. Naco, pedaуo, porусo, fatia.

NACO, s. Naca. Pedaуo de fumo ou de carne.

NA ESTICA, adv. Elegantemente vestido.

NAIPES, s. Baralho, cartas de jogar.

NAMBI, adj. Diz-se do animal cavalar ou muar que tem uma orelha, ou ambas, caьda, cortada, enrolada, atrofiada, murcha, muito pequena. (╔ uma abreviaусo de nambi xorж, do tupi, ou de nambi yeroр, do guarani, com a significaусo de orelhas caьdas ou derrubadas).

NAMBIJU, adj. Diz-se do animal vacum de pЖlo baio-pangarж que tem as orelhas amarelas.

NAMBU, s. O mesmo que inambu ou inhambu.

NANIQUICE, s. Pequenez, pouca altura.

N├O AGUENTAR CARONA, expr. Nсo suportar afrontas sem reagir. O mesmo que nсo aguentar carona dura.

N├O AGUENTAR CARONA DURA. expr. O mesmo que nсo agЧentar carona.

N├O AGUENTAR O BANCO, expr. Nсo se demorar, em visita. O mesmo que nсo esquentar o banco.

N├O AQUENTAR BANCO, expr. Nсo se demorar, em visita. O mesmo que nсo esquentar o banco.

N├O BEBERGUA NAS ORELHAS DOS OUTROS, expr. Nсo depender de favores: “Eu nсo bebo рgua nas orelhas desse indivьduo”, isto ж, nсo dependo de favores desse indivьduo.

N├O CORRER EM CONDIКНES, expr. Correr mal o cavalo por imperьcia do corredor.

N├O DAR CHANGUI, expr. Nсo fazer concessсo ao adversрrio.

N├O DAR RODEIO, expr. Ser o gado sem costeio, bravio, alуado, xucro, chimarrсo. // Nсo temer, nсo afrouxar, nсo agЧentar desaforo. // Nсo deixar o adversрrio em sossego.

N├O ENJEITAR PARADA, expr. Enfrentar o que vier. Nсo se negar a nada. Estar pronto para tudo o que acontecer.

N├O ESQUENTAR O BANCO, expr. Nсo se demorar. O mesmo que nсo aquentar banco ou nсo agЧentar o banco.

N├O ESTAR DE ARTES, expr. Nсo estar bem disposto.

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N├O ESTAR PARA CLAVO, expr. Nсo estar disposto a sofrer prejuьzo.

N├O FAZER MOSSA, expr. Nсo causar qualquer abalo.

N├O GASTARLVORA EM CHIMANGO, expr. Nсo perder tempo dando atenусo a quem nсo a merece.

N├O GRANAR O CATETE, expr. Nсo se realizar o que estava planejado. Nсo se conseguir o que se pretendia.

N├O LEVAR DESAFORO PARA CASA, expr. Nсo voltar para casa sem ter revidado ofensa recebida.

N├O LEVAR QUALQUER UM PARA COMPADRE, expr. Nсo aceitar a amizade ou a companhia de qualquer pessoa.

N├O LIGAR UM PITO, expr. Nсo dar a menor importРncia.

N├O MAL COMPARANDO, expr. Comparaусo depreciativa em que o falante, embora ofendendo, manifesta a intenусo de nсo ofender: “Aquele taura, nсo mal comparando, ж como porco: come e vira o cocho.”

N├O-ME-TOQUE, s. ┴rvore (Chuquirega spinescens Back) da famьlia das compostas, com espinhos muito agudos, reunidos em grupos, disseminados pelo tronco.

N├O-ME-TOQUES, s. Melindres, dengues, atitudes efeminadas.

N├O OLHAR P╩LOS NEM MARCAS, expr. Nсo rejeitar o carreirista competidor algum, seja ele qual for.

NA ORELHA, expr. Em corrida de cavalos, significa que o jogo ж feito em igualdade de condiушes, sem vantagem para qualquer dos competidores. O mesmo que de mano, de mano a mano, elas por elas.

N├O RESULTAR, expr. Nсo produzir o efeito desejado.

N├O ROКAR P╩LO, expr. Nas corridas de cavalos, correr o parelheiro sempre na frente, distanciado do competidor.

N├O SER TRIGO LIMPO, expr. Nсo ser boa pessoa, nсo se prestar para brincadeiras, ser valente, atrevido, turbulento, velhaco, trapaceiro, perigoso, irascьvel.

N├O SERVIR PARA RETALHADO, expr. Nсo ser dos que se deixam desmoralizar, ou dos que admitem a infidelidade da mulher.

N├O TER MAIS VOLTA, expr. Nсo ter remжdio. Estar perdido. Ter chegado ao fim.

N├O TER ONDE CAIR MORTO, expr. Nсo possuir nada, ser muito pobre.

N├O TER VALIA, expr. Nсo ter valor, nсo ter utilidade para nada.

N├O VALER UM PITO, expr. Nсo ter valor algum, ser totalmente inЩtil. O mesmo que nсo valer um sabugo.

N├O VALER UM SABUGO, expr. O mesmo que nсo valer um pito.

NAPEVA, adj. De pernas curtas, diz-se de galinрceos e de cсes.

NASCIDO, s. O mesmo que nascida, isto ж, abcesso, tumor, leicenуo, furЩnculo.

NAS OBRIGADAS, expr. Em corrida de cavalos significa que os disputantes devem largar logo, imediatamente. Em sentido figurado, ser obrigado a tomar uma atitude.

NA TALA, expr. Debaixo de relho, em aperturas, em dificuldades. Usa-se principalmente com os verbos trazer e estar.

NAZARENAS, s. Esporas grandes. Usa-se tambжm como adj.: esporas nazarenas.

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NEGAКA, s. Esconderijo feito com ramos de рrvore, em forma de cьrculo, no qual o caуador se oculta para atirar nos marrecшes ou marrecas.

NEGADA, s. Mudanуa brusca de direусo ou parada e retomo sЩbitos que faz o animal que se assusta.

NEGADOR DE ESTRIBO, expr. Diz-se do animal que se esquiva quando o cavaleiro vai colocar o pж no estribo, para montar.

NEGADOR DE FREIO, expr. Diz-se do animal que procura evitar que se lhe coloque o freio.

NEGALHAS, s. Pequena porусo, quantidade insignificante.

NEGAR O ESTRIBO, expr. Negar-se o animal a ser montado, afastando-se no momento em que o cavaleiro procura apoiar o pж no estribo. // Figuradamente, faltar a compromisso, mostrar-se esquivo, negar-se a prestar um favor ou a fazer alguma coisa por outra pessoa. // Tambжm se aplica р mulher que repele proposta de amor, ou que se recusa a danуar com determinado par.

“E o sujeito quis retouуar, porжm ela negou-lhe o estribo, porque jр trazia mais de quatro pelo beiуo, que eram dali, da querЖncia, e aquele tal dos versos era teatino…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 13).

NEGМCIO, s. Estabelecimento comercial, casa de negзcio, armazжm.

NEGRINHO, s. Designaусo carinhosa que se dр a crianуas ou a pessoas a que se tem afeiусo.

NEGRINHO DO PASTOREIO, s. Espжcie de anjo bom dos pampas que ajuda as pessoas a encontrarem as coisas perdidas. ╔ crenуa que tenha sido ele, em outros tempos, um escravo pretinho que morreu de maus tratos. A ele se prometem toquinhos de vela e pequenos nacos de fumo para que ajude a procurar animais ou coisas perdidas. A lenda do Negrinho do Pastoreio tem variantes, sendo as versшes mais correntes as de Cezimbra Jacques e de J. Simшes Lopes Neto. Em ambas o negrinho ж um pobre escravo que nсo tem ninguжm por si, que sofre constantes maus tratos de um estancieiro cruel, e que termina sendo colocado em um formigueiro para que as formigas o devorem. Isto, porжm, nсo acontece, pois o negrinho, milagrosamente curado de todos os seus ferimentos, ergue-se do formigueiro e vai para o cжu. ╔ chamado, tambжm, Negrinho do Pastorejo, Crioulo do Pastoreio, Crioulo do Pastorejo, Crioulinho do Pastoreio e Crioulinho do Pastorejo. Essa lenda, que ж genuinamente rio-grandense, tem inspirado belas pрginas da literatura gauchesca.

“Havia um estancieiro cruel para os escravos e para a peonada. Uma feita comprou ele uma boa ponta de novilhos. Era inverno rigoroso e fazia frio de rachar. Esse gado, para ser aquerenciado no campo da estРncia, mandou ele que fosse pastorejado por um crioulito de quatorze a dezesseis anos. Quando chegava o entrar do sol trazia o negrinho o gado do pastorejo e o encerrava no curral, sendo de antemсo contados os ditos animais pelo estancieiro. Um dia, na contagem, deu ele falta de um novilho, e, sem mais demora, encostou o cavalo no da pobre crianуa e deu-lhe a valer com grosso e pesado relho, deixando-lhe

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o corpo seminu cheio de lanhos a correr sangue. E depois que bateu barbaramente, Я vontade, nas costas do infeliz, disse-lhe: – Vai me dar conta do novilho ou, do contrрrio, verрs o que te acontece. Ao ouvir a ordem do cruel senhor, o crioulo deu de rжdeas ao cavalo e partiu Я procura do novilho. Nсo caminhou muito tempo para avistр-lo pastando em uma coxilha. Ao lanуar-lhe as vistas, desatou um frрgil laуo dos tentos, fez a armada e cerrou pernas no cavalo e aproximando-se do novilho Я distРncia necessрria, atirou o laуo certeiramente, laуando-o. Em poucos tirшes secos que deu o animal altaneiro, partiu-se o laуo e saiu ele Я disparada, sem que, por mais empenho que fizesse o crioulo, fosse possьvel fazЖ-lo dar volta. Desenganado o desditoso preto voltou, dando parte ao cruel senhor. Este amarrou-o de pжs e mсos e depois de tornar a dar-lhe muito, fez abrir um formigueiro e deitou-o nu entre as formigas. No dia seguinte, vindo ele ver a sua vitima para continuar o cruel castigo, sendo acompanhado pelas pessoas da estРncia, ao aproximarem-se do formigueiro, viram, ele e os demais presentes, erguer-se uma nuvem e, envolvido nela, subir o mрrtir ao cжu, desaparecendo. Desde entсo os camponeses consideraram a vьtima como um santo e comeуaram a dirigir-lhe promessas. E ficou entre eles esse uso: quando perdem qualquer coisa Щtil, prometem logo velas ao Crioulo do Pastoreio, as quais costumam acender ao achar o objeto perdido. E assim que nсo ж raro verem-se nas estРncias, atrрs das mangueiras ou currais e mesmo ao redor das povoaушes, velas acesas Я noite, cravadas no terreno.” (Joсo Cezimbra Jacques, Assuntos do Rio Grande do Sul, P.A., Of. da Escola de Engenharia, 1912, p. 157).

“Ia, enfim, realizar o seu sonho, fazer uma promessa ao negrinho do pastoreio. Ouvira contar a sua triste histзria e a lenda dos seus milagres. Atirado dentro de um formigueiro, por ter perdido a tropilha de tordilhos, o negrinho ficara sendo o achador de tudo que se perde no campo. Cavalos extraviados, facas caьdas do cinto, bombas de rжdeas, dinheiro, tudo ele fazia voltar ao dono, que lhe pedisse. Sз por um biquinho de vela e um naco de fumo. A vela, para sua madrinha que ж Nossa Senhora, e o fumo para ele, que ж pitador.” (Darcy Azambuja, Coxilhas, Negrinho do Pastoreio, P.A., Globo, 1956,p. 123-24). “No antigamente nсo havia crianуa mais atormentada do que o Negrinho do Pastoreio. Ninguжm apostaria uma ponta de cigarro na mudanуa do seu destino. Ninguжm. Pois nсo cambiou a sua sorte! E de que jeito, com a Virgem Nossa Senhora de sua madrinha e fazendo milagres, levantando pela cola os agoniados. Antes, tinha vida de pele de tambor, pancada e mais pancada no seu lombo descarnado. Por dр cр aquela palha cantava o tranуado. Bastou que a Virgem Santa lhe passasse a ponta dos dedos pelo peleguinho da carapinha tЩmida para

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ele sarar das feridas, o choro parar e o ranho secar no seu nariz chimbж. Desde entсo o Negrinho anda por aь misturado com a escuridсo das noites, de tiусo aceso, semeando o bem. Buenaуo, o guri! ╔ sз enxergar vela acesa na coxilha e lр estр ele para desentalar o mais entalado. ╔ sз ter fж, Яs direitas, nele e na Nossa Senhora.” (Sylvio da Cunha Echenique, Fagulhas do meu Isqueiro, Pelotas, Ed. Hugo, 1963, p. 194).

“Desde entсo e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos, corta os macegais, bandeia as restingas, desponta os banhados, vara os arroios, sobe as coxilhas e desce Яs canhadas. O Negrinho anda sempre Я procura dos objetos perdidos, pondo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luz ele leva para o altar da Virgem Senhora Nossa, madrinha dos que nсo a tЖm.” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1957, p. 335). “O Negrinho do Pastoreio tem o dom de devolver os objetos perdidos, com a retribuiусo de um naco de fumo crioulo, em rama, ou de um toquinho de vela que se acende na boca do formigueiro.” (J.A. Pio de Almeida, Uma Visagem do GaЩcho, Correio do Povo, Caderno de Folclore, 14/12/1976, p. 7).

“El Negrito

(...)

Dicen que en aquella estancia se lo cambiaron por un perro; que era un grano de pimienta la cabecita del negro. Tenьa los dientes muy blancos; pero como andaba siempre serio, de noche no se veьa el negrito del pastoreo. Cuidaba miles de ovejas, que abrillantaban los cerros . y siempre a boca de noche las traьa pa los chiqueros, antes que soitase las suyas el dulce pastor San Pedro. Como es fрcil confundir para un nulo gaucho y negro, una majada de estrellitas y una majada de corderos, las encerraba temprano el negrito del pastoreo. Y en mitad de una gran tormenta donde con tanto centelleo, se le destrenzз el chicote de los rayos al infierno; por mрs cuidado que puso; por mрs que que se hincз en el suelo y hasta le pidiз prestada una estrellita a San Pedro, perdiз una oveja el humilde negrito del pastoreo.

Lo mandaron a pie a buscarla por seis leguas del potrero. JesЧs le encendiз la luna, con pena del niыo negro… Empezз a comcrlo el hambre… cayз rendido de sueыo y las hormigas terminaron con el negrito del pastoreo. Las hormigas lo han creьdo algЩn cascarudo muerto…

Lo enterraron sin velorio y no pudo alzar el vuelo; porque no son cuatro luces las velas: son cuatro dedos… Y como no le seыalaron el camino de los ciclos anda perdido por los campos el negrito del pastoreo. Tal se mezclз su oveja

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con la majada de San Pedro. Estriba en cualquier cabito y sube a pedir rodeo… pero la luz se le acaba en el camino del cielo y cae chisporroteando como los otros insectos.

Por eso cuando se pierde de un alfiler hasta un beso se le promete una luz y жl lo encuentra en un momento Tiene que ser un cabito y tiene que arder en el suelo; porque es muy himilde el рnima del negrito del pastoreo.” (YamandЩ Rodriguez, Poesias Completas, Buenos Aires, Ed. Dayca, 1964,p. 11).

“Negrinho do Pastoreio! meu santo piedoso e rude, dр-me tudo o que eu campeio e encontrar ainda nсo pude. Um coto de vela acesa tenho sempre para ti, por ver se me fazes presa de todo o bem que perdi!” (Zeca Blau, Poncho e Pala, P.A., Sulina, 1966, p. 102).

“E hoje ж crenуa firmada que qualquer prenda extraviada a gente pode encontrar: – Basta acender um toquinho de vela para o Negrinho que ele ajuda a procurar…

Muitas velas se acenderam e louvaушes se renderam, por alma do judiado, que, quando estр gineteando, em seu baio pastoreando, deixa o cжu iluminado…

Deixa o cжu iluminado, pois cada lume ж levado sem que o perceba ninguжm, para o reino da Rainha, para aquela que ж madrinha daqueles que nсo a tЖm…

Cristсo que perca o que seja e que o perdido deseja de qualquer forma encontrar, acenda um coto de vela, que nсo ж dele mas Dela, e o que perdeu hр de achar.” (Athos Damasceno Ferreira, Negrinho do Pastoreio).

“Negrinho Toma o teu toco de fumo, pra continuar teu vareio de repontar os tordilhos. Passas nas horas sem rumo, Negrinho do Pastoreio, sem dormir nos cochonilhos. Nos largos ventos da noite eu te acompanho o tropel por horas mortas e incertas. Por que ж que o destino foi-te tсo recargoso e cruel pelas coxilhas desertas?! Toma o teu toco de vela, para clarear o teu rumo sem que a tropilha se esconda. Quando o trovсo se escancela, num raio enxugas teu fumo nos teus galopes de ronda. Todos os guris felizes, em galpсo, ranchos e estРncias, dormem seu sono profundo. Entre tatus e perdizes, nem pensas nessas infРncias dos felizardos do mundo. Segue o teu fado, a tua sina, cuidando a tua tropilha que nem te deixa ter sono. A cerraусo e a neblina sсo a cilada e a armadilha com que te prova o teu dono. ╔s sз, nas noites do Pampa, Quando a intempжrie castiga!

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╔s sз tu que campereias, sem nem voz para a cantiga que te acompanhe em teu rumo. – Sз tu жs bem homem, Negrito! pitando o teu cigarrito de uns guaxos nacos de fumo…

Tambжm nзs, Negrito amigo, cр pelo nosso borralho, imitamos teu trabalho, campeando o que nсo perdemos quando o sossego se corta: – para toadas querendonas, campeando imagens gavionas nas rondas da noite morta.”. (Aureliano de Figueiredo Pinto, Romances de EstРncia e QuerЖncia, 2ф ed., P.A., Martins Livreiro-Editor, 1981,p. 63-64).

“No pastoreio dos sonhos cruzando a ronda do tempo se a tropilha se extraviou, acende o coto de vela numa prece de ternura… que o Negrinho por certo virр pelo pampa aberto com o sonho que se perdeu.” (Nilda Beatriz Castro de Freitas, Pastoreio, in Antologia da EPК P.A., 1970, p. 205).

“Perdi, Negrinho a Esperanуa E hoje vivo na Amargura. Nesta vela que te acendo, Peуo de volta a Ventura.” (Linz Alberto lbarra, Canусo do Sul, p. 26).

“Diрlogo – Negrinho do Pastoreio, Velho amigo, escuta aqui: Eu quero a faca de prata Que na invernada perdi. – Pronto, Patrсo! Eis a faca Tсo bonita, que perdeu! Agradeуa Я boa Virgem, Que o milagre nсo foi meu! М prodigioso Negrinho, Inda preciso de ti: Quero agora que procures A minha paz, que perdi… – Nesse caso, Patrсozinho, Nada me cabe fazer… Somente certa pessoa Lhe pode a paz devolver! – Negrinho, nсo me abandones! Em teu poder tenho fж! Responde-me: Essa pessoa Onde se encontra? Quem ж? – O Patrсozinho pergunta… Pois nсo sabe? Como nсo?!... Estou vendo a imagem dela Dentro do seu coraусo!” (J. P. Barcellos Penna, Sem cabeуa e outros versos gauchescos, p.

51).

NEGRINHO DO PASTOREJO, s. O mesmo que Negrinho do Pastoreio.

NEM DE PEDO, expr. De forma nenhuma; nem por nada do mundo.

NEM VAI SER CARREIRA, expr. Se usa para significar que a corrida vai ser ganha por um dos parelheiros com extrema facilidade. // Por extensсo, aplica-se a qualquer competiусo: “A eleiусo em Sсo Chico nem vai ser carreira, ganha o Fulano”, isto ж, a eleiусo em Sсo Chico vai ser ganha pelo Fulano com extrema facilidade.

NEN╔, s. Nenжm, bebЖ, a criancinha.

NHANDIJU, s. ┴rvore do Rio Grande do Sul que produz madeira resistente e durрvel, usada para moirшes e para postes.

NHANDU, s. Nome tupi da ema ou avestruz. (╔ alteraусo de ыРndu, do tupi, palavra que entra na composiусo de nomes de rios, de madeira e outros: Inhanduь, rio dos avestruzes; inhandu-

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vр, certa madeira de lei).

NHANDU-TAT┴, s. Avestruz de fogo. (Etim.: do tupi, ыРndu, avestruz, e tatр, fogo).

NHANDUV┴, s. O mesmo que inhanduva.

NHANDUVA═, s. O mesmo que inhanduvр.

“Oh! velho temerрrio! Firme nos estribos, com o bonж levantado sobre o cocuruto da cabeуa, a espada apontando como um dedo, faiscando, o velhito ponteou aquela tormenta, que se despenhou pelo lanуante abaixo e afundou-se e entranhou-se na massa cerrada do inimigo, como uma cunha de nhanduvaь, abrindo em dois um moitсo grosso de guajuvira…” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 84).

NHANH┴, s. Tratamento que os escravos davam Яs senhoras, principalmente Яs meninas e moуas.

NHONHМ, s. Tratamento familiar dado aos meninos, pelos escravos.

NICADA, s. Ato de nicar.

NICAR, v. Bater com uma bola de vidro em outra, no jogo infantil da bolita.

NILO, adj. PЖlo de gado vacum. Diz-se da rЖs que tem a cabeуa branca e o resto do corpo de outra cor. O mesmo que pampa.

NINHAR, v. Andar Я procura de ninhos para lhes tirar os ovos.

NINHO DE GEADA, s. Lugar em que a geada cai intensamente todos os anos.

NIQUELEIRA, s. Porta-nьqueis, pequena bolsinha.

NO BICO DA CHOCOLATEIRA, expr. NOBREZA, s. Seda preta engomada e muito lustrosa que se usava antigamente.

NO CLARO, expr. A dinheiro, Я vista.

“Trezentos mil rжis no claro, tinha enjeitado uma semana antes, por barato. E era.” (Darcy Azambuja,No Galpсo).

NO GRITO, expr. No ato, no momento, imediatamente, em seguida.

NOITE DE CACHORRO, s. Noite em que a pessoa nсo conseguiu dormir descansadamente em vista de constantes contratempos.

NO MAIS, adv. Nсo mais, sem mais, sem mais preРmbulos, sem mais nem menos, sem mais aquela, simplesmente, tсo somente, unicamente, apenas.

“Por aь, no mais, se atravessou um dos da roda para falar da serra do Aceguр.” (Sylvio da Cunha Echenique, Fagulhas do meu Isqueiro, Pelotas, Ed. Hugo, 1963, p. 159).

NO MATO SEM CACHORRO, expr. Em grandes dificuldades, em apuros.

NOMBRADA, s. Heroьsmo, rasgo.

NOMBRAMENTO, s. Nomeaусo.

NМ-NAS-TRIPAS, s. Apendicite, oclusсo intestinal.

NONATO, s. Nсo nascido. O terneiro tirado do ventre da vaca que foi carneada. O mesmo que tapichi, bacaraь ou vacaraь.

NO ORA VEJA, expr. Sem conseguir o que pretendia, o que esperava, o que de direito lhe cabia. Desiludido, enganado, logrado, decepcionado.

“Como diabo ia ele levar a caуa, aquela? ... E quando estava botan-

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do as suas contas,o nhandu deu em patear, a se revirar todo e mal apanhou livre uma perna, priscou e se foi a la cria, deixando o caуador no ora-veja! ...” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul, P.A., Globo, 1973, p. 109).

NOQUE, s. O mesmo que ano que.

NМ-REPUBLICANO, s. Modo de atar o lenуo que os republicanos rio-grandenses de 1835 usavam como distintivo.

NO SACAR DA ORELHA, expr. No momento em que as orelhas dos parelheiros ficam desembaraуadas, isto ж, logo que a linha perpendicular Я cancha que as contenha nсo mais coincida com elas, por terse adiantado um dos cavalos.

NO SOFLAGRANTE, adv. O mesmo que no sufragante.

NO SUFRAGANTE, adv. Imediatamente, prontamente, no momento em que, ao pж da letra, no mesmo instante. O mesmo que no soflagrante.

NO TOCO, adv. No ato de, no flagrante.

NO TRANCO, adv. Na marcha natural, nсo apressada, do animal de montaria.

NOVE, s. Jogo de cartas.

NOVIКO, s. e adj. Cavalo novo. // Pessoa inexperiente.

NOVILHITO, s. Diminutivo de novilho.

NOVILHO, s. Vacum novo. Os machos, para receberem essa denominaусo, devem ser castrados.

NOVILHO CORPO DE BOI, s. Novilho bem desenvolvido.

NUEL, adj. Implume, sem penas, recжm-nascido.

NUM DE REPENTE, adv. O mesmo que num repente.

NUM PENSAMENTO, adv. Muito rapidamente, num abrir e fechar de olhos, num instante, num vр.

NUM PROVISO, adv. Num momento, de repente, num instante, imediatamente, de improviso.

NUM REDEPENTE, adv. O mesmo que num repente.

“Ficamos, num redepente e por alguns minutos imзveis que nem estрtua,” (Natрlio Herlein, As TrЖs Marias, Univ. de Caxias do Sul, 1980, p. 97).

NUM RELANCIM, adv. Num relance, repentinamente.

NUM REPENTE, adv. De repente, repentinamente. O mesmo que num de repente, e num redepente.

NUM UPA, adv. Num abrir e fechar de olhos. De golpe, de sopetсo, muito rapidamente, sem delongas.

“Apeou num upa e desenganchou o arame do moirсo, tornando a montar.” (N. Pereira Camargo, Histзrias da Fronteira, P.A., Ed. Combate Ltda., 1968, p. 12).

“Tamanho nсo te preocupa, Sejam homens ou animais, Vences a todos num upa, Tambжm assim, ж demais…” (Oscar da Cunha Echenique, Quero-quero).

NUM V┴, adv. Num instante, num pensamento, muito rapidamente, num abrir e fechar de olhos, num vu.

“... o rapaz que era influidito de nascenуa, se desmasiou e insultou uma escolta do Comandante. Ora, a cachorrada pulou nele num vр. Resistiu com fЗlego de guapo! Mas eram quinze, e ele um.” (Ciro

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Martins, Campo Fora, P.A., Ed. Movimento, 1978, p. 74).

“E, num vр, deu-se o estouro…” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango).

NUM VU, adv. O mesmo que num va.

NUTRIA, s. Ratсo-do-banhado.

NUVEM, s. e adj. Espertalhсo, velhaco, vivo, finзrio, matreiro, esperto, perspicaz, atilado, pouco escrupuloso, de procedimento pouco limpo.

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OBEDEENКA, s. ObediЖncia (antiq. em Portugal).

OBRIGAК├O, s. A famьlia, os filhos.

OCA, s. Perfuraусo redonda feita na roda do carro.

OCHE!, interj. Expressсo usada pelos carreteiros para fazer os bois da carreta pararem ou diminuьrem a marcha. Usa-se, tambжm, para acalmar o boi que se vai pegar. O mesmo que ooche! ou Зh!

“Oche, boi! Oche, boi! disse o velhito, E a boiada parou. Depois da apeada E largando a picana, despacito Foi desunindo os jugos da boiada.” (EugЖnio Guerra Severo, O Carreteiro, Ed. Documento, 1978, p. 5).

М DE CASA!, interj. Expressсo com que o gaЩcho se anuncia Я frente de uma casa em que vai chegar. Var.: З de casa!

“Basta um з-de-casa! e o GaЩcho tem abertas as portas do coraусo.” (Nelson Fachinelli, Minta Terra).

н DE CASA!, interj. O mesmo que з de casa!

OFICIALADA, s. Grupo de oficiais. Os oficiais.

нH!, interj. O mesmo que oche!

нH! L┴!, interj. Exprime admiraусo: “нh! Lр! Homem feio!”, isto ж, que homem feio!

OIGAL╔!, interj. O mesmo que oigalЖ!

OIGAL╩!, interj. Exprime admiraусo, espanto, alegria.

“Ganhou o tostado. OigalЖ peleia linda!” (Darci Azambuja, No Galpсo, 2ф ed., p. 105).

“Cachorrinho estр latindo Lр no fundo do quintal. Dona dele – faz trЖs anos – (OigalЖ!, velho Blau Nunes…) foi no mato cortar lenha, se sumiu no tremedal…” (Ovьdio Chaves, in Rodeio Emotivo, Fund. Educ. de Alegrete, organiz. por Moacir Santana, 1979, p.

36).

OIGAT╔!, interj. O mesmo que oigalЖ!

OIGAT╩!, interj. O mesmo que oigalЖ!

OLADA, s. Ocasiсo, oportunidade, sorte, potra, momento propьcio que deve ser aproveitado para se conseguir algo. Estar de olada significa estar com sorte, sobretudo no jogo.

OLHADA, s. Aусo de olhar, reparo.

OLHEIRA DE SOL, s. Aусo forte do sol, soalheira, sol intenso. “Sai dessa olheira de sol que te faz mal.”

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OLHO-D’┴GUA, s. Manancial, vertente.

OLHO-DE-BOI, s. Tremedal, atolador profundo.

OLHO-DE GATO-LADR├O, s. Olhar desconfiado.

OLHOS-DE-BONECA, s. Planta da famьlia das Sapindрceas.

OMBRUDO, adj. Que tem ombros largos, espadaЩdo.

OMILDOSO, adj. Humildoso, humilde.

ONКA, s. Moeda antiga, de ouro.

ONDE CANTA O GALO, loc. adv. Muito encima, bem no alto, a cantagalo. V. as expressшes atar a cola a cantagalo e quebrar o cacho a cantagalo.

“E bem montado, vinha, num bagual lobuno rabicano, de machinhos altos, peito de pomba e orelhas finas, de tesoura; mui bem tosado a meio cogotilho, e de cola atada, em trЖs tranуas, bem alto, onde canta o galo! ...” (Simшes Lopes, Contos Gauchescos e Lendas do Sul).

ONTONTE, adv. Anteontem, antes de ontem.

“Seguiu tudo ontonte pra Porto Alegre e…” (Aureliano,Memзrias do Coronel Falcсo, P.A., Ed. Movimento, 1974, p. 100).

OOCHE!, interj. O mesmo que oche!

нRA, interj. Corruptela de fora. Usada para se espantar ou tocar por diante os animais, principalmente os vacuns.

“нra… Зra… Зra… Marcha boiada…” (Clжber Mжrcio, Ultima Tropeada, p. 159).

ORACA, s. Alma-de-gato.

OREAR, v. Arejar, ventilar, secar imperfeitamente ao vento, ao sol, ou ao fogo, a roupa, o charque fresco, a estrada, ou qualquer outra coisa. (Orear ж castelhano no sentido de arejar, abanar).

OREGONES, s. O mesmo que origones.

ORELHA-DA-SOTA, s. O jogo de cartas. “Fulano gosta da orelha-da-sota”, isto ж, gosta do jogo de cartas.

ORELHA-DE-GATO, s. Planta medicinal usada em gargarejos.

ORELHADOR, s. Campeiro que orelha o redomсo para o domador poder montar.

ORELHA LIVRE, expr. Condiусo de carreira estabelecendo que basta que a orelha de um dos parelheiros exceda Я do outro para que esteja ganha a carreira. Pequena vantagem, equivalente ao diРmetro de uma orelha, que, na carreira, um cavalo leva em relaусo ao seu adversрrio.

ORELHANO, s. e adj. Animal sem marca nem sinal.

“Estabelecida a paz, levou cinco anos em cruzada pela Serra e pelo sul da Provьncia, ora carreteando, ora conduzindo tropas, ora volteando animaladas orelhanas.” (A. Maia, Ruьnas Vivas, Porto, Lelo & Irmсo, 1910, p. 32).

“Um dia aos pagos da Serra chegaram muitos fulanos, cercaram terra e mais terra, marcaram os orelhanos.” (Zeno Cardoso Nunes, Ladrсo de Gado).

“- ═ndio velho sem governo, minha lei ж o coraусo… – Aь estр a psicologia do teu povo no lirismo orelhano do rincсo.” (Zeca Blau, Poncho e Pala, P.A., Sulina, 1966, p. 89).

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“Gado Orelhano Encerrado o rodeio, o ‘tio’ Toledo – capataz bonachсo e respeitado – disse em voz alta: – Apartem todo o gado, todo o gado de marca, enquanto ж cedo.

E num upa, no mais, foi apartado. Pra o pessoal bem montado foi brinquedo… – era o rodeio grande dos Macedo, todo de pampa e durham colorado.

Quando escapava um bicho de ‘mau pЖlo’, numa corrida pelo chapadсo, voltava jр no laуo, pra o sinuelo. Feita a ponta e a culatra, pela estrada, rumo Я fazenda, para a marcaусo, segue o gado orelhano da invernada.” (Valdomiro Sousa, Chimarrсo, P.A., Tip. Goldman, 1951, p. 62).

ORELHAR, v. Segurar o animal, cavalar ou muar, que estр sendo domado, por uma ou pelas duas orelhas, para facilitar que o domador o monte. (V. o termo orelhador).

ORELHAR AS CARTAS, expr. Chulear as cartas, no jogo de baralho. Jogar. (O jogador orelha a carta decisiva puxando-a, com a mсo direita, para cima, e segurando-a, com a esquerda, para nсo deixр-la sair).

ORELHAR A SOTA, expr. Jogar cartas.

ORELHAR UMA ESPERANКA, expr. Alimentar uma esperanуa.

ORELHUDO, adj. O mesmo que orelhano.

ORIКAR, v. Ouriуar, eriуar.

ORIENTAL, adj. Diz-se da RepЩblica do Uruguai; de seus habitantes e de suas coisas, apesar de nсo estar ela situada ao oriente do Rio Grande do Sul.

ORIGON, s. O mesmo que origone.

ORIGONES, s. Fatias de polpa de pЖssego, secas ao sol, as quais podem ser comidas ao natural ou cozidas. O mesmo que oregones. (Em portuguЖs chama-se origone ou orijone ao doce de pЖssego seco). V. queixo de origones.

ORIJONES, s. V. origones.

ORINA, s. Urina.

ORIZ═COLA, adj. Que cultiva arroz: “Paьses orizьcolas”.

OROPA, s. Europa. Nome da abelha europжia ou domжstica. Abelha europжia que tendo fugido, em enxames, do cortiуo, passa a fazer seu mel no mato, em ocos de рrvores.

“Se aparecia algum gringo Desses que vЖm lр d’Oropa, Que nсo ж qualquer que topa.” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A.,Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 37).

“Naquele tempo nсo se chorava um angico oco para furar uma oropa.” (Clemenciano Barnasque, No Pago).

ORRE!, interj. O mesmo que orre diacho!

ORRE DIACHO!, interj. Exprime satisfaусo por ter acontecido algo de mau a um adversрrio ou a um inimigo.

OSCO, adj. PЖlo de gado vacum, semelhante ao zaino dos equinos, podendo ser mais ou menos carregado. Vermelho enfarruscado. PЖlo cor de pinhсo. Por vezes se nota na rЖs osca o pЖlo vermelho nos lados das costelas e tostado escuro no resto do corpo; outras

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vezes, ж escuro o corpo, com excessсo da cabeуa que ж vermelha. Tambжm se escreve hosco. (Etim.: Para alguns estudiosos vem de hosco, do castelhano, que significa fusco. Para outros, vem do portuguЖs, de fosco ou de fusco).

OSCO-REQUEIMADO, adj. PЖlo de vacum osco em que predomina a cor escura.

OSSAMA, s. Ossamenta, quantidade de ossos.

OSSAMENTA, s. Carcaуa, esqueleto. // Em sentido figurado, o corpo da pessoa.

OTA!, interj. Exprime admiraусo: “Ota! Animal bueno aquele!”.

OTA L┴!, interj. Exprime admiraусo e espanto: “Ota lр! Que mulher horrьvel! “.

OVADO, adj. Diz-se do cavalo que tem ovas ou inchaушes, provenientes da dilataусo de certas membranas entre a pele e os ossos ou cartilagens.

OVAS, s. Tumores moles que aparecem em geral nos machinhos dos animais cavalares.

OVEIRO, adj. Diz-se do pЖlo do animal que tem o corpo de uma cor com manchas de outra. As manchas dсo a impressсo de um remendo sobre o pЖlo. Malhado. (Etim.: Parece provir de overo, do castelhano).

OVEIRO-ALAZ├O, adj. Diz-se de cavalo alazсo com manchas de outra cor, em geral brancas.

OVEIRO-BAIO, adj. Diz-se do animal baio com manchas de outra cor, em geral brancas.

OVEIRO-CHITA, adj. Diz-se do animal cujo pЖlo ж salpicado de pequenas manchas.

OVEIRO-GATEADO, adj. Diz-se do animal gateado com manchas de outra cor, em geral brancas.

OVEIRO-LOBUNO, adj. Diz-se do animal lobuno com manchas de outra cor, em geral brancas.

OVEIRO-NEGRO, adj. Diz-se do animal que tem o corpo branco com manchas pretas ou vice-versa.

OVEIRO-ROSADO, adj. Diz-se do animal rosado com manchas de outra cor, em geral brancas.

OVEIRO-ROSILHO, adj. Diz-se do animal rosilho com manchas de outra cor, em geral brancas.

OVEIRO-SEBRUNO, adj. Diz-se do animal sebruno com manchas de outra cor, em geral brancas.

OVEIRO-VERMELHO, adj. Diz-se do animal que tem o corpo branco com manchas vermelhas ou vice-versa.

OVEIRO-ZAINO, adj. Diz-se do animal zaino com manchas de outra cor, em geral brancas.

OVELHEIRO, adj. Diz-se do cсo adestrado desde tenra idade para guardar e proteger o rebanho. // Diz-se, tambжm, do cсo que tem o mau hрbito de perseguir os rebanhos para comer ou simplesmente para matar as ovelhas.

“- cachorro ovelheiro, o que desde mui tenra idade ж criado junto ao rebanho, que ele, quando jр crescido, guarda e protege dos ataques dos outros cсes ou de animais selvagens, nсo o abandonando senсo para ir ao estabelecimento comer sua raусo Я hora certa. └ hora de recolher as ovelhas, ele as reune e as conduz ao curral, em cuja entrada passa deitado e vigilante durante a noite, levantando-se mui cedo para acompanhр-las ao campo. Tambжm se emprega em referЖncia ao

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cсo que tomou o hрbito de assaltar as ovelhas para as matar e comЖ-las ou unicamente para as ferir ou matр-las.” (Romaguera).

OVO-DE-SAPO, s. Denominaусo dada a pequenos glзbulos rзseos que se encontram aderidos Яs plantas aquрticas ou Яs pedras da beira dрgua, e que contжm no seu interior um lьquido transparente. Apesar de denominados ovos-de-sapo, sсo, na realidade, ovos de uma variedade de caracol.

OVO-GUACHO, s. O ovo que o avestruz pшe fora do ninho, no campo, ao acaso. Acredita-se que o avestruz pшe esse ovo com a intenусo de, mais tarde, quebrр-lo para atrair grande quantidade de moscas com que alimentarр seus filhotes, recжm saьdos da casca. Ovo de qualquer ave, posto fora do ninho, ou em ninho alheio.

OVOS, s. Os testьculos.

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P

P┴, s. O omoplata da rЖs. A carne dessa regiсo do animal vacum nсo ж considerada de boa qualidade.

“Levou tempos o Chimango, ruim como carne de pр” (Amaro Juvenal, AntЗnio Chimango, 21ф ed., P.A., Martins Livreiro- Editor, 1978, p. 30).

PABLO, adj. Fрtuo, gabarola, impostor, pedante, prosa, soberbo, presumido, mentiroso, fanfarrсo.

PABULAGEM, s. Pedantismo, gabolice, vanglзria, impostura.

PACAU, s. Jogo de cartas usado na fronteira. // Indivьduo a que falta um dedo. // Bater o pacau significa morrer.

PACHO, s. Tampсo para vedar.

PACIENCIOSO, adj. Paciente, calmo, tзlerante.

PAКOCA, s. Comida feita com charque aferventado ou assado, socado no pilсo ou cortado e desfiado, misturado com farinha de mandioca. Dura muitos dias, sendo зtimo alimento para conduzir em viagens longas. O termo atualmente se aplica a qualquer comida seca mexida com farinha de mandioca. // Coisa complicada, embrulhada, confusсo, mistura. Porусo de coisas amarfanhadas. (╔ palavra tupi).

“depois de saborear a paуoca de charque, com cafж preto, de chaleira, adoуado com rapadura,” (ZCN, Serventias da Cachaуa).

PACOTILHA, s. Quadrilha de malfeitores.

PACOVA, s. Espжcie de banana grande.

PACU, s. Peixe do rio Uruguai e de seus afluentes.

P┴FIA, s. Empрfia, impostura, vaidade.

PAFIOSO, adj. Enfatuado, presumido, vaidoso, impostor.

PAGAR┴, s. Baile popular, fandango.

PAGAR A MULA ROUBADA, expr. Ser obrigado a prestar contas dos atos maus ou dos crimes que tenha praticado.

“Nсo venha, seu almirante, General de рgua salgada: Nсo venha porque bem pode Pagar a mula roubada.” (Simшes Lopes, Cancioneiro Guasca, P.A., Globo, 1954, p. 260).

PAGAR CHAPETONADA, expr. Ser logrado, pagar preуo excessivo por um objeto, sair-se mal em um negзcio por falta de prрtica. Sofrer as conseqЧЖncias da prзpria tolice.